Tailândia diz ter chegado a acordo com Irão sobre estreito de Ormuz

Banguecoque declarou sábado ter chegado a um acordo com Teerão para permitir a passagem dos petroleiros tailandeses pelo estreito de Ormuz, praticamente paralisado desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel contra o Irão.

“Foi agora celebrado um acordo para permitir que os petroleiros tailandeses transitem em segurança pelo estreito de Ormuz, contribuindo assim para acalmar as preocupações relativas ao transporte de combustível para a Tailândia”, declarou o primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, em conferência de imprensa. “Com este acordo, estamos confiantes de que não teremos de enfrentar mais perturbações como as observadas no início de Março”, acrescentou.

Os países do Sudeste Asiático estão a sofrer as consequências das dificuldades de abastecimento de combustível provocadas pela guerra do Irão. Depois de ter sido inicialmente limitado a 30 bahts (0,79 euros) por litro pelo Governo, o preço do gasóleo aumentou a semana passada seis bahts por litro. A escassez e as filas de espera são cada vez mais frequentes nas estações de serviço.

Batalhas navais

Um navio mercante tailandês foi atacado em 11 de Março quando navegava no estreito de Ormuz. Três dos tripulantes continuam desaparecidos. A Guarda Revolucionária iraniana anunciou na sexta-feira ter obrigado três porta-contentores a voltarem para trás no estreito de Ormuz, precisando que esta rota estratégica estava fechada a navios provenientes ou com destino a portos ligados “ao inimigo”.

O tráfego no estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20 por cento do petróleo bruto mundial, caiu 95 por cento em relação ao normal entre 01 e 26 de Março, de acordo com a plataforma de monitorização marítima Kpler. Desde 01 de Março de 2026, 24 navios comerciais, incluindo 11 petroleiros, foram atacados ou relataram incidentes no Golfo, no estreito de Ormuz ou no golfo de Omã, de acordo com a agência britânica de segurança marítima UKMTO.

30 Mar 2026

Ormuz | Tóquio insta Teerão a cessar acções que ameacem navegação

Tóquio instou na terça-feira Teerão a cessar ações que ameacem a navegação no estreito de Ormuz, quando se intensifica o debate sobre uma intervenção internacional para proteger o tráfego marítimo naquela via fundamental para o comércio energético. O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Toshimitsu Motegi, fez o apelo na terça-feira à noite durante um telefonema com o homólogo iraniano, Abbas Araghchi, de acordo com um comunicado do chefe da diplomacia nipónica.

“O ministro Motegi instou veementemente o Irão a cessar imediatamente os ataques contra instalações civis e infraestruturas nos países do Golfo, bem como as acções que ameaçam a segurança da navegação no estreito de Ormuz”, revelou o comunicado. O ministro japonês expressou profunda preocupação com a continuação da troca de “ataques de retaliação” desde a anterior chamada telefónica que mantiveram em 09 de Março, e com a extensão dos danos, que afectaram inclusivamente países vizinhos.

Além disso, Motegi manifestou preocupação com o elevado número de navios ligados ao Japão que se encontram actualmente retidos no Golfo Pérsico e solicitou ao Irão que adoptasse as medidas necessárias para garantir a segurança de todos os navios no Estreito de Ormuz, “incluindo os do Japão e de outros países asiáticos”.

Por seu lado, Araghchi expôs a posição do Irão e ambos os ministros concordaram em manter uma comunicação estreita com vista a um rápido alívio das tensões, de acordo com o comunicado japonês.

As expectativas de um potencial envio de navios militares japoneses para a região pode ser um dos temas-chave na cimeira esta quinta-feira em Washington entre a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, e o Presidente norte-americano. Questionada ontem sobre a possibilidade de enviar para a zona efectivos das Forças de Autodefesa japonesas, Takaichi reiterou que, por enquanto, não há planos para o fazer.

19 Mar 2026

Estreito de Ormuz | Encerramento pode fazer disparar inflação

O presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, avisa que em caso de bloqueio o impacto deve começar a ser sentido dentro de dois a três meses. Alguns preços podem subir até 10 por cento

 

A possibilidade de o Irão avançar com o encerramento do Estreito de Ormuz pode fazer disparar a inflação em Macau. O cenário foi traçado pelo presidente da Associação da União dos Fornecedores de Macau, Ip Sio Man, em declarações ao jornal Ou Mun.

Após os bombardeamentos norte-americanos e israelitas contra o Irão foi adiantada a possibilidade de o país encerrar o Estreito de Ormuz. Ip Sio Man reconheceu que os efeitos negativos do encerramento vão afectar a RAEM ao nível dos preços dos bens de consumo e que deverão começar a sentir-se mais intensamente cerca de dois a três meses após o bloqueio.

O presidente da associação estimou que o encerramento vai levar ao “aumento inevitável dos preços” de cerca de 5 a 10 por cento. O crescimento dos preços vai demorar cerca de dois a três meses a fazer-se sentir, porque muitos dos importadores e distribuidores têm reservas dos produtos que podem vir a ser afectados, pelo que podem ser vendido aos preços actuais. No entanto, quando forem importados novos produtos mais caros, os preços em Macau também vão reflectir esse aumento.

Ip Sio Man também indicou que depois do início da guerra entre Israel, os EUA e o Irão, o custo dos seguros para o transporte marítimo aumentou 50 por cento. Os preços do petróleo subiram cerca de seis por cento.

O presidente da associação indicou ainda que com o bloqueio do Estreito de Ormuz, o transporte marítimo que actualmente demora três meses vai passar a demorar quatro a cinco meses. Face a esse cenário, Ip acredita que o impacto a nível do transporte de mercadorias entre e Ásia e a Europa vai ser semelhante ao que aconteceu durante a pandemia.

China mais protegida

Apesar do panorama negativo, Ip Sio Man destacou ainda que a China está mais bem preparada para enfrentar o impacto do que regiões como o Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Macau ou outras do Sudeste Asiático.

O presidente destacou que o transporte ferroviário entre a China e a Europa pode ser uma alternativa para o transporte de alguns produtos e que actualmente já é utilizado para bens mais consumidos pela classe média-alta, como vinhos, licores, produtos lácteos, doces, chocolates e bolachas.

Uma área em que Macau deverá sofrer pouco impacto é ao nível dos bens de primeira necessidade, como cereais, óleo alimentar e outros alimentos, dado que estes produtos têm como origem o Interior da China e os países do Sudeste Asiático.

O artigo do jornal Ou Mun cita também um fornecedor anónimo que indica que a Europa não é uma fonte de importações em Macau e que por isso o impacto não deve ser muito sentido. A mesma fonte anónima indicou que desde a pandemia, Macau começou a diversificar o destino de origem das importações, procurando alternativas no sudeste Asiático.

Este fornecedor indicou ainda esperar um impacto moderado a nível da inflação, porque o consumo no Interior da China está em retracção, devido à crise do emprego no outro lado da fronteira.

25 Jun 2025