Governo admite importação exclusiva de aves congeladas

A criação de um mecanismo centralizado de abate de galinhas e pombos não afasta a possibilidade de haver gripe aviária no território, frisou ontem Sónia Chan. A Administração pondera, no futuro, autorizar apenas a importação de aves congeladas. Mas a ideia não é para avançar já

 

A secretária para a Administração e Justiça não descarta a hipótese de, a longo prazo, Macau só autorizar a importação de aves congeladas. “Como o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais já referiu, mesmo o abate centralizado implica riscos”, indicou Sónia Chan acerca da hipótese que tem estado a ser discutida nos últimos tempos. O tema ganhou maior pertinência na sequência da detecção de dois casos de gripe das aves, em lotes oriundos da China Continental, por altura do ano novo chinês, que obrigou ao abate de milhares de galinhas e pombos.

“Sabemos que a tendência é para não haver abate de aves. A longo prazo temos de substituir por aves congeladas”, declarou ontem a governante, à margem de uma reunião na Assembleia Legislativa. Sónia Chan acrescentou que existem pessoas que sugerem o abate do outro lado da fronteira, de modo a que as aves cheguem ainda frescas ao território. Mas também esta sugestão encontra obstáculos, porque a concretização “não depende de Macau”.

Insistindo que “o abate centralizado não evita totalmente o risco de vírus”, a secretária sublinhou que não há ainda uma decisão final sobre a matéria. “A forma melhor é deixar de ter abate de aves. Mas há pessoas que levantam outras questões que têm de ser estudadas”, recordou. O fim da venda de aves vivas nos mercados locais teria implicações para quem trabalha nesta área.

No início desta semana, Sónia Chan tinha reiterado que o assunto “é uma prioridade na agenda do Governo”. A responsável recordou que já foi feita uma consulta pública sobre esta matéria, sendo “necessário considerar as questões relativas aos hábitos gastronómicos dos cidadãos, bem como a reestruturação do sector”.

Leis e pessoas

Em menos de um ano, Macau registou cinco casos de gripe das aves e, em Dezembro passado, foi confirmado o primeiro caso de infecção humana. Os resultados da consulta pública a que a secretária fez referência foram divulgados em Junho do ano passado, tendo indicado que quatro em cada dez residentes de Macau se opõem à substituição de aves vivas por refrigeradas.

O inquérito, destinado a avaliar a reacção do público à medida que o Governo pretende aplicar para prevenir surtos de gripe aviária, concluiu que 42,2 por cento dos 1026 inquiridos manifestam-se contra ou absolutamente contra a medida, 24,2 por cento exprimiram concordância ou absoluta concordância e 33,3 por cento afirmaram serem indiferentes ao assunto.

Também ontem, Sónia Chan foi questionada acerca de nova regulamentação para o sector dos táxis, na sequência de casos que têm vindo a público que envolvem a cobrança de tarifas excessivas a turistas. A governante não deixou novidades. “Este ano deverá haver reformas em curso. Esperamos poder avançar com mais brevidade com os diplomas que têm que ver com a vida da população.”

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