Cinemateca Paixão | Novembro com histórias no feminino

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A Selecção de Novembro da Cinemateca Paixão é marcada por uma lista eclética de cinco filmes que variam entre produções europeias, africanas e asiáticas. As obras escolhidas têm como epicentro personagens femininas e foram todas reconhecidas em festivais internacionais de cinema

 

Cannes, Palm Springs, Toronto, Hong Kong, Sundance e mais um rol de festivais de cinema reconheceram os seis filmes que fazem a Selecção de Novembro da Cinemateca Paixão.

A primeira película a ser apresentada na Travessa da Paixão é “1982”, do realizador libanês Oualid Mouaness, no próximo sábado às 19h30. Celebrado em Cannes, Hollywood e Singapura, “1982” tem como pano de fundo o início da guerra da Líbano. Protagonizado pela actriz Nadine Labaki, que atingiu um patamar mundial com o filme “Caramel”, e que em “1982” dá o corpo a uma professora de uma escola de Beirute. A docente vê-se envolvida numa cândida estória de amor entre dois alunos, que esparra em timidez infantil, enquanto as forças militares israelitas invadem o Líbano.

O filme reflecte a infância do realizador e a escola em que estudou, num cenário montanhoso e pitoresco. Escrito e realizado por Oualid Mouaness, “1982” levou oito anos a ser produzido, enquanto o autor trabalhava noutros projectos. “1982” volta a ser exibido na próxima terça-feira, às 19h30, na quinta-feira 25 de Novembro, às 21h, e depois no dia 27 de Novembro, às 19h.

A obra que se segue no cartaz da Cinemateca Paixão é “Anaïs in Love” da realizadora francesa Charline Bourgeois-Tacquet, que é apresentada no próximo domingo, às 19h30. A inquietação e extrema emotividade são os pilares da obra de Charline Bourgeois-Tacquet, que retrata a vertiginosa vida de Anaïs, um turbilhão de pessoa, que no fim de uma relação amorosa acaba por despertar o interesse de outro homem, comprometido. Adicionando gasolina ao fogo, a protagonista acaba por se envolver com a mulher do seu novo interesse amoroso.

O charme efervescente de Anaïs suaviza o comportamento narcisista e a busca incessante pela próxima nova excitação.

“Anaïs in Love” é um bom filme para ver no Inverno, pois faz brilhar um sol cinematográfico onde quer se seja projectado. Com uma cadência dramática suave, apesar das desventuras da protagonista, a produção francesa flui de uma forma estranhamente positiva para um filme repleto de circunstância dramáticas. A obra volta a ser exibida na próxima terça-feira, 21h30, no dia 24 de Novembro às 21h30 e no dia 25 de Novembro às 19h.

Corpos e sacrilégios

Também na próxima terça-feira, às 19h30, estreia “Gentle”, uma produção húngara que tem como epicentro a vida de Edina, uma das mais conceituadas culturista da Hungria, enquanto se prepara para competir num campeonato de culturismo.

O seu namorado, Adam, é também o treinador que a puxa até aos limites físicos e psicológicos, não aceitando outro resultado que não seja a vitória, apesar dos elevados custos económicos que a prática do culturismo implica.
Sem margem para erro, e com as despesas e sacrifícios a amontoarem-se, a desportista acaba por se prostituir para continuar a competir.

Realizado por László Csuja e Anna Nemes, “Gentle” volta a ser exibido no dia 26 de Novembro, às 21h, e no dia 2 de Dezembro, às 19h30. Da Hungria para o Chade, a Selecção de Novembro da Cinemateca Paixão propõe um drama familiar, que coloca uma jovem mulher no centro da discussão secular entre fé religiosa e autonomia e independência.

“Lingui, The Sacred Bonds” tem a primeira exibição agendada para o dia 23 de Novembro, às 21h30. Realizado pelo cineasta do Chade Mahamat-Saleh Haroun, este filme centra-se em torno da vida frágil de Amina, que vive sozinha com a filha de 15 anos na capital N’Djamena.

A gravidez inesperada da filha adolescente lança a já instável vida familiar numa espiral descendente cuja a mais óbvia solução é o aborto, caminho doloroso num país cujas leis e religião se opõem determinantemente contra a interrupção da gravidez.

A luta contra forças desmesuradamente superiores, a coragem de Amina, a intensidade dramática que se esbate na vastidão de planos de grande-angular, são alguns dos ingredientes que dão sabor a “Lingui, The Sacred Bonds”. A filme de Mahamat-Saleh Haroun volta a ser exibido no dia 26 de Novembro, às 19h, e no dia 1 e Dezembro às 19h30.

Finalmente, no dia 24 de Novembro, às 19h30, a tela da Cinemateca Paixão exibe “Rehana Maryam Noor”, uma produção do Bangladesh realizada por Abdullah Mohammad Saad. O título do filme é o nome da protagonista, uma professora de 37 anos de idade que lecciona numa faculdade privada de medicina. Apesar do cargo profissional, a vida de Rehana é um somatório de dificuldades. Um dia, vindo do nada, um facto aleatório coloca uma pedra na engrenagem existencial da Rehana: testemunha um colega de profissão a abusar de uma aluna.

O incidente muda a vida da protagonista, que decide denunciar o comportamento do colega, levando Rehana para uma batalha por justiça. O filme volta a ser apresentado no dia 27 de Novembro, às 21h, e no dia 30 de Novembro, às 19h30. Como é habitual, o preço dos bilhetes é 60 patacas.

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