Publicidade | Suspensas mensagens a pedir fim de abusos contra animais

Publicidades colocadas nos autocarros das duas concessionárias do território foram removidas sem que se conheçam os motivos. As mensagens publicitárias pediam maior empatia para com os animais e o “desenvolvimento” do regime legal no Interior para criminalizar a violência contra os animais

Uma campanha de publicidade colocada nos autocarros de Macau que pedia o respeito pelos direitos dos animais no Interior foi suspensa. O caso foi relatado nas redes sociais pela plataforma de Entusiastas de Autocarros e Transportes Públicos de Macau, que não explica os motivos da remoção das mensagens publicitárias.

A campanha surge na sequência do caso de violência animal no Interior contra a cadela Wang Wang e as suas três crias. No dia 28 de Junho, na cidade de Jieyang, na Província de Cantão, cinco adolescentes de 14 anos mataram a cadela e os filhotes. A violência contra os animais foi partilhada pelos jovens nas redes sociais, que se filmaram a matar as três crias à paulada e ainda a torturar a cadela, ao queimá-la até que morresse e a remover-lhe um dos olhos. Ao mesmo tempo que torturavam o animal com as chamas, os jovens gritavam: “cheira muito bem, cheira muito bem”.

Com as imagens a tornarem-se virais, o caso causou uma onda de indignação online no Interior, uma vez que os jovens são inimputáveis, pelo que a única penalização foi o internamento numa escola de correcção. O episódio levou igualmente a vários pedidos para que as autoridades do Interior criassem uma lei de protecção dos direitos dos animais, o que por sua vez levou as autoridades a activarem os mecanismos de controlo da Internet.

No entanto, este controlo não impediu que surgissem publicidades com a foto da cadela Wang Wang a pedir o respeito pela vida dos animais em locais como Hong Kong, Taiwan, Japão, Malásia, Estados Unidos e Canadá.

Controlo do impacto

Em Macau, alguns residentes também se mobilizaram para colocar publicidades em diferentes locais da cidade sobre o caso. Um desses cartazes foi afixado na fronteira de Qingmao.

Além disso, foram colocadas publicidades em autocarros das duas concessionárias, tanto no exterior das viaturas como nos ecrãs interiores com publicidade. Nas publicidades com a imagem da cadela Wang Wang nos autocarros podiam ler-se mensagens como “não precisa de amar os animais, mas por favor não os aleije”, “promover a melhoria do sistema” ou “que nenhum animal volte a sofrer maus-tratos”.

Contudo, estas publicidades acabaram por ser removidas, sem que se conheça o motivo na origem desta acção. O caso não é singular na China, uma vez que tanto no Interior como em Hong Kong houve mensagens publicitárias deste género a serem removidas, depois da intervenção da polícia.

O HM contactou a Direcção de Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT) e a Direcção de Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT), para perceber se a remoção tinha partido das autoridades, mas até ao fecho da edição não recebeu qualquer resposta.

Regime mais abrangente

Segundo a lei da publicidade em vigor até ao final deste ano, as autoridades podem ordenar a remoção de publicidade nos casos em que esta tenha um “carácter oculto, indirecto ou doloso”, “se apoie no medo, ignorância ou superstição dos destinatários”, “possa favorecer ou estimular a violência e as actividades ilegais ou criminosas”, “utilize de forma depreciativa simbologia nacional ou religiosa”, “utilize meios de conteúdo pornográfico ou obsceno”, “possa induzir em erro sobre a qualidade dos bens ou serviços anunciados”, “estimule o uso perigoso dos bens anunciados” ou “deixe de mencionar cuidados especiais relativos à prevenção de acidentes, quando os mesmos sejam requeridos para manuseamento ou uso dos bens”.

Além disso, não pode ser objecto de publicidade a actividade prestamista, os jogos de fortuna ou azar e as armas e coisas conexas.

No entanto, a lei aprovada este ano na Assembleia Legislativa veio alargar os motivos de proibição. A partir do próximo ano, as autoridades podem proibir qualquer publicidade quando considerem que prejudica “a dignidade, a segurança ou os interesses da República Popular da China” ou a “estabilidade social ou o interesse público”.

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