China / ÁsiaNepal | Primeiro-ministro vai discursar na ONU Hoje Macau - 7 Set 2026 Um mês depois da enxurrada que abalou o país e fez mais de 1.300 mortos, o primeiro-ministro nepalês vai discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas em busca de apoio internacional O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, intervém a 24 de Setembro na 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, na sequência das cheias de Agosto. Naquela que será a sua primeira viagem ao estrangeiro desde que assumiu o cargo, a 27 de Março passado, a decisão de Shah de liderar pessoalmente a delegação nepalesa responde à urgência de procurar apoio internacional após inundações ocorridas a 26 de Agosto, indicou sábado o jornal local Kathmandu Post. O próprio Shah compareceu na quarta-feira perante o parlamento nepalês para alertar que a crise no distrito de Rasuwa, desencadeada por um colapso glaciar no rio Bhote Koshi, é o pior desastre deste tipo registado na região. “Este acontecimento é um grave aviso do risco crescente que enfrentamos”, afirmou o líder. Durante a sessão, Shah salientou que o Nepal é incapaz de fazer face a esta escala de destruição sozinho e anunciou que exigiriam que a comunidade internacional assumisse a sua parte naquilo que definiu como uma “responsabilidade partilhada” global para mitigar o impacto climático. O debate geral desta 81.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas decorrerá de 22 a 28 de Setembro sob o lema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: uma ONU que cumpre para todos”. Neste fórum multilateral, que concede um voto igualitário a cada um dos seus 193 Estados-membros, a intervenção do primeiro-ministro nepalês está agendada para 24 de Setembro, de acordo com o calendário divulgado pela imprensa local. O último balanço divulgado sábado pelas autoridades nepalesas elevou para mais de 1.300 o número de mortos devido às inundações devastadoras ocorridas a 26 de Agosto, enquanto o total de desaparecidos ronda os 5.000, entre os quais pelo menos 606 cidadãos estrangeiros. As operações de busca e salvamento prosseguem nas zonas afetadas e mantêm cerca de 8.000 agentes mobilizados, tendo permitido, até ao momento, prestar assistência a 8.962 pessoas. Catástrofe inédita As cheias repentinas de 26 de Agosto, descritas pelos observadores locais como um dos piores desastres de que há memória no Nepal, fizeram o nível da água do rio Trishuli subir entre 15 e 18 metros acima do normal, destruindo povoações ao longo de um troço de 72 quilómetros das suas margens. Causaram também danos significativos em centrais hidroeléctricas e outras infraestruturas, além de terem destruído habitações, estradas e pontes em vários distritos. Destruíram igualmente o posto fronteiriço de Rasuwagadhi-Kerung, na fronteira entre o Nepal e a China, uma rota essencial para o comércio bilateral, e afetaram dezenas de povoações. A catástrofe foi desencadeada pelo desprendimento de uma massa de gelo e rochas da face norte de Langtang Lirung, o cume mais alto da cordilheira do Langtang Himal, uma subcordilheira dos Himalaias nepaleses, situado a sudoeste do pico de Shishapangma, a nordeste de Katmandu e cinco quilómetros a sul da fronteira com o Tibete. Resgates continuam As equipas de resgate no Nepal retiraram sábado com vida um cidadão chinês de um túnel de uma central hidroeléctrica e uma mulher retida em casa desde as cheias de 26 de Agosto, informaram sábado as autoridades nepalesas. O exército do Nepal informou que o homem foi resgatado com vida de um túnel de 225 metros (e está a ser submetido a uma avaliação médica. As imagens mostraram-no a ser evacuado de helicóptero, com um médico do exército a examiná-lo durante o voo. Já a mulher, encontrada numa casa na cidade de Nuwalot, estava a ser transportada de helicóptero para Katmandu, segundo as autoridades. O resgate do cidadão chinês eleva para três o número total de trabalhadores retirados com vida do projecto hidroeléctrico de Trishuli. Na sexta-feira, dois trabalhadores nepaleses tinham sido resgatados de um túnel naquela central hidroeléctrica. Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projectos hidroeléctricos em todo o Nepal, acreditando-se que cerca de 500 estejam presos em vários túneis, segundo as autoridades.