China / Ásia InternacionalPCC | Relações entre China e Reino Unido devem ser vistas na perspectiva global Hoje Macau - 29 Jan 2026 A visita do primeiro-ministro britânico à China deu o mote para o editorial do Global Times, onde se destaca que o aprofundamento das relações entre as duas nações poderá ser um contributo significativo para a paz e estabilidade global Um jornal do Partido Comunista Chinês defendeu ontem que as relações entre China e Reino Unido devem ser vistas de uma perspectiva global, para além da visão bilateral, no início da visita a Pequim do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. “O fortalecimento de uma relação estável e previsível entre os dois países poderá contribuir não apenas para os interesses nacionais de ambas as partes, mas também para a promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento a nível global”, apontou o Global Times, em editorial. O jornal citou as declarações recentes do Presidente chinês, Xi Jinping, proferidas durante um encontro com o primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, nas quais o chefe de Estado chinês sublinhou que, perante um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos regionais e incerteza económica, a comunidade internacional deve reforçar a coordenação. Segundo Xi, os principais países devem assumir um papel de liderança responsável, promovendo a igualdade entre Estados, o respeito pela ordem internacional, a cooperação e a integridade nas relações internacionais. De acordo com o Global Times, estes princípios são igualmente aplicáveis às relações entre a China e o Reino Unido, defendendo o título que, apesar das diferenças políticas, ideológicas e estratégicas existentes, ambos os países dispõem de bases sólidas para aprofundar a cooperação. O jornal sustentou que o reconhecimento das divergências, aliado a uma gestão adequada dos desacordos e ao reforço do diálogo, é essencial para garantir um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais. Áreas de interesse O editorial destacou que a China e o Reino Unido mantêm interesses comuns em diversas áreas, incluindo comércio, investimento, finanças, ciência e tecnologia, educação e combate às alterações climáticas, e sublinhou que uma relação construtiva entre Pequim e Londres poderá desempenhar um papel positivo mais amplo no sistema internacional. “A cooperação entre grandes economias é um factor importante para enfrentar desafios globais comuns, como a transição energética, a segurança alimentar, a saúde pública e o desenvolvimento sustentável”, apontou. O jornal considerou que a confrontação e a lógica de blocos não oferecem soluções eficazes para os problemas globais actuais e manifestou a expectativa de que delegações britânicas que visitem a China possam transmitir ao Reino Unido e a outras sociedades ocidentais uma percepção mais directa da realidade chinesa. Segundo o Global Times, os visitantes terão contacto com um país “aberto, inclusivo e dinâmico”, defendendo que essa experiência “poderá contribuir para reduzir mal-entendidos e percepções consideradas distorcidas sobre a China no Ocidente”. Mais perto A visita de Starmer ocorre num momento de reajustamento da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump. Nos últimos anos, o Reino Unido tem manifestado preocupações relativamente a questões como direitos humanos, Hong Kong ou Taiwan, posições que têm sido rejeitadas por Pequim como ingerência nos seus assuntos internos. “A estabilidade das relações sino-britânicas depende da capacidade de ambas as partes evitarem a politização excessiva das relações económicas e de resistirem a pressões externas que possam comprometer a cooperação bilateral”, afirmou o editorial. A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre desde ontem e até sábado. Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai.