Não sejas parvo, desiste

O mundo, como se sabe, é horrível.
A vida não passa de um fenómeno de uma fragilidade patética que, para se alimentar, precisa de o fazer à conta de outra vida.

Na espécie humana, a existência decorre em multidão. Somos inevitavelmente gregários. O indivíduo é uma ficção. E esta é uma constatação asquerosa.
Lutar? Para quê? Para se desiludir no caso de vencer.
Desistir? Logo. Só vale a pena termos o que nos é dado e nunca o que conquistamos.

O amor nunca salvou ninguém. Pelo contrário, é o tema das mais terríveis tragédias, dos mais absurdos dramas ou das mais ridículas comédias.

Qualquer assomo de beleza é sempre contrariado por um pensamento que o emporcalha de vulgaridade.
Qualquer estímulo, quaisquer acções, revelar-se-ão um desperdício de energia.
Qualquer alegria será assombrada pela dúvida, pelo chiste ou por uma insuportável ressaca.

Há um buraco no meio de ti, um abismo insondável no fundo de qual nada encontrarás.
Nunca serás o que almejas ser, se almejares ser alguma coisa.
A tristeza, o desespero, a dúctil feiura, uma vida vergada pelo remorso de existir e a angústia de ser — isto sim, vale a pena!

Não sejas parvo, desiste — é que a alma… não existe.

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