João Luz Manchete SociedadeTakeaway | Tarifas de até 50% ameaçam restauração As aplicações de entrega de comida ao domicílio encostaram o sector da restauração à parede, com a imposição de elevadas taxas de entrega e a alteração de hábitos dos clientes. A Associação da Indústria do Catering de Macau diz que as apps ameaçam a sobrevivência dos negócios e pede intervenção do Governo Quando a pandemia da covid-19 obrigou ao isolamento e distanciamento social, o simples acto de tomar uma refeição fora de casa tornou-se um pesadelo. A partir dessa altura, tornou-se comum ver as estradas de Macau cheias de scooters da mFood e Aomi, e mais tarde a Tikbee. Findas as restrições de combate à pandemia, permaneceu o hábito de pedir refeições, bebidas e sobremesas através destas plataformas, e começaram a surgir queixas do sector da restauração. O presidente da Associação da Indústria do Catering de Macau, Aeson Lei, tem sido uma das vozes críticas da forma como as aplicações mudaram a indústria e obrigaram restaurantes a pagar elevadas taxas de entrega ou abdicar de uma forma popular de fazer negócio. “Quando não havia plataformas de takeaway, se facturássemos 100 patacas, esse valor entrava na caixa. Hoje em dia chegamos a entregar 50 dessas 100 patacas às aplicações, além dos custos operativos de um restaurante. É difícil sobreviver neste cenário”, indicou o representante, citado pelo jornal do Cidadão. O dirigente associativo recorda que as plataformas de entrega de refeições começaram por cobrar mais de 20 por cento do valor cobrado ao cliente como tarifa de distribuição, valor que considerava razoável. Porém, “as apps começaram também a cobrar tarifa de distribuição ou entrega aos clientes”, afirmou, elevando os preços. Como tal, acabaram por “pedir aos comerciantes o pagamento da fatia que deveria ser paga pelo consumidor”, indicou. Fazer algo Aeson Lei não percebe porque razão as aplicações passaram a cobrar duas vezes tarifas de distribuição. O facto é que os restaurantes ficam obrigados a pagar duas vezes, se quiserem ocupar um lugar cimeiro no ranking das aplicações. Com a dupla cobrança, as aplicações ficam com cerca de 40 por cento da facturação das vendas online dos restaurantes, fatia que cresce para 50 por cento durante campanhas de descontos. Aeason Lei considera que a única forma de controlar as cobranças excessivas é através de intervenção do Governo, uma vez que os restaurantes não têm poder negocial para fazer face à prevalência das plataformas online. Assim sendo, o representante do sector espera que o Executivo elabore uma lei que introduza um mecanismo de supervisão da actuação das plataformas online e de apresentação de reclamações.
Victor Ng SociedadeEmissão de fumos de restaurantes take away pode ser fiscalizada, diz DSPA [dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] Direcção dos Serviços de Protecção Ambiental (DSPA) confirmou que se receber queixas sobre emissões de fumos e maus cheiros de restaurantes e estabelecimentos take away irá enviar funcionários para investigar o caso e fornecer instruções para o controlo da poluição produzida. A informação foi dada pela DSPA em resposta a uma interpelação escrita do deputado Zheng Anting feita em 2015, altura em que foi concluída a consulta sobre normas para controlar a emissão de fumos oleosos de restaurantes. Entretanto, de acordo com o documento assinado pelo então director Raymond Tam, é necessário que o Governo proceda a uma profunda análise e coordenação no sentido de assegurar a operacionalidade da legislação. Por outro lado, a DSPA citou mensagens do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) sobre segurança alimentar, depósito de combustível, segurança contra os incêndios e de construção, bem como a higiene ambiental nas lojas take away. Relativamente à hipótese de haver legislação para criar um sistema de licenciamento, a DSPA manifesta uma atitude aberta em auscultar opiniões dos sectores de forma a buscar o consenso na sociedade.