Lionel Leong fala de “nova era de desenvolvimento” no Parque de Medicina Tradicional Chinesa

O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, disse ontem na abertura do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional que o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong–Macau está “numa nova fase de desenvolvimento”. Enquanto isso, os países de língua oficial portuguesa esperam novas oportunidades nesta área

 

Teve ontem início mais uma edição do Fórum de Cooperação Internacional de Medicina Tradicional, que reúne em Macau uma série de personalidades ligadas à medicina tradicional chinesa. No seu discurso, o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, destacou o facto de o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação Guangdong–Macau estar “numa nova fase de desenvolvimento”.

“Com a realização ordenada dos trabalhos, o Parque já entrou numa nova etapa de desenvolvimento”, disse o governante, que lembrou a aposta em projectos como a construção de uma Base Internacional de Controlo de Qualidade de Medicina Tradicional Chinesa e a Plataforma Internacional de Intercâmbio da Indústria de Saúde.

Na visão de Lionel Leong, o Parque, entre muitos outros objectivos, pretende “promover a entrada dos produtos e tecnologias de qualidade de Macau e do Interior da China nos mercados dos principais países dos países de língua portuguesa e da União Europeia”.

No que diz respeito à medicina tradicional chinesa, Lionel Leong adiantou que a sua “industrialização e a internacionalização do desenvolvimento são altamente valorizados pelo Governo da RAEM”. Macau tem, assim, uma “nova missão histórica e uma responsabilidade para a nova era que trazem à indústria de medicina tradicional chinesa de Macau oportunidades de desenvolvimento que não existiam antes, bem como novas exigências”, frisou o secretário.

Investimento africano

Além das oportunidades para o sector local da medicina tradicional chinesa, os países falantes de português também buscam novas oportunidades. É o caso de Angola, uma vez que o secretário para a Saúde Pública de Angola disse à Lusa que pretende juntar médicos e farmacêuticos para se definir um plano de acção que promova o desenvolvimento da medicina tradicional africana no país.

O governante afirmou que, depois do que viu em Macau, nomeadamente o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, está a pensar em juntar “a Ordem dos Médicos com a associação dos médicos tradicionais (…), e mesmo a Ordem dos Farmacêuticos”.

“Poderíamos tentar elaborar um plano de ação, com um cronograma bem definido, das acções que vamos de ter de realizar no sentido de desenvolvermos a medicina tradicional angolana e ver que tipo de cooperação podemos vir a ter com a medicina tradicional chinesa”, explicou o secretário de Estado.

No caso de Cabo Verde, o ministro da Saúde e da Segurança Social de Cabo Verde disse também à Lusa que o Governo está disponível para construir no país um centro africano de Medicina Tradicional Chinesa. Arlindo do Nascimento do Rosário afirmou que a criação deste centro seria “uma mais-valia para o país, não apenas no sector da saúde, mas também (…) em relação ao turismo”.

Também São Tomé e Príncipe quer reforçar o desenvolvimento da medicina tradicional para potenciar o turismo de saúde, disse à Lusa o ministro da Saúde, Edgar Neves.

O governante valorizou a relação entre a medicina tradicional e a economia, nomeadamente o turismo, “uma das fontes futuras do desenvolvimento” do país, que pode ser potenciada através da cooperação chinesa. Esta aposta vai estar reflectida na preparação do Orçamento Geral do Estado para 2020 e “será uma rubrica importante para (…) alavancar definitivamente a medicina tradicional em São Tomé e Príncipe”, afirmou.

A estratégia de ‘exportação’ da medicina tradicional chinesa para os países lusófonos, utilizando também Portugal como porta de entrada para a Europa, é encarada como um dos eixos centrais de actuação para 2019 pelas autoridades de Macau. A aposta tem sido marcada por algum sucesso nos países africanos de língua portuguesa, sobretudo na formação de médicos e terapeutas, com Macau a definir um plano até ao final de 2019 que abrange a obtenção de licenças de comercialização de medicamentos.

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