China / ÁsiaJustiça | Anulada pena de morte de um canadiano num caso de droga Hoje Macau - 9 Fev 2026 A aproximação entre a China e o Canadá, reflectida na recente viagem do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, parece ter impactado no cancelamento da sentença de morte aplicada ao cidadão canadiano A China cancelou a pena de morte de um canadiano acusado de tráfico de droga por Pequim, disse sexta-feira uma fonte governamental canadiana, marcando um novo sinal de redução da tensão diplomática entre os dois países. Detido por tráfico de droga, Robert Lloyd Schellenberg tinha sido condenado à morte em Janeiro de 2019, altura em que as tensões eram muito fortes entre Pequim e Ottawa, após a detenção, em Vancouver (oeste do Canadá), de Meng Wanzhou, directora financeira da Huawei, a pedido dos Estados Unidos. Mas as relações desde então têm-se acalmado com a libertação de Meng Wanzhou e porque as políticas proteccionistas do Presidente americano Donald Trump e a sua diplomacia por vezes errática levaram o Canadá a aproximar-se da China. Em meados de Janeiro, o Presidente chinês, Xi Jinping, e o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, discutiram em Pequim uma nova parceria, após anos de desentendimentos. Uma porta-voz do Ministério canadiano dos Negócios Estrangeiros precisou que Ottawa tinha sido informado da “decisão do Supremo Tribunal Popular da República Popular da China no caso de Robert Schellenberg”. “O Canadá defendeu clemência neste caso, como faz para todos os canadianos condenados à pena de morte”, acrescentou. Detido em 2014 por tráfico de droga e condenado em primeira instância a 15 anos de prisão, Robert Lloyd Schellenberg foi novamente julgado e condenado à morte em 2019. Na altura, a justiça tinha considerado a pena inicial demasiado “branda”. O tribunal tinha-o acusado de ter desempenhado um “papel chave” num tráfico de droga destinado a enviar cerca de 222 quilos de metanfetamina para a Austrália. Já condenado no passado no Canadá por tráfico de estupefacientes, Schellenberg afirmava, por sua vez, ser apenas um turista que teria sido apanhado. A confirmação da sua pena ocorreu no momento em que Meng Wanzhou se encontrava perante um tribunal canadiano para audiências dedicadas à sua possível extradição para os Estados Unidos. A directora financeira da Huawei e filha do fundador do gigante chinês das telecomunicações era acusada de ter mentido para contornar as sanções americanas contra o Irão. Ao mesmo tempo, a China tinha também colocado atrás das grades dois cidadãos canadianos, Michael Kovrig e Michael Spavor, acusados de espionagem. Embora os três tenham sido, entretanto, libertados, as tensões persistiram, com Pequim a culpar Ottawa pelo seu suposto alinhamento com a política chinesa de Washington, até ao regresso de Donald Trump ao poder e sua ingerência nas eleições canadianas. Virar a página Ao deslocar-se a Pequim em meados de Janeiro, o primeiro-ministro Mark Carney quis virar a página de anos de atrito entre os dois países. Esta foi a primeira visita de um chefe de governo canadiano a Pequim desde a de Justin Trudeau, em Dezembro de 2017. Embora o Canadá tenha, historicamente, económica e politicamente, laços muito mais fortes com o seu vizinho americano, o Canadá e a China têm em comum sofrer, directa ou indirectamente, nos últimos anos, os efeitos das políticas agressivas do Presidente Donald Trump, tanto contra os seus rivais como contra os seus aliados. Carney assumiu o compromisso de ver o Canadá duplicar as suas exportações para países além dos Estados Unidos até 2035. E destacou o peso da China: segunda potência económica representando um terço do crescimento global e com a qual o comércio sustenta centenas de milhares de canadianos. A China é o segundo parceiro comercial do Canadá, atrás dos Estados Unidos. O volume de trocas de bens entre o Canadá e a China atingiu 89,62 mil milhões de dólares americanos em 2025.