EventosGrande Baía | Lugar político de mulheres revela-se em exposição Andreia Sofia Silva - 4 Nov 2026 “Outros Portos – Outros Olhares. Digressão de Exposição de Fotografia pela Grande Baía” é o nome da mostra inaugurada este sábado no Rooftop Art Center em Cantão. O projecto, com co-curadoria da designer Clara Brito, conta com trabalhos de Mina Ao, Margarida Gouveia, Ting Song, Xing Danwen e O Zhang É inaugurada este sábado, dia 7, uma exposição de fotografia que traz o “debate da mulher enquanto sujeito político”, explorando-se a “visão feminista” dos conceitos de identidade e resistência. No Rooftop Art Center, em Cantão, apresenta-se “Outros Portos – Outros Olhares. Digressão de Exposição de Fotografia pela Grande Baía”, com trabalhos de Mina Ao, Margarida Gouveia, Ting Song, Xing Danwen e O Zhang. A cerimónia de inauguração começa às 18h30, ficando patente no número 8 da Yuwei West Road até 31 de Dezembro. Esta mostra tem um cariz itinerante, já que depois de uma passagem por Zhuhai, Shenzhen e até pela cidade do Porto, marcará presença também em Foshan, no Art On Space, a partir do dia 5 de Março do próximo ano. “Outros Portos, Outros Olhares” tem curadoria da designer local Clara Brito e de Gu Zhenqing, de Pequim, numa iniciativa da Associação Cultural +853 e do colectivo Tomorrow’s Heritage. Segundo comunicado da organização, esta mostra “cria uma narrativa visual organizada em volta de dois eixos significativos do debate relativo ao lugar da mulher enquanto tema político e, de um modo mais abrangente, no contexto dos feminismos contemporâneos”. O público pode observar estes temas nas obras de Mina Ao e Xing Danwen, por exemplo, já que “incidem sobre territórios de violência”, sejam eles “simbólicos ou materiais”. “Ao invés de se renderem ao medo e à vergonha, tentam demonstrar um olhar sincero e reflectir sobre estes assuntos”, é explicado. Relações intrínsecas Já os trabalhos de Ting Song, exploram temáticas como a “subjectividade feminina, tecnologia, colonialismo e culturas indígenas”. Olha-se ainda “o poder da cultura e de mulheres líderes em contextos políticos com desafios ao nível dos direitos e dinâmicas de ‘negociação cultural’ constante”. Por outro lado, O Zhang partiu do facto de desde 1991 ser possível a adopção de crianças chinesas por famílias americanas para documentar esta prática. Desde então foram adoptadas “mais de 55,000 crianças, sobretudo meninas”. Um dos trabalhos que mostra esta realidade é “Daddy & I” [O papá & Eu], explorando “a forma como diferentes aspectos étnicos e culturais afectam pais e filhas, em particular as percepções sobre estas novas famílias numa sociedade tão propensa a preconceitos”. Estas fotografias de O Zhang foram já reveladas no “Getxophoto International Festival”, tendo a fotógrafa criado “uma alegoria sobre o potencial da China enquanto nação e da sua capacidade de se adaptar a novas circunstâncias, aprendendo com o Ocidente””. “Outros Portos, Outros Olhares” quer mostrar arte em todas as cidades e territórios que compõem a Grande Baía, narrando “uma viagem de sinceridade e questionamento, sem constrangimentos ou receios, aceitando o modo como estas artistas sentem e vêem e questionam o género feminino”. Este sábado Clara Brito, co-curadora, estará no Rooftop Art Center para realizar uma visita guiada com interessados, estando ainda agendada uma conversa com artistas e curadores. A exposição em Cantão pode ser vista entre segunda-feira e domingo, das 9h às 20h. No tocante aos promotores deste projecto, a Associação +853, fundada em Macau em 2006, promove actividades anuais em Macau e em Portugal. A conexão à zona do Delta do Rio das Pérolas começou em 2015, e não faltam eventos no Brasil, organizados a partir de 2018. Esta mostra foi responsável por organizar 15 edições do festival “This is My City”, em Macau. No caso do projecto “Tomorrow’s Heritage”, desenvolvido em parceria com esta associação, conta com várias personalidades do mundo da arte, cultura e design e visa desenvolver “uma visão intercultural que questiona as possibilidades utópicas de legados futuros, além de cruzar patrimónios culturais seculares de duas regiões: a Grande Baía, na China, e os Países de Língua Portuguesa”.