João Santos Filipe Manchete SociedadeMacau Legend | Grupo admite que sobrevivência está em causa Até ao final do ano, a Macau Legend pode ser obrigada a pagar empréstimos avaliados em 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong. O grupo já soma incumprimentos e os administradores esperam o perdão dos bancos para manter a empresa viva A sobrevivência da Macau Legend, empresa que controla a Doca dos Pescadores, vai estar em jogo até ao final do ano, por falta de capacidade para pagar as dívidas. O cenário é admitido pelo grupo no documento de apresentação dos resultados financeiros de 2025, que revela perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong. Segundo as explicações da empresa, no final do ano passado o endividamento grupo era superior a 2,7 mil milhões de dólares de Hong Kong. A maior parte destas dívidas, 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, tem de ser paga até ao final deste ano. Contudo, ao mesmo tempo que soma resultados negativos, a empresa apenas tem 27,1 milhões dólares em caixa, o suficiente para pagar 1,2 por cento da dívida que vai vencer este ano. Parte da dívida de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong, já inclui empréstimos bancários que deveriam ter sido pagos em 2024, pelo que podem gerar acções de execução a qualquer altura pelo bancos. Neste contexto, é indicado no comunicado que “existem circunstâncias que suscitam dúvidas significativas quanto à capacidade do grupo de continuar a exercer a sua actividade”. Assim, os administradores explicam que a sobrevivência depende de medidas que passam por conseguir financiamento extra através da emissão de mais acções do grupo, negociação com os bancos para evitar a execução do património e definir novas formas de pagamento das dívidas em favor da empresa, negociações com os accionistas que emprestaram dinheiro ao grupo, num valor de 339,4 milhões de dólares de Hong Kong, e ainda a adopção de outras formas de gerar capital. A tarefa da Macau Legend adivinha-se difícil, uma vez que desde Novembro que o grupo deixou de explorar o casino-satélite Legend Palace. Segundo os resultados de 2024, ainda antes do encerramento deste casino, o grupo empregava 1.149 pessoas, das quais 327 tinham contratos com a concessionária SJM. Lucros só em 2018 Além disso, nos resultados financeiros de 2025, mostram que a saúde financeira do grupo está a degradar-se de forma acelerada. As perdas de 1,6 mil milhões de dólares de Hong Kong ultrapassam os prejuízos de 2024, que não tinham ido além dos 795 milhões de patacas. A última vez que o grupo apresentou resultados anuais positivos foi em 2018, com um lucro de 2,0 mil milhões de dólares de Hong Kong. No entanto, desde essa data somou prejuízos de 172 milhões, em 2019, 1,9 mil milhões em 2020, 1,2 mil milhões em 2021, 608 milhões em 2022 e de 3 milhões em 2023. Estes resultados negativos foram somados, apesar do grupo ainda explorar um casino ou vários casinos em Macau, o que deixou de acontecer em Novembro do ano passado. De acordo com o relatório de 2024, a empresa tinha como principal accionista Levo Chan Weng Lin, que se encontra em Coloane a cumprir uma pena de prisão de 13 anos, devido às operações de promoção de jogo da empresa Tak Chun, e a sua esposa a actriz Ady An. Além de Levo, também constam entre os vários accionistas da empresa a terceira mulher de Stanley Ho, Ina Chan Un Chan, com cerca de 15 por cento das acções, assim como o fundador David Chow, com uma participação de 9,89 por cento.
João Santos Filipe Manchete PolíticaActivos Públicos | Prejuízos de Centro Comércio Mundial sobem 72% A empresa que controla o centro de arbitragem fechou o ano com perdas de 1,1 milhões de patacas. Sem o subsídio da RAEM, os prejuízos teriam sido de 12 milhões de patacas No ano passado, os prejuízos do grupo Centro de Comércio Mundial Macau aumentaram 72 por cento, para 1,1 milhões de patacas, quando em 2024 tinham sido de 612 mil patacas. Os resultados foram divulgados ontem pela empresa, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). O grupo detido a 60 por cento pela RAEM só não apresentou resultados piores, porque no espaço de um ano o Executivo aumentou o valor do subsídio atribuído ao grupo que indica ter como actividade a disponibilização de “serviços ligados ao comércio internacional”, principalmente através de um centro de arbitragem. O subsídio cedido pela RAEM cresceu de 11,0 milhões em 2024 para 13,0 milhões de patacas, um aumento de 2 milhões, equivalente a 18 por cento. Sem este subsídio, a empresa teria apresentado perdas de aproximadamente 12 milhões de patacas. Os resultados da empresa agravaram-se principalmente devido aos custos com o pessoal, que no espaço de um ano aumentaram em 2,3 milhões de patacas, acima do aumento do subsídio da RAEM. As despesas com o pessoal eram de 9,9 milhões em 2024, mas cresceram para 12,2 milhões no ano passado. Este aumento foi explicado, em parte, com o facto de o grupo ter passado a contar com 51 trabalhadores, quando no ano anterior tinha 49. Os salários dos trabalhadores aumentaram assim de 8,2 milhões de patacas para 10,0 milhões de patacas, um crescimento de 22 por cento. Em termos dos administradores, o aumento foi de 1,3 milhões de patacas para 1,8 milhões de patacas, uma diferença de 38 por cento. Quanto às receitas, a empresa conseguiu melhorar o desempenho em comparação com o ano anterior, ao facturar 5,2 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha sido de 5,1 milhões de patacas. Do imobiliário Nos resultados do grupo, constam não só as operações da Centro de Comércio Mundial Macau, mas também da subsidiária Condominium, Administração de Propriedades, Limitada, que se destina à exploração do edifício onde opera a empresa. A actividade da Condominium, Administração de Propriedades é lucrativa, mas também nesta área os lucros foram mais baixos. Em 2025, o lucro foi de 636 mil patacas, quando no ano anterior tinha atingido 684 mil patacas. Também no caso da subsidiária, os custos com o pessoal justificam os piores resultados, dado que estas despesas cresceram para 634 mil patacas, quando no ano anterior tinham sido de 625 mil patacas. Além da RAEM, são accionistas do grupo o Banco Nacional Ultramarino (BNU), o Banco Comercial de Macau (BCM), o Estado Português, mas também vários empresários e políticos locais como Liu Chak Wan, Chui Sai Chong ou Peter Lam. O Conselho de Administração é dirigido por Chui Sai Cheong, enquanto a Comissão Executiva tem como presidente Ao Weng Tong.
João Santos Filipe Manchete SociedadeLigação pedonal entre Portas do Cerco e Metro custa 465 milhões A construção do acesso pedonal entre a Estação da Linha Leste do Metro Ligeiro e Fronteira das Portas do Cerco vai custar 464,7 milhões de patacas. A obra foi adjudicada directamente pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP) a três empresas do Interior, sem a realização de qualquer concurso ou consulta pública. As escolhidas recaíram sobre as empresas CCECC (Macau) Companhia de Construção e Engenharia Civil China, Limitada, Companhia de Fomento Predial Nam Kwong Limitada e China Railway 16th Bureau Group Co. Ltd – Macau Representative Office. As empresas vão realizar a obra em modelo de consórcio e cobrar 464,7 milhões de patacas. Está previsto que os trabalhos fiquem terminados num total de 960 dias, um período superior a dois anos e meio. A estação ES1 da Linha Leste do Metro Ligeiro de Macau situa-se no lado sudeste do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e esta estação vai ter uma ligação com cerca de 80 metros para a fronteira, que tem como objectivo “facilitar a deslocação” entre as duas infra-estruturas. “O acesso de ligação localizar-se-á na actual zona de estacionamento para autocarros turísticos das Portas do Cerco, através da passagem superior para peões”, foi explicado pela DSOP. Sem concurso A área bruta de construção do acesso de ligação é de cerca de 6.100 metros quadrados, com um piso subterrâneo e construções acima do solo. As partes subterrâneas abrangem a passagem pedonal subterrânea, o espaço comercial e as instalações sanitárias. As construções acima do solo incluem a passagem superior para peões entre o Metro Ligeiro e o átrio de partida de Macau do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco. Somados todos os contratos assinados no âmbito desta obra de ligação entre a estação e a fronteira, como os contratos de controlo da qualidade, medição, entre outros, o Governo vai pagar mais de 496 milhões de patacas. Apenas um dos contratos foi atribuído através da realização de concurso público. Linha Este | Comerciante queixa-se do impacto das obras Um comerciante queixou-se ontem no programa matinal Fórum Macau, do canal chinês da Rádio Macau, sobre o impacto das obras do metro ligeiro na linha Este. O ouvinte, de apelido Chang, disse que esta obra tem afectado seriamente o seu negócio, uma oficina na Areia Preta que possui há cerca de 20 anos. O homem queixou-se ainda que a obra foi iniciada sem que tenha sido consultado previamente, tendo sido escavada a via pública em frente à sua oficina, restando apenas uma via estreita para a circulação de pessoas. “Como vou fazer o negócio? Agora os carros não conseguem entrar na oficina para fazerem a reparação. Se o Governo não quiser pagar uma compensação, deve, pelo menos, criar algumas medidas de apoio”, disse no programa.
João Santos Filipe Manchete SociedadeBCM | Empresa-mãe traça cenário de novos desafios O desempenho financeiro do Banco Comercial de Macau (BCM) apresenta melhorias a nível da exploração, mas o mercado dos empréstimos continua parado, devido à situação das vendas a retalho e do imobiliário Apesar da recuperação do mercado do jogo e do maior número de turistas, o sector da banca continua a viver uma situação em que o mercado dos empréstimos continua praticamente parado. O cenário foi traçado por Harold Wong Tsu-Hing, administrador-geral do grupo Dah Sing Financial, proprietário do Banco Comercial de Macau (BCM). De acordo com o jornal Ming Pao, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados do grupo, na segunda-Feira, Harold Wong afirmou que apesar de o jogo estar em crescimento e de o número de visitantes ter ultrapassado a realidade pré-pandemia, a recuperação não se faz sentir em todas as indústrias por igual. Wong apontou que o mercado de empréstimos, a principal fonte de receitas das banca, está parado, o que foi justificado com a falta de investimento em outras indústrias. O responsável explicou ainda que as vendas a retalho, os preços do imobiliário e o número de transacções continuam em quebra, o que se reflecte nos pedidos de empréstimos junto do banco em Macau. Em relação ao Banco Comercial de Macau (BCM), o responsável não revelou o resultado do exercício de 2025, mas apontou que o desempenho apresentou “uma ligeira melhoria” nos lucros de exploração, quando a comparação é feita com 2024. Nesse ano, o banco declarou um lucro de 45,4 milhões de patacas. Ainda assim, menos de metade dos lucros de 2023, quando o lucro tinha atingido 114,5 milhões de patacas. A valer menos Em relação ao BCM, o grupo Dah Sing Financial foi forçado a reconhecer uma perda por imparidade do trespasse de 493 milhões de dólares de Hong Kong, relacionada com o facto de se considerar que o BCM actualmente vale menos do que os 1,72 mil milhões de patacas, o valor pago em 2005 ao Banco Comercial Português (BCP). A situação do mercado não teve um grande impacto nos resultados anuais do grupo Dah Sing Financial, principalmente devido às operações em Hong Kong, com os lucros da instituição a crescerem 23,9 por cento em termos anuais, para 2,70 mil milhões de dólares de Hong Kong. Em 2024, os lucros do grupo tinham sido de 1,67 milhões de dólares de Hong Kong.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCosta Nunes | Baixa natalidade leva à saída de 10 trabalhadores A partir do próximo ano, o jardim-de-infância vai contar com menos 10 trabalhadores do corpo docente. Das saídas anunciadas, apenas duas educadoras abandonam de livre vontade. Miguel de Senna Fernandes lamenta a decisão e reconhece que ninguém ficou agradado com a nova realidade O jardim-de-infância D. José da Costa Nunes vai passar a funcionar no próximo ano lectivo com apenas 14 profissionais, quando actualmente tem 24. A vaga de despedimentos que vai afectar o corpo docente e o quadro de agentes de ensino foi justificada com a baixa da natalidade. “Nós não queríamos que isto acontecesse ao nosso corpo docente. Mas, às vezes, a escolha não está no nosso lado e isso deve-se muito à baixa taxa de natalidade, que se vai agravar nos próximos tempos”, afirmou Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação Promotora de Instrução dos Macaenses (APIM), em declarações ao Canal Macau. “É uma situação que já vinha de há três anos, porque os alunos entram no jardim-de-infância com três anos, portanto tínhamos este alarme há três anos. Só que até este momento não quisemos dar este passo, para ver se podíamos arranjar uma solução para poupar o nosso corpo docente”, explicou. Miguel de Senna Fernandes revelou que entre as saídas de seis educadoras e de quatro agentes de agentes de ensino, apenas duas educadoras se mostraram disponíveis para deixar a instituição. Nos restantes casos, a iniciativa teve de partir da instituição de ensino. O responsável lamentou o cenário, e destacou que as pessoas que saem eram uma mais-valia para a instituição. “Estamos a falar de docentes com muito valor e que são a mais-valia do nosso jardim-de-infância e fazem parte da identidade da escola. As coisas não correram pelo melhor, naturalmente tivemos que tomar uma decisão que não nos agrada, a nós, nem às visadas”, reconheceu. “Aproveito a ocasião para agradecer do fundo do coração a todas as docentes com que não vamos continuar no próximo ano. Só desejo muito boa sorte a todas as pessoas envolvidas. Da nossa parte é certíssimo que sentimos muita, mas muita pena [com o sucedido]”, acrescentou. Segundo os dados mais recentes da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), a taxa de fecundidade em Macau voltou a cair em 2025, para um novo mínimo histórico. Macau terminou o ano passado com 0,47 nascimentos por cada mulher com idades entre 15 e 49 anos, menos 0,11 do que em 2024, ano que já tinha sido constituído um novo recorde. A redução na natalidade aconteceu, apesar do Governo ter lançado um subsídio de 54 mil patacas para crianças até aos três anos, além de ter aumentado o subsídio de nascimento, de 5.418 patacas para 6.500 patacas, e o subsídio de casamento, de 2.122 patacas para 2.220 patacas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaLogística | Associação pede apoio para comprar veículos alternativos Samuel Tong alerta que os preços mais baixos do combustível no Interior podem fazer com que mais pessoas optem por consumir em Zhuhai, contribuindo para enfraquecer ainda mais os níveis de consumo local Em resposta à subida internacional dos preços dos combustíveis, a Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau defendeu que o Governo deve subsidiar a compra de veículos movidos com energias alternativas. A posição foi tomada por Lei Kuok Fai, presidente da associação, em declarações ao jornal Ou Mun. Segundo o responsável, com os preços do combustível mais caros, devido aos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e ao encerramento do estreito de Hormuz, as empresas transportadoras têm equacionado medidas para evitarem uma subida acelerada dos preços do transporte. No entanto, o dirigente explicou que existe a esperança de que o Governo possa aumentar o seu apoio ao sector, incluindo o lançamento de subsídios especiais para a compra de veículos movidos com energias alternativas. Lei Kuok Fai apontou que muitos associados já substituíram os camiões movidos com combustíveis tradicionais para camiões com energias alternativas, o que permite preços mais baratos. No entanto, no sector reconhece-se que como a tecnologia ainda não é muito desenvolvida, os veículos alternativos têm preços considerados muito elevados, o que leva muitos associados a não optarem pela troca. Por isso, acredita-se que a substituição pode ser mais rápida se houver apoios. Ao mesmo tempo, a associação espera igualmente medidas do Executivo para reduzir os custos dos carregamentos ao nível das infra-estruturas de cargas e descargas, como forma de amortecer o impacto do aumento dos combustíveis, e evitar uma subida maior nos preços finais. Lei Kuok Fai apontou que o transporte marítimo e aéreo ficou mais caro, mas que o transporte terrestre tenta resistir a aumentos significativos. Porém, indicou que o cenário pode mudar, no futuro, se os combustíveis continuarem a encarecer. Consumo no Interior Por sua vez, Samuel Tong, presidente da Associação de Estudo de Economia Política, alertou o Governo para que o aumento dos preços de combustíveis, embora comum a toda a China, pode afectar muito negativamente o consumo em Macau. Segundo o economista, se os preços do combustível no Interior forem muito mais baixos do que os praticados em Macau, vai haver cada vez mais pessoas a abastecer no outro lado da fronteira. E quando as pessoas vão abastecer a Zhuhai, acabam por consumir no outro lado da fronteira, em vez de o fazerem em Macau. Por este motivo, Tong avisou que existe o perigo de que o consumo da população se transfira ainda mais para o Interior, numa altura em que a economia local atravessa grandes desafios, principalmente ao nível das Pequenas e Médias Empresas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaEléctricos | Pedida melhorias na rede de carregamentos O deputado ligado à comunidade de Jiangmen, Lee Koi Ian, pede medidas que facilitem a instalação de postos de carregamento nos edifícios e evitem o estacionamento de veículos a combustão nos locais de carregamento de veículos eléctricos O deputado Lee Koi Ian defende a necessidade de aumentar a área dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, para permitir a instalação de mais postos de carregamento para veículos eléctricos. O assunto foi apresentado pelo legislador ligado à comunidade de Jiangmen, através de uma interpelação escrita. No texto do documento, Lee considera que a promoção da protecção ambiental e das “deslocações ecológicas” contribuem para “concretizar o objectivo nacional da ‘dupla meta de carbono’ e construir uma cidade verde e de baixo carbono”. Lee Koi Ian cita ainda os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) para indicar que no ano passado entre os 11.117 veículos com novas matrículas, 4.204 eram eléctricos (37,8 por cento do total), o que representa um aumento de 6,4 pontos percentuais em relação ao ano de 2024. No entanto, o legislador alerta que a rede de carregamentos precisa de ser melhorada: “devido às limitações de espaço e de instalações eléctricas, alguns parques de estacionamento ainda não dispõem de instalações de carregamento suficientes, o que origina conflitos entre a oferta e a procura de veículos eléctricos por parte dos residentes”, aponta. Lee destaca igualmente que este é um problema muito sentido nos bairros mais antigos, pelo que pretende saber se vão ser implementadas alterações. “A largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos de Macau é insuficiente, o que causa não só incómodos à vida dos residentes no estacionamento dos seus veículos nos referidos lugares, mas também limita a disposição e a eficiência das instalações de carregamento de veículos eléctricos”, indica, “As autoridades vão proceder a um novo planeamento e ajustamento da largura dos lugares de estacionamento nos bairros antigos, que reúnam condições para tal, com vista a dar resposta às necessidades quotidianas dos residentes em relação ao estacionamento e ao carregamento dos seus veículos eléctricos?”, questiona. Problemas nos edifícios Lee Koi Ian alerta ainda para o facto de que em muitos casos os edifícios encontram dificuldades para instalarem as próprias redes de carregamentos por falta de conhecimentos técnicos e legais. O legislador pede uma resposta para estas questões: “A instalação de equipamentos de carregamento de veículos eléctricos em edifícios habitacionais privados enfrenta dificuldades cuja resolução depende essencialmente da definição clara das respectivas instruções práticas, da divisão clara das competências e responsabilidades, do domínio exacto das respectivas normas de regulamentação por parte das comissões de proprietários de edifícios e da Administração de edifícios”, apontou. “Com vista a garantir a segurança no carregamento, as autoridades vão elaborar instruções práticas pormenorizadas que abranjam todo o processo de instalação?”, pergunta. Na interpelação, o deputado pede ainda soluções para o problema da ocupação excessiva dos lugares de carregamento eléctrico, muito além das necessidades, assim como o estacionamento nestes lugares por parte de veículos a combustão.
João Santos Filipe Manchete PolíticaJuventude | Sam Hou Fai pede mais ambição e determinação O Chefe do Executivo prometeu que o futuro de Macau vai ter “oportunidades sem precedentes”, e pediu “ambições elevadas e ideais” aos jovens, mas tendo em mente “os assuntos de importância nacional e do povo” O Chefe do Executivo pediu à Federação de Juventude de Macau que tenha “ambições elevadas e ideais”, mas sempre com “os assuntos de importância nacional e do povo” em mente. As declarações de Sam Hou Fai foram proferidas pelo líder do Governo, durante a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos dirigentes da associação, que passa a ter a deputada Wont Kit Cheng como presidente. De acordo com o conteúdo do discurso divulgado pelo Gabinete de Comunicação Social, o líder do Executivo começou por indicar que “o crescimento e o progresso da juventude exigem (…) determinação própria e esforços persistentes”. Depois, pediu ambição: “É necessário cultivar ambições elevadas e ideais, acompanhem o pulso da conjuntura e possuam grandes aspirações, que tenham sempre em mente os assuntos de importância nacional e do povo, e que liguem estreitamente os desígnios pessoais ao desenvolvimento nacional e à prosperidade de Macau”, apelou. Ainda entre as esperanças deixadas para a juventude, Sam Hou Fai pediu mais dinâmica para esta nova era de Macau. “É essencial agir com pragmatismo e diligência, com firmeza e constância, deixando esperança que se dediquem ao estudo, sem recear as dificuldades e enfrentem os desafios com a ousadia, e através de esforços continuados e de medidas concretas, transformem ideais em realidade, e demonstrem com vigor e optimismo o carácter dinâmico da juventude de Macau na nova era”, apontou. Sempre a crescer Por último, o Chefe do Executivo prometeu que a RAEM vai ter “oportunidades de desenvolvimento sem precedentes em múltiplas áreas”, pelo que considerou “imperioso” que os jovens sejam “audazes na inovação” e assumam “responsabilidades com coragem”. “Por isso, espera-se que os jovens ousem explorar e experimentar, assumindo o papel de pioneiros, abrindo caminho a avanços com mentalidade renovada, acolhendo as transformações que se anunciam, com sentido de responsabilidade e injectando na sociedade uma vitalidade inesgotável, ampliando, por conseguinte, as possibilidades para o nosso tempo”, atirou. A Federação de Juventude de Macau vai ter como nova presidente Wong Kit Cheng, que tem 44 anos, completa 45 em Outubro, e é deputada desde 2013. Foi sempre eleita pela lista apoiada pela Associação das Mulheres, onde actualmente é vice-presidente. Wong integra também o Comité Nacional da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Além disso, é uma das vice-presidentes da Federação da Juventude da China, associação para os jovens liderada pela Liga da Juventude Comunista da China.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCrime | Psicoterapeuta detido por suspeitas de assédio e abuso sexual As alegadas vítimas do profissional de saúde mental, são uma paciente, que durante vários anos se manteve em silêncio por temer que a informação emocional partilhada nas consultas fosse utilizada contra si, e ainda quatro estagiárias, orientadas pelo detido Um psicoterapeuta, com 47 anos, foi detido, por suspeitas de assédio e abusos sexuais, com as vítimas a serem uma paciente e quatro estagiárias. O caso foi divulgado pela Polícia Judiciária (PJ), na sexta-feira, e envolve um residente local. O homem trabalhava numa clínica de terapia há mais de 10 anos e todas as vítimas são residentes locais. No caso das estagiárias, os crimes foram alegadamente cometidos no último ano. O detido, além de psicoterapeuta, era o supervisor dos estágios das vítimas. No caso da paciente, de acordo com o relato da PJ, os alegados crimes terão começado em 2021, quando a vítima procurou ajuda para ultrapassar problemas emocionais. Com a desculpa de que pretendia aliviar o stress da vítima, o psicoterapeuta começou por aplicar uma massagem corporal à paciente, em que colocou as mãos dentro da roupa interior ao nível do peito e na cintura. Apesar do incidente, a vítima não apresentou queixa imediatamente, e afirmou temer que a informação pessoal e emocional recolhida pelo detido fosse utilizada contra si. No entanto, como com o passar dos anos nunca conseguiu ultrapassar a raiva do sucedido, e acabou mesmo por apresentar queixa criminal. Em relação às estagiárias, o orientador é acusado de lhes tocar repetidamente na cintura, ancas e braços, como a desculpa de que as estava a orientar. As estagiárias não apresentaram queixa imediatamente, por temerem represálias ao nível da avaliação. Contudo, depois de comentarem entre si o sucedido, decidiram em conjunto apresentar uma queixa criminal. Instituição protegida Durante a conferência de imprensa, a PJ recusou libertar qualquer tipo de informação relacionada com a clínica, segundo o jornal Ou Mun, utilizando como desculpa o segredo de justiça. A PJ recusou também divulgar se a instituição onde o psicoterapeuta exercia a profissão era pública ou privada, o que foi justificado com o facto de a investigação ainda estar em curso. O homem foi detido no local de trabalho e está indiciado dos crimes de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência, que tem uma pena mínima de um ano e máxima de 10 anos, e de importunação sexual, que prevê uma pena que pode chegar a um ano de prisão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público. Associação expressa “raiva” A Associação Geral das Mulheres de Macau afirmou sentir “raiva”, depois do caso ter sido divulgado pelas autoridades. Em comunicado, a associação, através da vice-administradora executiva Chu Oi Lei sublinhou que as vítimas sentiram medo de sofrer retaliações, no momento de apresentarem queixa criminal. Por isso, Chu apelou às vítimas deste tipo de crimes que confiem na capacidade da polícia e não se deixem intimidar, para evitar que os infractores façam mais vítimas. A responsável defendeu também que o Governo se deve coordenar com a população para criar um mecanismo de apoio para dar aconselhamento psicológico e assistência às vítimas destes crimes.
João Santos Filipe Manchete PolíticaConsumo | Anunciada nova ronda do Grande Prémio O novo programa anunciado pelo Governo prevê a distribuição de 400 milhões de patacas, em cupões com valores que podem chegar até às 200 patacas. O sorteio dos cupões é realizado entre sexta-feira e domingo, e os descontos podem ser utilizados entre segunda e quinta-feira O Governo anunciou o lançamento de uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo nas Zonas Comunitárias, que tem como principal novidade o facto de os cupões para gastar no comércio local passarem a ser atribuídos aos fim-de-semana e serem utilizados durante os dias úteis. O anúncio foi feito na sexta-feira, em conferência de imprensa, e a iniciativa tem como objectivo “dinamizar o ambiente de consumo nas zonas comunitárias” e ao mesmo tempo estimular “a confiança no mercado”. A nova ronda do programa de consumo vai decorrer entre 10 de Abril e 18 de Junho, ao longo de 10 semanas, e vai distribuir um total de 400 milhões de patacas em cupões de consumo. Segundo Cheang Hio Man, directora substituta da Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico (DSEDT) as regras foram ajustadas para incentivar “os residentes a permanecer e consumir em Macau durante os fins-de-semana para obter benefícios”. O Governo tenta assim evitar as deslocações da população para o Interior, onde os serviços oferecem preços mais baratos. Cheang Hio Man explicou que com o novo modelo espera-se que “os benefícios cheguem a um maior número de diferentes PME” para reforçar “o efeito impulsionador global, o que contribui para estimular ainda mais o ambiente de consumo local, bem como promover a circulação económica interna local”. Sorteios ao fim-de-semana Segundo o modelo apresentado, quando, entre sexta-feira e domingo, os consumidores utilizam meio de pagamento electrónicos para pagamentos superior a 50 patacas ficam habilitados a três sorteios imediatos de atribuição de vales de consumo com descontos. No entanto, as carteiras virtuais nas aplicações electrónicas de pagamentos têm de estar registadas com o nome real. No caso de receberem cupões com os três sorteios, os consumidores vão poder utilizar os descontos entre segunda-feira e quinta-feira. Além desta alteração, os titulares do Cartão de Registo de Avaliação da Deficiência passam a obter o desconto imediato adicional, no valor de 500 patacas, através do Cartão Macau Pass para Deficientes. Com esta alteração deixam de precisar de levantar o Cartão de Cuidados Sociais. Os cupões têm valores de 10 patacas, 20 patacas, 50 patacas, 100 patacas e 200 patacas e podem ser utilizados em mais de 20 mil lojas. Para utilizarem os cupões, os residentes têm de fazer compras com um valor igual ou superior ao triplo do valor nominal do cupão, ou seja, se quiserem gastar um cupão de 10 patacas têm de fazer compras de pelo menos 30 patacas. Todos os cupões de desconto expiram à meia-noite da 6.ª feira imediatamente a seguir da semana da obtenção.
João Santos Filipe Manchete SociedadeAMCM | Central de Depósito e Liquidação com prejuízo de 8,97 milhões A empresa da AMCM, tida como uma aposta para diversificar a economia na área financeira, acumulou novos prejuízos. Exceptuando o ano da fundação, em 2021, os resultados têm sido sempre negativos e cada vez se agravam mais A Central de Depósito e Liquidação de Valores Mobiliários de Macau (MCSD, na sigla em inglês), terminou o ano passado com um prejuízo de 8,97 milhões de patacas, o quarto ano consecutivo com perdas. A empresa é controlada a 100 por cento pela Autoridade Monetária de Macau (AMCM), e foi criada em 2021 para diversificar a economia na área das finanças, tendo como funções a exploração das infra-estruturas financeiras, de serviços de registo central, compensação, liquidação e de depósito de valores mobiliários. Além de continuar a acumular prejuízos, a empresa tem visto o valor dos prejuízos crescerem de forma contínua. Em 2024, a empresa apresentou perdas de 7,18 milhões de patacas, que cresceram para 8,97 milhões de patacas, um aumento de 25,97 por cento. No relatório de actividades, a MCSD justificou as despesas totais de 13,60 milhões de patacas “com o grande investimento necessário durante as fases iniciais do desenvolvimento do negócio” e “a necessidade de fazer investimentos com o pessoal e nos sistemas” da empresa. Apesar das perdas maiores, as receitas da empresa mostraram melhorias. Os contratos com clientes valeram à MCSD 3,95 milhões de patacas, quando no ano anterior o valor tinha ficado nos 2,92 milhões de patacas. A actividade que gerou maiores receitas, foi a que diz respeito aos serviços de custódia, ou seja, de guarda, administração de activos financeiros, como acções, títulos ou fundos, que geraram 3,62 milhões de patacas. No ano anterior, as receitas tinham sido de 2,78 milhões de patacas. Os serviços de registo registaram receitas de 292 mil patacas e de liquidação de 36 mil patacas. Ao mesmo tempo, os juros do capital da empresa geraram 563 mil patacas, uma redução face ao milhão gerado no ano anterior. Maiores despesas Ao mesmo tempo, as despesas cresceram para um novo recorde de 13,60 milhões de patacas, quando no ano anterior tinham ficado nos 11,21 milhões de patacas. O principal gasto da empresa da AMCM, prende-se com o pessoal, com a despesa a atingir 5,31 milhões de patacas. No ano anterior, tinha sido de 4,93 milhões de patacas. Os salários contribuíram em 2025 para 4,82 milhões do total dessas despesas. No final de 2025, a empresa registava um total de 18 trabalhadores, incluindo dois que integram a autoridade monetária e 16 contratados a tempo inteiro. Os segundos maiores gastos relacionaram-se com os serviços de telecomunicação e correio, ao totalizarem 3,22 milhões de patacas, um valor que apresentou uma ligeira redução no espaço de um ano.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCombustíveis | Actualizações mostram aumentos a rondar 8% Está cada vez mais caro viajar de transporte individual no território, e, de acordo com a informação do Conselho de Consumidores, na última semana, o litro dos diferentes combustíveis ficou mais caro entre 1,22 patacas e 1,40 patacas por litro As actualizações mais recentes do Conselho de Consumidores (CC) mostram que os preços dos combustíveis continuam a subir, agora a um ritmo generalizado que se aproxima de 8 por cento. Este aumento é sentido em todos os tipos de combustíveis, e é causado pela crise do transporte de petróleo no Estreito de Ormuz, no seguimento dos bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. No que diz respeito à gasolina sem chumbo, o tipo de combustíveis mais barato do mercado, as actualizações do CC indicam que os preços ficaram mais caros entre entre 7,8 por cento e 8,3 por cento, ou 1,22 patacas e 1,30 patacas. O menor preço era disponibilizado pela Caltex, no posto de combustível da Estrada Marques Esparteiro, onde o litro de gasolina custava 16,17 patacas, ontem. No entanto, este valor representa uma subida de 8,2 por cento do preço, em comparação com 19 de Março, a actualização anterior do CC, quando o litro custava 14.95 patacas. Nos restantes postos de combustíveis da marca, o litro de gasolina custava, ontem, 17,34 patacas, um alargamento de 1,22 patacas, ou 8,2 por cento, em comparação com o preço de 19 de Março, de 16.09 patacas por litro. No pólo oposto, o maior aumento do preço da gasolina foi apresentado pela Nam Kwong, comercializada com a marca NKoil, com uma diferença de 8,3 por cento. A 11 de Março, o preço por litro de gasolina era de 15.09 patacas, mas subiu para 16,34 patacas, na quarta-feira. Excluindo o posto da Caltex, a empresa chinesa disponibiliza o preço mais baixo do mercado. Em relação às outras gasolineiras, na Shell e na Total os preços cresceram 7,8 por cento, em ambos os casos. Na Shell, na quarta-feira, a gasolina era comercializada a 17,34 patacas, quando na actualização anterior, a 11 de Março, o preço era de 16.09 patacas. Na Total, o preço de ontem era de 17,24 patacas, quando a 12 de Março era de 15,99 patacas. Em relação à Esso, a gasolina ficou mais cara 8,1 por cento, ou 1,30 patacas, dado que era comercializada por 16,10 patacas por litro a 13 de Março, mas ontem só era vendida por 17,40 patacas. Em termos da gasolina premium, os preços apresentam seguiram a tendência. Na Esso, a escalada foi de 7,3 por cento, de 17.70 patacas, a 18 de Março, para 19.00 patacas, no dia de ontem, uma diferença de 1,30 patacas. Na Shell, o aumento foi de 7,1 por cento, de 17,69 patacas por litro, a 19 de Março, para 18.94 patacas, no dia de ontem, um crescimento do preço por litro de 1,25 patacas. Diesel segue a tendência Em termos da comercialização de diesel, a realidade não é diferente, embora o preço tenha tendência a ser mais caro. Este tipo de combustíveis ficou mais caro entre 7 por cento e 8,1 por cento, o que representou custos entre 1,26 patacas e 1,40 patacas por litro O maior aumento aconteceu com a Catltex, um crescimento de 8,1 por cento, no posto na Estrada Marques Esparteiro, em que o valor do litro subiu de 16,58 patacas para 17,93 patacas, um crescimento de 1,35 patacas. Nos restantes postos desta marca, as subidas foram de 7,5 por cento, de 17,89 patacas, a 13 de Março, para 19,24 patacas. Os dados do CC mostram que o preço mais reduzido é praticado pela Nam Kwong, onde o diesel ficou 8 por cento mais caro, ou 1,35 patacas, crescendo de 16,94 patacas, a 11 de Março, para 18,29 patacas, na quarta-feira. Os preços do diesel tiveram um aumento menor na Shell, com 7 por cento, de 17,98 patacas por litro, a 11 de Março, para 19,24 pataca, na quarta-feira, uma diferença 1,26 patacas. Na Esso a subida foi de 7,8 por cento ou 1,4 patacas, de 17,90 patacas para 19,30 patacas, enquanto na Total foi de 7,6 por cento, de 17,40 patacas para 18,75 patacas por litro.
João Santos Filipe Manchete SociedadeEconomia | Mulheres pedem ronda do Grande Prémio para o Consumo Face ao reduzido impacto nas zonas residenciais do número recorde de turistas, a Associação das Mulheres pede mais iniciativas para beneficiar estas zonas e promover a recuperação económica. Entretanto, Governo anuncia hoje novo grande prémio de consumo A Associação Geral das Mulheres de Macau defende que é necessário o Governo lançar uma nova ronda do Grande Prémio para o Consumo e melhorar os moldes do programa de promoção do consumo interno. A ideia consta num comunicado da associação, em que é indicado que apesar de o número de turistas ter sido superior a 10 milhões até 21 de Março, a economia comunitária continua a sofrer com a queda do consumo. Segundo o comunicado, os membros do Gabinete de Estudo das Políticas da associação, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng, justificaram que actualmente o ambiente de consumo nos bairros comunitários é pouco dinâmico. Como tal, será necessário repetir as iniciativas do passado, com a atribuição de cupões para consumir e organizar mais festas nos bairros residenciais. Ip e Chan também indicaram que recentemente a associação realizou um inquérito junto de comerciantes e residentes, que pediram ao Governo que pondere os modelos do Grande Prémio para o Consumo com a adopção de novos formatos. Como parte das sugestões para o novo formato, os inquiridos pediram cupões com um prazo mais prolongado e ainda a possibilidade de fazer o sorteio dos descontos durante o fim-de-semana. Uma vez que os cupões são distribuídos através de sorteios nas aplicações móveis, os inquiridos defenderam ainda a implementação de maiores probabilidades de ser premiado no sorteio. Tendo em conta as sugestões de comerciantes e residentes, Ip Weng Hong e Chan Hio Teng defenderam que os sorteios de sejam realizados aos sábados e domingos, para o consumo acontecer durante os dias úteis e criar um “ciclo de consumo que se prolonga toda a semana”. Vida mais cara Entretanto, e já depois da divulgação desta nota, o Governo anunciou a criação de uma nova ronda do “Grande Prémio para consumo nas zonas comunitárias 2026”, cujos detalhes serão anunciados hoje em conferência de imprensa. Entre os motivos que levam a Associação das Mulheres de pedirem mais incentivos ao consumo, consta também o facto de a organização se mostrar preocupada com a subida dos preços, que tem atingido principalmente os grupos vulneráreis, como os idosos. Em relação aos mais velhos, Ip e Chan defenderam também um novo modelo. Em vez dos idosos terem de carregar o cartão de consumo, para poderem obter descontos, como aconteceu nas versões mais recentes, a associação quer que os carregamentos deixem de ser obrigatórios. Segundo esta fórmula, os idosos receberiam um subsídio para gastar. Ao mesmo tempo, a associação defende que o Executivo deve alargar a rede de benefícios do actual Cartão de Benefícios Especiais para Idosos, criada pelo Instituto de Acção Social. Com este esforço foram também pedidos mais apoios de divulgação e redução de custos e impostos a comerciantes, para gerar descontos permanentes para os idosos.
João Santos Filipe Manchete PolíticaMacauport | Concessão para explorar Porto de Ká-Hó prolongada até 2033 A empresa que tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, da Comissão Executiva e do Conselho de Administração vai explorar o porto por mais sete anos. Durante este período terá de construir um armazém frigorífico e um posto de inspecção O Governo prolongou por mais sete anos o contrato com a Macauport, para a exploração do Porto de Ká-Hó. O novo vínculo entre a empresa e a RAEM passa a prolongar-se até 2033, entrou ontem em vigor, e a informação foi divulgada através do Boletim Oficial. Com o novo vínculo, a empresa compromete-se a promover “obras que visem potenciar a exploração do Porto de Ká-Hó”, como um “armazém frigorífico e posto de inspecção”. A renovação do contrato impõe também novas obrigações, ao nível do transporte das mercadorias consideradas perigosas, que passam não só por assegurar o trânsito, mas também “todas as medidas viáveis para coordenar o transporte marítimo das substâncias perigosas por terceiros devidamente qualificados, sempre que solicitada pela entidade fiscalizadora”. O vínculo chegava ao fim este ano, depois de estar em vigor desde 2019, sendo que nessa altura a renovação do contrato também foi por um período de sete anos. A Macauport é responsável pela gestão da operação do Terminal de Contentores do Porto de Ká-Hó e tem como principal accionista a Marban Corporation, empresa registada no paraíso fiscal das Bahamas. A Marban tem uma participação de 55 por cento e está ligada ao universo da STDM. O outro grande accionista da empresa é a RAEM, com uma participação de 31,8 por cento. A empresa estatal Nam Kwong é outro dos principais accionistas, com uma participação de 12 por cento, a que se junta ainda a Shell (Macau) com uma participação de 0,8 por cento, a Socarpor- Sociedade de Cargas Portuárias (Lisboa), com 0,14 por cento, e a Fielden Investment Limited, com 0,01 por cento. Pansy no controlo Em termos dos órgãos sociais, a empresa tem Pansy Ho como presidente da mesa da Assembleia Geral, presidente do Conselho de Administração e presidente da Comissão Executivo. Em todos estes órgãos sociais, a filha mais velha do segundo de casamento de Stanley Ho conta com a irmã Daisy como vice-presidente. Em 2024, a Macauport apresentou um lucro de cerca de 565,8 mil patacas, apesar de ter considerado que as condições de operação ao longo do ano não foram satisfatórias. Os resultados desse ano mostraram também uma quebra acentuada do lucro em comparação com 2023, quando os lucros tinham sido de 9 milhões de patacas. No entanto, os resultados deste ano ainda não são conhecidos, devendo ser publicados até ao final do próximo mês no Boletim Oficial.
João Santos Filipe Manchete SociedadeIAM | Novo recorde de gatos abatidos em 2025 Com o Governo a recusar implementar os programas de “captura, esterilização e devolução”, o número de abate de animais volta a subir. No caso dos felinos, estabelecem-se novos recordes. Quanto aos caninos, os abates aproximam-se de valores anteriores O ano de 2025 ficou marcado pelo maior número de abates de gatos em Macau pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM), um registo que bateu o recorde anterior, que era de 2023. Os dados constam do portal oficial do IAM. No ano passado, foram abatidos um total de 158 gatos, um aumento de 32,8 por cento em relação a 2024, ou de mais 39 abates quando o número tinha atingido 119 gatos mortos. Em relação ao anterior recorde, de 140 gatos abatidos, em 2023, os dados mais recentes mostram um aumento dos abates de 12,9 por cento, ou mais 18 abates. Até 2025, altura em que o IAM fez uma limpeza dos dados estatísticos, a informação oficial mostrava que antes de 2023, o maior número de abates felinos tinha acontecido em 2007, com 124 mortes. Apesar dos anos recentes terem trazido novos recordes ao nível das mortes dos gatos, a verdade é na maioria dos anos, o território tende a abater mais cães, o que voltou a acontecer em 2025. No ano passado, o IAM abateu um total de 333 cães capturados nas ruas do território. Este número está muito longe do recorde de 2010, quando ao longo desse ano o IAM matou um total de 718 cães. Também em 2015, houve mais mortes, com um total de 336 abates caninos. Apesar do recorde antigo, as autoridades têm aumentado o número de mortes nos anos mais recentes. Em 2024, foram abatidos 311 caninos, o que significa que no ano passado se registou um aumento de 7,1 por cento, ou de 22 abates face ao ano transacto. Contudo, entre 2023 e 2024, o número de mortes teve um crescimento de 41,2 por cento, ou 91 mortes, de 220 abates para 311 abates. Sem mudanças O aumento do número de abate de animais acontece ao mesmo tempo que o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) recusa implementar os programas de “captura, esterilização e devolução” dos animais que andam à solta nas ruas de Macau. Este programa era uma aspiração de alguns deputados, mais ligados à ala democrata, mas que perdeu espaço na Assembleia Legislativa, depois das exclusões eleitorais. Apesar disso, o assunto não morreu de todo, e no final do ano passado o deputado dos Moradores, Leong Hong Sai, voltou a abordar o assunto, através de uma interpelação escrita. Contudo, os dirigentes do IAM preferem apostar numa política de abate de animais, em vez de implementar o programa de “captura, esterilização e devolução”. “Tendo em conta a alta densidade populacional de Macau, tomando como referência as experiências do exterior e tendo em consideração a influência sobre a vida da população, o ambiente ecológico das florestas, a saúde pública, entre outros factores, não há condições, nesta fase, para desenvolver plenamente as medidas ‘captura, esterilização e devolução’ para animais vadios em todas as zonas de Macau”, limitou-se a justificar Chao Wai Ieng, sobre a opção deste Governo. Enquanto se procedeu ao aumento do número de abates, o Executivo eliminou cerca de 15 anos de dados oficiais. No ano passado o HM questionou o IAM sobre o desaparecimento dos dados oficiais, mas nunca recebeu qualquer resposta.
João Santos Filipe Manchete PolíticaSegurança Social | Leong Sun Iok quer mais fontes de financiamento O legislador ligado aos Operários avisa que são necessárias mais fontes de financiamento para o Fundo de Segurança Social, para permitir aumentar as pensões. Contudo, o deputado não faz qualquer proposta, e espera que o Governo apresente soluções O deputado Leong Sun Iok considera que o Governo tem de fazer uma revisão do sistema de financiamento do Fundo de Segurança Social, devido ao envelhecimento da população e ao aumento dos custos inerentes. A posição do deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) foi divulgada através de um comunicado. Segundo o deputado, o território “precisa de encarar o facto de que, desde de 2023, o índice de envelhecimento de Macau ultrapassou pela primeira vez os 100 por cento, o que significa que a população idosa ultrapassou oficialmente a população de crianças e adolescentes”. Além disso, aponta que os idosos têm cada vez mais expectativas “em relação à qualidade de vida”, apesar do “agravamento do envelhecimento da população”, “aumento dos preços” e de haver cada vez mais idosos dependentes dos rendimentos dos jovens. Neste contexto de maior pressão, o deputado considera que o Governo deve “rever a estrutura das fontes de financiamento do actual Fundo de Segurança Social”, “estudar formas de aumentar as receitas do fundo e ajustar de forma razoável o montante das pensões”. O deputado argumento que o seu objectivo é “permitir que a grande maioria dos idosos desfrute de uma velhice confortável”. Perigos do jogo Sobre o montante gasto do Fundo de Segurança Social, Leong Sun Iok indica que entre 2020 e 2024, a nível das pensões, houve um aumento dos gastos de 950 milhões de patacas para 5,17 mil milhões patacas. Este montante deveu-se somente a haver mais pessoas a receberem uma pensão, dado que o montante não sofreu aumentos durante estes anos. Com grande parte do financiamento a vir das receitas do jogo, o deputado pede diversificação, para evitar as flutuações deste mercado. “A experiência da pandemia demonstrou que as dotações provenientes do jogo, que representam uma parte significativa, são extremamente susceptíveis às influências do ambiente externo, tendo o montante injectado caído abruptamente de 5,01 mil milhões de patacas em 2019 para 780 milhões de patacas em 2022”, apontou. “Além disso, o retorno dos investimentos [feitos pelo FSS] é repleto de incertezas: embora em 2019 tenha sido registado um excedente de 5,5 mil milhões de patacas, em 2022 verificou-se uma perda de investimento de 7,7 mil milhões patacas”, vincou. Face aos números Leong San Iok sugeriu que, para garantir a estabilidade a longo prazo do sistema de segurança social, o Governo deve rever a estrutura actual das fontes de financiamento e estudar activamente estratégias para aumentar as receitas. No entanto, o deputado não indicou qualquer tipo de solução para aumentar as receitas do fundo.
João Santos Filipe Manchete SociedadePortuguês | Utilização “limitada” entre famílias de residentes Um estudo sobre a utilização de diferentes línguas pelas famílias residentes de Macau, mostra que o cantonês surge associado à identidade local, enquanto o inglês e o mandarim são vistos como oportunidades de mobilidade social. A língua de Camões é oficial, mas no contexto familiar tem uma utilização limitada Entre os residentes de Macau, a utilização da língua portuguesa em contexto familiar é limitada, apesar de se tratar de um idioma oficial no território. Esta é uma das conclusões do estudo “Política Linguística Familiar Sustentável em Comunidades Multiculturais: um Estudo Empírico Sobre as Famílias de Residentes Permanentes de Macau”, elaborado pelas académicas Zhang Yuhan e Wei Huiping, da Universidade de Ciências e Tecnologia de Macau (MUST, em inglês). O estudo foi publicado na revista científica Languages, distribuída online pelo portal MDPI, e teve por base 170 questionários feitos a residentes com família, dois por cada agregado familiar, assim como a observação da utilização das diferentes línguas pelas famílias locais. A primeira conclusão do estudo aponta que a utilização das línguas pelas famílias locais tem por base “um calculismo pragmático”, com adaptações estruturais, quando necessário, mais do que “estados emocionais”. Como parte deste pragmatismo, as autoras referem o caso de uma família macaense que antes da transição proibiu a filha de falar português em casa e a mudou de uma escola portuguesa para uma em que se aprendia em cantonês. O objectivo passou por assegurar que a descendente tinha as ferramentas linguísticas necessárias para continuar a viver em Macau depois da transição. “O português é utilizado apenas em determinadas famílias (as famílias macaenses), o que realça o ambiente sociolinguístico único de Macau; apesar do seu estatuto oficial, a sua função no uso linguístico na vida quotidiana e nos contextos linguísticos familiares é bastante limitada”, foi analisado. Identidade e oportunidades No âmbito da abordagem pragmática, o mandarim e o inglês surgem como línguas do futuro, associadas a mais oportunidades de emprego, enquanto o cantonês surge como marca da identidade local. “O cantonês funciona principalmente como capital simbólico, reforçando o sentimento de pertença local e a lealdade cultural, enquanto o mandarim e o inglês são considerados formas de capital de troca que proporcionam acesso a qualificações académicas, emprego e mobilidade social”, pode ler-se nas conclusões. “Em particular, os pais apresentam o inglês como um recurso valioso, invocando preocupações relacionadas com a escolaridade e a mobilidade futura. Estas justificações podem reflectir a orientação pragmática dos próprios pais; reflectem também os requisitos escolares institucionais e os discursos dominantes no mercado de trabalho de Macau”, foi considerado. Os resultados mostram também que as famílias com menor grau de educação tendem a valorizar mais o cantonês, enquanto as mais formadas insistem na necessidade de dominar bem o inglês e o mandarim. Ao mesmo tempo, quanto mais tempo as famílias vivem em Macau, maior é a importância atribuída à aprendizagem do inglês.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTrabalho ilegal | 383 empregadores punidos no ano passado Além das entidades patronais, foram também punidos 285 trabalhadores não-residentes e abertos 79 inquéritos criminais. As multas renderam mais de 6 milhões aos cofres da RAEM No ano passado, a Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais aplicou sanções a 383 empregadores, devido ao envolvimento em casos de trabalho ilegal. Os dados foram divulgados pelo director da DSAL, Chan Un Tong, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Os empregadores multados resultaram de um total de 683 inspecções que a DSAL realizou por si, ou em conjunto com outros órgãos do Governo, que levaram à aplicação de sanções a 668 pessoas e entidades. Destas, “383 eram entidades empregadoras e 285 eram não-residentes”, que acabaram por ser multados em mais de 6 milhões de patacas. Na origem das sanções estiveram práticas como exercício de funções em local ou para um empregador diferentes do autorizado, exercício de funções alheias às autorizadas, contratação de trabalhador ilegal ou trabalho por conta própria. Além das sanções administrativas, a polícia encaminhou 79 empregadores, por suspeita da prática do crime emprego irregular, ao Ministério Público para efeitos de investigação. A resposta de Chan Un Tong não indica o desfecho dos inquéritos relacionados com o trabalho ilegal, nem as consequências para estes empregadores. Segundo a legislação em vigor o crime de emprego irregular é punido com uma pena de prisão que pode chegar aos dois anos. Nos casos de reincidência a punição sobe para um mínimo de dois anos e um máximo de oito anos, se não houver outras questões agravantes. Controlar as redes sociais Na resposta, o director da DSAL garantiu também à deputada que tanto o órgão que lidera como a polícia fazem um controlo regular das redes sociais e de outros meios de recrutamento, para evitar a contratação de trabalhadores ilegais. “A DSAL recolhe informações sobre o trabalho ilegal em vários aspectos, tomando a iniciativa de fiscalizar as informações relacionadas com o trabalho ilegal nas plataformas de redes online, efectuando, em tempo oportuno, a análise e o estudo das violações da lei e reforçando a gestão a partir da fonte”, foi indicado. “A DSAL dispõe ainda de um mecanismo de denúncia por vários canais (incluindo telefone, e-mail e via postal), a fim de facilitar a denúncia do trabalho ilegal por parte dos cidadãos”, foi acrescentado. Chan garantiu ainda que no que diz respeito à polícia, no caso em que encontram casos suspeitos de trabalho ilegal há”, por iniciativa própria, uma investigação. Na interpelação a deputada mostrou-se preocupada com o trabalho ilegal e exigia mais medidas para controlar o fenómeno e a imigração.
João Santos Filipe PolíticaLucros da Sociedade de Parques Industriais afundam mais de 25 por cento No ano passado, os lucros da Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau caíram para 7,43 milhões de patacas, uma redução anual de 25,7 por cento, face ao lucro de 10,01 milhões de patacas, em 2024. Os dados foram divulgados ontem pela empresa com capitais da RAEM, através do portal da Direcção dos Serviços da Supervisão e da Gestão dos Activos Públicos (DSSGAP). As principais receitas da Sociedade para o Desenvolvimento dos Parques Industriais de Macau ficaram a dever-se ao arrendamento dos espaços no Parque da Concórdia, em Coloane, e do Parque Industrial Transfronteiriço Zhuhai-Macau, construído na Ilha Verde. Estas receitas geraram 18,16 milhões de patacas para a empresa, quando em 2025 tinham gerado 18,18 milhões de patacas. Apesar da redução dos lucros, os custos com os membros da administração e recursos humanos voltaram a subir. Em 2024, os gastos com o pessoal tinham atingido 6,05 milhões de patacas, porém, em 2025 voltaram a subir 20,2 por cento, para 7,27 milhões de patacas. É o segundo aumento desde 2023, quando os custos com o pessoal tinham sido de 5,80 milhões de patacas. Em mais de dois anos estas despesas subiram 25,3 por cento. Total de 10 trabalhadores A sociedade é liderada por Chan Hon Sang que tem um vencimento anual de 1,33 milhões de patacas, 18,3 por cento do total destes gastos. Apesar do aumento dos gastos com o pessoal, a empresa manteve o número de trabalhadores de 2024, um total de 10, incluído o presidente e dois directores. Os dois directores levam para casa um salário anual de 90 mil patacas, o que resulta do facto de acumularem o cargo com outras funções. A redução do lucro justifica-se também com a diminuição do valor dos juros face ao dinheiro guardado nos bancos locais. Em 2024 os juros tinham rendido 7,07 milhões de patacas, mas no ano passado o montante foi apenas de 5,63 milhões de patacas.
João Santos Filipe Manchete SociedadeTrânsito | Acidente entre carros e autocarro causa quatro feridos Após uma ultrapassagem pela esquerda, uma viatura com sete lugares perdeu o controlo e atingiu outro carro e um autocarro. Apesar do impacto, e de um dos condutores ter ficado encarcerado, todos os feridos foram considerados ligeiros Quatro pessoas ficaram feridas, depois do condutor de um carro de sete lugares ter perdido o controlo da viatura e embatido noutra viatura e num autocarro público. O caso aconteceu na noite de quarta-feira, por volta das 19h30, obrigou a cortar o trânsito no local do embate, na Avenida da Amizade, em frente do Edifício do Grande Prémio de Macau. O vídeo do acidente tornou-se viral nas redes sociais. De acordo com as imagens divulgadas online, quando circulava na recta em frente ao Edifício do Grande Prémio, em direcção ao centro de Macau, o condutor da viatura que se despista, de cor branca, começa por fazer uma ultrapassagem pela esquerda ao veículo que está a captar as imagens. Feita a primeira manobra, o homem muda de faixa de rodagem para tentar ultrapassar uma moto. No entanto, a mudança de direcção é feita antes de uma curva para a esquerda, que coincide com a primeira curva do Circuito da Guia, pelo que o condutor perde o controlo da viatura, embate nos separadores de plástico e atinge um outro carro de sete lugares e um autocarro. Como consequência do embate, o condutor do veículo de sete lugares atingido ficou preso e teve de ser desencarcerado pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o jornal Ou Mun, quando foi transportado para o hospital, o homem estava consciente e as autoridades indicaram que não corria perigo de vida. Os restantes feridos, com menor gravidade, são o condutor do autocarro e uma passageira, que se queixaram de dores no peito, e ainda o condutor do veículo responsável pelo acidente. Álcool zero Segundo as autoridades, os testes do álcool realizados ao condutor da viatura branca e do autocarro no local do acidente apresentaram resultados negativos, com o encarcerado a ser testado apenas mais tarde. Todos os condutores são residentes de Macau. Numa investigação preliminar ao acidente, as autoridades consideraram que o embate se deveu ao facto de o condutor do carro branco ter feito uma ultrapassagem ilegal e ter entrado em velocidade excessiva na curva onde perdeu o controlo da viatura. Nas imagens que circularam online, o carro branco, com matrícula de Macau, Hong Kong e do Interior, surge carregado de caixas brancas, o que levantou suspeitas de poder estar envolvido em actividades de contrabando. Todavia, este aspecto não foi abordado pelas autoridades na conferência de imprensa no local do acidente. Dispositivo mobilizado Após o registo do acidente, as autoridades enviaram para o local dois veículos de resposta a emergências e quatro ambulâncias, num total de 26 bombeiros. No local, três dos quatro feridos encontravam-se à beira da estrada a aguardar por auxílio, enquanto o outro condutor estava preso dentro da viatura. A operação de desencarceramento demorou cerca de 40 minutos, com os trabalhos a serem dificultados pelo facto de o condutor estar preso pela parte inferior do corpo. Por volta das 20h12, foi possível remover o homem e levá-lo para o hospital. As equipas de salvamento trataram também de encerrar a estrada ao trânsito, que se manteve fechada até por volta das 20h45, altura em que as operações de reboque das viaturas danificadas e de limpeza da estrada ficaram concluídas.
João Santos Filipe Manchete PolíticaImobiliário | Aproveitamento dos casinos-satélites exige flexibilidade Segundo a imobiliária Savills, há vários investidores internacionais interessados em explorar os ex-casinos-satélites, devido à grande dimensão dos espaços. No entanto, é pedida celeridade nos procedimentos administrativos para libertar as áreas Apesar do encerramento dos casinos-satélite, a empresa imobiliária Savills (Macau) Limited acredita que os edifícios têm potencial para atrair investidores internacionais devido às grandes dimensões dos espaços. A posição da imobiliária foi explicada por Franco Liu, director-geral da instituição, em declarações citadas pelo jornal Ou Mun. Segundo Liu, o espaço libertado com o encerramento dos casinos-satélite no final do ano passado é muito significante, pelo que pode ser aproveitado para experimentar o lançamento de diferentes variantes de entretenimento viradas para o turismo e para a população. Este aspecto contribui para o interesse em investir naquelas áreas do território, agora menos ocupadas, inclusive por empresários internacionais, que procuram uma oportunidade para entrar no mercado de Macau. No entanto, a imobiliária deixou um alerta ao Governo. Para aproveitar uma nova onda de investimentos no ZAPE é necessário acelerar os procedimentos administrativos relativos aos espaços encerrados. Franco Liu recordou que durante os primeiros encerramentos de casinos-satélites, ainda antes dos fins forçados, que os processos de reaproveitamento das áreas de jogo demoraram cerca de dois anos. Liu explicou que a lentidão no reaproveitamento se deveu aos procedimentos administrativos, motivados pelo facto de as áreas de jogo serem entregues à RAEM, após o encerramento. Estes procedimentos são encarados como pouco eficientes em termos de desenvolvimento da economia. Preços a descer Em relação ao mercado de habitação, Franco Liu afirmou que se está a verificar uma recuperação do número de transacções devido às medidas do Governo de isenção do imposto de selo no valor até 6 milhões de patacas na compra de habitação e por ter aumentado para 80 por cento o limite máximo do crédito bancário na compra de habitação. No entanto, o director-geral da empresa indicou que em termos do mercado de habitações usadas os preços continuam em quebra, ao contrário do que acontece com as habitações em primeira mão. Por isso, Franco Liu apelou ao Governo para lançar mais medidas de incentivo ao mercado imobiliário, para que haja uma recuperação dos preços de habitação, com a criação de programas de atracção de não-residentes com dinheiro para investir ou subsídios à compra de habitação.
João Santos Filipe Manchete SociedadeJardim Nova Taipa | Incêndio leva homem ao hospital Um homem foi encontrado no andar em que deflagrou o incêndio com queimaduras de segundo grau na cara, mãos e pés. Foi transportado para o hospital em condição “estável”. As chamas começaram num apartamento que estava a ser renovado Um homem de 65 anos teve ontem de ser hospitalizado, depois de ter sofrido queimaduras devido a um incêndio na Urbanização Jardim Nova Taipa. Segundo a informação do Corpo de Bombeiros (CB), as chamas deflagraram na manhã de ontem, por volta das 9h, num apartamento que estava a ser alvo de renovação, e o ferido era um dos trabalhadores no local. Quando as equipas de salvamento chegaram ao 24.º andar, onde o incêndio teve origem, encontram o homem no chão, com queimaduras de segundo grau na cara, nas mãos e nos pés. O trabalhador foi retirado do edifício pelas equipas de resgate e transportado para o Centro Hospitalar Conde de São Januário, onde as autoridades indicaram que se encontra, em condição estável e longe de perigo. Também foi relatado que vários residentes receberam tratamento em ambulâncias no local. No apartamento onde se iniciou o incêndio, e que estava a ser renovado, os bombeiros depararam-se com chamas vivas que foram extintas com recurso às mangueiras de água. Além disso, para acelerarem a remoção dos fumos de dentro do apartamento, as equipas de salvamento recorreram a ventoinhas extractoras. Segundo o jornal Ou Mun, o homem resgatado reconheceu que antes da explosão terá havido uma fuga de gás. Contudo, o espaço foi ventilado e os trabalhos prosseguiram. A explosão terá ocorrido quando uma cortadora fez uma faísca que levou à explosão. Correr pela vida Segundo o canal chinês da Rádio Macau, quando os moradores do edifício se aperceberam das chamas começaram a abandonar os apartamentos, o que levou a que 50 pessoas saíssem pelos seus próprios meios. Ao jornal Ou Mun, alguns moradores que se encontravam no exterior do edifício, enquanto os bombeiros combatiam o incêndio, afirmaram ter ouvido uma grande explosão e ter sentido o edifício a tremer. Após esse momento, viram as chamas a sair do interior do apartamento afectado. Também um residente com o apelido Ho, que vive perto do edifício afectado, afirmou que tinha regressado a casa quando se ouviu a explosão. Este foi à rua ver o que se passava e verificou que havia pedaços de vidro no passeio. Devido ao combate às chamas, várias secções da Rua de Bragança e da Rua de Foshan foram encerradas temporariamente ao trânsito. Em reacção ao incêndio, o Instituto de Acção Social (IAS) afirmou estar a acompanhar a situação disponibilizando alojamento para os moradores afectados. “O Instituto de Acção Social está profundamente preocupada com o incêndio ocorrido na Urbanização Jardim Nova Taipa, na Taipa”, foi comunicado. “Assim que tomou conhecimento do incidente, o IAS coordenou com as agências de serviços sociais da Taipa o envio de equipas ao local para prestar apoio e conforto aos residentes afectados”, foi acrescentado. Segundo o comunicado da manhã de ontem não tinha havido qualquer pedido de alojamento temporário.
João Santos Filipe Manchete PolíticaTabaco | Governo acha difícil proibir fumo a quem anda nos passeios Num período em que decorre a consulta pública sobre o aumento de restrições ao consumo de tabaco, o Governo afasta a possibilidade de uma proibição total de fumar e de aumentar os impostos sobre o tabaco O chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo dos Serviços de Saúde (SS), Lam Chong, considera difícil de implementar uma proibição de fumar para quem caminha nas ruas. A limitação foi reconhecida durante o programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau. “Estudamos as práticas a nível mundial em relação às pessoas que fumam enquanto caminham e nenhum país ou região conseguiu implementar este tipo de proibição”, afirmou Lam Chong, depois de ser confrontado com uma ouvinte que ligou para o programa a defender a proibição. “As práticas mais aplicáveis, que também estão previstas nas alterações propostas, passam pela classificação das zonas com maior fluxo de visitantes como locais em que é proibido fumar”, indicou. Lam Chong reconheceu que as medidas não satisfazem a pretensão de parte da população de proibir quem caminha de fumar. No entanto, existe a esperança entre o Governo de contribuir para diminuir o impacto do fumo nos locais ao ar-livre com maior concentração de pessoas. Ao mesmo tempo, Lam Chong destacou que as classificações de certas zonas como locais em que é proibido fumar pode transformar-se numa mensagem para os fumadores que o seu vício é tido como um acto indesejável. Luta anti-tabaco No programa de ontem do Fórum Macau foram discutidas as alterações ao regime de prevenção e controlo do tabagismo, uma vez que decorre uma consulta pública até 8 de Abril. Segundo as medidas propostas pelo Executivo, vai ser implementada uma proibição total de qualquer contacto com cigarros electrónicos, assim como outros produtos de tabaco, como xixa. Anteriormente, o Executivo explicou esta opção por considerar que este tipo de produtos de tabaco são portas de entrada para o mundo das drogas. No entanto, o Executivo vai continuar a proibir os cigarros tradicionais, mesmo que ontem alguns ouvintes tenham defendido uma proibição de todos os produtos de tabaco ou um aumento enorme do imposto sobre o tabaco. Contudo, Lam Chong defendeu os cigarros tradicionais: “A proibição total não é apropriada, porque as pessoas vão andar a fumar às escondidas”, frisou. Actualmente, o imposto sobre o tabaco ocupa 60 por cento do preço a retalho. Lam Chong argumentou que não se deve aumentar mais o preço através dos impostos, porque o valor é menor nas regiões vizinhas, o que vai fazer com que haja cada vez mais contrabando. Sem revistas Quanto à proibição da posse de cigarros electrónicos em locais públicos, Lam Chong apontou que vai visar todos os fumadores, mesmo os que apenas tenham este tipo de equipamentos guardados numa bolsa. No entanto, o chefe do Gabinete para a Prevenção e o Controlo do Tabagismo e do Alcoolismo indicou que os inspectores não vão ter competência para realizar buscas, por isso, as situações em que os cigarros estão escondidos não devem levar a multas. Um outro ouvinte mostrou-se preocupado com a gravação de vídeo pelos inspectores que pode violar a privacidade pessoal. Na resposta, o subdirector dos SS, Cheang Seng Ip, garantiu que os inspectores só ligam as câmaras de vídeo se houver um conflito e ameaças durante o processo de aplicação de lei. O responsável também explicou que antes de ligarem os equipamentos de gravação, os inspectores terão de informar os indivíduos envolvidos. E se não houve ocorrências anormais, a gravação vai ser eliminada após sete dias.
João Santos Filipe Manchete SociedadeCaso Kong Chi | Pena aumentada para 24 anos de prisão O Tribunal de Segunda Instância (TSI) concluiu ontem o segundo julgamento de Kong Chi, ex-Procurador-Adjunto da RAEM, e aumentou-lhe a pena de 21 anos de prisão para 24 anos. O colectivo de juízes considerou Kong culpado de vários crimes de corrupção, prevaricação e abuso de poder. Em relação aos outros arguidos, o advogado Ho Kam Meng foi condenado com uma pena de prisão de 15 anos e a empresária Choi Sao Ieng com uma pena de 16 anos e 9 meses de prisão. A advogada e quarta arguida Kuan Hoi Lon, que nunca esteve presente durante o julgamento, foi absolvida de todas as acusações. Segundo o jornal Ou Mun, durante a leitura da sentença, o juiz Choi Mou Pan considerou ter ficado provado que Kong Chi utilizou a sua posição no Ministério Público para arquivar ou pedir a absolvição de arguidos em vários casos, recebendo vários benefícios em troca. Esta actividade foi desenvolvida em conjunto com o advogado Ho Kam Meng e a empresária Choi Sao Ieng. Choi Mou Pan apontou também que aquando da transferência de soberania, Kong Chi fez um juramento do cumprimento dos princípios legais, de integridade e de salvaguarda dos interesses da RAEM. Contudo, para os juízes ficou provado que Kong abusou seus poderes para obter ganhos pessoais, violando as leis. O tribunal destacou ainda que os vários crimes dados como provados só foram possíveis devido à postura do ex-Procurador-Adjunto e que sem ele não teriam ocorrido. Choi Mou Pan afirmou também que a conduta de Kong Chi “teve um impacto profundo em Macau”. Rol de acusações O ex-Procurador-Adjunto da RAEM estava acusado de 79 crimes, entre os quais 56 crimes de prevaricação, todos em co-autoria com Ho Kam Meng, e outros 23 crimes de corrupção passiva para acto ilícito. Ho Kam era acusado de criar/fazer parte de uma associação secreta. Esta associação envolve Kong Chi e Choi Sai Ieng, que foram condenados por este crime no primeiro julgamento. O advogado estava ainda acusado de outros 68 crimes, entre os quais 12 crimes de corrupção passiva para acto ilícito e 56 crimes de prevaricação em co-autoria com Kong Chi. No caso do advogado Ho Kam Meng, o tribunal deu como provado que integrava e prestava apoio à associação ou sociedade secreta, à qual pertenciam também Kong Chi e Choi Sao Ieng, crime pelo que já tinham sido condenado no primeiro julgamento. Quanto a Kuan Hoi Lon, a advogada foi dada como inocente, por se considerar que não ficou provado ter agido além das suas competências legais.