EventosCreative | A Casa da Música do Porto sob o olhar de Lúcia Lemos Andreia Sofia Silva - 3 Mar 2026 “White Diamond” [Diamante Branco] é o nome da nova exposição patente na Creative Macau, um espaço onde Lúcia Lemos, antiga directora desta galeria, aproveita para mostrar a sua visão muito própria sobre um dos mais icónicos edifícios do Porto, a Casa da Música. O fascínio sobre o preto e branco permanece Inaugurado em 2005, o edifício da Casa da Música, no Porto, sempre esteve no radar de Lúcia Lemos, fotógrafa e ex-directora da Creative Macau. E é com as imagens deste edifício, da autoria do arquitecto holandês Rem Koolhaas, que a responsável regressa às exposições em seu nome, e logo na galeria que dirigiu durante tantos anos. “White Diamond” é o nome dado à nova mostra da Creative Macau, inaugurada a partir desta quinta-feira. Numa nota a propósito da exposição, a autora descreve “o fascínio incontrolável” que tem sobre a fotografia a preto e branco, feita com filme. Há “um breve momento entre o enquadrar e clicar, uma felicidade repentina e indecifrável toma conta de mim”, conta. No caso da Casa da Música, que intitula de “magnífica”, o que ocorreu foi uma “curiosidade excepcional para fotografá-la em filme”. “Em 2006, fiquei em frente àquele enorme edifício ‘diamante’ em cimento branco e tirei algumas fotos com a minha velha câmara Rolleiflex. Sob a intensa luz do sol do dia, o seu corpo branco, rodeado por casas escuras de granito de três andares do século XX, brilha em todas as faces, glorificando a cidade. Isso torna a Casa da Música ainda mais resplandecente”, descreve-se na mesma nota. Ao HM, Lúcia Lemos conta que o que mais a fascinou na Casa da Música foi a “originalidade da estrutura física não usual e o que provocou nas gentes do Porto”, nomeadamente “sentimentos antagónicos, quer de repúdio, quer de admiração”. Ainda em 2006, Lúcia Lemos digitalizou alguns negativos e imprimiu as imagens, já em Hong Kong, já a pensar numa futura exposição, que ganha agora corpo. “Para mim, Rem Koolhaas fez a Casa da Música com carne e osso, deu-lhe substância e função, forma e dinamismo, inclinação e verticalidade. É um volume de uma escala fantástica, com inclinação e declive vertiginosos. Porém, exprime o espírito e a plenitude de significado que é servir a MÚSICA”, conta. As causas Lúcia Lemos deu a este “conjunto fotográfico” o nome de “Diamante Branco” porque encara “essa estrutura como um diamante esculpido a cimento branco, rodeado por casas de três andares de granito escuro”. Na Avenida da Boavista, onde o edifício está situado, “a Casa da Música emerge iluminada do chão quase plano, com todas as faces a espelhar o sol e as nuvens, oferecendo felicidade a quem ama a música”. O amor pelo preto e branco mantém-se como sempre. “Todo o meu trabalho fotográfico que tenho vindo a publicar e a exibir desde 2001 provem do filme analógico a preto e branco. Talvez, um dia, publique fotografia colorida, mas se me decidir por um projecto específico em que a cor seja absolutamente identitária do objectivo afim”, explicou. Lúcia Lemos diz estar muito feliz por poder voltar a mostrar o seu trabalho na Creative. “A primeira vez foi em Fevereiro de 2010, com sete fotografias monumentais, com um formato quadrado de dois metros, o que salientou a estrutura monumental de alguns casinos em construção. O grupo de 23 fotografias que agora apresento do exterior da Casa da Música são impressões únicas, sem repetição, com o tamanho de 41 por 51 centímetros.” Em relação ao projecto da Creative Macau, Lúcia Lemos é convidada a analisá-lo de fora, sentindo “um orgulho e emoção indescritíveis por ter vivido o Creative Macau desde a concepção”. “Foram mais de duas décadas de entusiasmo, paixão, amor e dedicação tentando criar uma imagem inovadora e de abertura à qualidade. Pelo caminho houve avanços e recuos, não obstante ajustamentos e contenções, o nosso objectivo era oferecer algo novo e diferente”, aponta. A responsável recorda ainda os “projectos inovadores lançados e que foram prestigiantes para a instituição fundadora”, nomeadamente o Instituto de Estudos Europeus de Macau. “Claro que a realização conseguida só foi possível tendo a confiança e apoio daqueles que, ao meu lado, trabalhavam para esse objectivo com orgulho. Emociona-me ver que o Creative Macau continua dinâmico e no mesmo formato artístico e cultural”, concluiu.