Turismo | Atingido recorde máximo de visitantes em 2025

Para a História. No ano passado, o território recebeu mais de 40 milhões de visitantes, um crescimento de 14,7 por cento face a 2024. Para o aumento, contribuíram as facilidades de deslocação a Macau dos turistas do Interior

 

Macau recebeu mais de 40 milhões de visitantes em 2025, um novo máximo histórico, ultrapassando o anterior recorde de 39,4 milhões, fixado em 2019, antes da pandemia de covid-19, foi sexta-feira anunciado.

O número de turistas que passou pelo território no ano passado foi o mais elevado desde que a Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) começou a compilar dados mensais, em 1998, ainda durante a administração portuguesa.

Macau acolheu no total quase 40,1 milhões de visitantes, mais 14,7 por cento do que em 2024 e acima da meta de 39 milhões, fixada em 16 de Dezembro pela directora dos Serviços de Turismo, Maria Helena de Senna Fernandes.

No entanto, quase 59 por cento dos visitantes (23,5 milhões) chegaram em excursões organizadas e passaram menos de um dia em Macau no ano passado.

Em 2024, o Governo Central divulgou uma série de medidas de apoio ao território, como o aumento do limite de isenção fiscal de bens para uso pessoal adquiridos por visitantes da China.

Ao mesmo tempo, as autoridades chinesas alargaram a mais 10 cidades da China a lista de locais com “vistos individuais” para visitar Hong Kong e Macau.

Além disso, desde 1 de Janeiro de 2025 que os residentes da vizinha cidade de Zhuhai podem visitar Macau uma vez por semana e ficar até sete dias.

Em resultado, a esmagadora maioria (90,6 por cento) dos turistas que chegaram a Macau em Novembro vieram da China continental ou Hong Kong.

Visitas internacionais

Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes sublinhou que o número de visitantes internacionais recuperou até cerca de 80 por cento dos níveis pré-pandemia.

Em Agosto, a dirigente tinha apontado como objectivo mais de três milhões de turistas internacionais em 2025.

Mas Macau falhou essa meta, ficando-se por 2,76 milhões de visitantes vindos do estrangeiro, ainda assim um aumento de 13,7 por cento em comparação com 2024.

Cidadãos da Arábia Saudita, Qatar, Kuwait, Barém e Omã passaram a estar dispensados de visto para entrar na cidade a partir de 16 de Julho.

Em 16 de Dezembro, Senna Fernandes recordou que as Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2026 prevêem a abertura de duas delegações de Macau no sudeste asiático e no nordeste da Ásia.

As LAG, apresentadas no final de Novembro, prevêem a abertura de uma delegação na Malásia e apontam também como prioridade a aposta nos turistas dos países lusófonos.

Só em Dezembro, Macau recebeu 3,58 milhões de visitantes, o valor mais elevado de sempre para este mês.

A cidade registou assim um novo máximo histórico para Dezembro, depois de já o ter feito para os meses de Setembro (3,8 milhões), Outubro (3,47 milhões) e Novembro (3,35 milhões).

26 Jan 2026

Macau facilita passagem a estrangeiros através da Ponte HZM

O Governo de Macau anunciou que os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, vão poder usar canais electrónicos automáticos para entrar no Interior através da maior ponte marítima do mundo.

A medida vai entrar em vigor na segunda-feira na fronteira que liga Macau à cidade vizinha de Zhuhai, parte da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, e abranger todos os cidadãos dos 82 países isentos de visto de entrada na RAEM.

De acordo com um comunicado conjunto da Direcção dos Serviços das Forças de Segurança e da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Macau, os estrangeiros com pelo menos 7 anos de idade terão também de ser residentes permanentes na China continental, ter uma autorização de residência ou um visto válido.

No final de Abril, o então secretário para a Segurança de Macau anunciou planos para acelerar o controlo fronteiriço de visitantes estrangeiros, sem estatuto de residente ou autorização de trabalho, através da utilização de canais electrónicos automáticos.

As autoridades irão expandir os equipamentos de auto-serviço para o Sistema de Recolha de Dados Biométricos, que passará a aplicar-se a todos os visitantes estrangeiros, explicou Wong Sio Chak.

O então secretário acrescentou que o Governo irá estudar a extensão da tecnologia de reconhecimento por íris nos controlos fronteiriços a não residentes ainda em 2025.

“Estamos também a estudar formas de alargar o número de utilizadores elegíveis para os canais de passagem automática, permitindo que mais turistas estrangeiros beneficiem de processos de imigração mais rápidos e de uma circulação mais fluida na Grande Baía”, declarou Wong.

 

Projecto nacional

A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.

A partir de Junho, os nacionais de 82 países, incluindo Portugal, Brasil e Cabo Verde, começaram a poder entrar em Macau, através da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, sem precisar de sair do veículo.

A Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, a mais longa travessia marítima do mundo, registou mais de 100 milhões de travessias de passageiros desde a inauguração, em Outubro de 2018, avançou em 6 de Janeiro a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

A construção da ponte arrancou em 2009, mas foi afectada por atrasos, a morte de mais de 20 trabalhadores e derrapagens orçamentais. O custo final da infra-estrutura está estimado em 16,4 mil milhões de dólares, mais 25 por cento do que o inicialmente previsto.

A ponte inaugurada em 2018 tem uma extensão de cerca de 55 quilómetros, que incluem um túnel subterrâneo de quase sete quilómetros entre duas ilhas artificiais para facilitar a navegação no delta do Rio das Pérolas.

A infra-estrutura reduziu em cerca de metade o tempo de viagem entre Macau e Hong Kong.

 

26 Jan 2026

Taipa | Clínica veterinária suspensa por suspeitas de irregularidades

Uma clínica veterinária foi encerrada pelas autoridades, depois de ter sido descoberto o fornecimento de medicamentos e vacinas não autorizadas e com origem desconhecida. A informação foi inicialmente divulgada pelo Canal Chinês da Rádio Macau, que não identificou a clínica.

A informação disponibilizada no portal do Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) indica que a Clínica TaipaVet tem a licença suspensa, desde 23 de Janeiro, por um período de dois meses. Os motivos não são indicados, mas a data da suspensão coincide com a operação recente das autoridades.

Segundo o canal chinês da Rádio Macau, a operação foi conduzida pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) e pelo Instituto para a Supervisão e Administração Farmacêutica (ISAF) e levou à apreensão de fármacos e vacinas que não possuíam autorização de importação por parte da entidade reguladora. As autoridades dizem também que foram detectados indícios de actividades ilegais nas instalações, levantando preocupações sobre riscos para a saúde e segurança públicas.

As suspeitas das irregularidades terão tido origem numa denúncia.

Como consequência, foi ordenada a suspensão imediata das operações do estabelecimento e instaurado um processo para acompanhamento do caso. As autoridades querem que a clínica clarifique a origem dos medicamentos e adoptem medidas para corrigir os procedimentos.

26 Jan 2026

Inflação | 2025 com valores mais baixos em quatro anos

Os dados oficiais mostram que a inflação se fez sentir sobretudo nos produtos alimentares e nas bebidas não alcoólicas. O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,54 por cento

 

Macau terminou 2025 com uma inflação anual de 0,33 por cento, o valor mais baixo dos últimos quatro anos, foi sexta-feira anunciado.

A subida do índice de preços no consumidor (IPC) no ano passado foi a menor desde 2021, de acordo com dados oficiais divulgados pela Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC).

Em Junho de 2021, Macau viveu o último de 10 meses consecutivos de queda de preços – ou deflação – no pico da crise económica causada pela pandemia de covid-19.

A deflação reflecte debilidade no consumo doméstico e no investimento e é particularmente gravoso, já que uma queda no preço dos activos, por norma contraídos com recurso a crédito, gera um desequilíbrio entre o valor dos empréstimos e as garantias bancárias.

Os dados oficiais mostram que em 2025 a inflação se fez sentir sobretudo nos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas (mais 0,62 por cento). O custo das refeições adquiridas fora de casa subiu 1,54 por cento.

Os gastos com rendas ou hipotecas de apartamentos subiram 0,84 por cento e 0,49 pro cento, respectivamente. Em 11 de Novembro, a Autoridade Monetária de Macau aprovou a terceira descida da taxa de juro este ano.

Em Abril de 2024, a Assembleia Legislativa do território acabou com vários impostos sobre a aquisição de habitações, para “aumentar a liquidez” no mercado imobiliário, defendeu na altura o secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong.

Com a recuperação no número de visitantes, a RAEM registou uma subida de 25,4 no preço da joalharia, ourivesaria e relógios, produtos populares entre os turistas da China continental.

 

Serviços mais baratos

Pelo contrário, os gastos com electricidade e telecomunicações caíram 3,16 por cento e 3,46 por cento, respectivamente, enquanto o preço dos bilhetes de avião decresceu 6,36 por cento.

A inflação desceu em Dezembro, fixando-se em 0,69 por cento, menos 0,03 pontos percentuais do que em Novembro, interrompendo quatro meses consecutivos de aceleração.

Na China continental, de longe o maior parceiro comercial de Macau, o IPC subiu 0,8 por cento em termos homólogos em Dezembro, registando o aumento mais elevado desde 2023, num sinal encorajador, apesar de persistirem pressões deflacionistas na segunda maior economia do mundo.

Esta foi a terceira subida consecutiva e estava em linha com as previsões de um grupo de economistas consultados pela agência de notícias financeiras Bloomberg.

A segunda maior economia mundial enfrenta há mais de dois anos pressões deflacionistas, com a fraca procura interna e o excesso de capacidade industrial a penalizarem os preços, enquanto a incerteza no comércio internacional dificulta o escoamento de produtos por parte dos fornecedores.

O índice de preços no produtor, que mede os preços à saída da fábrica, aprofundou em dezembro a tendência negativa dos últimos dois anos, com uma descida homóloga de 1,9 por cento.

26 Jan 2026

Corrupção | Investigado general de alta patente por minar autoridade de Xi

A mais alta figura do Exército Popular de Libertação e aliado próximo do Presidente Xi Jinping está sob investigação, acusado de infligir graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política nas forças armadas

 

O Exército chinês detalhou ontem as razões pelas quais foi aberta uma investigação contra o general de mais alta patente do país, Zhang Youxia, acusado de “minar” a autoridade do Presidente Xi Jinping.

Um editorial publicado no PLA Daily, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação (EPL), indica que as investigações anunciadas este sábado contra Zhang, assim como contra o chefe do Departamento do Estado-Maior Conjunto da Comissão Militar Central (CMC, órgão máximo do Exército), Liu Zhenli, mostram que “a tolerância na luta contra a corrupção não é permitida”.

Zhang, de 75 anos, é o primeiro vice-presidente da CMC, o que o coloca como o “número 2” militar do país, com uma patente apenas atrás da de Xi Jinping, que lidera o órgão, e é também um dos 24 membros do Politburo, o segundo escalão de comando do Partido Comunista Chinês (PCC), no poder.

“Zhang e Liu, como altos comandantes do Partido e do Exército, traíram profundamente a confiança que lhes foi depositada (…) e pisaram e prejudicaram gravemente o sistema de responsabilidade suprema que reside no presidente da CMC [Xi]”, aponta o texto, também divulgado pela agência oficial Xinhua.

O artigo acusa os dois generais de “exacerbarem os problemas políticos e de corrupção que ameaçam a autoridade absoluta do Partido sobre as Forças Armadas” e de “mancharem a imagem e a autoridade dos líderes da CMC”.

“Infligiram graves danos aos esforços para reforçar a lealdade política no Exército, o ambiente político do Exército ou a preparação geral para o combate, o que representa um grave impacto negativo para o Partido, o país e o Exército”, acrescenta o documento.

Para além de revelar as acusações contra os dois generais, o editorial enfatiza o objectivo das purgas militares de Xi: “Ficou demonstrado que, quanto mais o Exército luta contra a corrupção, mais forte e puro se torna, com maior capacidade de combate. Se a corrupção for erradicada de forma profunda, as Forças Armadas serão mais capazes e terão mais confiança”, escreve o PLA Daily.

 

Aliado próximo

Zhang era considerado uma figura-chave nos planos de Xi para modernizar as Forças Armadas e também o aliado militar mais próximo do Presidente chinês, em parte porque os pais de ambos, o general Zhang Zongxun e o vice-primeiro-ministro (1959-1965) Xi Zhongxun, lutaram juntos na guerra civil que culminou na fundação da República Popular da China em 1949.

De acordo com fontes anónimas citadas pelo jornal de Hong Kong “South China Morning Post”, a acusação contra Zhang — que terá sido detido na passada segunda-feira — é por corrupção, por “não controlar” colaboradores próximos e familiares, e por não ter comunicado os problemas à cúpula do PCC em primeira instância.

Tanto Zhang como Liu, heróis de guerra condecorados e os únicos membros da direcção da CMC com experiência real de combate — ambos participaram nas campanhas contra o Vietname no final dos anos 70 —, estiveram ausentes de um seminário do PCC presidido por Xi esta semana, o que desencadeou especulações sobre o seu paradeiro.

Desde que chegou ao poder em 2012, Xi impulsionou sucessivas purgas na cúpula das Forças Armadas, movimentos destinados tanto a combater a corrupção entre as suas fileiras como a reforçar a lealdade dos comandantes militares ao PCC e à sua liderança.

26 Jan 2026

Gronelândia | EUA vão renegociar com Dinamarca acordo de 1951

Os Estados Unidos e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia, disse ontem uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre o Presidente norte-americano e o chefe da NATO.
A segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte à agência de notícias France-Presse (AFP).
A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada no encontro de quarta-feira entre Donald Trump e Mark Rutte em Davos.
Trump e Rutte discutiram na estância suíça um pré-acordo sobre a Gronelândia que o secretário-geral da NATO disse ontem que visa impedir o acesso económico e militar da Rússia e da China aos países do Ártico.
A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.
O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.
O documento, intitulado “Defesa: Gronelândia”, estabelece actualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a “única zona de defesa” na ilha ártica.
A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE.
O projecto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares.
Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do actual mandato de Trump, em 2029.
O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

Pilares das negociações
A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.
O entendimento, divulgado por meios de comunicação alemães como o Der Spiegel e o Die Welt, inclui a suspensão das taxas aduaneiras que Trump tinha ameaçado impor aos países europeus.
A ameaça de taxas, inicialmente de 10 por cento e depois de 25 por cento, foi feita à Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia, países-membros da UE, e ainda Noruega e Reino Unido.
A UE deve ainda discutir a questão numa cimeira europeia extraordinária agendada para ontem em Bruxelas, com a participação do primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
Os dirigentes da UE admitiram retaliações comerciais com taxas sobre importações dos Estados Unidos no valor de 93 mil milhões de euros se Trump mantivesse a ameaça.
Outro ponto do entendimento NATO-EUA, é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.
A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos.
Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.
O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.
Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da “massa de gelo” ártica.
O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder.

25 Jan 2026

Telecomunicações | Pequim acusa a UE de exagerar conceito de segurança

O MNE chinês reagiu ao novo pacote de segurança apresentado pela União Europeia com críticas e preocupação

A China acusou ontem a União Europeia de “sobredimensionar o conceito de segurança” nas telecomunicações, após a Comissão Europeia apresentar um pacote de medidas de cibersegurança que pode restringir a participação de empresas chinesas em infraestruturas estratégicas.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Guo Jiakun expressou em conferência de imprensa a “séria preocupação” de Pequim com a iniciativa comunitária, argumentando que as empresas chinesas operam há anos na Europa “em conformidade com as leis e regulamentos” sem pôr em causa a segurança dos países europeus.

Pelo contrário, sublinhou, têm contribuído “de forma significativa” para o desenvolvimento das telecomunicações e da economia digital do continente.

Guo criticou a imposição de restrições ou vetos a empresas com base em “critérios não técnicos e sem provas factuais”, o que, na sua perspectiva, viola os princípios de mercado e de concorrência leal.

“Trata-se de um exemplo típico de politização da cooperação normal e de sobredimensionamento do conceito de segurança, equivalendo a um proteccionismo flagrante”, afirmou.

O porta-voz alertou ainda que intervenções “arbitrárias” no mercado não aumentam a segurança, mas geram custos elevados.

Segundo Pequim, a remoção forçada de equipamentos de empresas chinesas em alguns países já causou “perdas económicas massivas” e prejudicou o desenvolvimento das redes digitais locais.

Nesse sentido, avisou que a estratégia comunitária poderá prejudicar o progresso tecnológico e económico da própria UE e corroer a imagem do mercado europeu como espaço aberto ao investimento.

Pequim instou a UE a “não aprofundar o caminho errado do proteccionismo” e advertiu que, se persistir nessa linha, a China “adoptará as medidas necessárias” para salvaguardar os direitos e interesses legítimos das suas empresas.

Novo quadro

As declarações chinesas surgem após Bruxelas ter apresentado na terça-feira uma nova lei de cibersegurança que cria um quadro comum para avaliar riscos em infraestruturas críticas da UE, sem mencionar explicitamente países ou empresas.

A normativa reforça o controlo sobre sectores estratégicos como as redes 5G e 6G, a computação em nuvem ou os semicondutores, e abre porta a restrições ou exclusão de fornecedores considerados de “alto risco”.

Embora o texto não cite nomes, a Comissão Europeia tem manifestado, desde 2019, reservas sobre a participação de empresas chinesas como Huawei ou ZTE no desenvolvimento de redes de telecomunicações no bloco.

 

22 Jan 2026

Cabo Verde | Macau Legend crítica governo por reaver hotel-casino

A empresa fundada por David Chow defende que não há “qualquer fundamento legítimo” que permitisse ao Governo de Cabo Verde recuperar o hotel-casino em obras. O Executivo africano afirmou que a acção se deve a assegurar que o projecto é concluído

A Macau Legend Development (MLD) afirmou que o Governo de Cabo Verde não tinha “qualquer fundamento legítimo” para reaver o hotel-casino, cuja construção a operadora de jogo deixou por concluir na capital, Praia.

No sábado, o Executivo cabo-verdiano anunciou que tomou posse dos bens e do edifício do hotel-casino que a empresa, com dificuldades financeiras, começou a construir, mas abandonou há anos.

Na terça-feira à noite, a MLD disse que foi notificada, em 15 de Janeiro, pelo Governo de Cabo Verde da intenção de reaver os bens e o edifício no ilhéu de Santa Maria e na orla marítima da Gamboa.

As autoridades cabo-verdianas solicitaram a presença de um representante da operadora “para facilitar uma entrega voluntária” do hotel-casino inacabado, referiu a MLD.

“Tendo determinado que este pedido carecia de qualquer fundamento legítimo, a empresa não concordou”, sublinhou a MLD, num comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong.

O Governo de Cabo Verde avançou com a tomada de posse na sexta-feira, entrando nas instalações do projecto e “ignorando a objecção da empresa à entrega voluntária”, lamentou a MLD.

A operadora garantiu que “está actualmente a procurar aconselhamento jurídico” para decidir como responder à perda do hotel-casino, algo que, sublinhou, já estava previsto nas contas da MLD.

“Assim, a direcção considera que o recente desenvolvimento do projecto de investimento não terá um impacto adverso relevante na operação ou no desempenho financeiro da empresa”, sublinha-se no comunicado.

Interesses maiores

O Governo de Cabo Verde reiterou no sábado que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores.

Em Julho, o ministro da Administração Interna de Cabo Verde, Paulo Rocha, disse à Lusa, em Macau, que o Governo daria uma “última oportunidade” à empresa, que prometeu “uma alternativa” para o espaço.

No final de Março, a MLD já tinha anunciado prejuízos de 45,9 milhões de dólares de Hong Kong em 2024, em parte devido à ameaça de reversão do hotel-casino na capital de Cabo Verde.

Em 2015, o empresário de Macau David Chow Kam Fai, fundador da operadora, anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021.

No final de 2023, o presidente da MLD, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e no Camboja.

Actualmente, havia apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados.

No final de Agosto de 2025, a MLD admitiu ter “dúvidas significativas sobre a capacidade do grupo de continuar em actividade” devido a dívidas totais de 2,4 mil milhões de dólares de Hong Kong.

22 Jan 2026

Davos | Pequim critica o regresso à “lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”

A elite do poder mundial está reunida na estância suíça para discutir a situação internacional numa iniciativa subordinada ao tema “Um Espírito de Diálogo”

 

A China insurgiu-se ontem, no Fórum de Davos, na Suíça, contra o que classificou como o regresso à “lei da selva” nas relações internacionais, “onde os fortes atacam os fracos”, criticando tarifas e guerras comerciais.

Intervindo em Davos, num fórum que este ano decorre num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais, o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, sem nunca se referir expressamente aos Estados Unidos, defendeu que “um pequeno número de países privilegiados não deve beneficiar de vantagens baseadas apenas nos seus interesses, e o mundo não pode regressar à lei da selva, onde os fortes atacam os fracos”.

No seu discurso, o responsável de Pequim também dirigiu críticas implícitas à política comercial norte-americana, afirmando que “as tarifas e as guerras comerciais não têm vencedores”, advogando os benefícios do “comércio livre e da globalização económica”.

Considerando que o sistema comercial global enfrenta actualmente o seu maior desafio em muitos anos, He Lifeng “os actos unilaterais e os acordos comerciais de certos países violam claramente os princípios e regras fundamentais da Organização Mundial do Comércio”.

Relativamente às críticas de que o excedente comercial da China com o resto do mundo é desequilibrado, o responsável chinês, assinalando a ambição do seu país se, além de querer ser “a fábrica do mundo”, ser igualmente “o mercado do mundo”, comentou que, “quando a China quer comprar, outros países não querem vender”, numa nova alusão à política da administração norte-americana liderada por Donald Trump, que impôs restrições à venda para a China dos melhores microchips usados em Inteligência Artificial.

Donald regressa

O Fórum de Davos, que junta anualmente as elites económica e política mundiais, decorre ao longo desta semana naquela estância alpina na Suíça, num contexto de grande instabilidade a nível global, com todas as atenções focadas na participação do Presidente norte-americano, Donald Trump, que discursará na quarta-feira.

Subordinado nesta 56.ª edição ao tema “Um Espírito de Diálogo”, o evento, que decorre entre segunda e sexta-feira, dificilmente poderia desenrolar-se num ambiente de maior crispação e de riscos à escala mundial, e terá como figura de cartaz um dos principais protagonistas deste ambiente de tensões, Donald Trump, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, após ter marcado presença em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021).

21 Jan 2026

Confirmada óbito de cidadão chinês em explosão

A China confirmou ontem a morte de um cidadão chinês e ferimentos em outros cinco na sequência da explosão ocorrida na segunda-feira nas imediações de um restaurante chinês em Cabul, capital do Afeganistão.

Pequim apelou às autoridades afegãs para reforçarem as garantias de segurança a fim de proteger os seus cidadãos, projectos e instituições no país.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, expressou condolências à família da vítima mortal e solidariedade para com os feridos, sublinhando que foram feitas “diligências diplomáticas urgentes” junto das autoridades afegãs.

A China exige tratamento médico adequado para os feridos, o esclarecimento dos factos e a responsabilização dos autores do ataque.

A Embaixada da China em Cabul já visitou os feridos no hospital, tendo transmitido o apoio oficial de Pequim e prestado assistência consular, informou Guo.

O porta-voz reiterou que a China “condena veementemente e opõe-se firmemente ao terrorismo em todas as suas formas” e manifestou o apoio de Pequim ao Afeganistão e aos países da região na luta conjunta contra o extremismo violento.

Alguns órgãos de comunicação locais noticiaram que o ataque poderá ter sido reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico da Província do Khorasan (ISIS-K), embora esta informação não tenha sido confirmada oficialmente pelas autoridades afegãs.

A explosão ocorreu no interior ou nas imediações de um restaurante chinês localizado no bairro de Shahr-e-Naw, no centro de Cabul, tendo causado pelo menos sete mortos – entre os quais um cidadão chinês – e cerca de 20 feridos, de acordo com fontes hospitalares e policiais.

 

Segurança em causa

Face ao actual contexto de segurança, o ministério dos Negócios Estrangeiros da China voltou a recomendar aos seus cidadãos que evitem deslocações ao Afeganistão “por enquanto” e pediu àqueles que já se encontram no país, bem como às empresas chinesas ali presentes, que aumentem a vigilância, reforcem as medidas de protecção e abandonem as zonas de maior risco sempre que possível.

O incidente insere-se numa relação pragmática entre a China e as autoridades talibãs desde o regresso destas ao poder em 2021, com enfoque na protecção de cidadãos e interesses chineses no país.

Nos últimos anos, Pequim tem insistido na obtenção de garantias de segurança para os seus projectos e cidadãos, sobretudo nos sectores da mineração e energia. Esta questão tem sido discutida diretamente com responsáveis da segurança afegã, numa altura em que se têm multiplicado os incidentes que afectam trabalhadores e empresas chinesas, tanto no território afegão como nas regiões fronteiriças.

 

21 Jan 2026

Gripe | Quase 40 infectados em escolas, mais de metade com gripe A

Os Serviços de Saúde foram notificados na segunda-feira de cinco casos de infecção colectiva de gripe em escolas e num lar, que afectaram 38 alunos e utentes. Segundo um comunicado divulgado ontem pelos Serviços de Saúde, dos 38 alunos infectados, 20 registaram um resultado positivo para a gripe do tipo A e seis obtiveram resultados positivos em testes rápidos para o adenovírus. As autoridades de saúde indicaram ontem que as condições clínicas dos doentes são consideradas ligeiras e não foram registados casos graves ou outras complicações.

O local com o maior número de infecções foi o Colégio de Santa Rosa de Lima (Secção Inglesa), na Avenida Dr. Rodrigo Rodrigues, onde 11 alunas adoeceram. Na Escola Choi Nong Chi Tai, no Istmo de Ferreira do Amaral, foram infectados nove alunos, na Escola de Santa Teresa do Menino Jesus, na Avenida do Conselheiro Borja, foram diagnosticados cinco alunos.

No Lar de Cuidados “Júbilo Brilhante”, na Rua Leste da Ilha Verde, as infecções afectaram sete utentes e trabalhadores.

Finalmente, na Escola Cham Son de Macau, na Rua Central da Areia Preta, foram infectados seis alunos.

21 Jan 2026

Economia | Crescimento de 5 por cento no ano passado

Apesar de um consumo interno abaixo do esperado e do aumento das tarifas imposto por Donald Trump, a economia chinesa continua a mostrar-se robusta e pronta para enfrentar os novos desafios globais

A economia da China registou um crescimento homólogo de 5 por cento, em 2025, impulsionada pela forte subida das exportações, apesar do aumento das taxas alfandegárias imposto pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O crescimento abrandou, porém, para uma taxa de 4,5 por cento no último trimestre do ano, segundo os dados oficiais ontem divulgados. Foi o crescimento trimestral mais lento desde o final de 2022, durante a pandemia da covid-19. A economia, a segunda maior do mundo, cresceu a uma taxa anual de 4,8 por cento no trimestre anterior.

Os líderes chineses têm tentado estimular um crescimento mais rápido após a crise no sector imobiliário e os impactos económicos provocados pela pandemia.

Como era esperado, o crescimento anual do ano passado ficou alinhado com a meta oficial do governo de uma expansão de “cerca de 5 por cento “.

As exportações ajudaram a compensar o fraco consumo interno e o baixo investimento empresarial, contribuindo para um excedente comercial recorde de 1,2 biliões de dólares.

“A grande questão é durante quanto tempo este motor de crescimento poderá continuar a ser o principal impulsionador”, escreveu Lynn Song, economista-chefe para a China no banco holandês ING, numa nota recente.

As exportações chinesas para os EUA caíram depois de Donald Trump ter regressado à presidência no início do ano passado e ter começado a aumentar as tarifas. No entanto, essa queda foi compensada pelas vendas para o resto do mundo. A subida acentuada das importações de produtos chineses tem levado alguns governos a agir para proteger as indústrias locais, nalguns casos através do aumento das tarifas sobre as importações.

“Se mais economias começarem também a subir tarifas sobre a China, como fez o México e como a União Europeia ameaçou fazer, acabará por se sentir uma pressão mais forte”, afirmou Song.

Os líderes chineses têm repetidamente destacado o reforço da procura interna como prioridade política, mas os efeitos têm sido até agora limitados. Um programa de incentivo à troca de automóveis antigos por modelos mais eficientes em termos energéticos, por exemplo, tem vindo a perder força nos últimos meses.

“A estabilização – não necessariamente a recuperação – do mercado imobiliário interno é fundamental para restaurar a confiança pública e, consequentemente, o crescimento do consumo das famílias e do investimento privado”, afirmou Chi Lo, estratega de mercados para a Ásia-Pacífico no banco de gestão de activos BNP Paribas Asset Management.

Estímulos e previsões

A China também tem oferecido subsídios para a troca de electrodomésticos, como frigoríficos, máquinas de lavar e televisões. Embora as principais medidas de estímulo ao consumo de 2025 – incluindo estes subsídios – devam continuar em 2026, poderão ser reduzidas, afirmou Weiheng Chen, estratega global de investimentos no banco de investimento J.P. Morgan Private Bank, numa nota recente.

O investimento em inteligência artificial e noutras tecnologias avançadas continua a ser uma prioridade para o Partido Comunista Chinês, numa tentativa de aumentar a auto-suficiência e rivalizar com os Estados Unidos. Muitos cidadãos comuns e pequenas empresas enfrentam tempos difíceis e uma incerteza preocupante quanto ao emprego e aos rendimentos.

Segundo dados do governo, a economia chinesa cresceu a uma taxa anual de 5 por cento, em 2024, e de 5,2 por cento, em 2023. As metas oficiais de crescimento têm vindo a diminuir ao longo dos últimos anos, de 6 por cento a 6,5 por cento, em 2019, para “cerca de 5 por cento “, em 2025.

Prevê-se uma expansão anual mais lenta para 2026. O banco alemão Deutsche Bank prevê que a economia da China cresça cerca de 4,5 por cento, em 2026.

20 Jan 2026

Hong Kong | Viagens gratuitas para estrangeiros a partir do aeroporto

A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) anunciou ontem que está de novo a oferecer viagens gratuitas para Macau através dos autocarros directos a partir do aeroporto de Hong Kong. A promoção arranca hoje e tem como objectivo promover a extensão da viagem a Macau e ajudar a expandir fontes de visitantes internacionais. Não estão abrangidos pela oferta viajantes oriundos do Interior da China. A promoção de oferta de bilhetes para o autocarro directo para Macau, que se estende até ao fim deste ano, resulta da colaboração com os Serviços de Transporte de Passageiros no Aeroporto Internacional de Hong Kong.

“Os visitantes internacionais elegíveis, após a chegada ao Aeroporto Internacional de Hong Kong, basta tratar dos procedimentos no balcão designado dentro da zona restrita, para obter o bilhete gratuito e apanhar o autocarro directo para Macau, via Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, no terminal de transferências SkyPier do Aeroporto Internacional de Hong Kong”, indicou a DST.

A reserva de bilhetes pode ser feita antecipadamente na página oficial da operadora dos autocarros. Durante o período de promoção, os visitantes terão direito, sem limite de número de vezes, ao benefício de “bilhete gratuito de autocarro directo”. Porém, devido “ao limite no número de ofertas, os bilhetes são processados por ordem de chegada”.

20 Jan 2026

Nova associação quer contribuir para o estudo de direito em Macau

A Associação de Estudos Jurídicos de Macau e Portugal nasceu para dar vida a uma mega empreitada, a publicação do Código de Processo Civil de Macau anotado, e, mais tarde, de obras “fora dos temas mais badalados”.
David Sá Machado, advogado português a trabalhar em Macau, é o ideólogo daquela que vai ser a primeira versão anotada, publicada na íntegra, do Código de Processo Civil da região semiautónoma chinesa.
Os três volumes, com a contribuição de cerca de 60 autores, entre “advogados, magistrados, professores académicos, assessores e outros juristas de Portugal e Macau”, deverão ver a luz do dia ainda este ano, explica à Lusa o responsável, notando que se encontram em fase de revisão. “Havendo alterações ao código em vista, podemos atrasar um pouco”, acrescenta.
Para facilitar a publicação da obra, “uma mais-valia” que pretende ser uma “contribuição para o direito em Macau”, foi criada a Associação de Estudos Jurídicos de Macau e Portugal.
“Depois outros projectos vão surgir”, refere à Lusa Sá Machado, presidente da associação, indicando a intenção de, no futuro, organizar “iniciativas mais pedagógicas e mais didácticas”.
Ainda sobre este projecto de cerca de três mil páginas e com coordenação de duas mulheres – Maria José Capelo, professora associada da faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e Teresa Leong, magistrada aposentada de Macau – o advogado nota que vai ser produzido em português, embora se projecte também uma versão chinesa, já que “o público-alvo são os juristas de Macau”.
“Um código anotado deve servir para esclarecer o leitor dos vários sentidos interpretativos das normas e, se calhar, acrescentar alguma coisa do ponto de vista do direito a constituir”, indica. “Penso que enriquece sempre qualquer ordenamento jurídico”, acrescenta

Versões existentes
Macau conta com versões anotadas do Código Civil, do Código Penal e do Código de Processo Penal, sendo que chegaram a ser publicados, entre 2006 e 2008, os dois primeiros volumes do Código de Processo Civil anotado e comentado de autoria de Cândida da Silva Antunes Pires e Viriato de Lima. A obra, porém, ficou por concluir, lembra o advogado.
Sá Machado, também um dos autores, defende a importância do projecto: “Estamos sempre a recorrer aos códigos de Portugal, às anotações de Portugal. Ficamos com uma coisa nossa”.
Ainda sobre o trabalho, que vai ser publicado em Portugal pela Edições Almedina – depois de feitas “algumas abordagens em Macau, informalmente” -, o advogado diz que “gostava que fosse uma obra de referência”.

19 Jan 2026

UE / EUA | Macron pedirá mecanismo anti-coerção se Trump impuser sobretaxas

Emmanuel Macron, que esteve ontem “em contacto o dia todo com os homólogos europeus”, pedirá “a activação do instrumento anti-coerção” da UE se as ameaças de sobretaxas alfandegárias de Donald Trump forem executadas, informou fonte próxima do Presidente francês.
Esta ferramenta, cuja implementação requer a maioria qualificada dos países da União Europeia, permite, entre outras medidas, o congelamento do acesso aos mercados públicos europeus ou o bloqueio de certos investimentos.
As ameaças comerciais norte-americanas “levantam a questão da validade do acordo” sobre tarifas alfandegárias concluído entre a União Europeia e os Estados Unidos em Julho passado, observou fonte próxima do líder gaulês.
Entretanto, Berlim anunciou que irá coordenar com os parceiros europeus a reacção da UE, caso as sobretaxas de Trump se concretizem.
O porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, disse que a Alemanha “tomou nota” do anúncio de Trump de impor tarifas aos países europeus que enviaram soldados para a Gronelândia e que coordenará a sua reacção com os outros parceiros europeus.
O Governo alemão tomou nota do que foi expresso pelo Presidente dos EUA. O Governo está em contacto próximo com os parceiros europeus. “No seu momento decidiremos sobre as sanções adequadas”, disse Kornelius na sua conta do X.
Até ontem, no fecho desta edição, nem o chanceler, Friedrich Merz, nem nenhum dos seus ministros se tinham pronunciado.

Muda de rumo
Na Alemanha, da parte das empresas privadas, houve reacções e, por exemplo, o presidente da Patronal, Dirk Jandura, disse, em declarações recolhidas pelo jornal Handelsblatt, que se a imposição de tarifas se tornar uma arma política, no final só haverá perdedores.
O director do Instituto de Estudos Económicos de Berlim, Marcel Fratzscher, defendeu que era hora de a UE e a Alemanha fortalecerem as cooperações globais com a China e outros parceiros para enfrentar Trump.
“A Europa cedeu permanentemente a Trump no conflito comercial em vez de defender os seus próprios interesses e o multilateralismo. O erro está a ser pago agora porque Trump viu a fraqueza da Europa”, disse ao Handelsblatt.

Donald ameaça
O líder americano, Donald Trump, ameaçou no sábado vários países (Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia) com a imposição de novas tarifas alfandegárias até que “um acordo seja alcançado para a venda completa e integral da Groenlândia”.
Esta sobretaxa de 10 por cento, que recai sobre os países que enviaram soldados para a Gronelândia, entrará em vigor a partir de 01 de Fevereiro e poderá subir para 25 por cento em 01 de Junho, disse Trump.
Donald tem reiterado a intenção de os Estados Unidos assumirem o controlo da Gronelândia, “a bem ou a mal”.
A Gronelândia é um território autónomo sob soberania da Dinamarca, estrategicamente localizado no Ártico, com uma população de cerca de 50 mil pessoas.

19 Jan 2026

Suspeitos de enviar drones para Coreia do Norte trabalhavam em gabinete de ex-líder do Sul

Dois civis suspeitos de estarem envolvidos nos recentes envios de drones para a Coreia do Norte trabalhavam no gabinete do ex-presidente Yoon Suk-yeol, de acordo com uma investigação publicada ontem pela agência de notícias local Yonhap.
A notícia foi divulgada numa altura em que está a ser levada a cabo uma investigação em Seul em resposta às acusações de Pyongyang sobre a presença de drones na Coreia do Norte, em Setembro de 2025 e no início deste ano.
O primeiro suspeito, um homem com cerca de 30 anos, que aparentemente só terá trabalhado no fabrico do drone, foi durante o Governo de Yoon supervisor de notícias no gabinete do porta-voz presidencial, de acordo com a agência.
O outro suspeito, igualmente na casa dos 30 e também com trabalho desempenhado no complexo presidencial durante o governo Yoon, afirmou publicamente ter operado os drones, numa entrevista transmitida na sexta-feira pelo canal local Channel A. O suspeito está neste momento a fazer estudos de pós-graduação em jornalismo numa universidade particular em Seul.
Os dois suspeitos estudaram na mesma universidade e fundaram uma empresa de fabrico de drones em 2024, ainda de acordo com a Yonhap.
A investigação não especifica os anos exactos em que trabalharam para Yoon, que iniciou o mandato em Maio de 2022 e terminou em Abril do ano passado, depois de ter sido destituído pela breve declaração de lei marcial, em Dezembro de 2024.
Yoon Suk-yeol, actualmente em prisão preventiva, enfrenta acusações de abuso de poder e outros crimes relacionados com o suposto envio de drones para a Coreia do Norte, para disseminar propaganda anti-Pyongyang.
O Ministério Público alega que o então presidente ordenou a operação para provocar uma reacção do país vizinho e justificar a imposição da lei marcial.

Voos da discórdia
A Coreia do Norte acusou o Sul na ONU, em Fevereiro do ano passado, de enviar drones em Outubro de 2024 para espalhar propaganda sobre a capital Pyongyang.
O trabalho da Yonhap indica ainda que o primeiro suspeito já foi interrogado na sexta-feira pela equipa de investigação das forças armadas e da polícia sul-coreanas.
O homem terá sido denunciado às autoridades em Novembro por pilotar um drone não registado na área de Yeoju, a cerca de 70 quilómetros a sudeste de Seul, sendo que o modelo do aparelho coincidia com o que a Coreia do Norte alega ter abatido na mais recente denúncia.
Em entrevista a um canal local, o segundo suspeito disse que, desde Setembro do ano passado, realizou diversos voos sobre a Coreia do Norte e que o objectivo era medir os níveis de radiação e contaminação por metais pesados numa fábrica de urânio perto do rio Ryesong, em território norte-coreano.
A Coreia do Norte denunciou em 10 de Janeiro que drones sul-coreanos sobrevoaram o território em Setembro do ano passado e novamente em 04 de Janeiro deste ano.
O Governo do actual Presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, negou que os drones fossem aeronaves militares e iniciou uma investigação esta semana, sem descartar a possibilidade de envolvimento de civis.
A acusação norte-coreana foi uma surpresa, visto que Lee tinha declarado à agência de notícias EFE, em Dezembro, que Seul poderia ter de pedir desculpa a Pyongyang pelos supostos voos com drones durante a presidência de Yoon.

19 Jan 2026

Diplomacia |Relações “saudáveis e estáveis” serve interesses de China e Canadá

A visita do líder do governo canadiano à China marcou o regresso do entendimento saudável entre as duas nações após um período de tensões e divergências.
O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou sexta-feira que o desenvolvimento de relações “saudáveis e estáveis” com o Canadá serve os interesses de ambos os países, durante um encontro com o primeiro-ministro canadiano.
Xi reuniu-se em Pequim com Mark Carney, naquela que é a primeira visita de um chefe de Governo canadiano ao país em quase uma década e que visa normalizar as relações bilaterais, que atravessaram períodos de tensão nos últimos anos, devido a disputas diplomáticas e comerciais.
Durante o encontro, realizado no Grande Palácio do Povo, Xi afirmou que o “desenvolvimento saudável e estável” das relações entre a China e o Canadá “corresponde aos interesses comuns de ambos os países” e contribui para “a paz, estabilidade e prosperidade mundiais”, segundo a televisão estatal chinesa CCTV.
O líder chinês destacou que o contacto prévio entre ambos, em Outubro, à margem de uma cimeira na Coreia do Sul, deu início a uma nova fase de aproximação. Xi apelou à construção de “um novo tipo de parceria estratégica” capaz de colocar os laços entre Pequim e Otava numa trajectória “sustentável e duradoura”.
Carney agradeceu a recepção e manifestou a vontade do Canadá de trabalhar com a China “com base na boa cooperação passada”, para desenvolver uma relação estratégica adaptada ao actual contexto internacional e promotora de “estabilidade, segurança e prosperidade” para ambos os países e para a região do Pacífico.
Na véspera, o primeiro-ministro canadiano reuniu-se com o homólogo chinês, Li Qiang. Os dois abordaram temas como cooperação económica, energia e comércio, e testemunharam a assinatura de vários acordos nas áreas aduaneira e comercial.

Laços reforçados
Segundo a CCTV, Carney reiterou o interesse do Canadá em reforçar a cooperação nas cadeias de abastecimento e em sectores estratégicos, bem como o compromisso com o multilateralismo e o sistema de comércio internacional.
Li Qiang defendeu o alargamento da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura moderna, tecnologias digitais e indústria aeroespacial.
Também à margem da visita, o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, reuniu-se com a ministra canadiana dos Negócios Estrangeiros, Anita Anand, sublinhando a necessidade de eliminar interferências e fortalecer a confiança mútua para promover uma relação “estável, sólida e saudável”.
A visita de Carney é a primeira de um primeiro-ministro canadiano à China desde a deslocação de Justin Trudeau em 2017, e ocorre num contexto de crescente instabilidade no comércio internacional, com Otava a procurar diversificar as parcerias económicas.

19 Jan 2026

Natalidade | Igualdade e equilíbrio entre vida e trabalho essenciais

Uma académica da UPM considera que Macau deve legislar licenças parentais iguais, promovendo a igualdade de género e o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, que afirma serem factores essenciais para reverter a baixa da natalidade.
“O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal é um factor chave para impulsionar a taxa de fertilidade”, afirmou à Lusa Lok Cheng, académica da Universidade Politécnica de Macau (UPM) que estuda políticas públicas.
A investigação de Lok, que compara as políticas parentais de Macau com as de países como Alemanha, Suécia e Estados Unidos, apoia esta conclusão.
Macau registou a taxa de natalidade mais baixa do mundo em 2024 e o número mais reduzido de nascimentos em quase 50 anos em 2025, disse, no início do ano, o director substituto do hospital público de Macau, Tai Wa Hou, citado pelo canal em chinês da emissora pública TDM Macau. Este declínio persistiu apesar de um orçamento revisto aprovado no ano passado para reforçar apoios sociais, incluindo subsídios para pais com crianças até três anos, aumentos dos abonos de natalidade e subsídios de casamento.
Macau oferece actualmente 70 dias de licença de maternidade e apenas cinco dias de licença de paternidade para trabalhadores do sector privado (no público são 90 dias para as mães e cinco para os pais), lembrou a especialista: “Menos do que os 98 dias recomendados pela Organização Internacional do Trabalho”, referiu.
Esta disparidade, argumentou Lok, reforça a ideia de que as mulheres têm a principal responsabilidade pelos recém-nascidos, o que também tem impacto na carreira profissional. “Aceitámos tacitamente que as mulheres têm uma responsabilidade maior no cuidado dos recém-nascidos, e isso reflecte-se no local de trabalho”, continuou.

Olhar para fora
Em contraste, a especialista, que também é funcionária pública, aponta para políticas europeias. “A Suécia tem uma política parental bem estabelecida e registou um aumento na taxa de natalidade no início dos anos 2000”, disse. “Tanto a Alemanha como a Suécia proporcionam licenças de maternidade mais longas e estão a promover activamente a participação do pai”, reforçou.
Lok explicou que a Suécia oferece mais de 300 dias de licença parental partilhada, sendo 90 dias reservados exclusivamente para o pai.
“Macau actualmente não tem regulamentação relevante quanto ao pai”, observou a académica, sugerindo que a região poderia aprender com este modelo para implementar uma licença parental igualitária e “promover a igualdade de género no local de trabalho”.
Tal política, disse, ajudaria as famílias a partilhar o cuidado das crianças e “eliminaria o preconceito de género que coloca as mulheres como as principais cuidadoras”. “Este preconceito é prejudicial para o desenvolvimento profissional das mulheres”, avaliou.
De acordo com os últimos dados oficiais da Base de Dados das Mulheres de Macau, o salário médio mensal da população feminina em 2024 era de 16.800 patacas, inferior às 19.300 patacas auferidas pelos homens.
Lok explicou que muitas mulheres hesitam em ter filhos, receando o aumento dos deveres familiares e a estagnação das carreiras. Mas quando o cuidado das crianças é partilhado, “isso pode aumentar a vontade de ter filhos e reduzir os custos associados”.
Tal mudança também beneficiaria as mulheres profissionalmente, acrescentou. Se os deveres parentais forem distribuídos de forma mais igualitária, “as empresas estariam menos preocupadas com o género ao contratar mulheres em idade fértil, e as mulheres poderiam prosseguir carreiras em pé de igualdade”.
Lok reconheceu que pode ser um desafio para Macau adoptar um sistema como o da Suécia, mas é necessário “avançar gradualmente”. “O primeiro passo é aumentar a licença de maternidade para 98 dias, de acordo com o padrão internacional”, concluiu.

19 Jan 2026

One Oasis | Pedido adiamento de entrada em vigor de nova lei

O condomínio do complexo habitacional One Oasis vai entrar em contacto com a administração para tentar adiar a entrada em vigor da nova lei que proíbe a contratação de serviços de agências de turismo para transporte de moradores do edifício. A decisão foi tomada na sexta-feira, depois de uma reunião de condomínio que contou com a participação de mais de 120 pessoas, incluindo representantes das empresas de transportes públicos, e a solução visa ganhar tempo para implementar outras medidas.
A polémica com os serviços shuttle dos edifícios surgiu depois do Governo ter proposta uma lei, aprovada pela Assembleia Legislativa no ano passado, por unanimidade, que veio esclarecer o tipo de serviços que podem ser prestados pelas agências de turismo. Como consequência, o Executivo prometeu uma campanha contra estas agências quando disponibilizam o serviço de shuttle bus para prédios habitacionais. Num comunicado, a Direcção de Serviços de Turismo também indicou que a lei não vem mudar nada, e que a proibição já existia.
A mudança de lei apanhou muitos residentes desprevenidos. A reunião do condomínio de quinta-feira do One Oasis visou procurar uma solução para o problema. O caminho passa assim por contratar uma das únicas duas empresas que passam a poder disponibilizar o serviço. A Transmac cobra 420 patacas por cada viagem de autocarro, com um veículo com 22 lugares sentados e 38 de pé, uma média 7,1 patacas por pessoa. A TCM não apresentou um orçamento a tempo da reunião. No entanto, o condomínio considerou que precisa de mais tempo para aplicar o novo modelo, e procura obter um adiamento da entrada em vigor da nova lei por parte do Governo.

19 Jan 2026

Macau Legend | Governo cabo-verdiano toma posse de hotel-casino

O Governo cabo-verdiano anunciou na sexta-feira que tomou posse dos bens e edifício do hotel-casino que a operadora Macau Legend, que enfrenta dificuldades financeiras, começou a construir na capital, Praia, mas abandonou há anos.
A posse concretizou-se na sexta-feira, concluindo o processo de reversão relativo ao projecto que teve por base um memorando de entendimento assinado com o Estado, em 2014, para “investimento turístico-imobiliário, na Baía da Cidade da Praia, incluindo o Ilhéu de Santa Maria e a praia da Gamboa”, informou o Governo.
Em comunicado, o executivo reiterou que “fez tudo para assegurar a implementação do projecto”, mas os contratos “foram irremediavelmente incumpridos” por parte dos investidores.
Em 2015, o empresário macaense David Chow anunciava um investimento de 250 milhões de euros. Após revisões, a conclusão da primeira fase do projecto estava prevista para 2021. No final de 2023, o presidente da Macau Legend, Li Chu Kwan, disse que o grupo pretendia encerrar os projectos em Cabo Verde e Camboja.
Actualmente, existem apenas guardas nos portões do recinto, uma área de cerca de 160 mil metros quadrados, que inclui o ilhéu, parcialmente esventrado e, uma ponte asfaltada de poucos metros que o liga a um prédio de cerca de oito andares, vazio e vedado com taipais – que, entretanto, começaram a ser retirados.

19 Jan 2026

Jogo | Receitas VIP subiram 24,1% ao longo de 2025

As receitas vindas dos grandes apostadores, um segmento conhecido em Macau como jogo VIP, subiram 24,1 por cento em 2025, de acordo com dados oficiais divulgados na sexta-feira. O jogo bacará VIP atingiu receitas de 68 mil milhões de patacas no ano passado, revelou a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ).
Só no último trimestre, as receitas das grandes apostas aumentaram 45 por cento em comparação com o período entre Outubro e Dezembro de 2024, para 20,3 mil milhões de patacas.
No entanto, o jogo VIP em Macau continua longe dos picos históricos atingidos antes da pandemia da covid-19. Em 2019, o bacará para este segmento representava 46,2 por cento das receitas totais dos casinos. Mas em 2025 ficou-se por uma fatia de 27,5 por cento.
As grandes apostas foram afectadas pela detenção do líder da maior empresa angariadora de apostas VIP do mundo, em Novembro de 2021.
O antigo director executivo da Suncity Alvin Chau Cheok Wa foi condenado, em Janeiro de 2023, a 18 anos de prisão, num caso que fez cair de 85 para 18 o número de licenças de promotores de jogo emitidas em Macau.
De acordo com dados da DICJ, o número de licenças tem vindo a recuperar e atingiu a marca de 30 no final de Julho, número que se mantinha na mais recente actualização, em 15 de Dezembro. Ainda assim, permanece aquém do limite máximo fixado pelo Governo, que é de 50.

Número a aumentar
Também as receitas do jogo mais popular em Macau, o bacará no chamado mercado de massas, aumentaram 3,4 por cento em 2025, para 137,9 mil milhões de patacas.
O bacará de massas representou 57,7 por cento do total das receitas dos casinos no território no ano passado, sendo de longe o jogo de fortuna e azar mais procurado pelos apostadores chineses.
As receitas das máquinas de jogos aumentaram 7,3 por cento em comparação com 2024, para 13,9 mil milhões de patacas.
Em 2025, os casinos de Macau registaram receitas totais de 247,4 mil milhões de patacas, um aumento de 9,1 por cento.
O Governo de Macau tinha previsto, no orçamento inicial para 2025, receitas do jogo de 240 mil milhões de patacas, o que representaria um aumento de 6 por cento em comparação com o ano anterior.
Mas, em 11 de Junho, a Assembleia Legislativa aprovou um novo orçamento, proposto pelo Executivo, que reduziu em 4,56 mil milhões de patacas a previsão para as receitas públicas.
O secretário para a Economia e Finanças, Anton Tai Kin Ip, admitiu aos deputados que o corte se deveu ao facto de as receitas brutas do jogo no primeiro trimestre de 2025 terem “ficado ligeiramente abaixo do previsto”.

19 Jan 2026

Eleições | Portugueses em Macau pedem atenção a quem está longe

À porta do histórico edifício do Consulado-Geral de Portugal em Macau, portugueses que escolheram votar no sábado celebram o momento democrático e exigem “mais cuidado” com quem vive longe. Vários eleitores voltaram a sugerir a implementação do voto electrónico.
Foi uma campanha presidencial “algo confusa – como está o mundo neste momento -“, mas que Cristina Osswald fez questão de acompanhar. E neste dia de Inverno, mas de sol, em Macau, a portuguesa celebra a possibilidade de escolha. “Sempre que possível ia ouvindo entrevistas, debates e apresentações dos candidatos. Mas pareceu-me que, se calhar, há essa questão de uma dispersão de votos, que faz parte da democracia, não é? E sobretudo quando se vive num regime que não é democrático, claramente mais se aprecia a democracia”, diz à Lusa a docente da Universidade Politécnica de Macau depois de votar.
Mas o caminho que um eleitor de Macau percorre até ao momento do voto, sublinha Osswald, não é o ideal. A viver há seis anos fora de Portugal, a docente nota que os “procedimentos têm melhorado”, embora “continuem abaixo das expectativas”. “O mundo é cada vez mais global, não vejo razão para não haver voto electrónico”, considera a docente, que, antes de Macau, passou por Florença, onde para votar tinha de se deslocar a Milão. “Podemos ir ao banco [‘online’], às finanças, e não conseguirmos votar ‘online’ parece uma coisa que não faz muito sentido. Acho que seria por aí que deveria também haver um maior investimento. Por exemplo, aqui, pessoas com pouca mobilidade não podem vir votar”, declara.
Cristina Osswald olha para a escadaria que conduz ao consulado, onde nesse momento, idosos sobem os degraus com dificuldade – apesar de, nas traseiras do edifício, haver uma outra porta com acesso a elevador.
“É a democracia que perde. Em tempos que são complicados e são, diria, quase dramáticos, acho que era uma coisa extremamente simples poder votar-se ‘online'”, continua a professora, referindo ainda a “pouca informação” em Macau sobre os procedimentos que antecedem o acto eleitoral. “Conheço muita gente aqui em Macau, sobretudo pessoas mais idosas, que não vêm votar, porque não foi divulgado que tínhamos que nos inscrever antes”, nota.

Pretensão antiga
A escolha electrónica tem sido uma reivindicação de longa data do Conselho das Comunidades Portuguesas, órgão consultivo do Governo para as políticas relativas à emigração e às comunidades portuguesas no estrangeiro. Rui Marcelo, presidente do Conselho Regional das Comunidades Portuguesas da Ásia e Oceânia, disse à Lusa, no ano passado, que o tema “foi abordado várias vezes e com vários governos”.
Félix Teixeira, técnico de laboratório reformado a viver em Macau há 30 anos, defende que votar ‘online’ poderia servir sobretudo regiões onde “a deslocação está dificultada”. “Macau é pequeno, aqui tanto faz”.
E que expectativas tem das presidenciais? Para o antigo funcionário do Instituto para os Assuntos Municipais, a multiplicidade de caras nos boletins é bom prenúncio: “Ouvem-se mais vozes”, diz. E para os emigrantes, sublinha, estar hoje aqui é aproximar-se de casa: “Se não estiver em contacto directo com o país, está-se fora de todo o circuito, da política e da esfera social”, concretiza.

Sentir à distância
De acordo com o consulado, existem mais de 150 mil portadores de passaporte português entre os residentes de Macau e Hong Kong. No entanto, inscritos para votar, o número é quase três vezes inferior: 57.748, segundo dados cedidos à Lusa pela representação diplomática.
Do topo das escadarias do histórico edifício do consulado – antigo Hospital de São Rafael, fundado em 1569 – o casal de macaenses Francisco Xavier Leong e Alina da Luz pedem mais atenção a quem está no exterior. “Esperamos que o novo presidente tenha mais cuidado com os cidadãos estrangeiros, não só de Portugal”, refere Leong. “Votamos porque somos portugueses e, enquanto bons cidadãos, é nosso dever”, completa a mulher.
Para o casal, que vive ali perto, votar presencialmente é mais simples. Francisco Leong admite mesmo “mais dificuldade” com a opção electrónica. “Felizmente em Portugal sempre tivemos grande confiança nos resultados eleitorais. Há muitas pessoas que têm dúvidas relativamente ao voto electrónico, mas julgo que se for bem conduzido, é uma boa opção”, diz, por sua vez, José Paulo Esperança.
À Lusa, o professor de Finanças da Universidade Cidade de Macau assume que espera elevada participação no escrutínio, porque “há preocupações para a democracia portuguesa” e “candidatos preocupantes”. “Portugal – e o mundo – está com evoluções que me preocupam. Porque há cada vez mais subida da extrema direita e de fenómenos que são muito preocupantes”, afirma.
Nas presidenciais de 2021 votaram em Macau 1.479 pessoas, ou seja 2,1 por cento do total de inscritos (70.134). Marcelo Rebelo de Sousa venceu nesta região chinesa com 64,62 por cento dos votos, seguindo-se Ana Gomes (14,45 por cento) e André Ventura (8,03 por cento).

19 Jan 2026

Saúde | Reunião junta autoridades de Macau, Hong Kong e Interior da China

Na passada quinta-feira, a RAEM acolheu a 20.ª Reunião Conjunta das Cúpulas da Administração de Saúde do Interior da China, Hong Kong e Macau, onde se discutiu a formação de quadros qualificados, a saúde comunitária e o desenvolvimento dos cuidados de saúde inteligentes.
A reunião juntou mais de 70 altos quadros da administração de saúde e especialistas médicos dos três territórios também com os objectivos de “aprofundar o intercâmbio, a partilha de experiências e a discussão sobre o futuro rumo de cooperação”, indicaram na sexta-feira os Serviços de Saúde.
A secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, salientou que o Governo da RAEM irá dar implementar a estratégia de dar “prioridade à saúde” contemplada no “Décimo Quinto Plano Quinquenal Nacional” e executar o “Plano de Acção para Macau Saudável”, integrando os elementos de saúde física e mental nas políticas públicas. A dirigente salientou também o arranque do programa “Estação de Bem-estar e Saúde”, para aproveitar os recursos de saúde dos bairros comunitários.
Cumprindo a iniciativa nacional “Ano de gestão do peso”, O Lam afirmou que serão “aumentados os postos de auto-exame da saúde comunitária” e os residentes serão incentivados a “ser os ‘primeiros responsáveis’ pela sua própria saúde”.

19 Jan 2026

Tailândia | Novo colapso de guindaste faz dois mortos e um ferido

Duas pessoas morreram e uma ficou ferida após um guindaste ter caído sobre uma estrada, nos arredores da capital da Tailândia, um dia depois de um incidente semelhante que fez pelo menos 32 mortos.

“Duas pessoas morreram e uma ficou ferida”, disse o polícia Saranyapong Aonsingh à agência de notícias EFE, acrescentando que os agentes de segurança estavam no local do acidente, onde estava a ser construído um viaduto.

De acordo com relatos dos serviços de resgate e bombeiros tailandeses na rede social Facebook, o guindaste colapsou por volta das 09:15, por razões ainda desconhecidas, num estaleiro de construção na autoestrada Rama II, na província de Samut Sakhon, nos arredores de Banguecoque, atingindo dois automóveis.

Este acidente aconteceu um dia depois de um outro guindaste ter caído sobre um comboio de passageiros, com 171 pessoas a bordo, no nordeste da Tailândia, causando pelo menos 32 mortos e mais de 50 feridos.

Em ambos os casos, os projectos estavam ligados à empresa local Italian-Thai Development, de acordo com o ministro dos Transportes tailandês, Phiphat Ratchakitprakarn, numa entrevista concedida hoje a uma televisão.

“Não sabemos exactamente o que aconteceu à empresa (…). Se a situação se mantiver, poderemos ter de anunciar uma paragem temporária de todas as suas operações em todo o país”, acrescentou.

 

17 Jan 2026