China / Ásia MancheteTurismo | Preços do petróleo atingem sector de viagens Hoje Macau - 13 Abr 2026 A guerra lançada por americanos e israelitas no Médio Oriente está a gerar uma das maiores crises energéticas globais de sempre e leva os viajantes a procurar outros destinos e meios de transporte alternativos ao avião O sector de viagens e turismo da China está a sentir a pressão da escalada dos preços do petróleo desencadeada pela guerra no Médio Oriente, alertaram ontem representantes da indústria na 14.ª Exposição Internacional de Turismo de Macau (ver página 6). “O aumento do preço do petróleo tem um enorme impacto no turismo”, afirmou Lin Dan Gui, responsável pelo departamento de viagens ao exterior da China International Travel Service (Macao). “Por exemplo, temos pacotes de voo+hotel, muitos clientes perguntam por eles, mas a taxa de reservas é relativamente baixa, porque o preço total, incluindo voos e taxas, está muito acima do orçamento esperado pelos clientes, e em seguida ajustam as escolhas de destino depois de compararem preços”, explicou. A recente guerra lançada pelos Estados Unidos e Isrfael contra o Irão desencadeou uma das mais graves crises energéticas das últimas décadas, com o fecho do Estreito de Ormuz a perturbar os fornecimentos globais de petróleo e gás. Na China, companhias aéreas como a Xiamen Airlines, a China United Airlines, a Spring Airlines e a China Southern Airlines aplicaram sobretaxas de combustível, enquanto no Japão espera-se que a All Nippon Airways (ANA) e a Japan Airlines (JAL) as dupliquem em voos internacionais em Junho e Julho. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo, o combustível representa até 30 por cento dos custos operacionais das companhias aéreas, pelo que as flutuações significativas nos preços internacionais do petróleo afectam-nas substancialmente. Segundo Lin, a Air Macau poderá suspender alguns voos diretos para o Sudeste Asiático, incluindo Singapura e Malásia, devido ao custo do combustível. A companhia de bandeira do território indicou recentemente à Lusa que teve que cancelar vários voos e alterar rotas devido a “condições de mercado e ao aumento do preço dos combustíveis”. Candy Leng, directora-geral da agência Multinational Tourism Group, partilhou preocupações semelhantes, sublinhando as sobretaxas introduzidas pelas companhias aéreas. “Basicamente, todas as companhias adicionaram uma taxa de combustível, desde de 01 de Abril”, disse. Europa penalizada “Nas viagens de longo curso, os clientes podem ter de pagar mais 200 a 300 dólares de Hong Kong por pessoa, o que é um grande encargo. Como resultado, a vontade de viajar diminuiu”, disse. Leng destacou, por outro lado, que o impacto é particularmente severo para os viajantes com destino à Europa, muitos dos quais dependem de transportadoras do Médio Oriente. “A sobretaxa de combustível para a Europa pode ser quase dois a três mil dólares de Hong Kong adicionais”, afirmou. “Esses clientes não apenas se preocupam com a segurança como os preços do petróleo estão realmente altos. Assim, optam por viagens domésticas. As nossas rotas internas registam um aumento relativo”, acrescentou. Caminhos de ferro Em contrapartida, começa a assistir-se a mudanças nas preferências dos viajantes. Segundo Lin, as rotas de comboio de alta velocidade da China estão a beneficiar da conjuntura. “Actualmente, as rotas ferroviárias de alta velocidade estão a correr melhor, porque os preços não mudaram nada”, destacou. Pequim e Chengdu, por exemplo, destacam-se como destinos domésticos populares, a par de Fujian, Guilin e Guizhou, todos acessíveis por comboio de alta velocidade. No estrangeiro, disse ainda Lin, “a maioria prefere o Sudeste Asiático. A principal escolha é Taiwan, incluindo Taichung e Kaohsiung. Para viagens mais longas, escolhem Japão, Coreia do Sul, Tailândia e Vietname”. Leng também observa uma tendência semelhante, mas distingue as províncias do norte do país, como Xinjiang e Harbin, entre as que ganharam tração no mercado interno. “Comparando com Pequim e Xangai, mais pessoas estão a ir para o nordeste e noroeste”, disse à Lusa. No exterior, Japão e Coreia do Sul mantêm-se fortes, enquanto a Europa regista uma queda acentuada. “Quem se especializou em viagens de longo curso não está a ter bons resultados”, acrescentou.