FAOM / Inquérito | Cerca de 34% querem ir para a Grande Baía ou Hengqin

Um inquérito da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) mostra que há cada vez maior disponibilidade dos residentes para trabalharem no outro lado da fronteira. No entanto, a maior parte pretende ficar em Macau

Cerca de 34 por cento dos 1.200 inquiridos pela Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) têm vontade de trabalhar na Ilha da Montanha ou nas cidades da Grande Baía. Os resultados do inquérito, realizado entre Janeiro e Agosto, foram apresentados ontem pela associação tradicional que conta com quatro deputados na Assembleia Legislativa.

Além de haver uma maior disponibilidade para viver em Hengqin e na Grande Baía, a equipa que elaborou o inquérito recorreu aos dados oficiais para afirmar que a deslocação dos residentes para o Interior é cada vez mais uma tendência em curso. Segundo a FAOM, até Novembro do ano passado o número de residentes empregados em Hengqin ultrapassou os 6 mil, o que representou um aumento de 13 por cento, em comparação com 2024.

Os investigadores apontaram também que os residentes começam a aceitar cada vez mais a ideia de viverem em Macau e trabalharem no outro lado da fronteira.

Apesar desta tendência, os autores do estudo indicaram que o trabalho transfronteiriço ainda enfrenta desafios, como a adaptação à nova vida quotidiana, a tomada de decisões sobre se a família se muda para Hengqin ou fica em Macau, as burocracias relacionadas com o reconhecimento das qualificações profissionais, as diferenças nos sistemas fiscais e nos sistemas de segurança social.

Face aos desafios, a FAOM quer uma resposta política, para criar soluções que tornem a transição entre os territórios menos problemática.

Foco em Macau

Apesar da atracção crescente pelo outro lado da fronteira, a maioria da população pretende ficar em Macau e contribuir para o desenvolvimento da sua terra natal. Esta conclusão foi apurada com base na resposta de 57 por cento dos inquiridos, que pretendem que o seu futuro passe pela RAEM.

Dado o interesse da população de Macau em ficar no território, a FAOM defende que o Governo tem de insistir na política de dar prioridade aos residentes locais no acesso aos empregos na RAEM. Neste sentido, a FAOM pede a criação de uma base de dados sobre os não-residentes, para tornar mais eficaz o combate aos trabalhadores ilegais.

Além disso, a equipa envolvida no estudo espera que sejam lançados apoios ao desenvolvimento profissional para diferentes idades, como apoios à realização de estágios, programas de aconselhamento de mudança de carreira profissional, requalificação profissional e incentivos para o regresso dos idosos ao mercado de trabalho.

AI assusta

Por sua vez, o deputado Leong Sun Iok mostrou-se preocupado com o impacto da inteligência artificial (IA) no mercado de emprego em Macau. “Podemos ver que cerca de 32 por cento dos inquiridos estão atentos ao desenvolvimento da economia digital. Por isso, esperamos que haja um mecanismo para inspeccionar e analisar o impacto da IA nos empregos”, afirmou Leong.

O deputado pediu ainda que seja criada uma inspecção obrigatória nas indústrias que utilizam mais inteligência artificial, para impedir vagas de despedimento.

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