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O rapaz de sete anos que sobreviveu durante quase uma semana após ser abandonado pelos pais numa floresta teve ontem alta do hospital, acabando com um drama que cativou o Japão e acendeu o debate sobre disciplina infantil.
A polícia disse que os pais não vão ter nenhuma consequência por terem abandonado Yamato Tanooka como castigo por atirar pedras, apesar da revolta pública generalizada.
Yamato estava muito alegre quando saiu do hospital municipal de Hakadate no norte da ilha de Hokkaido.
Com um boné preto de basebol, parou a sorrir e acenou à multidão de jornalistas e curiosos. Segurava uma bola de basebol feita em papel que tinha mensagens de apoio escritas. Quando lhe perguntaram o que queria fazer, disse: “Basebol!”. Sobre se queria voltar à escola, respondeu com entusiasmo: “Quero ir!”.
Depois de alguns minutos, que incluíram aplausos, o seu pai levou-o para uma carrinha e foram embora.

Processo disciplinar

O rapaz sobreviveu durante seis noites sozinho depois dos pais o terem deixado na estrada de uma montanha, no dia 28 de Maio, perto de bosques onde existem ursos.
Muitos japoneses ficaram indignados com o casal, que disse ter forçado o filho a sair do carro para lhe dar uma lição depois de ele ter atirado pedras a carros e a pessoas.
O pai disse que voltou atrás cinco minutos depois para o ir buscar mas não o encontrou.
O caso acendeu o debate no Japão sobre disciplina parental. Algumas pessoas pediram compreensão para os pais, mas a maioria condenou a atitude excessiva.
“Não vamos considerar isto um caso criminal”, disse à AFP um porta-voz da polícia de Hakkaido, acrescentando que o caso seria apenas encaminhado para a segurança social.
Toru Numata, um advogado que lida com casos violência doméstica e abuso, disse à AFP: “Considerando os factores por detrás do caso, as hipóteses de tornar o caso processável são muito pequenas”.
Numata disse que o foco seria provavelmente a saúde mental do rapaz e o possível trauma do episódio.
Depois de Yamato ter deixado o hospital, as redes sociais celebraram a sua recuperação, e uma pessoa escreveu no Twitter: “Que bom que ele foi salvo… Dêem-lhe muitos beijos”.
Mas alguns mostraram-se incomodados com a grande cobertura dos media.
“Os media precisam de andar atrás dele?”, escreveu um utilizador. “Era melhor deixarem-no em paz”.
A equipa de salvamento e os soldados passaram dias a vasculhar as florestas da montanha depois de Yamato ter desaparecido.
A criança foi finalmente descoberta na passada sexta-feira, abrigada numa cabana de um campo de treino militar a cinco quilómetros do sítio onde foi abandonada.
Yamato estava desidratado e foi levado para o hospital.
A polícia interrogou-o durante uma hora no hospital, na segunda-feira, acompanhado pela mãe e pelos médicos, informou o jornal Tokyo Shimbun.
O diário citou o que o rapaz disse à polícia: “Eu andei sozinho e não encontrei ninguém”, acrescentando que às vezes parava para descansar e chegou à cabana quando estava escuro.
Yamato manteve-se quente ali, durante as noites frias, ao dormir entre dois colchões. Bebeu água de uma torneira, mas não tinha nada sólido para comer.
O pai, Takayuki Tanooka, de 44 anos, disse na segunda-feira que pediu desculpa ao filho e que o rapaz o perdoou.
“Eu disse-lhe: ‘O pai fez-te passar por um período difícil. Desculpa’”, disse Takayuki à rádio TBS.
“E depois, o meu filho disse: ‘Tu és um bom pai. Eu desculpo-te’”, acrescentou Tanooka.

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