Hoje Macau China / ÁsiaCooperação | Índia e Canadá com acordo em energia e fornecimento de urânio A Índia e o Canadá anunciaram ontem, em Nova Deli, um acordo de cooperação em minerais e fornecimento de urânio, essencial para a energia nuclear. O acordo de fornecimento de urânio, no âmbito da parceria estratégica entre os dois países, tem um valor de 2,6 mil milhões de dólares canadianos. A Índia, um grande consumidor de energia e o país mais populoso do mundo, com 1,4 mil milhões de habitantes, pretende aumentar a capacidade nuclear de oito gigawatts para 100 gigawatts até 2047. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, considerou ter sido alcançado um acordo histórico na área da energia nuclear civil, estabelecendo um fornecimento de urânio a longo prazo. Modi acrescentou que os dois países também vão trabalhar em conjunto em pequenos reactores modulares e reactores avançados. O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou que o Canadá está “bem posicionado” para ser um “fornecedor fiável” de gás natural liquefeito (GNL) a partir da costa oeste do país. Os acordos, que abrangeram também o sector tecnológico e a promoção das energias renováveis, foram anunciados depois de uma reunião em Nova Deli entre Modi e Carney. A visita de Carney representa uma melhoria nas relações entre o Canadá e a Índia, que se tinham deteriorado em 2023. Na altura, Otava acusou Nova Deli de conduzir uma campanha de intimidação contra os activistas ‘sikhs’ residentes no Canadá, alegações rejeitadas pela Índia. No encontro, Carney afirmou que os governos canadiano e indiano colaboraram mais no último ano do que nas últimas duas décadas, salientando que “não se trata simplesmente da renovação de uma relação”. No ano passado, os dois países tinham concordado retomar as negociações para um acordo de parceria económica abrangente. “O nosso objectivo é atingir os 50 mil milhões de dólares em comércio bilateral”, indicou Modi.
Hoje Macau China / ÁsiaGolfo Pérsico | Cosco reorganiza rotas e procura águas seguras A companhia estatal chinesa de navegação Cosco Shipping anunciou que está a reorganizar a rota dos seus navios no Golfo Pérsico face à situação de insegurança no Médio Oriente e às restrições ao trânsito no estreito de Ormuz. Num aviso aos clientes datado de 01 de Março, a empresa indicou que as embarcações que já entraram no Golfo, após concluírem as suas operações “e quando for seguro fazê-lo”, foram instruídas a dirigir-se para águas seguras e a permanecer ancoradas ou à deriva. Os navios com destino à região receberam orientações para priorizar a segurança da navegação, incluindo a redução da velocidade, a permanência em ancoradouros protegidos ou o cumprimento de novas instruções operacionais, de acordo com o comunicado. A empresa acrescenta que está a avaliar planos de contingência para a carga a bordo dos navios afetados, incluindo eventuais alternativas de descarga noutros portos. O anúncio surge depois de o Irão ter advertido que o trânsito no estreito de Ormuz já não é seguro, na sequência do conflito desencadeado após os ataques lançados em 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra a república islâmica. O aviso iraniano e o aumento do risco levaram, na prática, à suspensão ou ao desvio de rotas por parte de algumas grandes companhias marítimas, como a Maersk e a Mediterranean Shipping Company (MSC). Ontem, a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou que Ormuz é um “canal internacional importante para o comércio de bens e energia”, sublinhando que preservar a sua segurança corresponde aos “interesses comuns da comunidade internacional”.
Hoje Macau Manchete SociedadeVisitantes | Macau volta a fixar novo recorde máximo Macau recebeu 3,65 milhões de visitantes em Janeiro, o valor mais elevado de sempre para o primeiro mês, apesar de o Ano Novo Lunar ter calhado em Fevereiro, foi ontem anunciado. De acordo com a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC), o número de turistas que passou pelo território foi apenas superior em 767 em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, foi suficiente para ser o valor mais elevado para qualquer mês de Janeiro desde que a DSEC começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa. A região já tinha registado quatro máximos históricos para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões), Novembro (3,35 milhões) e Dezembro (3,58 milhões). Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19. Janeiro alcançou um recorde apesar do Ano Novo Lunar, um período alargado de feriados na China continental e um pico turístico para Macau, ter calhado no final de Fevereiro. Em 2025, o início do Ano Novo Lunar foi em 29 de Janeiro. As origens Aliás, a DSEC aponta esta diferença para explicar a queda homóloga de 9,6 por cento, para 1,45 milhões, no número de visitantes vindos do interior da China com visto individual. Ainda assim, a esmagadora maioria (89,8 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Janeiro vieram da China continental ou Hong Kong. No entanto, quase 62 por cento dos visitantes (2,25 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado. A queda nos mercados da China continental e de Hong Kong foi compensada por uma subida de 20,7 por cento no número de visitantes vindos de Taiwan, assim como por um aumento de 15,5 por cento nos turistas vindos do resto do mundo. Macau recebeu quase 278.500 visitantes vindos do estrangeiro, referiu a DSEC, que não inclui Taiwan. Este é o valor mais elevado para Janeiro desde 2019, antes do início da pandemia. A recuperar Em 16 de Dezembro, a directora dos Serviços de Turismo de Macau sublinhou que o número de visitantes internacionais tinha recuperado até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia. Em Agosto, Maria Helena de Senna Fernandes tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025. Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024. Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho. Em 17 de Fevereiro, Senna Fernandes disse que Portugal será uma das prioridades de Macau no que toca a atrair mais visitantes estrangeiros. A região voltou a marcar presença na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), que decorreu entre 25 de Fevereiro e 01 de Março, depois de um ano de ausência.
Hoje Macau EventosCoro Gulbenkian actua no Festival de Artes de Hong Kong e vem a Macau O Coro Gulbenkian de Portugal participa este ano no Hong Kong Arts Festival (HKAF) com actuações em Hong Kong e uma passagem por Macau, um evento que se pauta pelo “encontro das culturas chinesa e portuguesa”, segundo a organização. Esta quarta-feira, no auditório do Kwai Tsing Theatre, em Hong Kong, o coro de 40 elementos apresentará o espectáculo “Os dias mais longos e os mais curtos”, uma “cantata tecnológica” que se desenrola numa espécie de dueto do coro consigo próprio em versão virtual projectada num ecrã, com as duas versões do coro a cantarem juntas e separadamente. Este espectáculo conta com o acompanhamento da soprano Camila Mandillo, do contratenor David Hackston e da pianista de Hong Kong Rachel Cheung, sob a batuta do maestro Jorge Matta em carne e osso, ou talvez em formato digital. “Os dias mais longos e os mais curtos” (The Longest Days and the Shortest Days) “desafia as nossas percepções, esbatendo a linha entre o real e o digital”, descreve a organização. Escrita pelo compositor americano Eugene Birman, vencedor do prémio Guggenheim e radicado em Hong Kong, e encenada por Giorgio Biancorosso, “a obra tem o título de um poema encomendado para a ocasião pela escritora portuguesa Djaimilia Pereira de Almeida”, é ainda descrito. “A ‘cantata tecnológica’ usa a alienação da pandemia, a solidão e a ansiedade vividas como ponto de partida para reflectir sobre a passagem do tempo. Inverte o paradigma da era covid de assistir a apresentações ao vivo ‘online’, trazendo uma apresentação virtual para um público ao vivo”, explica ainda o HKAF. Segundo concerto Outro concerto do Coro Gulbenkian em Hong Kong – Tesouros corais de Portugal (Choral Treasures from Portugal) – integra obras à capela de compositores portugueses do século XVII até hoje, bem como de Bach e Brahms. O espectáculo, que decorre no Concert Hall, no Hong Kong City Hall, na quinta-feira, será conduzido por Martina Batič, maestrina principal do coro. O HKAF organizou com a Diocese de Macau uma visita cultural de um dia do coro a esta cidade na próxima sexta-feira para “aprofundar a cultura sino-portuguesa, a gastronomia e o desenvolvimento da música religiosa”. Está agendada para o fim da tarde uma actuação breve de música sacra portuguesa na Igreja do Seminário de São José, em Macau.
Hoje Macau China / Ásia Manchete“Duas Sessões” | Pequim prepara-se para divulgar novo plano quinquenal As chamadas “Duas Sessões” arrancam esta semana em Pequim. Em causa, num encontro que reúne cerca de 3.000 delegados de todo o país na capital chinesa, estarão as orientações das políticas económica, social, diplomática e militar para os próximos cinco anos A China inicia esta semana as chamadas “Duas Sessões”, principal evento político anual do país, com destaque para a apresentação do 15.º Plano Quinquenal (2026-2030). Milhares de delegados de todo o país reúnem-se no Grande Palácio do Povo, em Pequim, junto à praça Tiananmen, para aprovar legislação e formalizar decisões previamente definidas pelo Partido Comunista Chinês (PCC), que governa o país. O encontro, permitirá divulgar o novo plano quinquenal, documento orientador das políticas económica, social, diplomática, política e militar para os próximos cinco anos. O plano deve apresentar respostas estruturais a vários desafios, desde a fraca procura interna e a crise no sector imobiliário até às restrições ao acesso a tecnologias avançadas impostas pelos Estados Unidos e às disputas comerciais com Washington e a União Europeia. A sessão plenária da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão máximo legislativo da China, começa quinta-feira e prolonga-se por cerca de uma semana. Paralelamente, reúne-se, a partir de quarta-feira, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), um órgão consultivo que integra representantes de vários sectores da sociedade. O primeiro-ministro Li Qiang deverá anunciar na quinta-feira a meta oficial de crescimento económico para 2026. Em 2025, a economia chinesa cresceu 5 por cento, em linha com o objectivo governamental, mas dos ritmos mais baixos das últimas décadas. Analistas antecipam que a meta para este ano possa situar-se entre 4,5 por cento e 5 por cento. Nos últimos anos, Pequim tem defendido uma reorientação do modelo económico para uma maior dependência do consumo interno, reduzindo a aposta tradicional nas exportações e no investimento público. Contudo, a incerteza no mercado imobiliário e o desemprego jovem continuam a incentivar a poupança das famílias. Especialistas consideram que o novo plano deverá reforçar a aposta nas altas tecnologias, na transição ecológica e na segurança das cadeias de abastecimento. Steve Tsang, director do instituto SOAS China da Universidade de Londres, afirmou que a linha principal deverá aprofundar a orientação já definida pelo Presidente chinês, Xi Jinping, sem mudanças estruturais significativas no modelo político ou económico. Sarah Tan, economista da Moody’s Analytics, considerou que a estratégia sinaliza uma transição de um modelo assente no endividamento para outro centrado na inovação, mas alerta que uma recuperação sustentável exigirá maior protecção social, aumento de rendimentos e resolução da crise imobiliária. Outros desafios A China enfrenta igualmente um desafio demográfico, com a população a diminuir pelo terceiro ano consecutivo. O Governo tem anunciado medidas de apoio à natalidade, incluindo subsídios e expansão de serviços de creche, mas o impacto tem sido limitado. O orçamento da Defesa deverá também ser revelado durante as sessões, num momento em que o Governo conduz uma ampla campanha anticorrupção no seio das Forças Armadas. As “Duas Sessões” são vistas como um momento-chave para sinalizar as prioridades estratégicas de Pequim ao país e à comunidade internacional.
Hoje Macau China / ÁsiaPetrolíferas chinesas disparam em bolsa com ataques no Médio Oriente As três principais petrolíferas estatais chinesas fecharam ontem com ganhos de 10 por cento na Bolsa de Xangai, o limite diário de valorização, impulsionadas pela subida do crude após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão. Segundo o portal especializado Gelonghui, é a primeira vez que a PetroChina, a Sinopec e a Cnooc registam a valorização máxima permitida numa mesma sessão no mercado de Xangai. Uma oscilação no valor das acções de 10 por cento leva automaticamente à suspensão das negociações. A PetroChina atingiu máximos desde 2015 e a Sinopec desde 2018, enquanto a Cnooc alcançou um recorde de capitalização bolsista neste mercado, onde se estreou em 2022. Em Hong Kong, onde as três empresas também estão cotadas, os ganhos eram, minutos antes do fecho, de 4,09 por cento para a PetroChina, 2,57 por cento para a Sinopec e 6,16 por cento para a Cnooc. Segundo o mesmo meio, cerca de uma dezena de outras empresas do sector energético registaram igualmente a valorização máxima permitida na China continental. Entre elas, a Tong Petrotech, que presta serviços de perfuração, subia quase 20 por cento, limite aplicável a algumas empresas na Bolsa de Shenzhen. A conjuntura beneficiou também empresas ligadas ao ouro e à prata, considerados activos de refúgio em períodos de incerteza. A Hunan Gold, em Shenzhen, e a Chifeng Gold, em Xangai, avançaram 10 por cento. A sessão foi igualmente positiva para os sectores da defesa, aeroespacial e transporte marítimo, enquanto as companhias aéreas recuaram, pressionadas pela subida do preço do petróleo e pelos encerramentos de espaços aéreos no Médio Oriente. O preço do barril de Brent subia cerca de 8 por cento ontem de manhã para 78,22 dólares, após o ataque ao Irão, um dos principais produtores da OPEP+ e país que controla o estreito de Ormuz, por onde passa quase 20 por cento do comércio mundial de crude. Sob controlo O Irão representa cerca de 11 por cento das importações chinesas de petróleo, sendo a China o maior comprador mundial, mas aproximadamente 45 por cento do crude adquirido por Pequim provém de outros países do Golfo, como a Arábia Saudita, o Iraque e o Kuwait. Apesar disso, especialistas citados pela imprensa local consideram que o impacto da suspensão do trânsito em Ormuz anunciada por grandes companhias marítimas seria “geralmente controlável”. Já Alicia García Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico do Natixis, defendeu que a crise iraniana representa para a China um “risco maior” do que o caso da Venezuela. Segundo a analista, o Irão tem fornecido à China petróleo com desconto, frequentemente contornando as sanções norte-americanas através do ‘comércio triangular’ – através de terceiros países –, com transações liquidadas maioritariamente na moeda chinesa, o yuan. “Este acordo manteve a economia iraniana à tona face ao isolamento ocidental, ao mesmo tempo que fornece a Pequim combustível barato”, afirmou.
Hoje Macau China / ÁsiaAmbiente | Energia solar impulsiona ligeira descida das emissões em 2025 As emissões de carbono da China nos sectores da energia e da indústria recuaram 0,3 por cento em 2025, apesar do aumento do consumo total de energia, impulsionadas pela forte expansão da produção solar, segundo dados oficiais. As estatísticas, divulgadas pelo Gabinete Nacional de Estatísticas, indicam uma queda de 0,3 por cento nas emissões desses sectores no ano passado, num contexto em que o consumo total de energia cresceu 3,5 por cento. A produção de energia limpa representou 40 por cento do total da geração eléctrica em 2025, face a 37 por cento no ano anterior, com destaque para a energia solar, que ultrapassou a eólica. Registaram-se ainda aumentos mais modestos na produção hidroeléctrica e nuclear. Apesar da descida das emissões associadas à energia e à indústria, a China – o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa – continua fortemente dependente do carvão. O consumo total deste combustível aumentou 0,1 por cento em 2025, embora a sua quota no cabaz energético tenha recuado ligeiramente. A China comprometeu-se a atingir o pico das emissões antes de 2030 e a alcançar a neutralidade carbónica até 2060.
Hoje Macau SociedadeSarampo | Serviços de Saúde alertam para surtos no Japão Os Serviços de Saúde (SS) emitiram um comunicado a alertar para os casos de sarampo com grande destaque para as ocorrências recentes no Japão, pedindo à população que se vacine. O comunicado foi divulgado ontem em português, depois de ter sido divulgado em chinês na sexta-feira. “Os Serviços de Saúde continuam a acompanhar de perto a situação epidemiológica do sarampo em todo o mundo. Em tempos recentes, observou-se um aumento substancial de casos de sarampo em diversas regiões do Japão, tendo-se verificado uma propagação contínua da doença na Indonésia e nas Filipinas, entre outros países, bem como na Europa e nos Estados Unidos da América”, foi comunicado. “Os Serviços de Saúde apelam oas residentes que viajem para fora para assegurarem que a vacinação contra o sarampo está concluída e, para os indivíduos que ainda não possuem imunidade, que a completem com uma antecedência mínima de duas semanas”, foi acrescentado. Os SS citam os “dados mais recentes dos departamentos no âmbito de saúde do Japão” para indicar que até 18 de Fevereiro foram registados “43 casos de sarampo, número que já ultrapassou o registado no período homólogo do ano passado”. “Destes casos, destacam-se os registados nas prefeituras de Tóquio, Osaka, Chiba e Niigata”, foi indicado.
Hoje Macau SociedadeRetalho | 2025 terminou com menos receitas e vendas O ano de 2025 fechou para os estabelecimentos do comércio a retalho com uma redução anual de 3,2 por cento em termos do volume de negócios, cifrando-se em 69,58 mil milhões de patacas. Os dados foram divulgados ontem pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC), através de um comunicado. “Em comparação com 2024, o volume de negócios dos estabelecimentos do comércio a retalho desceu 3,2 por cento em 2025, observando-se que o de artigos de couro e o de mercadorias de armazéns e quinquilharias desceram 11,0 por cento e 5,6 por cento”, foi indicado. No polo oposto, as autoridades indicaram que o “volume de negócios de artigos de comunicação” registou um aumento de 11,4 por cento. A redução das receitas teve por base uma menor venda de produtos. O ano passado fechou assim com uma diminuição anual de 5,9 por cento, em termos do volume de vendas. “Destaca-se que o índice médio do volume de vendas de relógios e joalharia (menos 15,2 por cento), o de automóveis (menos 9,5 por cento) e o de artigos de couro (menos 8,4 por cento) tiveram os maiores decréscimos, enquanto o de artigos de comunicação (mais 10,8 por cento) aumentou”, foi explicado.
Hoje Macau SociedadeAnalistas esperam aumento anual de 10% nas receitas do jogo Os analistas dos bancos de investimento Deutsche Bank e JP Morgan Securities (Asia Pacific) esperam um aumento anual das receitas do jogo acima de 10 por cento no primeiro trimestre do ano. As estimativas constam nos relatórios sobre Fevereiro, são citadas pelo portal GGRAsia, e surgem depois da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) ter revelado que as receitas do jogo cresceram anualmente 4,5 por cento no segundo mês do ano, para 20,63 mil milhões de patacas. Segundo o relatório mais recente da JP Morgan, as receitas do jogo “surpreenderam pela positiva”, depois de um “início mais lento” do que o esperado “nos primeiros dias Ano Novo Lunar”. “A taxa diária de receitas melhorou para cerca de mil milhões de patacas por dia na última semana de Fevereiro, contra 785 milhões de patacas durante a semana do Ano Novo Lunar, impulsionada pela forte procura de última hora dos jogadores de premium”, foi explicado. A crescer Tendo em conta o montante dos primeiros dois meses, os analistas DS Kim, Selina Li e Lindsey Qian acreditam que as receitas deverão apresentar um aumento anual de 13 por cento, para o período entre Janeiro e Março. Por sua vez, o analista do Deutsche Bank, Steven Pizzella, espera um crescimento das receitas brutas de jogo de 11,7 por cento no primeiro trimestre, que deverá rondar os 65,32 mil milhões de patacas. Apesar do crescimento, Pizzella apontou que os valores actuais da indústria ainda estão longe do que acontecia em 2019, antes da pandemia da covid-19. Citando os dados da DICJ, o analista apontou que as receitas mais recentes estão 18,7 por cento aquém face ao que acontecia nesse ano. Pizzella indicou também que a tendência de as receitas ficarem abaixo dos valores de 2019 se tem mantido, dado que o mesmo aconteceu em Janeiro (menos 9,3 por cento face a 2019), Dezembro do ano passado (menos 8,5 por cento) e Novembro do ano passado (menos 7,8 por cento).
Hoje Macau Manchete SociedadeDSF | Despesas públicas sobem 4,4% após reforço de apoios As despesas públicas aumentaram 4,4 por cento em 2025, devido ao reforço dos apoios sociais, mas a RAEM terminou o ano com um excedente de cerca de 19 mil milhões de patacas. As receitas correntes também subiram 4,7 por cento, para cerca de 114,6 mil milhões de patacas De acordo com dados publicados ‘online’ ontem pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF), Macau gastou até ao final de Dezembro 98,4 mil milhões de patacas, ainda assim menos 11,8 por cento do que o previsto. A principal razão para a subida em comparação com 2024 foram os gastos em apoios e subsídios sociais, que cresceram 6 por cento, para 55,3 mil milhões de patacas. No início de Julho, a Assembleia Legislativa aprovou uma proposta do Governo para aumentar em 2,86 mil milhões de patacas nas despesas previstas no orçamento, para reforçar os apoios sociais. A revisão inclui a criação de um subsídio, no valor total de 54 mil patacas, para crianças até aos três anos, numa tentativa de elevar a mais baixa natalidade do mundo. As despesas com os funcionários públicos também subiram 1,6 por cento, para 16,5 mil milhões de patacas, apesar dos trabalhadores da função pública não terem tido qualquer aumento salarial em 2025. No final de Novembro, o Governo anunciou que também não irá rever os salários dos funcionários públicos em 2026, decisão justificada com a prudência e com a baixa inflação. De acordo com dados oficiais, no final de 2025 a função pública da região tinha 33.856 trabalhadores, menos 325 do que em 2024. As estatísticas não revelam quantos têm nacionalidade portuguesa, mencionando apenas que 226 nasceram em Portugal. O outro lado O aumento da despesa foi equilibrado pela receita corrente de Macau, que subiu 4,7 por cento em 2025, para 114,6 mil milhões de patacas, mais 6,2 por cento do que o previsto pelo Governo. A principal razão para o aumento foi um acréscimo de 7,6 por cento, para 94,9 mil milhões de patacas, nas receitas dos impostos sobre o jogo – que representam 82,7 por cento do total. As seis operadoras de jogo da cidade pagam um imposto directo de 35 por cento sobre as receitas do jogo, 2,4 por cento destinado ao Fundo de Segurança Social e ao desenvolvimento urbano e turístico, e 1,6 por cento entregue à Fundação Macau para fins culturais, educacionais, científicos, académicos e filantrópicos. O território terminou 2025 com um excedente nas contas públicas de 19,9 mil milhões de patacas, mais 26,1 por cento do que no ano anterior. A previsão inicial do Governo para todo o ano de 2025 apontava para um excedente de 6,83 mil milhões de patacas. Mas o orçamento revisto, aprovado pela Assembleia Legislativa no início de Julho previa um excedente de apenas 191,1 milhões de patacas.
Hoje Macau SociedadeTrabalho | Número de desempregados com ligeiro aumento Entre Novembro de 2025 e Janeiro de 2026 a taxa de desemprego dos residentes fixou-se em 2,2 por cento, pelo que representou um aumento anual de 0,1 pontos percentuais, de acordo com os números da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC). No período de Novembro de 2024 a Janeiro de 2025, a taxa de desemprego dos residentes foi de 2,1 por cento. Também a taxa de desemprego global está mais elevada agora do que há um ano. Segundo os dados mais recentes, a taxa foi de 1,7 por cento, quando no período homólogo tinha sido de 1,6 por cento. Em termos do desemprego entre residentes, os dados de ontem mostram que havia cerca de 6.500 desempregados, entre os quais 9,2 por cento procurava o primeiro emprego. “A maioria dos que estavam à procura de novo emprego trabalhava anteriormente no ramo de actividade económica do comércio a retalho e no ramo das actividades imobiliárias e serviços prestados às empresas”, foi revelado. O número é mais elevado do que acontecia no período entre Novembro de 2024 e Janeiro de 2025, quando havia 6.200 residentes desempregados, dos quais 10,8 por cento procurava o primeiro emprego Também os números do subemprego pioraram. Entre Novembro de 2025 e Janeiro de 2026 foram registadas 6.400 subempregados, enquanto entre Novembro de 2024 e Janeiro de 2025 o número era de 5.000 subempregados.
Hoje Macau Manchete PolíticaSegurança Nacional | Funcionários públicos despedidos podem recorrer Um funcionário público que seja demitido por representar um risco para a segurança nacional poderá recorrer para os tribunais. A Comissão de Defesa da Segurança do Estado terá um mecanismo interno de controlo e gestão das despesas, que serão reportadas à Assembleia Legislativa Um funcionário público que seja despedido após ser considerado pela Comissão de Defesa da Segurança do Estado (CDSE) um risco para a segurança nacional da China poderá recorrer, afirmou ontem um assessor jurídico da Assembleia Legislativa (AL). Leong Sun Iok, o deputado que preside à comissão da AL que está a analisar a proposta de lei sobre o regime da CDSE, recordou que não há qualquer recurso possível para as decisões e pareceres deste órgão. No entanto, o deputado acrescentou que, numa reunião realizada ontem, o secretário para a Segurança, Chan Tsz King, concordou em alterar a proposta, aprovada na generalidade por unanimidade em 10 de Fevereiro. “Se as decisões tomadas por outras entidades com base no parecer da [CDSE] são ou não impugnáveis ou recorríveis, depende das disposições concretas de cada lei em causa”, explicou Leong, incluindo o Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública. Questionado pela Lusa sobre se um funcionário punido disciplinarmente ou despedido pelo serviço público a que pertence, após ser alvo de um parecer negativo da CDSE, poderia ou não recorrer, o deputado não respondeu. Mas Vu Ka Vai, um assessor jurídico da AL, confirmou à Lusa que o estatuto permite aos trabalhadores da função pública apresentar recurso de decisões disciplinares, incluindo junto dos tribunais. O assessor acrescentou que, na prática, será a CDSE a ter a palavra final sobre se os julgamentos ligados à segurança nacional serão ou não realizados à porta fechada. Questão de autocontrolo Foi também revelado que será criado um mecanismo interno de controlo e gestão das despesas da CDSE, contas que vão constar de um relatório anual submetido à AL. Cumprindo o estipulado no diploma que foi aprovado por unanimidade, no passado dia 12 de Fevereiro, Leong Sun Iok, indicou que as verbas que vão suportar as despesas da Comissão de Defesa da Segurança do Estado serão retiradas da receita ordinária da RAEM. Em relação ao relatório de despesas que será entregue aos deputados, caberá ao órgão legislativo decidir a extensão das informações que serão disponibilizadas ao público. Leong Sun Iok acrescentou que os representantes do Governo não avançaram uma estimativa para as despesas de funcionamento da CDSE e que as principais preocupações dos deputados se prenderam com o grau de transparência e a informação que será pública. João Luz / Lusa
Hoje Macau China / ÁsiaRússia, China e Irão pedem diálogo entre Afeganistão e Paquistão Os governos da Rússia, China e Irão pediram sexta-feira ao Afeganistão e ao Paquistão que dialoguem para conseguir paz, após o início de um novo conflito bilateral. O apelo dos três países surge depois de o Governo paquistanês ter declarado “guerra aberta” contra os talibãs, após uma onda de ataques das forças afegãs na quinta-feira, que levou Islamabad a lançar ataques aéreos contra a capital, Cabul, e outras cidades afegãs como Kandahar. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Sakharova, manifestou, num comunicado, a sua “preocupação” com a “escalada dramática dos confrontos armados” entre os dois países, que “envolvem unidades do exército regular, capacidades aéreas e armamento pesado”, provocando “baixas de ambos os lados, incluindo civis”. “Apelamos ao Afeganistão e ao Paquistão, ambos nossos aliados, a abandonarem este confronto perigoso e a regressarem à mesa das negociações para resolver todas as diferenças por meios políticos e militares”, declarou Sakharova. A Rússia é o único país do mundo que reconheceu oficialmente o Governo talibã. Deixou de considerar o Estado Islâmico um grupo terrorista em Abril de 2025 e recebe frequentemente delegações do Afeganistão. Já a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, enfatizou que Pequim “está a acompanhar de perto a situação”, durante uma conferência de imprensa. “O Paquistão e o Afeganistão são vizinhos próximos e ambos são vizinhos da China. Como vizinha e amiga, a China está profundamente preocupada com a escalada do conflito e profundamente entristecida pelas vítimas que este causou”, observou Mao Ning. A porta-voz chinesa sublinhou que o seu país “apoia a luta contra todas as formas de terrorismo” e pediu que os dois lados “mantenham a calma e a moderação, resolvam adequadamente as suas diferenças e disputas através do diálogo e das consultas, alcançando um cessar-fogo o mais rapidamente possível para evitar mais sofrimento”. O diálogo “está em consonância com os interesses fundamentais de ambos os países e dos seus povos e ajudará a manter a paz e a estabilidade na região”, referiu a responsável chinesa. “A China tem estado a mediar [o conflito] entre o Paquistão e o Afeganistão através dos seus canais e está preparada para continuar a desempenhar um papel construtivo na redução das tensões e na melhoria das relações entre os dois países”, argumentou Mao, observando que Pequim “prestará assistência aos seus cidadãos, se necessário”, sem comentar, para já, a possibilidade de iniciar um processo de retirada. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, declarou nas redes sociais, ainda antes de ver o seu país atacado por americanos e israelitas, que “no mês sagrado do Ramadão, mês de moderação e fortalecimento da solidariedade no mundo islâmico, é apropriado que o Afeganistão e o Paquistão resolvam as suas diferenças no âmbito da boa vizinhança e através do diálogo”. “A República Islâmica do Irão está pronta para prestar toda a assistência necessária para facilitar o diálogo e reforçar o entendimento e a cooperação entre os dois países”, acrescentou o ministro iraniano. Mortes anunciadas O ministro da Informação do Paquistão, Ataullah Tarar, declarou sexta-feira que os ataques paquistaneses, parte da Operação “Ira da Verdade”, mataram mais de 130 alegados combatentes talibãs, antes de sublinhar que “estima-se que haja muitas mais vítimas em ataques contra alvos militares em Cabul, Paktia e Kandahar”. O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, confirmou os bombardeamentos, embora tenha negado qualquer número de vítimas, depois de as autoridades afegãs terem afirmado que a sua onda de ataques na quinta-feira resultou na morte de mais de 50 soldados paquistaneses ao longo da Linha Durand — a fronteira de 2.640 quilómetros entre os dois países. As hostilidades eclodiram dias depois de as autoridades afegãs terem denunciado os ataques aéreos paquistaneses perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, afirmando que os ataques mataram mais de uma dezena de civis. Islamabad argumentou que os ataques aéreos visavam “campos terroristas e esconderijos” do Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP), conhecido como talibã paquistanês, e do grupo Estado Islâmico (EI), em resposta aos recentes ataques suicidas em solo paquistanês.
Hoje Macau EventosLíngua | Crioulos de base portuguesa na Ásia resistem como “símbolos de identidade” Hugo Cardoso, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, chama a atenção para a importância da preservação dos crioulos de língua portuguesa na Ásia como “símbolos de identidade” das povoações. Falamos, por exemplo, dos modos de falar associados à presença do Cristianismo, como é o caso do “papiá kristáng”, em Singapura Do ressurgimento em Singapura, ao isolamento na Índia, os crioulos de base portuguesa na Ásia sobrevivem hoje como uma língua simbólica das comunidades luso-asiáticas que recusam esquecer a sua identidade linguística, defendeu o linguista Hugo Cardoso. Em entrevista à Lusa, o professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa explicou que, ao contrário do que aconteceu em África, os crioulos no continente asiático nunca “se chegaram a impor como língua de grande difusão”, enfrentando uma constante competição de línguas locais estabelecidas, como o malaio e o gujarati, e, durante o período colonial, competiam com o português. “As línguas locais são línguas que estavam estabelecidíssimas muito antes sequer destas línguas crioulas se formarem. E, portanto, o crioulo nunca chegou a tomar o seu lugar”, sublinhou, acrescentando que as línguas ficaram circunscritas até e durante o período colonial e pós-colonial. Em Singapura, o ‘papiá kristáng’ (língua cristã ou língua dos cristãos), que tem base lexical portuguesa, está a ser alvo de um processo de revitalização através do projecto ‘Kodrah Kristang’ (Acordar o Cristão), co-fundado pelo linguista Kevin Martens Wong. Sobre esta língua neste local do mapa, Hugo Cardoso explicou que, no século XIX, “houve uma transferência de pessoas malacas [habitantes da cidade de Malaca, na Malásia] para Singapura, para trabalharem nas estruturas coloniais britânicas”, levando, assim, o ‘papiá kristáng’ para este país asiático, acabando depois por desaparecer da “comunidade luso-asiática de Singapura, mas nos últimos anos tem estado a ser reavivada, revitalizada”. Segundo o especialista, a língua já não é vista como materna ou do dia a dia, mas sim como uma “língua simbólica da comunidade luso-asiática de Singapura”, sendo que o mesmo fenómeno de afirmação ocorre em Macau. “A comunidade macaense, ao longo dos tempos, foi-se apercebendo de que o crioulo [patuá] era um activo importante da sua identidade e da sua especificidade por oposição à população portuguesa e chinesa, e a todos os outros grupos”, referiu, acrescentando que, nos dias de hoje, o patuá serve para constituir laços de solidariedade e “projectar essa identidade própria que não é portuguesa, não é chinesa, é muitas coisas misturadas”. Esta resistência em Macau manifesta-se em peças de teatro anuais [com os Doci Papiaçam di Macau], projectos editoriais e aulas para aprender os “rudimentos” da língua. Os casos da Índia No oeste da Índia, em Diu e Damão, também se fala crioulos de base portuguesa, variedades linguísticas urbanas, e o cenário é de fragilidade devido à migração das comunidades, especificamente católicas e hindu-portuguesas, para Portugal ou para o Reino Unido, levando, assim, a um declínio do número de falantes. Hugo Cardoso destacou ainda a existência de um território pouco estudado, o Dadrá e Nagar Aveli, no oeste da Índia e que foi administrado por Portugal, onde também se fala um crioulo que é “muito parecido com o crioulo de Damão”, algo que “nunca tinha sido recolhido” e que é quase ou nada estudado. Mais a sul de Bombaim, na Índia, em Korlai, a língua sobreviveu graças ao isolamento geográfico após a queda da antiga cidade de Xaú no século XVIII. “Esta é uma situação um bocadinho diferente de Diu e Damão, porque o crioulo ainda é falado aí, também está num processo de declínio, mas ainda é falado. E é falado, essencialmente, porque aquela comunidade esteve durante muito tempo praticamente isolada”, referiu. O linguista também trabalha com uma das maiores línguas de base lexical portuguesa na região asiática, que se situa no Sri Lanka. “O crioulo do Sri Lanka é falado por uma comunidade luso-asiática, que ali é conhecida pelo nome de ‘Burger’, em holandês significa cidadão, e eles são conhecidos como os ‘Burgers’ portugueses, e é falado por várias centenas de pessoas, sobretudo na costa oriental do Sri Lanka”, referiu. Até ao século XIX, o crioulo do Sri Lanka era falado em toda a ilha, sendo “uma língua com uma difusão tão grande” que “começaram a ser produzidas obras sobre essa língua como, por exemplo, gramáticas, dicionários, traduções de textos bíblicos ou de textos litúrgicos, que estavam disponíveis na igreja”. Apesar da riqueza histórica, o professor alertou para a falta de salvaguarda jurídica, lamentando que nos casos asiáticos as “línguas não têm um estatuto de proteção nos Estados onde são faladas” e notando que a valorização pública é apenas pontual. Para Hugo Cardoso, a sobrevivência destes falares deve-se à memória colectiva das comunidades, que “entendem ter algum tipo de ligação ancestral a Portugal” e que utilizam a língua para preservar uma identidade luso-asiática única no mundo.
Hoje Macau China / ÁsiaUcrânia | China vê esperança nas negociações sobre apesar de divergências A China afirmou sexta-feira que existe esperança nas negociações sobre a guerra na Ucrânia, apesar das divergências entre as partes, e indicou que os contactos em curso começaram a centrar-se em “questões substantivas” do conflito. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros Mao Ning declarou que “a via para a paz não será alcançada da noite para o dia, mas enquanto houver diálogo, há esperança”, ao comentar as recentes rondas de conversações entre Rússia, Estados Unidos e Ucrânia e outra prevista para o início deste mês. Segundo Mao, embora persistam diferenças, as partes “estão empenhadas no diálogo” e começaram a focar-se em matérias de fundo relacionadas com a crise. A responsável acrescentou que, durante o encontro desta semana entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, o líder chinês reiterou a “posição de princípio” de Pequim, baseada na procura de uma solução por via do diálogo e da negociação. Mao defendeu a necessidade de assegurar a “participação equitativa de todas as partes”, atender às suas “preocupações legítimas” e promover uma “segurança comum” como base para um quadro de paz duradouro. A porta-voz reiterou que a China continuará a desempenhar “um papel construtivo à sua maneira” no apoio aos esforços de paz. As declarações coincidem com o quarto aniversário do início da invasão russa da Ucrânia e surgem após acusações dos Estados Unidos nas Nações Unidas de que Pequim estaria a “facilitar” a máquina de guerra russa, alegações rejeitadas pelas autoridades chinesas. Na véspera da visita de Merz, a diplomacia chinesa sublinhou ainda que a crise na Ucrânia “não é nem deve tornar-se um assunto entre a China e a Europa” e reiterou que Pequim mantém uma “posição objectiva e imparcial”, não sendo parte no conflito.
Hoje Macau China / ÁsiaMar do Sul | Autoridades expulsam navios filipinos das águas de Huangyan Dao A Guarda Costeira da China (GCC) expulsou na sexta-feira navios filipinos que invadiram ilegalmente as águas territoriais da China nas proximidades de Huangyan Dao, no Mar do Sul da China, indica a Xinhua. Um grande número de navios filipinos entrou ilegalmente nas águas próximas a Huangyan Dao em 27 de Fevereiro. Ignorando riscos de colisão, cortaram repentinamente a rota de navegação à frente dos navios de patrulha da GCC, um acto deliberado de provocação, acrescenta a agência estatal chinesa. Os navios da GCC permaneceram consistentemente e contidos durante todo o incidente e, de acordo com a lei, emitiram avisos verbais e controlaram as rotas de navegação, antes de expulsar com sucesso os navios filipinos invasores, de acordo com a GCC. Os actos perigosos dos navios filipinos não só constituíram uma grave provocação contra as operações de protecção dos direitos e aplicação da lei da GCC, como também reflectiram irresponsabilidade em relação à segurança pessoal dos tripulantes filipinos, afirmou a GCC. A China tem cumprido consistentemente as suas responsabilidades de resgate marítimo, mas nunca permitirá que qualquer país infrinja a sua soberania sob qualquer pretexto, acrescentou.
Hoje Macau China / ÁsiaUSAID | Recuo dos EUA criou situações humanitárias trágicas O antigo dirigente de Hong Kong e actual vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Leung Chun-ying, critica o súbito abandono americano de organizações humanitárias e reafirma o compromisso da China na ajuda global aos países mais necessitados Vitor Quintã, agência Lusa Leung Chun-ying, antigo líder do Governo de Hong Kong, disse à Lusa que o encerramento da agência de ajuda internacional dos Estados Unidos (EUA) aumentou a necessidade de assistência humanitária no mundo, criando situações “de partir o coração”. Em Julho, Washington anunciou o fim das operações da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês), afectando dezenas de países que dependiam dessa assistência. “Estamos realmente tristes por ver países que dependiam da assistência dos EUA a serem apanhados de surpresa”, disse, em entrevista à agência Lusa, o presidente da fundação GX, que opera em 10 países. O desmantelamento da USAID, que por si só representava 42 por cento da ajuda humanitária em todo o mundo, começou em Fevereiro de 2025, pouco depois de Donald Trump regressar à presidência dos EUA. “Os EUA não os avisaram com antecedência suficiente, pelo que estes países não estavam preparados”, lamentou Leung, que liderou o Governo da região chinesa entre 2012 e 2017. Moçambique foi o Estado de língua portuguesa que mais ajuda recebeu da USAID em 2023, totalizando 664,1 mil milhões de dólares, seguido de Angola, Brasil e Timor-Leste. “Quando alguém está doente, precisa de tratamento imediato. Mas quando os médicos não têm os recursos necessários, é uma situação muito triste, de partir o coração, realmente”, lamentou Leung Chun-ying. “Em alguns países, devido à retirada repentina dos norte-americanos, até falta o paracetamol, um simples analgésico”, sublinhou o antigo político. Outros doadores ocidentais tradicionais também seguiram o exemplo dos EUA e reduziram as contribuições. “As necessidades aumentaram. Mas esta mensagem não foi realmente transmitida às pessoas, porque há muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo no mundo”, lamentou Leung. “A comunicação social tem estado muito ocupada com as notícias do dia-a-dia. Mas as necessidades são enormes”, referiu o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês. Compromisso chinês O responsável sublinhou que “a China já declarou publicamente que fará mais para demonstrar o seu compromisso como um dos maiores países do mundo”, mas defendeu que “isso não deve recair sobre os ombros de um só país”. Em 07 de Janeiro, Donald Trump retirou os EUA de 66 organizações internacionais, 31 delas ligadas às Nações Unidas, já depois de cortado o financiamento à Organização Mundial da Saúde (OMS). Leung Chun-ying recordou que, em Maio, a China prometeu dar mais 500 milhões de dólares à OMS nos próximos cinco anos, para mitigar o impacto da saída dos EUA. “A China apoia o sistema da ONU. A ONU não é perfeita, mas também não é substituível. Continuamos a depender da ONU e das agências da ONU, incluindo a OMS”, referiu o dirigente. Questionado sobre o possível impacto do Conselho da Paz, criado por Donald Trump, que avisou que pode tornar a ONU obsoleta, Leung Chun-ying disse apenas que este novo órgão “ainda está em formação”.
Hoje Macau SociedadeMaternidade | Galaxy, Wynn, Melco e MGM alargam licenças Seguindo o anúncio do aumento das licenças de maternidade e paternidade feito pela Sands China na passada quinta-feira, as concessionárias Galaxy, Wynn, Melco e MGM fizeram anúncios semelhantes. A Galaxy, Melco e MGM vão assim aumentar a licença de maternidade de 70 para 90 dias, e a licença de paternidade de cinco para sete dias. Já o comunicado da Wynn Macau, apenas menciona o aumento de 70 para 90 dias da licença de maternidade, mas salienta já ter aumentado a licença de paternidade para sete dias em 2018. Até ao fecho desta edição, apenas faltava a SJM anunciar a alteração às licenças referidas.
Hoje Macau SociedadeUnionpay | Aumento dos gastos em Macau e no Interior Os titulares de cartões UnionPay do Interior da China intensificaram o consumo em Macau durante o período do Ano Novo Lunar, segundo dados da UnionPay, citados pela Rádio Macau. De acordo com as estatísticas da empresa, as transações dos visitantes do interior nas joalharias e ourivesarias da RAEM aumentaram quase cinco vezes em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, os comerciantes de equipamentos de telecomunicações duplicaram as vendas face ao mesmo período de 2024. Por outro lado, nos primeiros três dias do Ano do Cavalo (17 a 19), os titulares de cartões UnionPay de Macau aumentaram em cinco vezes os gastos no Interior da China. As transações na província de Hainan cresceram duas vezes, Pequim registou um aumento próximo do dobro, e Guangdong e Xangai apresentaram crescimentos de aproximadamente 30 por cento. Taxas de Juro | Custo da pataca desceu no final de 2025 No quarto trimestre de 2025, o custo do capital da Pataca de Macau dos bancos de Macau diminuiu em comparação com o trimestre anterior. No entanto, o custo do capital do Dólar de Hong Kong aumentou, de acordo com os dados mais recentes da AMCM, publicados na sexta-feira. No final de Dezembro de 2025, a taxa de juro composta da pataca desceu de 1,21 por cento, nível registado no final de Setembro de 2025, para o nível de 1,18 por cento. Por outro lado, a taxa de juro composta do dólar de Hong Kong aumentou de 2,32 por cento para o nível de 2,47 por cento. As taxas de juros compostas de Macau representam as taxas de juros médias ponderadas de todos os passivos remunerados e de depósitos à ordem sem juros, inscritos nas contas bancárias de Macau.
Hoje Macau SociedadeNAPE | Leong Hong Sai quer esplanadas, espectáculo e luzes O deputado Leong Hong Sai, dos Moradores, pretende conhecer os planos do Governo para dinamizar a economia do NAPE. A questão faz parte de uma interpelação escrita, divulgada na sexta-feira. No documento, Leong começa por defender o encerramento de vários casinos-satélite que eram os principais centros económicos desta zona do território, por considerar que o fim destes casinos contribui para a transição de uma economia dependente do jogo, para uma nova fase em que a zona vai ter um tecido económico mais diversificado e integrado. Como alternativa, Leong Hong Sai defende a aposta na “economia nocturna”, com base em restaurantes, esplanadas e feiras e quer saber se esta vai ser a aposta do Executivo, uma vez que considera que não só vai beneficiar o NAPE, como podem também chegar as outras zonas circundantes. Além disso, o legislador quer ainda saber se vão ser realizados “eventos temáticos nocturnos regulares” ligados com restaurantes e museus “para criar um ecossistema de consumo 24 horas por dia”. O deputado inquiriu ainda o Governo sobre se as autoridades vão instalar “luzes, fontes musicais e outros elementos de espectáculo ao longo da costa em frente ao Centro Cultural, bem como nas áreas à beira dos lagos de Nam Van e Sai Van, para enriquecer a experiência cultural e turística nocturna da região”.
Hoje Macau PolíticaMulheres | Ano focado no patriotismo e predominância do Executivo A Associação das Mulheres traçou como grandes objectivos para o novo ano lunar a promoção do patriotismo, o estudo dos discursos de Xi Jinping sobre as mulheres e as crianças e o apoio à predominância do Executivo na sociedade de Macau. As metas foram anunciadas na passada sexta-feira, durante um almoço com alguns órgãos de comunicação social, no discurso de Lau Kam Ling, presidente da associação. De acordo com a informação citada pelo jornal Ou Mun, a promoção do patriotismo vai passar por “estudar aprofundadamente” o espírito da Quarta Sessão Plenária do 20.º Comité Central do Partido Comunista Chinês e também os discursos do Presidente da China sobre as mulheres e as crianças. Em segundo lugar, a associação compromete-se a consolidar a segurança nacional em Macau e a educação a população sobre a constituição da China e sobre a Lei Básica. Entre os objectivos, a associação comprometeu-se ainda a “apoiar as mulheres, crianças e famílias” e a promover a construção de um comunidade de serviços “moderna e profissional” com serviços de excelência para as mulheres, crianças e idosos. A associação que conta com as deputadas Wong Kit Cheng e Loi I Weng comprometeu-se também com o apoio à Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha.
Hoje Macau Manchete PolíticaEconomia | Criado fundo de 11 mil milhões para diversificação O Governo anunciou a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas, para promover a “diversificação económica” e apoiar o “desenvolvimento de quadros qualificados” no território O Executivo liderado por Sam Hou Fai anunciou na sexta-feira a criação de um fundo de 11 mil milhões de patacas com o objectivo de cumprir a missão de diversificar a economia de Macau e desenvolver quadros qualificados. O secretário para a Economia e Finanças, Tai Kin Ip, explicou, em conferência de imprensa, que o Fundo de Orientação Governamental “visa congregar (…) e orientar capitais privados para o investimento” em sectores prioritários, num modelo que deverá “atingir uma dimensão total de 20 mil milhões de patacas” com a primeira parcela de financiamento privado. “O fundo, ao mesmo tempo que cria condições favoráveis à participação proactiva do mercado no desenvolvimento dos sectores prioritários, privilegiará uma implantação de longo prazo e de carácter sistemático”, disse o secretário. As áreas de investimento do fundo, explicou o responsável, são as contempladas num modelo criado nos últimos anos pelo Governo, como resposta à necessidade de diversificação económica, e focado em quatro áreas principais de desenvolvimento: indústria de saúde e bem-estar, indústria de finanças modernas, indústria de tecnologia de ponta e, por fim, a indústria de convenções, exposições e comércio, cultura e desporto. “Áreas-chave como as estratégias nacionais, a modernização industrial, a inovação tecnológica e o bem-estar da população”, especificou o dirigente. Tai Kin Ip adiantou que o objectivo é impulsionar a elevação da qualidade e a modernização dos sectores prioritários, atraindo empresas de qualidade e quadros qualificados para Macau e a vizinha Hengqin e para a área da Grande Baía. O fundo, continuou Tai, visa criar “mais postos de trabalho de qualidade”, “reforçar a diversificação” das oportunidades de emprego em Macau e “atrair quadros qualificados para promover o desenvolvimento coordenado regional”, “contribuindo para o objectivo nacional de construir uma potência científica e tecnológica”. Este fundo vai ser supervisionado directamente pelo Chefe do Executivo e contar com uma entidade gestora governamental, disse, por sua vez, Tam Chi Neng, assessor do gabinete do secretário para a Economia e Finanças. Orientar o fundo Como tal, vai ser criado o Conselho de Orientação do Fundo, composto por dirigentes do Governo, profissionais, académicos e representantes de diferentes áreas, “com competência para emitir pareceres sobre orientações de política, planeamento estratégico e matérias de especial relevância”, indicou Tam. O assessor explicou que o fundo prosseguirá os princípios do “’longtermism’” (posição ética que prioriza a melhoria do futuro a longo prazo) e do “capital paciente” (investimento que aceita um retorno mais demorado), orientando diferentes tipos de capitais privados para investimentos em indústrias emergentes, sectores de transformação e modernização industrial, projectos de transformação de resultados científicos e tecnológicos e empresas tecnológicas em fase inicial. O Governo prevê concluir ainda este ano a constituição deste fundo. “Paralelamente, serão promovidos os trabalhos de criação da entidade gestora e a publicação do regulamento administrativo e diplomas complementares que enquadrarão o funcionamento da nova estrutura,” acrescentou Tam Chi Neng.
Hoje Macau Grande Plano MancheteIrão | Guerra rebenta no Médio Oriente com ataques que mataram Khamenei Os Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra o Irão. Uma das vítimas mortais foi o aiatola Ali Khamenei, assim como vários líderes militares iranianos. O herdeiro do Xá, Reza Pahlavi, acredita num futuro risonho, numa altura em que os contra-ataques de Teerão se alastram pelo Médio Oriente Israel e os Estados Unidos das América (EUA) uniram-se numa operação conjunta para derrubar o regime iraniano, numa altura em que, no país, já aconteciam algumas manifestações contra as autoridades. No sábado foi lançada uma série de bombardeamentos contra o Irão, com o objectivo declarado de forçar uma mudança de regime. O país respondeu com ataques sobre Israel e bases militares norte-americanas, tendo também sido confirmada a morte do líder religioso supremo do Irão, o aiatola Ali Khamenei, que estava no poder há 36 anos. Segundo a Lusa, o anúncio foi feito pela televisão estatal iraniana às 05h, hora local, com um repórter a chorar devido ao sucedido. Khameinei tinha 86 anos e, para Trump, a sua morte oferece agora à população iraniana uma “maior chance” de “recuperar” o país. O regime iraniano declarou 40 dias de luto pela morte do líder religioso. Além de Khamenei, também foi morto o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, Abdolrahim Mousavi, juntamente com outros generais de alta patente durante os ataques norte-americanos e israelitas contra o país, informou ontem a televisão estatal iraniana. Entretanto, a China manifestou “grande preocupação” pela situação no Médio Oriente e pediu o respeito pela soberania e integridade territorial do Irão. “A soberania, a segurança e a integridade territorial do Irão devem ser respeitadas”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês num comunicado citado pela agência de notícias norte-americana The Associated Press (AP). Pequim pediu “o cessar imediato das acções militares e que não haja uma maior escalada de uma situação tensa”. Apelou também à “retoma do diálogo e da negociação” e dos esforços para “manter a paz e a estabilidade no Médio Oriente”, segundo o comunicado também citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP). A China recomendou a saída dos seus cidadãos do Irão, aconselhando os seus cidadãos a não viajar para a região, devido ao “aumento acentuado dos riscos de segurança”, dado que o país enfrenta repetidas ameaças de ataques dos EUA. “Os cidadãos chineses que se encontram actualmente no Irão devem reforçar as suas precauções de segurança e sair do país o mais rapidamente possível”, afirmou o Departamento de Assuntos Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, em comunicado. Uma questão nuclear O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem ameaçado atacar o Irão, devido à repressão das autoridades aos protestos contra o regime e alegando que Teerão está a desenvolver armas nucleares, apesar de ter atacado em Junho locais em solo iraniano precisamente com o propósito de travar o alegado programa nuclear. No final da campanha, Trump afirmou que o programa nuclear iraniano teria sido completamente obliterado. Na terça-feira – e apesar das conversações em Genebra sobre um acordo relativo ao programa nuclear do Irão -, Trump voltou a dizer, durante o discurso sobre o estado da Nação no Congresso, que não vai permitir que o Irão tenha armamento nuclear. O Irão assinou, em 2015, um acordo para limitar o seu desenvolvimento nuclear – em troca do alívio das sanções económicas ao país – com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido e também com a Alemanha e a União Europeia. No entanto, o acordo perdeu efeito depois de o próprio Trump ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do tratado, em 2018, durante o seu primeiro mandato (2017-2021). As recomendações da China juntam-se às de vários outros países que elevaram os seus alertas de segurança, como a Suécia, a Sérvia, a Alemanha, a Índia, a Coreia do Sul, o Brasil, a Austrália, o Reino Unido ou o Canadá. Tensão no Médio Oriente A morte de Ali Khamenei coloca em dúvida o futuro da República Islâmica e aumenta o risco de instabilidade regional. “Khamenei, uma das pessoas mais malvadas da história, está morto”, escreveu Trump numa publicação nas redes sociais, alertando para a continuação de “bombardeamentos pesados e precisos” ao longo da semana e mesmo depois desse período. O ataque deste sábado abriu um novo capítulo na intervenção dos EUA no Irão, trazendo consigo o potencial para violência retaliatória e uma guerra mais ampla. A verdade é que já se verificam focos de tensão graças à resposta iraniana, com ataques a cerca de dez países, incluindo os Emirados Árabes Unidos. No Dubai ocorreu uma forte explosão numa zona de hotéis de luxo, provocando quatro feridos, enquanto que o Aeroporto Internacional do Dubai também foi alvo de um ataque, levando ao cancelamento de todos os voos. Outro foco de tensão ocorreu em Karachi, Paquistão, resultando na morte de seis pessoas e 20 feridos no âmbito de um protesto junto à zona fortificada do Consulado dos Estados Unidos. De acordo com o porta-voz da polícia local, Rehan Ali, à CNN, “centenas de pessoas apareceram subitamente nas imediações” da missão diplomática, levando a uma rápida mobilização das forças de segurança. Os gritos captados nas gravações sugerem que o protesto terá sido motivado pelos ataques envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o vizinho Irão. Um país sem líder A morte de Khamenei no segundo ataque da Administração Trump ao Irão em oito meses cria um vácuo de liderança, dada a ausência de um sucessor do aiatola conhecido, e também porque o líder supremo de 86 anos teve a palavra final em todas as principais políticas durante décadas no poder. Khamenei liderava o “establishment” clerical do Irão e a sua Guarda Revolucionária paramilitar, os dois principais centros de poder na teocracia governante. Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irão, disse no sábado que Israel e os Estados Unidos “se arrependerão das suas acções”. “Os bravos soldados e a grande nação do Irão darão uma lição inesquecível aos opressores internacionais infernais”, publicou Larijani na rede social X. A operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel, que segundo autoridades foi planeada durante meses, ocorreu este sábado, durante o mês sagrado muçulmano do Ramadão e no início da semana de trabalho iraniana, e seguiu-se a negociações e advertências de Trump, que no ano passado alardeou o sucesso do seu governo na incapacitação do programa nuclear do país. Cerca de 12 horas após o início dos ataques, as forças armadas dos EUA informaram que não houve vítimas norte-americanas e que os danos nas bases dos EUA foram mínimos, apesar das “centenas de ataques com mísseis e drones iranianos”. Segundo as forças norte-americanas, os alvos no Irão incluíram instalações de comando da Guarda Revolucionária, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e aeródromos militares. Sobre a morte de Khamenei, Trump declarou que o aiatola “não conseguiu escapar aos sistemas de inteligência e rastreamento altamente sofisticados”. “Trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos com ele, pudessem fazer”, afirmou o Presidente norte-americano. “Esta é a maior oportunidade para o povo iraniano recuperar o seu país”, disse. Um diplomata iraniano afirmou no Conselho de Segurança das Nações Unidas que centenas de civis foram mortos e feridos nos ataques. O Irão retaliou disparando mísseis e drones contra Israel e bases militares dos EUA na região, e os combates continuam durante a noite. Os democratas norte-americanos criticaram o facto de Trump ter tomado medidas sem autorização do Congresso, mas a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a Administração informou antecipadamente vários líderes republicanos e democratas no Congresso. O que diz o filho do Xá Numa altura em que a mudança do regime parece estar iminente no Irão, mas sem se perceber bem como irá acontecer, uma das vozes que tem defendido a acção dos EUA e Israel é Reza Pahlavi, filho do antigo Xá. Há décadas radicado nos EUA, desde a revolução iraniana de 1979, Pahlavi vem agora defender que é altura de ir para as ruas. Segundo a Lusa, o herdeiro afirmou, num editorial publicado no jornal The Washington Post, que pretende assumir um papel no processo de transição no Irão. “Muitos iranianos, muitas vezes apesar das balas, pediram-me para liderar esta transição. Estou impressionado com a sua coragem e respondi ao seu apelo”, escreveu. “O nosso caminho a seguir será transparente: uma nova Constituição redigida e ratificada por referendo, seguida de eleições livres sob supervisão internacional. Quando os iranianos votarem, o governo de transição será dissolvido”. Nos últimos 47 anos Pahlavi tem sido uma voz crítica do regime iraniano, estando agora do lado de Trump e Israel. Em termos internos e regionais, Pahlavi é amplamente considerado como um fantoche de Washington e Telavive. No artigo, elogia toda a trajectória que Trump tem feito face ao Irão, dizendo que o “renascimento” do país “marcará o início de uma era de paz e prosperidade”. Pahlavi destacou ainda que “o Irão não é o Iraque”. “Não repetiremos os erros que se seguiram a esse conflito [do Iraque]. Não haverá dissolução das instituições, nem vazio de poder, nem caos”, adiantou, lembrando que desde o ano passado que defende o chamado “Projecto de Prosperidade do Irão”. Trata-se de um plano político e económico nacional para instaurar um Governo provisório de transição após a queda dos aiatolas. O activista iraniano garante que “este roteiro detalhado para a recuperação nacional” inclui um plano para “os primeiros 100 dias após o colapso do regime e a reconstrução e estabilização a longo prazo” do país e “conta com o apoio de numerosos líderes empresariais de todo o mundo”. “Um Irão democrático transformaria o Médio Oriente, convertendo uma das fontes de agitação mais persistentes do mundo num pilar da estabilidade regional”, afirma ainda Pahlavi, que elogia os acordos “históricos” de Abraão, impulsionados por Trump no seu primeiro mandato.