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Flor de Ouro, o crisântemo é símbolo de amizade e jovialidade, representando o Outono, pois normalmente aparece durante esta estação e dura até começarem as geadas.

Segundo uma lenda ligada com o primeiro imperador da Dinastia Qin, foi levada para o Japão por um grupo de crianças que com um mestre do Dao partiram num barco para as ilhas remotas à procura do remédio da Imortalidade. Sabe-se ter o Japão no ano de 750 importado da China esta flor.

Refere o Padre Benjamim Videira Pires, S.J. ser o crisântemo o emblema imperial do Japão, quando amarelo e de 16 pétalas, lembrando o sol nascente.

“Conta uma antiga lenda japonesa que o crisântemo nasceu de uma astúcia de amor. Há muitos e muitos séculos, um nobre samurai, pouco depois de ter desposado a filha mais nova e mais linda do Imperador, teve de partir para a guerra. Esperava que a expedição fosse por pouco tempo e que a vitória não se fizesse esperar. Para consolar a sua jovem esposa a qual, como todas as japonezinhas bem educadas, engolia corajosamente as lágrimas, dirigiu-se com ela para o seu magnífico jardim e, indicando-lhe uma das flores, disse-lhe o seguinte: <Toma esta flor sob os teus cuidados, porque antes de caírem todas as pétalas, ter-me-ás outra vez aqui junto de ti>.

Infelizmente, porém, estava a flor ainda bem fresca quando se propalou a notícia de que o navio, em que seguia o nobre samurai, tinha sido tragado pelas ondas durante uma furiosa tempestade.

Todos exortaram a jovem esposa a que se resignasse e a que esquecesse; e o seu pai, o Imperador, começou a projectar-lhe novo casamento com outro cavaleiro, tão nobre e valorosos como o primeiro. Mas a jovem sentiu que não poderia esquecer o seu primeiro amor e por isso pediu e conseguiu que lhe fosse permitido esperar <até que tivessem caído todas as pétalas da sua flor>.

Iludindo então a vigilância até das próprias criadas e apoderando-se dum par de tesouras bem afiadas, dirigiu-se numa noite de lua cheia ao jardim e cortou as pétalas da flor em tiras finíssimas, por forma a conseguir um grande número de pétalas. E a sua constância não deixou de merecer o devido prémio. De facto, pouco antes de cair a última pétala da sua nova flor, chegava o samurai que restituía a felicidade à sua esposa.

Comovido, o Imperador deu ordens para que a flor passasse a ocupar o lugar de honra nas suas armas e de se converter no símbolo heráldico do seu império. Mas o povo japonês passou a considerá-la também desde então como símbolo do amor. De facto, a oferta dum botão de crisântemo significa <O meu coração está ainda fechado, mas poderá abrir-se para ti, se o quiseres>; um crisântemo que está a desabrochar significa <O meu coração está a abrir-se ao Sol do teu amor> e uma flor aberta significa <O meu coração desabrochou para ti>.

Mas, nas terras do Ocidente, essa flor é considerada símbolo dum amor que não tem fim; por isso, é oferecida àqueles que nos foram queridos na terra e nos precederam no Céu, como sinal de recordação perene e afectuoso.” História narrada por alguém que se escondeu no pseudónimo de Franca Perlo.

A Ordem do Crisântemo, fundada no Japão em 1876 pelo Imperador Mutsu-Hito, só é conferida aos príncipes, usando uma fita verde orlada a violeta, segundo o dicionário enciclopédico Lello Universal.

Um imperador japonês tendo escutado a existência no seu território de um magnífico jardim de crisântemos, talvez o mais belo do mundo, logo ficou interessado em visitá-lo. Enviou um emissário ao proprietário para a possibilidade de lhe conceder a permissão de lá se deslocar. Concordando, o dono do jardim apenas pediu o favor de ser avisado do dia e hora a que o Imperador lá iria. Com a data marcada, chegou o dia e o jardineiro enviou um dos criados para vigiar a saída do imperador do palácio, com ordens para logo que tal acontecesse, vir a correr avisá-lo. Assim foi e já com o Imperador a meio caminho, o jardineiro começou a cortar do jardim todos os pés dessa flor. Chegado o Imperador às portas do recinto, tinha o proprietário à sua espera e conduzindo-o ao seu interior, mostrou a única flor de crisântemo aí existente. Era esta o seu jardim.

O vinho Ji Hua no Duplo 9

Na China, no período imperial, a festividade solar do Qingming, cujo significado é Pura Claridade e ocorre no dia 4, ou 5 de Abril, era quando os governantes prestavam homenagem aos Antepassados e ao Imperador Amarelo, unificador das tribos chinesas e primeiro Soberano, Huang Di, considerado o pai do povo chinês. Já no nono dia do nono mês lunar, duplo 9, ou Chong Yang Jie, como é designada a Festividade do Duplo Yang, era a altura do povo oferecer sacrifícios aos seus Antepassados. Se tal acontecia no período imperial, actualmente em ambas as datas o povo chinês vai às campas dos seus antepassados e oferece sacrifícios, queimando em sua honra incenso e dinheiro dos mortos, reunindo-se as famílias à volta da campa, limpando-a e embelezando-a com flores e realizando aí uma refeição. Na Festividade do Aprovisionamento do Princípio Masculino, como também é conhecida a celebração do Duplo 9, a flor mais usada é o crisântemo, não fosse a nona Lua do ano conhecida pela Lua do Crisântemo. Nesse dia as pessoas têm como costume subir à montanha para estarem próximo dos seus Antepassados. Isto poderá ter dois sentidos. No topo da montanha está-se mais próximo do Céu, assim como é nas encostas das montanhas que se encontram os cemitérios chineses.

Na Festa do Duplo Nono, quando os crisântemos se encontram em flor, toda a família se reúne num local alto, para beber vinho de crisântemos. Diz-se que esta bebida, Ji Hua protege as pessoas do mal.

“Constituía o estuário do Rio das Pérolas um ambiente suigeneris, no qual sucessivas gerações de famílias habitaram em barcos (…). Entre a diversidade de embarcações que se encontravam fundeadas, contavam-se aquelas onde se exercia a prostituição (…). O seu aspecto exterior, para além da lanterna de papel colorido, iluminada, que os anunciava à distância, era marcado por uma ornamentação exuberante, carregada de flores policromas – peónias, dálias e crisântemos, símbolos de amor, fertilidade e felicidade – em que predominava o vermelho, e que se entrelaçavam em frisos, envolvendo-os e emoldurando-lhes as janelas. Era este aspecto garrido que os distinguia, pelo contraste, a sobriedade habitual dos barcos do sul da China”. Retirado do estudo de Isabel Nunes, publicado na Revista de Cultura.

Na famosa cozinha de Shunde, Guangdong, as pétalas tubulares do crisântemo são usadas no caldo de cobra quando, colocado na malga para ser servida a sopa, feita, para além da pele e da carne de cobra, com galinha e língua de porco, sendo adicionadas no final, por cima, pétalas brancas dessa flor.

Termina hoje, 17 de Novembro, o Festival dos Crisântemos em Kaifeng, onde estiveram expostas em milhões de vasos, assim como ocorreram dezenas de eventos para promover o desenvolvimento da sua indústria nesta cidade da província de Henan, centro da China.

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