IA | Associação admite substituição de trabalhadores

A Associação Económica de Macau acredita que os trabalhadores não residentes vão ser os mais afectados pela implementação da inteligência artificial, mas reconhece que vai ficar mais complicado para os jovens de Macau entrarem no mercado de trabalho

A Associação Económica de Macau admite que os recém-licenciados vão ter cada vez mais dificuldades em encontrar um emprego devido à implementação da inteligência artificial (IA), mas defende que a tendência não se verifica apenas em Macau. A posição consta de um artigo de opinião publicado no jornal Ou Mun pelo subchefe do Conselho de Jovens da associação, Leong Ka Hou.

No artigo, o responsável explicou que os trabalhos caracterizados por uma elevada repetição de tarefas, processos padronizados e fácil adaptação da tecnologia vão ser os mais afectados pela substituição.

Leong apontou que os exemplos fora da RAEM mostram que a adopção das novas tecnologias está a reduzir gradualmente os postos de trabalho que normalmente eram ocupados pelos mais jovens, quando iniciavam a carreira profissional. O responsável destacou os casos de Hong Kong e Singapura e afirmou que, nestas cidades, as vagas de emprego a tempo inteiro para profissionais em início de carreira continuam a diminuir.

Leong Ka Hou argumentou ainda que face à expansão da inteligência artificial as empresas mostram-se mais cautelosas nas contratações.

Macau melhor

Apesar do cenário negativo, o subchefe do Conselho de Jovens da Associação Económica de Macau considera que o impacto em Macau vai ser sentido de forma mais gradual, do que nas outras jurisdições mais ligadas à indústria manufactureira.

Leong Ka Hou argumentou que a economia de Macau se foca principalmente no sector dos serviços, no qual a maioria das posições depende do atendimento presencial e que dificilmente é substituída por máquinas.

O membro da associação considera que a substituição dos trabalhadores até pode ter um efeito positivo em Macau, com a redução do conflito entre residentes e trabalhadores não residentes (TNR). Leong Ka Hou explicou este ponto de vista com o facto de os TNR ocuparem maioritariamente os trabalhos menos qualificados, pelo que serão os primeiros a ser afectados pelo fenómeno. Como os TNR são os mais afectados, Leong indica que a substituição é uma oportunidade para melhorar a estrutura dos recursos humanos de Macau.

Apesar destas alterações, devido ao envelhecimento populacional, Leong Ka Hou considerou que a oferta de mão-de-obra em Macau é inerentemente insuficiente, pelo que sugere ao Governo a adopção de uma estratégia para a transformação da força de trabalho, com base nas tendências futuras de emprego e através da requalificação profissional dos residentes, de forma a prepará-los para os futuros empregos.

Leong Ka Hou pediu ainda um mecanismo de formação em tecnologias de IA e a formação de quadros nas indústrias de saúde, finanças, tecnologias de ponta e desporto, cultura, exposições e convenções.

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