EventosMostra | Pinturas e poesia de Carlos Morais José na Casa Garden Andreia Sofia Silva - 1 Set 2026 Carlos Morais José, escritor e director do Hoje Macau, apresenta amanhã uma nova exposição de poesia e arte. Trata-se de “Quarentena”, um longo poema apresentado ao lado de 30 pinturas, num projecto que tem curadoria de Lin Jiangquan (LAM) A Casa Garden, sede da Fundação Oriente (FO) em Macau, acolhe a partir de amanhã uma nova exposição de Carlos Morais José, director do Hoje Macau e escritor. Com inauguração a partir das 18h30, “Quarentena” é o nome dado à mostra e é, ao mesmo tempo, um longo poema que se apresenta ao público acompanhado por 30 pinturas do autor. Segundo um comunicado, a curadoria está a cargo do artista contemporâneo Lin Jiangquan (LAM), sendo que a exposição “recria a apresentação da poesia através de uma abordagem multimédia inovadora, reunindo três componentes – texto, pintura e sons – num diálogo preciso com o poema ‘Quarentena'”. Este poema “narra os dias de isolamento do poeta” no período da pandemia, tratando-se de uma “viagem ao mundo interior, onde o ‘eu’ do poema se questiona a si e ao mundo”. Esta quarta-feira será realizada uma sessão de leitura do livro acompanhada com arte sonora e performativa, “permitindo que a poesia seja regenerada ao vivo no espaço”. O livro com o poema será apresentado por Sérgio Guimarães de Sousa, da Universidade de Macau. Este é doutorado em Ciências da Literatura, com especialização em Literatura Portuguesa, pela Universidade do Minho. Defendeu a tese de doutoramento em 2006, que se intitula “Entre-dois. Desejo e Antigo Regime na ficção camiliana”. Sentimentos e manuscritos A mostra inclui ainda 40 manuscritos de Carlos Morais José, “arrancados de cadernos de notas do escritor”. Citado pela mesma nota, este explicou que se tratam de “restos de um auto-de-fé dos cadernos (que não me devem sobreviver), onde a mão, por vezes firme, doutras hesitante, registou em caligrafia o que uma máquina é ainda incapaz de registar”. Todos estes escritos possuem, segundo o autor, “uma dimensão infinita” graças “às possibilidades de interpretações”. “São talvez os últimos testemunhos de uma era”, acrescentou. Também o curador da exposição destaca que a apresentação de “Quarentena” será uma mistura de “arte textual e instalação de livro”, ficando a promessa de que, na galeria da Casa Garden “a poesia deixa de ser apenas poesia; transforma-se numa ‘arte textual legível’ que partilha a mesma função de observação que uma obra de arte, convertendo a linguagem em força visual”. Lin Jiangquan (LAM) destaca também como as 30 pinturas são, na sua maioria, “imagens abstractas com uma elevada ‘identificabilidade poética'”, pautadas por cores como o azul, branco, cinzento e preto. São imagens “executadas em pinceladas rápidas que transmitem incerteza, ambiguidade, complexidade e contradição”, tratando-se de quadros que “criam uma tensão visual entre construção e destruição”. A ideia é a evocação de uma “forte ‘corporeidade individual’ e uma ‘meditação solitária'”, pelo que as pinturas se transformam “num local onde a percepção do tempo durante o confinamento se acumula”, frisa o curador. “Quarentena” estará em exposição até ao dia 9 de Setembro, com entrada gratuita entre as 10h e as 19h, apenas com encerramento às segundas-feiras.