PolíticaSecretário diz que “mercado em baixa” afecta renovação urbana Andreia Sofia Silva - 2 Abr 2026 O secretário para os Transportes e Obras Públicas, Raymond Tam, afirmou ontem que o “mercado [imobiliário] está em baixa”, o que faz com que muitos proprietários não queiram arriscar reconstruir as suas casas nas zonas mais antigas. “Creio que concordam comigo, é difícil promover esse trabalho [de reconstrução]. As pessoas não estão optimistas e não investem na reconstrução. A dificuldade [está] no ambiente do nosso mercado e vamos ter de pensar em como podemos promover esse trabalho de reconstrução”, disse o governante, admitindo que se pode recorrer a “reduções fiscais” ou mesmo “prémios”. No âmbito das 1.700 fracções existentes para troca, e 2.800 de alojamento temporária, utilizadas em processos de renovação de prédios antigos, o secretário disse que o Governo “não vai excluir a hipótese de adquirir estas fracções através da Macau Renovação Urbana”, mediante a situação financeira da empresa. “Através de um processo de troca podemos resolver estas questões. Caso haja uma propriedade em sucessão, com cinco ou seis herdeiros, e que não queiram a habitação para troca nem viver na casa temporariamente, aí é provável que queiram receber dinheiro. Vamos ponderar caso a caso no âmbito da renovação urbana.” O secretário explicou ainda que “se a natureza [da fracção] continuar a ser a de habitação para troca, teremos de a alterar, e aí será mais fácil”. “Estamos a discutir com a Macau Renovação Urbana para ver se há mais sujeitos que podem fazer habitação para troca”, destacou. Na resposta à interpelação oral da deputada Wong Kit Cheng, Raymond Tam esclareceu que “está em estudo a forma de utilização das habitações para troca e das habitações para alojamento temporário, com vista a melhor promover a renovação urbana”. Incentivos precisam-se O deputado Lei Leong Wong pediu ao Governo para “relaxar as restrições em termos de políticas”. “Muitos projectos de renovação urbana têm enfrentado dificuldades recentemente. O projecto em Toi San [sete prédios] decorre sem sobressaltos, havia 50 fogos, agora vão construir 107 fracções comerciais, e os proprietários não têm de assumir grandes despesas de construção mas, além disso, há outros projectos que não estão nesta situação.” Já a deputada Loi I Weng pediu “mais incentivos e apoios” para os proprietários das casas. “A renovação urbana implica muitas vertentes, avultados encargos e isso afecta a vontade dos proprietários [em reconstruir], porque têm de assumir muitas despesas.” O secretário lembrou que, quem investe, tem retorno. “Claro que os proprietários saem beneficiados, porque o valor do seu imóvel vai ser mais elevado, os custos vão ter um retorno”.