Alfândega | Coutinho denuncia sobrecarga de trabalho e falta de pessoal

Sobrecarga de trabalho, criação de novas tarefas, falta de pessoal e perda de recursos humanos jovens estão a condicionar a labuta diária dos trabalhadores dos Serviços de Alfândega, segundo Pereira Coutinho. O deputado pergunta que planos tem o Governo para contornar a situação

 

O deputado Pereira Coutinho indicou ontem ter recebido pedidos de apoio de funcionários dos Serviços de Alfândega (SA)que se queixam do “aumento novas tarefas, a sobrecarga trabalho derivado da nítida falta de pessoal e a desestruturação da gestão de pessoas”. Numa interpelação escrita, o legislador refere que a situação de ruptura que se vive resultou no “crescente adoecimento físico e mental destes trabalhadores”, um “quadro preocupante que exige a atenção imediata das entidades tutelares”.

O deputado menciona o regime de trabalho por turnos, com plantões nocturnos e jornadas de trabalho que podem ultrapassar as 14 horas, provocando elevado desgaste físico, problemas musculares, perturbações neurológicas e esgotamento psicológico. Estes são alguns dos factores com que Pereira Coutinho justifica a saída de jovens agentes dos SA que invocam “razões de saúde”

Assim sendo, o deputado pergunta “que tipo de suportes psicológicos e médicos estão a ser disponibilizados aos trabalhadores das unidades mais pressionadas”, para prevenir o esgotamento e reduzir o stress laboral.

Outra questão apontada por Coutinho, é a perda de talentos jovens, “uma realidade documentada, com relatos de que cerca de 10 por cento dos jovens trabalhadores na sua totalidade licenciados deixam a instituição” devido à falta de correspondência entre habilitações académicas e tarefas “de lana caprina’” a que são incumbidos.

Problema de equilíbrio

O deputado refere também aquilo que designa como um “desequilíbrio significativo” nas estruturas de recursos humanos, com uma proporção entre quadros dirigentes e trabalhadores operacionais de 1 para 10, o que leva a um “desajustamento do pessoal nos níveis superiores e escassez crítica na base operacional”.

A soma destes factores resultou na “sobrecarga insustentável para os que permanecem na linha da frente, com repercussões graves na sua saúde e na qualidade do serviço prestado”. Coutinho sugere um plano de reafectação de pessoal para tratar de funções administrativas, de forma a libertar os agentes da linha da frente a reduzir a sobrecarga de trabalho.

A falta de progressão de carreira é outro dos problemas realçados por Pereira Coutinho. “Nos processos de promoção, além de um sistema de carreira extremamente congestionado, onde muitos trabalhadores permanecem uma década no mesmo posto”, o deputado argumenta que 60 por cento dos trabalhadores estão descontentes com o “actual sistema de avaliação de desempenho”.

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