Covid-19 | Turista que testou positivo obriga a testes nas zonas por onde passou

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A descoberta de um caso positivo relativo a uma turista levou a obrigatoriedade de fazer quatro testes até quarta-feira em várias zonas da cidade. Passou a ser exigido teste rápido antigénio para entrar em hospitais, centros de saúde, lares de idosos e de reabilitação

 

O Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus está a desdobrar-se em esforços para tentar encontrar possíveis infecções ligadas a um caso positivo de uma turista chinesa que, até testar positivo, passeou por várias zonas da península.

Desde sábado até quarta-feira, quem resida, trabalhe ou tenha passado por mais de 30 minutos numa lista larga de locais tem de fazer quatro testes de ácido nucleico até à próxima quarta-feira, com intervalo de pelo menos 12 horas entre cada um.

Os primeiros locais dizem respeito à zona onde a turista de 60 anos ficou hospedada. Assim sendo, quem tenha estado na “Doca dos Pescadores de Macau entre 15 e 18 de Novembro, nomeadamente hóspedes e trabalhadores do Hotel Harbourview ou indivíduos que tenham permanecido naquela área por um período de tempo superior a 30 minutos”, tem de se submeter à bateria de testes consecutivos.

O mesmo acontece a quem tenha ficado hospedado, trabalhe ou tenha passado por mais de meia hora no Hotel Sands na sexta-feira.

As autoridades relevaram uma vasta lista de locais visitados pela turista na sexta-feira, que obrigam à testagem, que inclui a Rua de Dom Belchior Carneiro, Rua dos Artilheiros, Caminho dos Artilheiros, Calçada do Monte, Calçada das Verdades, Travessa do Penedo, Calçada da Rocha, Rua do Monte, Rua da Palha, Rua das Estalagens, Rua de Nossa Senhora do Amparo, Calçada do Amparo, Rua de S. Paulo, Calçada de S. Francisco Xavier.

O centro de coordenação de contingência obriga também a quatro testes em cinco dias quem resida, trabalhe ou tenham permanecido mais de meia hora na sexta-feira passada na “Rua do Almirante Sérgio, Pátio da Papaia, Rua do Barão, Rua de Inácio Baptista, Rua de S. José, Rua da Prata, Largo de Santo Agostinho, Rua da Imprensa Nacional, Travessa do Paiva, Rua de S. Lourenço, Travessa do Padre Narciso, Rua de Álvaro de Melo Machado, Rua da Penha, Rua do Lilau, Travessa da Penha, Rampa da Barra, Rua de S. Tiago da Barra, Beco do Marinheiro, Travessa do Petróleo e Largo do Pagode da Barra”.

As autoridades de saúde alertam que se “o teste de ácido nucleico não for efectuado de acordo com os regulamentos, o Código de Saúde de Macau irá ser convertido para a cor amarela no dia seguinte”. A situação só se resolve, regressando a código de saúde verde, após resultado negativo no teste.

“De acordo com as respectivas disposições, pode ser-lhes recusada a entrada em estabelecimentos públicos, a utilização de transportes públicos, bem como a saída da RAEM” a portadores de código de saúde amarelo, recordam as autoridades.

Grande galo

A turista que testou positivo no sábado, estava em Macau desde a passada segunda-feira, dia 14, à noite. Nesse dia, 14 de Novembro, as autoridades nacionais anunciaram que a província de Jiangsu registara 52 novos casos assintomáticos, 24 casos locais e um caso importado. Importa referir que a província de Jiangsu tem uma população de quase 85 milhões de pessoas.

Nos dias 13 e 14 deste mês, a turista de 60 anos testou negativo à covid-19, antes de embarcar num voo, na companhia de dois familiares, no aeroporto de Suzhou com destino a Zhuhai. Nessa noite, a família entrou em Macau através do posto fronteiriço das Portas do Cerco e deu entrada no Hotel Harbourview, que viria a ser encerrado na sequência do teste positivo, tendo os hóspedes e funcionários sido sujeitos a testes de ácido nucleico e observação médica no hotel.

Segundo as autoridades locais, na manhã da passada terça-feira, a paciente começou a tossir e na quarta-feira sentiu-se fatigada e ficou com febre.

Ainda assim, entre terça-feira e sábado, quando foi detectada a infecção, a turista visitou várias zonas de Macau, como seria expectável, até acusar positivo num teste feito no posto da Sands.

Os Serviços de Saúde entraram em contacto com a turista, que foi encaminhada para o Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane para tratamento e isolamento, e os seus dois familiares foram submetidos em observação médica em isolamento. Importa referir que os testes realizados no sábado aos familiares da paciente deram negativo.

Uma fonte passada

Na madrugada de sexta-feira, as autoridades de saúde decretaram mais uma zona vermelha referente ao edifício The Residencia Macau (Torre 3), na Avenida da Ponte da Amizade no norte da península de Macau. A área foi delimitada devido à descoberta de um caso positivo que envolve uma residente de 25 anos de idade. Segundo o centro de coordenação de contingência, a infectada tomou refeições no restaurante VISTA38 do Grande Suítes do Four Seasons, nos dias 12 e 13 de Novembro”. Porém, como “não estava sob controlo” o seu “nome não consta da lista fornecida pelo hotel sobre pessoas” que comeram no restaurante onde trabalha uma jovem que havia acusado positivo na semana passada.

As autoridades indicaram ainda que nos dias 16 e 17 de Novembro a residente só saiu de casa para fazer testes de ácido nucleico na noite de 16. Como é habitual, a residente em questão foi enviada para o Centro Clínico de Saúde Pública do Alto de Coloane.

Teste à porta

Passou a ser obrigatório para utentes e visitantes apresentar resultado negativo do teste rápido do antigénio realizado no próprio dia à entrada do “Centro Hospitalar Conde de São Januário e Centros de Saúde subordinados aos Serviços de Saúde”. O Hospital Kiang Wu aplicou a mesma medida. Caso não apresente o carregamento de resultado de teste rápido no código de saúde, a testagem pode ser feita no local.

O Instituto de Acção Social (IAS) implementou a mesma medida para a entrada de visitantes, trabalhadores e outras pessoas em lares de idosos e de reabilitação. A obrigação foi justificada “tendo em conta a evolução epidémica em Macau” e com a necessidade de “reforçar a protecção de saúde e segurança das pessoas idosas e deficientes em lares”.

Os utentes que tenham estado fora de lares e regressado no mesmo dia, são obrigados a submeter-se a testes rápidos de antigénio por cinco dias consecutivos. Já os utentes que estiveram fora das instalações por mais de um dia são obrigados a mostrar teste de ácido nucleico realizado no prazo de 24 horas e submeter-se a testes rápidos de antigénio por cinco dias seguidos.

Zhuhai | 13 casos no sábado e testes mais baratos

O Departamento de Saúde de Zhuhai anunciou ontem ter detectado no sábado 13 casos positivos de covid-19, 11 destes assintomáticos. De acordo com as autoridades da cidade vizinha, a maioria dos infectados são moradores dos distritos de Doumen e Gaoxin e os seus percursos nos últimos quatro dias incluíram o piso -1 do Posto Fronteiriço de Qingmao. Entretanto, os preços de teste de ácido nucleico baixaram em Zhuhai. Um teste singular, num único tubo e de recolha de amostra, passou a custar 13,5 renminbis, enquanto um teste num tubo de ensaio que recebe várias amostras passou para 2,8 renmenbis.

Justiça | Testes rápidos para entrar nos tribunais

Entre hoje e sábado, para entrar nas instalações dos tribunais das três instâncias é preciso um teste rápido de antigénio e carregar o resultado no código de saúde. A medida anunciada ontem pelo gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância foi justificada pelos sucessivos novos casos positivos detectados em Macau nos últimos dias e para “assegurar o normal funcionamento dos tribunais das várias instâncias e a realização ordenada das audiências de julgamento”. Quem não apresentar resultado de teste pode fazê-lo à entrada dos tribunais. Além disso, é obrigatório fazer código de local, medir temperatura corporal e usar máscara.

IC | Pontos turísticos encerrados para desinfecção

Tendo em conta as visitas feitas pela turista que testou positivo à covid-19, o Instituto Cultural (IC) encerrou ontem a Casa do Mandarim, o Teatro Dom Pedro V e o Tesouro de Arte Sacra do Seminário de S. José. As instalações foram sujeitas a limpeza e desinfecção. O mesmo ocorreu no sábado, quando o IC encerrou pelos mesmos motivos o Museu de Macau e a Biblioteca Sir Robert Ho Tung, que reabriram ontem ao público.

Massa pode esperar

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura afastou ontem possibilidade de ser realizada mais uma ronda de testes a toda a população de Macau. Em declarações prestadas à margem do Grande Prémio de Macau, Elsie Ao Ieong U, afastou a hipótese a não ser que o número de infecções suba, principalmente em resultado dos testes feitos em zonas-chave por onde passou a turista infectada. Para já, as cadeias de transmissão seguidas pelas autoridades são claras, sem casos ocultos, apesar da importação recente de alguns casos. Para já, a governante entende que o risco de surto comunitário é relativamente baixo. “Espero que a população persista na sua colaboração com as autoridades mais uns dias, para alcançar o resultado desejado pela política dinâmica de zero casos”, indicou.

95 mil testes negativos

No sábado foram testadas 95.447 pessoas em zonas-chave coincidentes com o itinerário da turista infectada por covid-19. As autoridades de saúde anunciaram ontem que todos os testes realizados deram negativo, no primeiro de quatro testes que todas estas pessoas têm de fazer até à quarta-feira. Depois de ter sido anunciada a necessidade de fazer testes, longas filas formaram-se nos postos de recolha de amostras. As autoridades indicaram ontem que é necessário marcar o teste e esperar no local para evitar ajuntamentos.

IAM | Destruídos 126 quilos de peixe congelado vindo do Vietname

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) destruiu 126 quilogramas de peixe congelado importado, depois de encontrar vestígios do novo coronavírus responsável pela covid-19 no interior de uma embalagem, foi anunciado na sexta-feira.

A testagem do peixe foi realizada na noite de quinta-feira, durante uma inspecção regular de importação de alimentos, que não detectou o SARS-CoV-2 nos invólucros de plástico exteriores e interiores, acrescentou o IAM.

O IAM “lançou imediatamente um plano de emergência, selando e destruindo todas as 20 caixas” de peixe congelado, que “não chegaram ao mercado”, de acordo com um comunicado.

O instituto desinfectou “de forma minuciosa” o local onde o peixe estava armazenado e suspendeu temporariamente a licença de importação da empresa envolvida.

Todos os trabalhadores do sector alimentar da cadeia de frio que tiveram contacto com as caixas de peixe serão acompanhados pelos Serviços de Saúde (SSM), acrescentou.

Em Agosto, o director dos SSM, Alvis Lo Iek Long, tinha dito que o pior surto de covid-19 a atingir Macau desde o início da pandemia foi causado por “objectos ou produtos vindos do estrangeiro”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) sublinhou “não existirem provas até ao momento de vírus que causam doenças respiratórias serem transmitidos através de comida ou embalagens de comida”. “Os coronavírus não conseguem multiplicar-se em comida; precisam de um hospedeiro animal ou humano para se multiplicar”, referiu a OMS, na página online.

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