Número de alunos de português aumenta 18% na Califórnia

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] número de alunos matriculados em cursos de língua e cultura portuguesas aumentou 18% na Califórnia no novo ano letivo, de acordo com dados preliminares da Fundação Luso-Americana para a Educação.

No ano letivo 2018/2019, que acaba de começar, deverá ser ultrapassada, pela primeira vez, a fasquia dos dois mil alunos de português, de acordo com informações fornecidas à Lusa pelo professor Diniz Borges, um dos encarregados pelo protocolo assinado entre a Fundação Luso-Americana para a Educação (LAEF, na sigla inglesa) e o Instituto Camões para coordenar o ensino da língua portuguesa na Califórnia.

Os dados referem-se a cursos no ensino primário e secundário, abrangendo escolas privadas e públicas.

“Nos últimos quatro anos foram criadas cinco escolas comunitárias e abriram-se cursos em três escolas do ensino secundário”, avançou o responsável, que coordena o protocolo com o professor José Luís da Silva.

Só neste ano escolar, a Califórnia terá mais duas escolas secundárias a ensinar português, em Ceres, Vale de San Joaquin, com duas professoras e 270 alunos.

Abriu também uma nova escola comunitária na cidade de Tracy, junto das montanhas que separam o vale da zona da baía de São Francisco.

Duas outras zonas “estudam a possibilidade da criação de escolas portuguesas”, Manteca no norte e Chino no sul, na zona de Los Angeles.

De acordo com Diniz Borges, foram ainda criados cursos em faculdades comunitárias, como é o caso da College of the Sequoias em Visalia, no Vale de San Joaquin, e da Universidade Estadual da Califórnia em Fresno, que vai abrir o semestre de outono de 2018 com quatro cursos de língua e cultura portuguesas.

As últimas estatísticas oficiais da Modern Language Association, referentes a 2016, apontavam para cerca de dez mil alunos de português em todo o território dos Estados Unidos no ensino pós-secundário.

Outros “cursos inovadores” estão abertos na CSUS em Turlock, na Universidade Estadual da Califórnia em San Diego e nas universidades da Califórnia em Santa Barbara e Berkeley, além do distrito escolar de Hilmar.

Está ainda a ser registado um crescimento nos cursos ministrados pela comunidade de origem brasileira no norte da Califórnia.

O incremento do número de alunos deve-se, segundo o professor, ao “trabalho constante da comunidade” após a assinatura do protocolo, que se refletiu na aposta em contactos com as entidades de ensino, aproximação às escolas comunitárias, formação de professores e criação de um plano estratégico para o ensino da língua e cultura portuguesas.

A Califórnia é “o primeiro estado norte-americano com semelhante projeto”, garantiu Diniz Borges, sendo que o plano estratégico juntou entidades dos ensinos público e privado, entidades políticas e líderes da comunidade de origem brasileira e macaense.

Além do ano letivo, o programa de ensino inclui dois projetos durante o verão, um curso da LAEF com meia centena de jovens e o programa Startalk do distrito escolar de Hilmar, com cerca de 100 crianças.

A adesão da comunidade e das entidades públicas a este plano estratégico cria “todas as probabilidades” para que o ensino da língua e cultura portuguesas tenha “um contínuo crescimento” anual, considerou Diniz Borges,

4 Set 2018

Governo apoiado pela ONU declara estado de emergência em Trípoli, capital da Líbia

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Governo de Acordo Nacional da Líbia, apoiado pela ONU em Tripoli, declarou hoje o estado de emergência na capital, após uma semana de intensos combates entre milícias rivais, os piores desde o início da guerra civil, em 2014.

“Exige-se a adoção de todas as medidas militares e civis para garantir a segurança da população e proteger tanto a propriedade privada como as instalações e instituições públicas vitais”, explicou o Governo de Acordo Nacional (GNA) em comunicado.

Na nota, o executivo dirigido por Fayez al-Serrakh anuncia a formação de um gabinete de crise para gerir o estado de emergência e adverte as partes em conflito de que terão de enfrentar as consequências se tentarem aproveitar a ocasião para avançar nos seus objetivos.

Os combates, que já fizeram 50 mortos, mantêm encurralados sem acesso a eletricidade e água corrente milhares de civis, entre os quais várias centenas de migrantes amontoados em centros de detenção.

Nos últimos dias, a violência intensificou-se, com a entrada no conflito de milícias procedentes de outras cidades, em particular das cidades-Estado de Misrata e Zintan e das localidades de Tarhouma e Zawia, esta última um dos núcleos das máfias que fazem tráfico de pessoas na Líbia.

Os últimos a juntar-se aos esforços em favor de um acordo foram os membros do Conselho de Anciãos da Líbia, que formaram uma célula de emergência para tentar fazer com que todas as partes concordem em negociar.

Os combates, que mataram 20 civis e fizeram mais de 200 feridos, começaram no passado domingo numa zona densamente povoada do bairro meridional de Salehdin, próxima do antigo aeroporto internacional de Tripoli, o ponto estratégico cobiçado pelas partes em conflito.

3 Set 2018

Trump ameaça excluir Canadá da nova versão do NAFTA

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu ontem que não existe uma “necessidade política” de incluir o Canadá na nova versão do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA).

A declaração de Trump surge dias depois de Washington ter conseguido alcançar um novo acordo comercial com o México, o outro signatário do NAFTA.

“Não há necessidade política de manter o Canadá no novo acordo do NAFTA. Se não fizermos um acordo justo para os Estados Unidos, depois de uma década de abuso, o Canadá estará fora”, disse Trump, numa mensagem publicada na rede social Twitter, citada pelas agências internacionais.

Os Estados Unidos e o México alcançaram no passado dia 27 de agosto um novo acordo comercial para rever o NAFTA.

Trump afirmou que esperava que o Canadá também aderisse à revisão do NAFTA, mas também admitiu que estava disposto a seguir apenas com um acordo bilateral com o México.

Na sexta-feira, a ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Chrystia Freeland, e o representante do Comércio Exterior norte-americano, Robert Lighthizer, informaram que não tinham alcançado um acordo, mas que existiria uma nova ronda de conversações na próxima quarta-feira.

“As conversações foram construtivas e fizemos progressos (…). A nossa equipa irá encontrar-se com a ministra [Chrystia] Freeland e os seus parceiros na quarta-feira da próxima semana”, informou Lighthizer.

Desde que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017, Trump caracterizou o NAFTA, protocolo firmado em 1994, como um acordo “desastroso” para os Estados Unidos.

2 Set 2018

Afeganistão | Líder do Estado Islâmico morto em ataque norte-americano

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]utoridades afegãs e oficiais norte-americanos informaram no domingo que um ataque dos Estados Unidos no leste do Afeganistão matou um dos principais líderes do Estado Islâmico, noticiou ontem a agência Associated Press. O porta-voz da presidência afegã, Shah Hussain Martazawi, disse no domingo que o ataque na província de Nangarhar, no leste do país, matou o comandante do Estado Islâmico Abu Sayeed Orakzai, um dos principais líderes do grupo extremista. O porta-voz das forças norte-americanas no Afeganistão, o tenente-coronel Martin O’Donnell, explicou que as forças norte-americanas lançaram um ataque antiterrorista no leste do Afeganistão no sábado, que visava um “líder de uma organização terrorista”, sem fornecer mais detalhes sobre a operação.
Uma organização ligada aos Estado Islâmico que surgiu no Afeganistão em 2014 tem vindo a realizar vários ataques contra as forças de segurança e a minoria xiita do país.
Mesmo com o apoio dos Estados Unidos e da NATO, as forças de segurança afegãs têm enfrentado sérios problemas para combater o Estado Islâmico e os combatentes extremistas talibãs.

28 Ago 2018

Vaticano | Papa aconselha terapia para crianças com tendências homossexuais

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]papa Francisco recomendou aos pais o recurso à psiquiatria assim que estes se apercebam de tendências homossexuais dos filhos durante a infância, noticiou ontem a agência de notícias France-Presse (AFP). “Quando [a homossexualidade] se manifesta na infância, a psiquiatria pode desempenhar um papel importante para ajudar a perceber como as coisas são. Mas é outra coisa quando ocorre depois dos vinte anos”, respondeu o papa a um jornalista, a bordo do avião que o transportava da Irlanda para Roma. Questionado sobre o que diria aos pais com filhos homossexuais, o representante máximo da Igreja Católica afirmou que lhes pediria “que rezem, que dialoguem e que entendam, mas que não condenem”. Por fim, defendeu que o “silêncio nunca será uma cura” porque, sublinhou, “ignorar um filho ou uma filha com tendências homossexuais revela falta de paternidade ou maternidade”.

28 Ago 2018

Crime | Ex-núncio acusa o Papa de conhecimento de abusos sexuais

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]ex-núncio nos Estados Unidos Carlo Maria Viganò pediu a renúncia do Papa, assegurando que Francisco conhecia desde Junho de 2013 as acusações de abusos sexuais sobre o cardeal Theodore McCarrick, sancionado em Junho pelo pontífice.
O arcebispo Viganò, de 77 anos, escreveu uma carta de 11 páginas publicada ontem por alguns meios de cariz conservador em vários países, na qual o prelado acusa outros membros da Curia de formarem um ‘lobby gay’ e de encobrirem as acusações contra o cardeal norte-americano. A carta baseia-se em acusações pessoais e o prelado não aponta qualquer documentação ou prova.
O embaixador do Vaticano escreve que Francisco conheceu o caso a 23 de Junho de 2013, porque ele próprio o comunicou “e continuou a encobrir o cardeal ex-arcebispo de Washington, McCarrik”. Em Junho passado, McCarrik, de 88 anos, foi afastado do colégio cardinalício e o Papa argentino “ordenou a sua suspensão do exercício de qualquer ministério público, assim como a obrigação de permanecer em casa que lhe será destinada para uma vida de oração e penitência”.
Viganò explica que em 2013 foi o mesmo pontífice quem lhe perguntou: “Como é o cardeal McCarrick?, ao que o informou que aquele “corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes e que o papa Bento XVI o mandou retirar-se para uma vida de oração e penitência”. Informou também que havia informação de tudo na Congregação para os Bispos.
Francisco passou 90 minutos no sábado a falar com oito vítimas de abuso, incluindo duas que foram forçadamente dadas para adopção quando nasceram, porque as mães não eram casadas. São alguns dos milhares de adoptados irlandeses, cujas mães solteiras foram forçadas a viver em casas de trabalho.

27 Ago 2018

Arquivado processo de Steve Wynn contra agência Associated Press

 

[dropcap style=’circle’]U[/dropcap]m juiz do Estado do Nevada arquivou o processo de difamação do magnata do jogo Steve Wynn contra a agência noticiosa Associated Press, que divulgou relatórios policiais que denunciavam assédio sexual contra duas mulheres. O juiz do Tribunal Distrital do Condado de Clark emitiu um comunicado na quinta-feira argumentando que a divulgação dos relatórios foi uma decisão correcta por parte da Associated Press (AP).
O advogado de Wynn, Lin Wood, disse na sexta-feira que vai apelar para a Suprema Corte do Nevada. Wood argumentou que informações adicionais deveriam ter sido incluídas na reportagem da AP para permitir que os leitores chegassem às suas próprias conclusões sobre a verdade.
Contudo, o juiz do Tribunal Distrital do Condado de Clark afirmou que na altura em que os relatórios foram divulgados, Fevereiro, era impossível saber a identidade das mulheres porque essa informação tinha sido ocultada pela polícia de Las Vegas que se recusou a fornecer mais detalhes.
As acusações de assédio sexual por parte de Steve Wynn começaram após uma investigação do jornal norte-americano Wall Street Journal, que denunciou casos de assédio sexual a muitas mulheres. Desde então, grupos de accionistas, bem como funcionários actuais e antigos da empresa, apresentaram acções judiciais contra o bilionário e contra o conselho de administração.
Steve Wynn negou veementemente as acusações que o jornal relatou, tendo renunciado ao cargo de presidente da empresa a 6 de Fevereiro. O multimilionário que começou como proprietário de um pequeno grupo de salas de bingo no nordeste dos Estados Unidos e construiu um império do jogo com o seu nome, em que se incluem os casinos Mirage e Bellágio, em Las Vegas, e dois casinos Wynn, em Macau.
O conselho de administração da Wynn Resorts nomeou Matt Maddox como novo presidente.

27 Ago 2018

Família de Zeca Afonso rejeita trasladação para Panteão Nacional

 

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]família do compositor José Afonso rejeitou a proposta da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) de trasladação dos restos mortais do músico para o Panteão Nacional.
“José Afonso rejeitou em vida as condecorações oficiais que lhe haviam sido propostas. Foi, a seu pedido, enterrado em campa rasa e sem cerimónias oficiais, em total coerência com a sua vida e pensamento. Por isso, apesar da meritória intenção que inspira a proposta, é a sua vontade que deve ser respeitada” refere uma nota divulgada pela família do criador de “Grândola, Vila Morena”. A nota, assinada por Pedro Afonso, um dos quatro filhos do músico, adianta que “a família considera fundamental a salvaguarda e fruição da obra de José Afonso e a defesa dos seus direitos de autor, contando para tal com o superior envolvimento do Estado Português e da SPA, nomeadamente para que se garanta a recuperação e preservação das gravações originais”.
Em comunicado divulgado na terça-feira, a SPA defendeu a trasladação dos restos mortais de José Afonso para o Panteão Nacional, em Lisboa considerando que “é este o tributo e é esta homenagem que Portugal deve a quem como mais ninguém o soube cantar em nome dos valores da liberdade, da democracia, da cultura e da cidadania”.
Em Maio de 1983, o músico foi homenageado pelo município de Coimbra, tendo recebido a Medalha de Ouro da cidade. Na ocasião o então presidente da câmara, Mendes Silva, agradeceu a José Afonso a quem se dirigiu tendo afirmado: “Volta sempre, a casa é tua”. O compositor retorquiu: “Não quero converter-me numa instituição, embora me sinta muito comovido e grato pela homenagem”. Também nesse ano, o então Presidente da República, António Ramalho Eanes, atribuiu a José Afonso a Ordem da Liberdade, mas o cantor recusou-se a preencher o formulário.
Em 1994, o Presidente da República, Mário Soares, tentou condecorar postumamente José Afonso com a Ordem da Liberdade, mas Zélia Afonso recusou, alegando que o músico não desejou a distinção em vida e também não seria condecorado após a sua morte.

24 Ago 2018

Facebook | Banidas contas ligadas à Rússia e Irão por manipulação

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap]rede social Facebook identificou e baniu 652 páginas, grupos e contas ligadas à Rússia e ao Irão por manipulação coordenada que incluía a partilha de material político. A remoção das páginas, grupos e contas resultaram de quatro investigações – três envolvendo o Irão e uma envolvendo a Rússia -, indicou a empresa norte-americana na terça-feira, através do seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg. As campanhas de manipulação tinham como alvo os Estados Unidos, o Reino Unido, países da América Latina e do Médio Oriente. A rede social revelou ainda ter informado os Governos dos Estados Unidos e do Reino Unido. O Facebook intensificou significativamente a fiscalização da sua plataforma desde o ano passado, quando foi tornado público que agentes russos realizaram com sucesso operações de manipulação política naquela rede social, com o objectivo de influenciar a eleição presidencial norte-americana de 2016.

23 Ago 2018

Pelo menos dez ministros australianos demitiram-se

[dropcap style=’circle’]P[/dropcap]elo menos dez ministros australianos demitiram-se, avançou ontem a Agência France Presse (AFP), um novo golpe para o primeiro-ministro Malcom Turnbull, que venceu na segunda-feira uma votação interna do Partido Liberal pela liderança do Governo. Malcolm Turnbull obteve 48 votos, contra 35 do ministro do Interior, Peter Dutton, que, entretanto, renunciou ao cargo, embora se mantenha como deputado.
A divergência surgiu na segunda-feira, quando o primeiro-ministro anunciou que ia renunciar à tentativa de promulgar a legislação de redução de emissões de gases com efeito de estufa, reconhecendo que o fazia por falta de apoio no parlamento.
Para Nick Economou, analista político da Universidade Monash, em Melbourne, os deputados do Partido Liberal estão a abandonar o primeiro-ministro com receio que Turnbull conduza o partido a uma derrota esmagadora nas eleições legislativas de Maio de 2019.
Entretanto, outros nove ministros apresentaram a demissão. De acordo com a AFP, Malcom Turnbull ainda só aceitou o pedido de dois: a de Peter Dutton e a da ministra do Desenvolvimento Internacional, Concetta Fierravanti-Wells.
Ainda assim, o primeiro-ministro afirmou ontem que outros ministros “garantiram inequivocamente lealdade e apoio”.

Réplicas políticas

Malcolm Turnbull assumiu a chefia do Governo, em Setembro de 2015, ao afastar o antecessor Tony Abbott, membro do mesmo partido.
Foi durante o Executivo de Abbott que a Austrália se comprometeu a reduzir as emissões em 26 por cento em relação ao nível de 2015 e até 2030 para lutar contra o aquecimento climático. Um objectivo considerado, na altura, insuficiente pelos opositores. Este objectivo foi oficializado em Dezembro de 2015 no âmbito do Acordo de Paris.
A Austrália atravessa um período de grande instabilidade política desde que o primeiro-ministro John Howard perdeu o poder em 2007, após mais de 11 anos no cargo. No próximo mês, Turnbull fará mais de três anos como primeiro-ministro, tornando-se o líder com maior longevidade no cargo desde John Howard.

23 Ago 2018

EUA | Ex-advogado de Trump declara-se culpado e implica-o

O ex-advogado pessoal de Donald Trump, que na terça-feira se declarou culpado em oito acusações, admitiu ter pago a duas mulheres “a pedido do candidato” e “com a intenção de influenciar as eleições” presidenciais de 2016

[dropcap style=’circle’]M[/dropcap]ichael Cohen, advogado e empresário, deu-se como culpado em cinco acusações de fraude fiscal, uma de fraude bancária e duas por violação das leis de financiamento das campanhas eleitorais, numa audiência no tribunal federal de Manhattan, Nova Iorque.
Inquirido pelo juiz William Paule, Cohen precisou ter pago as quantias de 130.000 e 150.000 dólares a duas mulheres que afirmavam ter tido uma relação com Donald Trump em troca do respectivo silêncio, “a pedido do candidato” e “com a intenção de influenciar as eleições” presidenciais, de que Trump sairia vencedor. Michael Cohen não forneceu os nomes das mulheres, mas os montantes correspondem aos pagamentos já conhecidos feitos a Stormy Daniels, actriz de filmes pornográficos que afirma ter tido uma breve ligação com Trump em 2006, e a Karen McDougal, uma ex-modelo da revista Playboy que afirma também ter tido uma ligação com o multimilionário em 2006-2007.
Estas declarações, que implicam que o Presidente norte-americano poderá ter cometido um crime, foram de imediato classificadas pelos comentadores como muito graves para Donald Trump, ainda mais por procederem de Cohen, a quem chamavam o ‘pitbull’ ou ‘cão de fila’ do chefe de Estado, e que foi agora “açaimado” ao aceitar cooperar com a Justiça.

Soldado fiel

Cohen trabalhou durante mais de dez anos para o magnata nova-iorquino do imobiliário e houve uma época em que dizia que “levaria um tiro” por ele.
A quase totalidade das acusações de que é alvo é passível de uma pena máxima de cinco anos de prisão, excepto a acusação de declaração fraudulenta a um banco, pela qual arrisca 30 anos de cadeia.
Esta inesperada reviravolta deu-se no dia em que outro colaborador próximo do Presidente, o seu antigo director de campanha Paul Manafort, foi considerado culpado de oito crimes por um júri, após um julgamento por fraude bancária e fiscal.
À condenação de Manafort, o Presidente reagiu dizendo ser “uma vergonha”, mas sobre a declaração de culpa de Cohen e a cooperação deste com as autoridades judiciais não emitiu publicamente qualquer comentário.
Manafort foi condenado na terça-feira na Virgínia por crimes de que foi acusado pelo procurador especial Robert Mueller, encarregado da investigação sobre se houve ingerência da Rússia nas presidenciais de 2016 e potencial obstrução da justiça, um processo a que o Presidente chama “caça às bruxas”.
Trump disse à imprensa, à chegada a Charleston, na Virgínia ocidental, que a condenação de Manafort “não tem nada a ver com o conluio russo” e sobre os crimes do seu ex-director de campanha, foi perentório: “Isso não me envolve”.

 

23 Ago 2018

Segundo episódio da guerra comercial estreia esta semana

 

[dropcap style=’circle’]N[/dropcap]ovas taxas alfandegárias entram, esta semana, em vigor nos Estados Unidos e China sobre parte das importações oriundas dos dois países, num segundo episódio da guerra comercial que está a deixar empresários e investidores “apavorados”.
A partir desta quinta-feira, os funcionários das alfândegas norte-americanas vão recolher taxas adicionais de 25 por cento sobre um conjunto de 279 produtos chineses que, no ano passado, representaram 13.800 milhões de euros nas importações norte-americanas.
A maioria dos produtos penalizados são bens industriais, incluindo tractores, tubos de plástico ou instrumentos de medição. A China promete retaliar com taxas sobre igual valor de importações oriundas dos EUA, incluindo produtos energéticos, como carvão, e automóveis.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, reclama uma balança comercial mais justa, e que Pequim ponha fim a subsídios estatais para certos sectores industriais estratégicos. Washington acusa ainda a China de “tácticas predatórias”, que visam o desenvolvimento do seu sector tecnológico, nomeadamente forçar empresas estrangeiras a transferirem tecnologia, em troca de acesso ao mercado chinês.
A China fabrica 90 por cento dos telemóveis e 80 por cento dos computadores do mundo, mas depende de tecnologia e componentes oriundos dos EUA, Europa e Japão, que ficam com a maior margem de lucro.
As autoridades chinesas estão, por isso, a encetar um plano designado “Made in China 2025”, para transformar o país numa potência tecnológica, com capacidades em sectores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos. No entanto, “o comércio não é uma questão bilateral, mas multilateral”, lembra Yokon Huang, antigo director do Banco Mundial para a China, assinalando que a guerra comercial entre Pequim e Washington afectará também a Europa, que “usa a China como um centro de exportações para todo o mundo”.
“As empresas europeias estão três ou quatro vezes mais vinculadas à economia e produção chinesas do que as norte-americanas”, acrescenta o autor de “Cracking the China Conundrum: Why Conventional Economic Wisdom Is Wrong”, num encontro com jornalistas em Pequim.
Desde o início das disputas comerciais, a moeda chinesa, o yuan, desvalorizou-se mais de 8 por cento, enquanto a bolsa de Xangai, a principal praça financeira do país, caiu mais de 12 por cento.
Exportadores radicados no país asiático afirmam que os empresários chineses estão “apavorados e indignados” face à tensão entre Washington e Pequim, que ameaça indústrias inteiras nos dois países.
“Existem fábricas com 300 funcionários que provavelmente vão parar”, conta à agência Lusa Ricardo Geri, cofundador da Plan Ahead, empresa com sede em Pequim que exporta pedra artificial à base de quartzo para os EUA, sector ameaçado pelas disputas comerciais. “Há uma certa indignação entre os empresários chineses, que investiram muito dinheiro para aumentar a produção”, admite Geri, natural do Estado brasileiro de Rio Grande do Sul e radicado em Pequim há cinco anos.

22 Ago 2018

Afeganistão | Ghani anuncia cessar-fogo de três meses com talibãs

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]Presidente afegão, Ashraf Ghani, anunciou ontem um cessar-fogo com os talibãs, a partir de segunda-feira e durante três meses, ressalvando que a trégua só avança caso o grupo faça o mesmo. “Anuncio um novo cessar-fogo até ao aniversário do profeta (21 de Novembro), contando que os talibãs façam o mesmo”, disse Ashraf Ghani, durante um discurso televisivo. O último cessar-fogo entre o Governo do Afeganistão e os talibãs ocorreu em Junho para celebrar o final do Ramadão. Em 9 de Agosto, os talibãs lançaram um ataque à cidade de Ghazni, provocando a morte de pelo menos 100 membros das forças de segurança. Segundo o representante especial da Organização das Nações Unidas (ONU) no Afeganistão, Tadamichi Yamamoto, o ataque levou também à morte de entre 100 a 150 civis.

20 Ago 2018

Óbito | Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, morre aos 80 anos

 

“É com grande tristeza que a família Annan e a Fundação Kofi Annan anunciam que o ex-secretário-geral das Nações Unidas e vencedor do prémio Nobel da Paz morreu pacificamente no sábado, 18 de Agosto, após uma curta doença”, publicou a fundação do ex-diplomata ganês num comunicado

 

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]diplomata ganês Kofi Annan morreu no sábado aos 80 anos, em Berna, vítima de “curta doença”, de acordo com um comunicado da fundação por si instituída.
O mundo diplomático e político reagiu em uníssono ao desaparecimento do homem distinguido pelo Prémio Nobel de 2001 na sequência da criação do Fundo Global de Luta contra a Sida, Tuberculose e Malária.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lembrou Kofi Annan como “uma força que guiou o bem”. “De muitas maneiras, Kofi Annan encarnou as Nações Unidas. Ele dirigiu a organização, no novo milénio, com dignidade e uma determinação inigualável”, afirma António Guterres em comunicado.
Kofi Annan, que fez a sua carreira profissional nas Nações Unidas, cumpriu dois mandatos como secretário-geral da ONU, entre 1 de Janeiro de 1997 a 31 de Dezembro de 2006.
O diplomata Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, foi um “firme defensor do diálogo e da cooperação entre as nações, da dignidade da pessoa humana e dos princípios basilares da Carta das Nações Unidas”, afirma o Presidente da República portuguesa na sua mensagem de condolências.
Na mensagem enviada ao actual secretário-geral da ONU, divulgada no portal da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa afirma que “Kofi Annan será recordado como um lutador incansável pela Paz, como reconhecido pelo Comité do Prémio Nobel, que, em 2001, o agraciou, e às Nações Unidas, com o Prémio Nobel”.
O Chefe de Estado recorda que Annan, que esteve à frente da ONU de 1997 até 2006, “foi também um amigo constante de Portugal e um aliado inquebrantável na luta pela autodeterminação do povo de Timor-Leste, para cuja independência tanto contribuiu”.
Annan “logrou ainda, durante o seu mandato, incluir no debate público questões como o estatuto das mulheres e reforçar o relacionamento com a sociedade civil. O seu legado perdurará assim como um exemplo e uma referência”, afirma Marcelo Rebelo de Sousa. “O Presidente da República associa-se assim a todos aqueles que nesta hora sentem a perda de um grande estadista internacional que foi igualmente um visionário, tendo transmitido, em seu nome e do povo português, as condolências à família de Kofi Annan, extensivas à Organização das Nações Unidas”, segundo a mesma nota.

Amigo de Timor

O primeiro-ministro português também prestou homenagem ao ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan ao declarar que o ganês foi um líder da causa da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos. “Homenageio Kofi Annan, hoje falecido. Como secretário-geral das ONU, foi um líder mundial da causa da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos. Foi também uma das personalidades que mais contribuíram para a independência de Timor-Leste”, declarou António Costa na sua conta no Twitter.
O ex-Presidente timorense, José Ramos-Horta, também se juntou às homenagens a Kofi Annan, cujo nome será sempre recordado em Timor-Leste por ter conseguido cumprir o seu compromisso de resolver o problema do território. “Ele cumpriu com o seu compromisso em que disse que queria ver resolvido o conflito em Timor-Leste. Dinamizou a questão nomeando um representante especial, dinamizou encontros trilaterais, com a ONU, a Indonésia e Portugal”, recordou Ramos-Horta. “O nome dele ficará sempre recordado neste país. E espero que o nosso Estado se faça representar no seu funeral ao mais alto nível. Já alertei o Governo para ver como honrar Kofi Annan”, disse Horta que enquanto Presidente atribui a Annan o galardão timorense mais alto, a Coroa da Ordem de Timor-Leste.
Recorde-se que coube a Kofi Annan, a poucos minutos das 00h de 20 de Maio de 2002, entregar formalmente Timor-Leste aos timorenses numa cerimónia que marcou a restauração da independência do país. Annan tinha supervisionou a assinatura do histórico acordo de 5 de Maio de 1999 – entre Portugal e a Indonésia – que permitiu o referendo em que os timorenses escolheram ser independentes.
Horta, que conheceu Annan no início da década de 1980, recorda a sua “seriedade e serenidade” e que logo no seu primeiro discurso disse que queria ver a questão de Timor-Leste resolvida no seu mandato.
O líder histórico timorense deveria ter-se encontrado com Annan no próximo mês de Setembro quando participaria, enquanto comissário, na Comissão Global sobre Política da Droga, que era liderada pelo antigo secretário-geral.

Primeira visita

Kofi Annan falou pela primeira à população timorense a 27 de Agosto de 1999, numa mensagem dias antes do referendo da independência, cujo 16.º aniversário se cumpre no próximo dia 30 de Agosto. “Permitam-me congratular-vos por se terem recenseado em tão grande número, e por terem seguido o processo com muitas paciência, coragem e dedicação a fim de garantir um futuro melhor para os vossos filhos”, refere a mensagem, transmitida em Timor-Leste.
Annan visitou Timor-Leste pela primeira vez ainda antes da independência, em Fevereiro de 2000, tendo feito um périplo por Díli e uma visita a Liquiçá, a oeste da capital timorense. “Juntos conseguiremos atravessar a actual crise, abrindo as portas a uma nova era para Timor-Leste. Uma era em que Timor-Leste ocupará o seu lugar entre a família das nações, onde os seus homens, mulheres e crianças possam viver vidas de dignidade e paz”, disse no seu primeiro discurso no país.
O diplomata ganês em 1962 assumiu a direcção de Orçamento da Organização Mundial da Saúde, e regressou às Nações Unidas no final da década de 1980, como secretário-geral adjunto em três posições consecutivas, Gestão dos Recursos Humanos e Coordenador para as Medidas de Segurança do Sistema das Nações Unidas (1987–1990), subsecretário-geral para Planeamento de Programas, Orçamento e Finanças e de Controlador (1990–1992), e responsável pelas Operações de Manutenção da Paz (1993-1996).

20 Ago 2018

Donald Trump acusa ex-assessora de ser “um cão!”

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Presidente Donald Trump aumentou ontem o tom do seu confronto com a sua antiga assessora Omarosa Manigault Newman, que chegou a ser a afro-americana com estatuto mais elevado na Casa Branca, designando-a como “esse cão!”.

A pressão sobre Manigault Newman intensificou-se ontem, com a organização da campanha eleitoral de Trump a apresentar uma queixa por violação de um alegado acordo de confidencialidade.

Trump distribuiu hoje de manhã uma série de mensagens insultuosas via rede social Twitter, enquanto Manigault Newman continuou a promover o seu livro revelador dos seus dias na Casa Branca e a divulgar registos sonoros secretos.

No seu livro, intitulado Unhinged” (“Desvairado”), cuja saída está prevista para hoje, Manigault Newman, entre outros pontos, acusa Trump de se comportar “como um cão sem trela” nos eventos que decorrem na instância de recreio que possui em Mar-a-Lago, na Florida, quando a esposa, Melania Trump, está ausente, e de ser “racista, intolerante e misógino”.

Entre as acusações está também a denúncia de utilização por Trump de linguagem racista durante o programa televisivo “O Aprendiz”, que Trump animava.

Nas suas mensagens matinais de hoje, Trump afirmou: “Quando se dá a uma louca, uma crápula chorona, uma possibilidade e um emprego na Casa Branca, acho que isso não vai funcionar. (…) O General Kelly fez um bom trabalho ao despedir rapidamente esse cão!”. John Kelly é o chefe de gabinete da Casa Branca.

Apesar de Trump divulgar insultos quase com um ritmo diário, chamar “cão” a Manigault Newman é um evento espantoso de uma série que realçou várias questões delicadas na Casa Branca de Trump, como a falta de diversidade racial entre os principais dirigentes, as questões de segurança – Manigault Newman gravou o seu despedimento na Sala de Emergência da Casa Branca – e as medidas extraordinárias, como os acordos de não-divulgação para manter os ex-assessores calados.

Trump também negou que tenha alguma vez usado a designada “N-word” [expressão que se refere à palavra ‘nigger’, usada de forma insultuosa e depreciativa para referir pessoas de pele negra]. Manigault Newman ouviu que existe uma gravação de Trump a usar a ‘N-word’.

Nas suas mensagens no Twitter, Trump disse que recebeu uma chamada do produtor de “O Aprendiz”. Com base nesse telefonema, garantiu: “NÃO HÁ GRAVAÇÕES de ‘O Aprendiz’ onde eu utilizo essa terrível e chocante palavra, como me atribuiu a ‘Louca e Transtornada Omarosa’”.

Manigault Newman, a antiga ligação da Casa Branca para os votantes negros, escreveu nas suas memórias que ouviu que estas gravações existem. No domingo, afirmou que tinha ouvido uma depois de o livro estar terminado.

Terça-feira, na estação televisiva CBS, Manigault Newman divulgou outra gravação que garantiu ser relativa a uma discussão entre membros da campanha eleitoral de Trump sobre a existência de uma alegada gravação de Trump a usar aquele calão racista.

A Casa Branca e a campanha não responderam a um pedido de comentários.

Uma das pessoas alegadamente gravada é Katrina Pierson, uma consultora da campanha para a reeleição de Trump, que foi a porta-voz deste na campanha de 2016.

Pierson assegurou que nunca ouviu Trump usar este tipo de linguagem e afirmou na cadeia televisiva Fox que a única pessoa que tinha ouvido a falar da existência das gravações tinha sido Manigault Newman.

Na gravação parece ouvir-se Pierson a dizer de Trump: “Ele disse-o. Ele está embaraçado”.

Questionada sobre se o livro está apoiado por mensagens de correio eletrónico ou gravações, Manigault Newman disse na CBS que todas as citações no livro “podem ser verificadas e corroboradas e estão bem documentadas”, sugerindo que pode ter mais informações para revelar.

15 Ago 2018

Wall Street fecha em baixa com queda da moeda turca a inquietar investidores

[dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] bolsa nova-iorquina encerrou ontem em baixa, com os investidores a cederem, durante a sessão, à inquietação com a queda acentuada da moeda turca e à possibilidade de contágio a outras economias.

Os resultados definitivos da sessão indicam que o seletivo Dow Jones Industrial Average perdeu 0,50%, para os 25.187,70 pontos.

Da mesma forma, o tecnológico Nasdaq cedeu 0,25%, para as 7.819,71 unidades, e o alargado S&P500 recuou 0,40%, para as 2.821,93.

Os três índices tinham começado a sessão com ganhos, antes de começarem a apresentar sinais de hesitação quanto ao rumo a seguir.

“Os investidores foram sem dúvida influenciados pela situação na Turquia e por todos os receios quanto às consequências que ela pode provocar, mesmo que no final a situação tenha sido contida”, observou Karl Haeling, da LBBW, destacando os fracos volumes das transações.

Em fundo de tensão diplomática entre Ancara e Washington, a moeda turca tornou a cair hoje para o seu nível mais baixo.

Na esperança de tranquilizar os investidores, o banco central da Turquia garantiu que iria tomar as “medidas necessárias” para garantir a estabilidade financeira, mas isso foi insuficiente para estancar a queda da moeda.

A contração da praça nova-iorquina neste contexto “correspondeu talvez a um novo acesso de nervosismo do mercado, que se vai estabilizar e rapidamente recuperar para novos recordes”, previu Haeling.

Não obstante, este analista avisou: “Não se pode afastar todo o risco e as comparações com a crise asiática de 1997, desencadeada com a queda da moeda tailandesa, não devem ser totalmente negligenciadas”, salientou.

Haeling acrescentou que “numerosos países endividaram-se muito em dólares, que está a subir fortemente, o que vai encarecer os seus reembolsos”.

Ao mesmo tempo, insistiu, “a lista dos países confrontados com problemas económicos não se reduziu, incluindo China, Federação Russa, Argentina, Turquia ou Itália”.

14 Ago 2018

Primeiro-ministro israelita volta a defender lei “Estado-nação” após protestos

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] primeiro-ministro israelita voltou a defender a controversa lei que define Israel como “Estado-nação do povo judaico”, após milhares de árabes israelitas terem ocupado uma das praças centrais de Telavive, no sábado, contra a decisão.

“Não há maior prova da necessidade desta lei nacional”, afirmou Benjamin Netanyahu na conta oficial da rede social Twitter, referindo-se a um vídeo que mostra os manifestantes a levantarem a bandeira da Palestina.

Netanyahu garante que vai continuar a “levantar a bandeira de Israel e a cantar o hino nacional com muito orgulho”.

Milhares de árabes israelitas manifestaram-se no sábado em Telavive contra a lei polémica que define Israel como o “Estado-nação do povo judaico”.

A concentração, que decorreu na praça Yitzhak Rabin, foi convocada por organizações representativas da minoria árabe israelita, que constitui 17,5% da população, enquanto na semana passada os drusos, uma outra minoria, realizaram uma grande manifestação também contra esta lei.

Os árabes israelitas são os descendentes dos palestinianos que se mantiveram nas suas terras após a criação do Estado de Israel, em 1948. Para as minorias drusa e árabe, a lei, aprovada no mês passado, torna-os cidadãos de segunda categoria.

Judeus israelitas juntaram-se aos manifestantes, que gritavam em hebreu e árabe “igualdade, igualdade”, “não vamos calar-nos, o ‘apartheid’ não passará”, enquanto chamavam “fascista” ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

A lei, aprovada no parlamento israelita em 19 de julho, com o apoio do Netanyahu, confere aos judeus o direito “único” à autodeterminação em Israel e proclama que o hebreu é a única língua oficial de Israel, enquanto o árabe tem um estatuto “especial” que não foi definido.

12 Ago 2018

UE | Pedidos de asilo descem 15 por cento nos primeiros 6 meses do ano

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]número de pedidos de asilo na União Europeia (UE) diminuiu 15 por cento na primeira metade de 2018, comparativamente com o mesmo período do ano anterior, segundo dados publicados ontem pelo Gabinete Europeu de Apoio em matéria de Asilo. De acordo com a agência europeia, nos primeiros seis meses do ano foram apresentados 301.390 pedidos de asilo no espaço comunitário, Suíça e Noruega, menos 15 por cento do que em igual período de 2017. Em Junho, segundo o relatório divulgado, foram apresentados 51.300 pedidos de asilo, menos 1.600 do que em Maio passado, sobretudo de migrantes oriundos da Síria, Afeganistão, Iraque, Paquistão e Nigéria. A tendência de declínio dos números mantém-se, uma vez que no ano passado também já se havia registado uma descida de 43 por cento dos pedidos. Os dados demonstram ainda que aproximadamente 2,5 por cento dos migrantes que solicitam asilo comunitário são menores de idade não acompanhados. Apesar da descida do número de pedidos a aguardar uma decisão de primeira instância (3.000 menos do que em Maio), em finais de Junho os casos sem resposta continuavam a ser 420.238.

7 Ago 2018

Itália | Pelo menos dois mortos e 60 a 70 feridos na explosão de camião

 

[dropcap style=’circle’]A[/dropcap] explosão ocorrida ontem numa autoestrada perto de Bolonha, no norte de Itália, fez pelo menos um morto e entre 60 a 70 feridos, segundo diferentes fontes dos serviços de emergência citadas por agências internacionais.
O acidente envolveu um camião-cisterna, que explodiu, provocando um violento incêndio, segundo os bombeiros.
Cerca das 16h locais (22h em Macau), um porta-voz dos bombeiros disse à imprensa que o incêndio já tinha sido extinto.
Muitos dos feridos foram atingidos por estilhaços provocados pelo impacto da explosão em edifícios e outras estruturas nas imediações do local, uma autoestrada em Borgo Panigale, perto do aeroporto de Bolonha. Os bombeiros citados pela agência France-Presse estimam que 40 pessoas tenham ficado feridas, mas outras fontes avançam números mais elevados. Segundo a polícia de Bolonha, citada pela Associated Press, até 70 pessoas sofreram ferimentos e, segundo os serviços de emergência, citados pela EFE, 67 pessoas ficaram feridas, tendo sido tratadas a queimaduras de diferentes graus.
Segundo a imprensa, o condutor do camião está desaparecido.
As causas da explosão não são conhecidas. A agência italiana ANSA noticiou que a explosão se deu após um acidente envolvendo um camião que transportava substâncias inflamáveis.
Outras fontes afirmam que o camião explodiu sem embater noutros veículos, quando passava por um ‘stand’ automóvel, desencadeando explosões em viaturas estacionadas, danificando uma ponte pedonal e abrindo uma cratera no piso da autoestrada

7 Ago 2018

Diplomacia | Irão diz que EUA, Arábia Saudita e Israel estão “isolados”

[dropcap style=’circle’]O[/dropcap]s dirigentes norte-americano, Donald Trump, saudita, Mohamed bin Salman, e israelita, Benjamin Netanyahu, “estão isolados” na sua oposição ao Irão, afirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Mohamad Javad Zarif. “Hoje, o mundo inteiro declarou que já não acompanha a política americana contra o Irão”, afirmou Zarif num discurso, citado pela agência semioficial Isna. “Falem com quem quer que seja, onde quer que seja no mundo, e dir-vos-ão que Netanyahu, Trump e Salman [o príncipe herdeiro saudita] estão isolados, não o Irão”, acrescentou. Na véspera da imposição de novas sanções dos Estados Unidos ao Irão, consequência da retirada de Washington do acordo nuclear de 2015, Zarif reconheceu que o Irão atravessa um período difícil. “Naturalmente, a intimidação americana e as pressões políticas podem provocar perturbações, mas o facto é que, no mundo actual, a América está isolada”, disse o ministro iraniano. A Arábia Saudita e Israel, rivais do Irão, são dos únicos países a apoiar a restabelecimento das sanções norte-americanas. Os outros signatários do acordo – Reino Unido, França, Alemanha, China e Rússia – consideram que o Irão respeita os compromissos e prometeram salvar o acordo e garantir protecções económicas a Teerão.

7 Ago 2018

Diplomatas asiáticos instam Pyongyang a destruir arsenal nuclear

[dropcap style=’circle’] D [/dropcap] iplomatas asiáticos de topo pressionaram no fim-de-semana a Coreia do Norte para cumprir o seu compromisso de desmantelar totalmente o seu arsenal nuclear, numa altura em que há preocupações de que esteja a prosseguir os seus programas armamentistas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, Ri Yong Ho, por seu lado, atacou os Estados Unidos num fórum sobre segurança na Ásia, em Singapura, acusando-os de certas atitudes “alarmantes”, entre as quais “elevar mais ainda a sua voz para manter as sanções contra” a Coreia do Norte. Tais atitudes, disse Ri aos seus homólogos, poderão fazer com que um acordo com a Administração Trump, que engloba o compromisso de Pyongyang em proceder à desnuclearização total da Península da Coreia, “enfrente dificuldades”.

A China e os Estados do sudeste asiático também foram alvo de apelos, nas reuniões de Singapura, para concluírem rapidamente um pacto de não-agressão eficaz que possa ajudar a evitar possíveis confrontos no disputado mar do Sul da China.

Ambas as partes anunciaram um acordo de princípio sobre um “código de conduta” regional que classificaram como um marco, após 16 anos de negociações esporádicas.

O alarme relativo ao aumento do proteccionismo comercial, que os Governos asiáticos advertiram poderá impedir o crescimento económico, dominaram também as reuniões, com o Japão a exortar a rápida conclusão de um acordo de livre comércio entre os 16 Estados asiáticos que não inclua os Estados Unidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros filipino, Alan Peter Cayetano, afirmou que a aproximação entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, juntamente com a conclusão de uma primeira versão do “código de conduta” para o mar do Sul da China são progressos, mas acrescentou que “como qualquer avanço em negociações diplomáticas, poderá levar a alguma coisa muito boa ou poderá levar a nada”. “Agora, o trabalho difícil está mesmo nos pormenores”, disse Cayetano à imprensa antes de iniciar um dia de reuniões entre os membros da Associação de Estados do Sudeste Asiático (ASEAN) e os seus parceiros Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul.

Os chefes da diplomacia da ASEAN e os seus homólogos da China, Japão e Coreia do Sul instaram os Estados Unidos e a Coreia do Norte “bem como partes interessadas, a continuarem a trabalhar no sentido da obtenção de paz e estabilidade duradouras numa Península Coreana desnuclearizada”, de acordo informação a que a agência Associated Press (AP) teve acesso.

6 Ago 2018

Venezuela | Maduro acusa homólogo colombiano de ordenar alegado atentado de que foi alvo

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap] Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acusou o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, de ter ordenado o alegado ataque de que foi alvo este sábado, que provocou sete feridos.

“Tudo aponta para a extrema-direita venezuelana, em aliança com a extrema-direita colombiana e tenho a certeza que Juan Manuel Santos está por detrás deste atentado”, denunciou Maduro, durante um transmissão televisiva ao país este sábado, desde o palácio presidencial de Miraflores.

O Presidente da Venezuela explicou que o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, vai abandonar a presidência do país, no dia 7 de agosto e que não podia deixar o poder “sem fazer dano” ao seu país.

“Tratou-se de um atentado para me matar. No dia de hoje (sábado) tentaram assassinar-me. As investigações apontam a Bogotá”, disse.

Duas explosões, aparentemente provocadas por um ‘drone’ [avião não tripulado], obrigaram hoje o Presidente da Venezuela a abandonar rapidamente uma cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar).

O ato, que decorria na Avenida Bolívar de Caracas (centro), estava a ser transmitida em simultâneo e de maneira obrigatória pelas rádios e televisões venezuelanas e no momento em que Nicolás Maduro anuncia que tinha chegado a hora da recuperação económica ouviu-se uma das explosões, que fez inclusive vibrar a câmara que focava o chefe de Estado.

Nesse instante, a mulher do Presidente venezuelano, Cília Flores, e o próprio chefe de Estado olharam para cima.

Antes da televisão venezuelana suspender a transmissão foi possível ainda ver, o momento em que militares rompiam a formação.

“As investigações estão muito avançadas” e já “foram capturados parte dos autores materiais do atentado e capturada parte da evidência [drone]”, afirmou o Presidente venezuelano.

Por outro lado disse esperar que o Presidente norte-americano, Donald Trump, entre outros, colaborem com a Venezuela, porque, segundo Maduro, as primeiras investigações indicam que vários dos responsáveis intelectuais e financeiros do atentado vivem na Florida.

“Espero ter a colaboração dos Governos do continente, onde estão parte destes redutos da extrema-direita fascista”, frisou.

Colômbia já negou acusações

A Presidência da Colômbia refutou a afirmação do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que acusou o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, de ter ordenado o alegado ataque de que foi alvo este sábado.

“Isso não tem base, o presidente está empenhado no batismo da sua neta Celeste, e não em derrubar governos estrangeiros”, disse uma fonte da presidência colombiana aos jornalistas, este sábado.

“Tudo aponta para a extrema-direita venezuelana, em aliança com a extrema-direita colombiana e tenho a certeza que Juan Manuel Santos está por detrás deste atentado”, denunciou Maduro, durante uma transmissão televisiva ao país, desde o palácio presidencial de Miraflores.

O Presidente da Venezuela explicou que Juan Manuel Santos vai abandonar a presidência do país, no dia 7 de agosto e que não podia deixar o poder “sem fazer dano” ao seu país.

5 Ago 2018

Gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em 2017

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap]s gases com efeito de estufa atingiram níveis recorde em todo no mundo em 2017, um ano marcado por temperaturas anormalmente elevadas e uma fusão do gelo sem precedentes no Ártico, segundo um documento de referência publicado ontem.

O relatório anual publicado pela agência dos EUA para os oceanos e a atmosfera (NOAA, na sigla em inglês) e sociedade norte-americana de meteorologistas divulga um conjunto de indicadores que mostra a aceleração em 2017 do aquecimento do planeta.

Este aquecimento resulta da combustão de energias fósseis, que aumentam a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera.

O ano de 2017 foi o ano em que Donald Trump anunciou a retirada dos EUA do acordo internacional de Paris sobre o clima.

Os EUA são o segundo poluidor mundial, a seguir à China, mas a eleição do milionário republicano para Presidente colocou no poder os que negam a responsabilidade humana no aquecimento do planeta, e o próprio Dolnald Trump, que têm procurado desmantelar a regulação deixada pelo presidente antecessor, Barack Obama, destinadas a mitigar o efeito nefasto das atividades humanas.

O documento, com 300 páginas, compilado por mais de 450 cientistas originários de cerca de 60 países, usa o termo ‘anormal’ mais de uma dezena de vezes para se referir às tempestades, às secas, às temperaturas elevadas ou ainda o degelo recorde verificado no Ártico em 2017.

Entre as principais conclusões do documento está a dos níveis recordes atingidos pelos tipos de gases com efeito de estufa mais perigosos libertados na atmosfera, designadamente o dióxido de carbono e o metano.

A taxa de concentração do dióxido de carbono (CO2) na superfície da Terra atingiu 405 partes por milhão, que é “a mais alta desde que há registos das medidas atmosféricas modernas”. No documento salientou-se ainda que “a taxa de crescimento global do CO2 quase que foi multiplicada por quatro desde o início dos anos 1960”.

O recorde do ano mais quente da época moderna continua a ser o estabelecido em 2016, mas o ano de 2017 não está longe, “com temperaturas bem mais elevadas do que a média” em boa parte do planeta, sublinhou-se no documento.

Em função dos dados em que o relatório se baseia, 2017 foi o segundo ou o terceiro ano mais quente desde meados do século XIX e foi também “o ano mais quente sem o El Nino”, desde que os dados são coligidos de forma sistemática, sublinhou-se no texto, aludindo ao fenómeno climático ocasional que provoca a subida da temperatura.

No último ano, foram registadas temperaturas recorde na Argentina, no Uruguai, na Espanha e na Bulgária. Quanto ao México, ele “bateu o seu recorde de calor pelo quarto ano consecutivo”.

Em 2017, o nível do mar também atingiu um valor recorde pelo sexto ano consecutivo. O nível médio do mar está agora 7,7 centímetros acima do registado em 1993.

Gregory Johnson, um oceanógrafo que trabalha para a NOAA, avisou, em declarações à comunicação social, que “mesmo que se congelasse as taxas de gases com efeito de estufa nos seus níveis atuais, os oceanos continuariam a aquecer e o mar continuaria a subir durante séculos, talvez mesmo milénios”.

No Ártico, a temperatura no solo era superior em 1,6 graus Celsius à média do período 1981-2010 e o documento sublinhou que “o Ártico não conheceu temperaturas tão anormalmente elevadas do ar e da superfície da água desde há dois mil anos”.

Em março, a extensão máxima do banco de gelo foi a mais fraca desde que há 37 anos começou a ser medida por satélite.

Os glaciares do planeta recuaram também pelo 38.º ano consecutivo.

Por outro lado, “as precipitações na terra firme em 2017 foram nitidamente abaixo da média”, sublinhou-se no relatório.

As temperaturas mais elevadas das massas oceânicas conduziram a uma taxa de humidade mais elevada, em particular nestes três últimos anos, o que provocou mais precipitação, enquanto outras partes do planeta sofreram longos períodos de seca.

2 Ago 2018

Facebook detecta esforços “sofisticados” para influenciar eleições americanas

[dropcap style≠’circle’]A[/dropcap] Facebook afirma ter detectado nas suas plataformas esforços “sofisticados”, possivelmente ligados à Rússia, para influenciar a política norte-americana.

A empresa diz que removeu 32 contas do Facebook e Instagram porque estavam envolvidas num “comportamento político coordenado” e aparentavam ser falsas.

A Facebook não chegou a dizer que o esforço visava influenciar as eleições intermediárias dos EUA em novembro, embora o momento da atividade suspeita fosse consistente com tal tentativa.

A Facebook divulgou ontem as suas descobertas depois de o jornal The New York Times as ter noticiado.

A empresa afirmou que não sabe quem está por detrás destes esforços, mas considera que pode ter ligações com a Rússia.

A Facebook disse que descobriu algumas conexões entre as contas que removeu e as associadas à Agência de Pesquisa da Internet da Rússia, que foram removidas antes e depois das eleições presidenciais dos EUA em 2016. A primeira página foi criada em março de 2017.

A Facebook afirma que mais de 290 mil contas seguiram pelo menos uma das páginas falsas. As páginas mais seguidas do Facebook tinham nomes como “Aztlan Warriors”, “Black Elevation”, “Mindful Being” e “Resisters”.

A Facebook revela que as páginas publicaram cerca de 150 anúncios por 11 mil dólares norte-americanos no Facebook e no Instagram, pagos em dólares americanos e canadianos.

O primeiro anúncio foi criado em abril de 2017 e o último em junho de 2018.

A empresa acrescentou que os responsáveis têm tido “mais cuidado em apagar os seus rastos” do que em 2016, em parte devido às medidas que a Facebook tem adotado para evitar abusos, no último ano.

1 Ago 2018