Cinema | Festival “Saracoteio – Dança no Ecrã” mostra 13 filmes

O “Rollout Dance Film Festival” de Macau vai exibir em Dezembro 13 vídeos de dança no âmbito do festival Saracoteio – Dança no Ecrã. O evento realiza-se em parceria com festivais congéneres de Cabo Verde e Portugal. Mary Wong, curadora do “Rollout”, conta que um dos vídeos retrata a vida no bairro do Iao Hon

Um programa conjunto vai mostrar 13 filmes e vídeos de dança provenientes de cinco países e territórios lusófonos em festivais de Macau, Portugal e Cabo Verde, disse a organização à Lusa. Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o programa Saracoteio – Dança no Ecrã seleccionou obras de Portugal, Moçambique, Macau, Brasil e Guiné-Bissau.

A convocatória recebeu cerca de 60 filmes e vídeos, e a escolha final coube a três curadores, de cada um dos três festivais: o Rollout, a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde.

As obras seleccionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de Setembro, logo seguido por Almada, de 25 de Setembro a 11 de Outubro, com o Rollout de Macau previsto para Dezembro.

Wong disse que a escolha teve como um dos principais critérios obras que não são “apenas uma apresentação de dança, mas que utilizam a linguagem da cinematografia, o movimento corporal e a coreografia, tanto das pessoas como da lente”.

Os curadores procuraram também “obras mais inovadoras”, que “tentam romper com que já foi feito”, explicou a bailarina, que nasceu em Macau antes da transição de administração para a China e tem nacionalidade portuguesa.

Wong deu como exemplo um vídeo em que “a coreografia do movimento corporal não provém apenas da dança, mas da escalada” e outro que “mostra a ligação entre um bailarino humano e um cavalo”.

Filmar o Iao Hon

Entre os quatro trabalhos de Macau seleccionados, a curadora destacou um que tem como palco o Iao Hon, um dos bairros mais densamente povoados no mundo, com mais de 12 mil habitantes, construído na década de 1970, e que as autoridades pretendem demolir.

“Não tem nada a ver com a arquitectura histórica de Macau, mas reflecte a vida real das pessoas daqui, e acho interessante que seja possível ver esse aspecto comunitário num sentido muito estéctico”, disse Wong. Os curadores, acrescentou Wong, também procuraram filmes com “algum tipo de mensagem sociocultural, que realmente reflicta a vida contemporânea”, que coloque o público “a pensar e falar”. Wong deu como exemplo obras vindas do Brasil e de Moçambique, onde “as disputas e a instabilidade políticas são frequentemente mencionadas”.

Em declarações à Lusa em Abril, Wong sublinhou que, mais do que uma parceria pontual, o objectivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens. No início de Outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de Dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à RAEM.

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