André Namora Ai PortugalMudanças climáticas para inglês ver O planeta Terra está a ser alvo das mais graves mudanças climáticas jamais registadas. São tempestades inesperadas como aconteceu a semana passada em Portugal provocando a morte a cinco cidadãos, destruindo habitações, provocando a queda de árvores de grande porte e com muitos anos de existência, telhados inteiros voaram, coberturas de fábricas, armazéns e até do estádio de futebol de Leiria partiram-se e caíram nas vias públicas torres de iluminação e postes de electricidade, que destruíram imensas viaturas, destruição de hangares militares que danificaram aviões F-16, inundações nunca vistas em algumas localidades que deixaram animais abandonados, barragens que se construíram sem existir qualquer plano sobre o que poderá acontecer em prejuízo das populações, quando se efectuam descargas de água, bombeiros sem mãos a medir para acudir nos mais diversos locais, mais de 300 mil portugueses continuavam anteontem ainda sem luz e água, enfim, uma tragédia para a qual ficou provado que as estruturas governamentais não estavam preparadas e nem sequer realizaram um planeamento adequado para acudir às populações em perigo, depois de já terem sucedido situações semelhantes com menos gravidade. E por quê? Simplesmente porque alguns povos e governos, incluindo o português, ainda não se convenceram que tinham de andar dez anos à frente no que respeita à prevenção e à defesa do meio ambiente. Sabemos todos que o culpado disto tudo é o CO2. Certo, mas a emissão de CO2 acontece porque os humanos nada fazem para evitar que o CO2 acelere o aquecimento global, acidifique os oceanos e provoque eventos climáticos extremos, como tornados, furacões e ciclones. O dióxido de carbono retém calor, provocando o derretimento de calotas polares, contribui para aa elevação do nível do mar e riscos para a nossa saúde e para a segurança alimentar. O aumento do CO2 intensifica o efeito de estufa, causando aumento de temperatura da superfície terrestre. Isto, gera fenómenos meteorológicos extremos como secas, ondas de calor e inundações. Inundações que foram trágicas na semana passada em Portugal, com escolas encerradas, lojas completamente cheias de água, moradores impedidos de sair de casa, carros submersos às dezenas e rios com a água a subir a níveis nunca vistos, em alguns casos devido ao que atrás referimos inerente à descarga de barragens. A maioria das gentes não faz a mínima ideia da gravidade que se está a passar nos oceanos, por exemplo, e que tem consequências gravosas na nossa vida. A absorção de CO2 pelos oceanos forma ácido carbónico, reduzindo o pH da água, prejudicando a vida marítima, especialmente organismos que dependem de carbonato de cálcio (como corais e moluscos) e ameaça a pesca. Mas, quem é que se preocupa com o facto horrível de quem enfia as beatas dos cigarros nas areias das praias que depois vão para o mar e que os filtros podem demorar 100 anos a desfazerem-se? Quem é que se importa de ver milhões de beatas pelas ruas das cidades? A tempestade Kristin que atingiu Portugal está ligada às mudanças climáticas que temos referido, no entanto, o povinho continua de boca aberta de admiração indagando porque é isto possível? É uma realidade porque nunca ninguém lhes disse que estes novos fenómenos estão associados à falta constante de defender o meio ambiente. Nunca lhes disseram que o aquecimento global causa o derretimento dos gelos polares, resultando na subida do nível do mar com a consequente ameaça das zonas costeiras e em muitas dessas zonas existe agricultura. Tudo está ligado. Com uma agricultura sem qualidade o impacto na saúde humana é imenso, provocando doenças cardiovasculares, respiratórias, asma e bronquite, segundo um médico amigo nos transmitiu. Todos temos de olhar para o futuro, especialmente os jovens, e algo tem de mudar radicalmente no comportamento quotidiano dos humanos, sejam fumadores, proprietários de fábricas de produtos tóxicos ou engenheiros que planeiam a construção de uma barragem. A defesa do meio ambiente não é uma balela, mas para muitos, parece. Com a agravante de já estar anunciado para esta semana a vinda de mais duas tempestades a atingir Portugal Alguns, chegam mesmo a dizer “que se lixe, vou morrer dentro de pouco tempo, os que ficam cá que aguentem!”. Está errado. É um pensamento egocêntrico e de um egoísmo atroz em prejuízo da humanidade. Pensemos no que sucedeu a semana passada em Portugal e tentemos mudar o nosso comportamento diário em defesa do meio ambiente, o que significa em nossa defesa, dos filhos e dos netos.
André Namora Ai Portugal VozesHá campeão no final da segunda volta Não, não vou escrever sobre o que irá acontecer no final da segunda volta do nosso campeonato nacional de futebol. Nesse campo, teríamos muito para explanar, já que o Futebol Clube do Porto, o Sporting e o Benfica, mais uma vez, são os três clubes que, de entre eles, um festejará no Marquês de Pombal ou nos Aliados. Está a ser uma segunda volta muito disputada, com um F C Porto fortíssimo e bem treinado, com um Sporting ainda com esperança de conquistar o tri, apesar das inúmeras baixas e de um bom treinador ter andado a cozinhar omeletas sem ovos e um Benfica com um treinador mundialmente famoso com jogadores que custaram milhões e que não dão uma para a caixa. No final da segunda volta tudo se irá saber se os festejos serão com milhares de cachecóis azuis, verdes ou vermelhos. Uma outra segunda volta está a decorrer. Ui, que segunda volta e que “campeonato” disputado a duas mãos: António José Seguro e André Ventura. Foram os dois candidatos a Presidente da República que receberam do povo mais votos. E agora, terá de se realizar uma segunda volta de eleições presidenciais a fim de um dos candidatos ser eleito por maioria absoluta. A Irlanda e a Islândia resolvem logo a eleição à primeira volta, com uma maioria simples. Não estão virados para, passado uns dias, voltarem ao “trabalho” de se deslocarem às urnas. Seguro e Ventura, de qualquer modo, surpreenderam muita gente. No início da campanha ouvimos várias pessoas a dizer que nem um nem outro teriam qualquer hipótese de ficarem nos dois primeiros lugares. Uma parte do país estava convencida que Gouveia e Melo iria à segunda volta pelo bom desempenho que teve durante a pandemia Covid19. Mas não, o povo não esteve virado para colocar um militar na Presidência da República. Outra parte do país, especialmente no Norte, dava Marques Mendes como indiscutível candidato presente na segunda volta. Tinha tido o apoio na campanha de Luís Montenegro e tudo indicava que a AD, Montenegro e o Governo não viessem a ter uma derrota estrondosa. Ainda tivemos outra surpresa: Cotrim Figueiredo partiu quase dos oito por cento da Iniciativa Liberal, foi conquistando apoios através de uma boa máquina nas redes sociais e chegou a estar em empate técnico com os candidatos Seguro e Ventura. No entanto, Cotrim nunca esperou que na última semana de campanha viesse uma senhora assessora no Governo, acusá-lo de assédio sexual. Pronto, a bronca estava nas bocas do mundo e o culpado ou inocente Cotrim veria a sua prestação desmoronar para o precipício e, no final, ficar muito longe de uma eventual segunda volta. António José Seguro, que iniciou esta caminhada presidencial sozinho, a mostrar-se um homem moderado, com mais experiência e com um contacto directo com a juventude ao exercer o professorado universitário durante praticamente 10 anos, viu que as suas hipóteses de ir a uma segunda volta aumentavam de semana a semana, especialmente depois de os “tubarões” do Partido Socialista manifestarem o apoio à sua candidatura. De tal forma, que venceu as eleições com uma vantagem indiscutível. A maioria dos portugueses diz que Seguro será o campeão nesta segunda volta. Aconselhamos essa maioria a ter muita calma, e lembrar-se do que aconteceu com Fernando Medina na edilidade lisboeta – “Ah, está ganho, nem vale a pena ir votar!” – e pensar que o adversário se chama André Ventura, o astuto, inteligente, rude, racista e xenófobo político que apregoa aos quatro ventos que tudo tem de mudar, que o país tem sido governado por uma cambada de corruptos, que os imigrantes têm de voltar para a sua terra, que os apoios sociais devem ir primeiramente para os portugueses, que os salários e as pensões não podem ser miseráveis, em resumo, pega no megafone e grita tudo aquilo que os descontentes, os neofascistas ou os antigos milhares de bufos da PIDE, gostam de ouvir. E ainda existe uma particularidade incompreensível de termos os nossos emigrantes, que escutam o discurso de que os imigrantes devem voltar para a sua terra e que não pensam duas vezes se ouvissem o mesmo discurso nos países onde trabalham como a França, Suíça, Alemanha, EUA ou Austrália, e que mesmo assim, decidem votar em Ventura. Atenção, aos apoiantes de Seguro. Nada está ganho, e por um voto se ganha e por um voto se perde. Se os apoiantes de Seguro pensarem que o campeão desta segunda volta está encontrado, podem vir a ter um grande dissabor se não forem em massa votar, e não só. Todos os democratas ficariam de rastos ao ver pela primeira vez, em mais de 50 anos de democracia, um neonazi no Palácio de Belém.
André Namora Ai PortugalEste país não é para grávidas As jovens em Portugal vivem num dilema. As que estudam e acabam um curso superior. As que trabalham nas mais diversas profissões, nomeadamente na limpeza das ruas das cidades, como cuidadoras informais, empregadas de restaurantes, em fábricas, coordenadoras de plataformas digitais, enfermeiras, advogadas, motoristas da Uber, funcionárias de lojas, médicas, arquitectas e tantas, tantas profissões que podemos imaginar. E o dilema é o seu futuro. Ao terminarem um curso ou começar a trabalhar, grande número de jovens com 25, 30 e até 35 anos continuam a viver nas casas dos pais porque o rendimento mensal não lhes é suficiente para comprar ou arrendar uma casa. Outras, ao conseguirem a sua independência e ao comprometerem-se com um namoro ou casamento, depois deparam-se com a realidade. O sonho de ter filhos. O facto de engravidar e ter um filho parece, à primeira vista, algo de normal. Mas não é. Nos dias de hoje em Portugal sabemos que a natalidade tem diminuído muito e que o país já possui um número maior de velhos do que jovens. Quanto à natalidade, vários factores contribuem para que as jovens e até já mulheres com 40 anos, mesmo as comprometidas com um companheiro ou marido, deparam-se com casas cada vez mais caras, com um salário que não lhes permite sequer arrendar uma casa, se concretamente viverem em Lisboa, Porto, Coimbra ou Évora. As jovens começam a fazer contas à vida e pensam logo como é que será possível engravidar se continuam nas casas dos pais, algumas com o companheiro, então, como é possível arrendar uma casa para poder ter um filho se o salário mínimo nacional é um dos mais baixos da Europa, como é que podem comprar uma casa a prestações se nem os pais se disponibilizam para ser fiadores, como é que vão engravidar se depois passam meses em consultas hospitalares com uma espera de horas e horas e faltando ao trabalho, como é que podem engravidar se começam em pânico ao ouvir as notícias de que uma grávida teve o parto em casa sem apoio médico, numa ambulância, no carro particular do marido ou mesmo no chão da rua, como é que podem pensar em ter filhos se essas mesmas notícias que ouvem transmitem a sensação de dor e amargura porque ficam a saber que a maioria das urgências de Pediatria e Ginecologia – Obstetricia encontram-se encerradas e que as grávidas chegam a ser transportadas de ambulância numa distância de 200 e 300 quilómetros andando de hospital em hospital para encontrar uma urgência aberta. Alguns dirão que o Governo melhorou o serviço de atendimento do INEM e que as grávidas podem saber qual a urgência que está disponível. Pois, disponível a mais de 100 quilómetros. E não falemos em INEM. Se formos por aí, nem existem ambulâncias e respectivas macas que cheguem para socorrer a população. Ainda recentemente assistimos à morte de três portugueses por falta de socorro do INEM. De tal forma, o facto foi de extrema gravidade que os bombeiros voluntários decidiram colocar as suas ambulâncias ao dispor do INEM. Uma medida a merecer os melhores encómios a este acordo entre os bombeiros e o INEM, que salvou de imediato a vida de vários pacientes. Mas, claro, tinha de aparecer o “demónio”. Acto contínuo, uma Protecção Civil, que tem servido para disponibilizar “tachos” aos amigos dos governantes, veio logo a público deixar-nos de boca aberta. A Protecção Civil teve o desplante de manter uma posição contrária ao acordo entre os bombeiros voluntários e o INEM. Obviamente que os bombeiros mandaram a Protecção Civil cavar batatas e dar uma volta até às Berlengas… Num panorama assim, como é que uma jovem pode pensar em engravidar sem receio, sem pânico, sem ansiedade? Não pode e, assim, chegamos ao ponto fulcral: a natalidade em Portugal tem de diminuir e cada vez mais se regista um número menor de mulheres grávidas. Conclusão: este país não é para grávidas.
André Namora Ai Portugal VozesPresidenciais a quanto obrigas Há mais de 50 anos o 25 de Abril concedeu-nos a felicidade de termos liberdade e eleições livres. Mais uma vez, estamos perante a vontade do povo em escolher um novo Presidente da República. As eleições presidenciais, a realizar no próximo dia 18, terão mais candidatos quase que as mães. São 11 candidatos, mas incompetente e absurdamente os boletins de voto irão patentear mais três candidatos que foram rejeitados pelo Tribunal Constitucional (Joana Beatriz Amaral Dias, Luís Ricardo Sousa e José António Cardoso). O eleitor terá de ter muita atenção ao não votar num candidato que não está em eleição. Os candidatos são, por ordem do boletim: André Pestana, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, Catarina Martins, João Cotrim de Figueiredo, Humberto Correia, António José Seguro, Luís Marques Mendes, André Ventura, António Filipe e Henrique Gouveia e Melo. Este conjunto de candidatos participaram nos mais díspares e desinteressantes debates televisivos. Alguns dos debates mais pareceram discussões para eleições legislativas, quando os poderes de um Presidente da República são absolutamente diferentes e ínfimos relativamente aos temas que os candidatos debateram. Assistiu-se a debates de lavagem de roupa suja e de insultos. No último debate até o povinho ficou atónito ao ver e ouvir a discussão entre Gouveia e Melo e Marques Mendes, dois candidatos suspeitos de intermediação de interesses (Marques Mendes) e de ajustes directos (Gouveia e Melo. Foi, na verdade, um espectáculo triste que em nada beneficiou os próprios candidatos e a dignidade que deve ser obrigada ao comportamento de um futuro chefe de Estado. Ai, presidenciais a quanto obrigas. Agora, os candidatos andam a gastar os últimos cartuxos pelo país fora. E vale tudo. Beijinhos, abraços, mercados, ofertas de brindes e visitas a feiras na caça ao voto mesmo que seja em zonas que lhes são hostis. Como tem sido o caso do candidato André Ventura, que por onde passa e existam comunidades ciganas, apenas ouve insulto, alguns bem merecidos porque este candidato tem levado a efeito uma política de agressividade a todos os ciganos, os quais vivem em Portugal há muito mais tempo do que a idade de Ventura. A campanha de rua não tem tido grande sucesso. Umas dezenas de pessoas a aderir às marchas propagandistas pelas urbes. Alguns candidatos, como Marques Mendes, têm realizado comícios à porta fechada arrebanhando os militantes do partido a que pertencem. No caso concreto de Marques Mendes tivemos algo que caiu muito mal no seio do próprio PSD. O facto de Luís Montenegro ter ido a um desses comícios apelar ao voto em Marques Mendes. Ficou-lhe muito mal, porque esqueceu-se que a sua posição de primeiro-ministro devia levá-lo a uma contenção partidária em tempo de campanha eleitoral generalizada. Enfim, em campanha eleitoral vale mesmo tudo e os candidatos não perdem oportunidades para denegrirem os seus adversários sempre com linguagem imprópria para consumo. A grande surpresa da campanha eleitoral tem recaído nos candidatos Cotrim de Figueiredo, António José Seguro e Catarina Martins. Estes, têm apresentado uma linguagem de estadistas, de seriedade e de confiança no futuro em benefício da vida dos portugueses, manifestando sempre que se forem eleitos que a cooperação com o Executivo será uma realidade, mas de criticismo e de apresentação de propostas para uma melhor governação. Não foi por acaso que se assistiu à subida nas sondagens destes três candidatos. Muitos democratas de esquerda indicam nas redes sociais que se António Filipe, Jorge Pinto e Catarina Martins desistissem a favor de Seguro, que a vitória do socialista seria garantida. No entanto, é preciso lembrar que se um cidadão resolveu candidatar-se ao cargo de chefe da Nação, foi porque entendeu que, assim, a sua consciência o decidira e não tem nada que desistir, mas sim, continuar até ao dia 17 deste mês a manifestar as suas convicções e propostas. Estas eleições presidenciais apresentam um quadro previsível de empate técnico entre Seguro, Ventura, Melo, Figueiredo e Mendes. Tudo indica que haverá uma segunda volta de eleições em Fevereiro com o resultado dos dois primeiros a recair entre os cinco candidatos mencionados. No entanto, em cerca de 100 telefonemas e mensagens que enviámos a pessoas do nosso conhecimento, o resultado deu-nos em primeiro lugar Gouveia e Melo e António José Seguro em segundo. Assim, seriam estes dois candidatos que iriam disputar a segunda volta. O importante é que Portugal continua em regime democrático e que estamos perante mais um acto eleitoral em liberdade, quando se têm ouvido vozes que promovem um regresso ao neofascismo. Daqui a uma semana já saberemos quem foi o vencedor das eleições e quem, em princípio, irá disputar a segunda volta. Votem bem!
André Namora Ai Portugal VozesUm 2026 melhor para Portugal Antes de mais quero desejar a todos os leitores deste jornal excelente e a quantos o produzem um novo ano de 2026 repleto de prosperidade e sucesso. Temos de entender que nada se consegue de um momento para o outro, mas o Governo português tem mais de 350 dias para fazer com que os portugueses passem a ter uma qualidade de vida melhor. A mensagem de ano novo do primeiro-ministro, Luís Montenegro, deixou a ideia que os cidadãos (e não “cidadões” como pronunciou o chefe do Executivo) entenderam as suas palavras como promessas vãs e inacreditáveis quando, ao dirigir uma mensagem de Ano Novo ao povo em geral, aproveitou para fazer propaganda a um candidato presidencial. Logo no início de Janeiro, os reformados são contemplados com um aumento inadmissível. Um reformado que receba 300 euros por mês, terá um aumento de pouco mais de cinco euros. Que aumento é este? Dá para comprar uma sandes e um café. Não é isto que os portugueses esperam de quem os governa. Gastam-se milhares de milhões de euros em excentricidades com a capa de progresso e desenvolvimento. No entanto, a habitação continua um caos relativamente aos jovens e aos pobres. Nunca mais se decide um programa envolvente de dimensão global que construa casas de arrendamento ou compra a preços acessíveis para os que vivem ao nível da pobreza. E são milhões de nossos compatriotas. Na educação temos crianças sem creches. Esperemos que em 2026 este problema seja solucionado e que se termine com as decisões que anulam no programa de ensino as disciplinas que falem de educação sexual. Nos transportes o povo português espera que os passes, ditos sociais, possam baixar de preço e que tenhamos um Metropolitano em Lisboa que não esteja sempre com os elevadores para deficientes, invisuais e idosos avariados e em muitas estações sem escadas rolantes impedindo obviamente o uso deste transporte importante. Será que em 2026 a Justiça irá mudar a sua estrutura a fim de terminar com uma justiça para ricos e outra para pobres? Mais de 100 mil pobres esperam que em 2026 o Governo volte a repor o subsídio de renda miserável de 200 euros mensais que suspendeu a esses beneficiários para usar os respectivos milhões de euros cativados para esse fim, em outras acções onde existia falta de tesouraria. Esperemos que o novo ano sirva para deixar de tratar os imigrantes de quem Portugal tão necessita para fazer frente ao trabalho na agricultura, nos hotéis, restaurantes, hospitais e no apoio domiciliário, especialmente aos idosos com doenças incuráveis. Em 2026, Portugal tem de mudar radicalmente o estado da Saúde. As urgências hospitalares não podem continuar encerradas ou com os doentes a aguardar 17 horas por uma consulta. As mulheres grávidas não podem continuar em pânico sem saberem onde irão ter os filhos ou os partos acontecerem em ambulâncias, carros particulares e mesmo na rua. Os médicos e outro pessoal clínico têm de passar a ser muito melhor remunerados. Os impostos que recaem sobre estes profissionais são escandalosos: um médico que trabalha de manhã à noite e que recebe 3.200 euros por mês leva para casa apenas 1.400 euros. A diferença vai-se em impostos que indignam qualquer profissional. E depois, não nos podemos admirar que os médicos e enfermeiros decidam emigrar ou mudarem-se para os hospitais privados. O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é um dos melhores bens que foi concedido ao povo português e não podemos imaginar que os governantes estejam a planear um programa para privatizar totalmente a Saúde. Seria um crime, do mesmo tipo que Trump tem levado a efeito nos Estados Unidos da América. Os funcionários públicos têm de reflectir neste novo ano que são os contribuintes que lhes pagam os salários e têm de mudar o paradigma de atender o público rude e insolentemente nos balcões dos serviços públicos a nem sequer atenderem os telefonemas dos contribuintes. O problema social tem de melhorar substancialmente e não podemos continuar a constatar que Montenegro tem-se aliado a neonazis para tomar posições como a tentativa de mudar as regras da nacionalidade ou mesmo a própria Constituição. Os autarcas eleitos pelas populações de cada localidade têm de se compenetrar que o seu lema é servir o povo e não pensar quanto ganharão de comissão num ajuste directo a um empresário da construção civil ou de outros empreendimentos. Existem milhares de casas abandonadas ou encerradas. Esta situação não pode continuar. A classe média está a empobrecer devido ao aumento do custo de vida e necessita urgentemente de uma habitação digna e de preço acessível. Os autarcas têm de executar um censo habitacional e obrigar a que os proprietários de imóveis encerrados os coloquem no mercado de arrendamento ou de venda. Não festejamos a entrada de um ano novo apenas para ouvirmos desejos e promessas através de mensagens dos mandantes da governação. Queremos acção. Acção rápida, eficiente, séria e produtiva em benefício de um povo que continua na cauda dos países europeus. Aos amigos leitores que vivem em Macau deixo-vos um conselho: amealhem o maior pecúlio possível para no caso de regressarem a Portugal, poderem adquirir uma casa. Será um bem ultra necessário em face da situação que a maioria dos portugueses vai sobrevivendo. Esperemos que 2026 possa oferecer um Portugal melhor.
André Namora Ai Portugal VozesP’rá Ucrânia é que é bom Não discuto o passado nem a personalidade de Vladimir Putin. Não discuto a política expansionista da Rússia. Discuto sobre a política de Portugal e da União Europeia. Em Portugal existem cerca de quatro milhões de cidadãos que vivem no limite da pobreza. Existem milhares de portugueses com reformas de miséria. Existem idosos a viver sozinhos sem qualquer apoio médico ou social. Existem lares que são caixotes de lixo humano. Não existem creches públicas suficientes para as crianças portuguesas. Existem centenas de bairros da lata. Existem sem-abrigo às centenas com frio e fome por todas as cidades. Existem prédios da propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, com mais de cinco andares, completamente abandonados e em ruínas num país onde não existe habitação social para jovens, idosos, deficientes e famílias que sobrevivem tendo de optar na compra de alimentos ou de medicamentos. Existem jovens que aos 40 anos de idade ainda vivem nas casas dos pais por não conseguirem arrendar ou comprar uma casa, muito menos viver em união de facto com uma companheira e terem filhos. Existe um Ministério da Defesa que anuncia a futura compra de material bélico e aeronaves no valor de milhares de milhões de euros quando os hospitais públicos apresentam as urgências encerradas e as futuras mães a terem o parto em casa, em ambulâncias, nos carros particulares ou na rua. Existem invisuais e deficientes que não podem frequentar certas estações do Metropolitano de Lisboa por não existirem elevadores ou escadas rolantes. Existem estabelecimentos prisionais onde os reclusos são contemplados com um tipo de alimentação que até os cães rejeitam. Existem estudantes que acabam o ensino secundário e vão trabalhar para um restaurante ou para a construção civil porque os pais não têm dinheiro para o pagamento de propinas e material universitário. Existem mendigos a pedir dinheiro diariamente em todas as cidades do país. Existem mais de 100 mil pobres a quem lhes foi suspenso um subsídio de renda mensal e miserável de 200 euros. Existem pobres a roubar um chocolate ou um pão num supermercado e são levados logo para uma esquadra policial. Não existem institutos seguros que recolham mulheres vítimas de violência doméstica. Existem partidos políticos que advogam a expulsão de Portugal de imigrantes que trabalham e descontam para a Segurança Social. Existe um aumento anual aos reformados de três a cinco euros. A política em Portugal, inegavelmente, despreza os pobres, com o argumento de que o Orçamento do Estado não dá para mais. E, afinal, o que se constata? Que o Governo português tem enviado milhares de milhões de euros para a Ucrânia. Para um país, cujo Parlamento tem uma maioria de neonazis. Um país que tem ministros e chefe de Gabinete presidencial corruptos ao mais alto nível. Um país onde o presidente Zelensky tem demitido ministros atrás de ministros pelo desvio de verbas milionárias oriundas da União Europeia e obviamente de Portugal. Um país onde o povo está dividido entre eleições gerais, mesmo em tempo de guerra. Um país que ainda há seis anos “exportava” para Portugal uma das maiores máfias que se dedicava ao tráfico humano, assaltos graves a carrinhas de valores, ao controlo de prostituição de mulheres ucranianas disfarçadas de empregadas domésticas, venda de drogas e lavagem de dinheiro. Portugal continua a enviar milhões de euros para a Ucrânia, quando o seu povo vive em cenários de pobreza e de miséria. Não é admissível uma política deste género, onde o povo já tem medo de se manifestar contra as decisões relacionadas com o apoio pecuniário à Ucrânia, porque podem correr o risco de serem acusadas de apoiantes do comunista Putin. Não é aceitável que a política de interesses norte-americana, comandada pelo seu presidente Donald Trump, que suporta as mais diversas organizações neonazis, incluindo as ucranianas, leve Portugal a enviar milhões de euros, sabe-se lá com que destino, e mantendo na miséria milhares dos seus filhos. É urgente e minimamente razoável que o governo português cesse de imediato o envio de milhões de euros e material bélico ou aeronaves para a Ucrânia, quando esse dinheiro faz tanta falta aos pobres residentes no país à beira mar plantado. A solidariedade humana não é isto. O povo ucraniano nada tem beneficiado com os milhões de Portugal e dos outros países da Europa. Chegámos ao ponto de ser enviado material bélico para a Ucrânia e muitos responsáveis do governo ucraniano venderem esse mesmo material para o Afeganistão e outros países que tal. Os leitores devem marcar uma posição, dentro das possibilidades de cada um, de sensibilizar as autoridades portuguesas que a situação aqui descrita não pode continuar. A bem da Nação.
André Namora Ai Portugal VozesGreve geral e surreal Um casal membro de um sindicato pertencente à CGTP-Intersindical encontrava-se num dilema no passado dia 11, dia de greve geral, antes de sair de casa. O problema era desejar ir à manifestação organizada para protestar contra a absurda proposta do Governo Montenegro sobre uma eventual nova Lei Laboral, uma greve geral que há muitos anos não juntava a UGT e a CGTP. O dilema prendia-se precisamente com a greve geral. O casal, residente na Amadora, não tinha qualquer transporte para se deslocar para o centro de Lisboa. O seu melhor vizinho também tinha decidido não ir à manifestação porque o Metropolitano estava em greve total. Milhares de trabalhadores ficaram impedidos de ir à manifestação por falta de transporte. O surrealismo estava à vista. Vontade de protestar, sim. Como, impossível. Mais surreal foi o facto de os motoristas de dezenas de autocarros que as centrais sindicais alugaram para transportar manifestantes, terem de trabalhar num dia de greve geral, Portugal político está mesmo dividido ao meio. De um lado, os conservadores e neofascistas. Do outro, a esquerda democrática e radical. Uma divisão triste para quem deseja um país melhor e uma redução no número de portugueses a viver no limite da pobreza. As centrais sindicais anunciaram que a greve geral foi estrondosa, a melhor de sempre e com uma adesão invulgar a rondar os 80 por cento. A greve paralisou transportes aéreos, ferroviários, rodoviários, marítimos e fluviais, além de escolas, creches, hospitais, centros de saúde, lares para idosos, centros de dia, tribunais, universidades e museus. O Governo Montenegro veio, com ar de desprezo e arrogância pela realização da greve geral, dizer que a adesão foi diminuta e que não teria passado dos cinco por cento. E a sua demagogia imperou quando “ordenou” aos canais de televisão que controla, que mostrassem bem que na Autoeuropa estavam imensos trabalhadores a não aderir à greve geral. O costume dos números. Para uns, excelente. Para outros, um fiasco. A verdade é que a greve geral mexeu com milhares de portugueses, de uma forma ou outra. O mais importante nem era a greve geral. O que está em causa é o protesto generalizado, incluindo por parte de alguns antigos dirigentes do PSD e do CDS, contra o conteúdo absurdo e prejudicial da proposta governamental para uma nova Lei Laboral. A preocupação que mais tem crescido nos inquéritos às empresas é a falta de trabalhadores, muitas áreas de actividade enfrentam sérias dificuldades com a falta de pessoal qualificado e as limitações ao recrutamento de mão-de-obra estrangeira a pôr em risco os objectivos do PRR. Num contexto de escassez de mão-de-obra os salários reais têm crescido nos últimos anos acima da inflação, com destaque para a área da construção, com valorizações acima de oito por cento. Face a este cenário o que resolveu o Governo na sua fúria ideológica? Abrir um incompreensível conflito social em torno das leis laborais, já profundamente revistas várias vezes este século. Nada se tem percebido sobre a abertura negocial do Governo relativamente aos temas principais da sua proposta. Obviamente que ao fim de quatro meses de orelhas moucas do Governo, tinha de ser organizada uma greve geral. Retrocesso no pacifismo laboral é o Governo pretender a possibilidade de despedimento sem processo nem justa causa nas empresas até 50 trabalhadores, com a dispensa de reintegração caso o despedimento seja considerado ilegal pelo tribunal, a possibilidade de contratar em outsourcing no dia seguinte ao despedimento colectivo, com banco de horas individual, com contrato a prazo para toda a vida, com a possibilidade de reclassificação profissional com a redução de salário, com obrigatoriedade dos pais das crianças trabalharem ao fim-de-semana ou com a descriminalização do trabalho não declarado e pago por baixo da mesa. Estas são algumas das “inovadoras” propostas do Governo, que em nenhuma altura aceitou retroceder, mas que em nada contribuem para a competitividade, a modernização digital e a qualificação dos trabalhadores. Depois de meses de hipocrisia do diálogo e de inocentes lamentos acerca de uma greve “inoportuna”, Montenegro veio misturar a ameaça sobre o cumprimento dos serviços mínimos, e o terrível impacto económico da greve geral. Simplesmente balelas com uma vaga de demagogia de promessas sobre salários que nem lembrariam aos sindicatos como pedidos ao Pai Natal… Até Bagão Félix e Silva Peneda vieram já reconhecer a inoportunidade e natureza desequilibrada da reforma da legislação laboral. E estas personalidades não são sindicalistas, nem socialistas e muito menos frequentaram manifestações de protesto ou participaram em greves. O mais surreal disto tudo, é que o Governo irá esperar que depois de se ter esquecido a greve geral e passado o Natal possa impor a máquina trituradora que levará os trabalhadores portugueses a perderem direitos como nunca sonharam. Só falta que a aliança PSD/Chega anuncie que o regime democrático também será alvo de uma reformulação laboral…
André Namora Ai Portugal VozesAonde? Em Espanha O abuso sexual de menores é assustador. A Polícia Judiciária tem apanhado cada vez mais predadores pedófilos que, especialmente através das redes sociais, conseguem convencer menores a trocar fotografias despidos. Fazem-se passar por adolescentes da mesma idade, prometem tudo e chegam ao ponto de marcar encontros, alguns em casa dos predadores, onde violam os menores, sejam do sexo feminino seja do masculino. Muitos casos acontecem no seio familiar. Alguns comentadores já apoiaram a ideia da castração química. Nada mais irrealista porque a doença ou o vício é de tal ordem que se isso se viesse a verificar, os predadores abusariam na mesma com os dedos das mãos. Um homem que abusou sexualmente de várias jovens menores, todas amigas dos seus filhos, foi condenado a uma pena de 26 anos de prisão. O homem durante os contactos tinha prometido presentes e a experiência de drogas. Os crimes aconteceram entre o final de 2021 e Outubro de 2023. O arguido foi acusado pelos crimes contra liberdade sexual e contra a saúde pública. O caso foi denunciado depois de o pai de uma das vítimas o ter denunciado às autoridades, após a filha ter sido internada várias vezes pelo consumo de droga. Depois disso, o caso passou para as mãos da Unidade de Apoio à Mulher. Segundo se viria a provar o homem interpelava as amigas de escola dos filhos quando estas iam a sua casa., oferecendo-lhes dinheiro, estupefacientes e presentes, em troca de favores sexuais. Perante os factos, o homem negou todas as acusações, afirmando que apenas lhes dava boleia. A polícia acedeu ao telemóvel do suspeito onde viria a encontrar as provas de mensagens trocadas entre o suspeito e as vítimas. Nas galerias do telefone encontrou fotos e vídeos íntimos das raparigas. O procurador do caso pediu que fossem aplicadas as medidas de liberdade condicional que variavam entre cinco e dez anos, e penas de inabilitação para o exercício da autoridade parental durante cinco anos, bem como para o exercício de qualquer profissão ou ofício que implicasse contacto directo e regular com menores por um período de até vinte anos. No entanto, o tribunal em julgamento, analisou todos os factos em pormenor e deliberou que os acontecimentos ocorridos com as várias menores eram de uma gravidade extrema e sentenciou o arguido a 26 anos de prisão. Mas, afinal, aonde ocorreu o descrito? Em Espanha… É verdade, em Espanha, para nossa infelicidade, já que temos assistido em Portugal a decisões judiciais absurdas em que os abusadores sexuais de menores saem do tribunal apenas com a pena de “liberdade e residência”. Têm existido casos, em que juízas não perdoam os predadores e sentenciam-nos a alguns anos de prisão. Casos muito escassos. Ora, aqui está uma matéria que merece ser atendida numa futura reforma da Justiça portuguesa. Este tipo de gente que abusa sexualmente de menores, incluindo pais ou padrastos, não merece perdão algum. Este tipo de criminosos tem de ser severamente punido. Uma psicóloga com quem contactámos afirmou que “estamos perante casos de traumatismo mental nos menores que ficam para toda a vida”, acrescentando que “os abusadores sexuais de menores não podem continuar em liberdade e sabe por quê? Dou-lhe um exemplo: um abusador é proibido de se aproximar de menores pelo tribunal, mas se entra no elevador do seu prédio ao mesmo tempo que um menor, o mais certo é dar-se de imediato a tentativa do abuso”. Os casos em Portugal de abuso sexual de menores têm tido os mais diferentes cenários. Alguns, por culpa dos próprios pais, que autorizam os filhos menores a sair à tarde ou à noite com a justificação de que vão estudar para casa de uma amiga e, afinal, os filhos vão para festas onde reinam os estupefacientes e a bebida. Ou mesmo para um bar ou discoteca. Ainda recentemente uma menor foi violada às três horas da madrugada por um motorista da Uber e os pais afirmaram que a filha tinha saído de casa depois de eles estarem a dormir. Pergunta-se: e por que não retiraram as chaves da porta ou uma cópia das mesmas das mãos da filha? O problema é grave e está a agudizar-se. Os menores, em grande maioria, estão a receber uma educação dos pais quase inexistente. Os pais trabalham de manhã à noite e mal têm tempo para dar atenção ao que se passa nos computadores dos filhos, quanto mais ministrarem as boas regras de educação e os cuidados a terem no relacionamento com outros menores, muitas vezes, os tais “menores” que nas redes sociais se fazem passar por amigos da mesma idade e que, ao fim e ao cabo, estamos perante o início de um crime hediondo.
André Namora Ai Portugal VozesComemorações agradaram a alguns fascistas Há mais de 50 anos, o povo português, incluindo os “bufos” da PIDE/DGS, saiu à rua a comemorar o maior dom que um povo pode ter: a liberdade. Um golpe militar tinha acabado com uma ditadura política com mais de 40 anos. Os militares do Movimento das Forças Armadas (MFA) tinham conseguido derrubar um regime opressivo que levou anos a prender e a deportar quem defendia a liberdade, a democracia, o socialismo e o comunismo. Os tempos seguintes ao golpe militar foram conturbados porque logo nos apercebemos que esses militares também tinham as suas opções políticas e também começavam a fazer o jogo deste ou daquele partido político. Mário Soares e Álvaro Cunhal regressaram do exílio e no primeiro 1º de Maio a festa foi estrondosa e de uma união popular nunca vista. Com o decorrer do tempo fomos assistindo que as divergências entre os militares do MFA apoiadas por certos partidos raiavam o limite do radicalismo. No dia 28 de Setembro de 1974 assistimos a uma tentativa de golpe de Estado protagonizada por sectores conservadores, liderada pelo Presidente da República, general António de Spínola e onde imperava na altura a chamada “maioria silenciosa” que tinha como objectivo travar o processo democrático, mas, essencialmente, controlar as decisões sobre a descolonização. O sector de esquerda do MFA conseguiu proibir uma manifestação de apoio a Spínola e recordamo-nos que foram colocadas barricadas nas entradas de Lisboa, a fim de impedir a entrada de apoiantes de Spínola. Como consequência foram presos vários organizadores da manifestação, o general Spínola demitiu-se de Presidente da República e o evento marcou a derrota da tentativa de viragem à direita e o reforço do controlo do MFA sobre o processo revolucionário. Primeira nota importante: nunca ao longo de mais de 50 anos de democracia, os democratas de esquerda comemoraram a vitória do 28 de Setembro de 1974. Em 11 de Março de 1975 assistimos pessoalmente à tentativa de outro golpe de Estado, desta vez, comandado mesmo pelo general António de Spínola contra o governo da altura apoiado pelos militares de esquerda do MFA. A intentona iniciou-se com o bombardeamento ao Regimento de Artilharia Ligeira nº 1 (RAL 1) tendo sido morto um soldado que se encontrava deitado numa das casernas. Nos arquivos da RTP têm de estar as imagens da perfuração do telhado e o sangue na cama e no chão da caserna. O RAL 1 foi cercado por tropas para-quedistas, afectas a Spínola, e as negociações duraram quase todo o dia. A intentona viria a falhar por falta de apoio popular a Spínola e devido à resistência que se registou por parte dos militares do RAL 1 e de muitos populares. O fracasso da tentativa de golpe viria a provocar a fuga de Spínola para Espanha e depois para o Brasil. Segunda nota importante: os democratas de esquerda em mais de 50 anos de democracia nunca comemoraram a vitória sobre a intentona de interromper o processo revolucionário. O Verão que se seguiu foi muito “quente” com várias disputas no seio do MFA e com os partidos de direita a agudizarem o confronto com o Partido Comunista e outros partidos de esquerda radical. Tudo viria a terminar em 25 de Novembro de 1975. Nesse dia, os militares de esquerda do MFA ocuparam a RTP e o capitão Duran Clemente, ao usar da palavra directamente nos estúdios da televisão pública, foi interrompido de um momento para outro e a emissão passou a ser dirigida dos estúdios do Porto. Simultaneamente no quartel da Polícia Militar, os militares ali em serviço comandados pelo major Tomé viram-se confrontados pelos militares comandos da ala direita do MFA, comandados pelo capitão Jaime Neves e pelo major Ramalho Eanes. O tiroteio foi uma realidade. Morreram dois militares comandos e outros da Polícia Militar. No Palácio de Belém, onde residia o Presidente da República, general Costa Gomes, pediu-se a prisão do estratega do 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho e a ilegalização do Partido Comunista. Ao fim da tarde, com as tropas dos Comandos a controlar todas as operações a seu favor, realizou-se uma reunião do MFA onde a ala moderada, liderada pelo major Melo Antunes, conseguiu que Otelo não fosse preso e que o Partido Comunista se mantivesse como um partido legal ao serviço da democracia. O 25 de Novembro, uma disputa política, mas essencialmente entre militares, foi de imediato anunciado como uma “heroica” reposição do estado democrático. Terceira nota importante: nunca em mais de 50 anos de democracia as forças políticas de direita se lembraram de comemorar oficialmente o 25 de Novembro de 1975. Na semana passada, constatámos que o 25 de Novembro foi oficialmente comemorado com pompa e circunstância e, obviamente, com o apoio das forças políticas de direita e da extrema-direita, com a discordância do Partido Socialista e de outros partidos políticos de esquerda e, com a agravante, de se ter comemorado a data em plena Assembleia da República com a presença do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A verdade, é que fomos testemunha de posições de indivíduos defensores de políticas fascistas e neonazis, afirmando que as comemorações do 25 de Novembro “eram muito mais importantes que as do 25 de Abril”. Já não temos quaisquer dúvidas que o sistema político em Portugal está em mudança. Uma mudança perigosa. Uma mudança em que os racistas, xenófobos e neonazis avançam com propostas no Parlamento que colhem o apoio do eleito Governo Montenegro que se anuncia democrático. Não, meus amigos. Temos de nos compenetrar que a mudança política a que assistimos poderá terminar numa ditadura disfarçada de democracia, onde as prisões e a falta de liberdade de imprensa serão uma realidade.
André Namora Ai Portugal VozesPresidentes para todos os gostos A campanha eleitoral para os candidatos a Presidente da República está na estrada. Os pretendentes ao palácio de Belém são mais que muitos e para todos os gostos. No dia 18 de Janeiro do próximo ano, o povo português é, mais uma vez, chamado a dirigir-se às urnas para votar em quem pretende ser o novo Presidente de Portugal. Há candidatos da extrema-direita à extrema-esquerda. O voto é secreto, mas a maioria do povo já tem uma ideia em quem irá votar. Uma coisa é certa: os portugueses querem continuar a viver em democracia e não aceitam teses xenófobas, racistas e neonazis. As sondagens valem o que valem. Normalmente erram no resultado final. No entanto, certos canais de televisão tudo têm feito para influenciar o voto num certo sentido. Hoje, deixo-vos aqui o que pensamos de cada um dos candidatos. André Ventura – Um candidato anti-sistema político em vigor, que tem defendido o ódio pelos imigrantes, que preconiza uma mudança nas leis da nacionalidade e até na própria Constituição da República. É visível que apenas se candidata para tentar manter a sua base eleitoral para futuras eleições legislativas, apesar de o seu Partido Chega, ter vindo a perder adeptos. Nos debates televisivos que já participou só sabe gritar e apresentar os mesmos argumentos que anuncia desde que fundou o partido. Não se adivinha sequer que possa participar numa eventual segunda volta das eleições presidenciais. Marques Mendes – O antigo comentador televisivo e dirigente do PSD resolveu candidatar-se porque o seu companheiro Luís Montenegro lhe garantiu que teria o apoio da Aliança Democrática PSD/CDS, que de momento governa o País. Marques Mendes apresenta-se como um candidato de facção. Sem dúvida, que os adeptos do governo Montenegro irão votar nele. No entanto, nem todos os militantes do PSD apoiam esta candidatura. Para esses militantes, Marques Mendes é um Marcelo Rebelo de Sousa número dois, com menos conhecimento da legislação constitucional. As sondagens fabricadas para sua valorização já chegaram a apresentá-lo como estando à frente das intenções de voto. Não cremos, sinceramente, que o povo escolha um Presidente que apenas iria para Belém defender todas as propostas de Montenegro. Almirante Gouveia e Melo – Um candidato que recolheu de imediato, ao anunciar a sua candidatura, o apoio popular esmagador por ter sido um homem de seriedade e de organização quando se registou a pandemia do vírus Covid-19. Uns, apoiam novamente um militar na Presidência de Portugal. Outros, são radicalmente contra a eleição de um militar. Dizem que não tem experiência política e que não sabe explicar em que área política se situa. Como é que um cidadão que chega a almirante não sabe de política? Como é que não acompanhou as vicissitudes da política nos 50 anos de democracia? Impossível. Gouveia e Melo sabe perfeitamente os apoios que tem e que ideias possui para ser um Presidente diferente. O problema, é que os seus adversários políticos sabem que Gouveia e Melo sabe demais, como por exemplo, quem recebeu “luvas” na aquisição dos submarinos de alta tecnologia Arpão e Tridente, não tendo existido qualquer investigação do Ministério Público quando os intervenientes alemães no negócio estão presos. Os seus adversários querem a todo o custo afastá-lo, por Gouveia e Melo saber todos os podres de quem o quer afastar. É um dos candidatos fortes a vencer as eleições, à primeira ou à segunda volta. António José Seguro – Um candidato experiente na política e na vida académica onde tem mantido um vasto contacto com jovens. Foi secretário-geral do Partido Socialista e após a “guerra” com António Costa hibernou. Passados 10 anos regressa trazendo consigo a sua seriedade, o seu conhecimento político da realidade portuguesa e a sua serenidade na análise dos problemas nacionais. O Partido Socialista, ou uma parte dele, viu-se obrigado a anunciar que apoiava este candidato. Seguro agradeceu o apoio, mas sublinhou a sua independência. Seguro desde que anunciou candidatar-se a Presidente, tem subido paulatinamente nas intenções de voto dos portugueses, especialmente entre um “centrão” moderado que inclui social-democratas e socialistas. Poderá surpreender e seguir para uma segunda volta. Cotrim Figueiredo – Um candidato que foi líder da Iniciativa Liberal, um partido que mais se assemelha ao Chega do que ao PSD. Cotrim poderá ser uma surpresa, especialmente no voto dos jovens e das mulheres. Pessoalmente é uma pessoa cordial, conhecedora dos dossiês políticos, com experiência nos corredores do Parlamento Europeu e que se apresenta como defensor de um liberalismo moderno e reformista. Pode surpreender na percentagem de votos, mas não cremos que chegue para disputar uma segunda volta. A mobilização ao redor de Cotrim está a ser activa e influente. O seu resultado irá depender muito das críticas que anunciar contra o Chega, caso contrário, os militantes social-democratas descontentes com Marques Mendes não o irão apoiar e podem optar pelo voto em Seguro. António Filipe – Este candidato é um Senhor. Sério, deputado da Assembleia da República durante muitos anos, conhecedor da Constituição do primeiro ao último parágrafo, afável e popular. Não renega as suas raízes de comunista, mas muitas vezes discordou das directrizes do Comité Central do seu partido, o PCP. É um candidato que tem percorrido todo o País e que se senta nos cafés a ouvir as queixas das populações. Tem conseguido uma base de apoio maior que a do seu próprio partido. Já ouvimos socialistas a dizer que votarão na sua candidatura. António Filipe é culto, excelente comentador, amigo dos desprotegidos e poderá obter um resultado surpreendente, apesar de as sondagens encomendadas pela AD o colocarem sem significado eleitoral. Talvez se enganem. Catarina Martins – A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda devia ter-se mantido na insignificância que se tem registado no seu partido, que mês após mês tem visto fugir eleitores para o Livre. Catarina não tem quaisquer hipóteses de obter um bom resultado, porque a crise que grassa no Bloco em nada a ajuda a conquistar eleitores. Sabe do que fala, aponta erros à governação de Montenegro, defende os reformados de miséria, mas não existe na sua candidatura uma máquina que a pudesse promover a uma candidata credível de conseguir um bom resultado. Sobre o candidato do Livre e de outros pretendentes ao “trono” de Belém não nos vamos pronunciar pelo facto de não terem qualquer hipótese de serem eleitos. Na nossa modesta opinião, as eleições irão ser disputadas entre Gouveia e Melo e Marques Mendes ou António José Seguro. E numa segunda volta, se Seguro estiver presente, toda a esquerda poderá coexistir com a tese de Álvaro Cunhal de tapar os olhos e colocar a cruz em Seguro.
André Namora Ai Portugal VozesAcabaram os direitos dos trabalhadores O futuro dos trabalhadores portugueses vai ser muito negro. A maioria dos direitos conquistados com muita luta após o 25 de Abril de 1974 tem vindo a perder-se e agora poderá levar uma machadada forte. O Governo de Montenegro prepara-se, com o apoio do Chega, para apresentar aos deputados da Assembleia da República legislação que fere indubitavelmente os principais direitos adquiridos pelos trabalhadores. Um exemplo? Os patrões poderão despedir sem justa causa quando lhes apetecer. Em 24 de Julho, o Governo anunciou com inusitado entusiasmo na reunião do Conselho de Ministros a aprovação de uma vasta revisão da legislação laboral com a designação de Lei Trabalho XXI, destinada a destruir quase por inteiro a Agenda para o Trabalho Digno aprovada em 2023.Não se tratava de uma mera reforma. Tinha sido aprovado um ante-projecto de diploma com alterações profundas, que mexem em cerca de uma centena de artigos do Código de Trabalho. Não se tratava de algo leve e a matéria em causa foi logo entregue para discussão aos parceiros sociais. Estes, ao tomarem conhecimento das intenções do Governo, ficaram de tal modo perplexos que andaram estes meses todos a estudar artigo por artigo e concluíram que o caso era de tal forma grave que há muitos anos que não se juntavam as centrais sindicais UGT e CGTP para uma greve geral, a qual está marcada para 11 de Dezembro. Entretanto, os comentadores televisivos afectos à governação tendencialmente para o neofascismo, vieram logo em defesa de que algo teria de mudar na lei laboral porque as empresas não aguentavam a situação económica degradante em que estavam a caminhar. Nunca se ouviu um comentador dessa estirpe falar nas centenas de empresas que obtém milhões de euros de lucro. Os debates televisivos tinham uma intenção: era distrair as atenções dos aspectos mais relevantes da proposta governamental, enquanto o ritual do diálogo social era praticado em pleno Verão com a concertação social em serviços mínimos e o País a banhos olhando de soslaio para as notícias sobre o descontrolo dos incêndios e as urgências fechadas nos hospitais. Por seu lado, as confederações patronais manifestavam um júbilo previsível sobre as propostas do Governo. Mas, assim que a UGT e a CGTP anunciaram a greve geral eis que o primeiro-ministro veio logo a público com audição repetida em mais de dois dias, para divulgar o patético. Luís Montenegro descarrilou de imediato ao associar o protesto sindical a intuitos partidários colocando no mesmo saco a relação da UGT com o PS e a da CGTP com o PCP. Marcelo Rebelo de Sousa foi sibilinamente incorrecto como sabe ser quando pretende ser parcial e partidário sem despir a casaca presidencial. Veio dizer que a greve é precipitada por não existir sequer uma proposta legislativa. Presidente chico-esperto é outra coisa. Não há uma proposta de lei apresentada na Assembleia da República, mas está no site do Governo desde Julho um longo articulado com inúmeras propostas controversas tais como: fim da obrigatoriedade de reintegração do trabalhador em caso de despedimento julgado como ilegal pelos tribunais; possibilidade de contratação imediata de trabalhadores em outsorcing para substituir trabalhadores despedidos em caso de reestruturação empresarial; flexibilização das condições de despedimento sem justa causa; regresso do “banco de horas” individual, até 50 horas semanais ou 150 anuais, com base na ficção de igualdade negocial entre patrão e trabalhador; autorização para a contratação a prazo até três anos (termo certo) ou cinco anos (termo incerto); as mulheres serão severamente penalizadas com mais horas de trabalho e menor remuneração; eliminação da dispensa de trabalho nocturno e ao fim de semana de trabalhadores com filhos até aos 12 anos; tornar quase impossível o reconhecimento como contrato de trabalho das actividades de distribuidores de refeições ou motoristas da TVDE, que são considerados profissionais liberais; alargamento substancial das áreas sujeitas a serviços mínimos em caso de greve; as regras dos contratos colectivos deixam de se aplicar aos trabalhadores em regime de outsorcing e a lista quase não tem fim. Tudo em prejuízo dos direitos dos trabalhadores. Já há quem diga que este Governo de Montenegro é pior que o de Passos Coelho, de má memória. Em bom rigor, o anúncio da greve geral dá um precioso mês, tanto ao Governo como aos parceiros patronais, para clarificarem qual a evolução possível para que se possam distinguir na abertura e espírito negocial de imposição unilateral. O quadro de apresentação desta vaga de enfraquecimento dos direitos laborais e de criação de instabilidade adicional, sobretudo afectando as famílias e os jovens trabalhadores, surge numa altura em que o mercado de trabalho está no nível mais alto de sempre, com 5,3 milhões de trabalhadores activos e o desemprego está ao nível mais baixo desde a crise financeira internacional de 2008. Mesmo assim, o que se constata é que existe uma falta de trabalhadores, e que se tem acentuado com as restrições à contratação de estrangeiros, pelo que esta cruzada ideológica pela desregulação do mercado de trabalho é inimiga das famílias que trabalham. Concluindo: os trabalhadores no futuro vão enfrentar imensas dificuldades porque, infelizmente, o regime político está a virar para uma política quase antidemocrática e, quem sabe, se um dia não teremos legislação que proíba uma greve…
André Namora Ai PortugalO roubo do governo aos pobres Em 2023, o antigo primeiro-ministro António Costa decidiu que as famílias ou os cidadãos a viver sozinhos, que tinham dificuldade em pagar a renda da casa passavam a usufruir de um subsídio mensal de 200 euros. O ex-chefe do Executivo para o efeito, e para outros apoios, cativou a verba necessária – cerca de 3.200 milhões de euros – até 2028 no Orçamento do Estado de 2024. Logo em 2023, cerca de 180 mil pessoas passaram a ser beneficiários do subsídio de renda. Em Janeiro deste ano, com o governo de Luís Montenegro, mais de 90 mil beneficiários iam desmaiando. Pessoas pobres, a sobreviver com imensas dificuldades viram o subsídio de renda suspenso. Foi o desvario. Os beneficiários não sabiam como resolver a situação e obter justificações para a suspensão absurda. Contactaram associações de reformados, de inquilinos e a comunicação social. O caso foi notícia e a notícia continua a ser divulgada até aos dias de hoje. Os beneficiários ficaram informados de que a decisão partira do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), o qual tinha analisado os processos dos beneficiários e deixado de enviar a ordem para o Instituto da Segurança Social a fim de este efectuar as transferências das verbas para as contas bancárias dos beneficiários. Iniciou-se uma correria para a porta do IHRU, pois, este instituto não atendeu nunca os telefonemas, nunca respondeu aos mails e na porta entregam-se apenas 20 senhas de atendimento por dia, quando se encontram mais de 100 pessoas. No local, incluindo algumas em cadeiras de rodas que vêm de fora de Lisboa. O caos e o descontentamento revoltante, estão instalados. As televisões fizeram várias reportagens e ao confrontarem o IHRU, este também nunca respondeu aos jornalistas, como na semana passada foi salientado no diário ‘Público’. Em Julho, numa reunião na Assembleia da República, o ministro da Habitação, Pinto Luz, foi confrontado pelos deputados do problema grave que estava a decorrer com prejuízo para cerca de 180 mil pobres. O ministro respondeu aos deputados pedindo desculpas pelo sucedido, que iria tratar rapidamente do assunto e que o subsídio de renda seria reposto com o pagamento de retroactivos. Passaram-se meses e a situação mantém-se na mesma. Em Outubro passado, as televisões noticiaram que o IHRU tinha anunciado que o reembolso e o pagamento de retroactivos aos beneficiários seria pago até ao fim de Outubro. Terminou o mês passado e nada foi pago. Inacreditavelmente, o mesmo ministro veio à televisão afirmar que o IHRU tinha já pago a cerca de 40 mil beneficiários, mas que se tinham encontrado várias “incongruências” nos processos dos restantes beneficiários. Nada mais falso. Quais incongruências? A incongruência é do próprio governo que estava a roubar o dinheiro cativado para milhares de pobres. Um exemplo da incongruência do governo: um casal tinha um certo rendimento e com direito ao subsídio de renda. Começou a receber o subsídio mensalmente. Entretanto, morre um dos cônjuges e obviamente que o beneficiário/a ao ficar sozinho passou a declarar às Finanças, em sede de IRS, um rendimento menor. Ora, o IHRU alega que a incongruência é traduzida no rendimento que é menor que o quantitativo da renda da casa e, que por esse motivo, o beneficiário não poderá receber o subsídio. A incongruência do governo está patente porque se a cidadã ou o cidadão que passou a ter um rendimento menor que o valor da renda é precisamente factual que necessita muito do subsídio estatal para fazer frente ao pagamento da renda da casa. Este assunto está a chocar os populares e os políticos não afectos ao governo. Todos são unânimes em afirmar que o governo não tem o direito de roubar os pobres, com a agravante de se tratar de uma verba cativada até 2028. Nós pusemo-nos em campo e conseguimos falar com um assessor ministerial que nos confidenciou algo de vergonhoso e indecente. O governo tem estado com falta de tesouraria e alegadamente teria ido às verbas do subsídio de renda para colmatar o pagamento de outros itens. Isto, é inadmissível, a ser verdade. E mais: os beneficiários que têm visto o reatamento do pagamento resumem-se ao número permitido com as verbas que paulatinamente o governo vai repondo nos cofres do IHRU. Estamos perante um caso da maior falta de seriedade, dignidade e humanismo por parte do governo. As televisões não têm deixado cair o assunto em saco roto e já em Novembro o tema voltou a ser alvo de comentários televisivos que apontam para a desumanidade que está a ser praticada pelo governo. É incrível como o presidente do IHRU e os seus apaniguados não respondem aos jornalistas e aos beneficiários que viram o seu subsídio suspenso. Na passada sexta-feira, dia 7, data concreta em que mensalmente era pago o subsídio, mais uma vez milhares de pobres nada receberam e continua a lenga-lenga por parte do ministro e do IHRU de que existem “incongruências”, quando nós sabemos que alegadamente as verbas respeitantes ao pagamento dos subsídios teriam sido desviadas para outros fins. Deplorável é o que estão a sofrer milhares de portugueses pobres. Injectam-se milhões de euros na TAP, planeia-se a construção de um TGV, a construção de uma terceira ponte sobre o rio Tejo entre Lisboa e a Margem Sul, seguem milhões de euros para a Ucrânia e simultaneamente não se pagam 200 euros a quem vive com reformas de 500 euros, paga uma renda de 250, água, luz, alimentação e medicamentos e vê o subsídio de 200 euros suspenso por este governo, que em maldita hora esses beneficiários foram contemplados…
André Namora Ai Portugal VozesA droga mata que se farta Já lá vai o tempo em que o ópio transmitia inspiração a Camilo Pessanha. Em que uma ganza acalmava e dormia-se bem. Hoje, a droga mata. Mata centenas de jovens que se viciam em heroína, cocaína e substâncias psicoactivas químicas e que destroem o cérebro. Os viciados nas mais diversas drogas injectam-se nas veias e quando não existe pureza no produto apanham overdose e morrem. Houve jovens em Portugal que, afectados pela ressaca, bateram nos pais por estes não lhes facilitarem o dinheiro pretendido e de seguida suicidaram-se. As mortes por overdose aumentaram 16 por cento em 2023 em relação ao ano anterior totalizando 80, revelou um relatório do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) divulgado o ano passado, sendo a cocaína a droga mais responsável pela mortalidade. Há dias, um menor de 14 anos matou a mãe com uma pistola do pai e a Polícia Judiciária já juntou aos autos dados indicadores que o jovem andava a consumir canábis em excesso. E o que são os drogados? Simplesmente uns dependentes dos negócios milionários do crime organizado onde os chefes dos traficantes ganham milhões de euros. Na semana passada, assistimos a dois casos em Portugal de bradar aos céus. Uma mega-operação da GNR que descobriu várias quintas nos arredores do rio Tejo onde eram fabricadas e guardadas 13 lanchas rápidas, 11 galeras, um camião, 30 motores sofisticados, 16 carros topo de gama, 750 mil euros em dinheiro e muitas armas de fogo e brancas. Foram detidos 32 suspeitos de ligação ao tráfico de droga internacional, uma operação que contou com a cooperação da Guardia Civil espanhola. Assim, foi desmantelada uma rede criminosa a operar em Portugal e que se dedicava à construção e movimento de lanchas para o transporte de droga vinda de grandes navios oriundos da Colômbia e Brasil. A referida operação decorria há 32 meses. No decurso da investigação foram identificados diversos suspeitos de nacionalidade espanhola. A investigação ao longo de três anos ainda levou à detenção em Espanha de dezenas de traficantes de droga e toneladas de estupefacientes. Igualmente na semana passada, o país ficou chocado com a morte de um militar da GNR e de outros três que ficaram feridos após uma colisão entre uma embarcação da GNR e outra alegadamente pertencente a narcotraficantes no rio Guadiana, perto de Alcoutim, Faro. Segundo um observador do acidente, os traficantes atiraram propositadamente a sua lancha contra a da GNR, abalroando-a e matando um dos militares a bordo, tendo de seguida pegado fogo à sua lancha numa das margens do rio para que não existissem provas de posse de droga. O mesmo observador, disse que se “tratou de um autêntico acto homicida”. O Presidente da República descreveu a situação como “dolorosa” e “lamentável”. Entretanto, a Polícia Judiciária e a GNR já detiveram dois suspeitos de terem estado envolvidos no abalroamento da embarcação da GNR que causou a morte do militar. Ao que tudo indica, os dois suspeitos já estavam referenciados por tráfico de droga em Espanha. Os suspeitos foram detidos quando tentavam atravessar uma ponte, num carro de matrícula espanhola, a caminho do país vizinho. Teriam na sua posse avultadas quantias de dinheiro. Ao contactarmos um porta-voz da GNR, este afirmou que “Normalmente, quando se trata de cocaína a origem é a América do Sul e os traficantes fazem a trasfega no Atlântico. Se for tráfico de haxixe, a proveniência é o norte de África, passando o produto estupefaciente de uma embarcação maior, no Mediterrâneo, para estas lanchas que depois tentam entrar na Europa, servindo-se de Portugal e Espanha.” Antes de se colocarem em fuga, os suspeitos terão ficado encalhados na margem do rio, incendiando de seguida a lancha eventualmente cheia de droga. O mesmo porta-voz adiantou que “normalmente nestes casos, as embarcações vêm do alto mar, fazem o desembarque (da droga) tanto no Guadiana como no rio Pedras, em Espanha, queimam a lancha e depois escapam.” Toda esta actividade criminosa é facilitada porque os militares não têm os meios necessários para um combate eficiente. O Governo limita-se a lamentar quando acontece uma tragédia e lá vão o Presidente da República e a ministra da Administração Interna a correr para o funeral do militar morto pelos traficantes dando um ar de grande pesar. Uma cena que os familiares dispensavam porque o importante é o desprezo que as autoridades têm dado aos apelos das associações das forças de segurança para que as verbas aumentem para o combate ao tráfico de droga. E de tal forma é significativa a nossa posição, que só horas depois do fatal acontecimento de Alcoutim é que o Presidente Marcelo promulgou um diploma que regula o uso de lanchas rápidas. Possivelmente se o diploma tivesse sido promulgado há meses o militar da GNR não teria morrido. Como diz o povo, depois do assalto, trancas à porta…
André Namora Ai Portugal VozesAo que isto chegou Um menor de 14 anos mata a mãe com uma arma do pai. Fomos ficando habituados a ler notícias tristes de filhos que roubam as joias da mãe para certos vícios ou que batem na mãe ou no pai porque estes não lhes dão dinheiro a fim de comprarem estupefacientes. Agora, a linha vermelha foi ultrapassada. Um menor diz que “a minha mãe chateava-me muito”, pega na arma do pai e mata a mãe sem apelo nem agravo. Ao que isto chegou. A mãe, Susana Gravato, de 49 anos, era vereadora do PSD na Câmara Municipal de Vagos. O tribunal já decidiu o internamento do menor em regime fechado e depois poderá ficar na mesma situação mais três anos. O menor cometeu o crime de tal forma consciente que até, após o acto, simulou um cenário de assalto em casa. Ao falarmos com uma psicóloga, esta disse-nos que a mudança na educação dos filhos nos dias de hoje é tenebrosa. Que as redes sociais são uma das razões para a violência se estar a banalizar e que a legislação muito tem de mudar no que respeita ao acesso ao digital. Miguel Sousa Tavares defendeu a proibição gradual das redes sociais, sublinhando que “Estão a dar cabo do nosso modo de vida”. Vivemos um tempo de educação por reflexo condicionado, acrescentou a psicóloga, para prosseguir salientando “que talvez porque estejamos a ser ultrapassados pelos cães. Vivemos uma época onde tudo é a consequência de um pseudo-trauma que a ignorância se propõe facilmente tratar e que mais não faz senão prolongar e agravar a doença”. Nós lemos Freud muito cedo, e logo percebemos que, em Freud, quase tudo girava em torno da frustração e do sexo reprimido. Depois, como estava na moda, lemos Piaget achando que nos ajudaria a educar os filhos. Enganámo-nos. Piaget educou, mas foi a nós. Descobrimos que a educação dos filhos não se faz com amarras de teorias, religiões ou modas. A educação dos filhos, antes de tudo tem de ser um acto de amor, caso contrário, o reverso da medalha pode ser fatal. Na verdade, o país outrora tido como pacífico, ficou chocado ao tomar conhecimento que uma filha tentou matar o pai à facada e arrancar-lhe os olhos para ficar, simplesmente, com uma casa, e no dia seguinte, um filho com apenas 14 anos mata a mãe com a pistola escondida do pai porque “a mãe era chata com os afazeres escolares”. Certo, é dizer que “matou” logo o pai e se matou a si próprio também. A loucura contamina e a maldade também. São gémeas idênticas. Os portugueses não queriam acreditar que se ultrapassou a linha vermelha e que agora os filhos já matam os pais. Há uns anos, conhecemos José Manuel Anes, que foi presidente do Observatório de Segurança Criminal e Terrorismo. Um homem experiente de todos os aspectos da vida, da segurança, do crime e da espionagem. Não conseguimos entender qual foi a educação que Anes terá dado à sua filha Ana, para que esta o tente matar à facada e ter a “coragem” de ir para as redes sociais dizer que tentou matar o pai porque este tinha colaborado com a Mossad. É incompreensível por parte de uma filha. José Manuel Anes tinha-nos referido que o cargo que ocupava era de risco, que tinha a noção que um dia podia ser morto, mas certamente nunca imaginou que isso pudesse acontecer pelas mãos da própria filha Ana, que já se encontra presa e que confessou o crime. Efectivamente o mundo mudou, e para pior no que concerne às atitudes das novas gerações. Culpa dos pais? Talvez. Todavia, não deixa de ser repugnante que uma filha, de 53 anos, pegue numa faca e tente matar o seu pai que lhe deu tudo incluindo uma mesada até ao dia de ser atacado gravemente. Ao que isto chegou. José Manuel Anes foi atacado dentro da própria casa. Há cinco anos que Anes era perseguido pela filha, com ameaças de morte nas redes sociais. A filha pretendia que o pai colocasse em nome dela a propriedade de uma casa na Costa de Caparica. A teoria da filha Ana Anes era a pretensão de ela poder vender a casa e arrecadar o dinheiro, uma vez que estaria desempregada. É este o móbil do crime apurado pela investigação da Polícia Judiciária. De resto, foi por temer que a filha concretizasse as ameaças que José Manuel Anes, com 81 anos, passou a viver com a actual mulher na casa de uma amiga desta, em Lisboa. Anes tinha recebido antes do dia do crime uma mensagem ameaçadora da filha e logo no dia seguinte a mesma tocou à porta da casa onde estava a viver e Anes abriu, pensando tratar-se da entrega de uma encomenda. Foi desde logo atirado ao chão pela filha, que a seguir o agrediu com vários murros pelo corpo todo. Depois, com um objecto cortante, atingiu-o na cabeça, pernas, mãos e abdómen, até que, por fim, lhe pressionou os dois olhos com os dedos, deixando-o sem ver. Mas que cena macabra: uma filha que tenta matar um pai com 81 anos, só pela ganância do dinheiro. Qualquer dia, temos todos os meses um pai morto por um filho. Ao que isto chegou… P.S. – Esta foi a minha 250ª crónica. Quero agradecer fraternalmente ao Director Carlos Morais José o convite que me fez há cerca de cinco anos para estar em contacto com os leitores deste magnífico jornal.
André Namora Perspectivas VozesO populismo caiu no poço André Ventura tinha anunciado que nas eleições autárquicas conseguiria a presidência de umas 30 edilidades. Em 308, obteve o resultado “estrondoso” de três Câmaras Municipais. As sondagens que infelizmente ainda temos apresentaram que a vitória pertenceria à AD, o segundo lugar ao Chega e o terceiro para o Partido Socialista. Os comentadores televisivos fartaram-se de elogiar as sondagens e de salientar que seria normal o resultado do Chega porque o PS estava em declínio absoluto desde as últimas eleições legislativas. Enganaram-se, mais uma vez. Sondagens e comentadores. O Partido Socialista renasceu das cinzas e conseguiu um resultado muito positivo. No cômpito geral não perdeu por muito e em termos de resultados de partidos sozinhos, sem coligações, os socialistas obtiveram quase o dobro das Câmaras Municipais que o PSD. Ficou provado que sem o populismo radical, sem a xenofobia, sem o racismo e sem os gritos de André Ventura, o Chega é um flop a nível local, especialmente pelo interior do País. O populismo caiu no poço e vamos ver quando é que os “bombeiros” o conseguem trazer ao de cima. O Chega ganhou no Entroncamento sem saber bem por quê, ganhou numa edilidade madeirense onde vivem meia dúzia de pessoas e ganhou em Albufeira porque os proprietários dos bares e hotéis conseguiram convencer toda a clientela e vizinhança para votar nos neonazis. Os eleitores de Albufeira irão chorar baba e ranho porque o Chega preconiza no seu programa algarvio que os bares encerrem às duas da madrugada e os proprietários desses estabelecimentos de diversão nocturna exigem que o encerramento seja às quatro horas da madrugada. O descontentamento local irá imperar e certamente que se traduzirá em próximas eleições. Isto, em Albufeira, porque no resto do Algarve o Chega pensava ganhar tudo. Nem aquela espécie de taberneiro que no Parlamento está sempre a gritar e a limpar o suor da careca, conseguiu vencer em Faro. O mapa global divide-se entre a AD/IL e o partido rosa. O cavaquistão terminou ao fim de várias décadas. Viseu que teve sempre aquele Ruas, que pinta o cabelo e o bigode querendo parecer que tem menos 30 anos, teve uma derrota como nunca esperou. Em Lisboa e Porto, o caso já deu muito que falar. As vitórias da AD e seus pares da Iniciativa Liberal em Lisboa, e no Porto com o apoio verbal de Rui Moreira, o edil que terminou os seus polémicos mandatos, foram obtidas por uma margem mínima e até à meia-noite do domingo eleitoral as televisões só falavam em empate técnico. Triste, foi ver Luís Montenegro, que na sua qualidade de primeiro-ministro versus presidente do PSD, no dia das eleições a apelar ao voto nos seus companheiros candidatos, indo em absoluto contra a lei. Montenegro cantou vitória, mas podia ter sido um pouco mais humilde porque a vitória autárquica foi tangencial e perdeu muitas Câmaras importantes como Braga e Coimbra. O povo, mostrou, desta vez, um grande sentido cívico e a abstenção foi das menores da história eleitoral. Em muitas mesas de voto as filas foram enormes e a espera muito demorada. Era a tradução que a abstenção iria baixar. Mesmo assim, não deixou de existir a falcatrua. Numa região do País lá veio a velha ilegalidade de um partido ter mandado imprimir boletins de voto semelhantes aos que foram entregues aos eleitores e depois propuseram que os seus apaziguados levassem um boletim no bolso já com a cruzinha no partido em causa e quando trouxessem o boletim em branco que a mesa de votos tinha entregado, recebiam dois mil euros. Nada mau para uns milhares de “mercenários”. De eleições está o povinho farto, mas nada sobre a matéria vai acabar. Já estão na estrada os pontas de lança dos candidatos a Presidente da República. A variedade é enorme, mas quase toda para o mesmo lado. Na direita central temos o almirante Gouveia e Melo com Marques Mendes. Ainda mais à direita surge o “bocas” André Ventura e Cotrim Figueiredo que foi líder da Iniciativa Liberal. Pelo lado esquerdo moderado surgiu António José Seguro e só no sábado passado é que o Partido Socialista resolveu apoiar oficialmente o candidato António José Seguro. Tarde demais. E mesmo assim, a ala socialista mais à esquerda irá votar em António Filipe do PCP, ao bom estilo de Álvaro Cunhal, que alvitrava que por vezes tem de se tapar os olhos para votar em quem não pertence ao partido. Desta vez, as sondagens parece que vão acertar. Uma empresa de sondagens, na qual temos a maior confiança, obteve num inquérito nacional realizado na semana passada, que haverá uma segunda volta entre Gouveia e Melo e António José Seguro. Contudo, quando os inquiridos foram confrontados com a decisão final na segunda volta, a vitória pendeu para o almirante. Pois, tal e qual como escrevemos na passada segunda-feira, Luís Montenegro com esta vitória autárquica não se irá demitir, mesmo que o Ministério Público abra um inquérito judicial contra o actual primeiro-ministro sobre o caso da sua empresa familiar Spinumviva. O homem tem muitos anos de política e sabe tudo sobre como se defender das suspeitas de alegados cambalachos. Portugal continuará a ser governado por um político debaixo de suspeitas graves, mas que em nada afecta a sua vontade doentia de ser chefe do Executivo.
André Namora Ai Portugal VozesSpinumviva “mata” Montenegro A empresa familiar Spinumviva de Luís Montenegro tem dado água pela barba há muitos meses. Toda a comunicação social tem anunciado as mais diversas suspeitas sobre a actividade e gestão da empresa familiar do actual primeiro-ministro. A empresa familiar era constituída por Montenegro, sua mulher e dois filhos. Já foi indicada como uma sociedade de consultoria, de imobiliário, de gestão de recursos e sabe-se lá mais de quê. O que veio a lume é que entraram na conta da empresa familiar centenas de milhares de euros em contratos com grupos económicos e outras empresas, como a Solverde, detentora de casinos e potencial concorrente ao novo concurso de adjudicação de licenças para casinos. Montenegro começou a ser falado por ter uma casa em ruínas, em Espinho, que transformou num imóvel de luxo com o empreiteiro privilegiado da edilidade, onde o autarca presidente era amigo íntimo de Montenegro. Entretanto, como Montenegro não tinha declarado à Entidade da Transparência todo o seu património, num total de 55 imóveis, o Ministério Público (MP) resolveu iniciar uma averiguação preventiva (?) à actividade da sociedade em questão, particularmente à construção da referida casa em Espinho e à origem dos fundos para a aquisição de dois apartamentos em Lisboa levada a efeito por Montenegro. O Ministério Público entendeu que o caso só poderá ser mesmo esclarecido em sede de processo-crime que terá formalmente de ser aberto no Supremo Tribunal de Justiça. Inclusivamente o MP fez saber que o caso devia passar a inquérito judicial por contemplar suspeitas contra Montenegro que incluíam recebimentos indevidos de vantagens e branqueamento de capitais. Recorde-se, que por muito menos, caiu um Governo apenas porque a Procuradoria-Geral da República decidiu inserir num comunicado um parágrafo que referia que o primeiro-ministro António Costa poderia estar sob investigação. No entanto, os casos e casinhos da Spinumviva, a empresa familiar de Montenegro, têm vindo à baila pelos mais diversos motivos. Um deles, porque Montenegro tem fornecido à Entidade da Transparência e ao MP documentação requisitada aos “bochechos”… Uma das interrogações feitas por diversos comentadores televisivos prende-se com a negação do actual procurador-geral da República, Amadeu Guerra, nomeado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, não ter ainda dado luz verde aos investigadores para passarem de averiguação preventiva (algo que não é carne nem peixe) para um inquérito judicial, à semelhança do que tem acontecido com muitos outros que foram accionados com rapidez a diferentes políticos e presidentes de clubes do futebol. A Procuradoria de Amadeu Guerra emitiu um comunicado, no qual se lia que “a averiguação preventiva ao caso Spinumviva está em curso e que o MP aguarda ainda documentação” pedida a Montenegro. E qual a razão que Montenegro tem para não enviar a documentação com celeridade? Só que, na semana passada, em plena campanha eleitoral para as eleições autárquicas, rebentou mais uma “bomba” referente a Montenegro. A comunicação social não cessou de difundir que Montenegro tinha ido de férias para o Brasil e que todas as despesas tinham sido pagas pela Spinumviva. Ui, mais um “casinho” que levou os líderes políticos da oposição a pronunciarem-se, desde André Ventura (Chega) a José Luís Carneiro (PS). E o que respondeu Montenegro? Que tudo era “uma pouca vergonha”. Pouca vergonha de quem? Da comunicação social que tem a obrigação de informar? Pouca vergonha do MP por ter quebrado o segredo de justiça e deixar cair a notícia na CNN Portugal, por os investigadores estarem fartos da atitude de Montenegro e das ordens de Amadeu Guerra? Ou pouca vergonha de ir de férias com tudo pago por uma empresa familiar que diz ser apenas de consultoria? A porta-voz do PAN, Inês Sousa Real, por exemplo, veio a público lamentar mais uma suspeita referente ao primeiro-ministro, sublinhando que “não queremos acreditar que os tempos da Justiça são os tempos das campanhas eleitorais, não alinhamos nessa narrativa como a que o primeiro-ministro tem vindo justificar o que tem sido o escrutínio durante todo este processo”. Muito mais longe foi Paulo Raimundo, líder do PCP, que pediu claramente a demissão do primeiro-mistro. Raimundo até pareceu saber algo de confidencial das hostes governativas, porque, na verdade, já foi equacionada a substituição de Montenegro por Leitão Amaro ou Paulo Rangel. Pela nossa parte, não acreditamos que Montenegro se demita. Só se for aberto um processo-crime sobre todas as suspeitas e a conclusão do inquérito decidir-se por um julgamento a Montenegro na barra do tribunal. Hoje, os amigos leitores já sabem o resultado das eleições autárquicas e se a AD aliada à Iniciativa Liberal (IL) venceu as eleições, então, nesse caso, estou certo que Montenegro não se demitirá nem que caia o elevador de Santa Justa… O primeiro-ministro não pode é fugir ao julgamento popular que começa a sentenciá-lo como um caso parecido com o de José Sócrates. O povinho já concluiu que Montenegro não cumpriu as leis, que algo se passou no âmbito da corrupção e da lavagem de capitais, que o primeiro-ministro só promete aumento de pensões e salários em campanha eleitoral, que antecipou a entrega do Orçamento do Estado para que em plena campanha eleitoral pudesse anunciar que o salário mínimo iria para perto dos mil euros. De todas as voltas que Montenegro dê ao bilhar, há uma coisa que já não o salva. A sua empresa familiar Spinumviva já o “matou” politicamente aos olhos do povo.
André Namora Ai Portugal VozesNova Lei dos Estrangeiros aumenta o racismo O racismo é cada vez mais uma realidade infeliz em Portugal. É suficiente dar-vos um exemplo: numa sala de aula cheia de rapazes e raparigas brancos havia um aluno preto, o Kikas. A professora perguntou aos alunos o que tinham gostado mais até agora na vida. Todos responderam e quando o Kikas se pronunciou sobre o que mais tinha gostado, salientou que tinha sido a volta ao mundo que tinha dado. A professora gritou-lhe, chamando-o “Mentiroso!!!”. Kikas respondeu que não aceitava a ofensa e informou a professora que era filho adoptivo de uma família branca muito rica e que tinha ido passear pelo mundo com os pais. Não satisfeita, a professora ripostou: “Cala-te! Os tipos como tu acabam sempre na rua!” e mandou-o sair da sala dando-lhe falta disciplinar. Este, é um dos muitos exemplos mais deploráveis de atitudes racistas existentes na nossa sociedade. Na semana passada, a aliança AD/Chega aprovou na Assembleia da República uma nova Lei dos Estrangeiros. As críticas têm sido mais que muitas, fundamentalmente porque esta lei poderá aumentar o racismo em Portugal. Quem veio de imediato a terreiro foi a organização SOS Racismo que se opôs à nova lei dos imigrantes, considerando-a um retrocesso na protecção das garantias dos direitos fundamentais e das liberdades, por alterar as condições de residência e a obtenção de cidadania direccionadas aos imigrantes, incluindo os cidadãos da CPLP. Segundo Mariana Carneiro, directora da SOS Racismo, a aprovação da lei com o apoio da direita radical representa uma violação da Constituição de República Portuguesa e das convenções europeias de direitos humanos, além da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A dirigente da SOS Racismo ainda denunciou que a imigração tem sido tratada como crime, o que infelizmente, não é novidade, pois Portugal vem trilhando esse caminho há bastante tempo. Mariana Carneiro adiantou que o governo, empossado em Março de 2024, já tinha adoptado uma postura cada vez mais alinhada com a extrema direita cedendo a princípios racistas e xenófobos presentes na sociedade portuguesa. Para a directora da SOS Racismo, a nova lei trata-se de um ataque flagrante às pessoas que escolhem viver e trabalhar no nosso País, enquanto os vistos Gold recebem tratamento privilegiado, quando simultaneamente são implementadas políticas de imigração cada vez mais restritivas aplicadas aos demais imigrantes. O clamoroso chumbo pelo Tribunal Constitucional da versão inicial da lei sobre autorização de residência de estrangeiros e reagrupamento familiar foi uma preciosa oportunidade dada pelo Presidente da República ao Governo para corrigir o tiro em matérias que são um teste aos valores humanistas, à defesa dos princípios da família e a uma relação privilegiada com os países lusófonos. A solução encontrada pela AD e Chega é um rendilhado jurídico para contornar os argumentos do Tribunal Constitucional mantendo todos os inconvenientes políticos da versão inicial. Mantém como regra o prazo de dois anos para ser pedido o reagrupamento familiar, a contar da concessão da autorização de residência e não do seu pedido com a prova de pagamento de impostos e contribuições para a Segurança Social, apesar das excepções de redução para um ano quando existem filhos menores. Confirma-se o desaparecimento do regime especial para cidadãos de países da CPLP. Desmentindo a propalada preferência pela lusofonia e violando os nossos compromissos sobre mobilidade no âmbito do espaço lusófono. Por outro lado, estranhamos que se mantenha o privilégio no acesso ao reagrupamento familiar para titulares de vistos Gold, de Blue Card europeu ou para indivíduos considerados altamente qualificados, privilegiando o rendimento sobre a origem ou a integração na sociedade portuguesa. A prova de detenção de condições de habitação condigna e de meios de subsistência continua a ser fixada por portaria com manifesta violação do princípio da reserva de lei em matéria de direitos fundamentais. Mas, todas estas limitações podem ser superadas por despacho ministerial o que é a porta aberta para a discricionariedade ilimitada e a falta de transparência. Mantém-se uma ampla possibilidade de prorrogação até 18 meses do prazo de apreciação do pedido de reagrupamento familiar, bem como a possibilidade de recurso aos tribunais para intimar a AIMA a cumprir prazos de decisão que continua a ser fortemente limitada. Para termos ideia das más intenções da lei, claro que assuntos como a penalização agravada de quem viola os direitos laborais de trabalhadores estrangeiros, o controlo eficaz da imigração irregular penalizando os traficantes e os empregados ou a responsabilidade patronal pela habitação condigna de trabalhadores sazonais são matérias absolutamente ignoradas. O mesmo acontece com as regras sobre o acesso à aprendizagem da língua portuguesa. Concluindo, podemos constatar que a nova Lei dos Estrangeiros vai ao encontro dos racistas do Chega e que os imigrantes são o alvo mais significativo para serem cada vez mais prejudicados, dando força aos neofascistas para continuarem a tratar os imigrantes como lixo a atirá-los para fora de Portugal e, isto, é racismo puro.
André Namora Ai Portugal Vozes55 O problema da habitação em Portugal é uma das maiores lacunas da sociedade. Muito se tem construído, mas têm sido condomínios de luxo ou imóveis que só as classes alta ou média alta podem adquirir. O trabalhador normal, que vive de um salário aproximadamente entre os 1000 e os 1500 euros, nunca pode pensar em comprar casa. Um jovem, nem sonhar. Não é por acaso que Portugal é o país da Europa onde os filhos ficam a viver mais anos nas casas dos pais. Mesmo as habitações públicas ou sociais que se construíram na última década, algumas fazendo parte de edifícios com catorze andares, estão completamente ao abandono. Existem prédios em bairros sociais com dez e mais pisos que têm os elevadores avariados há mais de dois anos por falta de manutenção e muitos idosos não saem de casa há mais de mil dias. Nas grandes cidades podemos observar milhares de casas que estão encerradas. Umas, por litígio entre herdeiros. Outras, simplesmente porque o proprietário tem mais que um imóvel e não quer vender nem arrendar. O governo devia decretar a proibição de uma casa encerrada por mais de três meses. Apenas numa avenida de Lisboa contámos cerca de 200 casas de estores para baixo e sem viver alguém. No entanto, esta crónica é dedicada a Luís Montenegro que é proprietário, imaginem, de 55 casas. Consequentemente decorre um inquérito no Ministério Público (MP) sobre o caso. Isto, depois da “bronca” a que assistimos com a sua empresa “familiar” que recebeu centenas de milhares de euros de clientes potenciais recebedores de adjudicações do governo Montenegro. Segundo uma fonte do MP, tudo pode acontecer a Montenegro. Se forem provadas graves irregularidades e actos de corrupção, o primeiro-ministro terá obviamente que se demitir. E neste caso, um assessor de um Ministério governamental, adiantou-nos que os ministros Leitão Amaro e Paulo Rangel estariam preparados para assumir o cargo de chefe do Executivo. 55 casas pertencentes a Luís Montenegro é algo de surpreendente e de ofensivo a todos os portugueses que não podem comprar uma casa, que vivem em barracas ou que são sem-abrigo. O esclarecimento tem de ser cabal e o primeiro-ministro, na semana passada, recebeu do MP um pedido de mais documentação sobre a averiguação preventiva que decorre sobre as suas propriedades não declaradas e sobre a actividade da sua empresa “familiar” Spinumviva. O mais chocante por parte do político que chefia o Governo português prende-se com a sua proibição do acesso público ao número da matriz dos 55 imóveis que declarou à Entidade para a Transparência. Montenegro apresentou a este organismo um pedido de oposição à divulgação do número da matriz dos prédios, tendo a entidade em causa deferido o pedido do chefe do Governo. O primeiro-ministro declarou seis imóveis urbanos, entre os quais a “célebre” casa luxuosa de Espinho que tem cinco quartos, oito casas de banho e garagem, um apartamento em Lisboa, 46 prédios rústicos, que disse ter herdado da família. Questionado pelos jornalistas sobre a proibição solicitada, o Gabinete do primeiro-ministro não respondeu. O que, e por quê, Montenegro esconde o que possui de imobiliário? Com receio que se descubra que a sua aquisição não foi lícita? O primeiro-ministro, que detém tantos imóveis, tem de saber o que sofrem os jovens que não conseguem ter uma habitação ou o que gastam os estudantes universitários com grupos mafiosos organizados. Uma filha de um amigo nosso, transmitiu-nos que vivia, em Lisboa, num quarto com outra colega e que pagava 600 euros mensais. Não acreditámos e fomos confirmar. – Boa tarde, minha senhora! – Boa tarde… – A senhora tem algum quarto para arrendar? – Não, não tenho… bem, quer dizer… – Quer dizer… como? – Se o senhor estiver disposto a pagar um quarto onde dormem duas pessoas, eu arranjo-lhe um… – Como assim? Dormem duas pessoas em cada quarto? – Sim! – E são amigos? – Muitas vezes, não! – E quantos quartos tem? – Tenho sete, com três casas de banho… – Quer dizer, tem sete quartos, cada um com duas pessoas e nem todos têm casa de banho privativa… – Não… – E quem vive nos quartos? – São estudantes universitários… rapazes e raparigas… – E quanto paga cada um? – O preço mensal é de 600 euros… – Desculpe, 600 euros pelo quarto, 300 a cada um, é isso? – Não, não! Cada um, paga 600 euros e se o senhor quiser um quarto tem de pagar 1200 euros… – Desculpe, mas não estou a ver bem o filme… a senhora tem sete quartos, cada um rende-lhe por mês 1200 euros, o que perfaz um total mensal de 8.400 euros… e passa recibo? – Nem pensar! – Então, ganha 8.400 euros por mês e ainda foge ao fisco? – Desculpe lá, eu vou fechar a porta porque não sei quem é o senhor, com tantas perguntas… isto, não me está a agradar… o que faz o senhor? – Sou jornalista… – PUM!!! (ruído de porta a fechar com força)
André Namora Ai Portugal VozesCriminoso A política em Portugal está a ultrapassar os limites da decência, da ética e da democracia. Cada vez mais assistimos ao progressivo comportamento de um antigo mau comentador de futebol, autarca do PSD e que resolveu fundar um partido neofascista. Obviamente que falamos de André Ventura. Olhos nos olhos sem qualquer receio das suas ameaças e dos seus capangas. Esta criatura ultrapassou todos os limites que possam existir na decência da prática política em termos públicos. O homem foi participar num comício em Espanha de um partido de extrema direita. Num país estrangeiro, Ventura teve o desplante de cometer o crime de ofender, insultar e denegrir a imagem do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, eleito democraticamente pelo povo nosso vizinho. Ventura com o seu discurso no comício, o qual não teve qualquer comparação com os próprios discursos dos membros do partido extremista espanhol que defende causas neonazis, chegou ao descaramento vergonhoso de dizer que “o primeiro-ministro do vosso país é um criminoso que tem de ir para a prisão”. Criminoso? Que tem de ir para a prisão? Dito por um estrangeiro no país que esse primeiro-ministro está em funções? Ofendendo os milhões de espanhóis que votaram em Pedro Sánchez? Mas o que é isto? Isto, é um crime político e humano. O Ministério Público de Espanha devia abrir de imediato um processo penal contra André Ventura. Já imaginaram o que aconteceria se Pedro Sánchez fosse a Lisboa e num comício do Partido Socialista, ao discursar, afirmasse que “Luís Montenegro é um criminoso, um corrupto e que já devia estar na prisão”? Obviamente que todos os portugueses sentiriam que um estrangeiro tinha no seu país ofendido e insultado a terceira figura do seu Estado. A revolta seria total, excepto nas hostes dos eleitores do Chega, e pediriam certamente que Pedro Sánchez nunca mais fosse autorizado a entrar em Portugal. André Ventura chamou “criminoso” ao chefe do Executivo espanhol, mas esqueceu-se de quem é criminoso. Esqueceu-se de um seu deputado que roubava malas nos aeroportos; esqueceu-se de dirigentes seus que foram acusados de pedofilia; esqueceu-se do crime que é receber financiamentos ilegais para o seu partido; esqueceu-se de um mandatário autárquico do Chega que deixou de pagar a renda de um edifício-armazém durante seis meses ao senhorio, deixou de pagar os salários das trabalhadoras e retirou todo o material de laboração do interior do edifício para poder abrir outra empresa noutro local. Criminosas são as divulgações que são feitas pelo jornalista premiado Manuel Carvalho, que acaba de lançar um livro que todos os portugueses deviam ler. Uma obra onde o Chega é absolutamente desmascarado ao lerem-se as mais diversas acções “criminosas” do Chega e de André Ventura. Um partido neonazi que em 2019 apresentou-se ao país dizendo que vinha para defender os “portugueses de bem, arrasar o sistema, limpar Portugal dos bandidos, expulsar imigrantes e erguer a Quarta República”. Forjado no sensacionalismo, o partido que galgou a escada do poder até se tornar a segunda maior força parlamentar em 2025 revelou-se um projecto político dominado por contradições, casos, vendettas e ambições desmedidas. Provocador em todas as linhas políticas que apresenta, trouxe polarização à vida democrática, cavalgou preconceitos e contribuiu para extremar a sociedade. Mas quem financia o Chega? Que enredos esconde? O que revelam os bastidores? A que redes internacionais está ligado? Como convive com saudosistas da ditadura e neonazis? Quais os perfis, percursos e métodos que disputam no interior do partido? Como atraiu eleitores de outros partidos? Que correntes religiosas e políticas disputam o poder? Como usa e reinterpreta o passado e a actualidade para conquistar sectores sociais fragilizados, jovens e zonas negligenciadas do país? Tudo isto, é respondido na obra excelente do jornalista Manuel Carvalho. E é este André Ventura que sem qualquer vergonha, depois de ter tentado cativar o almirante Gouveia e Melo para que o militar apoiasse o Chega e em contrapartida o almirante receberia o apoio do Chega nas eleições presidenciais – o que foi rejeitado pelo almirante -, veio agora armado em Messias anti-sistema candidatar-se a Presidente da República. E mais: para terminar a semana em oportunismo puro, Ventura infiltrou-se numa manifestação de protesto de um grupo de imigrantes com a intenção de levar uma bofetada, ao estilo da de Mário Soares na Marinha Grande, para poder ficar como mártir e angariar mais apoios. Obviamente que todos os portugueses que não esquecem os assassinatos, torturas e prisões durante a noite perpetrados pela PIDE de Salazar e Caetano, que não esquecem as mortes dos seus filhos numa guerra colonial absurda, que não esquecem os entes queridos que foram deportados para o Tarrafal e para Timor, que não esquecem a falta de liberdade e que não esquecem a censura na comunicação social, nunca irão votar numa criatura que mente diariamente com todos os dentes que tem na boca. O anúncio de Ventura como candidato a Presidente da República foi um chorrilho de ofensas a tudo e a todos, inclusivamente ao candidato Gouveia e Melo que Ventura tanto desejava apoiar, mas que teve uma virtude: os portugueses defensores da democracia ficaram a saber que uma qualquer vitória de Ventura, em qualquer eleição, representará o regresso do fascismo a Portugal. E depois disto tudo, o “criminoso” é o socialista Pedro Sánchez…
André Namora Ai Portugal VozesAs duas faces do Moedas Todas as moedas têm duas faces. Alguns políticos também têm duas faces. Portugal assistiu a mais uma tragédia quase semelhante à de Fevereiro de 1941: um ciclone que provocou 100 mortos; à de Setembro de 1954 quando um comboio descarrilou e provocou 54 mortos; à de Maio de 1963 quando a queda da plataforma da estação do Cais do Sodré caiu e fez 49 mortos; à de Julho de 1964 quando um reboque de passageiros de um comboio no Porto e morreram 90 pessoas; à de Setembro de 1966 onde um incêndio na Serra de Sintra matou 25 militares; à de Novembro de 1967 quando as cheias em Lisboa mataram 362 pessoas; à de Setembro de 1976 quando um avião caiu nas Lages e morreram 68 passageiros; à de Novembro de 1977 quando um Boeing da TAP se partiu em dois no Funchal e provocou a morte de 131 passageiros; à de Janeiro de 1980 quando um sismo na Terceira matou 73 açorianos; à de Abril de 1984 quando uma colisão entre um autocarro e um automóvel, em Paredes, fez que morressem 17 pessoas; à de Setembro de 1985 quando em Alcafache chocaram dois comboios e mataram 150 passageiros; à de Maio de 1986 quando um choque de comboios na Covilhã matou 17 pessoas: à de Fevereiro de 1989 quando um Boeing 707 da Independent Air que fazia escala em Santa Maria foi embater no Pico Alto morrendo 144 passageiros e tripulantes, sendo o maior desastre aéreo em Portugal; à de Dezembro de 1992 quando um avião da companhia Martinair partiu-se em dois em Faro morrendo 56 pessoas; à de Dezembro de 1999 quando um avião da SATA se despenhou na Ilha de S. Jorge matando 35 passageiros; à de Março de 2001 quando colapsou a ponte de Entre-os-Rios e morreram 59 portugueses; à de Fevereiro de 2010 quando um forte aluvião na Madeira provocou a morte de 51 habitantes; à de Junho de 2017 quando o dramático incêndio de Pedrogão Grande e outros Concelhos deixou mortas 66 pessoas; à de Outubro de 2017 quando 440 incêndios em todo o país mataram 50 pessoas. Isto, é histórico. Tal como ficará na história das tragédias em Portugal a queda do Elevador da Glória que tirou a vida a 16 passageiros e outros cinco estão em estado crítico. O país ficou chocado porque existem vários meios de mobilidade do mesmo género em Lisboa e noutros locais do território nacional. Tornaram-se inacreditáveis as informações que já vieram a público: manutenção de uma empresa externa à Carris, cujo contrato já terminara e que normalmente era uma manutenção “visual”…; protestos há muito tempo por parte dos trabalhadores da Carris alertando que a manutenção dos elevadores de Lisboa não era competente e profícua; despedimento na Carris dos trabalhadores mais experientes em manutenção de elevadores; uma peça que se partiu numa carruagem e que exercia a ligação do cabo condutor à outra carruagem. Resumindo: irresponsabilidade, negligência, ganância e crime laboral. Responsável máximo? O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, engenheiro Carlos Moedas. Um edil que em quatro anos tem deixado Lisboa muito pior de quando a encontrou e que quer continuar no “tacho”. Da pior forma. Tirando a água do capote sobre a tragédia do Elevador da Glória, arranjando subterfúgios para fugir à responsabilidade indicando que não cometeu nenhum erro, colocando-se debaixo da aba do primeiro-ministro, abandonando reuniões importantes assim que se começou a falar na sua demissão. Obviamente que Carlos Moedas não foi à Calçada da Glória cortar nenhum cabo dos elevadores. Se não foi sabotagem e dizem que todas as regras foram cumpridas, mas mesmo assim morreram pessoas, então é porque há regras de segurança que ninguém sabia que também precisavam de serem cumpridas. Moedas tem duas faces: a de fingir que é muito responsável e competente, numa face e na outra, um político sem o mínimo de dignidade. Nem sequer tomou como exemplo os casos dos ministros Jorge Coelho e Carlos Borrego que se demitiram na hora sem terem qualquer culpa nos incidentes verificados. Carlos Moedas tem ainda uma agravante: pediu por duas vezes a demissão do ex-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, quando foi o caso da disponibilidade de informação à Embaixada da Rússia. Sendo os casos completamente diferentes. Na tragédia da Glória morreram portugueses e estrangeiros e a imagem de Portugal na Europa e América ficou pela rua da amargura. Carlos Moedas cometeu ainda um “crime” maior. Teve a pouca vergonha de ir à televisão dar uma entrevista de justificações bacocas sobre a tragédia e, a dado momento, ofendeu quem já não se pode defender. Mentiu descaradamente sobre as razões da demissão do ministro Jorge Coelho devido à morte de tantos portugueses quando caiu a ponte de Entre-os-Rios, simplesmente por ter a tutela ministerial das pontes. A segunda face de Moedas é lamentável e, de tal forma, que alguns familiares das vítimas já iniciaram o processo de pedido de grande indemnização ao Estado, leia-se à Carris ou à Câmara Municipal de Lisboa, com o intuito principal de que não volte a acontecer que a inoperacionalidade da manutenção de aparelhos semelhantes mate mais pessoas. Carlos Moedas, o político com duas faces, perdeu a oportunidade de ficar na história pertencendo às páginas da dignidade, da rectidão e da responsabilidade. Com todo o seu comportamento ficará na história, mas nas páginas pintadas de preto.
André Namora Ai Portugal VozesSem abrigo O texto que passo a escrever inclui conteúdos que demoraram três meses a recolher, em vários locais de Lisboa, nomeadamente no Parque das Nações, na Estação do Oriente, no Terreiro do Paço, no Cais do Sodré, na Avenida Almirante Reis, na Avenida 5 de Outubro, na Avenida dos Estados Unidos da América e na Avenida de Roma. Isto, porque o número cada vez maior de sem-abrigo nas ruas da capital do país aumenta de mês para mês e constitui a maior vergonha para o apoio social estatal. Recordo que o Presidente Marcelo, a dada altura do seu mandato tentou, “sonhando”, acabar com os sem-abrigo. Visitou vários locais onde se abrigavam os despejados da sociedade, falou com eles, mostrou-se muito sensibilizado e após verificar as contrariedades para terminar com a vergonha, nunca mais se ouviu o Presidente da República falar em tal desiderato. Os sem-abrigo existem a dormir na rua pelas mais diversas razões. Desemprego, morte ou abandono dos pais, droga, despejo de residência, divórcio e sequência de prisão. Conversámos, com muita dificuldade, com vários sem-abrigo e todos eles repetiram a mesma coisa: gostar de ter uma casinha. É o eterno problema da falta de habitação pública quando existem milhares de milhões para o absurdo aeroporto de Alcochete. 23:00 horas – Parque das Nações – Boa noite! – (voz arrastada) Boooa nooooite… o qué que quer? – Você precisa de comida ou alguma bebida? – Nããão… – Posso saber a razão porque está aqui? – Vooocê ééé bóóófia?? – Não, sou jornalista. – Pooor acaaaso sãão uns gaaajos porreeeeiros… – Você veio para aqui, por quê? – Ora, pooorque quaaaando saí da prisããão prometeeeeram-me uma data de coooisas e afinal eeeera tudo aldraaaabice… – Quer dizer que a tão falada reintegração dos reclusos na sociedade não é uma verdade, certo? – Issooo de que falaaa é uma treeeta, é uma meeeerda… – E quem é que lhe traz a comida? – São umas senhoooras numa carrriiiinha que eu nem seeeei quem sããão… – Oiça, porque é que arrasta a voz? Está doente? – Não… é do álcool… já estouuu muita mal… bebo comó car….! – Precisa de algum cobertor? – Nããão… agora vem aíííí o calor e esta meeeerda melhoooora… – Como é que se chama? – Sou o Alfreeedo… – Posso falar na Câmara Municipal em si? – Ó amigo, se conseguir tirar-me desta meeeerda até lhe ofereciiiia uma banana… 22:40 – Terreiro do Paço – Boa noite, amigo! – Boa noite, ia a começar a dormir… – Peço desculpa, eu sou jornalista e estou a fazer uma reportagem sobre a vossa situação… – Fazes bem, meu!… Isto é um sofrimento que ninguém imagina… – Por que é que está aqui deitado mesmo no meio desta gente toda? – Eu quero que os gajos se fo…! Este chão é lisinho e dorme-se bem… eu estou aqui porque a minha companheira mandou-me de frosque só por que lhe disseram que eu andava com outra… ela tinha umas boas massas, um bom emprego, carro e eu vivia um pouco à custa dela… – Então, acha-se culpado de ser sem-abrigo? – Em parte, sim, fod.-..!… Mas sonho em ter uma casinha… – Quem é que vem aqui dar-lhe ajuda? – As senhoras da Câmara… são muito boa gente… – Como é que se chama? – Chamam-me o Docas… um nome do car….! – Muita sorte para si e durma lá! – Sorte, meu! Vai como o Deus… 05.30 – Avenida Almirante Reis – Bom dia, amigo! – Viva… o que é que se passa?… – Nada de mal, apenas estou a fazer umas perguntas para um jornal sobre o vosso drama de serem sem-abrigo. – Com vocês, falo… com a bófia nem sonhar! – Eu sou o André e você? – Os meus pais que não sei onde param deram-me o nome de Alberto… – Não sabe dos pais por quê? – Porque deram-me um pontapé e atiraram-me para fora de casa… eu comecei no chuto e a roubar-lhe as jóias lá de casa e eles, toma! Vai-te curar… – A droga que compra é verdadeira? – Eu sei lá?!… os gajos vendem e sei lá se é treta… se a gente refila ainda levamos porrada… – E não há hipótese de deixar a droga? – Nem pensar, meu! Tu sabes lá o que é uma ressaca… um gajo até quase que morre… – E tem apoio de quem aqui? – É uma associação de defesa dos drogados que nos vai safando… – Não tem frio? – Porra, isso foi em Dezembro… agora daqui a dois meses já temos aí o calor… – Obrigado e desejo-lhe a maior sorte… – Para ti, igual! 01.45 – Avenida de Roma – Boa noite! Então está acordado? – Tou e estarei! – Eu sou o André e ando em reportagem sobre os sem-abrigo. Aqui na Avenida de Roma há muita polícia. Nunca o aborreceram? – Não! Eles passam e são humanos, fingem que não veem e debandam… mas depois da meia-noite só andam de carro… – Posso saber por que é que está aqui… como é que se chama? – Marco… estou aqui porque a vida é uma merda… eu vivia num T1 com uma garina e quando eu comecei a juntar-me a uma malta que não interessava a ninguém, ela foi-se embora para Inglaterra e ao fim de seis meses de rendas em atraso, o senhorio mandou-me embora… a assistência social disse-me que havia mil pessoas em lista de espera para uma casota e aqui estou… – Mas tem aqui um papelão que de um lado pede ajuda e do outro diz “Ajude-me que tenho fome”… – É porque tenho… só vivo das esmolas e por acaso aqui as pessoas são muito generosas… e já me conhecem… – Quer que eu vá buscar um hambúrguer e batatas fritas? – Bem… isso era um banquete… – Até já! Percorremos outros locais e a tragédia humana obriga-nos a ter muita força anímica para ouvir certas passagens que nos abstraímos de vos transmitir para não chocar possíveis sensibilidades mais frágeis dos amigos leitores. P.S. – Desejo ao Director Carlos Morais José e a todos os que trabalham neste jornal os meus parabéns pela passagem do 24º aniversário.
André Namora Ai Portugal VozesTrotinetas são um perigo Bons tempos em que os nossos pais nos construíam uma trotineta de madeira e íamos até ao jardim ter o prazer de as empurrar com um dos pés. Nos dias de hoje as trotinetas eléctricas são uma praga em quase todo o mundo. Uma praga perigosa. Os acidentes mortais com trotinetas sucedem-se em Portugal. Na semana passada morreu um utilizador de trotineta quando caminhava para o emprego e foi atropelado por um condutor criminoso porque fugiu após o embate no veículo de duas rodas. Em Paris, o uso de trotinetas já foi proibido. Em Lisboa, a praga assusta os passeantes porque os “pilotos” de trotineta andam pelos passeios a grande velocidade e já embateram contra idosos, crianças, deficientes com cadeiras de rodas, invisuais e carrinhos de bebés. Todos os dias assiste-se a um acidente de trotineta. Os condutores das mesmas nada respeitam, especialmente os sinais de trânsito. Passam com o sinal vermelho, atravessam os cruzamentos em diagonal, andam dois e até três numa trotineta e conduzem com auscultadores a ouvir música. Há dias, um condutor de autocarro viu-se impossibilitado de evitar o acidente contra uma trotineta com um casal a bordo. Ele partiu o braço e perna. Ela foi de ambulância para o hospital com traumatismo craniano. Isto, porque a maioria dos utentes de trotinetas anda a grande velocidade pelo meio dos carros sem usar capacete de protecção. Para que tenham uma ideia, em 2024, registaram-se 1.658 acidentes com trotinetas eléctricas em Portugal, resultando em quatro mortes, 72 feridos graves e 1.677 feridos ligeiros. Estes dados foram divulgados em Junho deste ano pela Prevenção Rodoviária Portuguesa, reflectindo uma tendência de agravamento nos sinistros envolvendo trotinetas eléctricas nos últimos anos. Em Lisboa, construíram-se ciclovias, algumas absurdas porque não têm seguimento. Percorre-se uma determinada distância e terminou a ciclovia. Todavia, mesmo nas ciclovias, algumas com semáforos, os “trotineiros” nada respeitam e embatem contra as bicicletas. Estes números de acidentes são assustadores e preocupantes para as autoridades. Autoridades que têm de tomar medidas sérias sobre o uso das trotinetas, apesar de já ter sido decidido o seguro obrigatório para bicicletas e trotinetas. Em princípio, o uso do capacete devia passar a ser obrigatório. Seria do melhor bom senso a proibição total do movimento de trotinetas nos passeios das cidades e a proibição de a trotineta ser usada por mais de um utente. Estas três medidas são urgentes, acrescentando que os utentes de trotinetas e bicicletas deviam ter uma licença de circulação, a qual seria retirada para sempre no momento em que um utilizador de trotineta fosse apanhado a andar nos passeios, sem capacete, sem seguro ou a não respeitar a luz vermelha dos semáforos. Um especialista em questões de segurança rodoviária transmitiu-nos que as trotinetas são um verdadeiro perigo no movimento global do tráfego rodoviário citadino, por não respeitarem minimamente as regras do trânsito. Mais nos acrescentou que, dois ‘crash-tests’ realizados pela Fundação Mapfre, em Espanha, revelam que uma colisão, mesmo que apenas a 25 km/h, de uma trotineta eléctrica contra um peão ou um veículo pode causar ferimentos graves ao condutor da trotineta e aos peões. Os especialistas destes estudos indicam como factores que mais influenciam um acidente fatal, prende-se com conduzir trotinetas sem capacete (40 por cento), imprudência cometida por outros veículos (20 por cento) e circular em estradas interurbanas (20 por cento). Não temos dúvidas, de que os acidentes só podem ser reduzidos se passar a ser obrigatório o uso do capacete e colete retro-reflector ou roupa de alta visibilidade, respeitar a sinalização do trânsito, não utilizarem auriculares quando circulam quando chegamos a ver utilizadores de trotinetas a falar ao telemóvel através desses auriculares, não circular nos passeios e quando atravessam uma passagem de peões deverão descer da trotineta. Imaginem, que as trotinetas eléctricas até foram assunto de primeira página na imprensa porque um dos incendiários das últimas chamas devastadoras andou a pegar fogo em vários locais de trotineta eléctrica… Este assunto das trotinetas é mais grave do que possa parecer. Já é preocupante para o cidadão comum que sai à rua. As pessoas com deficiência visual estão a ter medo de sair de casa perante o risco de sofrerem lesões provocadas por trotinetas eléctricas e pelo seu mau estacionamento nos passeios e nas passagens de peões. A verdade, é que podemos ver trotinetas abandonadas em qualquer lado dos passeios. O presidente da Associação dos Cegos e Amblíope de Portugal (ACAPO), Rodrigo Santos, sublinhou que este meio de transporte tem “prejudicado gravemente um direito fundamental dos invisuais, e não só, que é o de poder sair à rua”. A mesma personalidade adiantou que a ACAPO tem tido contactos com cidadãos cegos que passam por “coisas surreais”, nomeadamente quedas que têm origem num tropeção contra trotineta deitada no meio do passeio ou abalroamento após a saída de uma paragem de autocarros, havendo também vários casos de bengalas partidas e de invisuais que têm ido para o hospital. Entendemos que igualmente devia ser implementada uma lei que limitasse a velocidade das trotinetas eléctricas a 30 km/h em zonas com elevada utilização de veículos de micromobilidade, porque a circulação com trotinetas apresenta maior risco de lesões na cabeça, face e pescoço. Por outro lado, a maioria de utilizadores de trotinetas eléctricas é de jovens que não têm a mínima noção das regras de trânsito. O paradigma deste problema tem de mudar radicalmente, para benefício e segurança dos milhares de peões que frequentam as ruas do país.
André Namora Ai Portugal VozesJornalistas desprezados O país continua a arder. As chamas não dão tréguas. Um ex-autarca e candidato a presidente de uma Junta de Freguesia, de 40 anos, estava a tentar combater as chamas e salvar animais na sua aldeia morreu carbonizado. Cinco bombeiros da Covilhã a caminho do combate às chamas viram o carro tombar numa ravina e um dos bombeiros morreu, outro, luta pela vida em estado grave e três estão feridos no hospital. Um operador de máquinas de arrasto com larga experiência morreu quando realizava combate às chamas na zona de Mirandela. Um carro de bombeiros foi engolido pelas chamas e enquanto ardia por completo os soldados da paz conseguiram fugir resultando um bombeiro ferido gravemente. Milhares de moradores de aldeias e vilas combatem os incêndios à porta das suas casas com baldes e pequenas mangueiras sem qualquer apoio aéreo ou por falta de bombeiros que não são suficientes para atender a todo o lado. Os moradores desabafam paras as televisões que o inferno nunca visto tem como culpados os criminosos incendiários, uns doentes mentais, outros pagos e os governantes que nos últimos anos não levaram a efeito o planeamento que há muito está delineado para reduzir a catástrofe. No funeral do bombeiro da Covilhã que faleceu, o primeiro-ministro foi apupado e gritaram “Vai-te embora! Não mereces estar aqui!”. Portugal não possui nem um avião Canadair para o combate eficiente às chamas. Dezenas de casas arderam e vários hectares de produtos agrícolas desapareceram. A ministra da Administração Interna, antiga provedora de Justiça, não possui a mínima ideia do que é combater um incêndio e, em princípio, chamou os jornalistas para uma conferência de imprensa. Depois de proclamar umas baboseiras e limitar-se a anunciar que o estado de alerta iria continuar, quando os jornalistas se preparavam para confrontar a ministra com várias perguntas pertinentes, a governante disse: “Vamos embora!”. Absurdo, insolente, revoltante a atitude da ministra ao desprezar os jornalistas. Muitos deles que têm arriscado a vida em reportagem no meio das chamas, obrigados a fugir, dia e noite a comer e dormir sem condições. A atitude da ministra já mereceu o apelo da maioria dos portugueses ao primeiro-ministro para a demitir. Luís Montenegro faz ouvidos de mercador e depois de se pôr a nadar nas ondas do mar algarvio e de realizar a festa do Pontal enquanto o país ardia, as redes sociais foram palco dos maiores insultos ao chefe do Executivo obrigando-o a interromper as férias e a mostrar que estava preocupado com a situação de tragédia no país. O Governo tem sido igualmente criticado por não ter pedido apoio europeu quando o drama estava no auge. Os incêndios têm sido devastadores. Muitas habitações de uso permanente arderam, os idosos são evacuados para pavilhões desportivos ou para instalações das Juntas de Freguesias. A logística de apoio à alimentação dos bombeiros e dos militares da GNR tem sido muito deficiente. A coordenação entre a Proteção Civil e os bombeiros não existe e o presidente da Liga dos Bombeiros já reivindicou um comando nacional autónomo para os bombeiros combaterem os incêndios. Pensamos que o presidente da Liga dos Bombeiros anda a falar para o boneco. Na televisão temos assistido aos mais diversos especialistas sobre ordenamento do território, sobre soluções para o planeamento futuro de soluções positivas, sobre o que está errado na floresta portuguesa. E por que razão o Governo não chama esses especialistas e reúne com eles para que em Outubro se iniciassem já acções tendentes a resolver muito do que não está certo e que tem colocado a vida de milhares de portugueses em risco? Seria urgente ouvir essa gente para depois agir em conformidade. Os bombeiros em número insuficiente estão exaustos. Caem no chão e dormem uns minutos, desidratados e, por vezes, a água não existe. Nas aldeias nem água nem electricidade. As intervenções dos responsáveis pela Proteção Civil nunca registam esses dramas e, muito menos, encontram soluções. É o deixa arder e fé em Deus. Não pode continuar a ser assim. Algo tem de mudar drasticamente, caso contrário, para o próximo ano teremos a mesma cena. O povo está triste, desolado, sem confiança nos políticos e, mais uma vez, quem aproveita disto tudo é a demagogia e o populismo do Chega. Ventura tem cada vez mais boa imprensa e não há um dia que não apareça na televisão a proferir aquilo que os desolados gostam de ouvir. É assim que aumenta o número de votantes. Os democratas vão gozar férias para a praia e nem se apercebem do mal que estão a fazer a eles próprios e aos seus partidos para um futuro a curto prazo quando chegarem mais eleições. Não se gastam milhões de euros a evitar estas tragédias, mas continua-se a admitir o gasto astronómico de milhares de milhões de euros num aeroporto em Alcochete, quando o aeroporto de Beja podia resolver o problema. De tal forma é assim, que muitas equipas de futebol nas suas deslocações para competições europeias já partem e chegam usando o aeroporto de Beja. E isto, sem existir um pequeno empreendimento que ligasse Beja a Lisboa e vice-versa de TGV. Assistimos a governantes preocupados com os milhões de euros que têm de enviar para a Ucrânia e não há dinheiro para salvar os portugueses. A revolta do povo atingido pelos incêndios é enorme e perto de Seia-Covilhã ouvimos um desabafo de um morador que diz tudo: “Se apanhasse aqui algum político atirava-o para o meio das chamas!”. A situação é grave, gravíssima e ficamos com a ideia que os responsáveis estão completamente impotentes para resolver o problema. As cartas abertas ao primeiro-ministro têm sido inúmeras. Tivemos acesso a uma carta escrita pelo cidadão Mário Gonçalves, na qual a dado passo, refere que: “Escrevo-lhe em nome da revolta, da indignação e do mais profundo desprezo pelo espectáculo a que assistimos nos últimos dias. Enquanto o País ardia, enquanto famílias perdiam casas, memórias e vidas, enquanto bombeiros se arrastavam exaustos no terreno a lutar contra as chamas incontroláveis, V. Exa apareceu em público a falar de “esgotamento”. Esgotado de quê, senhor Primeiro-Ministro? De farras, de praia, de inaugurações inúteis e de discursos vazios? Esgotados estão os bombeiros que, com meios insuficientes, dormem no chão, comem quando podem e arriscam a vida diariamente. Esgotadas estão as famílias portuguesas que veem arder aquilo que construíram com o suor de uma vida inteira. Esgotado está um povo que tem de aturar a sua indiferença mascarada de encenação política”.
André Namora Ai Portugal VozesBeatas eternas Não, não vou escrever sobre as beatas que frequentam as sacristias das igrejas e que se insinuam junto dos sacerdotes para provocar sexo, porque, isso, daria uma crónica muito polémica e não vou por aí. Venho salientar o que se passa de norte a sul por todas as cidades, vilas e aldeias deste país sobre as beatas dos cigarros consumidos pelos fumadores. As beatas dos cigarros chegam a levar entre 10 a 12 anos para se deteriorar na natureza nunca chegando a decompor-se na totalidade. E se os filtros das beatas tiverem plástico, as beatas levam mais de 100 anos a desaparecer. Durante esse período, as beatas libertam substâncias químicas tóxicas no solo e na água, contaminando o meio ambiente e prejudicando a vida selvagem e urbana. Já não consideramos o facto de os fumadores prejudicarem a sua saúde, cada um toma a decisão que pretender. Mas os fumadores têm de compenetrarem-se deste facto grave que são as beatas serem atiradas para o chão ou para a água. Em qualquer cidade, vila ou aldeia podemos ver beatas no chão. São aos milhões. Bem sabemos que alguns cafés não colocam cinzeiros nas mesas das esplanadas, apesar de já haver pessoas que possuem o seu cinzeiro de reduzida dimensão para colocarem as suas beatas que mais tarde atiram para o lixo. Muitas vezes os cidadãos estão a andar pelas ruas, passam por um recipiente próprio para colocarem as beatas e atiram-nas para o chão. Estão no exterior de um bar na conversa e atiram as beatas para o chão. Encontram-se a passear de barco e atiram as beatas para a água. Vão para a praia e enfiam as beatas na areia ou atiram-nas para o mar. Vão a conduzir automóvel fumando e no fim atiram as beatas pela janela tendo cinzeiro no carro. Estão num piquenique em zona florestal e atiram as beatas para qualquer lado, esquecendo-se do perigo de se iniciar um incêndio. As ruas estão cheias de milhões de beatas. Em conversa com um trabalhador municipal que limpa as ruas, este disse-nos que é praticamente impossível recolher todas as beatas porque algumas encontram-se entre as pedras das calçadas. As beatas são um prejuízo grave para o meio ambiente e para a saúde dos humanos. A maioria dos fumadores tem de se compenetrar que tem de mudar o seu hábito de atirar as beatas para o chão ou para as águas de um rio ou do mar. É um gesto de civismo e de solidariedade pela saúde do próximo se o fumador não colocar as beatas em recipientes próprios para o efeito. Parece um facto de menos importância, mas não o é. Grave é termos milhões de beatas pelas ruas a céu aberto. Um especialista em assuntos do meio ambiente transmitiu-nos que um dos piores males para a saúde de quem vagueia pelas ruas é a existência de milhares de beatas na sua cidade, vila ou aldeia. Este paradigma é importante que seja paulatinamente mudado e que os fumadores deixem de atirar as beatas para onde não devem. Segundo o Programa de Monitorização de Portugal Continental promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente, em 2022, as beatas e os filtros de cigarros ocuparam o terceiro lugar no top 10 do lixo marinho, correspondendo a 13,1% de todo o lixo apanhado. Leiam bem: estima-se que por minuto sejam atiradas 7000 beatas para o chão. As beatas de cigarro são a parte que resta após os cigarros serem fumados. São constituídas por restos de tabaco e um filtro. Os restos de tabaco contêm cerca de 4000 substâncias químicas, das quais mais de 50 são comprovadamente cancerígenas. Dir-me-ão que conhecem fumadores com 80 anos de idade e que fumam um maço por dia e não apanharam cancro. E nós respondemos que também já morreram pessoas fumadoras, com 40 e 50 anos, e que os médicos diagnosticaram que o cancro contraído se deveu ao tabaco. Acontece que, os filtros incluem uma parte central de acetato de celulose (uma fibra sintética que parece algodão, mas é constituída essencialmente por plástico e daí, a possibilidade de poder levar 100 anos a desfazer-se), envolvida em duas camadas de papel ou outras fibras sintéticas. Enquanto o cigarro é fumado, os filtros acumulam parte dos poluentes presentes no fumo. Quando as beatas se degradam, os filtros libertam esses poluentes, como por exemplo, a nicotina e metais pesados como o ferro e o cobre. Uma beata de cigarro pode contaminar até seis litros de água. Pensamos que se trata de um assunto sério e a ter em conta, que não podemos continuar a atirar com as beatas para o chão ou para a água. É um apelo que deixamos aos potenciais fumadores, que pensem duas vezes antes de se desfazerem da beata que têm nos dedos. Para o chão, para o rio ou para o mar, por favor, não! P. S. – A nossa solidariedade por quantos em Macau foram prejudicados pelas recentes e graves inundações que se registaram na RAEM.