André Namora Ai Portugal Vozesai, portugal, portugal O nosso país pretende ser uma cidade, mas é uma aldeia. Pretende ser do primeiro, mas é do terceiro mundo. Com uma agravante: é um país ao Deus dará. Os incêndios voltaram mais uma vez, mal chegou o calor. Com gravidade. Fogos que se iniciaram às três horas da madrugada. Obviamente pela mão de pirómanos que o tribunal se encarrega de enviar em liberdade. Com bombeiros feridos. Com casas queimadas. Com moradores sem dormir vários dias. Com o rendimento de uma horta, de um rebanho ou de uma vindima que desaparece de um dia para o outro. E ao Deus dará porque o primeiro-ministro ao mesmo tempo que o país estava em tragédia governava a partir de uma qualquer bancada de um estádio de futebol norte-americano. Na Costa da Caparica os habitantes já desesperam há anos com a falta de água. A Câmara Municipal de Almada socialista está debaixo dos maiores protestos e revolta da população. As pessoas não têm água para beber, para tomar banho, para cozinhar. Os restaurantes fecham os WC e as portas devido à falta de água. As escolas e infantários encerram porque não há água. O centro de Saúde suspendeu as consultas e tratamentos médicos por falta de água. E isto, não é terceiro mundo? Para a presidente da Câmara de Almada parece que nada se passa no Concelho. Nem responde às várias associações de moradores, nem a certas perguntas pertinentes dos jornalistas. Sem dúvida, uma Câmara ao Deus dará. Pela falta de água a política já está em guerra. Para a edil almadense a culpa é do Governo. Para o Governo a culpa total é da presidente da Câmara de Almada. Esta discussão dá vómitos porque a solução do problema não existe de nenhuma das partes. Em Viana do Castelo a decisão camarária brada aos céus. A edilidade decidiu que nas freguesias a luz eléctrica pública fosse desligada entre as 3:00 e as 5:00 horas. Aldeias totalmente às escuras. Os moradores estão revoltadíssimos. O perigo de assaltos é constante e a possibilidade de violência contra quem regressa do trabalho por turnos é uma possibilidade que amedronta quantos vivem essa situação. Ao estilo de terceiro mundo, a edilidade justifica esta medida absurda como a poupança de energia. Então, para que serviu a poluição das montanhas com os monstruosos geradores eólicos justificados que resultaria em energia “á farta” para todo o país. Geradores eólicos que daqui a 20 anos ficarão abandonados pela paisagem como lixo ao Deus dará. Não lembrava nem ao diabo cortar a electricidade pública a milhares de pessoas. Não é um fenómeno do Entroncamento… mas sim de Viana do Castelo. Outro fenómeno triste, é o que se passa na Carris Metropolitana, uma marca que unifica os transportes públicos rodoviários da Área Metropolitana de Lisboa. Gerida pela empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa (TML) que abrange 18 municípios. Esta TML também parece andar ao Deus dará quando coloca uma “miúda” de 28 anos sem qualquer experiência a conduzir um autocarro cheio com cerca de 30 vidas e que troca os pedais. Bem, os pedais de uma viatura automática. Apenas tem dois pedais. Um, para acelerar e outro para travar. E a motorista acelerou em vez de travar e foi matar duas pessoas e ferir cerca de 20, inocentes que estavam na paragem do autocarro a aguardar a ida para o trabalho. Se um veículo automático é conduzido desta forma, imaginamos o que serão estes tipos de motoristas a conduzir um carro manual com três pedais, embraiagem, travão e acelerador… Mas a TML está a ser criticada por colocar na zona de Sintra, nas estradas estreitas de Colares, Praia Grande, Praia das Maças, Azenhas do Mar, Fontanelas e outras terras, autocarros enormes de 40 passageiros quando nunca transportaram mais de 10 utentes e que podiam colocar ao serviço apenas autocarros de dimensão menor. Esses autocarros da Carris Metropolitana rolam a velocidade excessiva, em estradas que em alguns locais não cabem dois carros ligeiros. Esses autocarros têm motoristas irresponsáveis e desumanos. Crianças que se encontrem na paragem e que fazem sinal para parar, os funcionários da TML limitam-se a não parar para poderem cumprir o horário. Vergonhoso e desumano, foi o que se passou numa paragem entre Colares e a Praia das Maças. Uma criança de 12 anos foi na sua pequena bicicleta para uma explicação escolar. No regresso a casa, um pneu da bicla furou. A criança foi para a paragem do autocarro da Carris Metropolitana e pediu ao motorista que a deixasse entrar com a sua bicla que furou um pneu, já que a sua casa era apenas em duas paragens à frente. O “simpático” motorista respondeu à criança: “Vai a pé!”. Na Educação é que o país está mesmo ao Deus dará. O atraso nas correções dos exames tem promovido protestos por todo o lado de professores, alunos e seus pais. Pedem a demissão do ministro e os manifestantes afirmam que “a incompetência nesta área é total”. Ao Deus dará continua a área da Saúde. Um cidadão dirigiu-se para o hospital de Portalegre e queixou-se de fortes dores no peito. A triagem entregou-lhe a pulseira verde (a de menos importância) e o homem passado um pouco de tempo morreu. Tudo isto, revolta cada vez mais as populações. O país tem mesmo que estar ao Deus dará, porque muitos portugueses que ficaram sem nada nas tempestades de Janeiro, em Leiria e Marinha Grande, ainda não receberam as indemnizações prometidas…
André Namora Ai Portugal VozesLÁ PASSARAM A selecção nacional de futebol conseguiu passar para os oitavos de final do Mundial 2026. O Mundial está ao rubro e os milhões de portugueses amantes de futebol têm sofrido como nunca. Por uma simples razão. Não temos treinador. Os jogadores de nível superior internacionalmente jogam o que sabem e o que desenvolvem em campo, especialmente contra o Congo e Colômbia, é aquilo que praticam nas suas equipas famosas. O treinador não tem teorias, estratégias e táticas. Nem a noção que se põe Ronaldo em campo também tem de colocar ao seu lado o João Félix. Nós somos doentes pelo futebol, pelo Benfica, deslocamo-nos da Guarda a Lisboa quando há Benfica-Sporting. Sabemos bem o que é sofrer pelo raio da bola. E na sexta-feira, mais uma vez, nem soubemos como ganhámos à Croácia. Valeu que o jogo teve um bom VAR. Caso contrário, a Croácia teria ganho o jogo a brincar. O espanhol seleccionador/treinador continua a deixar Gonçalo Inácio no banco, um dos melhores defesas da Europa. Permite que João Cancelo ande por todo o lado, incluindo na extrema esquerda e depois o seu sector defensivo ficou vazio e os croatas entravam quando queriam e lhes apeteciam e sempre com perigo, ao ponto de Diogo Costa ser mais uma vez o homem do jogo. Realmente, o salvador da Pátria. Esta madrugada em Macau vamos ver o que acontece contra a Espanha, uma equipa que não brinca em serviço nem comete erros como a equipa portuguesa. O Mundial 2026 tem sido uma surpresa. Antes de mais, os EUA não mereciam as centenas de milhares de adeptos que se dirigiram para aquele país com o intuito de apoiar as selecções dos seus países, quando são presididos por um fascista que proíbe a entrada a muitos cidadãos estrangeiros. Que raio de liberdade passou a existir na América? Na verdade, tem sido impressionante como todos os jogos do Mundial têm os estádios esgotados e ainda milhares de adeptos no exterior a ver pela televisão. É impressionante o preço dos bilhetes que tem sido praticado na candonga. No Portugal-Croácia houve “doentes” pelo Ronaldo que pagaram cinco mil dólares pela entrada no estádio. Outra surpresa têm sido os resultados positivos e o comportamento futebolístico das equipas africanas. Como foi possível que os candidatos ao título Alemanha e Países Baixos tivessem ido à vida? Um aplauso para o Congo, Senegal, Costa do Marfim, Egipto, Marrocos e Cabo Verde. Os caboverdianos que são até agora os heróis do Mundial. Na sua primeira participação apenas foram eliminados aos 111 minutos pelo campeão do mundo Argentina, já depois de terem empatado contra o campeão europeu Espanha. O futebol, realmente, movimenta multidões e milhões. Da Nova Zelândia a Portugal todos os povos vibram com o futebol e as crianças já brincam com a bola melhor que Ronaldo quando este jogava nas ruas do seu bairro madeirense. Um outro ponto a salientar: as arbitragens têm sido na generalidade muito boas e os VAR muito sérios. Por referirmos as arbitragens, é importante que saibam que em Portugal a arbitragem está pelas ruas da amargura. O director técnico da arbitragem e um dos melhores ex-árbitros portugueses, Duarte Gomes, demitiu-se e rebentou uma bomba. Alegadamente existem suspeitas de que no campeonato que terminou existiu muita corrupção no seio da arbitragem e até árbitros com nomeações combinadas com certos clubes. Isto, é um escândalo, uma vergonha, ignóbil para a imagem do futebol português na Europa. A discussão nos canais televisivos é diária sobre este assunto e a maioria dos comentadores desportivos salienta que a investigação tem de ir até ao fim, doa a quem doer. O mais curioso é que o FC Porto reagiu de imediato após se saber da vergonha. Seguiu-se o Benfica e o presidente do Sporting deu o seu parecer de viva voz. Será que todos querem agora sacudir a água do capote, quando vimos ao longo da época 2025/26 muitas arbitragens duvidosas e tendenciosas? Resumindo: o dinheiro continua a comprar todas as Taças… Agora, o mais importante é que esta madrugada para vós, Portugal possa ganhar à Espanha. Boa sorte, Portugal!
André Namora Ai Portugal VozesDilema Na região da Guarda, onde resido, existe há muito um dilema que se agudizou. Trata-se da luta pela sobrevivência dos lobos e das ovelhas. Por um lado, estão os pastores que defendem os seus rebanhos e que estão contra a existência de lobos no montado porque atacam e comem as suas ovelhas. Alguns pastores já passaram a andar de caçadeira na mão com o intuito de abaterem qualquer lobo que se aproxime. Por outro, estão os defensores dos animais que adiantam ser imperioso defender a existência dos lobos. Afirmam que o lobo ibérico está em vias de extinção e que está protegido por lei. Um dilema, uma contradição difícil de solucionar. Os que defendem os lobos são criticados. Os críticos afirmam que não são defensores de animais, porque morrem ovelhas quase todos os meses devido ao ataque dos lobos. E salientam que esses defensores de animais não comparam a importância de uma ovelha para a sociedade e a do lobo que se limita apenas a matar outros animais. A discussão não tem fim e estamos quase perante aquele dilema de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha… O debate sobre esta matéria tem sido complexo e gira essencialmente em torno de quatro eixos principais: os ataques causam prejuízos severos aos criadores de gado, especialmente no norte e centro do país e no planalto mirandês. Além da perda de animais, há ferimentos que inutilizam o gado e o pânico provocado no rebanho afecta a produção. A repetição e proximidade dos ataques levam alguns criadores a reivindicar o fim do estatuto de protecção legal do lobo ibérico, que está em vigor desde 1988. Para mitigar os ataques, várias entidades promovem activamente a coexistência através de boas práticas pecuniárias, tais como, o uso de cães de protecção, nomeadamente o Cão de Gado Transmontano, Cão da Serra da Estrela e Cão de Castro Laboreiro. Esta é uma das medidas mais eficazes para afastar os lobos. Por outro lado, tem sido importante a utilização de vedações eléctricas e a recolha de gado em abrigos seguros durante a noite, que reduzem drasticamente a vulnerabilidade dos rebanhos. Um aspecto positivo tem sido a posição do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas que atribui indemnizações aos proprietários lesados pelos prejuízos causados pela perda de ovelhas ou cabritos. Conversámos com um pastor que nos surpreendeu ao dizer-nos: “Sabe, já perdi dezenas de ovelhas mortas por lobos, mas agora pensei numa coisa que tenho posto em prática e que me tem resolvido o problema. Uma vez por semana mato uma ovelha e corto aos bocados. Meto-me na mota e vou lá acima à montanha onde sei que vivem lobos e distribuo a carne. Para já, tem sido um remédio santo, mas ando sempre em pulgas não venha aí um lobo e lá se vão duas ou três ovelhinhas”. Na verdade, a vida de pastores no montado é algo de muito difícil e cada vez há menos jovens que se dediquem à criação e venda de gado ovino. A rapaziada nova prefere alistar-se na polícia, na GNR ou seguir a vida militar. Todavia, o dilema prossegue e em certas zonas os ataques dos lobos continuam e não se vislumbra uma solução. Parece um assunto de pouca importância, mas não o é. Imaginem só, as centenas de talhos existentes no país e que estão sempre a pressionar os seus fornecedores de carne para que não falte aos muitos clientes que são todos os que gostam de um bom petisco de borrego ou de cabrito. A natureza é assim mesmo. A sobrevivência de muitos animais é a lei dessa natureza. Temos o exemplo de quase todas as espécies carnívoras, como as leoas e as águias que matam outros animais para se alimentar e dar de comer aos filhos. Como lemos num livro, contra a natureza não há nada a fazer. P. S. – Por referirmos os fenómenos da natureza, desejamos enviar as nossas sentidas condolências a todas as famílias das vítimas dos sismos registados na Venezuela.
André Namora Ai Portugal VozesO calor mata Segundo os números oficiais, o calor extremo em Portugal continental, no ano passado, levou a um total de aproximadamente 530 mortes. Este ano, as previsões indicam que o número mortal poderá chegar aos mil. Neste mês de Junho têm-se verificado temperaturas anormais para esta altura do ano. Ao longo da semana passada os serviços meteorológicos avisaram que em certas zonas do interior do país a temperatura pode chegar aos 50 graus. É assustador para os mais velhos e para quantos sofrem de hipertensão e vivem em casas sem climatização. Ora, aqui está o busílis deste assunto. São casas construídas há dezenas de anos e normalmente com três ou quatro pisos. Quem viva no último andar é um verdadeiro forno insuportável e que tem levado milhares de cidadãos para o hospital ou para a morgue. Os sucessivos governos nunca se preocuparam em criar uma ajuda financeira às famílias mais vulneráveis para a obtenção de um aparelho de ar condicionado a instalar nas suas casas. Teria sido o mínimo que as “inteligências” governamentais podiam ter feito. O calor em Portugal é seco, a humidade do ar cifra-se nesta altura do ano abaixo dos 50%. E esta característica ambiental é que leva muita gente ao sofrimento. Há dias, um amigo que veio de férias e que nasceu no Canadá disse-nos ter ficado estupefacto pela falta, quase generalizada, dos prédios sem climatização. E a compra de um aparelho de ar condicionado e respectiva instalação não é coisa barata e acessível à maioria das bolsas dos portugueses. Parece algo de simples e, em Macau, os residentes sabem bem da importância de se possuir ar condicionado em casa. No entanto, em Portugal não há um governante, especialmente a ministra da Saúde, que se preocupe com tantos compatriotas que morrem todos os anos devido ao calor. É que 50 graus matam mesmo para quem está habituado a sentir, no máximo, 40 graus. O calor mata mesmo e não é uma falácia. Muitas vezes, os que podem, procuram as praias marítimas ou fluviais para se refrescar e não levar com a onda de calor registada durante o dia. Acontece que em Junho, as praias ainda não têm vigilância e existem no mar os perigosos agueiros e nos rios as ramagens que caíram das árvores e que um mergulho do banhista pode ser fatal. Nas duas últimas duas semanas já morreram afogados cerca de dez cidadãos no mar ou num rio. Obviamente que a inconsciência e a irresponsabilidade dos que frequentam essas praias e rios é indiscutível. No entanto, as autoridades deviam a partir de 1 de Junho iniciar a época balnear e todas as praias mais frequentadas estarem vigiadas. A propósito de praias, com ou sem vigilância, temos assistido a uma discussão frenética nas praias com mais banhistas. Imaginem que a desordem já teve de incluir a ministra do Ambiente, a fim de declarar que as praias são um espaço público. E porquê? Porque os concessionários de toldos e barracas têm dado uma grande “barraca” ao pretenderem proibir que em frente à concessão haja alguém que coloque na praia o seu chapéu do sol. Era o que faltava termos agora praias privadas para os senhores concessionários. Já não basta a vergonha do que se tem passado na Comporta de Tróia e na Arrábida, onde os milionários proibiram o uso das “suas” praias, imbróglio que já passou para a orla judicial, havendo tribunais que discordam com as decisões do Governo, o qual decidiu serem as praias um espaço público. Portugal é um país de sol, de turismo, de boas praias, mas não pode ter o seu povo em casas sem climatização onde se sofre e morre de calor. P. S. – Na Assembleia da República a proposta do Governo sobre reforma laboral foi chumbada. Uma grande vitória dos trabalhadores cuja proposta revertia ao século XIX os direitos dos trabalhadores.
André Namora Ai Portugal VozesO Futebol é Q’Induca Gostar de futebol é quase natural na maioria dos povos. Em Portugal, o futebol é fidelidade, amor e até doença pelo seu clube, seja o Benfica, FC Porto, Sporting, Chaves ou Farense. As mulheres têm aderido ao futebol progressivamente e os campeonatos femininos já arrastam muita gente aos estádios. Nos próximos tempos temos outra paixão: o Mundial com a presença da selecção nacional. Quase todos os adeptos de futebol são treinadores de bancada ou de sofá. A escolha dos jogadores para a selecção tem dado água pela barba. É na televisão, na rádio, nos cafés e no seio familiar. “É pá, o espanhol não percebe nada de táctica!”; “Oh pá, tu já viste aquele tonto que não seleccionou o Palhinha e vai para o Mundial com quatro guarda-redes?”; “Não percebo este treinador, o Bernardo anda a fazer de Palhinha e ainda tem dúvidas se o Leão joga na extrema esquerda”; “Mas aquela espécie de treinador ainda não viu que o Gonçalo Inácio não está em forma?”; “O que eu sei é que assim que o Ronaldo sai a malta ganha!”; “Andam todos para aí a falar que ganhamos a taça, que vamos ser campeões e ainda não viram que as chances são muito poucas”. Enfim, as opiniões dos treinadores de bancada e sofá são infinitas. Na verdade, alguns “opinadores” até podem ter a sua razão, porque as experiências com o Chile e Nigéria não foram nada animadoras no que concerne a coordenação de estratégia futebolística em que possamos ter uma equipa a rolar sobre rodas, como se vê nas seleções da Alemanha, Espanha e Brasil. Mas ainda há quem dê alento aos jogadores e equipa técnica. O Presidente da República deslocou-se à cidade do futebol e esteve com todos os membros da selecção nacional tendo palavras que caíram bem no seio dos jogadores. António José Seguro salientou que temos uma equipa de alto gabarito, com elementos de nível mundial e apelou que trouxessem o caneco para Portugal. Vamos ver como tudo começa contra o Congo, porque temos no nosso grupo um osso duro de roer que é a congénere da Colômbia. No entanto, ao mesmo tempo que os amantes de futebol vão estar umas semanas agarrados ao televisor e aos boletins de apostas existe outro relvado onde a bola custa a girar. É o relvado plantado à beira-mar chamado Portugal, onde a economia definha, o aumento do custo de vida é mensal, onde há reformados a receber 300 euros mensais, famílias vítimas das tempestades de Janeiro que ainda não viram as suas casas reconstruídas, terrenos repletos de árvores derrubadas com a época dos incêndios à porta, aliás, que já começaram, e uma política governamental que teima em aprovar uma lei laboral que tem revoltado quem trabalha. A criminalidade está a passar das marcas. A falta de apoio às mulheres vítimas de violência doméstica é uma realidade incontornável e os salários são dos piores da Europa. Já temos quatro milhões de portugueses a viver ao nível da pobreza e a exploração na indústria hoteleira é um escândalo. Os hotéis, especialmente no Algarve, pagam mal e apenas dão trabalho durante três meses e os contratados a recibos verdes ainda têm de alugar um quarto. Os hotéis chegam a pagar o salário mínimo a um jovem que durante quatro anos pagou um curso de gestão de hotelaria e que exerce a função de director-adjunto durante a noite sem que lhe sejam pagas a dobrar as horas nocturnas ou o trabalho aos feriados e domingos. Ninguém no Governo se preocupa com esta nódoa existente na tal indústria que se farta de apregoar que é o sustento do grande turismo existente no país do bom sol e boas praias. Quando referimos a chegada dos incêndios é justo que se saliente as queixas apresentadas pelas corporações de bombeiros. Provam que os meios não são suficientes, que as ambulâncias não podem acudir a tudo e, muito menos, ficarem estacionadas horas e horas à porta das urgências hospitalares porque as macas ficam retidas com os doentes nos corredores. Isto, é outro futebol, onde o árbitro tem passado entre os pingos da chuva no caso grave da Spinumviva. Vamos esperar por aquilo que vai prender o povinho durante umas semanas: o campeonato mundial de 2026 tendo como palco um país que não o merecia, onde um presidente autocrático proíbe cidadãos com bilhetes e hotéis pagos de entrar na América. De qualquer das formas, temos que também enviar um voto de confiança à equipa das quinas e como disse o Presidente Seguro, que tragam a taça para nosso orgulho. Contra os canhões, jogar! jogar!
André Namora Ai Portugal VozesNem no fascismo Senhor primeiro-ministro, Luís Montenegro: que polícia é esta, a sua? Eu tenho a resposta. Uma polícia pior que aquela que existia no fascismo, no tempo de Salazar/Caetano. Infelizmente, saboreámos as bastonadas na polícia de choque em 1969 quando nos atrevemos a participar numa pequena manifestação, quando não havia liberdade de reunião e de manifestação. No entanto, poucos dias depois a polícia de choque recebeu indicações para se dirigir à cidade universitária de Lisboa e banir fortemente com um grupo de estudantes que estava num género de comício a falar mal da ditadura. O que vos posso dizer é que o comandante da polícia de choque mandou parar as viaturas policiais perto do hospital de Santa Maria e, como estava quase a anoitecer, não avançou mais e esperou que os jovens dispersassem. Não optou por violência, por bastonadas e por detenções. A Constituição que ainda temos é bem explícita em permitir a liberdade de reunião e manifestação. Mas, o que aconteceu em frente à Assembleia da República foi uma vergonha, apenas justificada para que Montenegro possa dizer em Bruxelas que tem uma polícia muito “eficiente” que prende quaisquer anarquistas. A central sindical CGTP promoveu uma greve geral e em várias cidades do país realizaram-se manifestações de protesto contra o pacote laboral que o Governo pretende implementar contra todos os direitos existentes dos trabalhadores. No final da manifestação, os dirigentes da CGTP e a maioria dos manifestantes dispersou. Na base da escadaria da Assembleia da República foram colocadas baias metálicas e tudo correu bem. A rua frontal à escadaria foi vedada ao trânsito. Tudo tinha corrido às mil maravilhas. Um grupo de jovens manteve-se a mais de cinquenta metros da escadaria e depois de cantar o Grândola, Vila Morena ficou na conversa bebendo umas cervejas. A dado momento, abriram a rua ao trânsito e os jovens não gostaram com receio de serem atropelados e tentaram impedir a passagem dos carros. Acto contínuo, apareceram polícias que começaram à bastonada aos jovens e a atirá-los para o chão. Um dos jovens atirou uma garrafa de cerveja contra os polícias. A repórter da CMTV dizia que eram “várias” garrafas e que feriram um polícia… Chegou a polícia de choque, talvez para mostrarem o novo equipamento e uns capacetes especiais e começou a desancar bastonadas e agressões aos jovens. Um espectáculo degradante quando atiraram para o chão puxada pelos cabelos uma moça que ficou de pernas ao léu até às cuecas e foi algemada. A polícia de choque continuou a intervir violentamente para retirar o grupo de jovens do local e começou um show policial nunca visto em democracia. Nem no tempo do fascismo. Pelas ruas circundantes os jovens eram perseguidos à bastonada. No entretanto, os jovens queimaram dois caixotes de lixo e um comentador do canal NOW dizia que os “muitos” caixotes de lixo queimados era um acto de anarquistas que podiam invadir o edifício da Assembleia da República… e a polícia de choque continuava a perseguir pelas ruas os jovens. Numa rua com escadaria até uma jovem aparentando ser menor, com a sua mochila escolar, foi atirada ao chão e outra foi ferozmente agredida à bastonada. O tal comentador nem sabe o que são anarquistas, porque se o fossem, o caso seria muito sério porque anarquistas experientes estariam nos terraços dos prédios a atirar coquetéis Molotov para cima dos polícias que ficariam queimados. Os polícias tinham-se metido mesmo na boca do lobo… A vergonhosa actuação da polícia de choque durou um tempo infindável escorraçando todos os jovens para muito longe do local onde tinha terminado a manifestação da CGTP. Com cerca de quarenta carrinhas policiais para cerca de três dezenas de jovens, a polícia apresentou o seu troféu: seis jovens detidos e que foram presentes a um juiz. Tudo inqualificável. Uma acção policial sem senso, sem lógica e sem democracia. Será este o futuro que espera ao povo? Uma polícia que não controla assaltos a ourivesarias, a restaurantes a casas de jogadores de futebol, a postos de combustível, mas que está pronta no imediato para agredir uns miúdos que não estavam a prejudicar ninguém? Não, senhor primeiro-ministro. O que aconteceu deve envergonhar o governo de um país dito democrático, apesar de haver gente que achou muito boa a intervenção policial. O nosso desprezo para essa gente. As imagens foram chocantes e repugnantes e o senhor Montenegro deve vê-las para refectir sobre o que se passou e que o show infeliz não se repita. Recorde-se, que eram cerca de 100 polícias para agredir 30 jovens. Uma realidade triste, que indignou qualquer democrata que se preze. Desta forma, já há quem acredite que a democracia pode ter os dias contados.
André Namora Ai Portugal VozesSocialistas presos Declaração de interesse: não temos nada, absolutamente nada a ver com o Partido Socialista. Mas, em Portugal algo mudou na política e na investigação judicial. Existem actualmente em Portugal 24 partidos políticos legalmente inscritos no Tribunal Constitucional. Destes, oito têm assento parlamentar na Assembleia da República. Não nos lembramos desde o 25 de Abril de 1974 que a Polícia Judiciária tenha realizado, com 400 funcionários e técnicos de informática, várias buscas domiciliárias e não domiciliárias a um só partido político, como o fez, na semana passada, ao Partido Socialista, dirigindo-se à sua sede principal de Lisboa e em juntas de freguesia e residências onde se encontravam socialistas em Lisboa, Oeiras, Mafra e Coimbra, A megaoperação versus espectáculo da PJ deteve vários membros do PS e mais de 40 funcionários do partido passaram à situação de arguidos. Recorde-se, que a operação “Tutti Fruti”, dirigida a Rui Rio não abrangeu somente membros do PSD e deu zero. Que a ida de um avião com funcionários da PJ para a Madeira deu zero. Neste sentido, começamos por sublinhar que 400 funcionários da PJ fariam imensa falta nos seus gabinetes para accionarem as muitas queixas-crimes que deram entrada pela mão de muitos cidadãos portugueses e que passados muitos meses continuam a marcar passo, com a alegação da falta de pessoal, especialmente de procuradores. Por outro lado, salientar que as buscas da PJ foram de tal forma chocantes na sociedade porque deu a ideia de que no Partido Socialista era tudo uma cambada de corruptos. Com a agravante de ser precisamente no dia seguinte a uma operação idêntica em Espanha ao Partido Socialista Operário Espanhol. A PJ alega que a existem suspeitas de corrupção, factos relativos a adjudicações por autarquias, cujo valor global pode ascender a quase dois milhões de euros, suspeitas de alegadas práticas de crime de prevaricação e participação económica em negócios, peculato, abuso de poder, procedimentos de contratação de militantes socialistas e à adjudicação por ajuste directo de serviços a empresas associadas a elementos do Partido Socialista, por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia. Obviamente que se se vier a provar tais factos, que os responsáveis terão de ser punidos. Mas, vamos a factos. Vamos a coincidências. Vamos a jornalixo. Vamos a discriminação. Em primeiro lugar, não pomos as mãos no lume que nos outros partidos não aconteça precisamente a mesma coisa. Por exemplo, a PJ não realizou nenhuma megaoperação domiciliária quando elementos do Partido Chega, roubavam malas nos aeroportos ou eram acusados de pedofilia. Que coincidência a realização da operação da PJ, já que foi realizada quando um homem que foi muitos anos director da instituição passou para ministro e aconselhou que um seu amigo ocupasse o seu lugar à frente da PJ. Coincidência, quando canais de televisão da propriedade de Cristiano Ronaldo, amigo de Donald Trump, canais que mais entrevistam André Ventura apoiante de Trump e o político português que de imediato veio a público apoiar a operação da PJ e pronunciar-se contra o líder socialista José Luís Carneiro. Isto, quando muito recentemente as sondagens divulgadas deram um resultado com o Partido Socialista em primeiro lugar. Coincidência, chocante e repugnante, por parte dos referidos canais televisivos que em apenas duas horas divulgaram mais de 50 vezes que tinha sido detido Duarte Moral “assessor de António Costa”, quando o ex-primeiro ministro já não o é há cerca de três anos. Com a agravante de o jornalixo desses canais não referir que Duarte Moral foi assessor de António Costa, de Pedro Nuno Santos e de José Luís Carneiro, porque é o principal quadro do partido na área da comunicação e antigo jornalista. A propósito, à mesma hora em que esses canais televisivos não cessavam de divulgar o nome de António Costa, a RTP Notícias falava sobre a Ucrânia, a CNN Portugal da guerra no Irão e a SIC Notícias de José Mourinho e de Marco Silva. Algo mudou mesmo em Portugal. Antes, dizia-se à política o que é da política e à justiça o que é da justiça. No entanto, o povinho não é atrasado mental e já verificou que algo se está a misturar entre a política e a justiça. Estranho é a PJ nunca ter realizado buscas às dezenas de juntas de freguesias lideradas por políticos de diferentes partidos que têm criminosamente vendido terrenos baldios que por lei são “invendáveis” e pertencem ao Estado. Na passada noite de quinta-feira, sexta e sábado, naturalmente que todos os canais de televisão e toda a imprensa veio a público anunciar a detenção de cinco socialistas, aliás quatro, porque uma senhora detida foi logo libertada porque o “crime” cometido era ter em casa uma velha arma que era do seu pai. Além dos detidos, passaram à condição de arguidos cerca de 40 socialistas. A ideia que ficou pelo país só deu força ao político neofascista que deseja a todo o momento descredibilizar a democracia. Lá vieram as conversas nos cafés de que “Ventura é que tem razão, são todos uma camarilha de ladrões nestes partidos do sistema”. Entretanto, vários socialistas, entre eles João Soares, já vieram a público sublinhar que a operação da PJ se tratou de “uma cabala contra o PS num momento em que o partido é apresentado em primeiro lugar nas sondagens”. Desta forma, não nos admira nada que as sondagens apresentem o Chega em segundo lugar. O governo de Montenegro e os seus interesses políticos em derrotar o Partido Socialista leva muita gente a actuar para lhe agradar… E mais uma vez, a montanha pariu um rato: o juiz mandou todos os detidos em liberdade.
André Namora Ai Portugal VozesSopa salvadora A coisa está preta, dizem os brasileiros, e a maioria dos portugueses sente que a vida está cada vez mais difícil. Vive-se momentos de tristeza, ansiedade e desespero. O meu vizinho pediu-me algum dinheiro emprestado. Disse-me que tinha uma reforma de 300 euros mais o Complemento Solidário para Idosos, que é uma miséria, não consegue sobreviver dignamente. Convidou-me a entrar na sua casa e deixou-me estupefacto. O frigorífico não tinha rigorosamente nada. Nem um pacote de leite, de manteiga ou um qualquer produto. Muito menos, peixe ou carne no congelador. Disse-me que o pecúlio recebido, depois de pagar as contas, dá-lhe para uma “sopa salvadora”. Pedi-lhe para explicar. Respondeu-me com as lágrimas nos olhos que o seu almoço e jantar, há vários meses, é uma sopa salvadora. Confirma-se que muitas famílias pouco mais comem do que uma sopa e uma fruta. A sobrevivência para quatro milhões de portugueses que vivem ao nível da pobreza está cada vez mais difícil. E o Governo insiste em levar ao Parlamento um pacote laboral que ao ser aprovado deixará milhares de trabalhadores em situação muito precária. As centrais sindicais marcaram uma greve geral para o próximo dia 3 de Junho, precisamente com a palavra de ordem principal “Não ao Pacote Laboral”. Na verdade, Luís Montenegro e os seus súbditos ministros não têm a noção do país real. Como defensor de uma política capitalista que apenas agrada aos patrões, tenta a todo o custo que passe a existir um banco de horas, que os trabalhadores sejam despedidos por dá cá aquela palha e, com todo o desplante, sublinhando que o pacote laboral é para “reforçar os direitos e garantias dos trabalhadores no século XXI e permitir aumentar a produtividade, a competitividade das empresas e criar condições para pagar aos trabalhadores salários de nível europeu”. Só para rir, antes que caiam as lágrimas aos que serão despedidos sem justa causa. Isto, porque se pretende alterar o prazo dos contratos de trabalho, o banco de horas por acordo, o reforço das licenças parentais e dos dias de férias. Não foi por acaso que nem a UGT entrou em sintonia com o Governo. Uma das alterações propostas mais contestadas pelos parceiros é o aumento da duração dos contratos a termo certo de dois para três anos. Actualmente, as empresas só podem manter os trabalhadores com contrato até termo certo por dois anos e, terminado esse período, têm de decidir se integram os trabalhadores no quadro ou se terminam o contrato. Se a proposta de lei do Governo for aprovada, o prazo aumenta para três anos, o que significa que o trabalhador terá de esperar mais um ano para saber se o vínculo laboral termina ou se é integrado nos quadros. Outra grande divergência diz respeito à possibilidade de não reintegração de trabalhadores alargada. Actualmente, quando um tribunal declara o despedimento ilícito, o empregador é condenado a pagar uma indemnização ao trabalhador e, à partida, a reintegrá-lo na mesma empresa, com a mesma categoria e antiguidade. O que o Governo pretende é alargar essa possibilidade a qualquer empresa, independentemente da sua dimensão. Isto significa que, se aprovada a proposta de lei, qualquer empresa pode recorrer ao tribunal para pedir a exclusão da reintegração. Na proposta de lei consta, ainda, a revogação total, atenção total, da limitação à subcontratação de serviços. Actualmente, as empresas que tenham realizado despedimentos colectivos e extinções de postos de trabalho não podem, por 12 meses, recorrer à subcontratação. Enfim, toda esta panóplia de mudança nos direitos dos trabalhadores só tem um objectivo: agradar aos patrões, os quais são a minoria num povo trabalhador que começa a ver a vida a andar para trás. O povinho, por exemplo da zona centro, desespera. Em Leiria e Marinha Grande, onde as tempestades de Janeiro mais danificaram património, ainda há pessoas sem telhado, luz, água e telefone. Várias fábricas vão encerrar e centenas de trabalhadores vão para o desemprego. Os apoios estatais demoram a chegar e não se encontra m-ao-de-obra porque com a mudança da lei da nacionalidade centenas de imigrantes já partira, para outras paragens e prevê-se que nos próximos seis meses milhares de imigrantes do Bangladesh, Nepal, Índia, Paquistão Roménia sigam para Espanha, França e Suíça. Os preços dos produtos alimentares aumentam semanalmente, o preço das casas está insuportável e o preço dos combustíveis já obriga centenas de condutores a deixar o carro à porta de casa. O que resta a muitas famílias, afinal? Nada mais, que a “sopa salvadora”…
André Namora Ai Portugal Vozes“Deixem-nos trabalhar” Não há ninguém, incluindo nas hostes do PSD, que não tenha pedido a demissão da ministra da Saúde. Dois anos de incompetência e de protestos por parte dos profissionais de saúde e dos doentes. Pois, a senhora teve o desplante de na semana passada vir a público afirmar que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não está “doente” e que em vez de a criticarem que “deixem-nos trabalhar”. Qual trabalho? Cirurgias e consultas para as calendas? 24 horas de espera numa urgência? Grávidas a terem os filhos nas ambulâncias? Directores de Neurologia que ultrapassaram a idade da reforma e que receitam ao doente um medicamento trocado que provocou a morte do paciente? O INEM em greve com pessoas a morrer sem socorro? Gastos astronómicos a médicos sem escrúpulos que realizam cirurgias estéticas ao fim de semana? Consultas de especialidade marcadas para dia de greve e depois nunca mais contactam o doente? O grande hospital de Lisboa que nunca mais teve início a sua construção? Os médicos com salários mais baixos que no Congo? Comissões inacreditáveis de gestores de hospitais na aquisição de material médico? Centros de Saúde encerrados ao fim de semana? O Algarve com o hospital de Faro a rebentar pelas costuras? Centenas de macas com doentes graves pelos corredores dos estabelecimentos hospitalares? É sobre isto que a ministra quer trabalhar quando não conseguiu em dois anos alterar uma palha? Não, senhora ministra. A senhora ou tem o primeiro-ministro na mão ou o primeiro-ministro é tão incompetente como a senhora. Ana Paula Martins afirmou que a resposta do SNS está “muito diminuída” devido aos internamentos inapropriados. Só para rir… a ministra ainda fez rir mais o país, se não chorou, quando recusou que o SNS esteja a falhar na actividade assistencial que presta aos utentes, alegando que isso é um mito “sistematicamente repetido”. Para se afirmar algo tão absurdo, a ministra tinha de ter a noção que já se devia ter dedicado a coser meias, de tal forma que uma leitora do Facebook ao ler as declarações da ministra, escreveu: “Está alheada de tudo, onde é que isto vai parar, ela brinca com a saúde dos portugueses”. Na verdade, nos primeiros dois meses do ano, houve menos consultas e cirurgias programadas nos hospitais públicos do que no mesmo período do ano passado e aumentou o tempo de espera para os doentes. No entanto, a ministra com toda a sem vergonha afirmou que “o SNS não está a falhar”. O número de cirurgias realizadas no SNS, em Fevereiro, não era tão baixo há dois anos. Segundo os dados do Portal da Transparência, foram feitas cerca de 130 mil operações em todo o país, menos 10 mil do que em 2025 e menos 3.000 do que em 2024. Como é que a ministra da Saúde pode vir dizer que a descida está relacionada com o aumento de internamentos. Ora, se aumentou o número de internamentos teria de aumentar também o número de cirurgias. A incongruência é tão vistosa depois de Ana Paula Martins ter defendido que todos os indicadores assistenciais melhoraram desde que está no Governo. Ou mente ou é incompetente. Pior, as declarações da ministra contrastam com a informação disponível, que dá conta de, pelo menos, 19 mil consultas hospitalares do que no mesmo período de 2025, sobretudo as primeiras, e do aumento do tempo de espera nas consultas e nas cirurgias. Contrariamente ao que diz a ministra a saúde está cada vez mais doente. Todos os utentes dos hospitais se queixam da organização no atendimento. A culpa não é dos médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal da limpeza. A culpa é de quem está à frente da pasta da Saúde. A ministra nada faz para melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde e dos utentes. Os institutos de oncologia, peças basilares no salvamento de vida, têm-se queixado da falta de meios. Isso, é inadmissível. O cancro aumenta à mesma velocidade da demência e nunca se viu construir habitações especiais para recolher doentes cancerígenos ou com demência. Realmente, o povinho é que tem o direito de pedir a demissão da ministra e de dizer “deixem-nos trabalhar” com melhor saúde…
André Namora Ai Portugal VozesMontenegro, o maior das promessas Recordam-se que a série de tempestades aconteceu há mais de três meses. As zonas de Leiria e Marinha Grande foram as mais afectadas. O governo de Montenegro prometeu de imediato que as indemnizações às vítimas que ficaram sem nada seriam uma prioridade. Ainda hoje temos gente sem telhado, pior, sem casa e que receberam uns míseros cinco mil euros. Nos últimos tempos, Montenegro tem prometido este mundo e o outro. Afirma que Portugal está melhor. Mas, centenas de portugueses já pararam o carro devido ao aumento do preço dos combustíveis e o povinho vai ao supermercado comprar o mínimo indispensável para viver. O custo de vida aumenta todas as semanas. A inflação sobe. Há reformados que já não compram os medicamentos, mas o chefe do Executivo tem sempre na ponta da língua que aumenta as reformas. Isto, quando existem portugueses com reformas de 150, 250 e 350 euros. As promessas são quinzenais e algumas vão até 2030. Quando o Governo vai a debate na Assembleia da República lá ouvimos uma catadupa de promessas. Na semana passada foi demais. Montenegro, na qualidade de primeiro-ministro, tem focado as suas promessas na estabilização económica, apoio ao custo de vida e reformas estruturais. Cantigas leva-as o vento e, se não, vejamos. Montenegro tem defendido uma reforma laboral, procurando um acordo, apesar das tensões com parceiros sociais como a UGT. No entanto, a central sindical CGTP já marcou uma greve geral para Junho contra o pacote laboral e a UGT adiantou que poderá aderir à greve geral. Anunciou uma linha de apoio de 600 milhões de euros para empresas com elevados custos de energia, mas ainda na quarta-feira passada os dirigentes das pequenas e médias empresas vieram a público afirmar que não aguentam a actual situação, especialmente o aumento do custo da energia. Há muito tempo que Montenegro anunciou a aprovação de novas medidas para combater o aumento do custo de vida e o preço dos combustíveis. É só irmos ao supermercado e verificar o aumento do custo de produtos como leite, pão e fruta e o preço dos combustíveis aumenta quase todos os dias, mesmo quando o preço de petróleo baixou em face do cessar fogo no Irão. No último debate quinzenal no Parlamento, lá veio o Ventura tentar ganhar mais uns votos, porque aproveitando-se das falsas promessas de Montenegro, acusou o Governo de “ineficácia absoluta”. É assim que o populismo ganha votos. A ineficácia resulta de prometer e de nada acontecer em benefício do povo. Nas hostes social-democratas aplaude-se de pé Montenegro. Ele é o maior, o mais inteligente, o mais empreendedor, o mais resoluto, mas não é capaz de prometer que irá reformular o acordo da Base das Lajes com os americanos, antes que o Irão se lembre de enviar um drone contra Lisboa… As promessas são mais que muitas. O povo está cansado de ouvir Montenegro prometer e nada viabilizar para uma melhor qualidade de vida. Os reformados de miséria já nem querem ouvir falar em Montenegro e dizem que nunca mais irão votar num governo deste calibre. O chefe do Governo inventou um nome pomposo para as promessas. Imaginem que apareceu com o Programa de Recuperação e Resiliência Português (PTRR). Houve deputados na casa da democracia que se riram de tanta promessa para as calendas, tais como o apoio à reconstrução dos malefícios das tempestades, às infraestruturas rodoviárias, ferroviárias, ao abastecimento de energia eléctrica, de água e melhoria nos serviços públicos. Obviamente que a incongruência tinha de enfrentar a oposição parlamentar. O Governo tem falado na verba de 2,5 mil milhões de euros para dar resposta às necessidades das famílias, das empresas e das autarquias mais afectadas nas tempestades. Mas, ao mesmo tempo, anuncia que ainda não tem disponível o dossiê de levantamento das necessidades para solicitar o fundo de Solidariedade europeu. Esta incongruência foi naturalmente explorada e não escapou aos partidos da oposição durante o debate parlamentar. Como tudo isto parece um circo, os palhaços podem continuar em cena…
André Namora Ai Portugal VozesPacote laboral da discórdia O Governo de Montenegro é assim: eu quero, posso e mando que o país tenha uma nova Lei Laboral em detrimento de quem trabalha. Todos os partidos com assento na Assembleia da República, excepto o PSD e CDS, são contra as novas regras laborais que o Governo pretende implementar. Até o secretariado nacional da UGT votou por unanimidade a recusar o novo pacote laboral. E recorde-se que, a UGT tem duas tendências políticas. Uma social-democrata e outra socialista. E a tendência social-democrata votou contra as pretensões do Governo. Há nove meses que o Governo mantém reuniões com os parceiros sociais para chegar a um acordo. Não há acordo, nem nunca devia haver, apesar de o Presidente da República, estranhamente, o desejar. António José Seguro só tinha que vetar uma legislação que pretende prejudicar os trabalhadores quando estes, nos tempos que correm, apenas deviam ser beneficiados. O anteprojecto de reforma da legislação laboral aprovado pelo Governo, prevê a revisão de mais de uma centena de artigos do Código do Trabalho, adorado pelos patrões e contestado pelas centrais sindicais. As alterações emanadas do Governo visam essencialmente as licenças parentais, amamentação e luto gestacional, trabalho flexível, período experimental dos contratos de trabalho prevendo ainda um alargamento dos sectores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve. O risível disto tudo é que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social teve o desplante de afirmar que a nova lei “visa aumentar a competitividade da economia e promover a produtividade das empresas”. Se é assim, como é que a maioria do país discorda de tal desiderato? Para que possam ficar esclarecidos, podemos salientar que a mudança na Lei Laboral que o Governo entende é enorme e os trabalhadores já realizaram uma greve geral contra: a licença parental poder chegar a seis meses com partilha entre progenitores; Governo quer pais a gozar 14 dias de licença seguidos após o nascimento do filho; Mudanças no subsídio parental; Alterações nas regras relativas à amamentação; Governo quer eliminar falta por luto gestacional; Trabalho flexível e direito de recusa a trabalhar ao fim-de-semana; Auto declaração de doença fraudulentas pode dar direito a despedimento; Governo alarga serviços mínimos a mais sectores; Mexidas nos contratos de trabalho a termo certo e incerto; Mudanças noutros regimes de contratos de trabalho; Banco de horas individual regressa; Horas de formação obrigatórias nas microempresas caem para metade; Fim das restrições ao ‘outsourcing’ após despedimentos; Quotas de emprego para pessoas com deficiência; Trabalhadores independentes; Plataformas digitais; Teletrabalho; Compra de dias de férias; Subsídios de férias e Natal podem ser pagos em duodécimos e fim do período experimental de 180 dias no primeiro emprego. Obviamente que em face da tendência mega conservadora a classe trabalhadora não podia estar de acordo. A falta de consenso entre as partes em negociação é uma realidade. A discórdia é de tal forma, que a surpresa maior foi para a recusa peremptória da UGT, cuja central sindical tem alinhado com governos de direita. No centro do desacordo estão 10 pontos críticos identificados pela UGT, os quais se traduzem na manutenção do aumento da duração dos contratos a termo e o alargamento dos fundamentos à sua celebração, beneficiando grandes empresas e tornando mais vulneráveis idosos, jovens e desempregados; A manutenção da reintrodução do banco de horas individual dando poder ao empregador para desregular horários com redução de custos e sem compensações efectivas; A manutenção da possibilidade de mudança de categoria com perda de retribuição por deferimento tácito da Autoridade para as Condições do Trabalho; A manutenção da não aplicação das convenções colectivas aos trabalhadores em ‘outsourcing’, tornando mais barato o trabalho e fomentando a substituição/despedimento dos trabalhadores; A manutenção da eliminação de exigências de fundamentação de denúncias da convenção com a vontade injustificada e infundada do empregador a poder imperar; A manutenção da eliminação da arbitragem de apreciação da denúncia e arbitragem necessária após sobrevivência, dando poder ao empregador para fazer cair convenções pelo mero decurso do tempo e sem negociar; A manutenção da possibilidade (pior, aliás, que na versão inicial do anteprojecto) de extensão de uma convenção colectiva ao nível da empresa por mera vontade do empregador, desvalorizando a vontade dos trabalhadores e de quem os representa; A manutenção da generalização dos serviços mínimos da greve, deixando milhares de trabalhadores fora deste direito fundamental e a manutenção das restrições à actividade sindical nas empresas sem trabalhadores filiados, negando a relevância do papel dos sindicatos na defesa dos trabalhadores. Estamos perante uma discórdia absoluta porque se trata de um reverso inadmissível nos direitos dos trabalhadores adquiridos com o 25 de Abril comemorado no sábado passado. Estamos perante mais um reverso na política que tem vindo a ser implementada pelo governo AD com o apoio do Chega, reverso que tem vindo a preocupar todos os democratas progressistas.
André Namora Ai Portugal VozesArrendar a explorar O mercado imobiliário em Portugal está a destruir o tecido social da classe média. Os pobres já se habituaram a viver num quarto ou numa espécie de barraca de madeira em bairros ilegais. A situação vivida por uma grande parte da população começa a roçar o trágico. A chamada classe média não consegue viver com casa própria. Regressa para casa dos pais quando os têm. Os jovens nem pensam em possuir uma casa que lhes dê o mínimo de dignidade. Que possam casar e ter filhos. A maioria arrenda um quarto. E que quarto. A grande maioria entra no mundo existente da exploração. Hoje em dia em Portugal não se arrenda uma casa. Explora-se o arrendatário. De formas diferentes. Por um lado, um inquilino recebe uma carta do senhorio. Paga 300 euros mensalmente. O senhorio transmite que ou passa a pagar 600 ou sai. Isto, não é mercado. É sugar até ao osso. Quem aufere 900 euros de salário, vive de quê? Paga renda, água, luz, gás… e come o quê? E ainda há imbecis que batem palmas e que afirmam “é o mercado!”. Não. Isto não é mercado, mas sim abuso mascarado de negócio. Se o inquilino não aceita o aumento da renda tem de sair. A lei permite tudo aos novos exploradores. Sair para onde? Quando um quarto com uma cama, uma mesinha e um armário, sem casa de banho, já custa 500 euros. E o circo dos novos exploradores é infame e permitido pelas autoridades: retiram uma família da habitação, com três quartos por exemplo e colocam em cada quarto quatro beliches arrendando cada colchão a 250 euros por mês. Ou seja, o explorador passa a receber 2.000 euros por quarto. Com três quartos recebe 6.000 euros. Chocante e revoltante. E não nos referimos a Lisboa, porque na capital é o impossível. Já é difícil encontrar uma casa com dois quartos por menos de 1100 euros e um quarto com casa de banho em Odivelas pedem de renda 600 euros. Não estamos perante arrendamento, mas de explorar ao máximo o desespero. Rentabilizar não pode ser esmagar o próximo. O lucro não pode existir à custa da falta de dignidade humana. E o nosso Estado? Continua a ver tudo isto acontecer como se fosse algo normal. O problema é que o Estado não quer analisar o verdadeiro problema. No caso de arrendar a explorar começa a atirar com muitos portugueses para o limite. Uma senhora funcionária da Cáritas portuguesa transmitiu-nos que o limite que referimos é o desespero em último grau denominado suicídio. A situação é grave e o Governo não entende que a solução imediata seria a construção de habitações a rendas acessíveis. O primeiro-ministro Luís Montenegro vai ao Parlamento e afirma que o país está melhor e os portugueses igualmente. Quem está melhor são os ricos que vêem a construção de condomínios de luxo com rendas insuportáveis para a maioria da população portuguesa. No entanto, temos de abrir um parêntesis justo para muitos senhorios que não entram no jogo da exploração. Antes pelo contrário, são pessoas compreensivas que vão aceitando o atraso no pagamento das rendas porque sabem que os seus inquilinos vão sempre pagando como podem. Para eles, os maiores encómios, porque no mundo de hoje justiça e solidariedade são palavras vãs. O arrendamento a nível nacional é efectivamente uma exploração. Ainda há dias, em Castelo Branco, um proprietário de um apartamento com três quartos teve o desplante de pedir um aumento na renda do imóvel de 500 para 2000 euros. É o reino da prepotência que não deixa saída para quem está dependente de um contrato de arrendamento que termina. Vai terminar? Então, ou aceitas o aumento ou vais para a rua. É isto socialização de uma comunidade? Não é. Estamos perante um tipo de exploração sem rei nem roque onde cada proprietário faz o que entende. Conclusão: inquilino sofre…
André Namora Ai Portugal VozesÁgua impotável mata milhares. Milhares morrem na estrada Inimaginável. Quem vai comprar umas garrafas de água ao supermercado. Quem diariamente abre a torneira em casa e bebe água. Quem vai à fonte com o jarro recolher água cristalina e fresquinha, ninguém imagina que em Portugal entre 2019 e 2024 morreram 2.850 pessoas por causas associadas a água insalubre e falta de saneamento. Só, em 2024, estas mortes atingiram um pico de 602. Para algo, que acontecerá em países do terceiro mundo, estranha-se que nunca tenha sido dada uma explicação pública, em particular, por parte do Ministério da Saúde. Na verdade, uma vez, levei o meu neto à piscina municipal e o miúdo começou a beber água do chuveiro que se situava perto da piscina e o rapaz salva-vidas que estava por perto, disse logo para que não bebesse daquela água porque não era de confiança. São números que amedrontam e que colocam o cidadão a interrogar-se sobre o tratamento e higiene que é dado nas centrais de distribuição de água, dita potável. Acontece que a água insalubre ou imprópria para consumo é aquela que contém substâncias ou microrganismos prejudiciais à saúde humana, podendo causar doenças graves e a própria morte, tal como anunciámos. Um dos principais motivos para a água se tornar insalubre está directamente ligado à contaminação das fontes de água pelo lançamento de esgotos ou resíduos industriais sem tratamento. E ainda existe um perigo desconhecido, que se prende com pequenas rupturas nos tanques de combustíveis, as quais provocam o vazamento dos tanques subterrâneos de combustível e que vão poluir as águas subterrâneas. Seja como for, o importante é que temos portugueses a morrer devido a beberem água insalubre e as autoridades em mais de sete anos nunca se pronunciaram quando as mortes já ultrapassaram as duas mil e quinhentas. Este número que indicámos de mortos devido a ingerir-se água impotável, está ao mesmo nível do número de portugueses que morrem nas estradas do país. Cerca de 40 em cada mês. E a maioria não são pessoas com mais de 75 anos de idade. É infame. Razão? Conduz-se muito mal em Portugal. Mais de 50 por cento dos condutores nunca deviam ter tido carta de condução. Um grande número apenas conduz ao domingo. Um número ainda maior conduz apenas no Natal, Páscoa e férias de Verão. A instrução dada nas escolas de condução é uma mentira, apenas para enganar examinador. A carta de condução é facilitada a 90 por cento de condutores que nem sequer sabem reduzir a velocidade do veículo da sexta velocidade para a segunda, em caso de risco de acidente. Na última Páscoa, o balanço realizado pela GNR e PSP foi trágico, com um aumento significativo da sinistralidade rodoviária em comparação com o ano passado. 20 vítimas mortais, 53 feridos graves (dos quais nunca se sabe quantos vieram a falecer), mais de 2.600 acidentes. Leiam bem: o número de mortos quadruplicou relativamente à Páscoa de 2025. E sabem quais as causas? Obviamente o excesso de velocidade por intermédio de quem não sabe conduzir, o excesso de álcool ingerido e o uso do telemóvel. Ainda há dias, uma família de dois adultos e dois menores morreu devido a um choque frontal num local onde está pintado no pavimento o risco contínuo e a estrada fazia lomba. Num cenário destes, não existem campanhas de sensibilização que resultem. Tinham era de existir exames de condução muito mais rigorosos e não passeatas a 50 km/h pelos locais previamente mais que treinados. O absurdo. Não queria terminar este contacto convosco sem vos transmitir o impensável que é chocante. Praticamente todas as semanas morrem crianças com doenças várias. Alguns pais têm tido possibilidades de pagarem as despesas dos funerais. Outros, nem pensar. A precaridade de vida obriga-os a pedir dinheiro a amigos ou a uma instituição de apoio social para o pagamento do funeral da criança. E sabem por que razão o Estado não financiava a despesa dos funerais das crianças? Não acreditam. Porque era dito que as crianças nunca tinham descontado para a Segurança Social… Em boa hora, a luta de um casal que ficou sem o filho criança, tudo leva a crer que o Governo mude de atitude e comece a subsidiar os funerais das crianças… Ai, Portugal, Portugal…
André Namora Ai Portugal VozesSpinumviva é “Operação Freguês” Um dia, entrámos numa mercearia onde estavam diversos clientes para serem atendidos. Entrou um indivíduo e o patrão largou tudo para o atender e deixou os restantes pagantes a olhar para o tecto. Era um freguês especial. Pessoa importante na política e que mandava peso nas directrizes da edilidade local. Este episódio fez-nos lembrar o que se passa com Luís Montenegro e o seu caso misterioso Spinumviva. Qualquer advogado tem direito a ter os seus clientes e os respectivos a apresentarem-lhes os seus negócios para serem aconselhados da melhor forma. Aconteceu que Luís Montenegro, com todo o direito, decidiu criar uma empresa familiar e os seus escritórios tratavam da gestão e consultoria dos seus clientes. No entanto, Montenegro já era político, líder parlamentar do PSD e superiormente consciente de todas as regras do jogo político, comercial e financeiro. Sabia perfeitamente que se a sua empresa familiar começasse a ganhar muito dinheiro legalmente, que também como político ou governante tinha regras a declarar sobre os seus rendimentos. A empresa familiar de Montenegro teve a sorte que muitas não têm. Clientes dos bons e de grande riqueza não faltaram a entregar à empresa do causídico e político Montenegro a gestão e consultoria das suas fortunas. Tudo nos conformes, mesmo que se tratasse de uma concessionária do jogo como a Solverde, com concurso público à porta. Montenegro passou a ser o líder do PSD e ganhou as eleições legislativas. Foi empossado como primeiro-ministro de Portugal e, a partir daí, os jornalistas, esses grandes malandros “terroristas” que tudo vasculham, vieram a saber que Montenegro não tinha declarado ao Estado todo o seu património material, muito menos a lista de grandes clientes que tinha no escritório a subsidiar a tal empresa familiar, a chamada e badalada Spinumviva. A partir daqui, nunca mais a confiança no primeiro-ministro foi a mesma e as últimas sondagens apresentam mesmo uma grande descida do apoio popular a este Governo. O caso passou para o Ministério Público de uma forma muito subtil e com Amadeu Guerra, amigo de Montenegro, nas funções de procurador-geral da República a não dar quaisquer esclarecimentos sobre a investigação à Spinumviva. No entretanto, assistiu-se a algo feio, em termos políticos. Se Montenegro não tinha nada a esconder por que razão proibiu a publicação da lista dos seus clientes e por que passou a empresa familiar apenas para o nome da sua mulher e filhos? Ultimamente, o caso voltou à baila e com um pouco de estrondo. A Spinumviva está envolta em vários “mistérios”, os quais poderiam levar à demissão do primeiro-ministro. Na sequência das notícias recentes, e para “evitar mais desinformação sobre o tema”, o gabinete do primeiro-ministro enviou na passada quinta-feira, mais um esclarecimento sobre o caso Spinumviva. Luís Montenegro informa que a 29 de Abril do ano passado “entregou à Entidade para a Transparência (EpT)”, a lista de clientes da empresa que “fundou e onde trabalhou, nos termos em que lhe foi solicitado”. À data, recorda, solicitou que a mesma não fosse divulgada “por razões de natureza jurídica”. No entanto, a EpT suscitou um recurso para o Tribunal Constitucional e nove meses depois, o Tribunal Constitucional rejeitou em definitivo os recursos apresentados por Luís Montenegro. Neste sentido, algo ficou muito preto para o lado de Montenegro. Algo de estranho e que não é lógico foi a atitude de Montenegro antecipar-se à EpT e ter divulgado a lista de clientes, onde fazem parte potenciais empresários com ligações económicas ao Governo, nomeadamente a Solverde-casinos; Beetsteel; Cofina; ITAU; Produtos Farmacêuticos Lda e Radio Popular, entre outros. O que seria muito grave, se um dia os tais jornalistas “terroristas” viessem a descobrir que o Governo de Montenegro facilitou, governamentalmente, a vida aos potencias clientes da sua empresa familiar. Tudo isto, nos recorda a “Operação Marquês” de José Sócrates que já vai em investigação há 13 anos. No caso da Spinumviva nada nos admiraria que pelo facto do freguês em causa ser pessoa de muita importância, que daqui a muito anos, alguém venha a escrever sobre uma “Operação Freguês”…
André Namora Ai Portugal VozesAté o Constitucional é política O Tribunal Constitucional (TC) desempenha um papel fundamental no sistema político e jurídico português, assegurando que o poder político e as leis respeitam o Estado de direito, especialmente a defesa da Constituição. Mas, que raio de país é o nosso onde a política tem de se imiscuir em tudo, tudo o que mexe com a vida dos cidadãos. O Tribunal Constitucional é um órgão soberano que actua como tribunal superior em matéria constitucional e as suas decisões são obrigatórias para todas as entidades. O TC é composto por 13 juízes: 10 designados pela Assembleia da República e três cooptados por estes. Na semana passada, assistimos a um espectáculo indecoroso sobre a eleição, ou escolha, dos juízes para o TC. E, obviamente no cerne da “bronca” tinha de estar o Chega, partido que pensa tudo poder fazer desde que passou a ser o segundo grupo parlamentar. Existem três juízes que é preciso substituir no Constitucional. E a partir daqui, entrou a bagunça política e a tentativa de alterar a história, só porque o político que retirou o subsídio de férias, o de Natal e baixou as reformas aos pobres “ressuscitou” e anda pelo país a querer voltar à ribalta num claro apoio à junção com o Chega. Pedro Passos Coelho, até se intrometeu na escolha dos juízes para o TC forçando uma maioria à direita entre AD, Chega e IL. Para já, se Luís Montenegro e André Ventura mantiverem a ideia de designarem sozinhos os nomes dos três juízes, o líder do Partido Socialista irá romper todas as negociações com o Governo. José Luís Carneiro afirmou que “seria incompreensível que o Partido Socialista fosse afastado do Tribunal Constitucional por uma maioria de direita aliada à extrema-direita” e acrescentou que os portugueses não iriam achar correcto “se o Partido Socialista, fundador das liberdades e dos direitos fundamentais, ficasse de fora” do Constitucional. Por seu turno, o líder do Livre, Rui Tavares, vai directamente ao âmago da questão e sustenta que se, o acordo com o Chega acontecer para a eleição dos juízes do TC “fica toda a gente a perceber que o PSD foi naquele sentido porque quis ir naquele sentido”. À saída de uma audiência com o Presidente da República, o Livre mostrou disponibilidade para, com PS e PSD, fazer parte da maioria de dois terços necessários para eleger os juízes do TC. Rui Tavares disse que “se houver um acordo entre o PSD e essa visão anticonstitucional é uma traição à história do PSD”. Este é um exemplo claro da doença em que se encontra a nossa democracia. Quando hostes políticas que sempre, desde os seus fundadores, defenderam teses democráticas se aproximam dos racistas, xenófobos, demagogos e autarcas corruptos, tudo vai mal no império Spinumviva. O diagnóstico está traçado e o medicamento adequado será difícil de encontrar no mercado, e viu-se, com o caso da Base das Lajes a servir de trampolim para bombardear o Irão e a diferença com o governo espanhol que proibiu todo e qualquer uso das bases americanas em Espanha para que Trump demonstrasse a sua senilidade. Numa altura em que passámos a ter um novo Presidente da República. Numa altura em que nunca se falou tanto em estabilidade. Numa altura em que Presidente da República e o Governo apontavam a consensos importantes para a melhoria de vida dos portugueses, deparamo-nos com uma traição política por parte de Montenegro, simplesmente porque receia que o seu “inimigo” Passos Coelho possa candidatar-se às diretas do seu partido, em Maio, caso ele não alinhe nas teses passistas. Quando para um órgão soberano como o Tribunal Constitucional se pretende afastar da sua constituição um juiz socialista, é baixa política. Adivinha-se a pretensão. Com um colégio judicial de direita e de extrema direita passará a ser fácil o cumprimento das intenções malévolas e antigas de realizar uma revisão constitucional…
André Namora Ai Portugal VozesSócrates é um fenómeno judicial Aqui pelas Beiras, concretamente na Covilhã, um dia conhecemos um jovem que andava pela Juventude Social-Democrata (JSD) e passados poucos anos era um Agente Técnico de Engenharia que encaminhava para o município projectos horrorosos de casas para licenciamento, alguns dos imóveis ainda existentes e que bradam aos céus de tanto mau gosto. O jovem de nome Pinto de Sousa começou a subir na vida e sempre demonstrou uma grande ambição de ser conhecido. Talvez por essa razão é que decidiu passar a usar a parte do seu nome José Sócrates. Terá pensado em Sócrates, um dos mais influentes filósofos da Grécia Antiga. E vai daí, José Sócrates passa para as hostes do Partido Socialista e começa a subir de degrau em degrau, até conseguir chegar a secretário-geral do partido. E mais: Portugal tem na sua história dos primeiros-ministros, o nome de José Sócrates. E aqui é que começa a grande história do filósofo, perdão, do ambicioso. Muitos portugueses louvam a sua determinação como chefe do Governo. Dizem que com ele já teríamos TGV até Badajoz, aeroporto alternativo ao de Humberto Delgado e que o povo viveria muito melhor. Outros, insistem que José Sócrates nunca devia ter saído da prisão. Da prisão, porquê? Porque o governante ambicioso quis este mundo e o outro. Começou pelos contactos que tinha na empresa Lena e conseguiu convencer Hugo Chávez que a empresa de construção portuguesa edificasse milhares de casas na Venezuela e um porto de águas profundas. Logo aqui, o Ministério Público desconfiou que a corrupção estaria a ser grande. Depois, Sócrates escreveu a página mais negra da sua governação ao permitir que Muammar Gaddafi, de visita oficial a Portugal, erguesse uma tenda gigante no interior do respeitado e histórico Forte de São Julião da Barra. O Ministério Público voltou a desconfiar que aquela relação política poderia integrar milhões de euros em corrupção. A ambição e o narcisismo da criatura política, levou-a a anunciar-se, em vez de Agente Técnico de Engenharia, como engenheiro, o que até provocou a risota nacional quando saiu a notícia de que o “engenheiro” tinha feito um exame a uma disciplina do curso de Engenharia num domingo… e quanto aos livros que publicava lá tinha de pagar a alguém que os escrevesse. Sócrates adquiriu dois andares luxuosos num edifício perto do Marquês de Pombal, um monte no Alentejo para a ex-mulher, carro de topo de gama, realizava viagens para os hotéis mais caros, não escondia o financiamento a diversas mulheres, dizia que o seu amigo Carlos Silva emprestava-lhe o dinheiro que fosse necessário para o que ele entendesse, depois chegou a dizer que o dinheiro era oriundo de uma herança e que a sua mãe tinha muito dinheiro, ao mesmo tempo que as amigas da mãe diziam à imprensa que a senhora era sustentada pelo filho e que o seu motorista era o “carteiro” de vários envelopes de Sócrates para a sua mãe e de Carlos Silva para Sócrates. A investigação judicial até chegou a recolher a informação de que um primo seu teria alegadamente depositado num banco de Macau 30 milhões de euros. E o caso não seria para admirar porque uma antiga jornalista que trabalhou em Macau era o braço-direito de José Sócrates e ainda devia ter uma conta bancária aberta em território macaense. Sócrates perdia a cabeça facilmente e a sua ambição levou-o a comprar um andar luxuoso em um dos bairros mais caros de Paris. Obviamente que toda esta enorme riqueza gasta a jorros não podia condizer com o simples salário de primeiro-ministro. E assim, num dia em que regressou de Paris foi preso e encaminhado para o estabelecimento prisional de Évora onde passou a ser conhecido como o recluso 44 e onde recebia a visita das maiores figuras políticas ligadas ao seu reinado, um sinal de que Sócrates sabia muito e que já teria dado a ganhar dinheiro a muitos… Foi a primeira vez que Portugal assistiu em democracia à prisão de um primeiro-ministro. E aqui começa a saga ou o fenómeno judicial, como lhe queiram chamar. A “Operação Marquês” teve o seu início há 12 anos. Há mais de uma década que José Sócrates está para ser julgado. E isto não é um fenómeno judicial? Já foi acusado dos mais diversos crimes, já foi ilibado pelo juiz Ivo Rosa, o mesmo juiz que não brinca em casos de corrupção porque basta recordar que na sua presença em Timor-Leste, assim que iniciou processos de corrupção contra figuras importantes, foi logo mandado embora daquele país. Mas, o tribunal superior anulou, incompreensivelmente, as decisões de Ivo Rosa e Sócrates continua na berlinda de ser ou não julgado. E por que não o é? Simplesmente porque já teve oito advogados em 12 anos e o quarto advogado oficioso, Marco António Amaro, renunciou na semana passada a ser advogado de Sócrates. Os advogados nomeados não aceitam a decisão do tribunal em terem apenas 10 dias para estudar um processo que tem uma camioneta cheia de caixas com a “Operação Marquês”. José Sócrates tem sido acusado das mais diversas manobras dilatórias para conseguir ir adiando o seu julgamento até à prescrição final. Agora, Sócrates anunciou que somente escolhe um outro advogado se este puder estudar o megaprocesso em cinco meses e meio. O que é certo, sem sombra de dúvidas, é que o caso do “engenheiro” é uma vergonha para todos os intervenientes, especialmente os tribunais. Para já, o Governo está a estudar medidas contra manobras dilatórias, com multas de dez mil euros. E Sócrates? Oh… está na maior pela Ericeira, fazendo as suas caminhadas e mergulhos na bela praia…
André Namora Ai Portugal VozesQue democracia é esta? A partir de hoje Portugal passa a ter um novo Presidente da República. António José Seguro, depois de ter estado afastado da política durante dez anos, decidiu candidatar-se sem apoio político de ninguém e consagrou-se vencedor. Seguro irá enfrentar um mandato em Belém com as mais diversas dificuldades ao ter que lidar com um país cheio de problemas. A democracia portuguesa está a ficar doente. Que democracia é esta onde um Governo participa passivamente num ataque bélico a um país soberano por parte de administrações lideradas por fascistas, especialmente a administração americana liderada por um indivíduo que apenas quis desviar as atenções do caso Epstein onde alegadamente terá sido um dos participantes no abuso sexual de menores. Portugal permite de mão beijada que a Base da Lajes sirva como uma das maiores e mais movimentadas plataformas de aviões de guerra norte-americanos, os quais têm participado numa guerra que se alastra por todo o Golfo. Que democracia é esta onde um líder de um partido de extrema direita, no plenário da Assembleia da República, começa a ofender a presidente do Parlamento em exercício, chegando ao ponto de afirmar que a presidente nem devia estar ali sentada. A resposta dura e cordial da presidente em exercício recebeu o aplauso de todas as bancadas incluindo dos comunistas, porque efectivamente o povinho começa a estar farto das diatribes de André Ventura. Que democracia é esta que repudia claramente a atitude patriótica que teve o governo espanhol relativamente à proibição do uso das bases americanas em solo espanhol na participação do incumprimento do Direito Internacional. Que democracia é esta em que os pobres cidadãos que foram alvo de tempestades e que ficaram sem nada, continuam a queixar-se que o apoio financeiro não lhes tem chegado e que a reconstrução de suas casas continua no ponto zero. Que democracia é esta em que os cidadãos constatam mensalmente que o custo de vida aumenta, que o preço das casas está a ficar insuportável e que o preço dos combustíveis aumenta de forma assustadora. Que democracia é esta onde se planeia a construção de um aeroporto megalómano quando quatro milhões de portugueses vivem ao nível da pobreza. Que democracia é esta que continua a cobrar portagem na Ponte 25 de Abril quando a mesma está mais que paga há muitos anos. Que democracia é esta que governamentalmente confunde alhos com bugalhos, ou seja, nunca poderia um director da Polícia Judiciária, que esteve por dentro, durante muitos anos, dos casos mais variados em segredo de justiça e que teve acesso às actividades supostamente criminais de políticos, incluindo de muitos suspeitos de corrupção e de actividade ilegal como governantes, possa ser convidado para ministro da Administração Interna. Que democracia é esta que permite a existência de reformados com um pecúlio mensal de 200 ou 300 euros e depois envia milhões de euros para a Ucrânia. Que democracia é esta que permite que um Presidente da República termine o seu mandato sem que nada se conclua do que aconteceu com o seu filho no caso discriminatório das gémeas brasileiras. Que democracia é esta que um ex-primeiro-ministro esteja mais de dez anos para ser julgado. Que democracia é esta onde os imigrantes, absolutamente necessários para a economia nacional e para a sustentação da Segurança Social, entrem em pânico com as exigências do Chega junto de Montenegro para que os imigrantes voltem para a sua terra. Imaginamos o que aconteceria a Portugal se todos os países onde vivem emigrantes portugueses tomassem as mesmas medidas. Que democracia é esta onde uma investidora que possui uma moradia de grandes dimensões perto de Sintra e que a tenha remodelado luxuosamente para ser um hotel de charme, aguarde quase há dois anos por licenciamento autárquico para abrir as portas. Saliente-se, que esta investidora sempre rejeitou pagar fosse o que fosse fora das normas legais. Talvez por essa razão vê o licenciamento aprovado para as calendas. O novo Presidente da República pode ser um homem sensato, moderado, defensor da Constituição, democrata, imbuído das melhores intenções, mas a própria Constituição nunca foi cumprida no que concerne à obrigação de todo o português ter direito a uma casa para viver dignamente. E não será António José Seguro que fará cumprir a Constituição porque temos a certeza que no final do seu mandato haverá portugueses a viver em barracas, outros em casas dos pais e ainda outros em casas dos filhos. E o que dizer nesta democracia onde aparece um político que desgraçou os mais desfavorecidos, que retirou os subsídios de férias e de Natal, que reduziu as reformas e que aparece agora, tipo D. Sebastião, a querer tirar o lugar a Luís Montenegro de líder do PSD. Pedro Passos Coelho devia pintar a cara de preto pela actividade política que tem vindo a levar a efeito contra a liderança do seu próprio partido. Sabe-se cabalmente das suas intenções. Quer ser novamente líder do PSD, quer ser novamente primeiro-ministro para executar uma aliança com o Chega e implantar um governo neofascista. Pobre democracia que possui “democratas” deste género, sempre prontos a espetar a faca no parceiro do lado…
André Namora Ai Portugal VozesMulher surpreendente A mulher deve ser o maior fenómeno da natureza desde que existe humanidade. Um ser pensante que consegue gerar outros seres ainda nem a medicina conseguiu explicar como é que o fenómeno teve início. Existem mulheres de todo o género. Mulheres lindas e outras feias. Mulheres que preferem o celibato e outras que têm 12 filhos. Mulheres que trabalham de sol a sol e outras que vivem da riqueza do marido. Mulheres que são agredidas e violadas e outras que se dedicam ao cuidado psicológico. Mulheres que estudam e outras que optam por serem simplesmente domésticas. Mulheres escritoras e outras com a quarta classe. Mulheres que amam a política e outras que apenas gostam de ir ao futebol. Mulheres que gostam de jogar futebol e outras que preferem a prostituição. Mulheres que conduzem camiões e outras que mal conseguem guiar um Fiat 500. Mulheres que preferem a solidão e outras que após a viuvez se suicidam. Mulheres que mudam de homem todos os anos e outras que estão casadas com o mesmo homem toda a vida. Mulheres que são aventureiras e outras que sobem para cima da mesa quando veem um rato. Mulheres que abraçam o teatro e o cinema e outras que a sua voz é o modo de vida. Mulheres que são solidárias e outras ingratas e invejosas. Mulheres que adoram joias e outras que nunca usaram um anel. Mulheres que admitem a infidelidade e outras que se divorciam ao primeiro rumor. Mulheres pilotos de aviões e outras mergulhadoras para salvar vidas. Mulheres bombeiro e outras incendiárias. Mas, a que propósito é que as mulheres são hoje para aqui chamadas? Pela simples razão que também existe a mulher surpreendente. Tivemos num governo socialista uma ministra que foi criticada, que lhe chamaram amorfa, incompetente e introvertida. Essa mulher chama-se Ana Abrunhosa. Candidatou-se à presidência da Câmara Municipal de Coimbra e venceu. Ninguém dava nada por ela e os primeiros comentários sobre a senhora foram no sentido de que a sua presença à frente da edilidade coimbrã seria uma desgraça. Portugal foi assolado por três tempestades terríveis que deixaram milhares de pessoas afectadas, casas destruídas, cidades alagadas e estradas inundadas. Em Coimbra foi o descalabro. Várias populações de aldeias rodeadas de água e em pânico com a possibilidade de o nível das águas do rio Mondego subir mais e morrerem todos afogados. No meio da tragédia despontou Ana Abrunhosa como a mulher sem sono, com uma solidariedade e calma impressionantes, com conselhos e avisos às populações que tivessem esperança que o pior já tinha passado. Ana Abrunhosa recebeu os maiores encómios pessoais do Presidente Marcelo e do primeiro-ministro Montenegro. As populações do distrito de Coimbra ficaram-lhe gratas e a admirar Abrunhosa para sempre. De repente, a mulher surpreendente ainda não tinha surpreendido o país inteiro. Porque o país inteiro assistiu em directo nos canais de televisão a Ana Abrunhosa a defender os seus autarcas e a sentir-se ofendida por o ministro da Agricultura se ter deslocado a Coimbra para verificar os estragos agrícolas e começou a falar aos jornalistas sem a presença de Ana Abrunhosa e de outros autarcas da região. Bem, foi o bom e o bonito. A presidente da Câmara Municipal de Coimbra começa a discutir com o ministro e dizendo-lhe que não admitia que institucionalmente o ministro quebrasse as regras e que viesse a Coimbra pôr-se a aparecer na televisão sem aguardar pela presença dos autarcas. O país ouviu da boca de Ana Abrunhosa o que nunca imaginou de uma política que tinha sido apelidada de “chorona”. De tal forma esta mulher surpreendeu tudo e todos que já se fala à boca cheia que em próximas eleições ela deverá ser candidata a primeiro-ministro. O ministro da Agricultura ouviu e calou. Aliás, pronunciou-se de modo a apaziguar os ânimos de Abrunhosa e a senhora voltou a surpreender. Foi ela que lhe perdoou e o país viu a presidente da edilidade coimbrã, imaginem, a dar dois beijos ao ministro para que tudo acabasse em bem e para que se desse um exemplo de humildade e compreensão, mesmo entre políticos de diferentes quadrantes. Que grande exemplo desta mulher surpreendente. Afinal, ainda temos padeiras de Aljubarrota ou Catarinas Eufémias…
André Namora Ai Portugal VozesInconsciência total 19 mortos na sequência das intempéries registadas em Portugal durante duas semanas. 19? É verdade, infelizmente registaram-se na semana passada mais duas mortes por inconsciência total. No segundo dia da tempestade Kristin as águas do rio Mondego começaram a subir e adivinhava-se o pior. O caudal do rio começou a alagar vários terrenos e a invadir diversas estradas. O senhor Venâncio e a dona Fátima, moradores perto de Soure, no concelho de Montemor-o-Velho, resolveram pegar no seu Citroen e ir a Coimbra a uma consulta médica, quando as autoridades municipais já começavam a avisar para que as pessoas não saíssem de casa. Era uma terça-feira e à tarde a Protecção Civil anunciou que se encontravam várias estradas regionais encerradas ao trânsito por causa das cheias que estavam a progredir devido ao aumento do caudal do rio Mondego. O senhor Venâncio de 68 anos e sua mulher de 65 terminaram a consulta hospitalar em Coimbra e resolveram regressar a casa. Ainda jantaram na cidade dos estudantes em casa de um familiar, mas não quiseram pernoitar na casa onde estavam ou gastar 70 ou 80 euros num quarto de hotel. Resolveram mesmo regressar a casa, apesar de terem terminado de ver na televisão durante o jantar que as estradas ao redor de Montemor-o-Velho estavam perigosas. Aí foram eles. A dada altura, o senhor Venâncio telefonou a um amigo dizendo que não estava a orientar-se muito bem sobre o caminho a tomar e que a estrada onde estava não lhe era conhecida. O amigo entendeu que o senhor Venâncio estaria perdido, porque nem sequer deveria estar ao volante devido a ter tido ultimamente algumas perturbações mentais que poderiam indicar algum tipo de demência. A inconsciência total do senhor Venâncio fez que entrasse numa estrada que já estava coberta de água e o carro resvalou para um arrozal que já estava completamente inundado. As horas passaram e a filha do casal começou a ficar preocupada, os telemóveis dos pais não respondiam e resolveu dar o alerta às autoridades policiais. A partir daí e durante quase uma semana os canais de televisão só noticiavam que um casal estava desaparecido. As buscas foram incessantes. Um esforço enorme de mergulhadores e de patrulhas marítimas, de bombeiros e de militares da GNR. Passados dias e depois do nível das águas começar a baixar uns caminhantes avistaram o tejadilho de um carro imerso no arrozal e alertaram as autoridades. A confirmação entristeceu profundamente a população de Varride, onde o senhor Venâncio e a dona Fátima residiam. Os seus corpos estavam no interior do Citroen e o número de vítimas das cheias cifrava-se em 19. Agora, é tempo de reconstrução em várias zonas afectadas, especialmente em Leiria e na Marinha Grande. No debate na Assembleia da República com a presença do Governo, o primeiro-ministro anunciou todo o apoio às vítimas da calamidade, apesar de ainda haver muita gente que não recebeu apoio governamental e que ficou sem nada nos últimos incêndios. Uma nota importante: o trabalho exemplar da presidente da Câmara Municipal de Coimbra. Ana Abrunhosa recebeu os maiores encómios de todos os quadrantes, excepto do partido Chega, porque Abrunhosa não foi populista e demagoga. O distrito de Leiria foi a zona mais afectada pelas tempestades e onde se verifica maior destruição, onde caíram entre cinco e oito milhões de árvores, mas podemos anunciar em primeira mão que a edilidade leiriense convidou já uma personalidade que deixou um vasto e louvável trabalho na arborização de Macau enquanto viveu na antiga colónia portuguesa. O engenheiro António Paula Saraiva foi convidado a estudar a reconstrução do principal jardim em frente à Câmara Municipal e onde quase todas as árvores caíram devido às fortes rajadas de vento. António Saraiva já visitou o local e prontificou-se de imediato a estudar a reconstrução arbórea do jardim leiriense. Um aplauso para este técnico excepcional, que apesar de reformado prontificou-se logo a cooperar para o bem-estar dos leirienses que gostam de frequentar o seu principal jardim. A reconstrução das zonas destruídas será um trabalho árduo e dispendioso. Poderá ultrapassar os 10 mil milhões de euros, mas como disse Luís Montenegro no Parlamento, terá de ser uma reconstrução levada a cabo por todos os portugueses. O país continua, a vida não para, mas desejamos que as promessas não falhem, como se tem registado em outros casos. Portugal foi notícia pelas piores razões contempladas por fenómenos naturais, mas que Portugal volte a ser notícia quando puder anunciar ao mundo que os portugueses atingidos por uma calamidade voltaram à sua vida normal.
André Namora Ai Portugal VozesÉ preciso saber governar No dia em que a ministra da Administração Interna tomou posse falámos com um comandante da Guarda Nacional Republicana (GNR) que nos disse “Ai, meu caro, esta ministra Maria Lúcia Amaral vai ser um desastre… a senhora é muito boa jurista, mas não tem a mínima habilidade para lidar com homens de barba rija, nem faz a mínima ideia do que são as forças de segurança e o que é preciso mudar num panorama tão perturbado e obscuro”. O comandante tinha razão. A ministra foi uma página negra do actual Governo e acabou por se demitir em tempo de calamidade. Tinha forçosamente de se demitir. Já era “bobo da corte” no seio da PSP, GNR e Proteção Civil. A senhora deixou o país atónito quando só passados três dias da tempestade Kristin atingir Leiria e Marinha Grande é que veio a público dizer… nada! Vários políticos e comentadores de televisão há muito que se tinham pronunciado no sentido de o primeiro-ministro substituir a ministra da Administração Interna. Luís Montenegro fez ouvidos de mercador e o resultado foi igual à catástrofe que tem atingido o território nacional. Montenegro olhou ao redor para os seus amigos e não encontrou no imediato um novo ministro para uma pasta tão importante. Montenegro não tem uma visão da realidade. Por sinal, Portugal tem uma personalidade que devia ser logo convidada, caso estivesse disposta, a ocupar o cargo de ministro da Administração Interna. Saber coordenar Forças Armadas com GNR, PSP, Bombeiros e Proteção Civil somente o almirante Gouveia e Melo. E viu-se na pandemia da Covid-19. Não votámos no candidato presidencial Gouveia e Melo, mas reconhecemos a sua postura de organizador, coordenador e com seriedade para ocupar o lugar de ministro da Administração Interna em tempos difíceis para o país, que se encontra de Norte a Sul numa situação de tragédia. Na semana passada até o inimaginável aconteceu. Nunca ninguém, muito menos um governante de infraestruturas, pensou que a principal autoestrada do país, a A1 que liga Lisboa ao Porto, pudesse colapsar devido à ruptura de um dique no rio Mondego. Na zona de Coimbra os automobilistas irão estar durante meses privados de usar a autoestrada. Voltamos sempre ao mesmo: é preciso saber governar. E o Governo no início das tempestades que têm assolado o país não esteve à altura dos trágicos acontecimentos. Nem sequer inseriu no planeamento de um novo apagão ou outro tipo de catástrofe, o armazenamento de uma substancial existência de geradores. Seria o mínimo. Ainda estão mais de 20 mil portugueses sem electricidade, passadas duas semanas da primeira tempestade que derrubou postes de energia e inundou postos de abastecimento. A verdade, é que milhares de portugueses têm sido desalojados das suas casas, de lares e evacuados de aldeias cercadas por água. Na zona de Coimbra os fuzileiros navais não param um dia de transportar pessoas, alimentos e outros bens nos seus carros anfíbios. Há pessoas que ficaram sem nada. Uma vida para construir uma casa e de um dia para o outro viram-se completamente sem o que reuniram durante anos. As terras em diversos locais do país estão saturadas de água e nos próximos tempos, segundo os especialistas, essas terras vão-se abater e as moradias que estiverem no seu caminho serão destruídas. Até em Porto Brandão, ao lado da Trafaria, e na Costa de Caparica as derrocadas das arribas provocaram centenas de desalojados. E a Câmara Municipal de Almada durante anos não previu que a tragédia pudesse acontecer? Temos muitos e competentes autarcas em Portugal, mas também temos incompetentes e corruptos que só se preocupam com a construção de rotundas e de outras obras megalómanas para espanhol ver. A reconstrução desta calamidade que atingiu Portugal vai demorar anos e uma das obras mais importantes, a instalação das linhas eléctricas subterrâneas já teve o veredicto “solidário” da União Europeia: não concede apoios para tal. E é assim que os portugueses vão assistindo a um país inundado, com a agricultura destruída, com casas e fábricas que desapareceram e com uma fila infindável de camiões que transportam muito do que alimenta a população, devido a um viaduto de autoestrada que colapsou, e sabe-se lá de que forma teria sido construído… apenas esperamos que no futuro saibam governar com o objectivo de proporcionarem aos portugueses uma vida melhor e mais pacífica.
André Namora Ai Portugal VozesCalamidade “Não vou votar nem que me prendam” Fomos até Portalegre ajudar alguns amigos que estavam desesperados com a destruição das suas casas, à semelhança de milhares de portugueses de Norte a Sul. Kristin, Leonardo e no passado sábado a Marta, tempestades que já provocaram 15 mortos. Três tempestades de muita chuva e vento que deixaram Portugal em estado de calamidade. Vendo bem, foram umas chuvadas idênticas a tantas que acontecem em Inglaterra e que não deixam milhares de pessoas no desespero e sem tudo o que conseguiram amealhar ao longo de uma vida de trabalho. Com uma diferença, é que em Portugal as autoridades governamentais nunca souberam o que é o planeamento. Planear o que fazer em caso de catástrofe, em caso de inundações, em caso de terramoto, em caso de cair um avião em Lisboa, em caso de adquirir e armazenar um lote de geradores se se registar um apagão energético. Planeamento é palavra desconhecida de quem governa. Preocupam-se com o dia a dia e com o anúncio de um aeroporto em Alcochete, que deverá estar a funcionar lá para o ano de 2045 e com um TGV de Lisboa a Badajoz. Neste último caso do TGV, mais valia que o Governo se tivesse decidido por um TGV entre Beja e Lisboa e já estivesse o aeroporto de Beja a funcionar como o aeroporto internacional de Lisboa. Mas voltemos a Portalegre e onde vários alentejanos nos disseram, como acto de revolta e desespero, à semelhança de Leiria, Marinha Grande, Alcácer do Sal, Ourém, Coimbra ou Régua, que “Não vou votar nem que me prendam”. Na verdade, a segunda volta das eleições presidenciais teve lugar ontem na maior parte do território nacional, apesar de alguns municípios terem decidido o seu adiamento por falta de condições mínimas para abrir mesas de voto. A calamidade que se instalou em Portugal, há quem refira sem precedentes, tem sido algo horrível. Aldeias isoladas, campos agrícolas que desapareceram, casas que voaram, centenas de telhados que desapareceram, fábricas onde tudo ficou destruído e os trabalhadores no desemprego para muitos meses, milhares de árvores caídas, centenas de carros destruídos, caudais de água que invadiram casas, hotéis e restaurantes – alguns até ao tecto, lares desalojados, bombeiros exaustos, uma senhora a cozinhar num cubículo para 300 famílias de um agregado habitacional, barcos dos fuzileiros navais sem parar a transportar pessoas que já tinham a casa inundada, animais que ficaram sem estábulos ou casotas, alimentos que não chegavam a certas populações. Ainda há milhares de portugueses sem energia, água e telecomunicações. Uma tragédia que atingiu um povo que nunca imaginou ser possível tal dimensão de catástrofe. No entanto, há que salientar um aspecto muito importante: a solidariedade. Recordamos, por exemplo, a atitude do povo transmontano, particularmente em Mirandela, onde as Juntas de Freguesia se juntaram e adquiriram toneladas de telhas que foram levadas para a Marinha Grande num camião de 16 rodas facilitado pela proprietária do mesmo. A solidariedade de uns para os outros tem sido infindável e tem constituído a grande montra de humanismo escarrapachada na cara dos governantes que se limitam a visitar as desgraças vividas pelas populações e que amanhã já estão a planear as férias de Verão no Algarve ou em Punta Cana. A primeira tempestade Kristin registou-se há quase duas semanas, mas possivelmente os apoios estatais a quantos ficaram sem nada, talvez só cheguem esta semana. As seguradoras começam a “patinar” no que concerne a colocar o preto no branco quanto ao pagamento dos prejuízos que cada cidadão sofreu com as intempéries. As seguradoras deviam ser alvo de coimas avultadas quando não cumprem com o estipulado a favor dos prejudicados. Só pensam no lucro anual… E agora? Perguntam os especialistas sobre o futuro, no caso de continuarem a aparecer novos Leonardos ou Martas? O Governo tem de dar uma resposta rápida sobre o futuro e o que pensa reformar para que algo mude com decisões de positivismo. E a começar pela instituição ‘Proteção Civil’, a qual não tem a humildade de assumir que o seu sistema está cheio de insuficiências. Foram duas semanas de horror, pânico, sofrimento e prejuízo. Houve mulheres e homens que estiveram mais de quatro dias sem dormir uma hora. Olhar à sua volta e apenas ver água a subir e a destruir-lhe o frigorífico, a máquina de lavar roupa, o fogão, as alcatifas e todos os valores materiais que decoram uma casa foi algo de muito triste. As televisões mostraram as lágrimas de homens e mulheres que ficaram absolutamente sem nada. O país não pode continuar assim, porque o país não é pobre, o que existe são ladrões a mais.
André Namora Ai PortugalMudanças climáticas para inglês ver O planeta Terra está a ser alvo das mais graves mudanças climáticas jamais registadas. São tempestades inesperadas como aconteceu a semana passada em Portugal provocando a morte a cinco cidadãos, destruindo habitações, provocando a queda de árvores de grande porte e com muitos anos de existência, telhados inteiros voaram, coberturas de fábricas, armazéns e até do estádio de futebol de Leiria partiram-se e caíram nas vias públicas torres de iluminação e postes de electricidade, que destruíram imensas viaturas, destruição de hangares militares que danificaram aviões F-16, inundações nunca vistas em algumas localidades que deixaram animais abandonados, barragens que se construíram sem existir qualquer plano sobre o que poderá acontecer em prejuízo das populações, quando se efectuam descargas de água, bombeiros sem mãos a medir para acudir nos mais diversos locais, mais de 300 mil portugueses continuavam anteontem ainda sem luz e água, enfim, uma tragédia para a qual ficou provado que as estruturas governamentais não estavam preparadas e nem sequer realizaram um planeamento adequado para acudir às populações em perigo, depois de já terem sucedido situações semelhantes com menos gravidade. E por quê? Simplesmente porque alguns povos e governos, incluindo o português, ainda não se convenceram que tinham de andar dez anos à frente no que respeita à prevenção e à defesa do meio ambiente. Sabemos todos que o culpado disto tudo é o CO2. Certo, mas a emissão de CO2 acontece porque os humanos nada fazem para evitar que o CO2 acelere o aquecimento global, acidifique os oceanos e provoque eventos climáticos extremos, como tornados, furacões e ciclones. O dióxido de carbono retém calor, provocando o derretimento de calotas polares, contribui para aa elevação do nível do mar e riscos para a nossa saúde e para a segurança alimentar. O aumento do CO2 intensifica o efeito de estufa, causando aumento de temperatura da superfície terrestre. Isto, gera fenómenos meteorológicos extremos como secas, ondas de calor e inundações. Inundações que foram trágicas na semana passada em Portugal, com escolas encerradas, lojas completamente cheias de água, moradores impedidos de sair de casa, carros submersos às dezenas e rios com a água a subir a níveis nunca vistos, em alguns casos devido ao que atrás referimos inerente à descarga de barragens. A maioria das gentes não faz a mínima ideia da gravidade que se está a passar nos oceanos, por exemplo, e que tem consequências gravosas na nossa vida. A absorção de CO2 pelos oceanos forma ácido carbónico, reduzindo o pH da água, prejudicando a vida marítima, especialmente organismos que dependem de carbonato de cálcio (como corais e moluscos) e ameaça a pesca. Mas, quem é que se preocupa com o facto horrível de quem enfia as beatas dos cigarros nas areias das praias que depois vão para o mar e que os filtros podem demorar 100 anos a desfazerem-se? Quem é que se importa de ver milhões de beatas pelas ruas das cidades? A tempestade Kristin que atingiu Portugal está ligada às mudanças climáticas que temos referido, no entanto, o povinho continua de boca aberta de admiração indagando porque é isto possível? É uma realidade porque nunca ninguém lhes disse que estes novos fenómenos estão associados à falta constante de defender o meio ambiente. Nunca lhes disseram que o aquecimento global causa o derretimento dos gelos polares, resultando na subida do nível do mar com a consequente ameaça das zonas costeiras e em muitas dessas zonas existe agricultura. Tudo está ligado. Com uma agricultura sem qualidade o impacto na saúde humana é imenso, provocando doenças cardiovasculares, respiratórias, asma e bronquite, segundo um médico amigo nos transmitiu. Todos temos de olhar para o futuro, especialmente os jovens, e algo tem de mudar radicalmente no comportamento quotidiano dos humanos, sejam fumadores, proprietários de fábricas de produtos tóxicos ou engenheiros que planeiam a construção de uma barragem. A defesa do meio ambiente não é uma balela, mas para muitos, parece. Com a agravante de já estar anunciado para esta semana a vinda de mais duas tempestades a atingir Portugal Alguns, chegam mesmo a dizer “que se lixe, vou morrer dentro de pouco tempo, os que ficam cá que aguentem!”. Está errado. É um pensamento egocêntrico e de um egoísmo atroz em prejuízo da humanidade. Pensemos no que sucedeu a semana passada em Portugal e tentemos mudar o nosso comportamento diário em defesa do meio ambiente, o que significa em nossa defesa, dos filhos e dos netos.
André Namora Ai Portugal VozesHá campeão no final da segunda volta Não, não vou escrever sobre o que irá acontecer no final da segunda volta do nosso campeonato nacional de futebol. Nesse campo, teríamos muito para explanar, já que o Futebol Clube do Porto, o Sporting e o Benfica, mais uma vez, são os três clubes que, de entre eles, um festejará no Marquês de Pombal ou nos Aliados. Está a ser uma segunda volta muito disputada, com um F C Porto fortíssimo e bem treinado, com um Sporting ainda com esperança de conquistar o tri, apesar das inúmeras baixas e de um bom treinador ter andado a cozinhar omeletas sem ovos e um Benfica com um treinador mundialmente famoso com jogadores que custaram milhões e que não dão uma para a caixa. No final da segunda volta tudo se irá saber se os festejos serão com milhares de cachecóis azuis, verdes ou vermelhos. Uma outra segunda volta está a decorrer. Ui, que segunda volta e que “campeonato” disputado a duas mãos: António José Seguro e André Ventura. Foram os dois candidatos a Presidente da República que receberam do povo mais votos. E agora, terá de se realizar uma segunda volta de eleições presidenciais a fim de um dos candidatos ser eleito por maioria absoluta. A Irlanda e a Islândia resolvem logo a eleição à primeira volta, com uma maioria simples. Não estão virados para, passado uns dias, voltarem ao “trabalho” de se deslocarem às urnas. Seguro e Ventura, de qualquer modo, surpreenderam muita gente. No início da campanha ouvimos várias pessoas a dizer que nem um nem outro teriam qualquer hipótese de ficarem nos dois primeiros lugares. Uma parte do país estava convencida que Gouveia e Melo iria à segunda volta pelo bom desempenho que teve durante a pandemia Covid19. Mas não, o povo não esteve virado para colocar um militar na Presidência da República. Outra parte do país, especialmente no Norte, dava Marques Mendes como indiscutível candidato presente na segunda volta. Tinha tido o apoio na campanha de Luís Montenegro e tudo indicava que a AD, Montenegro e o Governo não viessem a ter uma derrota estrondosa. Ainda tivemos outra surpresa: Cotrim Figueiredo partiu quase dos oito por cento da Iniciativa Liberal, foi conquistando apoios através de uma boa máquina nas redes sociais e chegou a estar em empate técnico com os candidatos Seguro e Ventura. No entanto, Cotrim nunca esperou que na última semana de campanha viesse uma senhora assessora no Governo, acusá-lo de assédio sexual. Pronto, a bronca estava nas bocas do mundo e o culpado ou inocente Cotrim veria a sua prestação desmoronar para o precipício e, no final, ficar muito longe de uma eventual segunda volta. António José Seguro, que iniciou esta caminhada presidencial sozinho, a mostrar-se um homem moderado, com mais experiência e com um contacto directo com a juventude ao exercer o professorado universitário durante praticamente 10 anos, viu que as suas hipóteses de ir a uma segunda volta aumentavam de semana a semana, especialmente depois de os “tubarões” do Partido Socialista manifestarem o apoio à sua candidatura. De tal forma, que venceu as eleições com uma vantagem indiscutível. A maioria dos portugueses diz que Seguro será o campeão nesta segunda volta. Aconselhamos essa maioria a ter muita calma, e lembrar-se do que aconteceu com Fernando Medina na edilidade lisboeta – “Ah, está ganho, nem vale a pena ir votar!” – e pensar que o adversário se chama André Ventura, o astuto, inteligente, rude, racista e xenófobo político que apregoa aos quatro ventos que tudo tem de mudar, que o país tem sido governado por uma cambada de corruptos, que os imigrantes têm de voltar para a sua terra, que os apoios sociais devem ir primeiramente para os portugueses, que os salários e as pensões não podem ser miseráveis, em resumo, pega no megafone e grita tudo aquilo que os descontentes, os neofascistas ou os antigos milhares de bufos da PIDE, gostam de ouvir. E ainda existe uma particularidade incompreensível de termos os nossos emigrantes, que escutam o discurso de que os imigrantes devem voltar para a sua terra e que não pensam duas vezes se ouvissem o mesmo discurso nos países onde trabalham como a França, Suíça, Alemanha, EUA ou Austrália, e que mesmo assim, decidem votar em Ventura. Atenção, aos apoiantes de Seguro. Nada está ganho, e por um voto se ganha e por um voto se perde. Se os apoiantes de Seguro pensarem que o campeão desta segunda volta está encontrado, podem vir a ter um grande dissabor se não forem em massa votar, e não só. Todos os democratas ficariam de rastos ao ver pela primeira vez, em mais de 50 anos de democracia, um neonazi no Palácio de Belém.
André Namora Ai PortugalEste país não é para grávidas As jovens em Portugal vivem num dilema. As que estudam e acabam um curso superior. As que trabalham nas mais diversas profissões, nomeadamente na limpeza das ruas das cidades, como cuidadoras informais, empregadas de restaurantes, em fábricas, coordenadoras de plataformas digitais, enfermeiras, advogadas, motoristas da Uber, funcionárias de lojas, médicas, arquitectas e tantas, tantas profissões que podemos imaginar. E o dilema é o seu futuro. Ao terminarem um curso ou começar a trabalhar, grande número de jovens com 25, 30 e até 35 anos continuam a viver nas casas dos pais porque o rendimento mensal não lhes é suficiente para comprar ou arrendar uma casa. Outras, ao conseguirem a sua independência e ao comprometerem-se com um namoro ou casamento, depois deparam-se com a realidade. O sonho de ter filhos. O facto de engravidar e ter um filho parece, à primeira vista, algo de normal. Mas não é. Nos dias de hoje em Portugal sabemos que a natalidade tem diminuído muito e que o país já possui um número maior de velhos do que jovens. Quanto à natalidade, vários factores contribuem para que as jovens e até já mulheres com 40 anos, mesmo as comprometidas com um companheiro ou marido, deparam-se com casas cada vez mais caras, com um salário que não lhes permite sequer arrendar uma casa, se concretamente viverem em Lisboa, Porto, Coimbra ou Évora. As jovens começam a fazer contas à vida e pensam logo como é que será possível engravidar se continuam nas casas dos pais, algumas com o companheiro, então, como é possível arrendar uma casa para poder ter um filho se o salário mínimo nacional é um dos mais baixos da Europa, como é que podem comprar uma casa a prestações se nem os pais se disponibilizam para ser fiadores, como é que vão engravidar se depois passam meses em consultas hospitalares com uma espera de horas e horas e faltando ao trabalho, como é que podem engravidar se começam em pânico ao ouvir as notícias de que uma grávida teve o parto em casa sem apoio médico, numa ambulância, no carro particular do marido ou mesmo no chão da rua, como é que podem pensar em ter filhos se essas mesmas notícias que ouvem transmitem a sensação de dor e amargura porque ficam a saber que a maioria das urgências de Pediatria e Ginecologia – Obstetricia encontram-se encerradas e que as grávidas chegam a ser transportadas de ambulância numa distância de 200 e 300 quilómetros andando de hospital em hospital para encontrar uma urgência aberta. Alguns dirão que o Governo melhorou o serviço de atendimento do INEM e que as grávidas podem saber qual a urgência que está disponível. Pois, disponível a mais de 100 quilómetros. E não falemos em INEM. Se formos por aí, nem existem ambulâncias e respectivas macas que cheguem para socorrer a população. Ainda recentemente assistimos à morte de três portugueses por falta de socorro do INEM. De tal forma, o facto foi de extrema gravidade que os bombeiros voluntários decidiram colocar as suas ambulâncias ao dispor do INEM. Uma medida a merecer os melhores encómios a este acordo entre os bombeiros e o INEM, que salvou de imediato a vida de vários pacientes. Mas, claro, tinha de aparecer o “demónio”. Acto contínuo, uma Protecção Civil, que tem servido para disponibilizar “tachos” aos amigos dos governantes, veio logo a público deixar-nos de boca aberta. A Protecção Civil teve o desplante de manter uma posição contrária ao acordo entre os bombeiros voluntários e o INEM. Obviamente que os bombeiros mandaram a Protecção Civil cavar batatas e dar uma volta até às Berlengas… Num panorama assim, como é que uma jovem pode pensar em engravidar sem receio, sem pânico, sem ansiedade? Não pode e, assim, chegamos ao ponto fulcral: a natalidade em Portugal tem de diminuir e cada vez mais se regista um número menor de mulheres grávidas. Conclusão: este país não é para grávidas.