João Santos Filipe EventosÓscares | Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da noite Paul Thomas Anderson foi o rei dos Óscares, após 14 nomeações, com “Batalha Atrás de Batalha” a ser o filme mais premiado com meia dúzia de estatuetas, seguido de “Pecadores”. Entre os “oscarizados” das principais categorias, destaque para Michael B. Jordan, Jessie Buckley, Amy Madigan e Sean Penn “Batalha Atrás de Batalha” confirmou o favoritismo imparável que adquiriu ao longo de toda a época de prémios, em que triunfou na maioria dos colégios de eleitores, e levou seis Óscares para casa – mais do que qualquer outra longa-metragem a concurso este ano – incluindo o tão cobiçado Melhor Filme, na 98.ª gala dos prémios da Academia de Cinema norte-americana, que se realizou ontem, no Dolby Theatre, em Los Angeles. Três destas estatuetas foram entregues à mesma pessoa: Paul Thomas Anderson. A vontade de consagrar um dos nomes mais relevantes do Cinema norte-americano contemporâneo, depois de 14 nomeações, terá sido um factor importante. Aliás, esta é uma tendência da Academia que se repete pelo terceiro ano consecutivo. “Oppenheimer” permitiu a consagração de Christopher Nolan, em 2024, e “Anora” fez o mesmo por Sean Baker, no ano passado. No entanto, desengane-se quem possa assumir que “Batalha Atrás de Batalha” é apenas um prémio de carreira. Trata-se de (mais) uma grande obra de Paul Thomas Anderson, com uma ambição técnica só superada pela sua execução, um elenco ultra-carismático – que valeu a Cassandra Kulukundis o primeiro Óscar de Melhor Casting de sempre – e um argumento colorido de frases que ficam na memória (Melhor Argumento Adaptado foi, de resto, a categoria que rendeu a Paul Thomas Anderson o primeiro Óscar da noite e da carreira). Pelo meio, Sean Penn conseguiu o seu terceiro Óscar, vencendo em Melhor Actor Secundário por assumir o papel de um antagonista marcante. “Batalha Atrás de Batalha” chega no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. É um filme que aborda temas como a supremacia branca, abre com uma sequência em que revolucionários salvam imigrantes latino-americanos do exército norte-americano e o palco do ponto intermédio da narrativa é um confronto nas ruas de uma pequena localidade entre agentes da autoridade e manifestantes. No entanto, o filme foi produzido antes de Donald Trump ter sido sequer eleito. A verdade é que “Batalha Atrás de Batalha” fala da América actual, porque na verdade está a falar da América de sempre. É um filme que tem tanto de actual, como intemporal, e esta dupla faceta, somada a um mérito artístico evidente, tornou o filme inevitável. Multiculturalidade na História “Tenho muito orgulho nele, por me ter dado o presente das suas histórias sobre o Mississípi, por ter posto a tocar música ‘blues’ para eu ouvir e ter conversado comigo sobre isso”, afirmou Ryan Coogler, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por “Pecadores”. “Ele era o mais próximo que tive de um avô”, contou, considerando que o tio, que já morreu, continua a dar-lhe presentes até hoje. Coogler também se mostrou agradecido pelo sucesso de bilheteira de “Pecadores”, que cativou uma grande audiência em todo o mundo. “Estou incrivelmente grato pela interacção do público com a história na sala de cinema”, afirmou. “Isto foi algo em que sempre pensei. Perceber que, com a escrita, o que nos importa muitas vezes também importa a outras pessoas se conseguirmos comunicar os sentimentos da forma certa”, continuou. “Pecadores” bateu o recorde de nomeações para os Óscares, com 16 indicações, e deu a Michael B. Jordan a primeira vitória como Melhor Actor. Coogler revelou que pensou nele para interpretar o papel duplo de Smoke e Stack Moore antes mesmo de ter pronta a versão final do argumento. “Assim que imaginei o que estes dois personagens iam ser, soube que tinha de telefonar ao Mike”, contou o realizador. Coogler também elogiou os educadores e aqueles que preparam as próximas gerações, referindo que foi incentivado a fazer filmes por uma professora, quando tinha apenas 17 anos. “Ela leu uma coisa que escrevi e disse, ‘acho que devias ir para Hollywood e escrever argumentos'”, contou. Elevadas categorias Olhando para os diversos vencedores e vencidos por categoria, “Batalha Atrás de Batalha”, que o realizador Paul Thomas Anderson adaptou do romance “Vineland”, de Thomas Pynchon, venceu sobre os nomeados “Bugonia”, “Frankenstein”, “Hamnet” e “Sonhos e Comboios”. Sean Penn, ausente da cerimónia, foi o escolhido entre nomeados que incluíam Benicio Del Toro (“Batalha Atrás de Batalha”), Jacob Elordi (“Frankenstein”), Delroy Lindo (“Pecadores”) e Stellan Skarsgård (“Sentimental Value”). “Pecadores” obteve o primeiro prémio da noite, com Ryan Coogler a ser distinguido pelo Melhor Argumento Original, suplantando Robert Kaplow, por “Blue Moon”, Jafar Panahi, por “Foi Só Um Acidente”, Ronald Bronstein e Josh Safdie, por “Marty Supreme”, e Eskil Vogt e Joachim Trier, por “Sentimental Value”. O Óscar de Melhor Design de Produção — ou Dirceção Artística — foi para Tamara Deverell e Shane Vieau, por “Frankenstein”, deixando para trás “Hamnet”, “Marty Supreme”, “Batalha Atrás de Batalha” e “Pecadores”. Enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas” garantiu o Óscar de Melhores Efeitos Visuais a Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett. Os outros nomeados eram “F1”, “Mundo Jurássico: o Renascimento”, “The Lost Bus” e “Pecadores”. Lugar ao sentimento “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, vence Óscar de Melhor Filme Internacional. O prémio foi anunciado pelo actor Javier Barden, que recordou a guerra e clamou por “Palestina Livre!” Eram também candidatos a Melhor Filme Internacional “Foi só um Acidente”, de França, e “Sirât”, de Espanha. Durante a cerimónia, a Academia de Hollywood homenageou os profissionais de cinema que morreram durante o ano que passou, detendo-se em particular no realizador Rob Reiner, na actriz Diane Keaton e no actor, realizador e produtor Robert Redford. O director de fotografia português Eduardo Serra, a actriz italiana Claudia Cardinale, o dramaturgo britânico de origem checa Tom Stoppard e o realizador húngaro Béla Tarr foram outros homenageados, numa longa lista que também incluía realizadores como Robert Benton, Frederick Wiseman e Marcel Ophuls, e os actores Robert Duvall, Val Kilmer, Catherine O’Hara e Terence Stamp, entre profissionais de diferentes áreas do cinema.
João Santos Filipe SociedadeObesidade | Associação alerta para riscos da comida “ocidental” Vice-presidente de nova associação médica culpa os novos “hábitos alimentares ocidentalizados” pelo crescimento da obesidade em Macau, e pede à população que consuma menos take-away e faça mais exercício A vice-presidente da Associação Médica de Obesidade de Macau, Chou Mei Fong, considera que a adopção de “hábitos alimentares ocidentalizados” pela população está a levar a um aumento da obesidade. A posição foi tomada durante a cerimónia de fundação da Associação Médica de Obesidade de Macau, que aconteceu no domingo, e representou também a primeira sessão académica sobre o tema. Segundo o jornal Ou Mun, a vice-presidente da associação, Chou Mei Fong, alertou que, com base em inquéritos realizados no passado, mais de metade dos adultos em Macau têm excesso de peso. E entre as razões apontadas pela associação para uma tendência que se está a tornar cada vez mais comum, encontram-se os “hábitos alimentares ocidentalizados”. No âmbito desta posição, Chou Mei Fong sugeriu à população que preste mais atenção aos hábitos da vida, pratique mais exercício e evite ao máximo encomendar take-away, porque indicou ser um hábito propício ao desenvolvimento da obesidade. No âmbito da promoção de regimes de alimentação mais saudáveis, Chou Mei Fong prometeu uma associação em coordenação com o Governo para contribuir para a implementação do Plano de Acção para Macau Saudável. A associação espera assim contribuir com iniciativas como actividades para pesar os residentes, e promover um maior controlo, realização de intercâmbio com associações locais e instituições médicas. Mais investigação Por sua vez, a presidente da associação, Mónica Cristina Pon, apontou que a fundação da associação não só é a concretização das estratégias do Plano de Acção para Macau Saudável, mas também serve para integrar os recursos médicos, promovendo a cooperação de vários partes e uma plataforma inovadora. Os objectivos definidos pela profissional de saúde para a associação, passam também por elevar o nível académico dos médicos, divulgar as medidas de gestão saudável do peso e promover a prevenção da obesidade. A associação espera igualmente contribuir para que haja serviços médicos de maior qualidade. Na cerimónia esteve também presente o director dos Serviços de Saúde, Alvis Lo, que reconheceu o impacto da obesidade em Macau, apontado que o fenómeno não é recente, como acontece um pouco por todo o mundo. Alvis Lo elogiou ainda a fundação da associação, que considerou ser uma necessidade, desejando que este movimento se possa assumir como uma plataforma profissional para promover os estudos em Macau sobre fenómenos como a obesidade, metabolismo, ou outras áreas como a nutrição, farmacologia, e medicina comportamental. A prevenção e controlo da obesidade fazem parte dos objectivos do Plano de Acção para Macau Saudável do Governo.
João Santos Filipe SociedadeChe Sai Wang quer gravar provas de condução para acabar com polémicas O deputado Che Sai Wang defende a implementação de registos de imagens nas viaturas durante os exames de condução. A sugestão do deputado ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) surge numa interpelação escrita, e tem como objectivo permitir uma reavaliação dos exames, quando despontam polémicas face aos resultados. “Actualmente, o exame de condução de Macau é realizado principalmente através da avaliação ‘in loco’ e em ambiente rodoviário real; e o processo do exame envolve vários factores, tais como a manobra imediata, a situação rodoviária, a interacção do trânsito, etc., sendo a situação relativamente complexa”, começou por descrever o deputado. “Na falta de registos de imagens completas, quando surgem entendimentos divergentes ou situações em que é necessário esclarecer os detalhes do exame, só é possível recorrer a registos pontuais ou a esclarecimentos posteriores, o que não contribui, necessariamente, para a reconstituição plena e objectiva do processo de exame, causando insatisfação aos candidatos e mal-entendidos em relação aos examinadores”, apontou. “Pode-se então afirmar que o actual regime de fiscalização acaba apenas por aumentar os mal-entendidos e os preconceitos entre os candidatos e os examinadores”, avisou. Dar o salto O deputado defende assim a aplicação das novas tecnologias para resolver eventuais conflitos e quer saber se existem planos nesta direcção: “No contexto da promoção contínua da modernização dos regimes de trânsito e exames, os serviços competentes efectuaram algum estudo e introduziram, a curto prazo, medidas de apoio tecnológico nos exames de condução […] para registar, de forma global, todo o processo de exame […]?”, perguntou. Ao mesmo tempo, Che Sai Wang considera que a RAEM deve adoptar as políticas do Interior de “aplicação de tecnologias” modernas para “aperfeiçoar os mecanismos de registo do processo de exame e de fiscalização electrónica do pessoal”. O deputado quer saber se há planos neste sentido, para “elevar a transparência e a uniformidade do regime geral” de avaliação dos futuros condutores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaSubemprego | Pedido apoio a residentes com quebra de salários Num contexto em que os trabalhadores na área dos transportes e armazéns têm cada vez mais dificuldades em encontrar emprego a tempo inteiro, a deputada Wong Kit Cheng pede soluções ao Executivo A deputada Wong Kit Cheng pediu ao Governo para lançar novos apoios para fazer face à subida do subemprego, ou seja, das situações em que as pessoas trabalham menos horas do que as que desejam. O apelo foi feito através de uma interpelação escrita, divulgada no portal da Assembleia Legislativa. “Embora a taxa de desemprego se tenha mantido num nível baixo, a taxa de subemprego registou um aumento significativo, verificando-se esta situação principalmente nos ramos dos transportes e armazenagem, das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas e do comércio a retalho”, descreveu a legisladora. “Isto demonstra, por um lado, que os trabalhadores residentes estão a enfrentar o problema de subemprego no mercado de trabalho, o que tem um impacto substancial nos seus rendimentos e, por outro, que a procura no mercado está a diminuir, sendo que os referidos sectores estão a deparar-se com dificuldades operacionais”, apontou. Segundo os dados citados pela deputada, entre Novembro do ano passado e Janeiro, a taxa de subemprego foi de 2,2 por cento, um aumento de “0,2 por cento” em comparação com o período anterior. A taxa de desemprego foi de 2,2 uma redução de “0,1 por cento”. Face a esta situação, Wong Kit Cheng pretende saber como é que o Executivo vai utilizar os planos de formação e a plataforma com a oferta de cursos de requalificação para providenciar um “apoio concreto para a mudança de profissão” e “planos de formação técnica”. A legisladora, ligada à Associação da Mulheres, pediu também ao Governo ajudas para quem não consegue encontrar uma profissão num sector diferente daquele em que trabalhava, antes de ficar numa situação com rendimentos reduzidos: “Quanto aos indivíduos que não consigam mudar de profissão devido à idade, ao nível de competências, ao contexto familiar ou a outros factores, o Governo deve resolver o problema de subemprego, através da conjugação de emprego e de outras medidas de apoio. Como vai fazer isto?”, questionou. Licenciados à vista Ao mesmo tempo, Wong Kit Cheng mostrou-se preocupada com os próximos meses devido ao ingresso no mercado do trabalho dos alunos do ensino superior que terminam os seus estudos e entram no mercado de trabalho. A deputada aponta assim que “a procura de emprego vai aumentar”, pelo que pede explicações de como o Executivo “pode planear melhor e implementar medidas adequadas para fazer face à situação” para “reduzir o desfasamento com as competências práticas exigidas no local de trabalho”. Wong pediu também a “divulgação das informações” sobre o mercado de trabalho para que haja uma “transição suave” para os recém-licenciados que entram no mundo do trabalho. “É uma questão que merece atenção contínua por parte das autoridades competentes”, vincou.
João Santos Filipe Eventos MancheteRota das Letras | Andreia Sofia Silva apresenta livro sobre censura em Macau Andreia Sofia Silva, que apresentou no domingo um livro sobre a censura do Estado Novo em Macau, considera que a imprensa local nunca foi “plenamente livre e isenta”, e que durante o Estado Novo os jornais de língua portuguesa eram desproporcionalmente atacados pela comissão de censura face às publicações em chinês A jornalista do HM Andreia Sofia Silva apresentou no domingo, no último dia de programação do festival literário Rota das Letras, o seu livro “O Lápis Vermelho – A Censura do Estado Novo à Imprensa de Macau”. Numa sessão apresentada por Frederico Rato, a autora realçou as formas distintas como a Comissão de Censura à Imprensa tratou com dois pesos e duas medidas os jornais em língua portuguesa e os jornais em chinês. “Descobri depois mais documentação da Comissão de Censura à Imprensa já com provas de que a imprensa chinesa teria ido, também, à censura, mas sem consequências”, explicou Andreia Sofia Silva à Lusa. “Percebi depois no decorrer da investigação que as diferenças de tratamento para com as duas imprensas, em português e chinês, foram muitas por parte das autoridades”, acrescentou. Entre os exemplos encontrados estão suspensões de jornais portugueses, incluindo O Clarim, da Igreja Católica. “Com frequência quase semanal o governador enviava os recortes de jornais censurados para o Ministério do Ultramar, em Lisboa, para que as autoridades na metrópole fossem informadas dos temas abordados pela imprensa”, explicou Silva. Nos arquivos, porém, não encontrou provas de procedimentos semelhantes relativamente à imprensa chinesa. Um exemplo foi o Ou Mun Iat Pou, ainda hoje o maior jornal de Macau, que em determinados períodos reproduziu notícias com os cortes impostos pela censura. Para Andreia Sofia Silva, esta diferença de tratamento reflecte as limitações da autoridade portuguesa em Macau, sobretudo perante a influência política de Pequim. A investigação desenvolvida ao longo de cinco anos conclui que a censura actuou de forma plena sobre a imprensa portuguesa em Macau, mas de forma limitada à imprensa chinesa, revelando fragilidades da administração colonial portuguesa. “Através da análise à censura do Estado Novo podemos percepcionar as fragilidades da administração portuguesa face às autoridades de Pequim, constituindo mais uma prova de que Portugal nunca exerceu autonomia plena sobre Macau”, disse. Antes e depois O trabalho de investigação da autora decorreu entre 2020 e Janeiro de 2025, com base sobretudo na documentação da Comissão de Censura à Imprensa conservada no arquivo diplomático português. Andreia Sofia Silva lembra que, ao longo do século XX, os jornais foram também frequentemente utilizados como instrumentos políticos por diferentes forças. Segundo a autora, na imprensa portuguesa “havia uma defesa do império e da necessidade da Guerra Colonial”, enquanto na imprensa chinesa “surgiam notícias com foco nos movimentos de libertação”. Nos anos da Guerra Sino-Japonesa, por exemplo, a região funcionou como um espaço onde coexistiam várias correntes políticas. “A história traz-nos mensagens e reflexões relacionadas com as especificidades de Macau e das suas gentes, que podem ser lidas também à luz do panorama actual”, disse Silva. A investigadora considera que história da imprensa na cidade mostra que o exercício do jornalismo no território sempre esteve condicionado por factores políticos e sociais. “A imprensa de Macau nunca foi plenamente livre e isenta, por vários motivos e contextos históricos”, afirmou. Apesar das mudanças ocorridas nas últimas décadas, Andreia Sofia Silva considera que o jornalismo no território continua a enfrentar desafios estruturais. “Assistimos hoje a um grande decréscimo de massa crítica e de opinião pública. Mas devo dizer que a sociedade de Macau nunca teve muito esse pendor”, concluiu.
João Santos Filipe Manchete SociedadeSS| Proibição de cigarros electrónicos vai entrar logo em vigor Os Serviços de Saúde consideram que a legislação actual pode ser contada como um período transitório para a proibição total do cigarro electrónico O Governo quer tolerância zero contra os fumadores de cigarros electrónicos e promete que a proibição total vai entrar em vigor, assim que a futura lei for aprovada na Assembleia Legislativa. A posição do Executivo foi explicada por Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde (SS), que quer tornar ilegal a posse e o consumo deste produto. “A segunda revisão à lei [de prevenção e controlo do tabagismo] entrou em vigor no final de 2022. Já estão proibidos o fabrico, distribuição, importação, exportação e transporte de cigarros electrónicos”, afirmou Alvis Lo, na mais recente sessão de consulta pública, de acordo com o Canal Macau. “Teoricamente, os últimos três anos em que a lei esteve em vigor serviram como período de transição. Por isso, não vamos criar outro período transitório para a posse [e consumo] de cigarros electrónicos no espaço público, porque as pessoas já devem estar adaptadas [às novas restrições]”, acrescentou. O novo regime prevê a utilização de câmaras de filmar pelos fiscalizadores. Apesar desta alteração, Alvis Lo considera que a privacidade dos fumadores e dos inspectores vai ser protegida e que não haverá utilização dos equipamentos para fazer prova contra eventuais fumadores. “Durante a implementação da nova lei, os inspectores e fumadores vão ser protegidos. Os vídeos das câmaras [dos inspectores] não vão ser utilizados como prova para verificar se os fumadores violaram a lei”, foi prometido. Futuro em aberto Alvis Lo indicou também que nesta revisão não se vai permitir a utilização do sistema de CCTV da cidade para perseguir os fumadores. No entanto, não afastou estas possibilidade no futuro. “Quanto ao uso de câmaras de vigilância no espaço público na implementação da lei do tabaco, não se trata apenas de uma questão técnica, mas está também relacionado com o nível de recepção da sociedade sobre a vida privada. Por isso, a curto prazo não vamos seguir essa via”, vincou. Quando apresentaram a consulta pública sobre o futuro diploma que vai limitar as áreas para fumar e proibir os cigarros electrónicos, assim como a pasta para os cachimbos de água, os SS defenderam que os cigarros electrónicos são mais prejudiciais do que os tradicionais. “Os cigarros electrónicos não são melhores do que os cigarros tradicionais. Mas, com diferentes sabores e diferentes formas, são mais atraentes e conseguem atrair o consumo dos jovens”, afirmou, na altura, Lam Chong, chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e Alcoolismo dos Serviços de Saúde. “Algumas pessoas, passado algum tempo, passam a fumar cigarros tradicionais”, acrescentou.
João Santos Filipe Manchete SociedadeHabitação | Empréstimos com aumento anual de quase 20% O ano arrancou com a procura de financiamento para compra de habitação a subir. No entanto, o incumprimento dos empréstimos também apresenta um crescimento anual Em Janeiro, o montante dos novos empréstimos para a compra de habitação registou um crescimento anual de praticamente 20 por cento. Os dados foram divulgados, na sexta-feira, pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM). No primeiro mês do ano, os novos empréstimos para a compra de habitação atingiram 1,59 mil milhões de patacas, quando em Janeiro de 2025 o valor não tinha ido além dos 1,33 mil milhões de patacas. Quando a comparação é feita com o mês anterior, Dezembro de 2025, a subida é mais significativa, atingido os 76,7 por cento, dado que nesse mês o valor dos empréstimos hipotecários foi de 898,4 milhões de patacas. “De Novembro de 2025 a Janeiro de 2026, o número médio mensal dos novos Empréstimos Hipotecários para Habitação aprovados atingiu 1,25 mil milhões de patacas, correspondendo a um aumento de 12,3 por cento em comparação com o período anterior (De Outubro a Dezembro de 2025)”, foi comunicado pela AMCM. Os dados revelam também que entre o montante dos novos empréstimos para a compra de habitação, 98,7 por cento partiu de residentes, um valor de 1,57 mil milhões de patacas, enquanto os restantes 1,3 por cento, ou 20,4 milhões partiram de não-residentes. Apesar do aumento dos empréstimos para a habitação, o montante total de todos os empréstimos, incluindo novos e antigos, apresenta uma redução anual de 5,4 por cento, para 206,06 mil milhões de patacas. Em relação ao ano passado, registou-se também um aumento anual do incumprimento dos empréstimos para a compra de habitação, com o valor a ser de 3,6 por cento, uma subida de 0,1 pontos percentuais. Menor actividade No que diz respeito aos novos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias, Janeiro representou uma redução anual de 61,6 por cento, com o montante dos novos empréstimos a cair para 560,8 milhões de patacas. Há um ano, o valor dos novos empréstimos para investir neste sector ultrapassava 1,46 mil milhões de patacas. Quando a comparação é feita a nível mensal, Janeiro de 2026 apresentou um aumento de 15,1 por cento, dado que o valor tinha sido de 487,2 milhões de patacas, em Dezembro de 2025. Com estas alterações, o valor total deste tipo de empréstimos teve uma queda anual de 8,5 por cento, para 137,45 mil milhões de patacas. Em comparação com Dezembro de 2025, a redução foi de 0,5 por cento. A taxa de incumprimento dos empréstimos comerciais para actividades imobiliárias manteve-se em 5,4 por cento, o que significa que não houve alterações em termos anuais nem mensais.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTaichung | Arguidos de caso de explosão dizem-se inocentes Cinco dos 13 arguidos do caso da explosão num centro comercial em Taichung, que causou a morte a três residentes de Macau, declararam-se inocentes. O acidente vitimou cinco pessoas, causou 38 feridos e os arguidos estão indiciados por crimes de homicídio por negligência. De acordo com o jornal Liberty Times, na sessão de quarta-feira do julgamento, a defesa vincou que os arguidos cumpriram as suas obrigações e seguiram as orientações de segurança recomendadas. A explosão aconteceu a 13 de Fevereiro, no 12.º andar do Centro Comercial Shin Kong Mitsukoshi, onde o espaço de restauração estava a ser renovado. Os residentes de Macau atingidos pela tragédia, todos da mesma família, não estavam no interior do edifício, mas passavam na rua, onde foram atingidos pelos estilhaços da explosão. Segundo os factos que constam na acusação, o proprietário da área de restauração não fez qualquer pedido de licença para realizar as obras, nem apresentou um plano de segurança especial contra incêndios, antes de começar os trabalhos. Além disso, a acusação aponta que antes do início das obras, as condutas do gás não foram fechadas correctamente, o que terá originado a fuga, que depois levou à explosão. Também os detectores de fugas de gás foram removidos durante as obras, o que levou a acusação a considerar que quase todo o mecanismo de segurança contra incêndios estava comprometido. Ruptura de conduta Na perspectiva da acusação, o acidente aconteceu quando os operários estavam a utilizar uma máquina para remover o tecto e furaram, sem se aperceberem, a conduta principal de gás do edifício, assim como um cano de abastecimento secundário. A ruptura levou a uma fuga que fez com que no espaço de 35 minutos fossem libertados para a área da restauração 157,5 metros cúbicos de gás. Quando um outro trabalhador utilizou uma cortadora eléctrica, gerou-se a faísca responsável pela explosão. Na quarta-feira, o tribunal ouviu o empreiteiro e quatro trabalhadores, com todos eles a declararem-se inocentes do crime de homicídio por negligência. Por sua vez, os advogados dos arguidos contestaram a versão da acusação, por entenderem que não está provado que o acidente esteja ligado à actuação dos arguidos durante as obras. A família de Macau afectada pela tragédia, durante as férias, era composta por sete elementos. Nos momentos logo a seguir à explosão foram declaradas duas mortes, do avô e da avó. No entanto, a filha do casal morreu mais tarde, depois de ter sofrido ferimentos graves e ser transportada para Macau.
João Santos Filipe Manchete PolíticaCombustíveis | Preços a aumentar entre 1 e 17 por cento Na sequência dos bombardeamentos do Irão pelos Estados Unidos e Israel, e das restrições à navegação no estreito de Ormuz, também em Macau o preço dos combustíveis ficou mais caro. Segundo os cálculos feitos pelo HM, com base na informação divulgada pelo Conselho dos Consumidores (CC), que não é actualizada de forma regular, os preços cresceram entre 1 e 17 por cento. O maior aumento aconteceu ao nível da gasolina premium, nos postos de abastecimento da marca Shell. No dia 4 de Março, o litro de gasolina premium custava 15,42 patacas, mas subiu para 17,69 patacas, ao dia de ontem, uma diferença de 2,27 patacas por litro, ou 16,69 por cento. Em relação à outra operadora presente neste segmento do mercado de gasolina, a Esso, no dia 4 de Março o preço por litro era de 16,90 patacas, que aumentou para 17,10 patacas, ao dia de ontem, um crescimento de 29 avos ou de 1,1 por cento. No mercado de gasolina sem chumbo, os preços ficaram mais caros entre 1,3 por cento e 6,3 por cento. Os clientes da Nam Kwong sentiram o maior crescimento, tendo em conta uma comparação que começa a 28 de Fevereiro. Nesse dia, a gasolineira vendia o litro de gasolina sem chumbo por 14,20 patacas. No entanto, na quarta-feira, o litro da gasolina era vendido a 15,03 patacas, mais 89 avos, uma subida de 6,3 por cento. A marca tem dos preços mais baratos do mercado. Em relação à Caltex, existe um preço diferente no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, mais barato, face aos restantes. No primeiro caso, houve um aumento de 4,4 por cento do preço, de 14,06 patacas por litro, a 3 de Março, para 14,68 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 62 avos. Nos restantes postos, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro para 16,09 patacas por litro. Na Esso, a gasolina ficou 1,3 por cento mais cara, dado que a 4 de Março era vendida a 15,30 patacas por litro, e no dia 11 era comercializada a 15,50 patacas, um aumento de 20 avos por litro. Na Shell, o aumento foi de 5,6 por cento (85 avos), de 15,24 patacas por litro, a 3 de Março, para 16,09 patacas por litro, a 11 de Março. Também a Total teve um aumento do preço de 5,6 por cento de 15,14 patacas por litro para 15,99 patacas por litro, um aumento 85 avos por litro. Diesel mais caro Em relação ao gasóleo, os aumentos para os consumidores variaram entre 2,4 por cento e 6,8 por cento. A Nam Kwong apresentou o maior preço para os clientes, com o litro a subir para 16,94 patacas, na quarta-feira, quando no dia 28 de Fevereiro era comercializado por 15,68, um aumento de 1,26 patacas por litro (6,8 por cento). Estes aumentos foram acompanhados de perto pela Caltex e Shell, com o preço do diesel a subir 6,7 por cento. No caso da Caltex, a maioria dos preços aumentou 6,7 por cento para 17,89 patacas por litro, a 11 de Março, quando a 3 de Março custava 16,76 por cento, com o preço do litro a ficar 1,13 patacas mais caro. A excepção foi o posto de abastecimento da Estrada Marques Esparteiro, onde o preço subiu 5,6 por cento, de 15,41 patacas por litro para 16,28 patacas (mais 87 avos). Na Shell os preços cresceram de 16,76 patacas por litro, a 11 de Março, para 17,89 patacas, uma diferença de 1,13 patacas por litro. Na Total o preço do diesel subiu 4,8 por cento, de 16,61 patacas por litro para 17,40 patacas, uma diferença de 79 avos. A Esso apresentou o menor crescimento, o que não significa que pratique os preços mais baratos. A 4 de Março, a gasolineira cobrava 16,60 patacas por litro, mas na quarta-feira o preço estava nas 17,10 patacas uma diferença de 2,4 por cento, ou 50 avos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEconomia | Hengqin quer atrair lojas centenárias de Macau As autoridades de Hengqin querem atrair as lojas centenárias e com características de Macau para a Ilha da Montanha. Para tal, lançaram apoios como a entrega de um subsídio de 300 mil renminbis. As medidas foram divulgadas na quarta-feira, durante uma apresentação das novas políticas de apoio à economia, que decorreu no Centro de Convenções e Exposições IFC de Hengqin. O evento de quarta-feira visou informar a audiência sobre os benefícios para a economia dos novos apoios, que começaram a ser distribuídos no início do mês e se vão prolongar até ao final de 2029. Também como parte das medidas, consta a intenção de promover uma integração mais profunda entre Hengqin e Macau. É neste contexto que surgem os apoios para atrair para a Ilha da Montanha as lojas em Macau classificadas pelo Governo da RAEM como “Marca Centenária”, “Marca Típica de Macau” ou “Lojas com Características Especializadas e Delicadas”. Segundo o Executivo, que atribui as distinções, as marcas centenárias são as que têm “um legado histórico centenário, uma base cultural profunda e distintiva e possuem técnicas únicas”. As marcas típicas têm “uma longa história” ou “produtos, técnicas ou serviços herdados e transmitidos de geração-em-geração”. Finalmente, a classificação das Lojas com Características Especializadas e Delicadas distingue as lojas com “boa qualidade e integridade” que obtêm “uma reputação favorável”. De acordo com as novas medidas aplicadas em Hengqin, se as subsidiárias destas lojas se estabelecerem no território e cumprirem os requisitos do programa, depois de operarem durante um ano têm direito a um apoio financeiro de 300 mil renminbis, pago de uma vez. As medidas de apoio visam também a economia de baixa altitude, como a distribuição de drones, passeios turísticos de helicóptero e espectáculos de drones. Tudo orquestrado Segundo o comunicado da Direcção dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, o chefe da Divisão de Cultura, Turismo, Convenções e Exposições e Comércio, Lam In Kit, destacou que as medidas estão alinhadas com os objectivos da segunda fase de desenvolvimento da zona de cooperação, que passa por uma melhor integração de Hengqin e Macau. O responsável apontou que as medidas constituem um sistema de apoios de “modernização industrial, diversificação negocial e actualização dos serviços”, que assim vai abranger mais pessoas e empresas, na esperança de que se injecte uma nova dinâmica na transformação de Hengqin numa Ilha Internacional de Turismo e Lazer e numa zona turística com classe mundial. Durante a apresentação das medidas, foi também anunciado que o acesso aos apoios para as Pequenas e Médias Empresas vão ser facilitados. No caso das PME com volumes de negócios de 300 mil a um milhão de renminbi, haverá um pagamento de um apoio no valor de 5 por cento do volume de negócios, que não pode ser superior a 50 mil renminbis. Se o volume de negócios ultrapassar um milhão de renminbis, as empresas podem obter um bónus de dez por cento do volume, limitado a um máximo de 100 mil renminbis.
João Santos Filipe PolíticaPrisão | Guarda aceitava subornos para deixar entrar bens O principal visado pela investigação do CCAC terá recebido “pelo menos” 17 mil patacas para deixar entrar produtos na prisão, que depois eram vendidos por um recluso, que lucrava com o esquema O Comissariado contra a Corrupção (CCAC) anunciou ter descoberto o caso de um guarda prisional da Direcção dos Serviços Correccionais (DSC) que aceitava subornos para ajudar um recluso a “contrabandear produtos para o estabelecimento prisional”. A investigação focou também um outro guarda prisional, que está actualmente aposentado. “Na sequência da investigação, o CCAC verificou que o guarda prisional no activo terá aproveitado as suas funções para ajudar um recluso a contrabandear produtos para a zona prisional”, foi divulgado. Quando os bens chegavam ao recluso, este fazia a venda no interior da prisão para lucrar com a ilegalidade. “O recluso em causa pagou, através da sua esposa, ao guarda prisional um valor de pelo menos 17 mil patacas como contrapartida pela sua ajuda”, foi explicado. Este guarda prisional é suspeito da prática dos crimes de corrupção passiva para acto ilícito, que tem uma pena que pode chegar aos oito anos de prisão, e do crime de falsificação de documento, cuja penalização pode chegar aos três anos de prisão. A investigação não se ficou pelo suborno nem pelo contrabando no interior da prisão. As autoridades também anunciaram que o guarda prisional “já tinha cometido, por duas vezes, infracções por excesso de velocidade”. No entanto, foi descoberto que o guarda, “para se eximir das responsabilidades”, “terá recorrido a um membro da família e a um amigo para assumirem a culpa”. Os familiares e o amigo, que segundo a investigação foram utilizados como bodes expiatórios, são suspeitos da prática do crime de falsificação de documento, cuja pena pode chegar ao três ano de prisão. Outro envolvido Em relação ao segundo guarda prisional investigado, que agora se encontra aposentado, foi indicado que “terá prestado auxílio, durante a altura de exercício das suas funções, a um outro recluso no contrabando de produtos para o estabelecimento prisional”. Este guarda prisional foi ainda investigado por ter “ajudado” o recluso “a trocar mensagens, secretamente e por várias vezes, com a sua família”. Face à investigação, o aposentado é suspeito da prática do crime de abuso de poder, punido com pena de prisão que pode chegar aos três anos. Segundo o CCAC, os casos foram encaminhados para o Ministério Público e comunicados à DSC. Em reacção à investigação, a DSC declarou estar “profundamente triste pelo facto de alguns guardas prisionais terem conscientemente infringido a lei e violado os seus deveres, prejudicando gravemente a reputação da polícia prisional”. A DSC indicou ainda que “leva este assunto muito a sério e cooperará plenamente com as autoridades judiciais na investigação criminal”. “A DSC reitera que tem tolerância zero para quaisquer violações ilegais ou disciplinares por parte de qualquer membro do pessoal e que irá lidar com elas de forma séria, de acordo com a lei, a fim de defender o primado da lei e manter a reputação e credibilidade do serviço correccional”, foi acrescentado.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEconomia | Pedido regresso de cupões de consumo A Associação Industrial e Comercial de Macau defende uma economia híbrida, com períodos em que as PME vivem com base no aumento de turistas, nas épocas altas, e nos apoios ao consumo, durante as épocas baixas Face à redução do número de turistas em Macau, no pós-Ano Novo Lunar, o presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau, Ng Wah Wai, defendeu mais medidas de incentivo ao consumo interno, como os cupões de desconto. A posição de Ng foi partilhada em declarações citadas pelo jornal Ou Mun. Segundo a Associação Industrial e Comercial de Macau, os cupões de desconto são uma forma eficiente de promover a economia durante os períodos em que há menos turistas no território. Ng defendeu uma economia híbrida, com períodos em que as Pequenas e Médias Empresas (PME) conseguem viver apenas com as receitas adicionais dos turistas, durante as épocas altas, e outros em que face à redução dos visitantes, as PME recebem a ajuda dos cupões de consumo. Ng Wah Wai avisou igualmente que o número de visitantes em Macau vai continuar a diminuir gradualmente nos próximos meses, pelo que a distribuição de cupões é vital para impulsionar a economia comunitária, e aliviar as preocupações das PME. O presidente executivo da Associação Industrial e Comercial de Macau apelou também ao Executivo para que pondere permitir a utilização dos cupões em mais sectores, além da restauração e do retalho, e que aumente o montante directamente atribuído aos idosos. Novos modelos A possibilidade de serem distribuídos mais cupões de consumo foi abordada também por Matthew Liu Ting Chi, docente da Faculdade de Gestão de Empresas da Universidade de Macau. Liu defendeu o programa dos cupões, por considerar que numa perspectiva macroeconómica e microeconómica estas medidas de incentivo ao consumo trazem efectivamente uma nova vitalidade ao mercado. No entanto, o académico sugeriu que o Executivo pondere alterar o modelo utilizado nas últimas edições de atribuição de cupões. Até agora, este tipo de programas tem funcionado com os cupões a poderem ser obtidos por sorteio, realizado com base no consumo efectuado nos dias de semana. Os cupões podem depois ser utilizados no fim-de-semana imediatamente seguinte ao sorteio, e apenas nesses dias. Liu Ting Chi sugere um novo modelo em que as pessoas só se podem habilitar aos cupões quando consomem ao fim-de-semana, podendo depois utilizar os descontos durante os dias da semana. O académico pediu também um período mais longo para a utilização dos cupões, além do fim-de-semana imediatamente a seguir à atribuição, para permitir novos padrões de consumo. Desta forma, o académico da UM acredita que o consumo vai abranger mais sectores, além dos supermercados, farmácias e restaurantes, os sectores mais beneficiados pelas medidas anteriores.
João Santos Filipe Manchete PolíticaShuttle Bus | Governo diz que pediu mais serviços às operadoras Após a polémica com a falta de alternativas para assegurar os serviços shuttles dos condomínios, o Governo defende-se e indica que pediu às operadoras de autocarros públicos para disponibilizarem mais viaturas Em relação às dificuldades dos edifícios residenciais em disponibilizarem serviços de shuttle, o Governo indica que pediu às operadoras de transportes públicos para disponibilizarem mais autocarros. As explicações surgem numa resposta a uma interpelação do deputado Chan Hao Weng, que vem assinada por Chan U Tong, director dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL). As dificuldades de contratação de serviços de autocarros pelos condomínios dos grandes complexos habitacionais tornaram-se uma preocupação dos deputados, com a entrada em vigor da lei da actividade das agências de viagens e da profissão de guia turístico, onde consta a proibição das agências de viagem disponibilizarem este tipo de serviço de transporte. Agora o Governo vem dizer que pediu às operadoras dos autocarros públicos para disponibilizarem mais autocarros. “O Governo da RAEM, através de coordenação interdepartamental, promoveu junto das duas operadoras de autocarros o aluguer dos seus ‘veículos não operacionais’ para a prestação de serviços de transporte, com vista a dar resposta às necessidades de deslocação dos moradores dos complexos habitacionais em causa”, foi indicado. Ao mesmo tempo, o Governo defendeu que pediu mais autocarros a circular junto dos edifícios: “A DSAT solicitou ainda às operadoras de autocarros que reforçassem a atenção à situação de espera nas paragens na envolvente dos complexos, aumentando atempadamente a frequência dos serviços para melhor escoar o fluxo de passageiros”, foi acrescentado. Apesar da resposta, em que o director da DSAL cita a posição da DSAT, a questão do aumento dos custos do transporte não é abordada pelos governantes. Proibição anterior Quanto à proibição dos autocarros das agências de viagem serem contratados para este serviço de shuttle, o Governo insiste que a medida estava em vigor, ainda antes da nova lei, apesar da prática generalizada. “Entre 2015 e 2025, registaram-se mais de 140 procedimentos instaurados contra as agências de viagens que violaram as normas relativas ao uso de veículos, incluindo a prestação ilegal de autocarros de turismo como autocarros para trabalhadores ou como autocarros de ligação para os complexos habitacionais”, foi indicado. Os números apresentados representam uma média de 12,7 “procedimentos instaurados” por ano. “Enquanto entidade fiscalizadora, a DST tem supervisionado, nos termos da lei, a actividade das agências de viagens, e desde que se verifique a prestação ilegal de serviços por parte das agências de viagens, será instaurado o respectivo procedimento”, foi frisado.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTecnologia | Mulher exaltada com robô recebeu assistência médica O CPSP informou que o robô humanóide era controlado por um homem com cerca de 50 anos, que tem como objectivo comercializar este tipo de equipamentos no futuro O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) anunciou que a mulher que foi vista a discutir com um robô humanóide teve de receber tratamento médico, depois de se ter assustado. A informação foi adianta numa resposta enviada ao HM. “Por volta das 21h00 do dia 5 de Março, a Polícia de Segurança Pública recebeu uma denúncia de que uma mulher precisava de ajuda do lado de fora de um prédio na Rua do Sul, em S. Lázaro. Os agentes dirigiram-se imediatamente ao local”, foi indicado. “Verificou-se que a mulher, enquanto utilizava o telemóvel, se assustou ao perceber que um robô se aproximava por trás. Não houve contacto físico entre a mulher e o robô, nem ela sofreu quaisquer ferimentos. No entanto, ela relatou sentir-se indisposta e precisou de tratamento hospitalar”, foi acrescentado. Na segunda-feira à noite, a mulher já tinha recebido alta, mas optou por não apresentar qualquer tipo de queixa contra o proprietário do robô. “Ela recebeu alta e não tomou nenhuma medida legal em relação ao incidente”, foi informado. O CPSP revelou também que o robô foi devolvido ao dono, depois de lhe recomendarem uma utilização cuidadosa do mesmo. A mesma fonte esclareceu que o robô não era operado por inteligência artificial: “O robô envolvido era operado por um homem local na casa dos cinquenta anos, que afirmou estar a realizar testes na altura, com a intenção de o utilizar para promoções comerciais no futuro”, foi apontado. “A polícia lembrou ao homem que, ao operar robôs, ele deve permanecer constantemente atento à situação para evitar causar perigo ou alarme ao ambiente circundante ou aos transeuntes”, foi adicionado. Pedidos de regulação Este foi o segundo incidente público com um robô humanóide no território nas últimas semanas. Também no primeiro caso, o robô estava a ser testado para depois ser comercializado, de acordo com Zeng Zengwei, membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte. Na reunião mais recente deste conselho, este membro fez um pedido às autoridades para implementarem uma nova regulamentação para lidar com os robôs, principalmente face à possibilidade de serem controlados por inteligência artificial e devido aos equipamentos de captação de imagem e som, que podem colocar em causa a protecção de dados pessoais.
João Santos Filipe SociedadeParadise Entertainment | Alerta para redução de lucros A Paradise Entertainment, que geria o casino-satélite Kam Pek e se dedica à disponibilização de máquinas de jogo, alertou os investidores para uma redução dos lucros de 63,5 por cento em 2025, para 139,4 milhões de dólares de Hong Kong. O aviso foi deixado num comunicado enviado à Bolsa de Hong Kong, onde se indica que parte da redução dos lucros se deveu aos pagamentos feitos à SJM relacionados com os trabalhadores do casino-satélite Kam Pek, encerrado no ano passado. “Esta diminuição nos lucros deveu-se principalmente […] pelos pagamentos do grupo aos funcionários e os reembolsos à SJM Resorts, relacionadas com os empregadores contratados pela SJM Resorts que trabalhavam para o Casino Kam Pek Paradise”, foi indicado. Estes pagamentos totalizaram 42,1 milhões de dólares de Hong Kong. Entre os factores que contribuíram para a redução dos lucros, a empresa apontou também a diminuição de 85,2 milhões de dólares de Hong Kong das receitas provenientes da prestação de serviços de gestão de casinos em Macau e uma redução de 165,5 milhões de dólares de Hong Kong na venda de equipamentos de jogo. Em 2024, a empresa responsável pela operação do Kam Pek tinha registado lucros de 245,5 milhões de dólares de Hong Kong.
João Santos Filipe SociedadeJogo | Citigroup destaca “começo sólido” de Março Março teve um “começo sólido” em termos de receitas do jogo, de acordo com o mais recente relatório do banco de investimento Citigroup. O documento é citado pelo portal GGRAsia. “Com base nas nossas fontes da indústria, verificámos que as receitas brutas do jogo de Macau nos primeiros oito dias de Março terão atingido cerca de 5,65 mil milhões de patacas”, consta no relatório assinado por George Choi e Timothy Chau. “Isto implica uma média diária de receitas de cerca de 706 milhões de patacas, cerca de 4 por cento inferior à medida das receitas brutas do jogo em Fevereiro de 2026 – 737 milhões de patacas por dia –, mas cerca de 11 por cento superior à de Março de 2025, de 634 milhões de patacas por dia”, foi acrescentado. Segundo a Citi, os vários espectáculos organizados pelas concessionárias dos casinos no início de Março contribuíram para o aumento anual das receitas do jogo. “Acreditamos que os concertos da boy band coreana Treasure na Arena Venetian, do cantor e compositor chinês Wang Sulong e do grupo feminino coreano Aespa na Arena Galaxy podem ter contribuído para o sólido início de Março de 2026”, foi apontado. Os bons números não deixam de representar uma redução esperada das receitas em comparação com Fevereiro, que normalmente é uma das épocas altas do jogo, por coincidir com o Ano Novo Lunar. “Com base em fontes do sector, os volumes VIP caíram entre 2 por cento a 4 por cento em relação ao mês anterior, e das receitas de massas entre 3 por cento e 5 por cento em relação ao mês anterior”, observaram.
João Santos Filipe Manchete SociedadeHutchison | Venda da “3” em Macau rendeu 110 milhões A venda da “3” foi explicada com as perdas da operadora ligada à Hutchison Telecom que atingiram 43 milhões de dólares de Hong Kong. O mercado das telecomunicações de Macau fica agora totalmente concentrado nas empresas estatais chinesas CITIC e China Telecom A venda da operadora de telecomunicações “3” pela Hutchison Telecom à Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM) rendeu à empresa de Hong Kong 110 milhões de dólares de Hong Kong. Os números constam dos resultados anuais da empresa, divulgados num comunicado à Bolsa de Hong Kong na segunda-feira. “Em Janeiro de 2026, o Grupo concluiu a venda de todos os seus interesses na 3 Macau por um valor de 110 milhões de dólares de Hong Kong, encerrando mais de duas décadas de operações no mercado de Macau”, foi explicado por Canning Fok Kin Ning, presidente da Hutchison Telecom, que faz parte do grupo fundado por Li Ka-shing. “A venda irá servir para apoiar melhorias sustentadas na rentabilidade do grupo nos próximos anos, permitindo redistribuir os recursos de forma mais eficaz e simplificar ainda mais a sua estrutura operacional”, acrescentou o presidente. O documento mostra também que as perdas da empresa em Macau se vinham a acentuar nos últimos anos. Em 2025, as perdas em Macau foram de 43 milhões de dólares de Hong Kong, um valor que aumentou 72 por cento em relação ao ano anterior, quando as perdas em Macau tinham sido de 25 milhões de dólares de Hong Kong. Esta é uma diferença de 18 milhões de dólares de Hong Kong, que teve um impacto significativo nos resultados do grupo. O ano de 2025 fechou para a Hutchison Telecom com perdas de 25 milhões de dólares de Hong Kong, quando no ano anterior se tinha registado um lucro de 6 milhões. Regime de monopólio Com a venda da Hutchison à CTM, o mercado fica formalmente com três operadoras, uma vez que a marca 3 vai ser mantida, por agora, mas a CTM e a 3 passam a ser controladas pelos mesmos accionistas, essencialmente o Grupo CITIC, uma empresa estatal chinesa. A outra operadora do mercado de Macau é igualmente uma empresa estatal-chinesa, neste caso a China Telecom. Esta situação tem levantado preocupações para uma possível fragilização da posição dos clientes, como foi exposto pela associação Centro da Políticas da Sabedoria Colectiva, através do vice-presidente do Loi Man Keong. No entanto, o Governo afastou eventuais preocupações, desvalorizando a concentração e prometeu continuar a exercer as funções de regularização. “Esta transmissão de participações sociais envolve, essencialmente, uma alteração dos accionistas da Hutchison, que continua a operar a sua rede e a prestar serviços”, foi indicado num comunicado da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT). “Por outras palavras, actualmente, o mercado continua a contar com três operadoras de telecomunicações móveis, e o Governo continua a fiscalizar, rigorosamente, o cumprimento, por parte da Hutchison, das suas obrigações constantes da licença, garantindo a prestação dos serviços de telecomunicações móveis estáveis aos utilizadores”, foi acrescentado.
João Santos Filipe PolíticaNovo Bairro | Pedida maior circulação de empregadas domésticas A deputada Wong Kit Cheng está em Pequim, para participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), onde pediu que as empregadas domésticas contratadas em Macau possam trabalhar em toda a Zona de Cooperação, e não apenas no Novo Bairro de Macau Wong Kit Cheng, deputada ligada à Associação das Mulheres de Macau, defendeu a facilitação da política que permite aos residentes locais levarem as empregadas domésticas estrangeiras para a Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha. A posição foi tomada por Wong em Pequim, onde se encontra a participar na Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), como representante da RAEM. Segundo a sua intervenção, que foi partilhada através do portal da Associação das Mulheres, Wong começou por destacar a importância da implementação desta política, limitada ao Novo Bairro de Macau, e indicou que este resultado tido como positivo só foi possível devido aos governantes do Interior. No entanto, a legisladora sugeriu que o processo se torne mais abrangente, uma vez que actualmente só existem 62 trabalhadoras não-residentes a desempenhar funções de empregadas domésticas neste bairro de Hengqin, onde apenas podem viver residentes de Macau. Com base nos dados oficiais, Wong indicou que apenas 14 por cento dos residentes de toda a Zona de Cooperação Aprofundada recorrem a trabalhadores não-residentes contratados em Macau. Todavia, os estudos sobre o assunto, mencionados pela deputada, apontam que mais de metade dos residentes de Macau em Hengqin pretende recorrer a trabalhadores não-residentes contratados em Macau, em vez de mão-de-obra disponível no Interior. Próximo nível Com base no cenário descrito, Wong Kit Cheng indicou que a maior utilização de trabalhadores não-residentes contratados em Macau no Interior pode ser alcançada através de duas alterações nas políticas actuais. A primeira forma, passa por facilitar a circulação na Zona de Cooperação Aprofundada com as empregadas domésticas contratadas em Macau a poderem circular por toda a Zona, em vez de ficarem limitadas ao Novo Bairro de Macau. Segundo Wong, desta forma os residentes de Macau a viver e a trabalharem no outro lado da fronteira podem sentir melhor os benefícios das políticas nacionais. Em segundo lugar, a deputada ligada à Associação das Mulheres admite a criação de um novo sistema de segurança entre Macau e o Guangdong, para controlar as entradas e a circulação destas empregadas. Segundo Wong Kit Cheng, esse novo mecanismo permitiria aos residentes recorrerem a esta mão-de-obra, ao mesmo tempo que se mitigavam os riscos para a segurança no Interior. A deputada sublinhou ainda que um mecanismo deste género tem igualmente de garantir a protecção laboral destes trabalhadores.
João Santos Filipe SociedadeCBRE acredita em melhorias nos resultados da SJM, mas aponta desafios A empresa de serviços financeiros CBRE acredita que os resultados da SJM podem “apresentar sinais de melhoria” ao longo deste ano, depois de as contas de 2025 da concessionária terem sido marcadas por uma redução de 15 por cento nos Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA, em inglês). As previsões constam de um relatório da empresa americana, citado pelo portal GGRAsia, que aponta vários factores com os quais a concessionária vai ter de lidar. Segundo os analistas John DeCree e Max Marsh, os possíveis motivos de optimismo prendem-se com os investimentos feitos nas renovações dos hotéis-casinos da empresa, assim como a criação de uma nova equipa de marketing. “Na segunda metade do ano, esperamos uma recuperação mais gradual e menos certa, dado o ambiente altamente competitivo em Macau. No entanto, reconhecemos que a nova equipa de marketing e os investimentos imobiliários da SJM podem superar as nossas expectativas”, foi comunicado. Apesar das expectativas, a CBRE reconheceu que a empresa fundada por Stanley Ho e gerida por Daisy Ho tem “arestas para limar”, que vão além do encerramento dos casinos-satélite ligados ao grupo. Dilemas internos Sobre as arestas a limar, a CBRE identificou “o reposicionamento da sua base de activos para servir melhor os clientes do segmento de massas; a reorganização da equipa de marketing e a modernização da sua estratégia promocional”. A necessidade de “aumentar a eficiência interna” e “reduzir os custos de operação” foram outros aspectos mencionados pelos analistas John DeCree e Max Marsh. Todavia, antes das melhorias, espera-se um período de maior instabilidade na exploração do negócio, com a SJM a ter de lidar com a “relocalização das mesas de jogo, das slot-machines e dos empregados dos casinos-satélite encerrados”. A esta instabilidade, juntam-se os trabalhos de renovação do Hotel Lisboa. Sobre os resultados recentes, a CBRE admitiu que os números e as tendências apresentadas pela concessionária “são decepcionantes”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTaipa Pequena | Problemas com passeios, autocarros e lixo O deputado Nick Lei alerta para as dificuldades da zona e pede melhorias na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques que servem uma população de cerca de 1.600 residentes. O legislador aponta ainda o perigo da falta de passeios em algumas áreas O deputado Nick Lei defende a criação de passeios na Estrada Lou Lim Ieok e na Estrada de Sete Tanques, na Taipa Pequena, para evitar que os cidadãos tenham de andar na estrada quando se deslocam. Além disso, o legislador ligado à comunidade de Fujian alerta também para a necessidade de mais carreiras de autocarros e de substituir os contentores do lixo. Em relação à falta de passeios, o deputado avisa o Governo que “os residentes são obrigados a andar nas faixas de rodagem”, o que “causa muita insegurança à população”. Além disso, Lei indica que “quando passa um veículo a situação torna-se perigosa e ameaça a segurança dos peões”. Por isso, o membro da Assembleia Legislativa questiona: “De que planos concretos dispõe o Governo para melhorar o ambiente pedonal daquela zona, incluindo a criação de passeios para peões, passadeiras e outras instalações, com vista a salvaguardar a segurança dos residentes?”. Não só a falta de passeios para garantir a segurança dos residentes é criticada, a interpelação revela também incompreensão com o facto de aquela zona apenas ser servida por um único autocarro. “Quanto aos transportes públicos, neste momento, só a carreira n.º 35 passa pela Estrada Lou Lim Ieok, e não passa nenhuma carreira na Estrada de Sete Tanques, para além disso, aquela carreira só circula nas Ilhas, ou seja, não chega à Península de Macau, causando grandes inconveniências para os residentes que querem deslocar-se para o exterior”, foi descrito. “Os residentes que queiram deslocar-se para a Península de Macau têm de fazer o transbordo nas paragens periféricas e ainda têm de percorrer uma certa distância a pé para chegarem a uma outra paragem de autocarro”, acrescentou. Nick indica que este cenário é incompreensível, uma vez que nestas estradas existem “várias residências privadas, com uma população de cerca de 1600 pessoas”. Acumulação de lixo Na interpelação, o deputado aponta também que o ambiente da zona é afectado pela capacidade dos caixotes do lixo, tida como insuficiente. “No que respeita às instalações de recolha de lixo, veja-se o exemplo do Edifício ‘Jardins de Lisboa’, aqui só há um contentor de lixo com tampa, cuja capacidade é limitada e fica cheio facilmente, originando problemas de higiene ambiental, tais como a acumulação de lixo e a dissipação de odores”, descreveu. “Os residentes esperam que sejam instalados, o mais rápido possível, contentores de lixo de compressão, com vista a resolver os problemas de higiene, tais como, de lixo a céu aberto, mau cheiro e águas residuais, e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de recolha e transporte do lixo, optimizando, deste modo, a higiene dos bairros comunitários”, apontou. “Com vista a melhorar a higiene ambiental e a qualidade de vida dos residentes daquela zona e optimizar as instalações de recolha de lixo do complexo habitacional dos “Jardins de Lisboa”, quando é que o Governo vai substituir os antigos contentores de lixo por contentores de compressão?”, perguntou.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTecnologia | Defendida criação de leis para robôs humanóides O conselheiro Zeng Zengwei defendeu a criação de legislação para regular a circulação de robôs humanóides em Macau, depois da aparição na RAEM, na semana passada, de um vídeo que se tornou viral nas redes sociais de uma mulher a ralhar com um robô O membro do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Norte, Zeng Zengwei, defendeu a necessidade de criar legislação para regular o desenvolvimento dos robôs humanóides. A posição foi tomada numa reunião do conselho na quarta-feira, depois de um primeiro aparecimento de um robô humanóide nas ruas, mas antes do episódio mais recente, quando uma mulher foi filmada a dar um sermão a um robô. Na intervenção da reunião, Zeng Zengwei alertou para os perigos que os robôs podem constituir, principalmente quando circulam junto de escolas e outros equipamentos sociais, em zonas com maior densidade populacional. “Recentemente um robô humanóide foi visto a circular nas ruas, como forma de promoção de uma empresa. O robô humanóide apareceu nas proximidades das escolas e de paragens de autocarros, locais densamente povoados”, descreveu o conselheiro. “No entanto, durante a caminhada, o robô teve vários encontrões pequenos, mas frequentes, com transeuntes. Eu testemunhei um desses encontrões com um estudante, quando este aguardava pelo autocarro”, revelou. Uma vez que os robôs são máquinas e que a circulação entre a população pode implicar a causa de danos, em casos de avarias ou circunstâncias inesperadas, Zeng Zengwei indicou que é preciso definir um regime sobre as responsabilidades legais, em caso de acidentes e ferimentos. Protecção de dados O conselheiro surgiu assim a elaboração de “leis relacionadas com robôs humanóides, particularmente focados nas ameaçadas à segurança e ordem” durante a utilização dos espaços públicos, assim como a regulação da captação de imagens, para garantir o respeito pela lei da protecção de dados pessoais. Além disso, foi igualmente defendida a necessidade de fazer um registo sobre os robôs humanóides que utilizam as ruas locais, assim como a criação de um sistema de certificação de segurança. Apesar das críticas, o conselheiro destacou a importância do desenvolvimento tecnológico e do espírito empreendedor. A mais recente polémica com robôs humanóides aconteceu na sexta-feira à noite, quando uma das máquinas foi levada por agentes do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), de acordo com as publicações nas redes sociais, sem que se tenha havido qualquer tipo de explicações públicas. O HM questionou as autoridades sobre o episódio, mas até ontem não recebeu qualquer resposta sobre o episódio. Antes da “detenção” do robô, uma mulher foi filmada a ralhar com o humanóide e a chamar-lhe maluco, depois de ter ficado assustada com a presença da máquina. Em reacção o robô levanta os braços, o que levou a mulher a abandonar o local.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTribunal | Ex-CEO de grupo Star falhou por ligações com Suncity O Tribunal Federal da Austrália considerou que Matthias Bekier violou as suas obrigações de diligência, na forma como lidou com o grupo fundado por Alvin Chao. No entanto, a justiça ilibou os outros ex-directores do grupo australiano de qualquer falha Um juiz do Tribunal Federal da Austrália decidiu que o ex-administrador do grupo Star Matthias Bekier violou as suas obrigações legais, devido às ligações com a promotora de jogo Suncity. O caso remonta a 2022, quando a Comissão Australiana de Valores Mobiliários e Investimentos (ASIC, em inglês) instaurou um processo contra o grupo de casinos australiano, por considerar que não foram adoptados os procedimentos necessário para mitigar os riscos de branqueamento de capitais. De acordo com a Sky News Australia, o juiz Michael Lee decidiu que o ex-presidente do conselho de administração da Star, Matt Bekier, e a jurista da empresa, Paula Martin, falharam nos seus deveres de diligência, principalmente no que diz respeito às operações da Suncity no casino The Star. A empresa de Macau explorava uma sala de jogo com o nome Salon 95 no casino localizado em Sydney. Segundo a decisão, Bekier devia ter tido conhecimento dos relatórios sobre as ligações dos promotores de jogo Alvin Chau e Qin Sixin, e terminado as relações comerciais com estes empresários. Michael Lee indicou também que Bekier devia ter conhecimento dos riscos devido às alegadas ligações de Alvin Chau com o crime organizado. Em relação a Qin, além de promotor, era jogador no casino The Star, e foi detido no início da década de 2010, por suspeita de lavagem de dinheiro e de actividades bancárias ilegais. Derrota do regulador Segundo a Sky News Australia, a decisão foi uma derrota para o regulador, uma vez que a ASIC pretendia que a justiça considerasse não só que todos os directores da empresa tinham falhado nas suas obrigações de diligência, como também parte deles tinham prestado declarações enganadoras aos reguladores. A ASIC também defendeu em tribunal que os funcionários da Star manuseavam sacos com notas de 50 dólares amarradas com elásticos, que depois eram entregues nas mesas de jogo em sacos térmicos, enquanto os operadores bloqueavam a visão das câmaras de CCTV com cobertores. Apesar da posição do regulador, o juiz considerou inocentes os ex-directores da Star John O’Neill, Richard Sheppard, Katie Lahey, Sally Pitkin, Gerard Bradley, Benjamin Heap e Zlatko Todorcevski, por entender que não deixaram “de exercer os seus poderes e cumprir as suas funções”.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCCAC | Investigado motorista do TUI por alegada burla Um motorista do Gabinete do Presidente do Tribunal de Última Instância (GPTUI) está indiciado pela prática de burla num valor superior a 120 mil patacas, com o caso a ser encaminhado para o Ministério Público (MP). A informação foi divulgada ontem pelo Comissariado contra a Corrupção (CCAC), depois de ter recebido uma denúncia contra o motorista. Segundo a investigação preliminar do CCAC, o motorista fez o pedido de subsídio de família, apesar de saber que os rendimentos do agregado familiar ultrapassavam os limites para se aceder a este apoio social previsto para os funcionários públicos. “Na sequência da investigação, o CCAC descobriu que o motorista em causa vivia com a sua mulher e os seus sogros há muitos anos, tendo pleno conhecimento de que o seu sogro trabalhava a tempo inteiro e auferia uma remuneração mensal fixa, que os sogros recebiam Pensão para Idosos, e que o montante total do rendimento anual per capita de ambos já ultrapassava o limite máximo fixado para poder requerer o subsídio de família”, foi comunicado. “Ainda assim, o motorista em causa entregou ao serviço a que pertence o ‘pedido de subsídio de família’, entre outros documentos, com informações falsas. No total, esta burla em subsídios de família atingiu mais de 120 mil patacas”, foi acrescentado. Quando os funcionários públicos têm familiares a seu cargo e estes familiares auferem rendimentos anuais inferior a 56.400 patacas (média de 4.700 patacas por mês), os funcionários podem pedir o subsídio de família, que actualmente corresponde a um valor mensal de 940 patacas, por cada um dos familiares. Por ano, o subsídio pode chegar assim a um total de 11.280 patacas, por cada familiar. Segundo o CCAC, o motorista terá assim prestado informações falsas para aceder aos subsídios, recendo mais de 120 mil patacas de forma indevida. Cinco anos de prisão O caso foi encaminhado para o Ministério Público, sendo o homem indiciado pelo crime de burla de valor elevado. O Código Penal prevê uma pena que pode chegar aos cinco anos de prisão para este crime ou uma multa de 600 dias. Considera-se existir uma burla de valor elevado, quando o dinheiro obtido ultrapassa as 30 mil patacas, mas fica abaixo das 150 mil patacas. No comunicado em que divulgou a investigação, o CCAC defendeu também que “o subsídio de família destina-se aos trabalhadores da função pública e tem como objectivo suportar as despesas com a vida dos seus familiares”. “Os trabalhadores da função pública devem declarar a situação real de forma verdadeira e precisa, e receber os subsídios de acordo com os requisitos exigidos, não devendo correr riscos e prestar falsas declarações para obter vantagens económicas indevidas”, foi deixado como aviso.
João Santos Filipe SociedadeTelecomunicações | Pedida maior protecção de consumidores O Centro da Políticas da Sabedoria Colectiva defende que o mercado das telecomunicações está a caminhar para um duopólio, pelo que apela às autoridades para reforçarem a regulamentação e protegerem os consumidores. A mensagem foi deixada por Loi Man Keong, vice-presidente da associação ligada aos Moradores, na sequência da aquisição da Hutchison Telecom (Macau) pela Companhia de Telecomunicações de Macau (CTM). Segundo Loi Man Keong, citado pelo jornal Ou Mun, as novas alterações deixam essencialmente o mercado de Macau com dois agentes, a CTM e a China Telecom, pelo que este cenário “levanta inevitavelmente preocupações sobre o ambiente competitivo na indústria e as práticas ao nível dos preços”. O dirigente associativo espera assim que o Governo vá “reforçar a supervisão do mercado, de forma a proteger os direitos dos consumidores”. Apesar das preocupações, Loi Man Keong considera positiva a aquisição da Hutchison Telecom (Macau), que se fazia representar pela marca 3. Para Loi, esta operadora adoptou, nos últimos anos, uma “postura passiva e negativa” no que diz respeito à implementação do serviços de 5G, pelo que a qualidade e cobertura dos serviços ficava muito abaixo do que seria expectável. “Muitos dos clientes não conseguiram mudar de operadora, devido às obrigações contratuais. Mas com esta aquisição, os problemas sentidos pelos clientes da Hutchison talvez melhorem”, apontou Loi. Esta é a segunda operadora a sofrer alterações desde 2024. No final desse ano, a operadora SmarTone (Macau) deixou o mercado, com os seus clientes a serem transferidos para a CTM. Agora, a operadora detida maioritariamente pelo grupo estatal chinês CITIC adquire também a Hutchison Telecom (Macau). Os detalhes do negócio não foram revelados publicamente, apesar de os rumores terem começado a circular nos últimos dias. Mercado pequeno Sobre as alterações no mercado das telecomunicações nos últimos anos, Loi Man Keong apontou como motivos a “pequena dimensão” do mesmo. O dirigente associativo indicou também que a principal fonte de receitas das operadoras de telecomunicações são os serviços cobrados aos turistas em Macau, que utilizam dados móveis, pelo que o volume dos clientes e utilização da rede pelos residentes é considerada reduzida. Por este motivo, Loi indica que não há muitas empresas em investir na RAEM. Neste cenário, Loi defendeu que o Executivo faça um aumento do investimento em infra-estruturas de telecomunicações, e mais obras, para que as operadoras possam optimizar os serviços, ao mesmo tempo que se reduzem os custos de entrada no mercado e de operação. Veio para ficar Por sua vez, o Governo da RAEM, através da Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), garante que a Hutchison Telecom (Macau) vai manter-se no mercado, apesar de ter os mesmos accionistas que a CTM. “Esta transmissão de participações sociais envolve, essencialmente, uma alteração dos accionistas da Hutchison, que continua a operar a sua rede e a prestar serviços”, foi apontado. “Por outras palavras, actualmente, o mercado continua a contar com três operadoras de telecomunicações móveis, e o Governo continua a fiscalizar, rigorosamente, o cumprimento, por parte da Hutchison, das suas obrigações constantes da licença, garantindo a prestação dos serviços de telecomunicações móveis estáveis aos utilizadores”, foi explicado. Por outro lado, os CTT garantem que nos “diplomas legais e licenças vigentes, encontram-se estabelecidas normas relativas a práticas concorrenciais das operadoras, proibindo actos que falseiem a igualdade de condições de concorrência ou que se traduzam em abuso de posição dominante”. Finalmente, o Governo prometeu até ao final do ano uma proposta Lei das Telecomunicações, que está a ser adiada há vários anos.