Animais | Deputada quer combate à crueldade e abandono

Loi I Weng defendeu a revisão da lei da protecção dos animais, que está em vigor há 10 anos, por não ser suficiente para travar abandonos e penalizar actos cruéis. A deputada sugere também a criação de mais zonas para animais na cidade

 

Desde 2016 que a lei da protecção dos animais vigora em Macau, mas para a deputada Loi I Weng há ainda muito a melhorar na defesa dos direitos dos animais.

Em declarações ao programa matinal Fórum Macau do canal chinês da Rádio Macau, a deputada considerou ser necessário rever a legislação, referindo que o diploma está em vigor há dez anos, sem normas que desincentivem ao abandono de animais e o seu tratamento cruel. Além disso, Loi I Weng considera que é ainda difícil a criminalização de actos cruéis contra animais. “A lei não deve ser apenas uma ferramenta para punir depois de um episódio infeliz, deve também ser um guia para antes da ocorrência desses episódios”, disse.

Ainda assim, a deputada ligada à Associação Geral de Mulheres defende que a protecção dos animais é um dos indicadores de uma sociedade civilizada. “Podemos ver que demos os primeiros passos no desenvolvimento desta área, mas temos ainda um caminho a percorrer até atingir um objectivo ideal. Tanto a lei como as instalações devem acompanhar esta mudança social, sendo necessário aumentar a consciencialização dos donos”, defendeu.

Loi I Weng pede também melhorias nas infra-estruturas urbanas para o acolhimento de animais, como “a criação de zonas para passeio de cães com melhores condições de higiene”, bem como espaços para os animais beberem água ou ainda acções de incentivo para que comerciantes e negócios possam disponibilizar serviços a pensar nos animais de estimação dos clientes.

A deputada diz que os donos têm de assumir as suas responsabilidades cívicas, nomeadamente na recolha dos excrementos dos animais, entre outras acções.

Metro com cães

Quem também participou no debate do programa Fórum Macau foi o vice-presidente do Conselho Consultivo para os Assuntos Municipais do Instituto para os Assuntos Municipais, Kou Ngon Fong. Este referiu que as autoridades de Hong Kong têm lançado várias medidas a pensar nos animais, nomeadamente a permissão da presença de cães em restaurantes e em transportes públicos.

O responsável disse que o Metro Ligeiro poderá aceitar, de forma experimental, animais de estimação, mas é preciso haver consenso social sobre esta matéria, porque há pessoas que têm medo de animais. Kou Ngon Fong acrescentou que é importante pensar no equilíbrio da defesa de direitos de pessoas e animais.

Por seu turno, Aeson Lei, presidente da Associação de Qualidade Verde Marca, afirmou que actualmente cerca de 90 restaurantes em Macau permitem a entrada de animais de estimação. Há ainda 50 estabelecimentos que toleram animais de estimação. Aeson Lei acredita que a aceitação dos animais nestas situações contribui para melhorar a imagem internacional de Macau, além de trazer maior procura aos negócios.

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