Alerta para “graves consequências” face a ataques contra instalações nucleares no Irão

A China alertou ontem que acções contra “instalações nucleares pacíficas” podem ter “graves consequências para a paz e estabilidade” regionais, após o Irão ter denunciado ataques dos Estados Unidos próximo da central nuclear de Bushehr.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que “os ataques armados contra instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas e supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica violam os propósitos da Carta das Nações Unidas, o direito internacional e o Estatuto da AIEA”.

Mao sustentou que estas operações “minam gravemente a autoridade do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e enfraquecem os esforços para manter o regime internacional de não proliferação nuclear”. “A China defende uma solução pacífica para a questão nuclear iraniana por via política e diplomática”, acrescentou a porta-voz.

A campanha de bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel incluiu, nos últimos dias, três instalações nucleares, duas universidades, o edifício de uma televisão do Catar e zonas residenciais de Teerão, ataques que causaram mais de 70 mortos. Nos últimos dias, Estados Unidos e Israel têm centrado as suas acções nas indústrias do país, no seu programa nuclear e nos seus centros de conhecimento.

Degradação contínua

Ao final da passada sexta-feira, registou-se um ataque nas proximidades da central nuclear de Bushehr (sul) – o terceiro em dez dias – pelo que a instalação “continua a degradar-se”, segundo a Rússia, que construiu a central e está a retirar parte do seu pessoal.

A guerra opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde 28 de Fevereiro, quando estes lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra Israel, vários países do Golfo e posições associadas a Washington na região.

Pequim tem condenado reiteradamente as acções dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, por considerar que “violam a soberania” do país persa, embora também tenha apelado ao respeito pela integridade territorial dos países do Golfo, com os quais mantém laços estreitos.

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