Mundial 2026 | Hong Kong detém 150 pessoas devido a apostas ilegais de 35 ME

A polícia de Hong Kong anunciou a detenção de 150 pessoas alegadamente envolvidas num esquema de apostas ilegais através da Internet e voltou a apelar contra as apostas ilegais no Mundial 2026 de futebol.

Numa conferência de imprensa realizada na terça-feira à noite, a polícia estimou que o grupo terá movimentado mais de 320 milhões de dólares de Hong Kong desde Julho de 2025. Numa operação que decorreu ao longo de três dias, cerca de 600 agentes realizaram rusgas em unidades industriais em vários locais da região semiautónoma chinesa.

Os detidos têm entre 18 e 75 anos e incluem, além de 86 apostadores, titulares de contas bancárias usadas para branqueamentos de capitais e os alegados cabecilhas do grupo, que terão ligações às tríades.

A polícia acredita que desmantelou quatro centros de processamento de apostas, três centros de promoção e um local de recrutamento de apostadores, cujas apostas individuais atingiam 300 mil dólares de Hong Kong.

De acordo com a imprensa local, a operação teve como alvo oito portais não autorizados no território, que ofereciam apostas em futebol, corridas de cavalos e outros desportos. A concessionária sem fins lucrativos Hong Kong Jockey Club detém o monopólio das apostas em partidas de futebol e em corridas de cavalos na antiga colónia britânica.

A polícia apreendeu um milhão de dólares de Hong Kong em dinheiro, quatro milhões de dólares de Hong Kong em bens, assim como computadores e telemóveis.

18 Jun 2026

PJ | Menores envolvidos em roubo, agressão e gravações ilícitas

A vítima do ataque é uma menor. Antes do episódio de segunda-feira, tinha havido um desentendimento online num grupo de conversação de Wechat com mais de 100 pessoas

A Polícia Judiciária (PJ) revelou o caso de uma menor que foi agredida, roubada e gravada ilegalmente por outros seis menores. A investigação do caso foi espoletada por vídeos que circularam online, alegadamente gravados pelos menores responsáveis pelas agressões.

Na conferência de imprensa, a PJ revelou que os menores responsáveis pelo bullying são seis, três rapazes e três raparigas, com idades entre os 11 e os 15 anos. A vítima, do sexo feminino, também é menor.

A situação que levou à intervenção da PJ aconteceu na segunda-feira por volta das 18h, quando a vítima e uma amiga passavam por um estabelecimento de comidas e se cruzaram com os seis suspeitos. Nessa altura, segundo a versão das autoridades, o grupo de menores ordenou à vítima e à amiga que entrassem no restaurante. A vítima entrou, mas a amiga abandonou o local, mencionando um motivo pessoal.

Depois, uma das seis crianças exigiu à vítima que pagasse 200 patacas, como custo de portagem por atravessar a rua. Após a recusa, um dos menores pediu a outros três que levassem a vítima para umas escadas ao lado do restaurante, onde aconteceram as primeiras agressões, com murros e pontapés.

Sem conseguirem o pagamento, o grupo levou a vítima para um terraço de um outro edifício, onde se seguiram mais agressões. Durante o segundo ataque, os membros que não estavam envolvidos nas agressões incentivaram os outros e gravaram as cenas.

Após a segunda vaga de ataques, a agredida aceitou fazer a transferência de 200 patacas, através de uma plataforma de pagamentos. Apesar disso, a agressões não ficaram por aí. A PJ indica que mesmo após o pagamento, só depois de mais alguns murros e pontapés é que a vítima conseguiu abandonar o local.

Imagens online

Nos vídeos divulgados online, que se tornaram virais, é possível ver uma menor a agredir a vítima com murros, que se tenta defender, como se estivesse num combate de boxe. Em outro vídeo, pode ver-se o grupo dos menores a aproximarem-se da vítima e a troçarem dela. Esta aparenta estar a ser filmada contra a sua vontade.

A PJ indicou que, após a realização de um exame médico a vítima apresentava múltiplas contusões no corpo. O telemóvel que serviu para gravar o vídeo foi também apreendido.

Face às imagens, a polícia pediu à Direcção de Serviços de Educação de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) que contactasse os pais da vítima, para se deslocarem à esquadra para responder a perguntas e decidirem se queriam apresentar queixa.

A PJ também identificou os alegados agressores, que foram contactados através das escolas que frequentam.

Segundo a investigação, todos os envolvidos no caso conheceram-se online, através de um grupo da aplicação WeChat com mais de uma centena de jovens. Foi nesse grupo de conversa que terá havido um desentendimento anterior, por motivos fúteis, que depois terá levado à situação de segunda-feira.

Os seis membros do grupo são suspeitos da prática de roubo e de ofensa simples à integridade física. Um deles é também suspeito da prática do crime de gravações e fotografias ilícitas. O caso foi remetido para o Ministério Público.

DSEDJ avisa crianças

Após o caso ter sido tornado público, a DSEDJ emitiu um comunicado a indicar que “está a acompanhar com elevada preocupação” o caso. “Assim que tomou conhecimento do incidente, a DSEDJ coordenou-se imediatamente com a escola e as instituições de aconselhamento para prestar um acompanhamento directo aos alunos e encarregados de educação envolvidos, tendo também providenciado a deslocação de conselheiros escolares às autoridades policiais para prestar o devido apoio”, foi comunicado. “A DSEDJ apela aos jovens para que cumpram rigorosamente a lei, ponderem as consequências antes de qualquer acto e nunca desafiem a lei por impulso. Ao mesmo tempo, apela aos pais para que estejam atentos e se preocupem com a vida quotidiana e as amizades dos seus filhos”, foi acrescentado.

Também o deputado José Pereira Coutinho recebeu a família da vítima e defendeu que está na altura de criminalizar o bullying. O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) considerou que há “muitos casos semelhantes” que ficam por ser acompanhados porque as vítimas têm medo e não fazem queixa.

18 Jun 2026

Habitação | Preço médio do metro quadrado acima de 70 mil patacas

Depois de em Abril o preço do imobiliário ter caído para o valor mais baixo desde 2013, Maio trouxe uma ligeira recuperação com o preço médio do metro quadrado a subir para 70.806 patacas

Em Maio, o preço médio do metro quadrado da habitação foi negociado por 70.806 patacas, o que representou um aumento mensal de 17,4 por cento, de acordo com os dados da Direcção de Serviços de Finanças (DSF). Em Abril o preço médio do metro quadrado tinha sido de 68.000 patacas, o valor mais baixo desde Agosto de 2013.

Em termos dos diferentes mercados do território, o preço médio mais elevado foi registado em Coloane, com um valor de 76.910 metros quadrados. Ainda assim, e ao contrário da tendência global, este mercado apresentou uma redução de 5,4 por cento, dado que em Abril o metro quadrado tinha sido comprado e vendido a uma média de 81.261 patacas.

Nos mercados da Península de Macau e da Taipa, os preços mostraram um aumento mensal. Em Macau, a subida mensal foi de aproximadamente 4,7 por cento de 66.304 patacas para 69.420 patacas. Na Taipa, as casas ficaram mais caras 6,6 por cento, passando de 67.970 patacas para 72.488 patacas.

Quando a comparação dos preços é feita com Maio do ano passado, o crescimento é menos acentuado, na ordem 1,5 por cento. Em Maio de 2025, o preço médio do metro quadrado tinha sido de 69.735 patacas, com preços médios na Península de Macau de 67.386 patacas, na Taipa de 70.934 patacas e em Coloane de 92.184 patacas.

Menos transacções

Os números revelados na terça-feira à tarde pela DSF mostram também que com preços mais caros o mercado registou menos transacções. Em Maio, o número de vendas de habitação registou uma redução mensal anual de 10,4 por cento. As compras e vendas totalizaram assim 303 transacções no último mês, quando em Abril tinham sido 338.

No mês mais recente, o mercado mais activo foi o da Península, com um total de 209 transacções, menos 18 do que no período homólogo, quando houve 227 compras e vendas neste mercado. Também em Coloane o número de transacções registou uma redução de 35 compras e vendas, em Abril, para 16 em Maio. No entanto, na Taipa a tendência foi oposta, com o número de transacções a crescer mensalmente de 76 em Abril para 78 em Maio.

Em termos anuais, o número de transacções teve um aumento de 54,6 por cento, de 196 transacções em Maio de 2025 para as 303 transacções de Maio deste ano. No período homólogo tinham sido registadas 209 transacções na Península de Macau, 78 na Taipa e 16 em Coloane.

18 Jun 2026

CCAC | Queixas e denúncias em 2025 cresceram 26,4%

No ano passado, o Comissariado Contra a Corrupção recebeu 971 queixas e denúncias, mais 26,4 por cento face a 2024, em grande parte devido às eleições legislativas. Quase 95 por cento das queixas e denúncias foram apresentadas por cidadãos

No ano passado, o Comissariado Contra a Corrupção (CCAC) recebeu 971 queixas, denúncias e fontes de notícias, de acordo com o relatório do organismo liderado por Ao Ieong Seong relativo ao ano de 2025. Face ao ano anterior, 2025 foi sinónimo de um incremento de queixas superior a 26,4 por cento.

O aumento deve-se, em parte, às 153 queixas e denúncias relativas às eleições legislativas realizadas a 14 de Setembro do ano passado. Sem os “incidentes” eleitorais, as queixas e denúncias de 2025 teriam aumentado apenas 6,5 por cento face a 2024.

Ainda em relação ao sufrágio para a Assembleia Legislativa, as mais de uma centena e meia de queixas resultaram em 30 investigações do CCAC, que motivaram cinco casos encaminhados para o Ministério Público devido a alegados fortes indícios de criminalidade. Destaque ainda para o facto de as últimas eleições legislativas terem gerado um aumento de 11 por cento de queixas, em relação ao sufrágio de 2021.

Na mensagem assinada pela comissária para a Corrupção, Ao Ieong Seong, refere-se que “o CCAC envidou todos os esforços no combate à corrupção eleitoral e à repressão de todos os tipos de irregularidades, promovendo uma cultura eleitoral saudável na sociedade”.

Ainda em relação ao sufrágio, o CCAC refere que se registou um caso de contravenção sancionado com multa administrativas, ou seja, fora da acção penal.

Ao Ieong Seong indica que “no novo ano, o CCAC, além de se empenhar no combate e na prevenção da corrupção”, na fiscalização, “irá continuar a pôr em prática, de forma reforçada, a visão governativa do Chefe do Executivo”.

Quem é quem

A vasta maioria das queixas e denúncias recebidas pelo CCAC no ano passado foram apresentadas por cidadãos (94,6 por cento), enquanto 2 por cento foram remetidas por entidades públicas, num total de 20 incidentes. Já os casos que resultaram da iniciativa do CCAC, totalizaram 23 no ano passado.

Entre as 919 queixas apresentadas por cidadãos, quase 42 por cento foram feitas sob anonimato. Quanto à forma de apresentar queixas e denúncias, o CCAC afirma esperar que “os cidadãos optem mais por apresentação de denúncias com identificação na plataforma online” (…), facilitando o desenvolvimento de processos, a sua investigação e os trabalhos da recolha de provas.

Quanto aos casos instruídos, no ano passado totalizaram 191 processos (sem incluir os relacionados com as eleições), 109 dos quais respeitantes ao sector público e 82 respeitantes ao sector privado. Além disso, foi concluída a investigação de 114 processos, 73 dos quais no sector público e 41 no privado. Dos 114 processos, a larguíssima maioria resultou em arquivamento (105), com apenas nove a serem encaminhados para o Ministério Público.

Quanto aos processos respeitantes ao sector público, os relacionados com a área da segurança e a área dos assuntos sociais e cultura ocuparam a maior percentagem. O número de processos destas duas áreas representou mais de 60 por cento do número total de processos instruídos relacionados com o sector público. A larga maioria destes processos resultou de abusos relativos a faltas por doenças e falsas declarações no registo de assiduidade.

Neste domínio, o CCAC sublinha que “é imperativo reforçar a sensibilização para a integridade do pessoal das referidas áreas para que se mantenha sempre em alerta”.

No sector privado, o relatório de 2025 vinca uma tendência que vem de trás, com a prevalência de processos principalmente “relacionados com a solicitação de subornos por parte dos chefes das empresas integradas de turismo e lazer”, e “litígios relativos à reparação e administração de edifícios”.

Tomar o pulso

Como é hábito, o relatório anual do CCAC realça alguns casos numa lista que categoriza como “olhar em retrospectiva”.

Um dos processos que salta à vista é relativo a um agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) que terá “obtido de forma fraudulenta baixa médica”, que aproveitou para passear e tomar refeições no Interior da China, em vez de ter “permanecido em casa para descanso”.

A investigação apurou que o agente declarou no ano passado ter sofrido uma lesão no pulso resultante de um acidente enquanto estava em serviço. O CCAC indica que esta justificação foi usada para faltas contínuas ao serviço durante quase quatro anos, entre 2015 e 2019. Durante período, o agente continuou a receber o salário, num total de quase 900 mil patacas.

No entanto, apesar de continuar a alegar lesões no pulso, e a conseguir atestados médicos, o agente conduzia frequentemente um motociclo “e participou duas vezes no exame prático de condução de veículos pesados de mercadorias”.

Além disso, entre 2016 e 2019, participou em torneios de bowling, tendo sido premiado várias vezes. Aliás, a partir de 2017, o agente passou a integrar a selecção de bowling de Macau e participou nos respectivos estágios de treinos.

O CCAC indica ainda que o agente saiu frequentemente de Macau “durante o período de faltas por doença, por mais de 300 vezes, incluindo em deslocações que envolveram viagens de avião para o exterior com a família”.

Foi também investigado no ano passado um caso de um médico da Direcção dos Serviços Correcionais (DSC) que também abusou do regime de faltas por motivo de doença, encontrando-se no exterior durante os períodos de baixa médica.

Entre 2018 e 2024, o suspeito contactou vários médicos amigos (de instituições médicas públicas e privadas de Macau) que lhe passassem vários atestados médicos ou comprovativos de faltas por acompanhamento familiar. Em simultâneo, a investigação apurou que “o médico em causa exercia outras funções remuneradas a tempo parcial sem conhecimento e consentimento do Serviço onde exercia funções”.

18 Jun 2026

Quadros qualificados | Kong Chi Meng continua à frente de comissão

Além de manter a confiança no director da DSEDJ como líder da comissão responsável pelo desenvolvimento de talentos, Sam Hou Fai também renovou a nomeação Che Weng Keong como presidente do IPIM

O director dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Kong Chi Meng, vai continuar a ser o secretário-geral da Comissão de Desenvolvimento de Quadros Qualificados (CDQQ), a tempo parcial. A informação foi divulgada ontem no Boletim Oficial, através de um despacho assinado pelo Chefe do Executivo, e a nomeação vai vigorar por um ano.

Esta é a segunda vez que o mandato de Kong como secretário-geral da comissão é renovado, depois de ter sido escolhido para o cargo em Agosto de 2023, por Ho Iat Seng. Durante o próximo ano, Kong vai ter uma remuneração mensal de 28.200 patacas pelo desempenho destas funções, que acumula com o cargo de director da DSEDJ.

Além da renovação do mandato de Kong Chi Meng, Sam Hou Fai também optou por manter Wong Kin Mou como secretário-geral adjunto na CDQQ. As funções são desempenhadas a tempo inteiro. O novo mandato tem a duração de um ano, e segundo a informação publicada no Boletim Oficial, Wong vai receber 79.900 patacas por mês, para o desempenho das funções.

A CDQQ foi criada em 2014, ainda durante o período de Fernando Chui Sai On como Chefe do Executivo, e tem como funções definir a estratégia de desenvolvimento de quadros qualificados do território, tanto ao nível da formação como de retenção de profissionais.

IPIM sem alterações

Através da edição de ontem do Boletim Oficial foi também revelado que Sam Hou Fai renovou o mandato de Che Weng Keong como presidente do Conselho Administrativo do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM).

Che Weng Kong é nomeado no regime de “comissão eventual de serviço”, uma vez que se encontra ligado ao gabinete da secretária para a Economia e Finanças, na condição de assessor. Che foi nomeado para as funções actuais no Verão do ano passado e segundo a renovação do mandato vai manter-se na posição, em condições normais, até 6 de Fevereiro do próximo ano.

O IPIM tem como funções atrair investimento para Macau e apoiar as empresas locais na exploração de novos mercados, assim como promover a indústria de convenções e exposição. Parte destes esforços são virados para o intercâmbio económico com os Países de Língua Portuguesa.

18 Jun 2026

Sónia Sénica, académica: “Uma nova ordem multipolar”

Sónia Sénica, docente de Relações Internacionais, considera que a diplomacia mundial se define com três poderes, liderados pelo crescimento da China, a Rússia e o declínio da América. O HM conversou com a autora de “Ordem Tripolar – O Mundo dos Três Grandes Poderes” na última edição da Feira do Livro de Lisboa

Defende que o mundo tem hoje uma ordem tripartida dominada pelos Estados Unidos da América (EUA), China e Rússia. Como serão os relacionamentos com Pequim daqui a diante?

Percebemos que, sob liderança de Xi Jinping, há uma grande influência de Pequim para o que é uma nova ordem multipolar, que é algo que advoga, como sabemos. Mas, como refiro no livro, essa dimensão de multipolaridade cria uma espécie de eixo antagónico, sobretudo ao Ocidente, pela liderança norte-americana, independentemente da tentativa de normalização de agendas, ou de concertação de alguns posicionamentos com encontros oficiais, cimeiras ou ataques diplomáticos. Recentemente ficou muito claro que houve verdadeiramente uma corrida a Pequim. Até mesmo da parte do actual Presidente norte-americano, Donald Trump, houve a necessidade de articular as dinâmicas de cooperação e conflitualidade que estavam em curso, sobretudo a mais preocupante nesta altura para ele, que seria a do Médio Oriente e, em certa medida, contar com uma espécie de condescendência, de posicionamento favorável no que era a pacificação da região.

Tendo em conta o discurso político e a agenda de Pequim, o conceito de “comunidade com futuro compartilhado para a humanidade”, parece que existe uma espécie de ordem mundial paralela. A China tem, por exemplo, o Fórum Boao, considerado o Davos da Ásia.

Sim. Em bom rigor, o que pretende Xi Jinping? Há duas dimensões: por um lado, a reunificação de Taiwan e a sua afirmação em termos regionais no Indo-Pacífico, e depois uma espécie de propagação da influência pela via da dimensão económica, com a “Belt and Road Initiative”; mas menos no quadro daquilo que é a dimensão de responsabilização enquanto grande poder. Ou seja, [a China] não quer e não está, do meu ponto de vista, claramente favorável a uma intervenção permanente militarizada ou de pacificação de mediação em várias dimensões. Exactamente como aquela percepção de excepcionalismo por parte dos EUA, uma linha estruturante, sobretudo desde o fim da Guerra Fria, em que [o país] emerge no quadro da unipolaridade e assume o papel de única potência internacional. Na época até se falava de ser o polícia do mundo. Mas há outra coisa importante, que Xi Jinping reiteradamente parece advogar, e que, em certa medida, parece curioso.

O quê?

Se, por um lado, [a China] cria esse multilateralismo alternativo ao Ocidente, sob influência sino-russa, como sabemos, e em concertação com os povos, por outro lado continua a defender o sistema onusiano [da Organização das Nações Unidas]. E porquê? [Por causa] da questão importante do direito de veto no Conselho de Segurança, onde a Rússia e China consideram que conseguem, de alguma forma, criar uma espécie de constrangimento ao Ocidente, [seja] aos EUA ou países europeus. Isto no que concerne a tomadas de posição condenatórias ou mais assertivas relativamente às suas posições e acções externas. Há um paradigma, também interessante, que mudou recentemente desde a invasão na Ucrânia, segundo analistas militares: de que os grandes poderes já não precisam apenas da força convencional para impor os seus interesses.

Quais as alternativas?

Têm de recorrer à guerra híbrida, diversificar alianças, contar com outros actores, por exemplo, dentro do Sul Global, nas dimensões económicas, diplomáticas. Isso acaba por criar uma espécie de sinergia global e uma mudança substantiva de como se faz política externa.

Porque o Sul Global é tão importante para a China? Temos a questão da língua portuguesa, de África, e também da língua espanhola, cuja importância é crescente.

Talvez por três ordens de razões. A primeira, que é notória, que é expandir a sua influência pela via económica. Há aqui uma dependência muito clara dos países que beneficiam com o investimento chinês, com a concertação de parcerias [com a China] enquanto parceiro comercial; de infra-estruturas que obviamente são criadas por via chinesa nesses países. África é muito substantiva nessa dimensão. Mas parece-me que é mais do que isso: é criar, de facto, uma espécie de política internacional mais inclusiva. A forma de cooperar da China, e na abordagem ao Sul Global, é uma espécie de percepção da igualdade. Não importa como a liderança chegou, se por via legítima ou não, ou por guerrilhas muitas vezes, ou convulsões sociais. Importa quem lá está naquele momento e de que forma podemos gerar benefícios comuns.

Muito se tem falado se a China é, ou não, uma verdadeira potência. Defende, no livro, que “a sua liderança política não parece ter assumido ainda a vontade de ocupar em pleno esse papel”. Em que sentido?

No sentido em que eu referi há pouco. Xi Jinping tem objectivos concretos, que é estender a influência chinesa na dimensão económica, porque é útil também para a economia chinesa. Estas dinâmicas de conflitualidade estão a pôr em risco e em causa cadeias de abastecimento, interesses, a economia interna. Sabemos que [a economia interna] tem sido uma forma de apaziguar também possíveis convulsões e criar uma espécie de diáspora que consiga também investir fora, com empresários e tudo isso. Acaba-se por criar uma espécie de quase expansão da China numa outra forma. Não agressiva, não invasiva territorialmente.

Através da cultura, por exemplo.

Exactamente, da propagação da cultura, da defesa daquilo que é a língua chinesa fora do território nacional, de criar sempre essa ligação entre a diáspora e o seu território. Tentando manter uma concertação, cooperação ou integração pacífica, e apelando à paz. É curioso, tendo em conta que o objectivo será, mais cedo ou mais tarde, a reunificação de Taiwan, idealmente de forma pacífica, mas, não sendo possível, recorrendo a outros mecanismos.

No seu entender será até 2049, quando chega ao fim do período de 50 anos no contexto da transição de poderes de Macau.

Creio que Xi Jinping tem isso decidido na sua cabeça há muito tempo. Não o esconde. Aliás, foi a primeira coisa [que afirmou], foi uma restrição unilateral que assumiu mal recebeu o presidente Trump. Está tudo certo, excepto esta parte.

Na última visita do Presidente norte-americano, ou na anterior?

Nesta. É um assunto tabu, e isso ficou claro. O posicionamento norte-americano [sobre a questão de Taiwan] nem era necessário ser ouvido naquele momento, porque se trata de um assunto interpretado por Xi Jinping como sendo uma questão doméstica, com outros contornos. Portanto, do meu ponto de vista, há um cronograma. Há quem advogue a questão de 2049 e, para ser simbólico, é o marco de uma liderança que conseguiu a reunificação de Taiwan com a China continental. Mas talvez estas questões actuais, como a monitorização das posições norte-americanas, dos seus parceiros, quer na Ucrânia ou no Médio Oriente, podem levar ao acelerar desta tomada de decisão, ou desta acção política, diplomática ou de estratégica militar que Xi Jinping vai ter de tomar.

Como será a relação com os Estados Unidos se o “Trumpismo” continuar com outras figuras?

Sob a liderança de Donald Trump, há claramente um propósito de articulação de agendas ou de relação com as grandes lideranças e homens fortes, e são todos os que refiro no livro “Ordem Tripolar”. O próprio Trump tenta, em certa medida, imputar algumas dimensões de lideranças de homens fortes, em que ele decide e toma, até, as rédeas do processo com uma só tomada de decisão, mas também de comunicação política. Muitas vezes sabemos o que vai ser decidido pelo próprio [Trump] mesmo antes da rede diplomática ou das próprias forças armadas. Isso tem traços de alguma dimensão de liderança centralizada e personalizada, que é uma característica de Xi e de Putin. Parece-me que, num primeiro ponto, haverá tentativas de concertação onde for possível, mas também de divergência. Certamente que existem posicionamentos que verdadeiramente não são todos iguais. E vai haver muito pragmatismo consoante o ciclo, o evento ou a tomada de posição. Uma tentativa de ajustar consoante as necessidades de parte a parte.

Os três grandes

Nesta obra recentemente editada pela Planeta, Sónia Sénica fala da “ascensão da China, o regresso da Rússia a uma lógica de confronto directo com o Ocidente e a percepção global de declínio norte-americano”, o que abre “caminho a uma nova ordem mundial”, que é “tripolar, incerta e desafiante”, lê-se na sinopse. A docente e analista de política traça “um retrato inquietante do mundo em transformação”, sendo esta uma “uma obra indispensável para entender o que está em jogo nesta transição geopolítica, em que a democracia liberal é posta à prova e na qual a Europa procura, ainda, o seu lugar”, é acrescentado.

18 Jun 2026

GP Macau | FIA não mexe na Taça do Mundo de GT

Na pretérita semana, quando os construtores se encontravam focados na preparação das 24 Horas de Le Mans, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) e o SRO Motorsport Group abriram as inscrições para a Taça do Mundo de GT da FIA, aproveitando igualmente para publicar o regulamento da edição de 2026. A principal prova de sprint para carros de Grande Turismo no continente asiático apresenta poucas novidades, num claro sinal de aposta na continuidade.

O formato da Taça do Mundo mantém-se praticamente inalterado, com duas sessões de treinos livres de 30 minutos cada, seguidas da sessão de qualificação Q1 com a duração de 30 minutos. Os oito pilotos mais rápidos transitam para a Q2, disputada em regime de “super pole”, introduzido no ano transacto, onde se define a luta pela pole position. Todavia, de acordo com uma nota enviada às equipas, na sequência “das conclusões da edição de 2025 e das consultas realizadas com equipas e pilotos, o formato da Q2 foi ajustado. Os pilotos serão agora lançados em pista em intervalos mais curtos, mantendo a sensação de ‘super pole’ de estarem sozinhos em pista. Esta alteração visa melhorar a eficiência e reduzir a duração da sessão”.

O programa competitivo no Circuito da Guia prossegue com a Corrida de Qualificação, com 12 voltas ou uma duração máxima de 60 minutos, consoante o que ocorrer primeiro, muito provavelmente no sábado. No domingo realiza-se a Corrida Principal, composta por 16 voltas ou uma duração máxima de 70 minutos, a qual determina o resultado final do evento.

A primeira fase de inscrições decorre até 17 de Julho e está aberta a todos os pilotos. Um segundo período de inscrições prolonga-se até 24 de Agosto. O valor de inscrição foi aumentado e passará a custar 16 mil euros, cerca de 150 mil patacas, face aos 14.500 euros do ano transacto. Em contrapartida, cada carro inscrito terá direito a 14 passes, em vez dos 12 anteriores, sendo esta limitação uma das reivindicações das equipas.

Segundo a mesma nota enviada aos participantes, os pilotos interessados “devem ter participado, pelo menos, numa corrida de GT inscrita no Calendário Desportivo Internacional da FIA nas duas últimas temporadas, ou possuir experiência significativa em corridas GT”. Acrescenta ainda que, caso “um piloto seja considerado sem experiência suficiente, o Comité de Seleção reserva-se o direito de recusar a sua inscrição”.

Prémios monetários inalterados

De acordo com o Regulamento Desportivo da Taça do Mundo, os prémios monetários manter-se-ão ao nível de 2025, totalizando um máximo de 80.750 dólares norte-americanos, equivalentes a pouco mais de 650 mil patacas à taxa de câmbio actual.

Para reconhecer o número crescente de pilotos Silver, a Taça do Mundo da FIA passará também a atribuir um troféu ao vencedor desta categoria, desde que existam pelo menos três inscritos. Este prémio será acompanhado de uma recompensa monetária de 22.000 dólares norte-americanos, valor idêntico ao do ano passado.

O prémio total da Corrida Principal ascende a 82.750 dólares norte-americanos na classificação geral, distribuído da seguinte forma: o primeiro classificado recebe 15.000 dólares, o segundo 12.000, o terceiro 10.000, o quarto 7.500, o quinto 5.000 e o sexto 3.000 dólares. Na categoria para os pilotos categorizados como Bronze, o vencedor, caso exista, recebe 4.250 dólares. Estão ainda previstos prémios adicionais de 1.000 dólares pela pole position da Corrida de Qualificação e 500 dólares pela volta mais rápida em cada corrida.

Curiosamente, e de acordo com o regulamento, todos os prémios serão entregues na cerimónia oficial do Grande Prémio de Macau, sendo que a ausência de um piloto poderá implicar a perda do direito ao montante atribuído.

Grelha igualmente forte

O regulamento desportivo da FIA determina que a lista de inscritos da Taça do Mundo de GT deve ser conhecida até 22 de Outubro. Prevê-se uma grelha com um nível elevado muito semelhante à das edições anteriores, talvez com mais carros, e com a presença da Audi, BMW, Ferrari e Porsche, bem como o regresso da Mercedes-AMG, ausente na última edição.

Devido à continuidade da obrigatoriedade dos dispendiosos sensores de binário, a Lamborghini só regressará se for com novo modelo Temerario GT3, embora a decisão sobre este assunto ainda não esteja fechada. Por outro lado, as marcas norte-americanas Chevrolet e Ford não são esperadas na RAEM, enquanto a Aston Martin e a McLaren permanecem como incógnitas, dependendo sobretudo da vontade de equipas clientes. A 73.ª edição do Grande Prémio de Macau decorre de 19 a 22 de Novembro.

17 Jun 2026

Espaços públicos | Pedidas punições mais duras para infracções

O legislador dos Moradores, Leong Hong Sai, está preocupado com o arremesso de objectos de edifícios altos para a rua e pede que se pondere a criminalização da conduta, mesmo que não haja feridos ou mortos a registar

O deputado Leong Hong Sai, ligado aos Moradores, defendeu a necessidade de o regulamento geral dos espaços públicos prever punições mais pesadas. A posição foi tomada durante uma palestra na União Geral das Associações dos Moradores de Macau (UGAMM), realizada na segunda-feira, que visou a discussão do regulamento.

Na perspectiva de Leong Hong Sai, as punições previstas no regulamento para certos comportamentos têm de ser revistas pelo Governo. O deputado explicou que actualmente uma pessoa que atire objectos para a via pública não recebe qualquer punição, a não ser que cause danos ou ferimentos. Também quem atira lixo para a rede de escoamento de águas, que depois pode causar inundações, é multado em 600 patacas, quantia tida como insuficiente.

“Anteriormente, o Governo abordou este assunto e considerou que o valor da multa em 600 patacas não acompanhou o desenvolvimento social nem responde às expectativas da população”, argumentou Leong. “Achamos que a multa deve ser elevada de forma apropriada para conseguir um melhor efeito dissuasor, para evitar que seja mais barato para os comerciantes deitar o lixo na rede de esgotos, em vez de fazerem o tratamento correcto”, acrescentou.

Leong Hong Sai também considerou que a direcção da alteração do regulamento deve ter em conta o grau de perigo criado para o público pelos comportamentos que espera ver penalizados, assim como a reincidência.

Lançamento de objectos

O legislador vincou também que Macau precisa de acompanhar Hong Kong e o Interior da China, onde a conduta de atirar objectos dos edifícios para a rua é considerada um crime e é penalizada com pena de prisão. Leong Hong Sai afirmou que a intenção de criminalizar o comportamento é criar um maior efeito dissuasor, e que a prisão das pessoas deve acontecer, mesmo quando os actos não causem feridos nem mortos.

Sobre este tipo de comportamentos, Leong Hong Sai afirmou ter recebido queixas de vários residentes, principalmente porque é muito difícil identificar os responsáveis pelo arremesso dos objectos para a rua. O legislador defendeu assim um mecanismo de investigação que não privilegie tanto a privacidade, de forma a garantir a segurança pública. “O Governo deve aumentar os mecanismos de videovigilância nos locais onde são registados mais casos de arremesso de objectos para a via pública e onde há maiores riscos para a segurança”, defendeu.

O deputado apontou ainda que os residentes também se queixam que o facto de muitos objectos serem deixados nos espaços comuns dos edifícios, como forma de armazenamento temporária, cria riscos acrescidos e bloqueia caminhos de emergência.

17 Jun 2026

Turismo | Fronteiras movimentadas no fim-de-semana

A Administração Nacional de Imigração estima que no fim-de-semana prolongado pelo feriado do Festival dos Barcos-Dragão as fronteiras de Macau registem, diariamente, cerca de 720 mil travessias nos dois sentidos. Sem surpresas, o posto fronteiriço com mais movimento previsto é o das Portas do Cerco

Com o fim-de-semana prolongado pelo feriado do Festival dos Barcos-Dragão na sexta-feira, são esperadas novas enchentes nas fronteiras. A Administração Nacional de Imigração emitiu ontem um comunicado em que estima que as quatro fronteiras com Macau mais movimentadas registem cerca de 720 mil travessias diariamente. Mais de metade dos movimentos fronteiriços diários, cerca de 370 mil, devem ocorrer na fronteira entre Gongbei e as Portas do Cerco.

As restantes travessias serão repartidas entre o posto fronteiriço da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, com 122 mil travessias diárias, Qingmao com 115 mil movimentos fronteiriços e a fronteira de Hengqin com uma estimativa de 105 mil travessias por dia.

A Administração Nacional de Imigração explica a previsível azáfama nas fronteiras nas regiões administrativas especiais com as “várias corridas de barcos-dragão e eventos de grande escala que se vão realizar em Guangdong, Hong Kong e Macau”. “A combinação do turismo transfronteiriço com as visitas familiares aumentará significativamente o fluxo de pessoas nos postos fronteiriços terrestres adjacentes a Hong Kong e Macau”, é acrescentado.

O quadro maior

A nível nacional, as autoridades estimam que o número médio diário de pessoas que atravessam fronteiras para entrar e sair da China atinja este fim-de-semana cerca de 2,2 milhões, o que representa um aumento de 11,7 por cento em relação ao feriado do Festival dos Barcos-Dragão do ano passado, com o volume diário mais elevado a ultrapassar os 2,35 milhões.

Do total de travessias fronteiriças em toda a China, é estimado que as fronteiras com Macau sejam responsáveis por quase um terço dos movimentos, ou seja, 32,7 por cento.

É também indicado que os principais aeroportos chineses deverão registar um ligeiro aumento no tráfego de passageiros de entrada e saída, com os aeroportos de Xangai Pudong, Pequim Capital, Guangzhou Baiyun, Shenzhen Bao’an, Pequim Daxing e Chengdu Tianfu, com previsões de um tráfego médio diário de passageiros de entrada e saída de 104 mil, 52 mil, 52 mil, 21 mil, 19 mil e 17 mil, respectivamente. Todos, ficam a menos de 100 mil movimentos do que é estimado para a fronteira das Portas do Cerco.

Face ao esperado fluxo de pessoas, as autoridades chinesas garantiram que vão reforçar a monitorização de entradas e saídas e abrir corredores de inspecção para aumentar a eficiência.

17 Jun 2026

Habitação social | Isenção de renda de lojas alargada para três anos

O Governo quer alargar o período de isenção de rendas, de seis meses para três anos, para lojas em prédios de habitação social, mercado que “tem enfrentado vários desafios”. A proposta de lei prevê a atribuição de arrendamentos através de concurso público, em vez de licitações verbais

O Conselho Executivo concluiu a discussão sobre a proposta de lei relativa ao arrendamento e cedência dos espaços comerciais em edifícios de habitação social.

Uma das principais alterações trazidas pela actualização da lei é o alargamento do período de isenção do pagamento de rendas de espaços comerciais localizados em edifícios de habitação social, que segundo a proposta apresentada pelo Conselho Executivo irá passar de seis meses para três anos.

A mudança foi explicada pelo facto de, nos últimos anos, ter havido um “ajustamento estrutural do ambiente de negócios de Macau” e “alteração dos padrões de consumo dos residentes”. Esse panorama faz com que “o mercado de arrendamento dos espaços comerciais em habitação pública administrados pelo Instituto de Habitação (IH)” enfrente vários desafios.

A proposta de lei apresentada ontem tem como objectivo actualizar um diploma promulgado há mais de 34 anos, que traça um quadro legal discrepante face à realidade social. Além disso, o diploma que vai seguir para a Assembleia Legislativa pretende optimizar a afectação dos espaços comerciais, aperfeiçoar as funções sociais e serviços comunitários, ao mesmo tempo que apoia micro, pequenas e médias empresas.

Quem dá mais

Apesar das isenções de rendas, os arrendatários têm de prestar, “a título de caução definitiva, uma quantia correspondente a dois meses de renda”.

Outra alteração, prende-se com a atribuição dos espaços comerciais através de concurso público, em vez do actual método de licitação verbal. O diploma prevê a apresentação de propostas em cartas fechadas, mas mantem o critério de “adjudicação ao concorrente que proponha o valor mais elevado”.

Para já, o diploma estipula duas situações de dispensa de concurso público quando as lojas sejam atribuídas a “organismos ou entidades designadas pela Administração”, e em “casos de particular urgência, devidamente fundamentados”.

É também proposto que os contratos de arrendamento sejam renovados automaticamente pelo prazo de ano, com o valor da renda a poder ser actualizado “com base na variação registada nos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor, publicado pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos”.

O Governo quer também aperfeiçoar o mecanismo de actualização de rendas. Apesar de manter a actual forma de cálculo, é atribuído ao “secretário para os Transportes e Obras Públicas o poder discricionário de ponderar, em função da conjuntura económica, a necessidade de proceder à actualização das rendas”. Em casos excepcionais, sob proposta do IH, o secretário pode “determinar a isenção parcial ou total do pagamento das rendas por um período a fixar”.

17 Jun 2026

Anunciada reconversão do sistema educativo a pensar na IA

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, anunciou ontem que haverá uma reconversão de todo o sistema educativo, desde o ensino técnico-profissional ao ensino superior, a pensar na Inteligência Artificial (IA) e na necessidade de novos conteúdos e formatos. “Vamos implementar a educação em IA em todas as fases de educação e melhorar os cursos técnico-profissionais nas escolas, e no ano lectivo de 2025-2026 12 escolas já administraram cursos nesta matéria”, começou por dizer o governante.

“No ensino superior vamos aditar cursos de IA, na área do Direito ou gestão digital, e fazer com que as instituições do ensino superior possam organizar micro cursos para esse efeito”, acrescentou.

Sam Hou Fai, que foi ontem à Assembleia Legislativa (AL) fazer um balanço dos seis meses de Governo, respondeu, assim, às muitas perguntas colocadas pelos deputados sobre a necessidade de apoios ao emprego dos jovens e dos residentes.

Ngan Iek Hang disse que “os recém-graduados esperam maior diversificação dos postos de trabalho em cargos de base e médios nas indústrias emergentes”, enquanto Lam Lon Wai destacou que “o que mais preocupa os residentes continua a ser o emprego”.

“Muitos jovens são licenciados, mas não têm experiência, enquanto alguns trabalhadores de meia idade temem que as suas competências fiquem desactualizadas”, indicou o deputado dos Operários. Lam Lon Wai lembrou que “muitos cursos não correspondem às necessidades de mercado”.

Chan Hao Weng disse mesmo que “os resultados da transformação de indústrias continuam a não beneficiar os residentes”.

Estudo a caminho

Ainda em matéria de emprego e trabalhadores não-residentes (TNR), Sam Hou Fai revelou que será divulgado, “ainda este ano”, o relatório do estudo encomendado pelo Governo sobre a necessidade de quadros qualificados no futuro, nomeadamente sobre “as indústrias mais populares, como a educação e área jurídica”.

Face a dados no apoio ao emprego, o Chefe do Executivo referiu que entre os meses de Janeiro a Abril deste ano, houve 40 sessões de apoio a 3.370 residentes.

Sobre os TNR, ficou a promessa de “ajustar o número de quotas em conformidade com o desenvolvimento da RAEM”. Até Abril deste ano Macau tinha 182.815 TNR, dos quais cerca de 147 mil não tinham qualquer profissionalização. Apenas 6.887 TNR têm formação ou são qualificados, trabalhando no território 28.683 não-residentes que fazem trabalho doméstico, “o que representa um grande número”, disse o Chefe do Executivo.

Sam Hou Fai concluiu, assim, que “70 por cento dos TNR não profissionais fazem trabalhos que requerem força física, na área da segurança e das limpezas”.

UTM | Extintos cinco cursos

A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, aprovou a extinção de cinco cursos de diploma da Universidade de Turismo de Macau.

Segundo a informação do Boletim Oficial, vão ser extintos os cursos de diploma de Gestão de Empresas Turísticas, curso de diploma de Gestão do Património Cultural, curso de diploma de Gestão Hoteleira, curso de diploma de Gestão e Programação de Eventos e curso de diploma de Gestão de Venda Turística e de Promoção de Marketing.

Todos estes cursos tinham uma duração de dois anos e foram aprovados a partir de 2010. Como parte da extinção, a Universidade de Turismo de Macau garante que os actuais alunos não são afectados e que serão conservados os registos académicos dos alunos que frequentaram as formações que vão ser descontinuadas.

17 Jun 2026

Cooperação | Sam Hou Fai diz que “mercado espanhol tem dimensão enorme”

O Chefe do Executivo, destacou no debate de ontem, na Assembleia Legislativa, que “o mercado espanhol tem uma dimensão enorme em termos económicos e de estrutura demográfica”. O governante anunciou que o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola “está a estudar a criação de instituições no México e em outros países estrangeiros”, para fomento da cooperação económica

O Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, foi ontem à Assembleia Legislativa (AL) com um discurso muito optimista sobre o panorama da economia local e os resultados da Zona de Cooperação de Guangdong e Macau em Hengqin.

Referindo-se à última visita realizada a Portugal e Espanha, em Abril deste ano, Sam Hou Fai voltou a destacar os países de língua espanhola como importantes parceiros, referindo, em resposta aos deputados, que “o mercado espanhol tem uma dimensão enorme em termos económicos e de estrutura demográfica”, existindo necessidade de “aperfeiçoar esta rede” e “consolidar os resultados obtidos na visita”.

Relativamente ao Instituto de Promoção do Comércio e Investimento (IPIM), Sam Hou Fai anunciou que “vai reforçar o papel orientador nos investimentos”. Já o Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS) está a “estudar a criação de instituições no México e outros países estrangeiros”, sendo que, este mês e no próximo “haverá visitas ao Brasil, Argentina e Moçambique” realizadas pelo IPIM.

Relativamente ao CECPS, Sam Hou Fai referiu que “o número de projectos de investimento e financiamento aumentou para 58, e o montante total do Fundo [Fundo de Desenvolvimento Económico e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola] atingiu os 30.000 milhões de renminbis “.

Os contratos assinados chegaram ao valor acumulado de 8.138.000 milhões de renminbis até Junho deste ano, “tendo atraído 173 empresas para se estabelecer na Zona [de Cooperação]”, referiu.

Ainda no que diz respeito à Zona de Cooperação em Hengqin, o Chefe do Executivo falou do “alcance de resultados importantes e faseados”, com “os principais indicadores económicos a manterem uma tendência positiva”.

Assim, no primeiro trimestre deste ano “o Produto Interno Bruto da Zona de Cooperação atingiu 14.273.000 milhões de renminbis, apresentando um aumento homólogo de 5,5 por cento”.

Alerta PME

Vários deputados colocaram questões sobre a sobrevivência das Pequenas e Médias Empresas (PME) locais, mas Sam Hou Fai apenas referiu que o Governo “está muito atento à situação das PME”, tendo vindo “a lançar muitos programas de apoio para dinamizar o comércio comunitário e canalizar o fluxo de pessoas, a fim de dinamizar a economia a nível local”.

No seu discurso, Sam Hou Fai frisou o lançamento “dos serviços de apoio à digitalização de PME de 2026 e do plano de valorização inteligente do sector de restauração de Macau”, sempre com o objectivo de “aliviar os custos de financiamento das empresas e apoiar a modernização e transformação”.

Subsídios para espanhol

O Chefe do Governo afirmou ontem que está a ser ponderado o financiamento de exames de certificação de língua espanhola, de modo a responder às necessidades de “desenvolvimento social”. Sam Hou Fai indicou que na segunda metade deste ano o Governo irá adicionar uma nova lista de subsídios “alinhados com as necessidades de desenvolvimento nacional e social de Macau”, com a inclusão da “certificação em espanhol” nessa lista entre as opções “em análise”.

“Estamos a aumentar os montantes dos prémios para determinadas certificações profissionais, em função dos custos associados à realização desses exames”, disse. Actualmente, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau é a única universidade com uma licenciatura em espanhol do território, e a única onde é possível realizar o exame para obter uma certificação oficial de proficiência em espanhol do Instituto Cervantes.

17 Jun 2026

EPM | Ministro promete “transição suave” na nova direcção

O ministro português da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, prometeu ontem fazer “tudo o que for possível” para que o novo director da Escola Portuguesa de Macau (EPM) esteja em funções no início do próximo ano lectivo.

Após uma reunião com o Conselho de Administração da Fundação EPM, Fernando Alexandre confirmou que o actual diretor, Acácio de Brito, aceitou o convite para assumir a liderança da Escola Portuguesa de Luanda já em 2026/27.

“Ele está disponível para ir para Luanda e aceder ao convite que eu lhe fiz”, disse o ministro. “A decisão está tomada”, acrescentou. Acácio de Brito “tem um conjunto de características e basicamente o que eu próprio estou a fazer, é essa avaliação”, explicou Fernando Alexandre.

Quando se tornou diretor da EPM, em Março de 2023, Acácio de Brito liderava a Escola Portuguesa de Díli-CELP-Ruy Cinatti em Timor-Leste, posto que ocupava desde Setembro de 2015. Em 2024, comunicou a pelo menos seis professores o fim do vínculo laboral, medida que gerou polémica, com uma petição pública contra críticas por parte do conselho regional das Comunidades Portuguesas.

Os docentes são detentores de bilhete de residente e encontram-se em Macau ao abrigo de uma licença especial de Portugal, com a tutela da Educação da região chinesa a instar na altura a EPM a respeitar as leis laborais locais.

A medida levou também a uma intervenção do Ministério da Educação português, que reverteu o afastamento. A mudança de Acácio de Brito para Angola “não tem a ver com promoção nem despromoção, ou seja, as escolas portuguesas no estrangeiro são todas importantes”, garantiu Fernando Alexandre.

Tutelada pelo Ministério da Educação de Portugal, a Escola Portuguesa de Luanda está a ser gerida por uma comissão administrativa provisória liderada por Alexandre Lima.

Em Novembro de 2025, os docentes dessa instituição ameaçaram realizar uma greve, alegando que o Ministério da Educação português não estava a cumprir diplomas legais que garantem subsídios de deslocação e instalação.

Seria a segunda paralisação do ano, depois de, em Março do mesmo ano, terem realizado uma greve de dois dias para exigir equidade salarial e melhores condições laborais. Quanto à nova direção da EPM, “obviamente faremos tudo o que for possível para que a transição seja o mais suave para o projecto educativo e que, estou certo, não será perturbado”, disse Fernando Alexandre.

No entanto, o ministro sublinhou que, depois da Fundação EPM propor um nome para novo diretor, “há um conjunto de autorizações, que são administrativas (…) e que dependem do executivo da RAEM [Região Administrativa Especial de Macau]”.

“Nós faremos tudo para manter a estabilidade deste excelente projecto educativo, que é um projecto importantíssimo para a língua portuguesa, para a cultura portuguesa, para esta ligação de Portugal ao território de Macau”, disse Fernando Alexandre.

Em expansão

A escola vai ser alvo de obras de ampliação, com vista a aumentar a capacidade para albergar entre 1.000 a 1.200 alunos, incluindo obras de melhoramento, aumento das salas, substituição dos elevadores, e renovação da fachada. A EPM foi constituída em 1998 como herdeira de três instituições de ensino em língua portuguesa: a Escola Primária Oficial, a Escola Comercial e o Liceu de Macau.

No mesmo ano foi criada a Fundação Escola Portuguesa de Macau, que gere a escola, resultado da colaboração entre o Estado Português, a Fundação Oriente e a Associação Promotora da Instrução dos Macaenses.

16 Jun 2026

Taipa | Recuperação de terrenos leva a infestação de ratos

Um conjunto de terrenos recuperados junto ao empreendimento Nova Grand, em frente ao Parque Central da Taipa, levou a uma infestação de ratos, segundo relatos de residentes nas redes sociais. O Instituto para os Assuntos Municipais promete resolver o assunto

Vários residentes da Taipa queixam-se que a recuperação de terrenos junto ao empreendimento Nova Grand, em frente ao Parque Central da Taipa, levou a uma infestação de roedores. Segundo noticiou o jornal Ou Mun, as queixas dos moradores surgiram nas redes sociais, com publicações de vídeos onde se vê um grupo de ratos num dos terrenos.

“Actualmente, há muitos ratos na Taipa, nos terrenos recuperados junto ao Nova Grand. Quando é que o Governo pode prestar atenção a este assunto? Há muitas escolas nas proximidades, como a Escola Pui Tou, Escola Secundaria Pui Va, Escola das Nações e Escola dos Moradores de Macau. O Governo deve limpar a relva ou colocar um piso de cimento para que os residentes façam ali exercício. A relva está, actualmente, cheia de pragas e tenho medo que haja uma infestação na Taipa”, lê-se numa das publicações.

O jornal Ou Mun entrevistou alguns residentes que afirmam que os ratos andam frequentemente pelos terrenos já desocupados, queixando-se de que muitos invadiram as suas casas, entrando pelas frestas das portas ou pelos canos.

Um responsável de uma escola situada nas imediações, que não quis ser identificado, revelou que a instituição de ensino está a prestar muita atenção ao caso e se for necessário vai adoptar medidas em coordenação com as autoridades. O responsável afirmou também que outro problema grave é o panorama de infestação de mosquitos, e pediu o reforço dos trabalhos do Governo para a sua eliminação.

Promessas do IAM

Na mesma notícia, lê-se que o vice-presidente da Associação Promotora para o Desenvolvimento da Comunidade da Taipa, Lam Ka Chun, disse ter contactado o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) para o organismo acompanhar o caso. O dirigente associativo afirmou ter informado o IAM assim que soube da situação dos ratos, para que haja o menor impacto possível.

Entretanto, o IAM já terá enviado funcionários ao local para o tratamento e colocação de ratoeiras. Lam Ka Chun, também membro do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do IAM, defendeu uma maior inspecção e gestão dos terrenos recuperados e vazios, nomeadamente através da organização corrente da recolha do lixo e corte de relva, a fim de prevenir a infestação de mosquitos e roedores.

16 Jun 2026

EPM | Financiamento de Portugal aprovado, mas ainda não chegou

A poucos dias do fim do ano lectivo, a EPM ainda não terá recebido o dinheiro atribuído pelo Governo de Portugal. O montante ronda 1,12 milhões de euros, inferior aos 1,5 milhões de euros pretendidos

A semanas do fim do ano lectivo, o financiamento do Governo português à Escola Portuguesa de Macau (EPM) ainda está por ser recebido. A revelação foi feita pelo Canal Macau da TDM, após a autorização para libertar as verbas ter sido aprovada a 8 de Junho.

Segundo a televisão pública, o financiamento para o ano lectivo de 2025/2026 foi aprovado a 8 de Junho, nas vésperas do ministro da Educação, Fernando Alexandre, viajar para Macau, onde participou nas celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

No entanto, o dinheiro ainda não terá entrada nas contas da instituição de ensino, que este ano serviu como lugar da tradicional recepção do cônsul à comunidade portuguesa. Pelo menos desde o mandato de Vítor Sereno como cônsul-geral de Portugal em Macau que a recepção era realizada na residência oficial consular.

Além disso, aponta a mesma fonte que o valor que vai ser recebido é inferior em 300 mil euros (2,8 milhões patacas) ao pedido pela Fundação da Escola Portuguesa às autoridades portuguesas, em Novembro do ano passado. O valor do financiamento será assim de cerca de 1,12 milhões de euros (10,4 milhões de patacas).

Sobe e desce

No ano passado, depois de ter sido anunciado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante uma visita a Macau, o apoio do Estado português à EPM aumentou para 1,12 milhões de euros. De acordo com a TDM, em 2012 os 1,12 milhões de euros encolheram para 810 mil euros (7,6 milhões de patacas) e no ano seguinte sofreram novo corte para 766 mil euros (7,2 milhões de patacas).

As notícias sobre o financiamento da EPM surgem depois de na semana passada o ministro da Educação ter anunciado, durante a visita em Macau, que o director da EPM está a caminho da Escola Portuguesa de Luanda. A revelação apanhou de surpresa o Conselho de Administração da Escola Portuguesa de Macau, que semanas antes tinha votado a continuidade de Acácio Brito, numa decisão que não foi consensual.

O nome do sucessor ainda não é conhecido, mas existe a possibilidade de o escolhido ser João Miguel Gonçalves. Na viagem a Macau, Fernando Alexandre recusou comentar esta possibilidade.

16 Jun 2026

Economia | Restrições à mão-de-obra atrasam diversificação

Reduzir a dependência dos casinos é uma prioridade para a nova secretária para a Economia e Finanças, Ng Wai Han, mas que poderá ser atrasada pelas restrições à entrada de trabalhadores do exterior, disseram analistas em declarações à Lusa, depois da nomeação para a pasta da Economia

“As expectativas (…) são elevadas e centram-se na capacidade de equilibrar (…) as prioridades locais de diversificação económica e as dificuldades do pequeno comércio”, afirmou Carlos Cid Álvares.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa (CCILC) em Macau lembrou que reduzir a dependência do jogo faz parte dos “objectivos nacionais” da China. Recorde-se que os casinos representaram quase metade (47,3 por cento) do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. Juntando o turismo ao jogo, o sector representou 74,1 por cento da economia local.

Sobre a meta da diversificação económica, Félix Pontes, antigo director da Autoridade Monetária de Macau afirmou que “não se afigura fácil e demora tempo (cinco a 10 anos), sendo que o jogo continuará a ser a principal fonte de receitas para o Governo”.

Os impostos sobre os casinos representaram 85,6 por cento de toda a receita pública corrente do território nos primeiros cinco meses do ano.

Cid Álvares espera que Ng Wai Han use fundos estatais e incentivos fiscais para “fomentar as pequenas e médias empresas [PME]” e promover indústrias como a dos serviços financeiros e a medicina tradicional chinesa.

Apostar em novos sectores é essencial para uma economia “pequena e aberta”, que Félix Pontes vê como “muito vulnerável às tensões geopolíticas e aos efeitos negativos derivados do abrandamento da economia da China”. O economista lamentou, no entanto, que “restrições irracionais para importar mão-de-obra qualificada” tenham vindo a “atrasar inevitavelmente” a diversificação da economia.

Sinais de fumo

Carlos Cid Álvares, também presidente do Banco Nacional Ultramarino, que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos, alertou que “muitos pequenos negócios de rua” correm o risco de fechar. Isto devido ao comércio através da Internet e à maior facilidade de deslocação à cidade vizinha de Zhuhai, onde os preços são mais baixos, lamentou Cid Álvares.

O Executivo apelou à digitalização das PME, à criação de plataformas agregadoras locais, assim como introduziu “isenções fiscais selectivas” e menos burocracia, para facilitar a venda online de “produtos únicos” de Macau no Interior da China.

Tendo em conta que Ng Wai Han esteve à frente da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), desde Maio de 2025, o analista e fundador da consultora de jogo IGamix, Ben Lee, afirmou ontem à Lusa que esse período foi “marcado pela falta de qualquer desenvolvimento significativo”. “Dirigentes do sector crêem que a DICJ se tornou menos transparente e menos disponível para dar informação”, acrescentou Ben Lee.

Ng Wai Han deixou a entidade reguladora numa altura em que o investimento em elementos não ligados ao jogo é “o assunto mais urgente, que tem sido objecto de muitas perguntas por parte dos investidores”, sublinhou o analista.

Com mais de um terço do período das concessões de jogo já ultrapassado, “a falta de qualquer progresso significativo” na fixação de metas para “investimentos concretos” está a “incomodar muitos investidores e a criar incerteza”, alertou Ben Lee.

16 Jun 2026

Economia e Finanças | Ng Wai Han sai da DICJ e assume pasta

Ng Wai Han é a nova secretária da Economia e Finanças, depois de ter liderado a DICJ por um ano. Na tomada de posse, Ng Wai Han agradeceu a honra da nomeação e afirmou que os “frutos do desenvolvimento” se devem traduzir em benefícios para os residentes

Quase dois meses depois, Macau volta a ter líder na tutela da Economia e Finanças. Num ápice, um despacho do Chefe do Executivo e três comunicados do Governo confirmaram a tomada de posse de Ng Wai Han como a nova secretária da Economia e Finanças, depois de ter liderado a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) por pouco mais de um ano.

No discurso de tomada de posse, Ng Wai Han indicou estar ciente da importância do novo cargo. “Estou profundamente consciente de que cada decisão tomada na área da economia e finanças está estreitamente ligada com o futuro desenvolvimento de Macau e afecta directamente a vida diária de todas as famílias”, indicou acrescentado que “nada relacionado com o bem-estar da população é insignificante”. A relação entre a vida do povo e a saúde económica de Macau foi um dos pontos mais focados no discurso.

“Os frutos do desenvolvimento económico devem, em última instância, traduzir-se em benefícios concretos para os residentes em geral. O caminho à nossa frente está repleto de desafios, mas também encerra grandes oportunidades”, perspectivou a nova secretária.

O ambiente internacional não ficou de fora do discurso de Ng Wai Han, que sublinhou a “complexidade e a volatilidade do actual ambiente económico externo”. “Eu e a minha equipa iremos, sob a liderança do Chefe do Executivo, prosseguir o lema ‘Trabalhar com espírito empreendedor e avançar juntos, persistir no caminho certo e apostar na inovação’, e, norteados pela resolução de problemas, iremos envidar todos os esforços para concretizar as diversas tarefas e alcançar os objectivos da acção governativa”, garantiu.

Ng Wai Han prometeu ainda ouvir “activamente as vozes de todos os sectores da sociedade, e implementar bem todos os trabalhos com transparência, eficiência e sentido de responsabilidade”.

Honra e respeito

A responsável sublinhou a “imensa honra e profundo respeito” de assumir o cargo, uma nomeação que “representa um voto de confiança, mas, acima de tudo, uma responsabilidade”, agradecendo ao Chefe do Executivo pela indigitação e ao Governo Popular Central pela nomeação.

A nomeação do Conselho de Estado do Governo Central foi decidida no passado dia 10 de Junho, sob indigitação de Sam Hou Fai, que presidiu ontem na Sede do Governo à tomada de posse de Ng Wai Han. A cerimónia foi testemunhada pelo presidente da Assembleia Legislativa, André Cheong, a presidente do Tribunal da Última Instância, Song Man Lei, os titulares dos principais cargos do Governo, os membros do Conselho Executivo, e os dirigentes de serviços governamentais da tutela da Economia e Finanças.

O caminho certo

Ng Wai Han nasceu em Macau em 1976. Entre as habilitações académicas, destaca-se a licenciatura em Direito e mestrado em Direito Criminal pela Universidade de Sun Yat-Sem.

A entrada na Função Pública ocorreu em 1999 para o lugar de como técnica superior na Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). A carreira na DSAL prolongou-se por duas décadas, passando por várias funções de chefia, até chegar a subdirectora.

Desde Junho de 2020, exerceu o cargo de subdirectora e directora dos Serviços de Administração e Função Pública e em Maio de 2025 assumiu o cargo de directora da DICJ. Pelo meio, em 2024 foi nomeada membro da Comissão de Assuntos Eleitorais do sexto Chefe do Executivo e da Comissão de Assuntos Eleitorais da Oitava Assembleia Legislativa.

Para já, não há indicação de quem irá assumir a liderança da DICJ. Os lugares de subdirectores da direcção que regula a indústria do jogo estão entregues a Lei Seak Chio e Lio Chi Chong, este último já desempenhou o cargo a título de substituição na altura da saída de Adriano Ho para a liderança dos Serviços de Alfândega.

16 Jun 2026

Espanhol | Língua ganha peso no ensino em Macau seguindo o rumo político

Em Macau, o espanhol ocupa um lugar secundário no sistema de ensino, sendo a MUST a única universidade com um curso na área. Com o crescente peso do idioma nos discursos políticos, qual deve ser a estratégia face ao português? Carlos André diz que a prevalência do português não invalida a aposta noutras línguas

É recente a presença, no discurso político oficial e agenda governativa, da conexão entre Macau e os países de língua espanhola. Em Abril deste ano o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, deslocou-se a Portugal para a primeira visita oficial do seu mandato, mas também passou por Madrid.

Neste contexto, o HM quis perceber se existe uma estratégia ou política pensada, por parte das autoridades, caso a procura pelo ensino do espanhol seja cada vez mais uma realidade, e de que forma se pode conjugar com a forte presença do português como língua oficial.

Da parte da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), a resposta revela que não há, para já, uma estratégia definida, existindo, sim, um acompanhamento da oferta formativa. “A DSEDJ tem vindo a impulsionar, nas instituições de ensino superior, a formação de quadros qualificados profissionais que respondam às necessidades do País e que potenciem as vantagens próprias de Macau”, começa por dizer a resposta escrita enviada ao HM.

Além disso, a direcção de serviços quer “promover o desenvolvimento da internacionalização do ensino superior de Macau”, recordando que, “além da expansão da cooperação com os países de língua portuguesa, as instituições de ensino superior locais têm desenvolvido um intercâmbio e cooperação com países de língua espanhola, em consonância com o seu próprio desenvolvimento”.

Desta forma, a DSEDJ destaca como a Universidade de Macau (UM), Universidade Politécnica de Macau (UPM), Universidade de Turismo de Macau, Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST na sigla em inglês), a Universidade da Cidade de Macau e a Universidade de São José (USJ) “estabeleceram mecanismos de intercâmbio e cooperação com instituições de ensino superior de países de língua espanhola, tais como Espanha, México, Argentina, Colômbia e Peru”.

Os acordos abrangem “diversas áreas, nomeadamente a formação de quadros qualificados, o intercâmbio de estudantes, programas de intercâmbio de Verão para estudantes, intercâmbio académico e projectos de investigação científica conjunta”.

O facto de o espanhol ser disciplina opcional em muitas destas instituições do ensino superior acaba por “apoiar o Governo da RAEM nas vertentes de cooperação com os países de língua espanhola”. É ainda referido o caso concreto da MUST, onde funciona o único centro de exames DELE [Diploma de Español como Lengua Extranjera, ou Diploma de Espanhol como Língua Estrangeira], em Macau. Tal proporciona, segundo o Governo, “uma plataforma conveniente para os estudantes que aprendem espanhol”.

Ainda segundo a DSEDJ, as restantes opções de ensino do espanhol estão abrangidas por aquilo que é oferecido pelo Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo. Oferece-se, aqui, “cursos de educação contínua de língua espanhola, proporcionando vias de aprendizagem para os residentes que pretendam elevar as suas competências pessoais”.

O HM questionou a DSEDJ quanto à possibilidade de serem criados mais cursos de espanhol e como isso poderia “ser integrado nas actuais políticas relativas à língua portuguesa”, mas não foi dada uma resposta concreta neste sentido.

Espanhol desde 2012

O espanhol é ensinado em Macau em contexto de aprendizagem contínua e também como disciplina opcional no ensino superior. Um dos exemplos é o da USJ, que abre no dia 29 de Junho (com finalização a 11 de Julho deste ano), o nível 1 do “Curso Intensivo de Língua Espanhola”, para a obtenção do nível elementar A1, em que a língua utilizada é o mandarim “complementado com o espanhol”. Segundo a informação disponibilizada no website sobre os cursos de aprendizagem contínua, não é possível utilizar o subsídio do Programa de Aperfeiçoamento e Desenvolvimento Contínuo da DSEDJ.

O HM consultou o website oficial do programa, relativo à oferta actual de cursos na área de línguas e tradução, não tendo encontrado nenhuma oferta formativa em espanhol: a aposta faz-se em línguas como o coreano, japonês, mandarim, português e inglês.

A MUST é a única universidade a ter licenciatura em espanhol do território, além de também ter cursos opcionais. A instituição de ensino superior “oferece os únicos cursos de licenciatura em espanhol em Hong Kong e Macau, incluindo uma licenciatura lançada em 2012 e um mestrado lançado em 2019, com mais de 200 alunos matriculados”, descreve ao HM.

Além disso, a MUST é a única instituição de Macau que disponibiliza o exame DELE, que nasceu de um acordo assinado em 2018 entre a universidade e o Instituto Cervantes de Pequim. A MUST diz que são realizadas duas sessões de exames DELE por ano, em Abril e Novembro, “com uma média de cerca de 50 a 60 candidatos por ano”.

A MUST acrescenta ter vários “acordos de intercâmbio e cooperação de longo prazo e estáveis com várias universidades em Espanha e na América Latina”, com a realização de cursos de verão e programas de intercâmbio. “Antes de o Governo da RAEM identificar, de forma explícita, a ‘expansão da cooperação com os países de língua espanhola’ como uma direcção de desenvolvimento estratégica, a MUST já tinha estabelecido e desenvolvido o programa de Espanhol e expandido a cooperação com Espanha e países da América Latina falantes de espanhol”, é acrescentado.

A MUST vai lançar um novo programa de doutoramento em “Estudos Latino-Americanos”, descrito como “o primeiro programa orientado para a investigação em Macau focado nos estudos da região latino-americana, abrangendo tanto os países de língua espanhola como os de língua portuguesa da América Latina”.

Desta forma, a universidade “irá apoiar os esforços do Governo da RAEM para actuar como um ‘conector de precisão’, prestando serviços de think tank e cultivando talentos de alto nível”, lê-se na resposta ao HM.

300 alunos em três anos

Do lado da UM, foram assinados, em Abril e no contexto da visita de Sam Hou Fai à Península Ibérica, acordos de cooperação com a Universidade de Barcelona, por exemplo, na área de intercâmbio de estudantes, reforço da “cooperação em disciplinas académicas fundamentais, tais como as ciências da informação e as ciências biomédicas”, descreve um comunicado emitido em Abril.

A UM visitou também a Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), a Universidade Rey Juan Carlos e a Universidade Politécnica de Madrid.

O HM questionou a UM sobre resultados práticos destas parcerias, e se há planos para mais acordos no futuro. “Espera-se que os acordos assinados produzam resultados concretos, incluindo o reforço dos intercâmbios de estudantes, uma colaboração académica mais profunda e uma rede alargada de parcerias de investigação com universidades espanholas”, foi referido.

A UM promete ainda “lançar novas iniciativas de intercâmbio de estudantes”, estando “em curso uma colaboração bem-sucedida de intercâmbio de estudantes com a Universidade de Barcelona”. Assim, prevê-se que “a mobilidade dos estudantes aumente nos próximos anos”.

No universo da UM o espanhol é ensinado no âmbito do Departamento de Português, já que ambas “são línguas intimamente relacionadas que partilham uma longa história”, possuindo “muitas semelhanças linguísticas”.

Nos últimos três anos “mais de 300 estudantes aprenderam espanhol na UM”, sendo que “as decisões relativas à abertura de novos níveis ou turmas, bem como à contratação de mais docentes, dependerão da procura por parte dos estudantes”, aponta a instituição de ensino. Essa é uma intenção expressa: “a UM tem o prazer de reforçar ainda mais a cooperação e expandir a sua oferta de cursos de espanhol em resposta ao crescente interesse”, é referido.

Tendo em conta a crescente presença do universo espanhol na agenda política, a UM afirma que “a expansão da cooperação com os países de língua espanhola é uma prioridade estratégica de desenvolvimento para o Governo da RAEM”. “Nos próximos cinco anos, a UM alinhar-se-á estreitamente com as iniciativas do Governo”, foi indicado, e que “os países de língua espanhola são identificados como uma região prioritária para a cooperação”.

A UPM foi também questionada sobre esta matéria, mas até ao fecho da edição não foi recebida resposta.

No caso da Escola Portuguesa de Macau (EPM), o espanhol foi uma língua disponibilizada como actividade extra-curricular no ano lectivo passado (2024-2025), confirmou ao HM Filipe Regêncio Figueiredo, presidente da Associação de Pais da EPM. Inscreveram-se apenas seis alunos. “A portaria que regula o programa não tem o espanhol, ou outra língua, além do inglês e francês como possibilidade, pelo que, para fazer parte do currículo, o diploma teria de ser alterado “, adiantou.

Uma não invalida outra

Carlos André, professor coordenador honorário da UPM, conhece bem os cantos à casa no que à presença do português em Macau e na China diz respeito. Ao HM, o antigo director do Centro Pedagógico e Científico de Língua Portuguesa salienta a que a ligação histórica e presença da língua portuguesa na RAEM não invalida a aposta noutros idiomas.

Foto: Gonçalo Lobo Pinheiro

“A presença de outras línguas não é e não pode ser uma ameaça. É, isso sim, um enriquecimento”, declara. “Se a realidade se alterar (e todos os dias se altera) temos de aprender a viver com ela como ela é. As autoridades, obviamente, devem ter consciência disso. Não está em causa a construção de muralhas contra línguas que o mercado nos traz. Seria um erro e, além disso, inútil”, acrescentou, falando das “realidades distintas” entre as duas línguas.

“O português é língua oficial e tem em Macau raízes com séculos, alicerçadas num diálogo intercultural que é consensualmente reconhecido e aceite. O espanhol poderá vir a ser em Macau uma língua de negócios, como outras o são igualmente ou podem vir a ser”, disse.

Carlos André recorda que “o espanhol é uma das línguas mais faladas do mundo, muito mais falada que o português, e negar essa realidade seria um disparate”. Porém, assume: “deixemos cada língua no lugar que lhe cabe e não confundamos realidades que não podem ser confundidas”.
Cabe ao mercado e à procura definir a abertura, ou não, de mais cursos e contratações de docentes. “Se o espanhol, no quotidiano do território, do ponto de vista do mercado ou dos mercados, vier a alcançar uma dimensão que justifique a sua presença no ensino superior, é natural que isso aconteça. A universidade não pode fechar os olhos à realidade que a envolve. O mesmo se dirá se isso se passar a outros níveis. Macau, território que tem no seu ADN o interculturalismo, não pode combater uma língua e uma cultura só por serem diferentes”, rematou.

16 Jun 2026

EPM | Ministro convidou Neto Valente a continuar na Fundação

O ministro da Educação, Ciência e Tecnologia de Portugal, Fernando Alexandre, incentivou Jorge Neto Valente a continuar à frente da Fundação da Escola Portuguesa de Macau (FEPM) depois do caso em que Acácio de Brito foi recolocado na Escola Portuguesa de Luanda, após ter renovado contrato com a EPM.

Quem o confirmou foi Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, em declarações à TDM Rádio Macau. “A reacção que o senhor ministro teve foi tentar convencer o doutor Neto Valente a permanecer no cargo, [dizendo] que contava com a disponibilidade e trabalho dele”, disse a também membro do Conselho de Curadores da FEPM.

Amélia António acrescentou que este convite, “depois de se fazer uma coisa destas [a saída de Acácio de Brito depois da decisão da FEPM], cai muito mal”. “Não sei se estará [Neto Valente] nessa disposição ou não [para aceitar a permanência no cargo]. Foi [um acto] muito deselegante e desagradável”, considerou Amélia António, referindo-se à posição de Fernando Alexandre sobre a saída de Acácio de Brito da direcção da EPM. Recorde-se que este anúncio foi feito aquando das celebrações do 10 de Junho – Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, que contou com a presença de uma comitiva do Governo português.

Preocupação com Setembro

Nas mesmas declarações, Amélia António revelou ainda estar preocupada com o arranque do novo ano lectivo na EPM, tendo em conta que, para ter um novo director, é necessário que este cumpra os requisitos exigidos pelo Governo da RAEM.

“A nomeação de um novo director obedece a regras que, no espaço de tempo que temos, é praticamente impossível de cumprir”, disse, referindo-se à obrigatoriedade de ter o curso de directores da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude.

A responsável falou das “burocracias” e dificuldades que se enfrentam para garantir um novo director para a escola. “Temo muito pelo início de um novo ano lectivo, estou seriamente preocupada”, acrescentou.

Recorde-se que um dos nomes apontados para substituir Acácio de Brito é o de João Miguel Gonçalves, director-geral dos Estabelecimentos Escolares de Portugal até ao próximo dia 1 de Julho.

15 Jun 2026

Combustíveis | Detectado erro em descontos nos postos da Shell

Ao longo de 10 dias, nos postos da Shell não foram deduzidos todos os descontos aos clientes no âmbito dos subsídios do Governo. O erro de facturação levou a uma diferença de cerca de 30 mil patacas. Após a vistoria que detectou o erro, a Shell iniciou a devolução aos clientes

A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) revelou ter encontrado um erro durante vistorias à aplicação dos planos de subsídios para os preços dos combustíveis. Num comunicado, emitido na sexta-feira, é indicado que “na parte de manhã dos dias 26 de Maio a 4 de Junho, nos postos de abastecimento de gasolina da companhia Shell”, “não foram deduzidos todos os descontos existentes para clientes ao preço de venda, antes de deduzir o subsídio do Governo”. A falha foi justificada por um erro no sistema de facturação.

A diferença envolvida nas vendas de gasolina, lesou os consumidores num total de 30 mil patacas. Por cada venda de combustível para motociclos o erro de facturação resultou numa diferença de cerca de 0,4 a 0,7 patacas, enquanto cada transacção relativa a veículos envolveu uma diferença de cerca de 2 a 5 patacas. A venda de gasóleo não foi afectada.

O Governo indicou que a Shell rectificou o sistema e, “em conformidade com as exigências da DSEDT, implementou medidas para a restituição da diferença de preço”. Além disso, “prometeu também oferecer compensação adicional aos clientes afectados”.

Os consumidores afectados podem dirigir-se aos postos de abastecimento da Shell para recuperar a diferença de preço. Para tal, é preciso apresentar “recibos de transacção, registos de pagamentos electrónicos”. A DSEDT acrescentou ainda que é possível recorrer às gravações de vídeo dos postos de abastecimento de gasolina.

Em cima da situação

Apesar do erro de facturação, que durou uma dezena de dias, a DSEDT indicou ter feito mais de 130 vistorias a postos de abastecimento de gasolina e estabelecimentos de venda de gás de petróleo liquefeito em Macau.

O Governo salienta que, através do Grupo de Trabalho Interdepartamental para a Fiscalização dos Combustíveis, tem acompanhado “de perto” o cumprimento das normas por parte dos fornecedores de combustível, enviando regularmente pessoal para inspeccionar os estabelecimentos de venda de combustível. Os inspectores focam a sua acção nos “registos de fornecimento, de venda e de armazenamento de combustíveis, bem como as respectivas facturas”.

Além disso, foi também enviado pessoal ao Terminal de Combustíveis do Porto de Ká-Hó para confirmar os registos de saída e comparar os dados de venda.

Recorde-se que este plano de subsídios para fazer face às flutuações nos preços globais do petróleo, devido à guerra no Irão, começou a 11 de Maio, primeiro para o gasóleo. A medida acabou por ser alargada à compra de gás de petróleo liquefeito e gasolina sem chumbo.

15 Jun 2026

Obras | Macau aperta controlo após incêndio em Hong Kong

Após a maior tragédia em Hong Kong dos últimos anos, com o incêndio em Tai Po que fez mais de 160 vítimas mortais, o Corpo de Bombeiros aumentou o número de fiscalizações em obras, mas não foram detectadas quaisquer infracções

As inspecções a armazéns e estaleiros de obras dispararam no primeiro trimestre, na sequência do incêndio de Novembro em Hong Kong, mas os bombeiros de Macau não encontraram qualquer violação da segurança.

Numa resposta escrita a questões colocadas pela Lusa, o Corpo de Bombeiros (CB) indicou que realizou 1.275 vistorias entre Janeiro e Março, mais 80,9 por cento do que no mesmo período de 2025. O CB explicou que as inspecções no terreno em espaços industriais abrangeram “bocas-de-incêndio, instalações intermédias de armazenamento e estaleiro de construção”.

Durante as vistorias, “não foram encontradas violações das leis de segurança contra incêndios e das leis relativas a produtos perigosos”, referiram os bombeiros. O CB confirmou que o aumento das inspecções a estaleiros de obras foi uma resposta ao incêndio que matou 168 pessoas em Tai Po, tornando-se o mais mortífero em Hong Kong desde 1948.

Os bombeiros sublinharam ainda que realizaram 2.839 vistorias de segurança contra incêndios em edifícios comunitários no primeiro trimestre, tendo aberto 40 processos, com outros 28 ainda em investigação. Estes 68 casos envolveram principalmente a colocação indevida de objectos, incluindo motociclos, em corredores de evacuação, e a maioria foi resolvida após advertências verbais, disse o CB.

Do outro lado

Uma comissão independente de investigação iniciou em Março, em Hong Kong as audiências sobre o incêndio, que começou a 26 de Novembro, e devastou o complexo de habitação social de Wang Fuk, que albergava mais de 4.600 pessoas.

O advogado principal da comissão disse que as chamas terão começado numa plataforma num poço de luz entre dois apartamentos, tendo sido encontradas pontas de cigarro no local e em andaimes.

As sete torres devastadas pelo incêndio estavam em obras e cobertas por andaimes de bambu, redes de protecção não resistentes ao fogo e painéis de espuma, que podem ter contribuído para a rápida propagação do incêndio.

A polícia e a agência anticorrupção de Hong Kong acusaram na quarta-feira sete pessoas e duas empresas de 25 crimes ligados ao incêndio, incluindo homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude e branqueamento de capitais.

Em 19 de Maio, o Governo de Hong Kong enviou para o parlamento uma proposta que impõe multas de três milhões de dólares de Hong Kong e uma pena máxima de seis meses de prisão para quem fumar em estaleiros.

15 Jun 2026

Conselho das Comunidades | Renovação das associações é prioridade

A partir de Agosto, o Conselho das Comunidades Portuguesas vai promover reuniões quinzenais presenciais e online para abordar vários assuntos e ouvir directamente as pessoas

O presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas na China, Rui Marcelo, identificou como principais desafios para a comunidade questões como os “atrasos” nos processos de nacionalidade e registos, a preservação da língua e a necessidade de renovar as associações. Os assuntos foram identificados no âmbito de um seminário com o nome “Raízes e Rumo: Fortalecer o Presente, Construir o Futuro”, realizado no sábado, na sede do Instituto Internacional de Macau.

Segundo um comunicado sobre o evento, Rui Marcelo fez um balanço do actual mandato, que começou em 2024, e apontou como desafios “prioritários” para a comunidade “os atrasos em processos de nacionalidade e registos”, “a necessidade de preservar a língua portuguesa entre jovens e luso-descendentes” e ainda a “urgente necessidade de renovação geracional no associativismo”.

Os problemas foram indicados após uma sessão de abertura que contou com um discurso por vídeo do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, e com a presença do cônsul de Portugal em Macau, Alexandre Leitão.

De acordo com a informação oficial, foi também anunciado que a partir de Agosto o Conselho das Comunidades Portuguesas vai começar a realizar reuniões quinzenais com os membros da comunidade. Estes encontros vão ser feitos em “formato presencial” e “por videoconferência” e abordar “questões consulares, sociais, educativas, fiscais e associativas”, decorrendo “numa lógica de escuta activa e apoio personalizado” à comunidade.

Balanço e Contas

Rui Marcelo apresentou também um balanço do actual mandato dos conselheiros e sublinhou os esforços de “consolidação institucional” e “reforço da representação junto das autoridades portuguesas e locais”, assim como o maior “apoio consular, social e educativo” principalmente ao nível do “acompanhamento de aposentados e pensionistas” e “em processos de nacionalidade e registos”.

O conselheiro destacou ainda as iniciativas de “promoção da língua e cultura portuguesas, através de seminários, celebrações do Dia de Portugal e participação em eventos culturais” e a “cooperação institucional com entidades como o AICEP, o IPOR, o Consulado-Geral e associações de matriz portuguesa”.

O evento contou com a colaboração do Instituto Internacional de Macau, da Associação dos Jovens Macaenses, do Conselho das Comunidades Macaenses, e com o apoio da Casa de Portugal em Macau, da Associação dos Macaenses e da Associação dos Estudos da Cultura Macaense.

15 Jun 2026

Polícia | Pedida supervisão mais eficaz após caso de prostituição

Song Pei Kei sugeriu a criação de mecanismos mais eficazes de controlo das polícias, para evitar que pessoas em posições de poder utilizem os cargos para cometer ilegalidades. Johnson Ian critica as autoridades pela dualidade de critérios na divulgação de informações

A deputada Song Pek Kei defendeu a introdução de “melhorias” no mecanismo de supervisão das polícias, após ter sido revelado que o 2º Comandante do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) foi um dos principais suspeitos envolvidos numa rede de prostituição desmantelada. O pedido consta de uma interpelação escrita da deputada ligada à comunidade de Fujian.

A deputada elogiou as autoridades por conseguirem indiciar os vários arguidos, em de uma investigação que alegadamente terá durado sete anos. Todavia, para Song Pek Kei, esta situação também mostra que é necessário melhorar a supervisão das polícias e fazer uma revisão do mecanismo de fiscalização existentes.

Na perspectiva da legisladora, o actual mecanismo disciplinar dentro das polícias também é insuficiente porque a única forma de lidar com os casos é a penalização ou reparação da situação criadas, depois de serem detectadas as potenciais ilegalidades. Song acredita que esta forma de actuar mostra uma “lacuna estrutural” e que as autoridades deviam ter outras formas de controlar as polícias.

Neste sentido, Song Pek Kei quer saber como vai o Governo criar um sistema nas polícias mais eficaz de “avaliação de riscos” das condutas dos agentes, um “sistema regular de rotação de funções” e um mecanismo de auditorias frequentes para “evitar o abuso de poder” pelos agentes em posições de chefias.

Críticas abrangentes

Song Pek Kei não foi a única a criticar os mecanismos de controlo das políticas. Também o ex-candidato à Assembleia Legislativa, Johnson Ian, censurou o Governo pelo que considerou a falta transparência na divulgação da identidade das chefias envolvidas no caso.

Numa coluna de opinião publicada no jornal Son Pou, o também ex-jornalista recordou que na primeira conferência de imprensa sobre o caso, a polícia apenas indicou que estavam envolvidos na rede de prostituição três agentes do CPSP e dois agentes reformados da Polícia Judiciária.

Segundo Ian, a transparência exigia que desde o primeiro momento houvesse mais informação sobre os nomes, posição na hierarquia dos envolvidos, assim como a idade.

Johnson Ian apontou ainda que a falta de informação nas comunicações das autoridades não impediu que algumas pessoas identificassem os envolvidos, como aconteceu em publicações nas redes sociais, associações locais e até entre jornalistas.

O cronista referiu também que alguns internautas conseguiram reconhecer o 2º comandante do CPSP, Leong Heng Hong, devido às roupas que utilizaram na altura em que foi transportado para o Ministério Público, antes de haver confirmação sobre os envolvidos.

Outros Casos

Johnson Ian argumentou ainda que noutros casos mediáticos, como os que envolveram Ao Man Long, Ho Chio Meng e Kong Chi, as identidades foram reveladas. Porém, desta vez os procedimentos foram diferentes, o que no seu entender apenas contribuiu para haver mais danos à credibilidade.

No início do mês, a PJ anunciou a detenção de 26 pessoas, incluindo três polícias e dois agentes reformados, por alegadamente estarem envolvidos numa rede de prostituição. Entre 2024 e o fim das operações, as saunas controladas pelo grupo terão gerado lucros de 790 milhões de patacas. Entre os detidos está Leong Heng Hong, 2º comandante do CPSP.

15 Jun 2026

Luís Bernardino, professor universitário: “A CPLP tem de se dar a conhecer à China”

É já esta quarta-feira que Luís Bernardino, professor universitário e analista de relações internacionais, protagoniza mais um evento do programa “Junho – Mês de Portugal na RAEM 2026”: uma conferência sobre os 30 anos da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em entrevista, Luís Bernardino defende uma maior presença da China neste organismo

Que balanço faz dos 30 anos de existência da CPLP?

Podemos dizer que a CPLP correspondeu, em muitos dos aspectos, aquilo que se esperava de uma organização ligada à língua, cultura e à história da lusofonia. Portanto, conseguiu manter os nove países da lusofonia integrados numa dinâmica relacionada com estas matérias basilares, e que estiveram na origem, em 1996, da CPLP. Mas houve outras áreas de cooperação dinamizadas ao longo destes 30 anos, e existem, actualmente, quase 30 áreas da cooperação criadas. Algumas, obviamente, com mais sucesso, outras menos. Mas a CPLP é ainda uma organização jovem a procurar encontrar o seu espaço geopolítico e geoestratégico. Está a procurar, dentro da própria organização, o seu espaço em termos de política externa para cada um dos Estados-membros. É preciso encontrar, dentro de cada um dos Estados-membros, aquilo que a CPLP representa, e essa é uma reflexão que é preciso fazer constantemente.

Em 30 anos, o que terá falhado mais na CPLP?

Há duas matérias em que não se pode dizer que a CPLP tenha falhado, mas podia ter alcançado outro tipo de estrutura. Uma delas é a maior aproximação em termos de cooperação bi-multilateral em contextos regionais onde os Estados-membros estejam integrados. Falo, por exemplo, de África, onde temos várias organizações que têm a língua portuguesa como língua de trabalho, como, por exemplo, a União Africana. Poderia haver espaço para que a CPLP se afirmasse nestes contextos regionais e saísse daquela que é a linha dos países, em linha de uma cooperação bilateral, para entrar numa cooperação multilateral alargada ao que seriam esses espaços [regionais]. Estou a lembrar-me também do MERCOSUL, da União Europeia, da ASEAN. Há depois uma segunda dimensão, interna, em que a CPLP precisa de ganhar mais espaço nas próprias sociedades. Vamos ao Brasil e a maior parte das pessoas não sabem o que é a CPLP, por exemplo. É preciso um reforço da identidade da CPLP dentro dos espaços nacionais. Estas duas dimensões estão associadas ao que se espera da CPLP num futuro próxima, que é melhorar a sua efectividade como organização, em serviço da sociedade e, em termos externos, aproximar-se cada vez mais de organizações [regionais] onde há espaço de ligação, muito por via da língua portuguesa.

O mundo da diplomacia e relações internacionais parece estar a mudar muito depressa. Como pode a CPLP posicionar-se no contexto dos actuais conflitos?

Concordo inteiramente. As relações internacionais são complexas, num mundo que está a viver um grande turbilhão, com as questões do multilateralismo, da segurança global, do acesso a recursos. Há uma dinâmica muito grande em matéria de geopolítica e geoestratégia global e isso obriga a que organizações como a CPLP tenham uma visão de futuro. A CPLP tem de ser uma organização com “soft power”, com um carácter linguista, de história, cultura, concertação diplomática. [A CPLP] não é um mecanismo de “hard power” que vai ter forças armadas, impor uma ordem económica ou obrigar Estados a adoptarem determinadas regras. Mas o poder da diplomacia, que assenta também na língua, dá à CPLP uma responsabilidade acrescida e espaço para fazer coisas e melhorar a relação com novos actores. Recordo que temos 30 Estados com o Estatuto de Observador Associado [na CPLP]. O que fazemos com esses países, o que queremos deles? O que é que isso representa em termos de geopolítica global, e por que é que não está a China ou os EUA? Esse é, de facto, o desafio de tornar a CPLP mais geopolítica e geostratégica neste mundo em grande revolução.

Defende, então, um maior posicionamento da China na CPLP. Isso não iria desvirtuar os objectivos iniciais com que foi criada?

Vou à China falar sobre isso, numa intervenção na Universidade de Beijing e depois na embaixada [portuguesa, em Pequim]. A China, sendo uma potência global, obviamente que tem de estar atenta às dinâmicas regionais de multilateralidade que estão em cima da mesa. E se a língua portuguesa tem um espaço dentro do contexto académico chinês, porque é que a CPLP não terá? Ou seja, haverá múltiplas oportunidades para que a CPLP seja dada a conhecer e para que seja um veículo do ensino da língua, cultura. Não vejo que haja uma desvirtualização, mas sim um conjunto de oportunidades. Penso que, neste momento, a China teria interesse em olhar para a CPLP de outra forma, e a CPLP também teria de reflectir sobre qual o posicionamento que quer ter em relação à China. Penso que negar o acesso à China, ou impedir que possa interagir com a CPLP, é algo que não passa pela cabeça de ninguém. É preciso alterar o paradigma e perceber como é que cada país e organização pode contribuir, e de que forma podemos cooperar estrategicamente. Essas são as grandes questões que levo a Macau e à China nos próximos dias.

A China tem exportado o ensino do mandarim, mas também tem promovido o ensino da língua portuguesa. Essa poderia ser, então, uma das vias para a cooperação com a CPLP.

Exactamente. Se estamos nessa dimensão, porque é que a CPLP não percebe essa conjuntura e não pode criar uma oportunidade para que haja eventos em que a China possa ser convidada, eventualmente através de Macau. Temos o Fórum Macau, [entidade] que está muito próxima do que é a CPLP. Não podemos afastar-nos da dinâmica que estamos a ver à nossa frente. E a CPLP não pode ser uma organização fechada aos nove membros que têm a língua portuguesa como estrutura para a sua constituição. A CPLP tem de se dar a conhecer à China, e o que vou fazer agora com esta conferência, a título pessoal [é exemplo disso]. Mas esta é uma gota no oceano de oportunidades do que se pode fazer, e a CPLP pode ser mais pró-activa, utilizando Macau.

E a China, precisa da CPLP?

A China, como potência global, tem de se ligar a outros países e regiões, e estar presente. Tem de se ligar ao multilateralismo. De que forma é que a China pode interagir com a CPLP? Organizando conferências, colocando a temática da CPLP nos currículos académicos em universidades da China, dando bolsas a alunos chineses para estagiarem na CPLP em Portugal. Há uma panóplia de situações nas quais a China pode estar interessada. Não sabemos se isso pode demorar mais ou menos tempo, se é fácil ou difícil, porque nunca tentámos. É isso que levo para esta minha reflexão [em Macau e Pequim], perceber como é que, nestes 30 anos, a CPLP pode valorizar a relação com Macau e a China. Tenho a certeza que estamos [CPLP] mais próximos em termos de história, língua e cultura de Macau do que estamos da Índia, ou Ucrânia, ou França, que são observadores associados.

E como é que Macau poderia ter outro papel no contexto da CPLP?

Na minha perspectiva, a ligação natural entre a China continental e a CPLP poderá ser por via de uma infra-estrutura que pode existir em Macau relacionada com a CPLP. Dei o exemplo do Fórum Macau – imaginemos que é criada uma estrutura onde haja um delegado da CPLP em Macau para responder a determinados requisitos ou cruzar determinada informação. Tem de ser encontrada uma visão estratégica para que haja um posicionamento claro do que é a vontade dos Estados e do que a organização pode fazer. Macau tem mais a ver com a CPLP do que a maior parte dos países da CPLP. Vamos a Macau e vemos numa cultura lusófona bem definida, e, se calhar, vamos ao norte do Brasil e não vemos nada. Vamos à Guiné Equatorial e não vemos mesmo nada. Macau está muito acima daquilo que é a cultura, a língua, a expressão da lusofonia, e não pode só ser membro pela circunstância política de não ser um Estado. Se o fosse, já seria membro da CPLP, mas é, de facto, um elo de ligação e um elemento muito próximo de ambas as partes, da China e da CPLP.

Na conferência desta quarta-feira fala também da actuação da CPLP em matéria de Defesa. Já disse que a entidade não pode ter “hard power”, mas o que pode ser feito, nessa área, que não foi feito nestes 30 anos?

Em 30 áreas de cooperação há melhores e piores [em termos de actuação]. Mas a cooperação em matéria de Defesa é daquelas que usamos sempre como um bom exemplo. Fez-se muita coisa que contribuiu para um intercâmbio, como a criação de estruturas e de reunião. A arquitectura da Defesa, nas suas várias componentes, é hoje muito sólida, através de reuniões que são feitas. O centro de análise estratégica da CPLP está em Maputo. O que se faz em matéria de Defesa tem um âmbito mais ligado à cooperação do que com a preparação de operações ou algo ligado a essa dimensão. Não existem forças armadas, mas o que se faz em termos de cooperação é apoiar a construção da componente de Defesa e forças armadas de cada um dos Estados membros.

Conferência no IIM

A conferência protagonizada por Luís Bernardino intitula-se “30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – Dinâmicas da Cooperação da Defesa” e tem lugar esta quarta-feira, dia 17, a partir das 17h30 no Instituto Internacional de Macau (IIM).

Luís Bernardino é professor universitário e coronel, na reserva, do Exército português, sendo especialista em assuntos de Segurança e Defesa. Tem escrito e investigado sobre a CPLP. A sessão no IIM será moderada por Jorge Rangel, presidente. O IIM é membro da Comissão Temática da Língua Portuguesa dos Observadores Consultivos da CPLP.

A CPLP nasceu em Lisboa a 17 de Julho de 1996, na presença dos Presidentes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. O objectivo era unir estes países em torno de uma organização internacional tendo a língua portuguesa como denominador comum. Timor-Leste integrou a CPLP em Julho de 2003 e a Guiné Equatorial em Julho de 2014.

15 Jun 2026