Trânsito | Número crescente de infracções deve-se a aumento de queixas

Face à preocupação do deputado Leong Pou U com as crescentes infracções de trânsito nas passadeiras, o CPSP indica que a tendência se deve aos melhores meios de prova para sancionar condutas ilegais e ao maior número de denúncias dos cidadãos

O Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) defende que o número de infracções de trânsito tem aumentado porque há cada vez mais pessoas a denunciar irregularidades. A posição consta da resposta a uma interpelação escrita do deputado Leong Pou U, em que era abordada a segurança nas estradas locais.

Na interpelação, o legislador ligado aos Operários de Macau recorreu aos dados oficiais para apontar que, na primeira metade do ano, o número de infracções por não cedência de passagem aumentou anualmente 35,7 por cento. Em particular, os casos de não cedência de passagem nas passadeiras tiveram um crescimento anual de 97 por cento.

Todavia, o CPSP indica que o aumento não está ligado apenas a um maior número de infracções, mas também à “elevação da consciência dos cidadãos sobre a segurança rodoviária, que leva à denúncia espontânea das infracções de que são testemunhas”.

Apesar disso, as autoridades reconhecem que existem agora melhores meios para detectar as infracções, devido à “optimização contínua” e ao “alargamento da cobertura do sistema de videovigilância rodoviária”, o que “facilita a recolha de provas”.

Entre os factores que o CPSP considera terem levado a um crescimento das infracções, surgem ainda o “reforço” das “patrulhas diárias e das operações específicas de combate aos diversos tipos de infracções de condução”. “A sinergia destes aspectos permitiu um aumento efectivo da eficácia da execução da lei, bem como um aumento nos dados relativos à autuação de infracções rodoviárias”, foi apontado.

Penas mais pesadas

Na interpelação, Leong Pou U pretendia também que o Governo explicasse as medidas que estão a ser tomadas para assegurar a segurança nas passadeiras e na estrada. Em Maio deste ano, uma criança de 10 anos perdeu a vida depois de ser atropelada por um carro, quando atravessava a rua na passadeira.

A resposta à interpelação, que surge assinada por Chiang Ngoc Vai, director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, deixa antever um agravamento das penas, quando for aprovada uma nova lei do trânsito.

Segundo as explicações, o Governo encontra-se actualmente “a acelerar os trabalhos de consulta relativos à revisão da Lei do Trânsito Rodoviário” para adoptar “um regime jurídico de trânsito mais rigoroso”, “reforçar o efeito dissuasor das disposições sancionatórias vigentes” e “elevar a consciência dos utentes das vias públicas quanto ao cumprimento das regras de trânsito”. O Executivo espera também que o futuro diploma, que ainda tem de ser aprovado na Assembleia Legislativa, reduza o número de acidentes.

Além do aspecto legal, o Governo defende que tem contribuído para uma maior segurança nas estradas “através da optimização da configuração das instalações e equipamentos” e da “promoção de acções de sensibilização sobre a segurança rodoviária”.

Trânsito | Conselheiros pedem mais medidas de segurança

Os membros do Conselho Consultivo de Serviços Comunitários da Zona Central pediram, esta quarta-feira em reunião ordinária, que sejam criadas mais medidas para garantir a segurança rodoviária.

Em comunicado, é explicado que o conselheiro Leong Kim Kio sugeriu o recrutamento de mais assistentes de trânsito para os locias mais movimentados de Macau, a fim de garantir que os peões usam a passadeira para atravessar. Além disso, tal iria contribuir para reduzir os casos em que os condutores não dão cedência de passagem aos peões. O conselheiro pede também a deslocação destes assistentes de trânsito para zonas próximas às escolas.

Já a conselheira Chan Hio Teng, defendeu a alteração à lei do trânsito rodoviário, considerando que é necessário para regular, por exemplo, a redução da velocidade em estradas perto de escolas. Chan deu o exemplo do interior da China, onde não se pode circular a mais de 30 quilómetros por hora junto às escolas.

Por seu turno, a conselheira Chan Tong Sut defende que a alteração da lei do trânsito rodoviário deve incluir a introdução de sistema de pontos para elevar o efeito dissuasor junto dos condutores, já que correm o risco de ficar sem carta de condução. Esta defendeu ainda a revisão da circulação em todas as passadeiras, pois nas ruas com curvas reduz-se a visibilidade para veículos de maior dimensão.

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