Pequim quer que cimeira do clima debata proteccionismo contra tecnologias verdes

A China defendeu ontem que a próxima conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31), prevista para Novembro na Turquia, deve abordar o proteccionismo e barreiras comerciais às tecnologias verdes, numa altura de crescentes tensões comerciais com o Ocidente.

A proposta surge em plena disputa comercial com os Estados Unidos e a União Europeia (UE) sobre produtos chineses como veículos eléctricos e painéis solares, considerados fundamentais para a transição energética.

O vice-ministro chinês da Ecologia e Ambiente e chefe da delegação à COP31, Li Gao, defendeu ontem, numa conferência de imprensa organizada pelo Conselho de Estado (Executivo) em Pequim, que as negociações devem abordar os obstáculos comerciais que, na perspectiva chinesa, dificultam a transição energética.

“Acreditamos que a conferência deve debater aprofundadamente os problemas antigos da redução insuficiente das emissões e do apoio financeiro dos países desenvolvidos, bem como os novos desafios do unilateralismo e do proteccionismo, que prejudicam os esforços colectivos mundiais”, afirmou Li.

A China, um dos maiores fabricantes mundiais de veículos eléctricos, baterias e painéis solares, enfrenta tarifas aduaneiras e outras restrições nos Estados Unidos e na UE, destinadas a proteger as respectivas indústrias da concorrência chinesa.

Li apelou à criação de um sistema comercial internacional mais aberto, que facilite a circulação de tecnologias e produtos de baixas emissões. O governante não apresentou, contudo, medidas concretas para eliminar as tarifas aduaneiras, nem mencionou expressamente Washington ou Bruxelas.

O vice-ministro defendeu também progressos no financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento, nomeadamente no objectivo de mobilizar pelo menos 300 mil milhões de dólares por ano até 2035 e de triplicar os fundos destinados à adaptação às alterações climáticas.

Encontro em Antália

Entre as prioridades de Pequim figura ainda a criação de um mecanismo internacional de transição justa, destinado a ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar as dificuldades económicas e sociais associadas à descarbonização.

Questionado sobre a proposta turca de elevar para 35 por cento a taxa de electrificação mundial até 2035, Li afirmou que a iniciativa está alinhada com as políticas chinesas, mas evitou manifestar apoio explícito.

O responsável defendeu que devem ser consideradas as diferenças entre países, de forma a alcançar o “maior consenso possível”. A COP31 decorrerá entre 09 e 20 de Novembro, em Antália, na Turquia, com uma cimeira de líderes prevista para os dias 11 e 12 e uma jornada dedicada ao financiamento e ao comércio no dia 13.

As negociações procurarão acelerar a aplicação do Acordo de Paris e aproximar posições sobre a transição energética, a adaptação às alterações climáticas e o apoio aos países mais vulneráveis.

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