Armelle no espaço Creative Macau – As ironias do realismo

[dropcap style≠’circle’]F[/dropcap]rancesa, criativa, residente em Macau há 25 anos. O aspecto é seco, os olhos são azuis, sombreados a negro. O olhar é penetrante. Aqui e ali vislumbra-se um olhar entre o divertido e o irónico. É a segunda exposição de Armelle Lainsecq, e não deixa de surpreender. Deu também para um reencontro com o marido, Jacques Lenantec, escultor.

Quando se observam as fotomontagens de Armelle Lainsecq, encontramo-nos inevitavelmente como que perante delírios que podem raiar a classificação de surrealistas mas não creio. São antes uma aguda observação da realidade e a sua interpretação pessoal da mesma, a sua própria verdade.

A artista produziu três séries chamadas “Macao Illusions”, “All in One” e “Dechronologies”.

Armelle Lainsecq interpela o que vê e sente e constrói um mundo desmascarado, onde todas as personas caem para que aquilo que supostamente escondem surja desnudado, qual circo urbano onde reina o condimento da ironia.

Armelle Lainsecq propõe assim três leituras, uma que me é naturalmente cara, a da cidade e a sua (dela) verdade presente – Macao Illusions – outra, a da apropriação e manipulação de pinturas de Rembrandt, Cézanne, Manet, Delacroix e outros, onde a exigência técnica está primorosamente patente em brilhantes reconstruções que parecem indagar com um “e se…” e que são da série “All in One” e ainda uma terceira, “Dechronologies” onde, com uma técnica de fotomanipulação, actualiza criativamente personagens de outros tempos.

Em todos os casos estamos perante alguém com uma capacidade analítica notável, e uma ironia incontestável, integrando uma família de artistas, como seu marido, o escultor Jacques Lenantec e Vincent, o filho que faz tatuagens.

Toda esta circulação pelos territórios do que existe exógenamente, mas sobretudo pela sua interpretação, requer um espaço onde se possa meditar e especular sobre estas áreas.

Daí a tão compreensível reclusão para a decantação entre a aparência do real e a realidade que apenas existe dentro de nós.

O retrato surgiu depois, e com ele naturezas mortas, galhos partidos, uma obssessão com o retrato da realidade, a mesma busca de perfeição residente nas suas fotomontagens.

E foi aí que nasceu a conversa, depois da inauguração da sua Exposição no Creative Center, a merecer uma visita por parte do público de Macau.

 

Há quanto tempo vive em Macau?

A.L.- Desde 1983 a 1992. Depois voltei a Paris e regressei em 2001 até agora. Um total de 25 anos.

Porquê Macau? E porquê a zona do Lilau?

A.L.: Macau em 1983 por motivos profissionais. Nessa altura, o meu marido estava à procura de fundições de bronze na Ásia. Um amigo francês convidou-nos para Macau, dizendo que Macau era um bom lugar para começar a procurar fundição de bronze na Ásia. Na verdade, não encontramos nenhuma fundição, mas apaixonámo-nos por Macau! O clima, a comida, o exotismo. E em 1983, criámos um atelier para lançar as esculturas de meu marido. O Lilau não é uma escolha. Por acaso, começamos a viver nesta área da colina de Penha.

Como relaciona a sua escolha de viver em Macau e numa área histórica e no Macau de hoje?

A.L.- Compramos um apartamento em 1990 na Rua de Lilau por um preço acessível, (risos). Em seguida, compramos um armazém felizmente no piso térreo em 2004, ainda a um preço acessível (mais risos). Ficámos então nesta zona que é silenciosa!

Considera-se uma pessoa irónica?

A.L.- Sim, completamente. Mas sempre com respeito. É mais um sentido de humor, na verdade. Mas também tenho uma grande capacidade de escárnio por mim mesma.

Como surge a série de “All in One”, Manet, Rembrandt, Cézanne e outros aparecem? Porquê?

A.L.- Entre a série “Macao Illusions” e o meu “All in One”, trabalhei em retratos de personalidades, que eu chamei de “Dechronologies”. Por exemplo, peguei no retrato de Luís XIV e, com photoshop, tentei ver como ele deveria ser hoje. Muito engraçado. Retratei assim cerca de 50 personalidades, gosto disso.

Enquanto procurava pinturas para essas “”Dechronologies”, comecei a conhecer muitos mestres e muitas pinturas. Naturalmente descobri o estilo dos mestres e vi que nesses grandes mestres, a sua pintura era por vezes “engraçada” e repetitiva. A ideia de fazer “All in One” veio dessa descoberta.

Lembro-me da sua primeira exposição no Creative de Macau. Até então, a Armelle só tinha colagens digitais. O que a fez passar para os retratos? A sua entrada no mundo do desenho representa uma afirmação interior?

A.L.- Depois de tirar fotografias de tantos artistas, achei que era fácil criticar ironicamente. O último pintor que eu tentei trabalhar foi Picasso com Guernica em “All in One”. Nunca terminei porque me assustei com essa pintura que achei feia. Naquele exacto momento decidi desenhar, para mostrar que não só era capaz de criticar. Desenho retratos, mas também gatos – gosto de gatos – e qualquer assunto que me inspire. Gosto das árvores quebradas após o tufão Hato ou, mais recentemente comida chinesa. Gosto de me concentrar nos detalhes.

Comecei a desenhar no primeiro de Janeiro de 2016, pelo menos, 10 a 12 horas por dia. Todos os dias, do nascer ao pôr-do-sol, durante todo o ano. Apenas paro quando sou forçada a viajar.

Porquê a ironia sobre Picasso, Manet ou mesmo Rembrandt? O que está por detrás disso?

A.L.- Picasso: não tenho absolutamente nenhuma emoção quando vejo Guernica e todas as suas obras.

Manet: ha ha ha. Porquê uma mulher nua entre 2 homens vestidos tendo um almoço na relva? É uma situação absolutamente absurda.

Rembrandt: neste caso, nenhuma crítica. Apenas tive a ideia de colocar mulheres, em vez de homens, em torno do corpo morto por mera diversão.

… Mas eu tenho muito mais para lhe mostrar: Delacroix, Leonardo da Vinci, Ingres, Courbet, David, Bouguereau.

Aceita encomendas de retratos?

A.L.- Sim. Depois de desenhar cerca de cem retratos de graça e também para treino, eu comecei a aceitar comissões. Tive três no mês passado e tenho quatro novas encomendas para fazer. E algumas mais a caminho. É quando desenho retratos que abandono a ironia! Quero realmente que as pessoas fiquem satisfeitas e felizes com os seus retratos. Para mim todos os meus modelos são VIP, independentemente da idade. Gosto de encontrar os detalhes que revelam o charme ou a beleza de qualquer pessoa que eu desenhe.

Como vê a cena artística de Macau?

A.L.- (risos) Isso não me preocupa nem me importa. Não sou politicamente correcta nessa área, por isso prefiro estar calada.

Claro, há bons artistas em Macau. Descobri recentemente Filipe Dores, que tem muito talento.

Parece que é uma pessoa bastante retirada. Porquê?

A.L.- Nunca fui uma pessoa muito sociável. Tenho muito poucos amigos. Todos sabem que eu sou um pouco “selvagem”. Todos eles desempenharam um papel importante na minha vida, esta é a condição para obter a minha amizade para sempre. Excepto esses verdadeiros amigos, não sinto a necessidade de companhia, tirando a companhia dos meus gatos. Sim, sou retirada e gosto do som do silêncio, não do barulho da música. Sinto-me feliz na frente de um computador ou na frente de uma folha de papel.

Porque essa necessidade de tempo? Quer deixar um corpo de trabalho, uma obra?

A.L.- Comecei tarde a ter uma actividade artística a tempo inteiro. Tenho sido uma mulher-de-artista há décadas. Ser mulher-de-artista é um trabalho a tempo inteiro. Meu marido é escultor, e a escultura é uma arte muito complicada. Trabalhei muito com ele. Sei tudo sobre a escultura, do processo do barro até ao bronze. Mas, há 2 anos, por motivos profissionais e pessoais, decidi ter minha própria actividade em tempo integral. O problema é que comecei tarde, por isso o meu tempo é precioso. Estou em estado de emergência permanente para economizar o meu tempo. Talvez o meu tempo não tenha valor, mas para mim é precioso. Não, não quero deixar uma corpo obra para trás. Sou muito humilde e não tenho tal pretensão.

Considera-se uma artista? Isso é importante para si?

A.L.- Sim, considero-me uma artista. Sempre fui, indirectamente. Na minha maneira de pensar, ou a maneira de compartilhar a arte do meu marido por via de um elevado nível de colaboração. Hoje, se eu não desenhar ou “criar algo”, fico extremamente nervosa, cuidado, eu posso ser perigosa (risos)! Deixem-me desenhar, é a minha vez de pensar em mim!

Não, não é importante ser uma artista, excepto se se fôr um verdadeiro génio, e eu não sou. Todos somos artistas, em diferentes graus.

Tenho notado que os seus preços de venda são bastante acessíveis. Por que é que?

A.L.- Na verdade, eu quero ser acessível, como diz. Acessível às pessoas que não têm o hábito de comprar arte. Quando desenho um retrato, tenho que mostrar um resultado cem por cento de semelhante ao modelo. É o mesmo preço para o meu vizinho que vende “dim sum” no mercado e para uma pessoa muito rica. As pessoas simples sabem melhor o valor das coisas do que as pessoas ricas. Quero trabalhar para pessoas simples. Aqueles que sonham em ter o seu retrato e perceber que isso comigo é possível. O meu alvo são as pessoas. Tenho excelente relação com eles. Eles conhecem-me, eu falo com eles em cantonês (não com fluência, mas o suficiente). Eles gostam de mim e eu gosto de pessoas que gostam de mim. Quero desenhar prioritariamente para eles. Claro que um dia, aumentarei os meus preços, mas essa é a única coisa sobre a qual não tenho pressa. Respeito o valor do trabalho e o trabalho de um artista não tem, para mim, mais valor do que qualquer outro trabalho “normal”. Ei artistas, acalmem-se, vocês são apenas artistas!

25 Nov 2017

Gonsalo Oom, arquitecto: “Gosto da influência das igrejas no espaço urbano”

“Desenhos Expressionistas de Macau” é a exposição de Gonsalo Oom que mostra, a partir do dia 28, uma série de trabalhos acerca da paisagem do território. As obras vão estar na Creative Macau e trazem, na sua maioria, a interpretação do (também) arquitecto da expressão urbana da península

É a sua primeira exposição individual no território. O que é que vamos ver na Creative Macau?
A exposição chama-se “Desenhos Expressionistas de Macau” e tem que ver com a minha leitura e interpretação do território. São desenhos artísticos. Não são tão figurativos como os que faço em arquitectura, e deixam margem para uma interpretação. Sou arquitecto e normalmente temos de fazer desenhos sempre muito rigorosos, o que não acontece neste caso.

Da arquitectura ao desenho artístico. Como é que aconteceu esta passagem?
Comecei a desenhar para dar os trabalhos de presente aos meus amigos que casavam. Desenhava igrejas essencialmente. Têm que ver com arquitectura e era uma coisa de que gostava. Não tinha muito dinheiro e era um bom presente. Recordo que, na altura, tinha tanto trabalho acerca deste tipo de edifícios que quase que dava para fazer um roteiro das igrejas de Lisboa. Já na altura desenhava a carvão.

Esta exposição também é maioritariamente a carvão. 
Sim. O carvão tem algumas particularidades, um bocadinho como o que acontece nos materiais que se escolhem na pintura. Há desenhos em que, por exemplo, uso aquilo que pode ser visto como tinta-da-china, mas não o é. É tinta de cargas de caneta em que também é requerida uma técnica específica. Quando tiro a carga da caneta, a tinta começa a borrar e há que saber controlar esse borrão. É uma mancha que se vai trabalhando para se retratar o que se está a ver, mas de uma forma, digo, expressionista. Este trabalho também depende de uma série de factores, como a emoção. É tudo desenhado à vista. Não dá para estar em casa a ver fotografias. Mas há sempre algumas dificuldades quando se sai para desenhar à vista. Temos sempre de lidar com insectos, com o calor e mesmo com pessoas. Desenhei uma vez ali em frente à Escola Portuguesa e quando os alunos saíram e me viram a trabalhar não consegui fazer mais nada. O mesmo aconteceu nas Ruínas de São Paulo. Encontrei um sítio porreiro, mais discreto, mas as pessoas acabaram por me descobrir. Gosto mais de estar recatado. Não desisto, mas estas situações acabam por interferir no trabalho.

Macau é um lugar fotogénico?
Sim. Os contrastes que existem no território, apesar de nem sempre serem bons, resultam muito bem no desenho.

Que lugares escolheu para desenhar para esta mostra?
Lá está, vamos ter igrejas e outras situações urbanas.

Gosta especialmente de igrejas?
Gosto da influência das igrejas no espaço urbano. A igreja é um local de conforto e de calma. Agora são mais as lojas, em Macau. Uma pessoa entre numa loja e tem a oportunidade de se refrescar, mas acho que antigamente as pessoas também iriam para as igrejas com esse objectivo (risos). Gosto também, ao nível urbano, da influência dos casinos, da massa formada por eles. Desenhei umas coisas para umas paredes grandes, era uma sequência de painéis com a skyline de Macau vista da Taipa. Tenho alguns trabalhos assim, nesta mostra.

Enquanto arquitecto, como vê a alteração da paisagem local?
Acho óptimo. Quer dizer, não deixa de provocar alguma perturbação porque as coisas parecem não ter controlo e há situações muito fortes. Em termos de urbanismo há coisas que “chocam”. Chegar às Ruínas de São Paulo e ver o prédio que está atrás é muito estranho. É um edifício que acaba por estragar um elemento icónico do património. Vim pela primeira vez para Macau em 2006. Voltei para Portugal pouco depois e regressei em 2013 numa altura de muita construção, pelo que assisti a muita transformação que acabou por afectar a paisagem.

Já participou noutras exposições – e também na Creative Macau – com outro tipo de trabalhos. 
Sim. Já participei com objectos, principalmente com peças de mobiliário. Desenhar móveis é uma obsessão que tem que ver com a tridimensionalidade. Esta oportunidade foi uma sorte. Tenho um dos meus desenhos integrado na exposição que está a decorrer no mesmo local actualmente, e a responsável, Lúcia Lemos, constatou que tinha um espaço de um mês para preencher e acabou por me convidar. A minha primeira ideia até foi uma exposição com os trabalhos feitos pelas pessoas de Macau que desenham. Há muita gente a fazer isso e que depois não tem como mostrar o que faz. Achei que seria giro fazer uma coisa dessas. Será o próximo passo.

 Já alguma vez pensou em dedicar-se apenas à pintura e ao desenho?
Caso não tivesse trabalho como arquitecto, dedicava-me ao desenho a tempo inteiro. É uma coisa natural em mim, mas é preciso trabalho. Não é uma coisa que se possa dizer que as pessoas têm jeito. É preciso trabalhar muito também. O jeito não é o fundamental.

13 Set 2017

Sound and Image Challenge recebe filmes até 20 de Agosto

[dropcap style≠’circle’]V[/dropcap]em aí mais uma edição do festival Sound and Image Challenge International, organizado pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau (IEEM) e pela Creative Macau. Os jovens realizadores terão a oportunidade de submeter os seus filmes até ao dia 20 de Agosto, sendo que a sétima edição do evento conta com algumas novidades. Será feita uma pré-selecção de 50 películas que depois irão a concurso.

Apesar de se manterem as categorias de Ficção, Documentário e Animação, nas competições “Shorts” e “Volume”, cai a categoria de Publicidade. “Em 2015, começámos a definir as categorias cinematográficas, mas achamos que a publicidade não fazia muito sentido, por ser algo mais televisivo. Vai ganhar mais a ficção, o documentário e a animação”, explicou Lúcia Lemos, responsável pela Creative Macau e directora do Sound and Challenge International Festival.

Outra novidade prende-se com a criação da competição “Festival Poster”, em que o projecto vencedor será a imagem oficial da oitava edição do evento. Para Lúcia Lemos, o prémio poderia ser melhor, mas é apenas um começo para que os designers gráficos de Macau possam mostrar os seus trabalhos. Entre os dias 20 de Maio e 20 de Julho, os interessados poderão submeter as suas propostas, sendo que os finalistas terão direito a uma exposição na Creative Macau, que estará aberta o público entre os dias 23 de Novembro e 30 de Dezembro.

Chamar a experiência

Em sete anos, a direcção do festival recebeu cerca de cinco mil filmes a concurso, de países tão diversos como Espanha, Estados Unidos, França ou Brasil, entre outros. Só o ano passado, o Sound and Challenge International Festival recebeu 1650 produções, que resultaram em 41 filmes nomeados.

Este ano há outra novidade que, diz Lúcia Lemos, pode representar uma maior chamada de atenção em relação ao evento: o convite de antigos vencedores para fazerem parte do júri.

“Creio que o grande júri pode atrair mais submissões. Vamos convidar os vencedores internacionais das outras edições para a competição de ‘Short Films’, e isso vai contribuir para melhorar. São pessoas da área e têm a experiência pessoal como vencedores, do nosso e de outros festivais. Vai qualificar mais ainda e dar mais autoridade [ao festival]”, sublinhou Lúcia Lemos.

Além da visualização de filmes, o Sound and Image Challenge International Festival vai integrar masterclasses e palestras sobre os filmes visionados, marcadas já para o período entre 5 e 8 de Dezembro. Logo a seguir, nos dias 9 e 10, serão transmitidos os filmes finalistas, incluindo filmes extra, cuja selecção ficou a cargo de alguns curadores convidados. A Cinemateca Paixão, que é inaugurada oficialmente este mês, poderá ser outro local para a transmissão dos filmes, mas há ainda detalhes por confirmar. Os prémios variam entre as quatro e as 20 mil patacas.

17 Mar 2017

Creative Macau com exposições em dose dupla

[dropcap style≠’circle’]U[/dropcap]ma escultura feita pelo público e concebida por Geralde Estadieu e uma mostra da cerâmica de Kristina Mar são as exposições que a Creative Macau propõe a partir de hoje. O caractere de pessoa – 人 - vai ser produzido com peças impressão em 3D e a ceramista vai mostrar a imperfeição.

Geralde Estadieu é o autor da exposição interactiva que estará aberta à apreciação e participação do público a partir de hoje na Creative Macau. A ideia é a construção do caractere 人(ren), que significa pessoa, com peças impressas em 3D. “Uma ideia que junta o criador e o público num projecto comum”, explicou o autor ao HM.

“A ideia de produzir este caractere numa escultura de grande dimensão e totalmente feita com peças impressas ‘in loco’ partiu de uma iniciativa de Maio do ano passado também aqui em Macau. Foi a primeira vez que o público foi convidado a ver o processo de produção e a Creative acabou por me convidar a fazer um projecto”, referiu Geralde Estadieu.

Chegar à ideia de pessoa não foi complicado. O autor queria, acima de tudo, “uma coisa simples e directamente relacionada com a cultura chinesa”. Por outro lado, é um caractere que, pela sua forma, pode facilmente ser associado ao Homem e entendido pela maioria das pessoas de Macau. “Pode ser reconhecido por chineses e por outras comunidades que também vivem cá. A própria forma remete para o ser humano, o que ajuda muito e faz com que as pessoas se identifiquem.”

O objectivo era ainda aliar a criatividade que está implicada num processo de produção artística à tecnologia, e o 人 expressa isso mesmo: “a relação entre humanos e produção de ponta”.

Paralelamente à unicidade de cada ser humano, cada peça será única na forma e no tamanho. “Outra característica para conferir o caractér único de cada um é a possibilidade que o público vai ter de, se quiser, personalizar as peças com que vai construir o caractere. Estamos a gerar um padrão em que cada peça é única, assim como cada humano o é. Como tal, cada pessoa que participar, pode decorar a peça como bem entender”, explicou o artista e criador ao HM.

A apresentação começa com peças previamente impressas, mas a ideia é manter o produção enquanto a escultura ganha forma. A instalação estará em construção até o próximo dia 30, sendo que o autor prevê que a forma final seja concluída no Natal.

O regresso da imperfeição

A exposição de Kristina Mar vai decorrer em simultâneo na Creative Macau. Para a directora da organização, Lúcia Lemos, faz sentido ter estes trabalhos ao mesmo tempo. “Ambas são construções e ambas têm um cariz artesanal” disse ao HM.

“Tanto na escultura em 3D como nas peças da Kristina Mar, os trabalhos partem do nada e é possível perceber, de formas diferentes, a sua construção”, sendo que, apesar de as peças de cerâmica não serem produzidas ao vivo, o seu carácter artesanal está presente”, concretizou a directora.

Kristina Mar é ainda destacada por Lúcia Lemos pela sua insistência na mostra da imperfeição. “O trabalho dela deixa visíveis as falhas, as quebras, as imperfeições, para que a própria peça possa respirar porque a artista quer que a cerâmica fale por si.”

 

15 Dez 2016

Sound & Image Challenge | Festival de curtas-metragens arranca hoje

 

O festival Sound & Image Challenge começa hoje e vai até ao dia 11. Este ano foram nomeados 33 filmes para competição e oito videoclips musicais

 

[dropcap style≠’circle’]“A[/dropcap]s expectativas são boas, naturalmente.” As palavras são de Lúcia Lemos, directora do festival e coordenadora do Centro para as Indústrias Criativas (CIC). A cerimónia de inauguração será hoje, pelas 19 horas, no histórico Teatro Dom Pedro V, com o concerto do grupo New Music Hong Kong Ensemble, que interpretará a peça “Aeolian Scriptures”.

Além do concerto, as festividades contarão com o discurso do presidente do Instituto de Estudos Europeus de Macau, entidade que, em parceria com o CIC coordena o festival, e serão apresentados os trailers dos filmes em competição. O certame decorre no Teatro Dom Pedro V de 6 a 9 de Dezembro, e na Cinemateca Paixão nos dias 10 e 11.

Amanhã, o calendário arranca em grande com a mostra do filme de Leonor Teles “Balada de um batráquio”, que venceu o Urso de Ouro de 2016 para a melhor curta-metragem do Festival de Cinema de Berlim. Em seguida, o ecrã será tomado por filmes das Filipinas, Tailândia, Singapura e China. O festival, que começou como um concurso, actualmente perfila-se como uma mostra internacional com “ambição de crescimento ao nível mundial, apesar de ser um evento organizado com poucos fundos”, confessa Lúcia Lemos.

A coordenadora acrescenta que nunca teve a intenção de tornar o festival em algo comercial, que desse avultados prémios aos vencedores, mas que proporcionasse o encontro entre diversas formas de abordar a curta-metragem. Outro dos objectivos é dar aos realizadores a possibilidade de trocarem experiências e contactarem com produtores e distribuidores.

Este ano estarão em concurso 33 filmes na competição Shorts, em contraste com os 25 do ano passado. Na secção Volume entram no concurso oito videoclips de música. Os vencedores serão anunciados no dia 9, pelas 19 horas, assim como as menções honrosas.

Inspirar a comunidade

Lúcia Lemos realça o “orgulho de ver a qualidade dos trabalhos a melhorar”, facto que considera não ser alheio ao facto de os realizadores locais participarem na análise e selecção dos filmes a concurso. “Eles percebem de cinema e têm a responsabilidade de participar na elaboração da shortlist de filmes seleccionados”, explica. É um processo que revela confiança nos criadores locais.

Outro dos objectivos do festival é dar inspiração à comunidade artística de Macau, que continua a fazer trabalhos muito ligados à cidade. Lúcia tem testemunhado o aumento da qualidade cinematográfica, algo que a enche de orgulho. “À medida que o festival vai crescendo, a qualidade dos filmes que são realizados cá cresce em paralelo”, conta a coordenadora do festival. Um crescimento simbiótico que só pode valorizar a oferta cultural de Macau.

6 Dez 2016

Lúcia Lemos, Coordenadora do Centro de Indústrias Criativas – Creative Macau

Está à frente da Creative Macau já lá vão 13 anos. Uma ideia que nasce de um sonho misturado com necessidade de fazer de Macau um pólo onde a criatividade pudesse ser mostrada. De poucos artistas, o leque foi crescendo e Lúcia Lemos conta, satisfeita, o progresso a que tem assistido, alertando que há ainda caminho pela frente

[dropcap style=’circle’]E[/dropcap]sta aventura já dura há 13 anos. Como é que surgiu a motivação para a criação deste Centro?
Começámos em 2002, a pensar neste projecto. Naquela altura não se falava ainda muito em indústrias criativas. Havia pessoas que produziam artefactos e outros produtos, que eram aquilo que considerávamos áreas das industrias criativas. Verificámos que havia realmente uma necessidade de tentar criar uma plataforma onde estas actividades pudessem ter uma voz.

O que pretendiam fazer ouvir?
Esta voz seria não só ao nível de poder proporcionar encontros entre os profissionais e amantes da criação artística, como também de possibilitar a exposição, não só no aspecto físico com trabalhos, mas também com conversas e trocas de ideias. Achámos por bem que era urgente reconhecer e criar um projecto destes.

Como é que as coisas aconteceram em termos de apoios?
Foi estabelecido um elo com o Instituto de Estudos Europeus de Macau, que disponibilizou uma verba que, naturalmente, era um extra. O projecto foi levado ao Governo para aprovação. Na altura, a economia vivia um momento de baixa dadas as circunstâncias. A criação do Centro foi concretizar uma abordagem mais positiva. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais era a entidade que tutelava estes casos e concedeu-nos o espaço. Com o pequenino orçamento que temos, conseguimos fazer muita coisa. Cingimo-nos ao que podemos gastar e vamos conseguindo levar a coisa a bom porto.

Foram uma espécie de pioneiros das indústrias criativas em Macau. Agora é assunto que está na moda…
Sim, mas mesmo assim levou muito tempo para que as pessoas se começassem a habituar. Já na altura havia arquitectos e designers e todo um leque de profissões associadas a esta indústria, mas estava tudo muito disperso. Hoje ainda estão, mas já se fala mais e, como em qualquer projecto, é necessário muito tempo para dar algo como estabelecido.

Têm aparecido mais entidades dedicadas a esta área…
Sim, entretanto surgiram outras instituições e organizações nesta área que também vieram criar plataformas importantes. Como exemplo temos o Centro de Design, a Fundação Rui Cunha ou o Armazém do Boi. A própria Fundação Oriente começou também a dinamizar o seu espaço. Tudo isto veio contribuir para um alargamento desta área. Há uma maior partilha e discussão de ideias. Há uma abertura para que os criativos se mostrem e apresentem os seus trabalho.

O que é que os criativos locais têm que fazer para usufruir do vosso apoio?
No nosso caso, as pessoas, para que possamos fazer algo por elas, têm que se registar como membros para que nós possamos saber o que fazem. Esta acção tem como objectivo possibilitar que as possamos distribuir nas diversas áreas que temos e naquelas em que melhor se enquadram. Mas a inscrição é um processo muito simples e é todo ele gratuito.

Só não está quem não quer, é isso?

Exactamente. Não exigimos qualquer currículo académico. Exigimos é trabalho. É o que nós queremos. O que acontece é que muitas vezes as pessoas têm outras ocupações e por isso acabam por não produzir muito. Encaram isto como um hobby. Temos uma lista de membros mas não obrigamos a que as pessoas tenham uma actividade que seja de lucro, quer para nós, quer para eles. É essencialmente para que possam aparecer.

Depois, na prática, como funciona?
Temos uma lista de nomes que fazem isto e aquilo em determinados chamamentos. As pessoas são muitas vezes chamadas a participar num evento ou num projecto profissional e, a nós, há quem peça contactos ou informações acerca de quem faz determinadas coisas. Damos os contactos e as informações que temos e com isso podemos ajudar as partes envolvidas. Acabamos por fornecer uma rede de contactos. Não é um sistema economicista e, por outro lado, também não temos essa obrigação. Não nos responsabilizamos depois pela continuidade de projectos, mas ajudamos na parte que nos toca. Temos um vínculo associativo em que ninguém tem obrigações. Há liberdade.

E para que sejam mostradas?
No que respeita à possibilidade de exposição no espaço [do Centro] temos algumas regras também. A pessoa tem que se disponibilizar em participar em exposições colectivas. Todos os membros são convidados a participar nestas exposições. Mandamos convite a todos. Vamos depois acompanhando a evolução dos trabalhos e dos artistas que nos vão chegando e organizamos os calendários anuais onde eventualmente estão inseridas também as mostras individuais. Se vemos que há gente com pouca produção mas que ainda assim já apresenta um volume de trabalho considerável, convidamos duas pessoas para cada uma das salas. São igualmente exposições individuais. No colectivo, às vezes damos oportunidade àqueles que já expuseram há algum tempo para que voltem a mostrar o que andam a fazer. É muito bom ver a evolução das pessoas ao fim de alguns anos.

Tem assistido efectivamente a essa evolução?
Sim tenho.

Uma das dificuldades que têm sentido é relativa à escassez de profissionais. Ainda tem esse problema ou há mais gente a aparecer?
Acho que cada vez aparecem mais pessoas. As indústrias criativas agora estão na boca do mundo porque apareceram fundos. As pessoas berravam porque não tinham como criar um produto. Para o fazer, há um processo muito grande e que conta com uma despesa para a criação do produto. Tem que haver investidores e não existem assim tantos. lucia lemos

Os fundos foram essenciais, é isso?

Havendo fundos faz com que, por exemplo no Design, se criem projectos. Os projectos têm que garantir viabilidade económica para poderem aceder a esse fundo. São necessários para que as pessoas avancem com uma ideia que possa, eventualmente, vir a ser rentável. Muitas vezes isso acontece com a própria associação entre pessoas. Por outro lado também já há mais formação que pode ser aplicada em diferentes áreas de negócio ou mesmo na criação da sua própria empresa.

Começamos a ter uma indústria em Macau?
Como não há uma indústria em Macau, não conseguem produzir aqui. Não há fábricas. Não há meios de produção. Antigamente havia os industriais que podiam, por exemplo, ter um andar da sua fábrica dedicado à produção de produtos vindos de criadores. Mas, por outro lado, agora começa a aparecer aqui e acolá quem queira fazer isso. Acho que há pessoas interessadas. Aqui, têm que juntar a criação ao empreendedorismo. As pessoas estão realmente a aparecer cada vez mais a criar o seu próprio negócio ou a fazer parcerias.

E há os elementos técnicos necessários?
Isso acho que não. Quando queremos fazer um filme quantos operadores existem? Isto leva-nos a outro problema, que é realmente a falta também de mão-de-obra técnica associada às indústrias criativas. Porque associado ao trabalho do criador há sempre uma equipa técnica. Em Macau como é que isso se faz? Muito dificilmente. Por exemplo, aqui um realizador pode ter que esperar por disponibilidade de técnicos para fazer um filme.

Há mercado em Macau, é isso que está a dizer?
É capaz de não haver ainda um mercado. Vejamos, não há produtos de qualidade capazes de atrair as pessoas. É preciso também criar produtos que atraiam os visitantes que compram porque gostam. Aqui, o que existe à disposição dos turistas como recordação é sempre horrível. As pessoas querem levar um porta-chaves ou um íman de frigorífico e não têm coisas bonitas ou de qualidade. Imaginação não há, de certeza absoluta. Porque é que se insiste no mesmo design que já está velho? Acho que também é necessário criar um produto de Macau que as pessoas gostem e que seja contemporâneo. O que vemos nas lojas não é a nossa cultura. Não é chinesa nem portuguesa, nem é nada. É uma cultura de ninguém. Aquilo é uma imagem errada de Macau e não tem nada a ver com Macau.

O que se poderia fazer?
Quem de direito poderia investir numa fábrica de cérebros criativos, por exemplo.

Quais as áreas que mais precisam de um empurrão?
Tanta coisa. Um exemplo pode ser os caixotes do lixo que são horríveis. É preciso em todo o lado. É preciso criar algo que diferencie a cidade publicamente.

Já afirmou há uns anos que a qualidade do design em Macau era muito boa. Comparando com Hong Kong, muito melhor até. O que acha neste momento?

Lembro-me que quando abrimos isto era um furor. Éramos falados em Hong Kong e essas coisas. Vinha gente de todo o lado. O design de Hong Kong na altura era uma coisa sem identidade ou de uma identidade comum. O que também é importante porque é um design para todos. Mas aqui era diferente. Era uma coisa com assinatura. Era um design de autor muito interessante, bonito, elegante e diferente.

Como é agora?
Acho que agora está também no caminho do anonimato. Está mais ao serviço do cliente sem rosto, que simboliza o potencial cliente. É mais desprendido. É criar um design para ser vendido sem conhecer as pessoas. É menos emotivo e envolve menos o criador no que respeita ao sentido de pertença.

O Centro está de boa saúde e recomenda-se?
Sim (risos). Continuamos a ter sempre novos membros, a casa está aberta a todos. Continuamos a promover sempre o máximo que conseguimos e estamos sempre aqui, abertos a novas ideias.

25 Jul 2016

Creative Macau | Professora apresenta livros de Meditação com música ao vivo

[dropcap style=’circle’]K[/dropcap]im Hughes Wilhelm apresenta esta quinta-feira os livros “The Journey Within” e “The Journeys Beyond”, na Creative Macau. A professora de Macau, a viver no território há mais de uma década, é autora dos dois livros, que serão dados a conhecer ao público a partir das 16h00 e até às 20h00.
Acompanhada de música ao vivo pelo músico Kelsey Wilhelm, da banda local Concrete/Lotus, a apresentação conta ainda com a leitura de alguns excertos das obras, escritas com base em entrevistas de praticantes de Meditação feitas na Índia, e pequenos debates. Os livros estarão à venda no espaço da Creative Macau, sendo que a entrada para o evento é livre.
Kim Hughes começou a praticar Meditação há quatro anos e meio, tendo descoberto que a disciplina – que começou por ser uma forma de “reduzir o stress e a alta tensão” – lhe trazia mais do que melhorias ao nível da saúde. Cover_Journeys Beyond
“A autora considera a Meditação como essencial para o corpo, para a mente e para o equilíbrio espiritual”, pode ler-se no comunicado da organização, que acrescenta que a necessidade de escrever estes livros surgiu quando Kim Hughes Wilhelm se apercebeu do pouco conhecimento sobre a matéria.
“Pareceu que poucas pessoas sabiam como começar e quão facilmente esta prática pode ser incorporada num estilo de vida agitado como é o de hoje em dia”, frisa, acrescentando que obteve permissão do Mestre de Meditação Shahaj Marg (O Caminho Natural, na tradução literal) para compilar um livro feito com base em entrevistas a praticantes.
“Começou então um projecto de investigação que durou mais de dois anos e onde quase 40 praticantes foram entrevistas. As suas palavras foram transcritas e este é o resultado: dois livros.”
A autora garante que as histórias de vida partilhadas nestas obras são “extremamente interessantes, uma vez que se movem de continente para continente, de era para era” e dão para “ouvir as mudanças pessoais ligadas à esperança de um futuro melhor para a humanidade em geral”.
Os livros falam ainda de “aspectos importantes” no que à disciplina diz respeito, bem como sobre como iniciá-la, as mudanças que traz e o papel do próprio guia espiritual. Os livros estão à venda na internet.

5 Jan 2016

Sound & Image Challenge | Creative e IEEM lançam festival cinematográfico de 1 a 7 de Dezembro

Mostra de filmes, conversas e muita festa. É em Dezembro. A organização do concurso Sound & Image Challenge lança uma semana dedicada à Sétima Arte. Os eventos são no Teatro D. Pedro V e no Cinema Alegria. A entrada é livre

[dropcap style=’circle’]D[/dropcap]e 1 a 5 de Dezembro, o Teatro D. Pedro V vai transformar-se numa sala de cinema. A Creative Macau e o Instituto de Estudos Europeus (IEEM) organizam, durante uma semana, um festival dedicado à visualização de filmes, todos finalistas do concurso Sound & Image Challenge, lançado durante este ano. Mas a organização não se fica por aqui e apresenta ainda workshops. Dos quatro cantos do mundo chegam documentários, animação, ficção e publicidade.
Além disso, este ano o concurso deu asas à imaginação e vai dar uma oportunidade a cantores e bandas locais. Algo que vai permitir a visualização de videoclips feitos com música composta por talentos de Macau.
A abrir a semana, na terça-feira dia 1 de Dezembro, está a cerimónia de abertura do Festival, que arranca com o concerto do quarteto New Music Hong Kong Ensemble, com hora marcada para as 19h00. Segue-se a projecção do documentário “Retrospectiva”, da própria organização, e entregas de prémios, além da projecção dos trailers dos filmes finalistas do concurso em todas as categorias.
O evento, que tem entrada livre, continua no dia 2 de Dezembro com uma actividade especial: a mostra de filmes vencedores do 12º Black & White International Audiovisual Festival 2015. A partir das 15h00, podem ser vistos os filmes “Preto ou Branco”, de Alison Zago, do Brasil, “Cabeza de Caballo”, do espanhol Marc Martinez, e ainda o documentário alemão “Sorrounded” e a animação espanhola “Canis”, entre outros.
O festival de Macau entra em cena às 19h00 – estendendo-se até às 21h00 – com as melhores curtas de Ficção. “Still in Time” (Espanha), “The fantastic love of Beeboy and Flowergirl” (Alemanha), “Laura” (Espanha), “The Purplish love” (Hong Kong) e “The Wall” (França). Há ainda oportunidades para troca de impressões com os realizadores antes e depois da sessão.
O dia 3, quinta-feira, arranca com os finalistas do concurso Volume do Sound & Image Challenge deste ano. Videoclips de bandas locais vão poder ser vistos das 15h00 às 16h00. “Sleepwalker”, de Forget the G, “Odyssey”, dos Concrete/Lotus, “Romantic Film”, de Crosshair e “Business Suit Morning Struggle”, dos Turtle Giant, foram algumas das músicas escolhidas por realizadores de Macau e Espanha para a produção de videoclips.
Das 19h00 às 21h00 seguem-se os documentários merecedores de destaque no concurso deste ano. “A journey”, “Aldona”, “Yaar”, “Bad Boy Breathing” e “Hide and Seek” são os nomes das películas desta categoria, trazidas até Macau por realizadores da Bélgica, Espanha, Polónia e Dinamarca.

Falar de Macau e de cinema

O festival continua na sexta-feira, das 15h00 às 21h00, com um destaque especial: Macau Cultural Identity traz ao grande ecrã filmes que se focam nas mais bonitas e tradicionais características de Macau. Destaques para os filmes “The Identity of the Egg Tart”, de Kenny Leong, “The Other Half”, do realizador português João Luís, e “Jason Lei”, de Pharrel Ho.
Seguem-se as curtas de Animação – que integraram a competição deste ano e que chegam todas da Europa – e as películas da categoria de Publicidade, que apresentam, entre outras, “What Makes Hong Kong Asia’s World City”, de João Seabra, e “Anti-Smoking PSA”, do local Cheok Wai Lei.
Mas o fim-de-semana vai dar que falar e não só por causa dos filmes. A Creative e o IEEM trazem ainda simpósios com entrada livre, a terem lugar no sábado no Teatro D. Pedro V, e a exibição de um filme antes da entrega dos prémios aos vencedores do Sound & Image Challenge. (ver caixa)
Nesse mesmo dia está marcada ainda uma ‘after-party’, a partir das 22h30, na Live Music Association, com Djs locais e bandas cujas músicas foram seleccionadas para os videoclips finalistas e vencedores.
O festival continua no sábado e no domingo, mas no Cinema Alegria, a partir das 16h00 e até às 19h15. Aqui serão mostrados todos os filmes vencedores do Sound & Image Challenge.
A Creative convida ainda o público a votar no seu filme preferido, de forma a que também a audiência possa participar na escolha de um dos prémios a atribuir. Os prémios – que contam com o patrocínio do BNU, Fundação Oriente e Macaulink – totalizam 83 mil patacas. Do júri do concurso fazem partes nomes como Alice Kok, James Jacinto, Rui Borges, Yves Sonolet, Vicent Cheong, Miguel Khan, Zhang Zeming, João Francisco Pinto e Mário Dorminsky, todos da área do Cinema, Artes e Música.

Simpósios

Dia 5 de Dezembro, Teatro D. Pedro V
10h00 às 12h00

“Programação, Apresentação e Entrega à Audiência” (Álvaro Barbosa, reitor da Faculdade de Indústrias Criativas da Universidade de São José, Mário Dorminsky, fundador e director do Fantasporto, João Francisco Pinto, director de programas da TDM)

13h30 às 15h30
“Contar histórias com a câmara” (Zhang Zeming, realizador, produtor e guionista, Albert Chu, realizador e presidente da Associação CUT, Gonçalo Ferreira, colorista para Motion Pictures, Margarida Vila-Nova, actriz, Ivo Ferreira, realizador)

16 Nov 2015