Negligência provoca mortes em Taiwan

[dropcap]N[/dropcap]o passado dia 21, ocorreu um trágico acidente ferroviáro na Estação de Xinma em Sulan, Taiwan. Morreram 18 pessoas e 190 ficaram feridas. A maioria das vítimas eram crianças. Os corpos dos mortos e dos feridos ficaram espalhados por toda a parte. Algumas mães foram vistas a abraçar os filhos moribundos. Foram cenas chocantes, que entristeceram os elementos das equipas de resgate.

O comboio acidentado fazia a ligação entre a floresta da Cidade New Taipei e Taitung e cumpria um horário que apenas se efectua aos domingos. No momento do acidente, 366 passageiros atravessaram a Estação Xinma em Yilan, a uma velocidade de 140 Kms por hora. Ao contornar a curva, o comboio chocou com a plataforma e descarrilou. Oito carruagens embateram numa central eléctrica. Os cabos e a estrutura metálica pressionaram a composição e alguns carris viraram-se e perfuraram as carruagens, que acabaram por ficar em forma de W.

A Procuradoria de Yilan Taiwan levou a cabo uma investigação preliminar e concluiu que o acidente se deveu a excesso de velocidade. O maquinista encontra-se sob forte suspeita. O Tribunal Distrital de Yilan irá julgar o caso; o maquinista saiu em liberdade, sob fiança de 500.000 dólares de Taiwan.

A secção 276 (1) do Código Penal de Taiwan estipula,

“Aquele que causar a morte de terceiros devido a negligência é condenado a uma pena de prisão que pode ir até 2 anos, ou a uma multa que poderá ascender a 2.000 yuans.”

A secção 276 (2) estipula,

“As pessoas envolvidas numa actividade económica e que, nesse âmbito, por negligência provoquem a morte de terceiros, serão condenadas a uma pena de prisão até 5 anos ou ao pagamento de uma multa que poderá ascender a 90.000 yuans.”

Em Taiwan, existe o conceito de “negligência laboral”. Este crime é regulado pela secção 276 (1) do Código Penal. Se a morte tiver sido provocada por:

• negligência,
• violação dos deveres estatutários de protecção de terceiros, ou
• descuido.

De acordo com o sentido literal da expressão “negligência laboral”, os acidentes ocorridos terão de estar relacionados com erro humano no exercício de funções.

Mas o conceito legal vai mais longe. Por exemplo, agricultores que criem gado, ou que cultivem os campos nas montanhas, precisam de utilizar carrinhas para se deslocar. Sem estes veículos não podem trabalhar. Desta forma, se tiverem um acidente, poderá cair no âmbito da “negligência laboral”. A inclusão da estrada no local de trabalho do agricultor baseia-se na teoria de “casualidade” da lei penal; ou seja, “sem uma determinada acção, não teria havido uma certa consequência.” A casualidade está formalmente correcta, mas não abarca todo o quadro do crime. Por exemplo, no caso de morte por esfaqueamento, se houver uma impressão digital do suspeito na faca, a acusação que sobre ele impende será de assassínio. Embora esta afirmação seja correcta, não explica o motivo da acção. Sem se apurar o motivo do crime é difícil condenar o suspeito. O uso do conceito de “casualidade” pode ser um pouco redutor.

Hoje em dia, o âmbito da “negligência laboral” está confinado ao exercíco “da actividade principal e de actividades subsidiárias”. No caso do agricultor que precisa de conduzir uma carrinha, a condução é uma actividade subsidiária.

A negligência implica que o erro “não foi intencional”, ou aconteceu porque “embora devesse ter prestado atenção, não o fez”, ou por “podendo prever o resultado, não ter acreditado que efectivamente fosse acontecer”.

Em regiões onde não existe o conceito de “negligência laboral”, os procuradores lançam mão de acusações alternativas. Por exemplo, em Hong Kong se um motorista de autocarro provocar um acidente que provoque mortes, o Governo acusa-o de assassínio.

O conceito de “negligência laboral” torna estas situações mais claras. Este crime é obviamente não intencional. A legislação ajuda a distinguir o crime de homicídio do crime de assasínio.

30 Out 2018

Condutor de comboio que descarrilou matando 22 pessoas em Taiwan suspeito de negligência

[dropcap]U[/dropcap]m comboio que descarrilou no domingo em Taiwan, matando 22 pessoas, viajava com excesso de velocidade e o condutor é suspeito de negligência por ter desactivado um sistema de controlo de velocidade, anunciou hoje o tribunal encarregado do caso.

O descarrilamento do Puyuma Express ocorreu no condado de Yilan (nordeste) e o comboio transportava 366 pessoas, sendo considerado pelas autoridades o pior acidente ferroviário em mais de 25 anos. O acidente também provocou 187 feridos.

O condutor do comboio, que foi identificado pelo seu apelido, Yu, foi libertado hoje mediante o pagamento de uma caução, após ser interrogado pelas autoridades e voltou ao hospital em que foi tratado por vários ferimentos, incluindo uma costela fraturada.

Num comunicado, o tribunal distrital de Yilan referiu que Yu admitiu ter desativado o Automatic Train Protection (ATP), um sistema usado para controlar a velocidade, devido a problemas com o fornecimento de energia do comboio.

Ao aproximar-se da estação de Xinma, onde ocorreu o descarrilamento, o comboio viajava a 140 quilómetros por hora, bem acima do limite de 80 quilómetros por hora neste troço em curva.

O condutor explicou que desligou o sistema ATP numa estação anterior e não o ligou novamente porque estava a conversar com um coordenador da rede ferroviária sobre “negligência profissional”.

“Tendo desligado o ATP, não tinha a assistência do sistema automático de monitorização de velocidade e travagem e deveria ter agido em conformidade, sabendo que tinha diante de si uma grande curva, ao invés de ter travado perto do cais, o que resultou no descarrilamento”, disse o tribunal no comunicado.

Um porta-voz da procuradoria distrital de Yilan, Chiang Chen-yu, referiu aos jornalistas inconsistências entre as declarações do condutor, as pistas recolhidas e os depoimentos das testemunhas.

“Há grande suspeita de culpa” em relação ao condutor, disse Chen-yu.

Sobreviventes disseram que o comboio vibrava muito durante a viagem e que se deslocava “muito rápido” antes do descarrilamento.

Este acidente é o pior desastre ferroviário em Taiwan desde 1991, quando 30 passageiros morreram e 112 ficaram feridos na colisão de dois comboios em Miaoli (noroeste).

23 Out 2018

Presidente de Taiwan quer investigação rápida sobre acidente ferroviário fatal

[dropcap]A[/dropcap] presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, apelou à realização de uma investigação rápida e transparente que esclareça as causas do pior acidente de comboio do país nas últimas três décadas.

“Todos estamos preocupados em conhecer as causas do acidente e já pedi que fosse feita uma investigação que tornasse clara toda a situação do acidente, para que os cidadãos possam ter um relatório completo”, disse a presidente Tsai Ing-Wen em declarações aos jornalistas.

Segundo anunciou o porta-voz da administração ferroviária de Taiwan, o relatório pode demorar mais de um dia a ser feito devido ao tempo que demoram a ser feitas as entrevistas e a verificação dos registos.

O Puyuma Express tinha oito carruagens e transportava 366 pessoas com destino a Taitung, no sul de Taiwan, quando descarrilou e provocou 18 mortos e 187 feridos.

O acidente aconteceu numa curva e as gravações obtidas pela imprensa local mostram as faíscas provocadas pelo choque do comboio a derrubar as estruturas de metal que se encontravam ao lado da via-férrea.

Os socorristas procuraram vítimas durante a noite de domingo para segunda-feira, antes que outra equipa viesse para remover as carruagens danificadas, onde já foram procurados indícios sobre as causas do acidente.

A velocidade do comboio ainda não foi divulgada, mas não foi descartada como possível causa do acidente.

Alguns sobreviventes disseram à agência de notícias oficial de Taiwan, citada pela Associated Press, que o condutor do comboio acionou várias vezes o travão de emergência antes do acidente.

O comboio teve a sua última inspeção e manutenção em 2017, disse o diretor da Ferroviária de Taiwan Lu, Chieh-shen, numa conferência de imprensa no passado domingo, antes de pedir a demissão.

O ministro da defesa nacional, Chen Chung-chi, anunciou hoje que sete feridos ainda permanecem em cuidados intensivos e que nenhum deles corre risco de vida.

O comboio transportava mais de 360 passageiros numa viagem de rotina entre um subúrbio de Taipei, no norte do país, até à cidade de Taitung, na costa do sudeste do país.

O acidente, uma “grande tragédia” nas palavras da presidente do Taiwan, foi a pior catástrofe ferroviária no país desde 1991 quando 30 passageiros morreram e 112 ficaram feridos na colisão de dois comboios em Miaoli, no noroeste do país.

23 Out 2018

Redes sociais | Nua na rua contra a pressão académica

[dropcap]T[/dropcap]urista de 20 anos, natural de Taiwan e a frequentar um mestrado numa instituição do ensino superior no Interior da China. É este o perfil da mulher que se expôs da cintura para baixo nas ruas de Macau, através de fotografias que circularam pelas redes sociais. Numa das fotos, a mulher, que esconde sempre a cara, aparece a exibir-se completamente nua da cintura para baixo, no Pátio da Hera, precisamente na Rua ao lado do Comissariado Número 1 do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP).

A revelação sobre o perfil da turista foi feita, ontem, pela versão de Taiwan do jornal Apple Daily, onde se explica que a mulher coloca online fotos deste género na rede social Tumblr porque adora expor a nudez humana e sente que é uma forma de aliviar o stress da vida académica. Apesar de não revelar a sua identidade, a estudante de Taiwan admitiu que costuma acompanhar-se de uma amiga para tirar este tipo de fotografias e que já o fez em locais como o Interior da China, Taiwan ou Macau, mesmo em situações em que apenas está a sair de um bar ou de uma sala de karaoke. Contudo, para evitar incomodar as outras pessoas, as fotos são tiradas à noite e quando não há outras pessoas nas proximidades. Os locais escolhidos são muitas vezes becos.

Porém, esta foi a primeira vez que a estudante teve problemas uma vez que acabou por ser identificada pela PSP, devido às câmaras de segurança, e pode mesmo a vir ser acusada pela prática do crime de actos de exibicionismo, caso volte a entrar no território. A pena para estas situações vai até 1 ano de prisão ou multa de 120 dias.

Ao jornal de Taiwan a estudante confessou que não tinha consciência que se tinha exposto ao lado de uma esquadra de polícia e revelou sentir-se stressada com a situação, por nunca ter tido a intenção de arranjar problemas com a justiça.

23 Out 2018

Taiwan | Milhares exigem referendo sobre independência

[dropcap]D[/dropcap]ezenas de milhares de pessoas manifestaram-se sábado em Taiwan para exigir um referendo sobre a independência em relação à China, segundo relatam as agências de notícias internacionais. De acordo com os organizadores, as manifestações reuniram cerca de 100 mil pessoas, embora as autoridades ainda não tenham divulgado as suas estimativas.

Houve duas manifestações simultâneas, uma em Taipé organizada por independentistas e outra organizada pelo Partido Democrático Progressista no poder, em Koahsiung, no sul. Milhares de manifestantes reuniram-se junto à sede do Partido Democrático Progressista, agitando bandeiras e cartazes, pedindo um “referendo de independência” e cantando slogans como “Queremos um referendo” e “Não à anexação”.

Segundo a imprensa local, este é o primeiro evento desta dimensão a pedir um referendo sobre uma declaração oficial de independência desde que Taiwan se tornou uma democracia há mais de 20 anos.

22 Out 2018

Taiwan | Descarrilamento de comboio causa 22 mortos

[dropcap]P[/dropcap]elo menos 22 pessoas morreram e mais de uma centena ficaram feridas devido ao descarrilamento de um comboio, próximo da capital de Taiwan, no distrito de Yilan, no nordeste da ilha, noticiou ontem o Governo. O comboio Puyuma Expresso 6432, que efectuava a ligação entre Shulin e Taitung, com 310 passageiros, descarrilou pelas 16:50 locais desconhecendo-se as causas do acidente, noticiou a agência espanhola Efe.

Os feridos foram transportados para vários hospitais, segundo o Serviço nacional de Bombeiros, enquanto prosseguem as operações de salvamento, desconhecendo-se até ao fecho da edição se entre as vítimas há algum cidadão estrangeiro.

Em comunicado, o Gabinete de Gestão de Crises do Turismo (GGCT) disse estar a “acompanhar a situação sobre o descarrilamento de comboio em Taiwan, China”, além de que “tem mantido em contacto permanente com a Delegação Económica e Cultural de Macau em Taiwan de modo a acompanhar o desenvolvimento”.

“Das informações fornecidas pela Delegação Económica e Cultural de Macau em Taiwan, até ao momento não há residentes de Macau na lista de feridos e também até ao momento, o GGCT não recebeu qualquer pedido de informação ou assistência”, aponta também o comunicado.

22 Out 2018

Taiwan iniciou ontem exercícios militares que simulam ataque da China

[dropcap]T[/dropcap]aiwan iniciou ontem manobras militares, sob o nome “JE 107-2”, que simulam um ataque do Exército Popular de Libertação da China contra bases localizadas a leste da ilha, informou o Ministério da Defesa.

Estes exercícios militares seguem outras operações navais realizadas na segunda-feira que envolveram fragatas e contratorpedeiros de Chengkung, Kidd e Lafayette, e respondem “à crescente ameaça militar da China”, refere-se num comunicado do Departamento de Defesa de Taiwan.

Nas manobras de ontem, que vão terminar hoje, participam as três forças militares da ilha, incluindo os aviões de combate norte-americano F-16 da base aérea de Chiashan, localizada no distrito de Hualien, no leste do território. O principal objetivo é verificar a capacidade defensiva de Taiwan no caso de um ataque aéreo e guerra eletrónica naquela área da ilha, explicaram peritos militares em Taiwan.

Na segunda-feira, as manobras navais também incluíram a participação de F-16, que realizaram missões para intercetar aviões inimigos e simularam a defesa contra um ataque aéreo e naval chinês.

As operações procuraram testar a capacidade de defesa aérea e antiaérea de Taiwan no leste da ilha, perante a passagem frequente de navios e aviões militares chineses.

Os exercícios de segunda-feira incluíram aviões Lockheed Martin F-16 e Dassault Mirage 2000, dispositivos de ataque eletrónico ALQ-184 e tanques.

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, acusou a 10 de outubro a China de promover conflitos na região e garantiu que não vai renunciar à soberania ou a um estilo de vida “livre e democrático”.

Taiwan vai “evitar o confronto e manter a paz e a estabilidade”, mas não vai ceder à “pressão chinesa”, acrescentou então a líder.

A ilha, onde se refugiou o antigo governo chinês depois do Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949, e que continua a ostentar o nome de “República da China” (sem o adjetivo “Popular”) – é vista por Pequim como uma província da China e não como uma entidade política soberana.

17 Out 2018

Taiwan | Exercícios militares na véspera do Dia Nacional

[dropcap style≠’circle’]T[/dropcap]aiwan promoveu ontem exercícios militares na véspera do Dia Nacional, o que não acontecia há décadas, com a participação do Exército e da Força Aérea, e a presença do Presidente Tsai Ing-wen e o homólogo paraguaio Mario Abdo Benítez.

O Presidente taiwanês lançou, nos últimos anos, uma forte campanha para fortalecer as defesas, com promessas de aumentar o orçamento militar e acelerar o desenvolvimento do seu próprio equipamento de guerra, incluindo submarinos.

Na ocasião, Tsai Ing-wen supervisionou os exercícios de terra e ar do Exército em Taoyuan, norte de Taiwan, em que a defesa era simulada contra ataques inimigos no ar e na costa. Nos exercícios militares participaram tanques, aviões e helicópteros, unidades de artilharia e plataformas de defesa aérea.

10 Out 2018

China exige aos Estados Unidos que cancelem venda de armas a Taiwan

[dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] China exigiu ontem aos Estados Unidos que cancelem uma venda de equipamento militar a Taiwan, fixada em 330 milhões de dólares, advertindo com “graves danos” para a cooperação e relações bilaterais.

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros Geng Shuang afirmou que a venda viola a lei internacional e as “normas básicas que governam as questões internacionais”. Geng não detalhou qual o ponto da lei internacional infringido por Washington.

“Instamos os EUA a suspenderem, imediatamente, este plano para venda de armamento, e a suspenderem os contactos militares com Taiwan, visando evitar graves danos para as relações entre China e EUA, a paz e estabilidade no Estreito de Taiwan e para a cooperação bilateral em vários domínios”, disse o porta-voz.

Os EUA são o aliado mais importante e principal fornecedor de armas de Taiwan, apesar de os dois lados não terem relações diplomáticas, desde 1979.

A administração norte-americana, liderada por Donald Trump, anunciou na segunda-feira ter aprovado a venda de 330 milhões de dólares (280,8 milhões de euros) em peças para os caças F-16 de Taiwan e outras aeronaves militares.

Em comunicado, o Pentágono referiu que a venda vai melhorar a capacidade de Taiwan de se defender, sem alterar o equilíbrio militar básico na Ásia, onde Pequim e Washington têm competido por influência.

A China opõe-se à venda de armamento a Taiwan, que considera uma província chinesa e ameaça com o uso da força, caso declare independência, apesar de a ilha funcionar como uma entidade política soberana.

A venda de armamento a Taiwan coincide com a decisão de Washington de impor sanções contra o ministério da Defesa da China, por compra de aviões de caça Su-kh Su-35, no final de 2017, e equipamentos do sistema russo de defesa aérea S-400, no início de 2018.

As sanções financeiras atingem uma unidade chave do ministério chinês da Defesa, o Departamento de Desenvolvimento de Equipamentos, e o seu diretor, Li Shangfu.

A decisão surge ainda numa altura de renovadas tensões entre Pequim e Washington, em torno de questões comerciais.

26 Set 2018

Diplomacia | EUA convoca diplomatas de países que se afastaram de Taiwan

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]Departamento de Estado dos Estados Unidos convocou na passada sexta-feira os seus representantes na República Dominicana, El Salvador e Panamá após estes países terem decidido cortar ligações diplomáticas com Taiwan, privilegiando as relações com a China. Em comunicado, o Departamento de Estado informou que convocou o embaixador na República Dominicana, Robin Bernstein, o embaixador em El Salvador, Jean Manes, e o encarregado de negócios no Panamá, Roxanne Cabral, “para discutir maneiras pelas quais os Estados Unidos podem apoiar instituições fortes, independentes e democráticas nas economias da América Central e das Caraíbas”. Embora os Estados Unidos apenas reconheçam formalmente a China, mantêm uma embaixada na capital da ilha, Taipé, e assumem-se como um aliado de Taiwan, um território que o regime de Pequim reivindica como seu. Taiwan tem agora apenas 17 aliados diplomáticos, enquanto Pequim pressiona o Governo da ilha a seguir o princípio de “uma só China”.

10 Set 2018

Taiwan | China acusada de pressionar universidade espanhola

Uma académica taiwanesa revelou ontem mensagens da embaixada chinesa em Espanha a pressionar a Universidade de Salamanca para cancelar um evento cultural dedicado a Taiwan, ilustrando a rápida expansão do totalitarismo político de Pequim além-fronteiras

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]evento, designado “Dia da Cultura de Taiwan”, estava marcado para Outubro passado, mas acabou por ser cancelado, devido à intervenção da embaixada chinesa, segundo Shiany Perez-Cheng, que deu aulas naquela universidade espanhola entre 2008 e 2017. O ‘email’, enviado pelo gabinete de assuntos da Educação, pede ao reitor, José Manuel del Barrio, que cancele a programação dedicada a Taiwan, para que se evite um “incidente desagradável” que poderia ter impacto nas relações da universidade com Pequim.

“Não gostaríamos que a vossa instituição fosse usada pelas autoridades de Taiwan como uma plataforma para propaganda política; isso afectaria as boas relações da universidade com a China”, lê-se na mensagem, enviada em outubro passado. Em particular, a diplomacia chinesa desaprovou o convite endereçado ao representante de Taiwan em Espanha, Simon Ko Shen-yeaw, para participar na abertura do evento. “Isso causaria confusão e mal-entendidos sobre a questão de Taiwan”, nota.

A embaixada lembra ainda ao reitor que há muitos estudantes e académicos chineses que frequentam a Universidade de Salamanca.

Citado pelo jornal de Hong Kong South China Morning Post (SCMP), Perez-Cheng diz que o reitor encaminhou a mensagem para o departamento de estudos de Taiwan, que organizou o evento, e marcou uma reunião para o mesmo dia. “Quando chegamos à faculdade de Ciências Sociais, havia uma atmosfera sombria”, afirmou a académica, citada pelo SCMP. “Eles estavam verdadeiramente assustados”, lembrou. Segundo Perez-Cheng, o reitor explicou então que a universidade falou ao Governo espanhol sobre o incidente, que deu as “instruções” sobre como lidar com a situação. No dia seguinte, o “Dia da Cultura de Taiwan” foi cancelado, “devido a circunstâncias não relacionadas com a faculdade de Ciências Sociais”, explicou.

Caso de Braga

Funcionários do Governo espanhol ou da universidade não comentaram, até à data, o incidente, que ocorre numa altura em que Pequim redobra os esforços para isolar Taiwan. Nos últimos meses, o Governo chinês exigiu a companhias áreas, hotéis ou marcas internacionais que passassem a referir-se a Taiwan como parte da República Popular da China, ameaçando com sanções legais.

Um dos casos mais badalados envolvendo a censura chinesa além-fronteiras ocorreu em Portugal, durante uma conferência que reuniu centenas de sinólogos na Universidade do Minho. Páginas do programa contendo informação sobre a Fundação Chiang Ching-kuo, uma organização académica de Taiwan que promove o estudo do chinês, foram arrancadas a mando da directora-geral do Instituto Confúcio, organismo patrocinado por Pequim para assegurar o ensino da língua chinesa. O episódio passou-se em Braga, mas as autoridades chinesas justificaram a sua atitude com a necessidade de cumprir com as “regulações chinesas”.

O acto foi publicamente condenado pela Associação Europeia de Estudos Chineses, como uma “interferência totalmente inaceitável”.

7 Set 2018

Taiwan | Antigo presidente defende referendo sobre independência

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]antigo Presidente de Taiwan, Chen Shui-bian, propôs ontem a convocação de um referendo sobre a independência formal da ilha, perante a crescente pressão política, económica e diplomática exercida por Pequim.

Numa entrevista ao jornal japonês Sankei, Chen instou o Governo da actual Presidente, Tsai Ing-wen, a recorrer a um referendo, face à impossibilidade de o território competir militarmente com a China. “Não temos força militar, só podemos enfrentar [a China] através de métodos democráticos”, afirmou Chen, citado pelo jornal japonês.

O referendo é a melhor forma de mostrar ao mundo que “os taiwaneses não desejam ser parte da China” e uma “resposta pacífica e democrática à crescente ameaça militar, política e económica” de Pequim, acrescentou.

Chen criticou Tsai Ing-wen pela sua debilidade, face à pressão da China, e por não se aproximar mais do Governo japonês para contrariar a intimidação exercida por Pequim. O antigo Presidente taiwanês enalteceu ainda o estreitar dos laços entre Taipé e Washington, mas advertiu que não se pode esperar muito do líder norte-americano, Donald Trump.

Chen liderou Taiwan entre 2000 e 2008, tendo mantido sempre uma postura pró-independência. Após terminar o seu mandato, foi condenado por corrupção, mas assegura que se trata de perseguição política.

6 Set 2018

Ambiente | Taiwan quer banir mais de 13 milhões de motos até 2035

[dropcap style=’circle’]T[/dropcap]aiwan anunciou ontem que vai proibir até 2035 as motos movidas a gasolina para combater a poluição ambiental na ilha, prevendo-se a retirada de mais de 13 milhões destes veículos actualmente em circulação. Esta medida, anunciada em comunicado pelo primeiro-ministro insular, Lai Chin-te, visa retira das estradas no território cerca de 13,76 milhões de motos que estão actualmente em circulação, num país com cerca de 23,5 milhões de habitantes. O Governo de Taiwan explicou que vai apoiar os fabricantes locais na transição para veículos eléctricos e inteligentes e oferecer incentivos aos consumidores. Taiwan está comprometida em eliminar a energia nuclear até 2025, o que significa que precisa intensificar a produção de energia renovável, gás natural e de centrais a carvão.

6 Set 2018

Defesa | Taiwan fabrica 66 aviões de treino avançado até 2026

[dropcap style=’circle’]T[/dropcap]aiwan vai fabricar 66 aviões de treino avançado até 2026, desenvolver novos motores de aeronaves e componentes-chave de aviões de combate de última geração, anunciou no fim-de-semana o Ministério da Defesa. Segundo a agência Efe, Taiwan contratou a Corporação de Desenvolvimento Industrial Aeroespacial (AIDC, na sigla em inglês) para o desenvolvimento e fabrico dos aviões, um plano de fortalecimento das forças armadas para os próximos cinco anos, e que visa fazer frente ao avanço militar chinês. Em comunicado, o Ministério indica que a empresa já iniciou a montagem do primeiro dos 66 aviões e que pretende realizar testes no solo em Setembro de 2019.

O Ministério da Defesa de Taiwan acrescenta que o primeiro voo está planeado para Junho de 2020.

Os novos aviões vão substituir as actuais aeronaves de treino AT-3 e também os F-5E e F, de fabrico norte-americano.

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, lançou um programa de modernização militar, que inclui o aumento dos gastos da defesa até 3 por cento do Produto Interno Bruto, a aquisição de equipamento tecnológico norte-americano e a produção de submarinos, aviões, navios e mísseis em Taiwan.

3 Set 2018

ONU | Taiwan muda de estratégia e decide não pedir readmissão

[dropcap style=’circle’]T[/dropcap]aiwan decidiu que este ano não apresentará uma campanha para pedir a readmissão nas Nações Unidas e nas respectivas agências durante a próxima sessão da Assembleia-geral, cujo início está agendado para Setembro, anunciaram ontem as autoridades daquela ilha.

O anúncio foi feito pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Hsieh Wu-chiao, que precisou que a ilha irá apelar apenas que a ONU não esqueça os 23,5 milhões de habitantes de Taiwan, que não proíba a participação de cidadãos e de jornalistas daquele território em eventos da organização internacional e que inclua a ilha nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). “Esperamos lembrar, uma vez mais, ao mundo que Taiwan é uma força razoável, positiva e que contribui para a região e para o mundo”, declarou o vice-ministro.

A decisão anunciada ontem representa uma ruptura com a estratégia definida pelo território em 2017, bem como com a posição adoptada por Taipé entre 1991 e 2007. Durante este período de 16 anos, Taiwan pediu a admissão na ONU e em várias agências da organização, nomeadamente na Organização Mundial de Saúde (OMS), na Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC) e na Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

Depois de uma pausa de uma década, Taiwan reactivou em 2017 os esforços junto dos respectivos aliados para reunir apoios e alcançar a readmissão nas Nações Unidas, organização que deixou em Outubro de 1971 após a reentrada da China (um dos cinco Estados permanentes do Conselho de Segurança da ONU).

30 Ago 2018

Taiwan | Pelo menos quatro mortos e 143 feridos devido a inundações

[dropcap style=’circle’]P[/dropcap]elo menos quatro pessoas morreram e 143 ficaram feridas na sequência de inundações provocadas pelas chuvas torrenciais que se abateram sobre Taiwan e que causaram perdas calculadas em mais de 16 milhões de euros, informaram ontem as autoridades.
O centro e o sul da ilha sofreram inundações que paralisaram fábricas e o trabalho nos campos de cultivo, além de cortes no fornecimento eléctrico e bloqueios em inúmeras estradas, segundo o Centro de Resposta a Desastres e Emergências. Milhares de casas foram inundadas e quase sete mil pessoas foram retiradas das suas habitações, das quais 1.827 ficaram alojadas em 20 abrigos temporários. Cerca de 70 mil casas sofreram cortes de energia, segundo dados do Corpo de Bombeiros Nacional do Ministério da Agricultura.
Estão previstos mais três dias de chuvas torrenciais e ventos fortes em Taiwan, o que faz aumentar o risco de inundações e deslizamentos de terra.
O Exército mobilizou mais de 37 mil soldados e cerca de cinco mil veículos e aeronaves para lidar com os efeitos das chuvas torrenciais no centro e sul de Taiwan, segundo o Ministério da Defesa.

28 Ago 2018

Taiwan | Pequim pede a EUA para não interferir na relação com El Salvador

[dropcap style=’circle’]P[/dropcap]equim pediu no fim-de-semana a Washington para não interferir na política externa de El Salvador, após a Casa Branca ter anunciado que os Estados Unidos vão rever a sua relação com Salvador, que rompeu relações diplomáticas com Taiwan. “Apenas o povo de El Salvador sabe qual é a decisão correcta e qual beneficia os seus interesses, assim esperamos que certos países respeitem o direito dos Estados soberanos de desenvolverem as suas relações internacionais, em vez de interferirem nos seus assuntos internos”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang. O dirigente chinês recordou ainda que El Salvador se juntou a outros 176 países que mantém relações oficiais com a China (e não com Taiwan, por imposição de Pequim). Países que mantêm laços diplomáticos com Pequim não podem ter ligações a Taipé e vice-versa. Taiwan conta agora com apenas 17 aliados diplomáticos no mundo, nove dos quais na América Latina e nas Caraíbas.

27 Ago 2018

China protesta passagem de Presidente de Taiwan pelos EUA

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]China enviou um protesto formal a Washington devido à escala realizada pela Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, nos Estados Unidos, onde visitou a Administração Nacional para a Aeronáutica e Espaço (NASA), na cidade de Houston. Tsai realizou a visita quando regressava do Paraguai e Belize, dois dos 18 países que mantêm relações diplomáticas com Taiwan, que a China considera parte do seu território, contra as aspirações independentistas de Taipé.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lu Kang, disse aos jornalistas que Pequim “vai-se opor sempre a que qualquer país ofereça conveniências e locais para que pessoas relevantes de Taiwan conduzam estas actividades”. “Nós tornamos clara a nossa posição junto dos países relevantes”, acrescentou.
A visita à NASA tratou-se de uma rara presença de um líder taiwanês numa instalação oficial do Governo norte-americano.
Tsai fez ainda um discurso na Livraria Presidencial Ronald Reagan, na Califórnia, na primeira intervenção pública de um líder de Taiwan nos EUA em mais de uma década. “Quero agradecer a todos os envolvidos por fazerem a minha paragem em Houston maravilhosa, cheia de boas memórias”, escreveu Tsai no Twitter. “A minha administração vai continuar a reforçar todos os aspectos das relações entre Taiwan e os EUA”, acrescentou.
Países que mantêm laços diplomáticos com Pequim não podem ter ligações a Taipé e vice-versa.
Apesar de os EUA serem o principal fornecedor de armas para Taiwan, os dois lados cortaram as relações diplomáticas em 1979, quando Washington passou a reconhecer Pequim, em vez de Taipé.
A visita de Tsai, do Partido Democrático Progressista (DPP), pró-independência, surge numa altura de crescentes disputas comerciais entre Pequim e Washington, suscitadas pela política de Pequim para o sector tecnológico.

21 Ago 2018

Defesa | Taiwan desenvolve mísseis para reduzir vantagem chinesa

Taiwan está a desenvolver mísseis e um sistema de intercepção deste armamento para reduzir a vantagem militar da China, afirmaram especialistas em defesa citada pela agência de notícias Associated Press

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]esde que o presidente Tsai Ing-wen assumiu o cargo em 2016, Taiwan desenvolveu um conjunto de mísseis, aperfeiçoou outro e acelerou a produção de um terceiro, dizem os analistas, num sinal de como a Ilha Formosa está a lidar com a ameaça militar chinesa, aumentando as possibilidades de um confronto armado.
O presidente chinês, Xi Jinping, definiu uma linha dura contra os defensores da independência de Taiwan e enviou navios de guerra, bombardeiros e aviões de combate para exercícios ao largo da ilha, numa clara demonstração de força.
Enquanto Pequim apresenta uma vantagem militar cada vez mais avassaladora, os sistemas de mísseis de Taiwan aumentam a possibilidade de conter a China numa guerra assimétrica, disse Alexander Huang, professor de estudos estratégicos da Universidade Tamkang, em Taiwan. O termo refere-se à resistência efectiva de um inimigo com poder de fogo direcionado. “Taiwan, com recursos limitados, só pode investir na área que criaria algum tipo de vantagem assimétrica, o que dissuadiria os chineses de agir”, disse Huang. “O presidente Tsai comprometeu-se mais ou pelo menos expressou vontade de investir mais na capacidade assimétrica”, acrescentou.

Raio de alcance

Os dois lados foram governados separadamente desde a guerra civil chinesa dos anos 1940 e a China ainda reivindica soberania sobre Taiwan. Pequim não descartou o uso da força para unificar os lados, confrontada com a contínua recusa do presidente de Taiwan à exigência chinesa.
Os mísseis Hsiung Feng IIE, construídos em Taiwan, podem atingir bases militares na China, até 1.500 quilómetros de distância, disse David An, especialista do Global Taiwan Institute, em Washington, Estados Unidos. Estes mísseis também passaram por uma “actualização substancial” no ano passado para aumentar sua eficiência contra navios, disse An.
Enquanto isso, Taiwan intensificou a produção dos mísseis de cruzeiro Wan Chien, referiu An. Já o sistema Tien Kung pode agora interceptar mísseis chineses em distâncias até 200 quilómetros, acrescentou.

20 Ago 2018

Incêndio | Pelo menos 14 pessoas morreram num hospital de Taiwan

[dropcap style=’circle’]P[/dropcap]elo menos 14 pessoas morreram ontem de paragem cardíaca na sequência de um incêndio num hospital em Nova Taipei, Taiwan, informou o Ministério da Saúde e Saneamento em comunicado. O incidente ocorreu no sétimo andar do Hospital Weifu, no distrito de Xinchuang, onde os bombeiros foram obrigados a resgatar 36 pessoas, 14 delas já sem sinais vitais, adiantou o Gabinete de Prevenção de Desastres do Ministério da Saúde e Bem-Estar. A operação mobilizou 276 bombeiros, apoiados por 76 veículos, que conseguiram controlar o fogo em cerca de 50 minutos. Os mortos são sete homens e sete mulheres. A causa do incêndio é desconhecida e a polícia de Nova Taipei iniciou uma investigação para apurar o que esteve na origem do incidente.

14 Ago 2018

China entrega plano para construir túnel ferroviário até Taiwan

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]estudo para construir o mais longo túnel do género no mundo, com 135 quilómetros debaixo do mar, surge num período de crescentes tensões entre Pequim e o Governo de Taiwan.
Alguns analistas consideram, no entanto, que a China poderá começar a trabalhar no projecto de forma unilateral. “Será um dos maiores e mais desafiantes projectos de engenharia civil do século XXI”, disse um dos cientistas do Governo chinês ao SCMP, que não refere o seu nome, por se tratar de um “projecto sensível”.
A ideia de um túnel a ligar o continente chinês e Taiwan já tem um século, mas só agora cientistas e engenheiros chegaram a um consenso sobre a melhor forma de materializar o projecto. O túnel começaria em Pingtan, na província de Fujian, leste da China, e atingiria 200 metros de profundidade, atravessando espessas camadas de rocha, incluindo granito extremamente duro, e com pelo menos dois desvios de falhas geológicas, regressando à superfície em Hsinchu, uma cidade costeira próxima de Taipé.
A construção seria três vezes e meio mais longa do que o Canal da Mancha, que liga França ao Reino Unido, e foi concluído em 1994. O projecto chinês teria características comuns àquela construção, consistindo em três túneis individuais, segundo o SCMP. Dois dos túneis seriam usados por comboios em direcções opostas, enquanto uma terceira passagem, no meio, iria alojar linhas eléctricas, cabos de comunicação e saídas de emergência.
O plano inclui ainda a criação de um par de ilhas artificiais a meio do trajecto, onde seria instalada uma estação de tratamento do ar, que canalizaria ar fresco para dentro do túnel.

Daqui à lua

Desde que há dois anos a Presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, do Partido Democrata Progressista, pró-independência, ascendeu ao poder, a China tem aumentado a pressão diplomática e militar sobre Taiwan.
“Começar a construção sem chegar antes a um acordo com o outro lado iria incitar sentimentos anti-China na ilha”, afirmou Zhao Jian, professor de economia na Universidade Jiaotong, em Pequim, citado pelo SCMP. “Iria fazer com que se afastassem ainda mais, em vez de promover uma maior aproximação”, disse.
Zhu Hehua, director de pesquisa sobre túneis e estruturas subterrâneas na universidade de Tongji, em Xangai, considerou que, devido à situação política, o projecto “parece tão distante como ir à Lua”, mas que “eventualmente se realizará”.

8 Ago 2018

China pede aos EUA que impeçam Presidente de Taiwan de fazer escalas no país

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Governo chinês pediu ontem a Washington que impeça a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, de fazer escala no país a caminho do Belize e Paraguai, depois de Taipei anunciar paragens em Los Angeles e Houston.

“Enviamos um firme protesto formal à parte norte-americana e opomo-nos a qualquer tipo de escala nos Estados Unidos ou outros países que tenham laços diplomáticos com a China”, disse ontem em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Geng Shuang. “Apelamos aos EUA que respeitem o princípio de ‘uma só China’ (…) não permitindo esta escala e evitando enviar sinais errados às forças independentistas taiwanesas”, afirmou o porta-voz. Geng sublinhou que o princípio de uma só China, que implica não reconhecer Taiwan como Estado, “é um consenso universal da comunidade internacional”, e “qualquer tentativa de separar a China e criar ‘duas Chinas’ encontrará a oposição” do povo chinês.

O vice-ministro das Relações Exteriores de Taiwan, José Maria Liu, informou na segunda-feira que Tsai faria escalas em Los Angeles e Houston apesar da oposição chinesa, num quadro de tensões crescentes entre Pequim e Taipei.

Na sua quinta ronda diplomática desde que tomou posse, em Maio de 2016, Tsai visitará o Paraguai de 14 a 16 de Agosto para assistir à investidura do Presidente eleito do país, Mario Abdo Benítez, e de 16 a 18 visitará o Belize. Na ida faz escala em Los Angeles e no regresso em Houston, pelos dias 12 e 20 de Agosto, respetivamente.

Paraguai e Belize são dois dos 18 aliados diplomáticos de Taiwan no mundo. Dez dos 18 aliados de Taiwan encontram-se na América Latina e no Caribe.

Em pouco mais de um ano, Taiwan perdeu dois importantes aliados na América Latina, Panamá e República Dominicana, além de um africano (Burkina Faso), como consequência da estratégia chinesa de isolar internacionalmente o Governo independentista de Tsai.

1 Ago 2018

Taiwan denuncia movimentos de Pequim para isolar a ilha

[dropcap style≠‘circle’]A[/dropcap]s autoridades de Taiwan denunciaram ontem os últimos movimentos da China para aumentar, segundo as autoridades da ilha, o seu isolamento global. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Taiwan, Andrew Lee, disse ontem que nenhum taiwanês aceitaria medidas chinesas para “destruir a soberania de Taiwan”.

Os chineses têm forçado as companhias aéreas internacionais a deixarem de referir-se a Taiwan como um país separado da China nos seus portais na Internet. Um número crescente de empresas internacionais, como a australiana Qantas, a Cathay Pacific (Hong Kong) e a Singapore Airlines, já se refere a Taiwan como pertencente à China.

Washington denunciou recentemente como um “absurdo orwelliano” as exigências de Pequim, numa referência ao escritor britânico George Orwell, cujas obras denunciam o totalitarismo e a vigilância dos indivíduos.

Os chineses também teriam levado o Comité Olímpico da Ásia a retirar o direito da ilha de sediar uma competição de jovens. Tais movimentos visariam aumentar o isolamento de Taiwan e estimular o país a uma união política com a China.

Taiwan já foi excluído das Nações Unidas e de outras grandes organizações internacionais e a China vem progressivamente atraindo países que mantinham relações diplomáticas com Taiwan.

Além destes passos, Pequim intensificou as suas ameaças militares, combinadas com incentivos económicos destinados a atrair os jovens talentosos da área da alta tecnologia de Taiwan.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo Governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas. No entanto, Pequim considera Taiwan parte do seu território e não uma entidade política soberana.

Desde o XIX Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC), que decorreu em Outubro passado, que as incursões de aviões militares chineses no espaço aéreo taiwanês se intensificaram, levando analistas a considerarem como cada vez mais provável que a China invada Taiwan.

27 Jul 2018

Taiwan | Cathay Pacific passa a identificar Formosa como território chinês

[dropcap style=’circle’] A [/dropcap] Cathay Pacific, sediada em Hong Kong, tornou-se a mais recente companhia aérea a identificar Taiwan como território chinês, uma decisão tomada depois de receber um pedido da China.

Em Abril, a Autoridade de Aviação Civil da China pediu a 36 companhias aéreas estrangeiras que se referissem a Taiwan como território da China numa tentativa de isolar no cenário internacional aquela ilha que tem sido administrada de forma independente desde 1949.
Até então, a Cathay e sua subsidiária Dragon Air, designavam Taiwan como uma entidade autónoma, mas, desde quarta-feira, as sua páginas na internet referem-se à ilha como “Taiwan, China”, em inglês e chinês.
A porta-voz do Governo de Taiwan, Kolas Yotaka, classificou esta decisão de “injusta” e pediu o apoio da comunidade internacional. “Continuamos a pedir que a comunidade internacional não se torne cúmplice no assédio da China”, disse ela aos jornalistas.

Seguir a linha
Já a Cathay Pacific explicou que a empresa foi registada na “Região Administrativa Especial de Hong Kong da República Popular da China” e que deve “respeitar os regulamentos das autoridades competentes da aviação civil”, acrescentou a empresa.
Empresas menores da antiga colónia britânica, que regressaram em 1997 sob a tutela chinesa, como Hong Kong Express e Hong Kong Airlines, fizeram o mesmo. Um número crescente de empresas internacionais, como a australiana Qantas e a Singapore Airlines, já se refere a Taiwan como pertencente à China.
Washington denunciou recentemente como um “absurdo orwelliano” as exigências de Pequim. Uma referência ao escritor britânico George Orwell, cujas obras denunciam o totalitarismo e a vigilância dos indivíduos.
Destaque
Até então, a Cathay e sua subsidiária Dragon Air, designavam Taiwan como uma entidade autónoma, mas, desde quarta-feira, as sua páginas na internet referem-se à ilha como “Taiwan, China”, em inglês e chinês.

26 Jul 2018