Reflexões a propósito do Ano do Cavalo

Existe na Taipa um complexo residencial chamado “Pak Lok Garden”, que, na altura em que foi construído, era o único arranha-céus situado perto da pista de corridas da Companhia de Corridas de Cavalos a Trote com Atrelado, S. A. R. L. O nome do edifício, “Pak Lok Garden”, está relacionado com cavalos porque se situa perto da pista. Na antiga China “Mr. Pak Lok” era a pessoa que melhor entendia os pontos fortes e os pontos fracos destes equídeos. Muitos dos residentes do complexo trabalhavam à época na Companhia de Corridas de Cavalos a Trote com Atrelado ou no Jockey Clube de Macau.

Hoje em dia, “Pak Lok Garden” está rodeado por outros arranha-céus e parece um pouco antiquado e degradado. E infelizmente, embora “Pak Lok Garden” ainda exista, o “Jockey Clube de Macau” é actualmente apenas o nome de uma paragem de autocarros. As corridas de cavalos acabaram, todos os animais foram retirados e, sem eles, que papel pode ainda desempenhar “Mr. Pak Lok?

Na verdade, a pessoa que melhor entendia os cavalos na antiga China não era “Pak Lok” mas o filósofo Zhuang Zhou (ou Zhuangzi), que pode ser considerado como o primeiro defensor dos direitos dos animais desta civilização. Num ensaio intitulado “Casco de Cavalo”, Zhuang Zhou afirma que “os cavalos podem, com os cascos, pisar a geada e a neve e com a crina a resistir ao vento e ao frio; alimentam-se de relva quando têm fome e bebem água quando têm sede; saltam com as patas e saltitam quando estão felizes: esta é a verdadeira natureza dos cavalos. No entanto, quando “Pak Lok”, que era habilidoso a treinar cavalos, apareceu, começou a usar ferros em brasa para lhes remover a crina, tesouras para lhes aparar o pelo, ferramentas para aparar os cascos, ferros incandescentes para os marcar e rédeas para lhes restringir os movimentos. Mantinha-os em estábulos (currais) e alimentava-os através de bebedouros, provocando a morte de dois ou três em cada dez. Depois, usou vários métodos e ferramentas para os treinar, intimidando-os com chicotes e paus de bambu para os forçar a correr o mais rapidamente possível. Por fim, mais de metade dos cavalos a seu cargo acabou por morrer”.

Se o cavalo de corrida, “Ka Ying Rising”, recente campeão de Hong Kong, tivesse escolha, preferiria ser o detentor do recorde de vitórias seguidas, 18, sob o domínio do chicote do jocker ou correr na natureza em liberdade? De facto, tanto na vida como no trabalho, devemos deixar a natureza seguir o seu curso.

Tomemos as “habitações económicas” de Macau, que actualmente não estão a ser construídas, como exemplo A interrupção destas construções não se ficou a dever ao decréscimo da procura, mas sim porque depois de múltiplas alterações à “Lei da Habitação Económica”, este tipo de habitação deixou de ser apelativa quando comparada com o período da administração portuguesa de Macau, menos ainda do que o “Esquema de Casa Própria” de Hong Kong. O Governo da RAE de Macau não conseguiu utilizar a “habitação económica” como um mecanismo de regulação do mercado. Em vez disso, quem é elegível para comprar casa ao abrigo do sistema de “habitação económica” tem de morar no apartamento e se o quiser vender só poderá ser Governo a comprá-lo, ao mesmo preço que a que foi adquirido. Este condicionalismo à venda é um passo em frente ou um passo atrás em relação ao passado?

Durante os primeiros sete dias do Novo Ano Lunar, Macau registou um total de 1 milhão e 182 mil visitantes, com uma média diária de 168.000. No terceiro dia do Novo Ano Lunar Lunar (19 Fev.), o número de visitantes atingiu os 227.000, estabelecendo um novo recorde de chegadas diárias durante este período festivo. As maiores atracções turísticas estavam apinhadas de gente, e a polícia implementou o controlo de multidão por diversas vezes nas Ruínas de São Paulo e nos seus arredores. O esforço dos agentes da autoridade para manter a ordem merece louvor, dando a impressão de ser tratar apenas de uma zona muito movimentada.

Durante o período do Novo Ano Lunar, o Chefe do Executivo Sam Hou Fai visitou apenas uns poucos círculos de negócios comunitários e algumas zonas pedonais provisórias. Se Sam Hou Fai ficou a compreender melhor o padrão de consumo dos turistas, se analisou as condições das várias áreas residenciais, ou se estudou a tendência dos residentes de Macau para se irem abastecer em Zhuhai enquanto Macau se está a integrar na Área da Grande Baía, ou ainda se abordou o problema da pressão que enfrentam as PMEs depois do encerramento dos casinos-satélite, são questões em aberto que é provável virem a requerer uma séria atenção brevemente.

O caminho que se abre á nossa frente nunca é fácil. Desde o regresso de Macau à soberania chinesa, muito membros do Governo e muito políticos “perderam o pé”. Quem é que pode garantir que a corrida “Um País, Dois Sistemas” chega à meta? A importância da responsabilidade dos jockeys nesta corrida torna-se crucial.

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