Manchete SociedadeHospital das Ilhas | Queixas sobre médicos que só falam mandarim João Luz e Nunu Wu - 18 Ago 2026 As consultas no Hospital das Ilhas por médicos que só falam mandarim, sem que haja tradução, está a dificultar o acesso a cuidados médicos, em particular a idosos. Uma residente queixou-se da falta de tradução e do prolongado tempo de espera Quando Sio levou a mãe a uma consulta no Centro Médico de Macau Union, também designado como Hospital das Ilhas, não imaginou que deveria ter entrado na sala do médico. Porém, terminada a consulta e face à confusão da mãe, a residente percebeu que deveria ter tomado uma postura mais proactiva. A queixa foi feita no programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, com a ouvinte a indicar que são necessários serviços de tradução no Hospital das Ilhas para quem não fala mandarim, depois de ter recorrido aos serviços médicos na semana passada. “O médico só falou mandarim durante toda a consulta. Não estou a dizer que falar mandarim é um problema, temos muitos médicos de qualidade vindos do Interior da China, devemos estar contentes por isso. No entanto, acho que deve haver pessoal para auxiliar na tradução, porque os idosos podem não conseguir falar mandarim e os médicos podem não perceber cantonês” explicou. A residente indicou que a consulta acabou por ser afectada porque não só a mãe não compreendeu algumas ideias deixadas pelo médico, como também não conseguiu expressar claramente a sua situação. Na próxima consulta, em vez de ficar na sala de espera, Sio afirmou que irá acompanhar a mãe quando esta for chamada, mas que mesmo assim isso pode não ser suficiente. “Na verdade, não estou muito confiante que consiga compreender e expressar-me com clareza durante a consulta”, indicou. Tempo é relativo Sio não revelou se durante a consulta estaria uma enfermeira presente para ajudar a explicar em cantonês o que o médico estaria a dizer. Porém, a própria apresentadora do programa referiu ter acompanhado um familiar a uma consulta no Hospital das Ilhas onde o mesmo se terá passado, obrigando-a a fazer o papel de tradutora. A ouvinte lamentou também a longa espera para a sua mãe ser atendida. “Consultei a aplicação móvel do hospital para ver os doentes em espera. Primeiro estavam 20, mas um pouco antes da noite fomos para o hospital e estavam seis pessoas à espera. Mesmo assim, acabámos por esperar mais de duas horas, ou seja, cerca de meia hora por cada doente”, contou. A consulta da mãe teve a mesma duração, tempo que Sio explicou com a necessidade de fazer testes à mãe por suspeitas de estar infectada com gripe, situação que alarga o tempo de espera. “Este procedimento tem de melhorar. Isto não acontece nos outros hospitais de Macau, onde os testes ou análises são separados da consulta”, rematou a residente.