Hong Kong | Plano Quinquenal anuncia mais habitação e emprego

Hong Kong anunciou ontem o primeiro Plano Quinquenal e as linhas de acção governativa do território que promete mais habitação, emprego e o desenvolvimento da zona de “Northern Metropolis”. Espera-se “um novo horizonte” para a RAEHK, com a aposta “na reforma e inovação” e o compromisso com políticas que assegurem a qualidade de vida

O Chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, apresentou ontem o primeiro Plano Quinquenal da região vizinha. Depois de um período de consulta pública, foi divulgado o documento que se foca no emprego e habitação, mas não esquece matérias como a garantia da qualidade de vida, a implementação do princípio “um país, dois sistemas” ou ainda o reforço de medidas securitárias.

Segundo a agência Reuters, John Lee prometeu a construção de 196 mil casas públicas em cinco anos, que deverá dar tecto a 2,5 milhões de pessoas. O Governo garantiu também que irá incentivar, em matéria de habitação, a “mobilidade ascendente”, com o objectivo de “melhorar a escada habitacional para promover a aquisição de casa própria entre os jovens”, disse o governante.

Pretende-se, neste contexto, fomentar o desenvolvimento da área de Northern Metropolis, com cerca de 30 mil hectares e que fica muito perto do território chinês. A ideia é que a zona venha a “reforçar as ligações tecnológicas e económicas com o continente, com o objectivo de criar empregos e habitação”, descreveu a Reuters.

Sobre o projecto, John Lee declarou que irá “reforçar ainda mais a competitividade global e o dinamismo de Hong Kong para um desenvolvimento sustentável”.

Nos próximos dez anos, a oferta de habitação será dividida nas seguintes proporções: 40 por cento das casas públicas para arrendamento, 30 por cento de habitação subsidiada e outros 30 por cento de habitação destinada ao mercado privado.

O documento traça objectivos para os anos de 2026 a 2030, visando “abrir novos horizontes e iniciar um novo capítulo” para o território, lê-se no website oficial do Plano Quinquenal. A Autoridade de Renovação Urbana planeia gastar cerca de 40 mil milhões de dólares de Hong Kong nos próximos cinco anos “em iniciativas de renovação urbana”, lê-se no Plano.

“Tendo em conta o ano de início do 15º Plano Quinquenal [da China], este inaugural Plano Quinquenal da RAEHK está formulado para, de forma pró-activa, se alinhar com as estratégias nacionais de desenvolvimento e uma melhor integração” no país, pode ler-se.

Há sete princípios definidos: “adesão ao princípio ‘um país, dois sistemas'”; “manter o compromisso” com a garantia de qualidade de vida no território; a liderança do poder Executivo, a aposta “na reforma e inovação”; a intenção de uma “dupla abordagem” nas ideias de um “mercado eficiente” e um “Governo capaz”. Pretende-se ainda, dentro destes princípios, “adoptar uma aproximação holística nas áreas do desenvolvimento e segurança”; além de se adoptar “um planeamento pragmático e pró-activo”.

Finanças são o caminho

John Lee assegurou que Hong Kong irá, com o Plano Quinquenal, “reforçar o seu papel enquanto centro global de negócios offshore em renminbis, como centro internacional de gestão de activos e património, e também como centro internacional de gestão de riscos”.

Pretende-se o desenvolvimento de “um ecossistema de comércio de matérias-primas, alinhando-se os serviços financeiros com as necessidades da economia real”, declarou o governante.

Segundo a Reuters, o Chefe do Executivo da região vizinha anunciou, para o primeiro trimestre do próximo ano, a criação do primeiro sistema central de compensação e liquidação de ouro da cidade. Além disso, a Autoridade Monetária de Hong Kong planeia implementar, até ao final deste ano, a liquidação através de moeda digital do banco central, acrescentou John Lee.

Tendo em conta a importância do território para a transacção de mercadorias, o Plano Quinquenal contém a medida de transformar Hong Kong num “superconector” entre regiões, sobretudo com a Grande Baía. “Vamos acelerar o alinhamento com as principais estratégias nacionais no domínio da tecnologia”, disse o Chefe do Executivo. As grandes áreas de cooperação passam pela melhoria da qualidade de vida, cuidados de saúde, inteligência artificial, robótica e microelectrónica, entre outras.

No contexto da Grande Baía e integração regional, o que se pretende é a “‘conectividade dos corações’ entre os residentes de Guangdong, Hong Kong e Macau”, através do “reforço da cooperação das instituições do ensino superior de Hong Kong” com as restantes regiões, a fim de “cultivar a junção de talento e cooperações entre Guangdong e Hong Kong”.

Pretende-se, a este nível, “abrir horizontes para que os mais jovens possam desenvolver as suas carreiras” na Grande Baía, que inclui as duas regiões administrativas especiais e mais nove cidades da província chinesa.

Criar uma nova marca

Se Macau está a criar a sua Cidade Universitária em Hengqin, também Hong Kong tem planos para desenvolvimento a área do ensino superior. O Plano Quinquenal apresenta projectos para três áreas destinadas à instalação de campus universitários, criando a marca “Study in Hong Kong” [Estudar em Hong Kong] para atrair estudantes de todo o mundo, incluindo “talentos não locais”.

John Lee indicou também que a ideia é “desenvolver um centro internacional de inovação e tecnologia (IT)”, criando-se um modelo “assente em três grandes parques de IT e cinco instituições-chave na investigação e desenvolvimento”. Em causa está o Parque de Hong Kong da Zona de Cooperação de Inovação Científica e Tecnológica Hetao Shenzhen-Hong Kong e o San Tin Technopole; o Science Park e o Cyberport. Por sua vez, estabelece-se a ligação com cinco instituições – Hong Kong Productivity Council, o Hong Kong Applied Science and Technology Research Institute, o Hong Kong Microelectronics Research and Development Institute, o Hong Kong Artificial Intelligence Research and Development Institute e o Life and Health Technology Research Institute. A ideia é “reforçar o sistema público de investigação e a eficácia do quadro de inovação e tecnologia”.

De frisar que, com estes planos de mudanças a nível político e económico, as autoridades da RAEHK pretendem criar 650 mil empregos.

John Lee referiu que um dos grandes objectivos do plano, e também do Executivo, é “melhorar o bem-estar da população”, definindo-se medidas nas áreas da “educação, desenvolvimento dos jovens e mulheres” e ainda o “reforço do apoio aos grupos desfavorecidos”.

Na área da saúde, por exemplo, planeia-se “avançar com o desenvolvimento de infra-estruturas de cuidados de saúde”, no âmbito do Primeiro Plano de Desenvolvimento Hospitalar [First Hospital Development Plan]. Este tem por objectivo aumentar o número de camas nos hospitais públicos para 35 mil em 2031.

Hong Kong também se depara com uma baixa taxa de natalidade e, a pensar nessa problemática, a linha de acção governativa inclui a extensão, por mais três anos, do incentivo de 20 mil dólares de Hong Kong para quem tenha o primeiro filho. Caso haja mais filhos, esse valor aumenta para 30 mil dólares de Hong Kong, sendo também concedidos subsídios para crianças, deduções fiscais e criados centros adicionais de cuidados infantis.

Na área do ensino não superior, Hong Kong quer apostar “na integração progressiva da inteligência artificial (IA) na aprendizagem, ensino e avaliação”. Pretende-se, assim, “promover a educação digital para o reforço da aprendizagem dos alunos na matemática, ciências e tecnologia”, além de se criar “mais espaço” para a inovação.

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