Macau Visto de Hong Kong VozesComo lidar com 5,8 milhões (II) David Chan - 13 Jan 2026 A semana passada, falámos sobre uma jovem canadiana de 20 anos que ganhou o jackpot da lotaria e foi confrontada com duas opções: o levantamento imediato da totalidade do prémio, no valor de um milhão de dólares canadianos, ou a possibilidade de receber semanalmente 1.000 dólares até ao fim da vida. A escolha que fez desencadeou acesos debates online. Se um dos meus leitores de Macau estivesse na mesma situação, qual seria a sua escolha? Recolhemos e comparámos dados do Canadá e de Macau online. Percebemos que se escolher receber o milhão de uma vez, a rapariga pode comprar um apartamento de 65 metros quadrados, resolvendo assim o problema da habitação. Um milhão de dólares representa as poupanças de uma família canadiana e o seu objectivo de um fundo para a reforma. O rendimento da aplicação deste montante proporciona uma reforma segura no Canadá. Se esta situação ocorresse em Macau, 5,8 milhões de patacas (assumindo que um dólar canadiano vale 5,8 patacas) seria o suficiente para comprar um típico apartamento de 65 metros quadrados. Se a poupança média por pessoa em Macau é de 1,4 milhões, uma família de quatro terá 5,6 milhões e com mais 5,8 milhões teria uma vida ainda mais estável. A estabilidade que os 5,8 milhões podem proporcionar varia consoante cada pessoa; no entanto, com um rendimento de 4 por cento, este montante gera 19.000 patacas mensais. Do ponto de vista do residente comum, é simplesmente um rendimento extra. Adicionado ao valor de 6.500 patacas mensais que os reformados recebem do Governo totaliza o montante de 26.000 patacas, proporcionando uma segurança considerável durante a reforma. Se a jovem escolher receber 1000 dólares por semana, terá um rendimento de 52.000 dólares anuais. Embora este valor fique um pouco abaixo do salário médio no Canadá, representa apenas um valor adicional. Em Macau existe também a possibilidade de os vencedores da lotaria receberem o prémio em prestações mensais. Os dados apresentados centram-se apenas em números. Quando se recebe um prémio com uma soma considerável, também devem ser considerados factores não quantitativos. Em primeiro lugar, quando temos bastante dinheiro, devemos investir. Só com investimentos correctos podemos obter retornos substanciais. Se não formos especialistas financeiros, devemos consultar profissionais, o que implica o pagamento de honorários. Em segundo lugar, um prémio elevado pode despertar o desejo de gastar sem controlo. A quantia que se pode desperdiçar depende de cada pessoa, e não pode ser generalizada, mas o risco é inegável. Em terceiro lugar, quando a notícia se espalha, o vencedor vê-se rodeado de amigos e familiares a pedirem-lhe empréstimos. É natural que vá gastar imenso tempo e dinheiro a lidar com esse problema; estes custos são incalculáveis. Em quarto lugar, quando investe o prémio, se surgir uma despesa elevada, vai ter de dividir o dinheiro em mais do que uma conta. Separando o valor do prémio, o retorno semanal diminui. Em quinto lugar, não se sabe se ao receber 1.000 dólares por semana a jovem terá acesso à totalidade do valor do prémio. Por exemplo, se morrer inesperadamente aos 30 anos, o montante que não lhe foi pago pode ser reclamado pelos seus herdeiros? A transferência do dinheiro para os familiares influencia os bens da próxima geração; a jovem deverá consultar a empresa que gere a lotaria antes de decidir se quer receber o dinheiro todo de uma vez, ou se opta pelos 1.000 dólares semanais. Os leitores devem prestar atenção a um factor indispensável: a protagonista desta história tem apenas 20 anos. É natural que não tenha muita experiência de vida nem muita experiência financeira. Recebendo 1.000 dólares semanais garante uma protecção vitalícia. A taxa de retorno é: (1.000 x 52 semanas / 1.000,000) x 100% = 5.2% mais alta que os 4%, o que vale a pena considerar. Claro que o maior senão desta escolha é a inflação. O poder de compra de 1.000 dólares no Canadá será o mesmo do de hoje daqui a 10 ou 20 anos? A resposta é definitivamente não. Além disso, com base na esperança de vida das mulheres canadianas, se a jovem viver até aos 85 anos, receberá 1.000 dólares por semana durante 65 anos, portanto, até 2091. Qual será o poder de compra de 1.000 dólares nessa altura? Chegados a este ponto, os leitores quererão saber qual foi a escolha da rapariga? Não vou revelar a resposta; vou deixar-vos pesquisar online. Antes de revelar o mistério pergunto-vos, a vossa escolha é a mesma da jovem? Consideraram os vários factores financeiros que foram mencionados? Um prémio de um milhão de dólares canadianos é um ganho inesperado, ajudando o vencedor a concretizar os seus sonhos e a desfrutar do tempo em família. Embora o dinheiro traga muita satisfação, a maior felicidade é partilhá-lo com os outros. Não deveria a jovem considerar doar uma parte do prémio para instituições de solidariedade social, beneficiando mais pessoas? Não seria melhor usar este lucro inesperado para fins sociais, permitindo que mais pessoas entrem felizes em 2026? Partilhar a felicidade é melhor do que gozá-la sozinho. Consultor Jurídico da Associação para a Promoção do Jazz em Macau Professor Associado da Faculdade de Ciências de Gestão da Universidade Politécnicade Macau Email: cbchan@mpu.edu.mo