China / ÁsiaDesertificação | Mongólia pede acção na abertura da COP17 Hoje Macau - 18 Ago 2026 Cerca de 80 por cento do território mongol já é fortemente afectado pela falência dos solos. Responsáveis pedem mais acção e menos discursos A 17.ª Conferência das Partes (COP) da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) iniciou-se ontem em Ulan Bator, na Mongólia, com o primeiro-ministro do país a destacar a necessidade de “entrar em acção”. Falando na cerimónia de abertura, Nyam-Osoryn Uchral apelou aos participantes na cimeira para decidirem “acções concretas” para que esta não fique pela repetição de declarações de reuniões anteriores, observando que aproximadamente 80 por cento do território mongol já sofre com a degradação dos solos. Uchral pediu progressos concretos, como aumentar o investimento na restauração de terras, dar um papel central a pastores e comunidades locais na tomada de decisões e apostar na ciência e inovação para o desenvolvimento de soluções reais. Sob o lema “Restaurar a Terra. Restaurar a Esperança”, esta é a primeira das três grandes cimeiras ambientais planeadas para este ano, reunindo mais de 10.000 participantes, incluindo delegados dos 197 membros da convenção, com o objectivo de encontrar soluções para os desafios interligados da desertificação, degradação dos solos e seca. No seu discurso de abertura da COP, a secretária executiva da UNCCD alertou que a degradação dos solos e a seca “não são problemas ambientais distantes” e estão já a afectar a produção de alimentos, a água de que as comunidades dependem e a resiliência das economias. Yasmine Fouad defendeu que a COP17 seja “uma cimeira de implementação”, considerando que o mundo não carece de soluções, mas sim da capacidade de as implementar em larga escala. Também exortou Ulan Bator a mobilizar a liderança política, o investimento e as parcerias necessárias para passar “dos compromissos a resultados mensuráveis no terreno”. Degradação global Segundo a ONU, “a degradação dos solos já afecta até 40 por cento das terras do mundo”, o que prejudica milhares de milhões de pessoas em todo o mundo, e o problema gera “impactos de longo alcance na produção de alimentos, na disponibilidade de água, nos meios de subsistência e na estabilidade económica”. Até 3,2 mil milhões de pessoas em todo o mundo são afectadas pela degradação dos solos, a seca e as tempestades de areia e poeira. A conferência, que decorre até dia 28, conta com quatro dias temáticos dedicados ao financiamento, água, relação entre terra e pessoas, e sistemas alimentares e saúde do solo. Para a segunda semana, estão previstas discussões ao nível de ministros sobre: mecanismos financeiros inovadores para conseguir terras saudáveis, resiliência à seca e restauração de pastagens e bem-estar das comunidades pastoris.