China / ÁsiaJapão | Dirigentes de operadora nuclear demitem-se após falsificação de dados Hoje Macau - 15 Set 2026 Dois altos dirigentes de uma operadora nuclear japonesa demitiram-se ontem na sequência de um escândalo de falsificação de dados sísmicos, e o grupo anunciou que vai retirar os pedidos de reactivação de dois reactores. A central de Hamaoka, da Chubu Electric Power, situada numa região exposta ao risco de “mega-sismo”, estava sujeita a controlos de segurança para retomar actividade. Em Janeiro, a empresa reconheceu ter apresentado às autoridades dados que poderiam subestimar os riscos sísmicos. Num comunicado, a Chubu Electric informou que o presidente Kingo Hayashi e o presidente do conselho de administração, Satoru Katsuno, serão substituídos, retirando também os pedidos de reinício. Hayashi declarou sentir “um pesado sentido de responsabilidade e profundo remorso”, lamentando não ter conseguido promover uma cultura organizacional que privilegie a segurança e o cumprimento das normas. Um relatório independente de 250 páginas, divulgado no mesmo dia, concluiu que as pressões da direcção para acelerar o reinício dos reactores colocaram o pessoal sob pressão e foram “um dos factores que contribuíram para as falhas” registadas. O Japão encerrou todos os reactores após o desastre de Fukushima em 2011, mas procura reduzir a dependência de combustíveis fósseis e alcançar a neutralidade carbónica até 2050, regressando gradualmente ao nuclear civil. A central de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, retomou operações este ano. No centro das avaliações de segurança está a estimativa de “movimento sísmico máximo à superfície”, crucial para o desenho antisísmico das centrais. Em 2023, o regulador japonês aprovou a estimativa da Chubu Electric, mas em Fevereiro de 2025 recebeu de um denunciante informação com dados diferentes dos fornecidos. O processo de revisão foi suspenso em Dezembro.