Parques infantis | Estudo alerta para desigualdade na oferta

Um estudo desenvolvido por académicos da China e Macau, dois deles da Universidade Cidade de Macau, analisou dados geográficos e publicações nas redes sociais sobre parques infantis, concluindo que existe desigualdade na sua distribuição, com maior carência em zonas como Coloane, zona sul da península de Macau e Cotai. Defende-se ainda a “melhoria sistemática da qualidade das instalações existentes”

O estudo “Análise das redes sociais e análise espacial no planeamento de espaços de recreio infantil em Macau, uma cidade de alta densidade”, publicado na revista científica E3S Web of Conferences, aponta para a desigualdade na distribuição de parques infantis no território, com maior concentração na zona norte da península e menor em áreas como Coloane, a zona sul da península e o Cotai.

O trabalho, da autoria de vários académicos chineses, dois deles – Yingqian Yang e Yujing Lai – ligados ao Instituto de Urbanismo e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Cidade de Macau, aponta para o facto de Macau, ao ser “uma cidade com uma densidade populacional extremamente elevada”, ser exemplo dos “desafios enfrentados pelas cidades de alta densidade [populacional] na disponibilização de parques infantis adequados”.

Desta forma, “as instalações existentes não conseguem satisfazer plenamente as necessidades reais dos residentes e turistas, tanto em termos de qualidade como de distribuição espacial”.

Com base na análise de publicações na rede social Weibo e de dados de Sistemas de Informação Geográfica (SIG), os autores falam na necessidade de “intervenções prioritárias” por parte das autoridades, nomeadamente “o desenvolvimento de novos parques infantis na Ilha de Coloane, zona sul da Península e faixa do Cotai”.

É também aconselhada uma “melhoria da qualidade das instalações existentes, com especial incidência em equipamentos para brincadeiras com água e criação de zonas adequadas a diferentes faixas etárias”.

No total, foram analisadas 5.167 publicações no Weibo, feitas entre os anos de 2020 e 2025, bem como dados SIG relativos a 46 parques infantis. De destacar que estas publicações dizem respeito a 2.420 utilizadores com contas no Weibo.

Há, no território, “graves desigualdades espaciais” no que diz respeito ao planeamento de parques infantis, sendo que “as deficiências em termos de qualidade contribuem mais para a insatisfação dos utilizadores do que a insuficiência quantitativa de instalações”.

Melhor qualidade

Em matéria de qualidade das instalações, revela-se que 37,9 por cento dos utilizadores mencionaram a necessidade de haver mais equipamentos para brincadeiras com água. Por sua vez, 28,7 por cento destacou a necessidade de mais infra-estruturas de segurança, enquanto 23,8 por cento lembrou a importância da “concepção adequada [de parques] para diferentes faixas etárias”.

Apesar das conclusões pouco favoráveis ao actual planeamento de parques infantis, a análise das publicações no Weibo permite concluir que não existe “uma situação de crise”, existindo sim uma “margem para melhorias”.

Isto porque se percebeu a existência de um “sentimento do público equilibrado em relação aos parques infantis e às instalações associadas às actividades familiares em Macau”. Dos utilizadores, 47,9 por cento deu respostas positivas, e 39 por cento deu respostas neutras. Face a este número, os autores concluem que “muitas publicações têm carácter informativo e não de avaliação, o que reflecte comportamentos de planeamento de actividades familiares”. Apenas 13,1 por cento dos utilizadores fez publicações com teor negativo.

O caso de Coloane

Tendo em conta apenas a análise dos dados SIG, o estudo fala na “existência de graves disparidades geográficas nos seis bairros de Macau”. As pontuações em termos de acessibilidade mostram que Coloane está bem abaixo na tabela – tem apenas 0,2 pontos numa escala de 0 a 10, enquanto o norte da península tem 10 pontos conforme a mesma escala. “A análise de dados SIG identifica a Ilha de Coloane como a zona com menor cobertura, não dispondo de qualquer parque infantil”, pode ler-se.

E se não há tantos parques, os comentários ou publicações no Weibo são também reduzidos. “Na ilha de Coloane a escassez de instalações resulta numa utilização reduzida e, consequentemente, num baixo nível de comentários negativos nas redes sociais. Contudo, na zona do Cotai, a elevada intensidade de utilização, combinada com potenciais deficiências de qualidade — como problemas de manutenção ou sobrelotação — gera níveis significativamente mais elevados de insatisfação.”

Da Grande Baía

Os comentários feitos na rede social Weibo não são apenas feitos por residentes, mostrando como Macau é cada vez mais procurado por famílias que procuram pelos parques infantis existentes e, desta forma, deixam comentários na Internet sobre as zonas da RAEM com mais ou menos parques.

O estudo destaca como “a análise geográfica das publicações com geolocalização”, que são apenas 18,1 por cento de todas as publicações feitas, mostra “a forte integração de Macau no ecossistema de turismo familiar da Grande Baía”.

Neste campo, a província de Guangdong lidera com um total de 1.876 publicações, seguida por Hong Kong, 782 publicações. As publicações dos residentes de Macau estão em terceiro lugar, com um total de 586.

Dizem os autores do estudo que “estas três regiões da Grande Baía representam, em conjunto, a maioria das conversas [online], sublinhando a interligação do mercado regional de turismo familiar”. Há ainda publicações de pessoas de Pequim, Xangai e outras zonas do país, o que mostra “a maior atractividade de Macau como destino familiar em toda a China”.

Os autores dizem que 60,1 por cento publicações online se centram na experiência obtida nos parques, o que mostra “as limitações espaciais e climáticas das cidades subtropicais de elevada densidade”, como é o caso de Macau.

Lê-se no estudo que “a limitada disponibilidade de terrenos e a elevada densidade populacional de Macau restringem a expansão dos parques infantis”, sendo citado um estudo de 2024 que dá conta da “forte desigualdade espacial e concentração na distribuição destas instalações”. Assim, a “melhoria da qualidade das instalações existentes” revela-se a “principal estratégia para aumentar a satisfação dos utilizadores”. Já “a elevada procura por equipamentos para brincadeiras com água reflecte as condições de clima quente e húmido”.

Não está, portanto, em causa propriamente a falta de parques, mas sim a sua desigualdade de distribuição, já que Macau “dispõe de um número globalmente adequado de instalações”, com 46 parques infantis para 55 mil crianças, “correspondendo a uma proporção de 1 para 1:1.196”. Porém, olha-se para o tipo de infra-estruturas dos parques, revelando-se “um défice de 11,8 pontos percentuais relativamente à presença de equipamentos para brincadeiras com água”. Destaca-se, portanto, a qualidade do que existe e não a quantidade.

“Os bairros cujas instalações não possuem as características desejadas apresentam um sentimento negativo mais elevado face aos bairros com um menor número de instalações. Isto sugere que, em contextos de elevada densidade [populacional] e com possibilidades limitadas de expansão, as deficiências de qualidade explicam melhor a insatisfação dos utilizadores do que os défices quantitativos”, lê-se.

Deputados deixam alerta

Algumas conclusões deste estudo vão de encontro aos alertas feitos por alguns deputados sobre a escassez, ou a desigualdade, de espaços de lazer para os mais novos. É o caso da deputada Loi I Weng, que em Abril deste ano interpelou o Governo sobre a “escassez de espaços de lazer para crianças” em “zonas antigas como a Zona Sul, a Rua da Praia do Manduco e San Kio”. “As instalações têm um design monótono e carecem de elementos inclusivos; a segurança e o ambiente dos percursos pedonais na comunidade também necessitam de ser reforçados”, acrescentou.

Tratando-se de uma interpelação oral, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, respondeu no hemiciclo referindo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) “tem vindo a atribuir importância às necessidades das crianças no decorrer do seu crescimento, optimizando e disponibilizando mais espaços de lazer para crianças”.

A governante deu o exemplo “do programa de reordenamento na zona de Toi San, que foi concebido tendo em consideração diversos elementos como o planeamento para todas as faixas etárias, a eliminação de barreiras arquitectónicas e [estabelecimento] de espaços de lazer inclusivos para pais e filhos”.

9 Set 2026

Parques infantis | Instalações inadequadas para portadores de deficiência

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap]s parques infantis do território não são para todos. Sem equipamentos que facilitem o acesso a crianças que precisem de cuidados especiais, os espaços acabam por segregar os mais pequenos. Estas são algumas das conclusões da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar

Macau não tem instalações infantis equipadas para receber crianças portadoras de deficiência. A ideia é deixada, em comunicado, pela subdirectora da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar, Loi Yi Weng.

De acordo com um relatório feito pela associação de que é responsável, Loi Yi Weng afirma que os espaços dirigidos às crianças no território não apresentam equipamentos adequados ao uso por deficientes. “Por exemplo, com a falta de rampas, as crianças que usam cadeiras de rodas não conseguem entrar nos parques”, diz a responsável.

Devem ainda ser tidas em conta outras necessidades. “As instalações do território não dispõem de equipamentos adequados a crianças com deficiência auditiva ou visual”, exemplifica. O facto, aponta, faz com que os mais pequenos não consigam ter lugares que tenham em conta as suas necessidades e, como tal, acabam por ser excluídos. Por outro lado, “não brincam com as outras crianças”, acrescenta a subdirectora.

Para Loi Yi Weng, a falha é grave, visto que os espaços dedicados aos mais novos têm como função, através do lazer, contribuir para o desenvolvimento infantil e, no caso das crianças com necessidades especiais, são lugares em que podem ser promovidas certas capacidades.

A necessidade de construção de estruturas que facilitem o acesso de todas as crianças aos parques é óbvia, sendo que se trata de uma forma de inclusão em que portadores e não portadores de deficiência podem crescer juntos.

O direito das crianças ao seu lazer não deve ainda ser condicionado por barreiras físicas, sendo que a igualdade de acesso deve ser dirigida a todas para que, desta forma, tenham as mesmas oportunidades de aprendizagem e de diversão.

Sugestões urgentes

Loi Yi Weng sugere ao Executivo que melhore as instalações existentes de modo a oferecer espaços capazes de responder às diferentes necessidades das crianças.

A subdirectora não deixa de recordar que o Governo já avançou com o planeamento dos serviços de reabilitação para o próximo decénio, de modo a garantir às pessoas com invalidez direitos semelhantes àqueles que não necessitam de cuidados especiais. A responsável diz ainda saber que o referido planeamento prevê a revisão e melhoria das instalações e acessibilidades no território. Resta agora ver o trabalho feito, nomeadamente no que respeita aos parques infantis.

Recorde-se que Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar, ligada à Associação Geral das Mulheres de Macau, fez um estudo recente sobre os parques infantis do território. A organização passou a pente fino mais de 90 instalações dedicadas às crianças, tendo chegado à conclusão de que não só os residentes mais pequenos têm falta de espaço para brincar, como muitos dos equipamentos se encontram degradados e sujos, e têm equipamentos que não são apropriados.

10 Ago 2017

Parques infantis | Associação das Mulheres de Macau denuncia fracas condições

O que há não chega para a procura e é, em termos gerais, de fraca qualidade. As crianças do território não têm parques infantis suficientes. Com as férias escolares, o problema agrava-se. As Mulheres de Macau querem que o Governo pense em soluções

 

[dropcap style≠’circle’]M[/dropcap]ais de 90 instalações dedicadas a crianças e adolescentes foram passadas a pente fino pela Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar, um movimento ligado à Associação Geral das Mulheres de Macau. Uma equipa decidiu investigar o estado em que se encontram os parques infantis do território e chegou a conclusões preocupantes. As crianças não têm espaço suficiente para brincar e aquele que existe é, por norma, mau e pouco limpo.

Ontem, a associação divulgou as conclusões do estudo que fez, com vários dirigentes a lamentarem a falta de investimento nas estruturas destinadas às brincadeiras da população mais nova.

Wong Kit Cheng, deputada e directora da Associação da Construção Conjunta de Um Bom Lar, começou por frisar que, de acordo com estatísticas oficiais, o número de habitantes de Macau com idade inferior a 14 anos passou de 65.870 em 2011 para 77.847 no ano passado. O aumento da população nesta faixa etária não foi acompanhado por uma expansão nos parques e estruturas dedicados à infância.

“Hoje em dia, as crianças confrontam-se com restrições em relação aos locais para se divertirem”, sublinhou Wong Kit Cheng, dando conta das queixas dos pais, que dizem que os parques estão sempre cheios durante as férias, feriados e fins-de-semana.

A visita a 96 equipamentos públicos permitiu chegar à conclusão de há locais onde existe uma clara desproporção entre o número de crianças e os parques disponíveis. Loi Yi Weng, subdirectora da associação, deu como exemplo a freguesia de São Lourenço: uma criança até aos 14 anos de idade tem apenas 32 centímetros quadrados disponíveis para brincar na rua.

Além da falta de espaço, Loi Yi Weng mostrou-se preocupada com o estado em que encontram os parques: as estruturas estão envelhecidas e danificadas, e falta manutenção. Há locais com avisos de que as instalações estão em manutenção, mas a subdirectora recorda que a sinalética não basta, atendendo à idade dos utentes. Por isso, pede que sejam colocadas vedações para garantir a segurança das crianças.

Ratos mortos e outros pormenores

Há outras questões na lista de preocupações da associação. Wong Leong Kuan, secretária-geral adjunta, apontou a falta de diversificação dos equipamentos dos parques. As estruturas são pobres, o que tem influência no desenvolvimento motor das crianças.

Outro facto que deixou a equipa apreensiva é a falta de condições higiénicas. Do universo de parques analisados, cerca de 60 por cento são “normais” ou “muito maus” em relação à limpeza. Os investigadores encontram ratos mortos, detectaram maus cheiros, e água e lixo acumulados.

Wong Kit Cheng sugere que o Governo olhe para as regiões vizinhas e siga o exemplo de Taiwan e de Hong Kong, para definir parâmetros de segurança e de gestão dos parques infantis. A deputada pede ainda melhorias na fiscalização periódica das instalações.

Além disso, Wong Kit Cheng deixou outras sugestões. Uma vez que em Macau chove com muita regularidade, devem ser criados pavilhões onde as crianças possam brincar. Há ainda locais ao ar livre que podem ser aproveitados para a instalação de zonas de lazer para os mais novos e deve ser repensada a oferta que existe nas diferentes áreas da cidade.

 

Notários privados | Aberto concurso para atribuição de 40 licenças

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Governo de Macau autorizou ontem, em Boletim Oficial, a abertura de concurso para admissão ao curso de formação de notários privados, fixando em 40 o número de licenças a atribuir.

Desde a criação dos notários privados, na década de 1990, apenas foram realizados cinco cursos, de onde foram aprovados 99 notários, 55 dos quais ainda exercem, a maioria portugueses, de acordo com a página da Direção dos Serviços de Assuntos de Justiça.

No ano passado, o Governo apresentou a revisão do Estatuto dos Notários Privados que apertou os critérios para o acesso à profissão, estipulando que só se podiam candidatar ao curso de formação para notário privado os advogados com mais de cinco anos consecutivos de exercício de advocacia em Macau.

Já os profissionais que tenham anteriormente exercido funções de conservador ou de notário público por um período mínimo e consecutivo de cinco anos e que tenham sido dispensados do estágio de advocacia por causa de tais funções, apenas necessitam de apresentar um requerimento.

Até aqui, para ser notário em Macau bastava que os advogados já não fossem estagiários, tivessem escritório e exercessem funções no território, além de terem frequentado o respetivo curso.

No ano passado, havia 203 advogados a exercer há mais de cinco anos.

20 Jul 2017

Parques infantis | Estado de degradação de alguns equipamentos preocupa pais

Há equipamentos novinhos em folha, mas outros encontram-se num estado de degradação que deixa apreensivo quem tem filhos que frequentam escorregas e baloiços. Fomos tentar perceber como devem ser pensados os parques infantis. Uma designer e um arquitecto dão-nos as respostas

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] caso que tem dado mais que falar diz respeito à zona de lazer dos Jardins do Oceano (ver texto nesta página), mas há mais equipamentos destinados a crianças colocados em zonas públicas que preocupam quem tem filhos em Macau. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) tem responsabilidade directa em quase 50 zonas de lazer, entre a península, Taipa e Coloane. Em várias destas áreas coexistem parques infantis e equipamentos destinados à prática desportiva – alguns foram sendo objecto de remodelação nos últimos anos, com a colocação de novas peças de mobiliário urbano; outros encontram-se em avançado estado de degradação.

É a situação em que está o único parque infantil público que serve os moradores dos Jardins do Oceano. Maia Sampaio, designer, mãe de dois filhos pequenos, não vive no local mas conhece bem as instalações. “Tendo como exemplo o parque do Ocean Gardens, temos um parque velho e degradado, que – além das dimensões desproporcionais para o tamanho das crianças mais pequenas, com o seu grande ‘tubogan’ e escadaria de acesso –, é feito com materiais desadequados.” “A madeira envelhecida e o metal enferrujado”, aponta a designer, “colocam em risco a segurança e até a saúde das crianças. Hoje em dia há soluções óptimas em termos de material durável, seguro e de fácil limpeza para utilizar no fabrico destes parques infantis.”

aviso_sofiamotaAo contrário de Maia Sampaio, o arquitecto Mário Duque não frequenta com assiduidade os parques infantis do território, mas explica como é que este tipo de projecto se faz: “Os equipamentos infantis e desportivos são especialidade de determinadas empresas. Associadas à competência dessas empresas estão a homologação de segurança, certificados de segurança em relação ao materiais – que estão homologados para determinados fins –, que é isso que dá a segurança a quem compra e instala esses equipamentos.” Em suma, “são peças que não se projectam” – compram-se feitas a quem é especialista na matéria.

“Há equipamentos de diferentes origens e qualidades”, nota o arquitecto, sendo que compete a quem as adquire fazer as melhores opções. “Esses equipamentos escolhem-se em função da confiança que oferecem, em função dos certificados que já reúnem, escolhem-se em função da apetência para as actividades que se fazem com eles – aquelas que as crianças mais gostam ou nem por isso –, e escolhem-se inclusivamente pelo seu aspecto visual.”

Estas peças isoladas compõem depois um projecto. “Aquilo que Macau tem são projectos que integram esses equipamentos”, continua Mário Duque. Compete depois aos autores do projecto local tomarem decisões sobre “os pavimentos, as vedações, outro tipo de pormenores que têm que ver com lancis, com tudo o que não é o equipamento”. Mário Duque destaca que, por norma, “são equipamentos públicos que já fazem parte de uma sequência de outros equipamentos” e que “quem acompanha estes projectos, pelo facto de já ter experiência nessas áreas, começa a tomar opções, para que aquilo que se faz hoje seja melhor do que aquilo que se fez ontem”.

Ao lado dos pandas

Um dos projectos mais recentes relacionados com o entretenimento de crianças em locais públicos fica perto do túnel de acesso à Ilha da Montanha, com equipamentos que, em termos estéticos, se destacam do resto das estruturas que se encontram noutras zonas de lazer do território – as placas colocadas nos escorregas indicam que o fabricante é espanhol, foram produzidos este ano e estão de acordo com as normativas europeias.

O conforto e a segurança que este espaço parece oferecer contrastam com o que se encontra no Parque de Seac Pai Van. A poucos metros do local onde vivem os pandas – uma casa que custou 90 milhões de patacas – há duas ofertas distintas para crianças: duas estruturas com escorregas e uma roda metálica. Um deles aparenta ser mais novo; no outro são visíveis as marcas do tempo e a falta de manutenção.

Num destes equipamentos, existe uma placa em que se indica que se destina a frequentadores com, pelo menos, cinco anos; no outro não existe qualquer referência em relação a idades. Em ambos o acesso é difícil – ora porque não existem escadas e apenas uns tubos metálicos que permitem subir até à plataforma que liga ao escorrega, ora porque existe uma rede de malha larga na estrutura propriamente dita.

“É importante que os parques infantis sejam pensados de outra forma e que se dê oportunidade tanto às crianças mais velhas e com mais destreza, como também às mais novas e indefesas – mas que também podem e devem, e querem, usufruir da brincadeira num parque infantil”, defende Maia Sampaio. “Um grande espaço entre degraus ou uma ‘ponte’ esburacada não significam que se esteja a ajudar a criança a desenvolver a sua condição motora, mas sim que se está a pôr em risco a sua segurança”, observa a designer. “São exercícios que se podem fazer a 10 centímetros do chão, sem se correr o risco de quedas”, vinca.

261016p2t1“Como mãe de duas crianças pequenas, confesso que nestes três anos [de frequência deste tipo de espaços] tenho descrito as idas ao parque como necessárias – pois os miúdos adoram ir –, mas muito stressantes. Tenho vindo a perceber que todos os parques têm sempre qualquer coisa de desajustado à idade dos meus filhos, o que me deixa sempre ainda mais atenta ao risco de acidentes”, sublinha Maia Sampaio.

A designer faz questão de frisar que “não se trata de tentar proteger as crianças em redomas, mas dar-lhes a oportunidade de crescerem, desenvolverem as suas capacidades motoras, em ambiente seguro”. “No fundo, o que todos queremos é que eles se divirtam, gastem muita energia e voltem inteiros para casa”, remata.

Do metal à madeira

Muitos dos parques infantis de Macau têm equipamentos em madeira, os materiais mais comuns neste tipo de peça e que obedecem a uma certa “escola ecológica”, contextualiza Mário Duque, que puxa pela memória para os tempos em que era criança. “Quando era miúdo tudo era metálico: baloiços, escorregas, etc. Comecei a projectar coisas e muitos materiais já tinham componentes de plástico. Houve um determinado momento em que se começaram a fazer certas opções que tinham um impacto ambiental diferente e que eram mais afáveis – começaram a vir as madeiras, preparadas para poderem estar à intempérie”, enumera. “Face a estas três gerações de materiais de que falei, é difícil dizer se um é melhor do que o outro, é mais o facto de, em determinado momento, haver materiais que são mais pertinentes.”

Importante é que, independentemente do tipo de material, seja feita a manutenção adequada – e que “não é propriamente pelo uso, é pela exposição à intempérie”. O caso da estrutura do escorrega dos Ocean Gardens ou a roda metálica em Seac Pai Van demonstram o que pode o clima fazer a este tipo de equipamento: corroer a madeira e enferrujar peças metálicas. Mais uma vez, trata-se de fazer a escolha mais acertada: “São materiais que, pela via das exigências daquilo a que estão sujeitos, quem tem a experiência faz as opções, para simplificar a manutenção”.

O HM tentou saber, junto do IACM, se há planos de requalificação dos parques infantis que gere mas, até ao fecho desta edição, não foi possível obter uma resposta.


IACM ainda não fez obras no parque dos Ocean Gardens, mas promete trabalhos para breve

Quase meio ano depois de um grupo de residentes dos Ocean Gardens ter enviado uma carta ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) a alertar para o estado de degradação do parque infantil do complexo habitacional, continua tudo na mesma. A entidade responsável pela manutenção deste tipo de equipamentos ainda não tomou qualquer iniciativa visível para resolver os problemas assinalados na missiva, da iniciativa de Andreia Martins, da qual o HM deu conta, em Junho passado.

Em resposta a este jornal, o IACM garantiu, no final da semana passada, que “está a acompanhar a situação da zona de lazer dos Jardins do Oceano, para responder da melhor forma às preocupações dos cidadãos”.

Quanto à resolução concreta das questões apontadas pelos residentes, a entidade sob a alçada da secretária para a Administração e Justiça diz que vão ser “plantados arbustos que vão funcionar como separação entre a zona verde e a estrada”. Junto ao parque infantil existe uma área relvada onde as crianças brincam – o perímetro não está completamente vedado e já aconteceu crianças irem para a estrada para apanharem bolas que saltaram para a via.

O IACM adianta ainda que “vai realizar trabalhos de manutenção e reparação nos equipamentos do parque infantil para que sejam resolvidos os problemas de segurança”. O parque é composto por uma estrutura de madeira e metal, em visível estado de degradação, com um escorrega onde acontecem acidentes frequentes. Por um lado, o escorrega tem uma grande inclinação e, por outro, é um tubo tapado, o que faz com que não seja possível, a quem monitoriza as crianças, ver se existe alguém dentro da estrutura. Além deste equipamento, no local existem apenas mais três pequenos baloiços.

Limpeza e mosquitos

Na carta enviada a 6 de Maio deste ano pelo grupo de moradores dos Ocean Garden era ainda lamentado o facto de, mesmo ao lado do parque infantil, se encontrarem vários equipamentos para a prática de desporto, todos eles em metal, sem existir uma separação que garanta a segurança das crianças. Desconhece-se se, em relação a esta questão, o IACM vai adoptar alguma medida.

Já no que diz respeito à limpeza do espaço, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais explica que uma equipa da entidade “esteve a desinfectar o parque todo para controlo dos mosquitos”. Logo à entrada do parque é possível ver ainda um aviso em que se alerta para o encerramento, no passado dia 21, entre as 6h e as 9h, para “desinfestação destinada a combater os mosquitos portadores da febre de dengue”.

A estrutura onde se encontra o escorrega tem estado vedada desde então. Desconhece-se a razão – se por uma questão de segurança, na sequência de mais um acidente de que o IACM teve conhecimento, ou se ainda no âmbito das acções de limpeza.

O parque infantil em causa é o único equipamento público do género nos Jardins do Oceano, complexo habitacional onde vivem centenas de crianças. Apesar do estado em que se encontra, e por falta de opções, é muito procurado por quem vive naquela área. Para se chegar ao parque mais próximo, é necessário andar a pé cerca de 20 minutos.

A 29 de Junho deste ano, um dia depois de o HM ter dado conta do estado de degradação do parque junto ao Sakura Court e do alerta feito pelos moradores, o IACM garantia que já estava a acompanhar o caso e dizia-se pronto para solucionar a questão.

26 Out 2016