Panamá espera cooperação marítima com China após reunião na ONU

O ministro dos Negócios Estrangeiros panamenho expressou ao homólogo chinês desejo de avanços na cooperação marítima, num contexto de tensão entre os dois países em torno do controlo de portos estratégicos perto do canal do Panamá.

Os responsáveis do Panamá e da China, Javier Martínez-Acha e Wang Yi, respectivamente, reuniram-se na terça-feira, em Nova Iorque, no âmbito do debate aberto de alto nível do Conselho de Segurança da ONU.

Trata-se do primeiro encontro de alto nível entre ambos os governos, num contexto de tensão devido à saída forçada de um operador chinês de dois portos próximos do Canal do Panamá e à detenção em massa, em portos chineses — como suposta reacção —, de navios com bandeira panamenha.

No encontro, as delegações trocaram pontos de vista sobre temas de interesse comum na agenda bilateral e multilateral, de acordo com um breve comunicado divulgado na noite de terça-feira pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Panamá. “Martínez-Acha Vásquez expressou, no decorrer da reunião, a disposição de avançar em canais técnicos de cooperação marítima”, afirma-se no comunicado oficial.

Na nota, salienta-se ainda que o Panamá reiterou “o pleno respeito pelo princípio de uma única China e o compromisso com o Estado de Direito e a independência na tomada de decisões das suas instituições democráticas, além do interesse de ambas as nações em manter uma relação mutuamente benéfica”. A informação oficial destaca ainda que as delegações concordaram com a importância do “diálogo franco e aberto, do respeito mútuo e do fortalecimento das relações”.

Haja harmonia

A reunião entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros foi descrita na segunda-feira pelo Governo panamenho como de “agenda aberta”, no âmbito de “uma maior harmonização das relações entre a China e o Panamá, países que há 170 anos mantêm relações migratórias, comerciais e culturais”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros num breve comunicado.

“O entendimento que se procura é o reconhecimento de como funciona o Estado de direito no Panamá (…) as decisões soberanas tomadas no país não são expressão de hostilidade contra nenhum Estado, e não devem ser interpretadas como tal noutros locais, nem devem ser motivo de retaliação”, afirmou à agência de notícias EFE o vice-ministro dos Assuntos Multilaterais e Cooperação, Carlos Guevara Mann, antes da reunião em Nova Iorque.

Tensão alta

Este encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros do Panamá e da China ocorre num contexto de tensão bilateral resultante da saída do conglomerado chinês CK Hutchison da exploração de dois portos situados perto do Canal, em Fevereiro passado, depois de o Supremo Tribunal panamiano ter declarado inconstitucional a concessão concedida há mais de vinte e cinco anos.

A China afirmou que o Panamá pagaria “um preço elevado” por retirar a CK Hutchison, e a empresa iniciou um processo de arbitragem internacional no valor de, pelo menos, dois mil milhões de dólares contra o Estado panamenho.

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