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Começa pelo fim este título qual chamada de atenção para qualquer início que se deseje entendível, na medida em que o mote define a primícia do vocábulo gerado para a contemplação de um rito. O FIM é uma “arrastadeira” de silogismos que compostos dão os categóricos, e que partindo de premissas várias tiram então conclusões derradeiras, começo então neste fim de tempo imprevisto que é o derrame gelado das Nações que pairam em meu redor.

Isto tudo porque o Ártico está ameno e a Europa gela. Por lá, a fina camada de gelo que se alastra pode inundar de receios este frio que, por ser tanto, já não guarda mais nada que a nossa estupefação. Não estávamos a aquecer? – Sim – aquecemos muito e esfriamos ainda mais. Por onde começar nesta deriva é assunto de monta e pode transformar os nossos simples cálculos em espantosas derrocadas, mas não sabemos onde começar a ler o Livro, que dizem ter a conclusão da parábola do Tempo e definidos os graus da mudança dele. Uma firme explicação científica seria mais tranquilizadora que todas as interpretações descodificadas da enciclopédia dos mistérios e essa, por temor ou educação formal, escusa-se a fornecer respostas.

Na nossa massa, feita de dias e muitas horas, giramos no imponderável das intempéries, somos reféns atmosféricos e pensamos desviar todas as rotas com a nossa opulenta permanência em terreiro tão impróprio como se fosse normal dilatar e encolher num só ano o que as marés não conseguem em ciclos de evolução, e de tal ordem nos aplicamos à causa, que saímos incólumes deste estado. Estamos acossados e não sabemos por onde começar, quando começamos parecemos findar, ao findar, temos ainda um receptáculo de imortalidade gerado pelo medo; por aqui, entre vozes e grandes demonstrações de “eficácia” para se influenciar a matéria cósmica, vamos deslizando suavemente para a completa e mais impressionante indefinição.

As leis mecânicas são poderosas e nada se pode fazer a um vasto corpo que firma agora a olhos vistos os seus reequilíbrios enquanto organismo vivo e complexo, habitamos a superfície, e mesmo assim, fundámos o mito da exclusividade e da pertença. O que nos resta de tudo o que temos é uma visão bastante interessante pois que na deriva de tal “embarcação” somos tidos – somos quem é tido – por mais que nos esforcemos na conquista. Creio chegado o momento de se encetar procuras por aí… no Espaço… no Universo. Pode ser que tenhamos de repor o sentido do Êxodo num momento em que as águas podem inundar os caminhos do velho Noé mas, ao invés de um esforço de investimento e de procura, fazemos coisas que estamos a ver não durarem o tempo de uma Alvorada. Permanecemos agrestes e agrários nos nossos postes de combate como se nada disto estivesse de facto a acontecer, como se as águas congeladas não tivessem dado o «Introito» da sua marcha, e, o tempo fosse agora mais um Quaternário tão longo que não o vamos ver. Mas, uma das leis da mecânica, chamada velocidade, arrebata esta época e o volume de tempo já se confunde com a quantidade da massa: somos renascidos por processos que nem nos damos conta e seria imprópria a surpresa.

Os elementos radicalizaram-se, nós estamos mais pluralistas do que nunca, dormita uma incompatibilidade que fere, não nos aguentamos de pé mais que uma corrida pelas cidades e marchamos cansados a trote da energia fóssil. – Somos fósseis – mas mutáveis. Comparados a toupeiras saímos na rota do círculo do sol e assim somos guiados, temos urgências e destinos a cumprir numa dimensão que sabemos passar em muito este estado de coisas que são afinal os nossos mais tirânicos guias. Creio que estamos atrasados face à grande trepidação e demasiado entretidos nas reformas daquilo que já devia ter sido anulado: fazemos como o judeu em espera na fila da morte, corrigindo um livro, pois que para ele, o último minuto de vida é ainda vida, e talvez que esta dádiva de sabedoria nos tivesse agora inundado as tarefas quase póstumas.

Gilgamesh virá reescrever a funda história…? Sempre no alto de uma montanha aguardava recomeçar, as montanhas têm destes seres que ainda hoje nos povoam os sonhos. A Barca de Caronte navega nas margens litorais… caminhamos com a mulher jovem e a petrificada, estamos inundados de saberes que são sempre novos quando enfrentados e estamos perto dos futuros náufragos. Podemos navegar em cápsulas por muitos dias, meses e até anos, até chegar a terra firme, e não soltaremos pombas, nem subiremos às altas montanhas para as libações. Os deuses partiram e não levaram ninguém a não ser a sua imortalidade, que desconhecemos, mas não tarda saberemos programar.

Antes de recomeçar a história pelo fim seria melhor ela continuar noutro lugar.

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