Teatro | Grupo Agucheiras apresenta em Lisboa “Performances com Sabor — Macau”

O projecto teatral “Espaço das Agucheiras” apresenta no sábado, no Centro Científico e Cultural de Macau em Lisboa, a peça “Performances com Sabor – Macau”, uma mistura de teatro com performance inspirada nas viagens do poeta Luís de Camões

Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas, entre tantos outros escritos que fizeram dele o maior poeta e escritor português, foi também um grande viajante numa vida cheia de peripécias, tendo passado pelo Oriente.

A pensar nessas viagens e aventuras, o grupo teatral “Espaço das Agucheiras”, que conta com a conhecida actriz portuguesa São José Lapa no grupo de criadores, desenvolveu a performance teatral “Performances com Sabor – Macau”, que se apresenta no sábado no Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Segundo explicou ao HM Inês Lapa Lopes, artista visual, actriz e encenadora ligada ao “Espaço das Agucheiras”, apresentam-se no Museu de Macau (dentro das instalações do CCCM), “três cenas espalhadas por três espaços do museu”.

O público poderá ver “uma performance a que acrescentámos sabor”, com a imaginação dos encontros de Camões. Participam os actores e artistas Alexandra Sargento, Guilherme Macedo e Luís Gaspar para representar estes encontros e diálogos onde Camões é protagonista, sendo que as três cenas terão “momentos de imersão sonora”, contando-se também com “a participação do público na leitura da poesia de Camões”.

Destaque para a presença da gastronomia macaense nesta iniciativa, através da vice-presidente da Casa de Macau em Lisboa, Maria João dos Santos Ferreira.

A peça nasce de um “imenso engenho e fantasia sobre Macau do século XVI criado por João Paiva”, autor do texto desta performance “com o seu saber de historiador. João Paiva inspirou-se na investigação feita pela equipa desde que esta ‘Performance com Sabor – Macau’ era apenas um projecto no papel”, explicou.

Inês Lapa Lopes considera que a ida de Camões para o Oriente “está envolta em muitas suposições, como convém às boas histórias”. Camões “terá embarcado em Abril de 1562 rumo ao porto de Patane numa viagem que demoraria cerca de dois meses”, embora “outros dizem não ter lá estado”. “Optamos por imaginar com os primeiros e embarcamos com Camões rumo ao destino Macau, onde poderá até ter escrito parte da sua epopeia”, acrescentou.

Segundo Inês Lapa Lopes, “fazia todo o sentido que esta ‘paragem’ pelos caminhos de Camões fosse feita no Museu de Macau, cuja colecção tão bem traduz as influências mútuas entre Oriente e Ocidente”.

No sábado o público poderá “deambular pelo museu para observar as belíssimas peças da colecção, que coincidem com o período em que Camões terá estado em Macau e outras tantas, mais tardias, onde se lê a influência de Portugal e dos interesses comerciais fundados nessa época”.

Um ciclo de representações

O “Espaço das Agucheiras” tem desenvolvido o ciclo “Performances com Sabor” inspirado nas viagens de Camões em outros destinos. Entre Setembro e Outubro do ano passado, convidaram o público a percorrer “os caminhos que o levaram a Ceuta e depois à Índia”, através de “eventos com teatro, música ao vivo, partilha poética e gastronomia trazida sempre por chefs desses lugares”.

A ideia do “Espaço das Agucheiras” é, aliás, “partilhar o que terá sido a sua vida [de Camões], bem como as suas experiências degustativas”. As Agucheiras desenvolvem ainda o projecto “CAMÕES – 1524 Mares Navegas”, com apoio da República Portuguesa – Cultura, que “celebra a vida e obra deste nosso enorme poeta”.

O “Espaço das Agucheiras” é uma cooperativa cultural criada em 2006 graças ao espectáculo “Sonho de uma Noite de Verão”, com encenação de São José Lapa, nas Agucheiras. A direcção do Espaço está a cargo de São José Lapa e Inês Lapa Lopes, tendo a cooperativa levado a cabo interpretações de textos de William Shakespeare, Harold Pinter, Leonardo da Vinci, Samuel Beckett, Nuno Bragança, Anton Tchekhov, Fernando Pessoa, Abel Neves, Jaime Salazar Sampaio ou Hélia Correia. Além disso, o “Espaço das Agucheiras” desenvolve “projectos com a comunidade”, como exposições, filmes, documentários e trabalho com escolas.

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