China / ÁsiaCooperação | Rússia destaca crescimento do comércio com a China Hoje Macau - 22 Out 2026 O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, enfatizou a cooperação com o vizinho chinês, apesar do ambiente externo hostil, durante um encontro com Li Qiang, em São Petersburgo A Rússia e a China estão a intensificar a cooperação económica e comercial, apesar das pressões externas, afirmou ontem o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, durante um encontro com o homólogo chinês, Li Qiang, em São Petersburgo. “Apesar do aumento das pressões externas, a cooperação comercial e económica entre a Rússia e a China apresenta uma dinâmica muito positiva. O nosso comércio bilateral multiplicou-se por mais de 30 nos últimos 25 anos”, afirmou Mishustin, durante o encontro transmitido pela televisão pública russa. Em Setembro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, promulgou uma lei aprovada pelo Congresso que alarga as sanções contra a Rússia e o Irão e permite impor tarifas aduaneiras até 100 por cento aos países que comprem energia russa. Embora Trump tenha assinado, quase um mês depois, uma ordem executiva que suspende temporariamente a aplicação dessas sanções, Moscovo advertiu que a medida prejudicará as relações entre a Rússia e os Estados Unidos. Durante a reunião, Mishustin destacou também o aumento da utilização das moedas nacionais nas transacções bilaterais, que representam já “quase 100 por cento do comércio mútuo”. O chefe do Governo russo salientou o aprofundamento da cooperação nos sectores da energia e da cultura, bem como dos intercâmbios entre as populações dos dois países. “As relações inter-regionais estão a fortalecer-se de forma consistente e, mais importante ainda, os contactos directos entre os cidadãos dos dois países”, afirmou. Segundo Mishustin, Moscovo e Pequim estão a criar “novos motores de crescimento”, com base nas vantagens competitivas das respetivas economias. “Continuamos a defender de forma consistente os nossos interesses comuns, reforçando a soberania industrial e tecnológica”, acrescentou, destacando os princípios do respeito mútuo, da boa vizinhança e do benefício recíproco. Boas energias No sector energético, o primeiro-ministro russo garantiu que Moscovo continuará a assegurar o fornecimento ininterrupto de recursos à China. “A Rússia continuará a garantir de forma fiável o fornecimento ininterrupto de recursos energéticos e estamos, de modo geral, preparados para reforçar a cooperação nesta área”, afirmou. Mishustin destacou as exportações de gás natural russo para a China, a construção de uma nova rota de abastecimento através do Extremo Oriente russo e o desenvolvimento do projecto de gasoduto denominado “Força do Baikal”, que descreveu como uma das maiores infraestruturas de transporte de gás da Eurásia. O governante referiu ainda a possibilidade de desenvolver novos projectos conjuntos no domínio da energia nuclear. Na área comercial, Mishustin elogiou os produtos comercializados sob a marca “Made in Russia” (“Feito na Rússia”, em português), que, segundo afirmou, demonstraram elevada qualidade e grande popularidade no mercado chinês. “É necessário alargar a variedade de produtos comercializados entre os dois países. Existe procura por parte dos cidadãos de ambos”, declarou. Li Qiang afirmou que as relações entre a China e a Rússia entraram numa “nova etapa de desenvolvimento acelerado, mais eficaz e concreto”. O primeiro-ministro chinês apelou a que a reunião seja aproveitada como uma “oportunidade importante” para resolver os problemas existentes e transformar os acordos alcançados ao mais alto nível em medidas práticas e resultados concretos. “Sobretudo ao longo do último ano, num contexto internacional muito complexo, avançámos lado a lado, unidos, respondendo à instabilidade e à incerteza externas através de uma cooperação ainda mais enérgica e sólida”, afirmou Li.