China / ÁsiaPetrolíferas chinesas disparam em bolsa com ataques no Médio Oriente Hoje Macau - 3 Mar 2026 As três principais petrolíferas estatais chinesas fecharam ontem com ganhos de 10 por cento na Bolsa de Xangai, o limite diário de valorização, impulsionadas pela subida do crude após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Segundo o portal especializado Gelonghui, é a primeira vez que a PetroChina, a Sinopec e a Cnooc registam a valorização máxima permitida numa mesma sessão no mercado de Xangai. Uma oscilação no valor das acções de 10 por cento leva automaticamente à suspensão das negociações. A PetroChina atingiu máximos desde 2015 e a Sinopec desde 2018, enquanto a Cnooc alcançou um recorde de capitalização bolsista neste mercado, onde se estreou em 2022. Em Hong Kong, onde as três empresas também estão cotadas, os ganhos eram, minutos antes do fecho, de 4,09 por cento para a PetroChina, 2,57 por cento para a Sinopec e 6,16 por cento para a Cnooc. Segundo o mesmo meio, cerca de uma dezena de outras empresas do sector energético registaram igualmente a valorização máxima permitida na China continental. Entre elas, a Tong Petrotech, que presta serviços de perfuração, subia quase 20 por cento, limite aplicável a algumas empresas na Bolsa de Shenzhen. A conjuntura beneficiou também empresas ligadas ao ouro e à prata, considerados activos de refúgio em períodos de incerteza. A Hunan Gold, em Shenzhen, e a Chifeng Gold, em Xangai, avançaram 10 por cento. A sessão foi igualmente positiva para os sectores da defesa, aeroespacial e transporte marítimo, enquanto as companhias aéreas recuaram, pressionadas pela subida do preço do petróleo e pelos encerramentos de espaços aéreos no Médio Oriente. O preço do barril de Brent subia cerca de 8 por cento ontem de manhã para 78,22 dólares, após o ataque ao Irão, um dos principais produtores da OPEP+ e país que controla o estreito de Ormuz, por onde passa quase 20 por cento do comércio mundial de crude. Sob controlo O Irão representa cerca de 11 por cento das importações chinesas de petróleo, sendo a China o maior comprador mundial, mas aproximadamente 45 por cento do crude adquirido por Pequim provém de outros países do Golfo, como a Arábia Saudita, o Iraque e o Kuwait. Apesar disso, especialistas citados pela imprensa local consideram que o impacto da suspensão do trânsito em Ormuz anunciada por grandes companhias marítimas seria “geralmente controlável”. Já Alicia García Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis, defendeu que a crise iraniana representa para a China um “risco maior” do que o caso da Venezuela. Segundo a analista, o Irão tem fornecido à China petróleo com desconto, frequentemente contornando as sanções norte-americanas através do ‘comércio triangular’ – através de terceiros países –, com transações liquidadas maioritariamente na moeda chinesa, o yuan. “Este acordo manteve a economia iraniana à tona face ao isolamento ocidental, ao mesmo tempo que fornece a Pequim combustível barato”, afirmou.