Comércio | China rejeita críticas da Alemanha e de França sobre desequilíbrio comercial

Enquanto uma delegação da União Europeia visita Pequim para discutir questões como as fricções comerciais, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica, entre outras, as autoridades chinesas rejeitam as críticas de Merz e Macron e dizem estar abertas a um diálogo construtivo

Pequim rejeitou ontem críticas da Alemanha e de França sobre os desequilíbrios comerciais com a União Europeia, assegurando que não manipula a moeda, não procura deliberadamente um excedente comercial nem concede subsídios proibidos pela Organização Mundial do Comércio.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Lin Jian afirmou ontem, numa conferência de imprensa, que Pequim “atribui grande importância” às divergências económicas e comerciais com a União Europeia (UE), mas defendeu que estas podem ser resolvidas através do “diálogo e da consulta” e não devem tornar-se “um obstáculo” à confiança mútua nem um argumento para a “desvinculação económica”.

Lin garantiu ainda que não existe “compra ou venda forçada”, depois de Merz e Macron terem defendido recentemente, na Alemanha, um diálogo com Pequim para corrigir os desequilíbrios comerciais e abordar questões como as transferências de tecnologia, a política cambial e os subsídios.

“A China não procura deliberadamente um excedente comercial com a Europa”, afirmou o porta-voz, sustentando que a estrutura do comércio bilateral resulta da divisão internacional do trabalho, das vantagens comparativas de cada país e de outros factores.

O responsável acrescentou que a China cumpre as regras da OMC e os princípios do comércio livre, da concorrência leal, da abertura e da cooperação, negando a existência de subsídios proibidos por aquela organização.

Lin atribuiu a competitividade da indústria chinesa ao sistema produtivo do país, à dimensão do mercado interno, ao ecossistema de inovação e ao investimento sustentado das empresas chinesas.

O porta-voz rejeitou também as críticas relativas à taxa de câmbio, afirmando que a China, enquanto “grande potência responsável”, nunca manipulou a sua moeda, “não pratica desvalorizações competitivas” nem utiliza a taxa de câmbio como instrumento para responder a disputas comerciais ou perturbações externas.

Por outro lado

Na sexta-feira, Merz afirmou, ao lado de Macron, que nenhum país da UE mantém um saldo comercial positivo com a China e que o défice comercial anual do bloco ultrapassa os 300 mil milhões de euros. O Presidente francês defendeu igualmente a necessidade de “corrigir as disfunções” relacionadas com a taxa de câmbio e a relação monetária com a China.

Macron defendeu ainda que a Europa obtenha transferências de tecnologia da China, em vez de se limitar a importar produtos chineses.

A resposta de Pequim coincide com a visita à capital chinesa de uma delegação de eurodeputados, chefiada pelo alemão David McAllister, que está a discutir com as autoridades chinesas vários pontos de fricção entre Pequim e Bruxelas, incluindo o desequilíbrio comercial, a guerra na Ucrânia e a dependência tecnológica

 

Eurodeputados de visita

Uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu iniciou ontem uma visita de três dias à China para discutir com responsáveis chineses os principais pontos de tensão entre Pequim e Bruxelas, incluindo comércio, Ucrânia ou direitos humanos. A delegação, composta por oito eurodeputados e chefiada pelo alemão David McAllister, começou ontem a visita em Pequim, com um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi. O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, Engin Eroglu, afirmou na rede social X que já se reuniu com o seu homólogo chinês, Fu Ziying, defendendo que o diálogo é “um requisito para o entendimento mútuo e para uma política responsável”. Eroglu considerou ainda que a reunião entre a delegação do Parlamento Europeu e Wang Yi é pouco habitual e constitui “um sinal claro de que a parte chinesa também procura o diálogo e está interessada em melhorar as relações com a União Europeia (UE)”. Os eurodeputados deverão também reunir-se, em Pequim, com outras autoridades chinesas e com representantes das missões diplomáticas da UE, seguindo depois para Xangai, no leste da China, onde os encontros se centrarão em temas tecnológicos, como a soberania tecnológica, a competitividade do sector e a governação global da inteligência artificial (IA).

 

 

22 Jul 2026

Importações | China reforça compras de soja ao Brasil

O Brasil vê reforçadas as suas vendas à China, enquanto se acentua o declínio das exportações de soja, e não só, dos Estados Unidos para o gigante asiático

As importações chinesas de soja brasileira aumentaram 13,7por cento em Junho, para um recorde de 12,08 milhões de toneladas, enquanto as compras aos Estados Unidos caíram 20,6 por cento, apesar do compromisso assumido por Pequim de reforçar as aquisições.

Segundo dados divulgados na segunda-feira pela Administração-Geral das Alfândegas da China, no total, as importações chinesas de soja atingiram 13,55 milhões de toneladas em Junho, um máximo histórico para este mês, impulsionadas pela oferta brasileira e pelo desbloqueio de cargueiros que estavam retidos em portos chineses.

Em Junho de 2025, o Brasil exportou para a China 10,62 milhões de toneladas de soja, enquanto os Estados Unidos venderam 1,6 milhões de toneladas.

Os dados do primeiro semestre mostram uma tendência mais prolongada de queda das importações provenientes dos Estados Unidos. Entre Janeiro e Junho, a China comprou 9,31 milhões de toneladas de soja norte-americana, menos 42,4 por cento do que no mesmo período do ano anterior, apesar do compromisso assumido por Pequim de importar pelo menos 25 milhões de toneladas por ano até 2028, ao abrigo do acordo alcançado entre os Presidentes dos Estados Unidos e da China, Donald Trump e Xi Jinping.

No mesmo período, as importações de soja brasileira cresceram 9,1 por cento, para 34,75 milhões de toneladas.

O compromisso sino-americano é calculado numa base anual, pelo que os carregamentos de Junho reflectem compras efectuadas semanas ou meses antes, deixando margem para que as aquisições aos Estados Unidos aumentem na segunda metade do ano.

O objectivo anual foi mantido após uma segunda ronda de contactos ao mais alto nível entre Trump e Xi, realizada em Maio.

Quadro alargado

A evolução das importações acompanha uma mudança mais ampla no comércio externo brasileiro. Segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil – China, as exportações do Brasil para a China aumentaram 22 por cento no primeiro semestre, para um recorde de 58,3 mil milhões de dólares, enquanto as vendas para os Estados Unidos recuaram 13 por cento, para 17,4 mil milhões de dólares.

No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o Representante Comercial dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa de 25 por cento sobre vários produtos brasileiros, na sequência de uma investigação que incidiu sobre questões como desflorestação ilegal, acesso ao mercado do etanol e divergências em torno do sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Segundo a Câmara Americana de Comércio no Brasil (Amcham Brasil), a medida poderá afectar mais de 11 mil milhões de dólares em exportações industriais e agrícolas brasileiras, embora produtos como café, carne bovina, sumo de laranja, petróleo, gás e componentes aeroespaciais tenham ficado isentos.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços brasileiro, Marcio Elias Rosa, os Estados Unidos levantaram também, durante as negociações, a questão dos minerais críticos, defendendo que a exploração destes recursos fosse vedada a entidades que “não operam em condições de mercado”, numa referência implícita à China.

Rosa afirmou que o Governo brasileiro rejeitou a proposta, argumentando que as terras raras e os minerais críticos pertencem ao povo brasileiro.

Apesar do aumento das receitas obtidas com a soja, o volume exportado pelo Brasil para a China manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. As vendas renderam 20,2 mil milhões de dólares, mais 7 por cento do que um ano antes, graças sobretudo à subida dos preços, já que o volume embarcado recuou 0,2 por cento.

Por partes

A soja representou 34,7 por cento das exportações brasileiras para a China, menos 4,8 pontos percentuais do que no ano anterior, enquanto o petróleo bruto ganhou peso. As vendas de crude para o mercado chinês aumentaram 62 por cento, para 15,1 mil milhões de dólares, impulsionadas pelas tensões no Médio Oriente e pelo receio de perturbações no estreito de Ormuz.

As exportações brasileiras de minério de ferro para a China atingiram igualmente um máximo histórico no primeiro semestre, com 135 milhões de toneladas, no valor de 9,2 mil milhões de dólares.

As exportações de carne bovina cresceram 50 por cento, para 4,8 mil milhões de dólares, à medida que os exportadores procuraram aproveitar uma quota de 1,1 milhões de toneladas antes da entrada em vigor de uma sobretaxa de 55 por cento sobre os volumes que excedam esse limite.

22 Jul 2026

Diplomacia | Panamá e China negoceiam renovar acordo marítimo

Panamá e China “prosseguirão com os trâmites de renovação” do acordo marítimo após reunião entre autoridades dos dois países num momento de redução da escalada da tensão bilateral devido a conflito portuário e comercial, informou ontem o Governo panamiano.

“De 16 a 17 de Julho de 2026, delegações da República do Panamá e da República Popular da China realizaram negociações em Pequim sobre a renovação do Acordo de Transporte Marítimo China-Panamá e alcançaram um consenso sobre os temas pertinentes. Ambas as partes prosseguirão com os trâmites de renovação”, indicou, sem mais, um breve comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Panamá.

O chamado Acordo de Transporte Marítimo foi assinado em 2017, meses depois do restabelecimento das relações diplomáticas entre o Panamá e a China, em detrimento de Taiwan, e está prestes a expirar este ano após uma renovação anterior em 2021.

O acordo concede aos navios com bandeira panamiana, uma das maiores frotas mercantes do mundo, o estatuto de ‘Nação Mais Favorecida’ nos portos chineses, o que implica uma série de vantagens como tarifas portuárias preferenciais e procedimentos mais ágeis.

A renovação desse acordo ocorre depois do crescimento do número de navios panamianos retidos em portos na China, uma situação que surgiu após a saída, em Fevereiro passado, do operador chinês CK Hutchison de dois portos próximos ao Canal do Panamá porque a concessão foi anulada por ser considerada inconstitucional pelo Supremo do país.

A saída forçada, por sua vez, ocorreu depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçar retomar o Canal – que foi construído e administrado pelos EUA durante o século XX -, devido à “influência maligna” chinesa, e após anos de denúncias internas contra a concessão, qualificada pelo Supremo como lesiva para o Estado.

No bom caminho

O vice-chanceler panamiano Carlos Hoyos disse ontem à cadeia Telemetro que as detenções de navios de bandeira panamiana na China diminuíram desde Junho e já se encontram em números normais, uma tendência sobre a qual o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, já tinha falado.

“Parece que [a situação com a China] tem uma volta positiva e vai no sentido de anular qualquer tipo de tensão que possa existir, o que certamente não é o que queremos”, acrescentou Hoyos.

Das 30 ou 40 detenções habituais de navios com bandeira panamiana, este ano aumentaram para 140, o que impactou directamente a marinha mercante do Panamá, com mais de 200 navios a abandonar a bandeira do Panamá, segundo Mulino.

22 Jul 2026

IAM | Obras no Mercado Tamagnini Barbosa arrancaram ontem

O Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) anunciou ontem o início das obras para melhorar as instalações do Mercado Tamagnini Barbosa. Os trabalhos têm como objectivo revitalizar o mercado e vão ser conduzidos em diferentes fases.

Segundo o comunicado do IAM, na primeira fase, as obras visam a renovação do centro de restauração, o que vai permitir à zona do mercado continuar a funcionar nos moldes normais.

Na mensagem, o IAM afirmou que procura terminar as obras de melhoria do centro de restauração até ao final do ano, e que esse espaço deverá voltar a operar até Março de 2027.

A segunda fase visa a renovação da zona de produtos alimentares frescos e da mercearia que se situa no rés-do-chão do mercado. Neste momento, o IAM ainda não tem a certeza sobre o impacto dos trabalhos, uma vez que vai ouvir as opiniões dos vendilhões sobre se têm interesse em manter os negócios activos. Só após a recolha de opiniões vão ser tiradas as conclusões sobre a suspensão das vendas. Esta obra deverá ser lançada até Março de 2027 e concluída até Junho do mesmo ano.

No comunicado é indicado ainda que, desde Dezembro, as bancas de carne que estavam situadas no primeiro andar foram mudadas para o rés-do-chão. Com as novas obras, após o fim da renovação do centro de restauração,

nove bancas de comidas no rés-do-chão mudam-se para o primeiro andar. Ao mesmo tempo, sete novos operadores de bancas vão poder iniciar as operações.

21 Jul 2026

Grupo Jingye exige indemnização pela nacionalização da British Steel

A empresa chinesa que era proprietária da British Steel exigiu no domingo uma indemnização ao Governo britânico pelas perdas sofridas com a nacionalização da siderúrgica, concluída na semana passada.

O Governo do Reino Unido assumiu o controlo operacional da empresa no ano passado, depois de o grupo chinês Jingye ter admitido encerrar os altos-fornos da fábrica de Scunthorpe, no norte de Inglaterra, a última unidade do país a produzir aço primário a partir de matérias-primas.

Num comunicado divulgado na rede social chinesa WeChat, o Grupo Jingye afirmou que a nacionalização prejudicou a credibilidade do Governo britânico, afastou investidores internacionais e provocou “grandes prejuízos” à empresa e aos contribuintes britânicos.

A empresa acusou ainda Londres de “pisotear as regras internacionais do investimento” e exigiu que o Governo britânico respeite os compromissos assumidos.

O grupo anunciou ter iniciado os procedimentos de negociação previstos nos acordos bilaterais de protecção do investimento, reservando todos os direitos, incluindo o recurso à arbitragem internacional.

Em nome do povo

O Jingye indicou também que irá representar os contribuintes britânicos na tentativa de responsabilizar judicialmente o Governo do Reino Unido e a administração da British Steel, embora não tenha explicado de que forma pretende fazê-lo.

“O Reino Unido ignorou o investimento contínuo e o contributo significativo do Jingye e apenas estava disposto a oferecer uma compensação praticamente nula”, afirmou a empresa.

O Governo britânico anunciou na semana passada que será realizada uma avaliação independente para determinar se será paga alguma compensação ao Grupo Jingye.

O ministério dos Negócios e Comércio britânico justificou a nacionalização, anunciada em 17 de Julho, com a necessidade de preservar milhares de postos de trabalho e proteger o interesse nacional, assegurando o fornecimento de aço produzido no país para grandes projectos de construção e para a indústria da defesa.

A British Steel produz aço em Scunthorpe há mais de 130 anos e emprega actualmente cerca de 2.700 trabalhadores.

O Grupo Jingye adquiriu a British Steel em 2020, afirmando então ter salvo a empresa da falência.

Credibilidade em causa

No sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês afirmou que a forma como o Reino Unido gerir este processo influenciará directamente a percepção dos investidores chineses sobre o ambiente de investimento britânico e a credibilidade do Governo de Londres.

A diplomacia chinesa apelou ao Reino Unido para que respeite “os princípios do mercado e o espírito contratual” e encontre uma solução para a compensação e outras questões “aceitável para ambas as partes”.

Pequim acrescentou ainda que apoia as empresas na defesa dos seus direitos e interesses legítimos através dos meios legais.

21 Jul 2026

Mercados recuperam com intervenção de fundos públicos

As bolsas chinesas recuperaram ontem parte das fortes perdas da semana passada, após dois grandes fundos estatais anunciarem novas compras e o regulador dos mercados convocar uma reunião com os principais participantes do sector para reforçar a estabilidade financeira.

O índice de referência CSI 300 chegou a subir 2 por cento nas primeiras horas da sessão, depois de ter recuado 3,6 por cento na sexta-feira e acumulado uma perda semanal de 5,3 por cento, a maior desde Outubro de 2022, num contexto de forte correção das acções tecnológicas a nível mundial.

A recuperação ocorreu após a China Reform Holdings Corporation e a China Chengtong Holdings Group, duas gestoras estatais associadas à chamada “equipa nacional” (“national team”), anunciarem no domingo o reforço das suas posições em acções chinesas.

As duas entidades comprometeram-se igualmente a continuar a aumentar os investimentos, em particular em empresas estatais sob controlo do Governo central.

A China Reform Holdings revelou que uma das suas subsidiárias recorreu a mais de 50 mil milhões de yuan da facilidade de ‘swap’ do Banco Popular da China (banco central) para apoiar a estabilidade dos mercados.

Já a China Chengtong indicou que duas subsidiárias adquiriram recentemente activos acionistas chineses no valor de quase 10 mil milhões de yuan.

Preparar o futuro

Entretanto, a Comissão Reguladora do Mercado de Valores da China reuniu-se ontem com empresas cotadas, corretoras e gestoras de fundos para recolher propostas destinadas a promover “um desenvolvimento estável e saudável” dos mercados de capitais, segundo a imprensa estatal.

As medidas surgem depois de uma vaga de vendas iniciada pelas acções chinesas ligadas à inteligência artificial (IA), que acabou por alastrar ao conjunto do mercado.

O índice STAR 50, que agrega empresas tecnológicas cotadas em Xangai, caiu 17 por cento na semana passada, reflectindo também as preocupações dos investidores com a pressão da oferta antes da esperada entrada em bolsa da fabricante chinesa de memória ChangXin Memory Technologies (CXMT).

Na sexta-feira, os fundos negociados em bolsa (ETF) habitualmente associados à chamada “equipa nacional” registaram entradas líquidas de cerca de 28 mil milhões de yuan, o valor mais elevado desde Abril de 2025.

O reforço da intervenção estatal faz recordar as medidas adoptadas em Abril do ano passado, quando Pequim mobilizou vários fundos públicos para apoiar os mercados accionistas após a forte queda provocada pelo anúncio das tarifas globais impostas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Nessa altura, a China Reform Holdings, a China Chengtong Holdings e o fundo soberano Central Huijin Investment comprometeram-se igualmente a adquirir acções para restaurar a confiança dos investidores.

21 Jul 2026

Confrontos na Índia entre polícia e jovens que exigem demissões no Governo

Milhares de famílias e jovens indianos tentaram ontem marchar até ao parlamento para exigir a demissão do ministro da Educação, mas foram alvo de gás lacrimogéneo e bastonadas quando tentaram romper as barricadas de segurança.

Os manifestantes, apoiantes e membros do “Partido das Baratas” – um movimento satírico da Geração Z indiana que surgiu como resposta a uma declaração do presidente da Supremo Tribunal na qual comparou os jovens desempregados a baratas –, entoaram palavras de ordem contra o ministro da Educação e contra o primeiro-ministro, Narendra Modi.

A polícia disparou gás lacrimogéneo e atacou os manifestantes com bastões depois de estes terem tentado romper as barricadas que cercavam o local do protesto, no centro de Nova Deli, marcando um dos confrontos mais graves até à data na campanha do movimento contra o Governo.

Os manifestantes estão, há um mês, acampados num local designado para protestos, a poucos quilómetros do parlamento, tendo o movimento crescido muito depois de um conceituado engenheiro e activista ambiental, Sonam Wangchuk, ter iniciado uma greve de fome em resposta a um escândalo nacional de venda ilegal das provas do exame de acesso aos cursos de medicina e medicina dentária.

O caso culminou na anulação dos exames de milhões de candidatos e deu azo a relatos de muitos suicídios de estudantes.

Wangchuk apoia o movimento estudantil e o chamado “Partido das Baratas” na exigência da demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, e reformas estruturais urgentes no setor.

A atenção aumentou ainda mais no sábado, quando a polícia levou o activista à força para o hospital.

Antes da marcha de ontem, Wangchuk disse que terminaria a sua greve de fome de quase três semanas se o Governo assumisse a responsabilidade pelas falhas no sistema educativo e pelas fugas de provas ou se os manifestantes tivessem permissão para entrar ao parlamento e os deputados se comprometessem a abordar as questões em ambas as câmaras.

A polícia de Deli garantiu, no entanto, que a manifestação não tinha sido autorizada e que eram necessárias restrições para manter a ordem pública em torno do parlamento durante a sessão de Inverno, que começou ontem.

 

Divisões internas

Apesar e tudo, o episódio parece ter resultado na primeira aproximação do Governo aos líderes dos protestos, já que o porta-voz do “Partido das Baratas”, Saurav Das, anunciou ter estado, em conjunto com outro representante, reunido com o ministro da Saúde, J.P. Nadda. O Governo não confirmou a reunião.

Líderes importantes do Governo de Modi adoptaram uma linha dura contra o movimento, com Pradhan a acusar os manifestantes de agirem contra a nação, enquanto outros ministros reconheceram as preocupações dos estudantes, mas insistiram que não há necessidade de conversas ou negociações com o partido.

Os protestos tornaram-se um raro desafio público ao Governo nacionalista hindu de Modi, que cumpre o seu terceiro mandato, atraindo o apoio de partidos da oposição, activistas dos direitos humanos e algumas celebridades de Bollywood.

Os manifestantes dizem que o espaço para a dissidência diminuiu sob o Governo de Modi, que tem sido criticado por reprimir protestos públicos, prendendo activistas e, em alguns casos, usando repressão policial violenta.

21 Jul 2026

UNESCO | Avaliadas 30 candidaturas a Património Mundial

A UNESCO abriu domingo na Coreia do Sul a 48.ª reunião do Comité do Património Mundial, que avalia 30 candidaturas de diferentes países, entre as quais de Espanha e do Brasil, numa lista que inclui ainda fortalezas portuguesas.

A Palestina também apresenta uma candidatura, a qual será tratada com carácter de urgência face à ameaça de ocupação israelita.

“O Comité do Património Mundial dará vida à convenção durante os próximos 10 dias, considerando novas nomeações, examinando o estado de conservação e abordando desafios crescentes como as alterações climáticas, a urbanização e os conflitos”, afirmou o director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla inglesa), Khaled El-Enany, no seu discurso de abertura.

Entre as propostas para a eleição como Património Mundial no evento, que decorre na cidade meridional sul-coreana de Busan, figura o sítio cultural da Ribeira Sacra, em Espanha, embora a sua designação esteja rodeada de incerteza depois de o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos) ter aconselhado a não inscrição por não ver nela um exemplo notável de um povoamento humano tradicional, além de tecer críticas aos critérios de integridade e autenticidade.

Por sua vez, o Brasil tem a aspiração de inscrever conjuntamente o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, dois símbolos do auge da borracha no final do século XIX que combinaram arquitetura e materiais europeus com a identidade cultural amazónica.

A candidatura palestiniana de Sebastia, um sítio arqueológico cujos primórdios remontam aos séculos VIII e IX a.C., será tramitada com carácter de urgência, no meio de uma ordem israelita de expropriação, apesar de se encontrar no território palestiniano da Cisjordânia.

O monte Olimpo grego e a sua envolvência também participam na categoria mista de sítio cultural e natural, num evento que reúne em Busan mais de 3.000 participantes de 150 países.

Outras propostas

O Comité da UNESCO examinará ainda outras propostas de sítios culturais, como as de França, que apresenta as praias do desembarque da Normandia e as fortalezas medievais de Carcassonne (séculos XIII-XIV).

Entretanto, a Finlândia propõe 13 obras de Alvar Aalto com o apoio do Icomos.

Também figuram na lista de candidaturas teatros comunitários italianos, fortalezas portuguesas e as antigas capitais japonesas de Asuka e Fujiwara.

O Património Mundial “é um símbolo que une a humanidade além-fronteiras e gerações, e é uma base sólida que permite pôr em prática a paz e a cooperação entre os países”, afirmou o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, na cerimónia realizada no centro de convenções BEXCO.

21 Jul 2026

Portas do Cerco | Passagens pedonais alvo de revisão

O Governo promete levar a cabo uma revisão das pontes pedonais de acesso às Portas do Cerco. A promessa foi feita pelo director dos Serviços de Obras Públicas, Lam Wai Hou, na resposta a uma interpelação do deputado Leong Sun Iok.

“A Estação ES1 da Linha Leste do Metro Ligeiro, actualmente em construção, efectuará, através de passagens pedonais subterrâneas e passagens superiores para peões, a ligação directa à zona de mudflat junto da Avenida Norte do Hipódromo, ao Edifício do Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e às imediações da zona comunitária da Praceta do Bom Sucesso”, começou por descrever. “O Governo irá, através da coordenação interdepartamental e em articulação com

o andamento da construção da Linha Leste do Metro Ligeiro, proceder simultaneamente à revisão das actuais passagens superiores para peões e instalações pedonais no Posto Fronteiriço das Portas do Cerco e nas suas

zonas circundantes”, foi acrescentado.

Os trabalhos, que têm como objectivo “aperfeiçoar o ordenamento do tráfego” e “racionalizar os percursos pedonais”, vão ser iniciados “oportunamente”. Lam Wai Hou prometeu também que após a conclusão das obras, a rede pedonal naquela zona da cidade vai ser mais “conveniente e contínua”.

21 Jul 2026

Jogo VIP | Mercado com queda trimestral de 18,8%

As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, desceram 2,6 por cento no segundo trimestre do ano, em termos anuais, e 18,8 por cento, face aos três meses anteriores, de acordo com dados oficiais.

O bacará VIP, o jogo que representa a totalidade do sector VIP no território, atingiu receitas de 15,9 mil milhões de patacas entre Abril e Junho, anunciou na quinta-feira a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) de Macau.

No mesmo período de 2025, as receitas das grandes apostas alcançaram 16,3 mil milhões de patacas.

O valor agora registado representa também uma queda de 18,8 por cento face ao primeiro trimestre de 2026, período em que as receitas deste segmento alcançaram 19,6 mil milhões de patacas.

No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19.

Em 2019, o bacará VIP representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos de Macau. Mas, no segundo trimestre deste ano, ficou-se por uma fatia de 26,1 por cento.

As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021.

O antigo director executivo da Suncity, Alvin Chau Cheok Wa, foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau.

O número de licenças tem vindo a recuperar e, de acordo com dados da DICJ, totaliza neste momento 29, embora permaneça aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, caíram 1,2 por cento, em termos anuais, no segundo trimestre de 2026, alcançando 35,2 mil milhões de patacas.

20 Jul 2026

Turismo | Subida de 9% para 20,9 milhões no primeiro semestre

Macau recebeu no primeiro semestre do ano 20,9 milhões de visitantes, uma subida de 9 por cento em termos anuais, indicam dados divulgados na sexta-feira.

Entre os visitantes que se deslocaram ao território nos primeiros seis meses do ano, mais de metade (12,9 milhões) eram excursionistas, o que representa um aumento de 15,3 por cento face ao mesmo período do ano anterior, refere uma nota da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Também o número de turistas, (cerca de oito milhões), registou uma subida ligeira de 0,2 por cento entre Janeiro e Junho de 2026, em termos anuais, acrescenta-se na nota.

A maioria dos visitantes (15,3 milhões) veio da China continental – mais 11 por cento -, sendo que 3,7 milhões chegaram de Hong Kong e pouco mais de 575 mil de Taiwan, apresentando uma subida homóloga de 0,3 por cento e 24,7 por cento, respectivamente.

Os visitantes internacionais (exclui interior da China, Hong Kong e Taiwan), refere ainda a DSEC, totalizaram no primeiro semestre 1,4 milhões, registando um aumento de 6 por cento, em comparação com o mesmo período de 2025.

Já em termos mensais, entraram no território 2,8 milhões de visitantes em Junho, o que representa um decréscimo de 3,1 por cento em relação ao mesmo mês do ano passado.

20 Jul 2026

Guterres agradece a Xi Jinping “apoio consistente” da China ao multilateralismo e à ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, agradeceu sexta-feira ao Presidente chinês, Xi Jinping, pelo “apoio consistente da China” ao multilateralismo e às Nações Unidas, incluindo às missões de manutenção da paz.

Num encontro em Xangai, para onde Guterres viajou para participar na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (IA), o líder da ONU e o chefe de Estado chinês discutiram uma série de assuntos internacionais e regionais de paz e segurança, incluindo questões relativas ao Médio Oriente, assim como à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, segundo o gabinete do secretário-geral.

“O secretário-geral reafirmou o seu firme compromisso com a reforma da ONU, em plena consonância com a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, e com o pleno respeito pelo equilíbrio entre os três pilares das actividades das Nações Unidas – paz e segurança, desenvolvimento sustentável e direitos humanos – e com o reforço da cooperação com a China em todas estas áreas”, disse o gabinete de Guterres em comunicado.

O ex-primeiro-ministro português aproveitou ainda o encontro com Xi para elogiar o envolvimento da China nas discussões globais sobre a governação da IA.

 

Poder nas pessoas

António Guterres chegou à China na quinta-feira. Na sexta-feira de manhã, participou na cerimónia de abertura da Conferência Mundial de IA, em Xangai, e posteriormente interveio na sessão de abertura do Fórum Meteorológico da Conferência Mundial.

Guterres apelou para que não se permita a “um punhado de países ou empresas” controlar o futuro da IA, sublinhando que deve ser a humanidade a “moldar” essa tecnologia.

“A IA pode ser uma das maiores oportunidades para a humanidade no século XXI, mas também poderá ser um dos seus maiores riscos. (…) A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas e não o contrário”, advertiu.

Na sua perspectiva, os riscos concentram-se na ameaça de “desigualdades ainda maiores” em matéria de rendimento, oportunidades ou segurança.

“Não podemos permitir que isso aconteça. O desafio que enfrentamos é garantir que a IA se torne uma força para maior inclusão e para o progresso comum”, afirmou o líder da ONU.

20 Jul 2026

Hong Kong | China saúda EUA por restaurarem privilégios comerciais

A China saudou a decisão dos Estados Unidos de não renovar uma ordem executiva que revogava o estatuto comercial especial de Hong Kong, considerando um passo importante na implementação do consenso alcançado durante encontros entre Pequim e Washington.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos confirmou na sexta-feira que não vai renovar a ordem executiva, assinada em Julho de 2020 durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump, em resposta à imposição pela China da lei de segurança nacional.

Decisão aplaudida na sexta-feira por um porta-voz do Ministério do Comércio da China que, citado pela agência de notícias Xinhua, confirmou a revogação, este ano, da ordem executiva.

Ainda de acordo com este ministério, durante as consultas económicas e comerciais entre a China e os EUA, realizadas em Madrid no ano passado, os Estados Unidos assumiram compromissos sobre questões que incluíram Hong Kong e o investimento.

O porta-voz indicou ainda que a manutenção da prosperidade e da estabilidade de Hong Kong serve os interesses comuns da China e dos Estados Unidos, e que o ajustamento da política dos EUA em relação a Hong Kong numa direcção positiva também vai ao encontro das expectativas da comunidade internacional.

 

Pela estabilidade

A China, afirmou ainda o responsável chinês do Ministério do Comércio, espera que os Estados Unidos honrem as convenções internacionais e o consenso alcançado pelas duas partes, respeitem a soberania da China e o Estado de direito na Região Administrativa Especial de Hong Kong, e restabeleçam e reforcem as relações económicas e comerciais com esta cidade vizinha de Macau.

Esses esforços contribuiriam para a construção de uma relação construtiva de estabilidade estratégica entre a China e os Estados Unidos, acrescentou o porta-voz.

Na sexta-feira, o porta-voz do Departamento do Tesouro afirmou que continuarão em vigor as sanções previstas na Lei de Autonomia de Hong Kong de 2020, que penaliza autoridades que promovem a política chinesa de limitar a autonomia do território, acrescentando que a decisão de não renovar evita a duplicação de sanções.

A ordem executiva de 2020, justificada com a convicção de que Hong Kong deixou de ser suficientemente autónomo para merecer um tratamento diferenciado em relação à China continental sob certas leis, fora renovada pela última vez em Julho de 2025, por um ano.

O Governo de Hong Kong afirmou, em comunicado, ter notado uma “mudança positiva na política dos EUA” em relação à cidade.

“Salvaguardar a prosperidade e a estabilidade de Hong Kong atende aos interesses comuns da China e dos Estados Unidos e também se alinha com as expectativas gerais da comunidade internacional”, referiu.

20 Jul 2026

Activista indiano levado para hospital após 20 dias de greve de fome

O activista indiano Sonam Wangchuk foi levado à força sábado para um hospital após 20 dias de greve de fome em protesto contra o sistema de exames de acesso a Medicina.

Wangchuk, de 59 anos, está em sem comer desde 28 de Junho para exigir a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, acusado de uma fraude que levou, em Maio, à anulação de um exame realizado por dois milhões de candidatos a estudantes de medicina.

De acordo com a imprensa local, essa anulação provocou o suicídio de vários candidatos.

Nas últimas semanas, várias centenas de estudantes juntaram-se a Wangchuk em torno do palco que montou no Jantar Mantar, um monumento da capital, Nova Deli.

“De acordo com as ordens do (…) Supremo Tribunal e por recomendação médica, devido à deterioração do estado de saúde de Sonam Wangchuk, este foi transferido para o hospital para receber os cuidados médicos indispensáveis”, declarou o comissário-adjunto da polícia de Deli num comunicado.

Um vídeo gravado em Jantar Mantar mostrou a confusão que reinava entre alguns apoiantes de Wangchuk presentes no local durante a manhã, enquanto agentes da polícia, munidos de lençóis brancos, o retiravam apressadamente do palco.

“Embora cumprissem as ordens (…), os manifestantes tentaram criar obstáculos, o que provocou uma ligeira agitação”, acrescenta-se no comunicado.

 

Outras críticas

Outras manifestações foram organizadas pelo movimento satírico ‘online’ Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês), que acabara de surgir nas redes sociais.

Este partido foi fundado por um estudante indiano recém-licenciado pela Universidade de Boston (Estados Unidos), Abhijeet Dipke, em reacção às declarações do presidente do Supremo Tribunal contra os jovens “baratas” e “parasitas” que criticam o Governo.

Ecologista de renome, Sonam Wangchuk é o mais destacado dos grevistas de fome. Libertado em Março, após seis meses de detenção por se ter manifestado a favor da autonomia da região himalaia de Ladakh, juntou-se ao protesto daquele movimento de jovens.

Vários membros dos partidos da oposição manifestaram apoio a Wangchuk e aos activistas estudantis.

O estado de saúde de Sonam Wangchuk deteriorou-se nos últimos dias. Na quinta-feira, um tribunal de Nova Deli ordenou que médicos do Governo vigiassem diariamente o estado de saúde do activista.

20 Jul 2026

PJ | Mulher detida por extorsão após relação sexual

Uma mulher foi detida por tentativa de extorsão de 80 mil renminbis, depois de ter consentido relações sexuais com um homem. Na origem do caso, esteve a ruptura do preservativo, que levou a mulher a considerar que tinha direito a receber uma compensação.

Segundo a Polícia Judiciária (PJ), os dois envolvidos no caso conheceram-se em Macau, no final do ano passado, quando o homem concordou pagar 5.800 yuans à mulher, a troco de sexo. Na altura, o encontro entre os dois correu bem, pelo que trocaram o contacto a pensar em encontros futuros.

Como o homem regressou a Macau para jogar este mês, convidou a mulher para dormir novamente com ele, a 15 de Junho. Mais uma vez, os dois definiram um preço de 5.800 yuans.

No entanto, durante o acto sexual o preservativo rompeu, o que levou a mulher a exigir imediatamente o pagamento de 80 mil renminbis ao homem. No entanto, o residente do Interior recusou fazer o pagamento.

Face à nega, a mulher ligou para o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e acusou o cliente de violação. Tendo em conta a natureza da acusação, o caso foi encaminhado para a PJ.

No entanto, os agentes começaram a duvidar da versão da mulher porque nenhum dos envolvidos apresentava qualquer sinal de violência no corpo, como costuma acontecer em casos de violação. A investigação levou assim os agentes a equacionaram que a violação teria sido inventada.

Como resultado, a mulher acabou detida e indiciada da prática dos crimes de denúncia caluniosa e de extorsão. O caso foi encaminhado para o Ministério Público.

20 Jul 2026

Banguecoque | Numéro de mortos em incêndio de bar sobe para 34

O número de mortos no incêndio ocorrido num bar em Banguecoque subiu para 34, após a morte, ontem, de uma mulher de 20 anos que não resistiu aos ferimentos, anunciaram as autoridades de saúde da Tailândia.

O incêndio devastou rapidamente, no domingo passado, um popular bar-restaurante na zona norte da capital tailandesa, o Rong Beer Na Lat Phrao, onde decorria um concerto.

As autópsias revelaram que a maioria das vítimas morreu de intoxicação por monóxido de carbono e ácido cianídrico, após inalarem o fumo, enquanto outras morreram no hospital devido a queimaduras graves.

Os investigadores procuram determinar a causa do incêndio e as razões pelas quais este se revelou particularmente mortífero.

Os corpos de muitas vítimas foram encontrados perto das casas de banho, e as autoridades questionam-se se as saídas de emergência estariam obstruídas.

Um especialista em segurança de edifícios declarou anteriormente à agência France-Presse (AFP) que o Rong Beer Na Lat Phrao parecia não dispor dos sistemas de segurança necessários para acolher um vasto público e concertos.

As autoridades anunciaram que cerca de mil estabelecimentos em Banguecoque serão alvo de inspecção nas próximas semanas, tendo já ordenado o encerramento temporário de três bares que não cumpriam as normas de segurança.

Estas normas são frequentemente aplicadas de forma pouco rigorosa nos estabelecimentos nocturnos da Tailândia, onde um incêndio numa discoteca de Banguecoque já tinha causado 67 mortos e mais de 200 feridos em 2009.

20 Jul 2026

Nova Iorque | Mamdani reafirma hipótese de deter Netanyahu

O autarca de Nova Iorque, Zohran Mamdani, voltou a garantir que a sua equipa jurídica continua a estudar se será possível prender o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, no caso do israelita se deslocar à cidade em Setembro para participar na Assembleia Geral da ONU.

Numa entrevista ao podcast “The Interview”, do New York Times, Mamdani confirmou que esta questão está a ser activamente debatida internamente, uma promessa que já tinha feito durante a sua campanha eleitoral.

Para o autarca, Netanyahu “devia estar em Haia”, por se tratar, na sua opinião, de um criminoso de guerra formalmente acusado pelo Tribunal Penal Internacional. Ao ser confrontado sobre até onde a lei lhe permitiria ir, respondeu que essa é ainda uma discussão em aberto com os seus advogados, deixando claro que não pretende agir à margem da legalidade, ao contrário, sublinhou, do que por vezes se vê acontecer a nível federal.

Importa lembrar que o TPI emitiu, em 2024, um mandado de captura contra Netanyahu e outros responsáveis israelitas, por suspeitas de crimes de guerra ligados aos acontecimentos que se seguiram ao ataque do Hamas a 7 de Outubro de 2023. Essa decisão foi criticada tanto por Trump como pelo seu antecessor, Joe Biden. Como os Estados Unidos nunca ratificaram o Estatuto de Roma — o tratado que obriga à detenção de pessoas visadas por este tipo de mandado — o país não é juridicamente obrigado a cumpri-lo, e a administração Trump tem vindo a intensificar os ataques ao tribunal, com o secretário de Estado Marco Rubio a prometer mesmo “desmantelá-lo”.

Palco da polémica

Conhecido pela sua postura crítica face ao governo israelita, Mamdani já classificou por diversas vezes a guerra em Gaza como um “genocídio”, uma acusação que Israel rejeita categoricamente. Do lado americano, o embaixador junto da ONU, Mike Waltz, desvalorizou as declarações, chamando-lhes “puro teatro político” e recordando que os EUA nem sequer integram o TPI. Já o embaixador israelita na ONU, Danny Danon, garantiu que Netanyahu virá mesmo a Nova Iorque e discursará na Assembleia Geral “com orgulho”, reafirmando o direito de Israel se defender, lembra a CNN Internacional.

20 Jul 2026

CPLP | Ji Xianzheng defende papel de Fórum de Macau

Quando se celebram os 30 anos do estabelecimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o secretário-geral do Fórum de Macau argumenta que também contribui para os objectivos comuns do organismo

O secretário-geral do Fórum de Macau considera que, mesmo sem ligação institucional formal, o organismo “contribui para a concretização de alguns dos objectivos da CPLP”, ao promover o desenvolvimento comum entre a China, os países lusófonos e Macau.

Ji Xianzheng sublinhou, em declarações envidas por escrito à Lusa a propósito dos 30 anos da CPLP, assinalado na sexta-feira, que o reforço do papel da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) como plataforma de serviços para a cooperação comercial “aproxima os países lusófonos entre si e abre novos caminhos de articulação com a China”, destacando que mantêm “contactos directos com o secretariado-executivo da CPLP”.

O responsável recordou que a Conferência Ministerial do Fórum de Macau conta regularmente com a presença do secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) como convidado e que o Secretariado Permanente tem recebido visitas da Confederação Empresarial da CPLP.

“Embora não exista um mecanismo formal de ligação institucional, na prática desenvolvemos esforços complementares que trazem benefícios concretos”, afirmou Ji.

Sobre uma eventual aproximação institucional mais estruturada, frisou que “depende, antes de mais, das opiniões e da vontade dos 10 participantes do Fórum – a China e os nove países de língua portuguesa”. Ainda assim, garantiu que o Fórum acompanha “com interesse todas as iniciativas que possam reforçar a cooperação económica e comercial entre os Países de Língua Portuguesa e a China”.

A China estabeleceu Macau como plataforma para o reforço da cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003 e, nesse mesmo ano, criou o Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os países de língua portuguesa (Fórum de Macau).

O Secretariado Permanente do Fórum integra o secretário-geral, o chinês Ji Xianzheng e três secretários-gerais adjuntos: o timorense Danilo Afonso Henriques (indicado pelos países lusófonos), Xie Ying (nomeada pela China) e António Lei (nomeado por Macau).

“Através dos serviços prestados pela plataforma de Macau, realizamos de três em três anos uma Conferência Ministerial, na qual é aprovado um Plano de Acção Conjunto que orienta o trabalho de cooperação para o triénio seguinte, permitindo um avanço estável e contínuo das relações”, explicou.

A 7.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa deverá realizar-se no primeiro semestre de 2027, sem uma data exacta ainda definida.

Elo de ligação

Ji destacou também que o Fórum de Macau tem vindo a desempenhar um papel de elo de ligação “particularmente eficaz” entre o Interior da China e os países de língua portuguesa, funcionando como um mecanismo de cooperação directa e regular.

“Através da Conferência Ministerial e dos planos de acção conjuntos, conseguimos assegurar um avanço estável e contínuo das relações, criando oportunidades concretas de desenvolvimento económico e comercial”, afirmou, reforçando que esta coordenação “é essencial para consolidar a confiança mútua e para garantir que os benefícios da cooperação chegam a todos os participantes”.

Apesar de o Governo chinês ter definido Macau como uma ponte entre a China e os países de língua portuguesa, esse papel foi expandido pelo novo líder da região, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua espanhola.

Questionado sobre a possibilidade de alargar o âmbito do Fórum aos países de língua espanhola, Ji esclareceu que “até ao momento, o Secretariado Permanente não recebeu este tipo de orientações ou propostas formais, quer da parte do Governo central, quer da parte do Governo da RAEM”.

Ainda assim, garantiu que o organismo está “disposto a colaborar activamente com os trabalhos relevantes do Governo da RAEM”, desde que se “mantenham em consonância com o âmbito do Fórum e com as orientações do Governo Central da China”.

20 Jul 2026

Importações | Mercado africano em alta após isenção de tarifas

A aplicação de zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes de 53 países africanos fez disparar as importações chinesas, com foco nos recursos minerais, nos últimos dois meses

As importações chinesas provenientes de África aceleraram em Maio e Junho, após Pequim alargar o regime de zero taxas a quase todo o continente, impulsionadas pelos minerais críticos, mas também por um forte aumento das compras de produtos.

O crescimento superou o registado pelas importações chinesas no seu conjunto e foi impulsionado tanto pela procura de minerais críticos como pela entrada de novos produtos agrícolas africanos no mercado chinês.

A partir de 01 de Maio, Pequim passou a aplicar zero taxas alfandegárias a todos os produtos provenientes dos 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas, alargando um regime que anteriormente abrangia apenas 33 países. A medida, válida até Abril de 2028, passou a incluir economias como a África do Sul, Egipto, Nigéria, Argélia e Quénia.

O aumento das importações continua a ser liderado pelos recursos minerais, num contexto em que a China procura garantir o abastecimento de matérias-primas essenciais para a produção de baterias, semicondutores, centros de dados e outras indústrias ligadas à inteligência artificial.

As compras de cobre bruto proveniente de África mais do que duplicaram em maio, aumentando mais de 110 por cento para 1,65 mil milhões de dólares. As importações de platina, espodumena – um mineral utilizado na produção de baterias de lítio – e pó de ródio também registaram fortes subidas.

As importações de petróleo bruto africano cresceram igualmente 21 por cento, para 3,11 mil milhões de dólares, mantendo-se como a principal categoria de importações chinesas provenientes do continente, num período marcado pelas perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz, na sequência do conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão.

O novo regime tarifário parece, contudo, estar também a favorecer a diversificação das exportações africanas.

Outras matérias

Segundo dados das alfândegas chinesas, as importações de amendoim descascado multiplicaram-se por 15 em Maio, para 13,68 milhões de dólares, enquanto as de óleo de amendoim virgem aumentaram mais de 30 vezes e as de soja não geneticamente modificada mais de oito vezes.

As compras de café e maçãs africanas cresceram 52 por cento e 85 por cento, respectivamente, enquanto as importações de açúcar ultrapassaram um milhão de dólares, face a um nível residual registado em maio de 2025.

A China começou ainda a importar em escala comercial alguns produtos africanos que praticamente não figuravam nas estatísticas anteriores, entre os quais açúcar de cana, choco congelado, cravinho e sementes de orquídea.

O alargamento do regime de zero tarifas é visto como parte da estratégia de Pequim para reduzir o défice comercial africano nas relações bilaterais e reforçar os laços com o chamado Sul Global, numa altura de crescente proteccionismo internacional e de agravamento das tensões comerciais com os Estados Unidos.

O comércio entre a China e África atingiu um máximo histórico de 348 mil milhões de dólares em 2025. No entanto, o crescimento manteve-se desequilibrado: as exportações chinesas para África aumentaram 25,8 por cento, para 225 mil milhões de dólares, enquanto as importações provenientes do continente cresceram apenas cerca de 5 por cento, para 123 mil milhões de dólares.

 

19 Jul 2026

DICJ |Pedida mais vigilância face a apostas por telefone

A Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) teve um encontro com todas as concessionárias do jogo para pedir um reforço da vigilância face às apostas feitas por telefone nos casinos. A reunião aconteceu na terça-feira, depois de nos últimos dias terem sido detidas várias pessoas com equipamentos de gravação nos casinos.

Durante o encontro, segundo a versão oficial, os representantes do Governo afirmaram que “com o desenvolvimento das tecnologias, alguns métodos ilegais de apostas têm-se tornado cada vez mais discretos, constituindo novos desafios para a gestão dos casinos”. No entanto, a DICJ prometeu “combater severamente qualquer forma de colocação de apostas ilegais, incluindo a colocação de apostas por via telefónica”.

Diante dos representantes da concessionária, a DICJ sentiu ainda necessidade de indicar que “tem mantido uma estreita colaboração com a Polícia Judiciária e cooperado activamente na investigação de diversos casos através de reuniões de trabalho permanentes, da troca de informações e de mecanismos de acção conjunta”. Esta colaboração, justificou a DICJ, tem permitido “combater a expansão de actividades ilegais”.

Ao mesmo tempo, a entidade reguladora pediu às concessionárias para “aperfeiçoarem os seus mecanismos de gestão interna, reforçando a vigilância e a capacidade de resposta dos trabalhadores da linha da frente”.

19 Jul 2026

Timor-Leste | Presidência da CPLP depende do “conselho consultivo”

Com Timor-Leste a preparar a presidência da ASEAN em 2029 e com eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028, a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deverá ser entregue ao Brasil ou à Guiné Equatorial

 

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou ontem que a próxima presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) depende do “conselho consultivo”, tendo afirmado anteriormente que Timor-Leste seria o próximo país a dirigir a organização.

“Tudo depende do conselho consultivo da CPLP”, disse Xanana Gusmão, quando questionado pela Lusa sobre o facto de o Presidente timorense, José Ramos-Horta, defender que a presidência deveria ser entregue ao Brasil.

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunciou em Junho, na sede da CPLP, que o seu país será o próximo a dirigir a organização, explicando que a presidência actual corresponde ao período que estava destinado à Guiné-Bissau, que foi suspensa da organização após o golpe de Estado de Novembro de 2025.

Em entrevista à Lusa, o Presidente timorense defendeu que a próxima presidência da CPLP deve ser do Brasil, justificando a sua posição com o facto de Timor-Leste ir assumir a presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em 2029.

“Já estamos a trabalhar a todo o vapor nas agendas domésticas e na agenda ASEAN 2029. Portanto, não creio que vá sobrar tempo e recursos para assumirmos as responsabilidades da CPLP para além de 2027”, salientou o chefe de Estado.

Agenda preenchida

Timor-Leste vai também realizar eleições presidenciais em 2027 e legislativas em 2028.

Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil.

“Não chegámos a uma decisão. Houve oposição forte por parte do país anfitrião ao Brasil e a Guiné-Bissau apoiava a Guiné Equatorial. Mas eu creio que a Guiné Equatorial poderia concordar em que é preferível entregarmos ao Brasil e depois do Brasil, podíamos voltar a África e então para a Guiné Equatorial”, disse o Presidente timorense.

O assunto da próxima presidência da organização lusófona deverá ser abordado no Conselho de Ministros da CPLP, que vai realizar-se em Díli entre 18 e 19 de agosto.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

19 Jul 2026

MNE organiza cursos para alargar visão internacional

Os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) e o Comissariado do Ministério dos Negócios Estrangeiros organizaram cursos de formação para funcionários públicos e pessoal de chefia, entre terça-feira e ontem, no sentido de reforçar os conhecimentos sobre os trabalhos consulares do Estado.

Num comunicado divulgado ontem pelos SAFP, foi indicado que a edição deste ano, a 18.ª, contou com a participação de dirigentes, chefias e trabalhadores, num total de mais de 200 pessoas.

O objectivos dos três dias de cursos foi alargar a “visão internacional, reforçar a consciência global e a capacidade de trabalho que envolve assuntos externos, contribuindo não só para a transformação de Macau numa importante ponte de abertura de alto nível do país ao exterior, como também para a melhoria contínua da sua competitividade e influência internacional”.

O conteúdo pedagógico sobre trabalhos consulares abrangeu tópicos como operações de evacuação de cidadãos no estrangeiro, colaboração transfronteiriça e resposta a incidentes imprevistos.

Na cerimónia de abertura do curso, a directora dos SAFP, Leong Weng In, destacou que o 15.º Plano Quinquenal Nacional menciona expressamente o apoio a Macau no desenvolvimento das suas vantagens únicas de “Ligação ao mundo com o apoio da Pátria”, a fim de se integrar melhor e servir a conjuntura do desenvolvimento nacional.

19 Jul 2026

EUA e Trump vistos de forma mais negativa do que China e Xi em 25 países – estudo

Um novo estudo do Pew Research Center indica que, pela primeira vez, mais pessoas têm uma visão menos favorável dos Estados Unidos do que da China em 25 dos 36 países e territórios incluídos.

A opinião sobre o líder chinês, Xi Jinping, é mais positiva do que do Presidente norte-americano, Donald Trump, em 22 dos 36 territórios inquiridos, entre os quais Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, apesar de a confiança da maioria das respectivas populações em ambos os chefes de estado ser reduzida.

Nos cerca de 20 anos em que o Pew monitoriza a opinião global, é a primeira vez que a China é vista de forma mais positiva do que os Estados Unidos, afirmou Laura Silver, uma das investigadoras envolvidas no estudo realizado entre Fevereiro e Maio pela instituição sediada em Washington.

As perspectivas acerca de Pequim e Washington já foram muito semelhantes em alguns momentos do passado, mas nunca tinham sido substancialmente mais favoráveis à China, acrescentou.

A directora da unidade de investigação em Atitudes Globais do Pew referiu ainda que a imagem global norte-americana se tem deteriorado na sequência da guerra movida, em conjunto com Israel, contra o Irão, em 28 de Fevereiro.

“Houve uma relação factual entre a eclosão da guerra e a sensação de que os Estados Unidos não estão a contribuir para a paz e a estabilidade, além de uma menor confiança das pessoas em Donald Trump”, argumentou.

Achas na fogueira

As exigências de Trump quanto ao eventual controlo da Gronelândia, a operação militar que capturou o anterior líder da Venezuela, Nicolás Maduro, em 03 de Janeiro, e a forma como o chefe de estado norte-americano tem lidado com a guerra entre Israel e o Hamas em Gaza também contribuíram para a visão pouco positiva dos norte-americanos em vários países, detalhou.

A China, pelo contrário, está a beneficiar do facto de a memória da pandemia de covid-19 se estar a dissipar e é vista como “uma parceira muito mais confiável em muitos lugares”, no sentido de contribuir para “a paz e a estabilidade globais”, esclareceu.

O Canadá é um dos países em que a opinião pública face aos Estados Unidos mais se alterou, já que a percentagem de habitantes com visão positiva do país vizinho desceu de 57 por cento, em 2023, para 33 por cento, em 2026, após Trump ter imposto tarifas a produtos canadianos em 2025 e afirmar que o território se poderia tornar o “51.º estado norte-americano”.

Já a opinião favorável relativamente à China subiu de 14 por cento para 44 por cento em solo canadiano, no mesmo período.

A França, a Alemanha, a Espanha, a Itália, a Suécia e os Países Baixos também mudaram de opinião em relação às duas maiores economias do mundo, enquanto os habitantes do Reino Unido têm hoje uma visão semelhante sobre os dois países, num contraste com 2023, altura em que 60 por cento dos britânicos tinham uma opinião favorável dos Estados Unidos e 28 por cento atribuía um olhar positivo à China.

Da meia dúzia

Entre os seis países onde a população tem uma visão mais favorável dos Estados Unidos, Israel destaca-se, com 80 por cento dos inquiridos a verem os norte-americanos de forma positiva, em comparação com os 19 por cento com opinião semelhante da China.

Também o Japão, a Índia, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Polónia têm uma visão mais favorável dos Estados Unidos do que da China, embora essa percentagem tenha diminuído.

Os inquiridos consideram que o Governo norte-americano respeita mais as liberdades individuais do que o chinês, embora a diferença entre os dois países esteja a diminuir, esclarece o relatório.

Para elaborar o estudo, o Pew entrevistou mais de 42 mil pessoas em 35 países, além da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, com as margens de erro a variarem entre os 2,3 e os 5,5 pontos percentuais, dependendo do país.

19 Jul 2026

Taiwan | Tríade de Hong Kong suspeita de ataque a analista japonês

As autoridades de Taiwan afirmaram na terça-feira que vão investigar qualquer suspeita de “repressão transnacional”, após notícias avançarem que a agressão contra um comentador político japonês poderá ter envolvido membros de uma tríade de Hong Kong.

As declarações surgem depois de a revista taiwanesa Mirror Media ter noticiado que o ataque teria sido orquestrado por elementos da organização criminosa Wo Shing Wo, sediada em Hong Kong.

Segundo a agência central taiwanesa CNA, a porta-voz das autoridades de Taiwan, Karen Kuo, disse que o caso continua sob investigação por procuradores e polícia.

“O Governo leva muito a sério qualquer repressão transnacional levada a cabo por grupos autoritários contra vozes dissidentes em todo o mundo”, afirmou Kuo na terça-feira, acrescentando que as autoridades apoiam uma investigação completa e trabalham com países afins para combater crimes transfronteiriços.

Yaita, o director executivo do Indo-Pacific Strategy Thinktank em Taipé, foi agredido no rosto por um homem de Hong Kong após uma palestra num hotel na cidade taiwanesa de Taichung, a 07 de Julho.

A polícia deteve o suspeito, de apelido Liu, nesse mesmo dia no aeroporto internacional de Taichung, quando tentava deixar Taiwan.

16 Jul 2026