Mostra de Macau na Bienal de Veneza para ver até Novembro

A exposição “Polifonia de Jacone”, com trabalhos dos artistas locais Eric Fok Hoi Seng, O Chi Wai e Veronica Lei Fong Ieng, está patente até 22 de Novembro na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte – Bienal de Veneza. Com curadoria de Feng Yan e Cindy Ng Sio Ieng, e organizada pelo Instituto Cultural (IC) e Museu de Arte de Macau (MAM), a mostra foi recentemente inaugurada em Veneza.

Segundo uma nota do IC, a exposição segue “o fio narrativo da trajectória de vida do pintor, e poeta convertido ao catolicismo da dinastia Qing inicial, Wu Li (conhecido em português como Jacone), bem como a confluência cultural de Macau”.

Os três artistas, “através de uma lente contemporânea, desconstroem e reimaginam este legado, focando fragmentos esquecidos da história”, sendo que o projecto está de acordo com o tema da Bienal deste ano, “Em Tons Menores”. Segundo o IC, o conjunto de criações oferece ao público “uma meditação sobre compreensão e fusão intercultural no contexto da globalização”.

O IC descreve que os três artistas “respondem à jornada transcultural de Wu Li a partir das suas perspectivas distintas”, sendo que Eric Fok Hoi Seng “revisita cenas históricas através de pinturas minuciosas, criando uma disjunção entre o real e o imaginado”. Já O Chi Wai “trabalha com imagens e instalação para examinar a fluidez da fé e da cultura”, enquanto Veronica Lei Fong Ieng “tece memória e lugar com sensibilidade perceptiva”.

A “polifonia” de Jacone “emerge do diálogo entre estas obras e aborda a questão premente de como, num contexto global marcado pela convergência cultural, se pode traçar um caminho para a compreensão intercultural e o autodiálogo, permanecendo enraizado nas próprias raízes culturais”.

Desta forma, acrescenta o IC, “a exposição oferece também uma nova perspectiva sobre a identidade cultural singular de Macau como fronteira histórica do encontro entre Oriente e Ocidente”.

Uma figura peculiar

Wu Li “foi uma figura pioneira na troca intercultural durante o final da dinastia Ming e início da dinastia Qing”, tendo viajado para “Macau durante o reinado de Kangxi com intenção de seguir para Roma para estudos teológicos”.

Porém, Wu Li nunca chegou à Europa e ficou em Macau para prosseguir estudos em Teologia. Registou as suas experiências no álbum poético “Sanba Li (Colecção de Poemas de São Paulo)” e deixou “um testemunho vital do papel histórico da cidade como ponto de encontro entre as culturas chinesa e ocidental”.

Desta forma, a mostra patente na Bienal de Veneza “gira em torno da vida e produção cultural de Wu Li, empregando a linguagem da arte contemporânea para dar forma tangível à viagem europeia que permaneceu por cumprir há mais de trezentos anos”. “Polifonia de Jacone” pode ser vista gratuitamente em frente ao núcleo principal da Bienal, no Arsenale, Campo della Tana, Castello 2126/A, 30122, em Veneza.

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