Inverno

O vento norte sopra e as folhas amarelecidas caem das árvores, mas não é a força do vento que as faz cair; há muito que perderam os nutrientes e acabaram por murchar. Nada acontece por acaso; as sementes de infortúnio semeadas ao longo dos anos acabam por dar frutos amargos. O último Inverno foi difícil, e até que ponto é que o próximo será melhor?

França e Itália têm vivido tempos de grande agitação social, com motins e distúrbios por toda a parte. O descontentamento nasceu de condições económicas e políticas extremamente complexas. Mas as manifestações não se limitaram a estes dois países, estendem-se à Bélgica, a Espanha, a Portugal e a Albânia, nos Balcãs, tem sido palco de confrontos ferozes. O custo de vida, os salários, o preço da habitação e o desinvestimento dos governos nos serviços públicos têm sido as questões que preocupam os manifestantes em muitos destes países.

Mas porque é que surgiram problemas tão graves? A guerra russo-ucraniana que dura há quase cinco anos, pode ser uma das causas. Existem relatórios que afirmam que a guerra teve uma fase inicial altamente destrutiva, com a Rússia a usar uma estratégia militar de desgaste extremo (conhecida como táctica da picadora de carne), e o “custo da guerra está a devorar os dois países a partir de dentro”, com despesas militares diárias que ascendem a centenas de milhões de dólares. Tudo isto teve um enorme impacto nas finanças dos dois países com graves implicações no fornecimento de energia, no abastecimento alimentar e na economia dos países ocidentais a nível global.

Quem instigou a guerra russo-ucraniana? Quem são os seus apoiantes e quem acabará por lhe pôr um fim? O 33.º Encontro de Líderes Económicos da APEC, a ter lugar em Shenzhen, na China, de 18 a 19 de Novembro, poderá oferecer uma oportunidade para resolver estas questões.

Glenn Diesen, Professor de Relações Internacionais da Universidade Southeast Norway, acredita que a China pode desempenhar um papel determinante como promotor do diálogo internacional. Trazer de volta os diferentes países e regiões à mesa de negociações é uma missão diplomática importante e a China está numa posição ideal para assumir o papel de mediador. Este Inverno será marcado por turbulência política e ultrapassá-la conduzirá ao caminho da paz mundial.

A Quinta Sessão Plenária do 20.º Comité Central do Partido Comunista da China vai realizar-se em Pequim de 26 a 29 de Outubro e as eleições para o Congresso americano têm lugar a 3 de Novembro e, finalmente, as eleições locais em Taiwan vão acontecer a 28 de Novembro. A Sessão Plenária e as eleições para o Congresso terão um profundo impacto nas relações sino-americanas e nas relações ao longo do estreito (China continental-Taiwan). Qualquer uma delas pode desencadear o “efeito borboleta” e afectar cada canto do mundo e Macau não será excepção.

No seu discurso na Sessão Solene de Abertura do Ano Judiciário de 2026/2027, a 15 de Outubro, o Chefe do Executivo Sam Hou Fai declarou que “ao longo do ano transacto, os órgãos judiciais da RAEM cumpriram as atribuições que lhes são conferidas pela Lei Básica e pela legislação de Macau com firmeza, acataram com rigor os princípios basilares do Estado de Direito, salvaguardaram eficazmente os seus valores essenciais. Em especial, iniciaram, rigorosamente e nos termos da lei, a investigação e a apreciação do primeiro processo relacionado com a segurança nacional, defendendo-a com firmeza, bem como a estabilidade social”. 

O julgamento do primeiro caso relacionado com segurança nacional foi concluído no passado dia 18 de Setembro, e o veredicto, a anunciar, vai atrair a atenção pública. O profeta Amós disse uma vez: “Que a justiça desça como a chuva e a rectidão seja como um riacho que corre imparável”. Acredito que o espírito do Estado de direito não seja estranho ao Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, juiz de formação, e que compreenda que defender a justiça é crucial para que Macau seja regido por este princípio.

Para além da conclusão do primeiro caso envolvendo a Lei de Defesa da Segurança do Estado, outra preocupação central para o povo de Macau será certamente o próximo Relatório sobre as “Linhas de Acção Governativa (LAG) para o ano de 2027”.

Durante o recente feriado de Chong Yeong (Culto dos Antepassados), o mercado retalhista de Macau não registou um aumento significativo do volume de negócios impulsionado pela nova ronda dos “Prémios Consecutivos para o Consumo nas Zonas Comunitárias 2026”; em vez disso, esteve bastante calmo. Mas os negócios no “Novo Bairro de Macau” em Hengqin tiveram melhor desempenho. A recessão imobiliária em Macau reflecte-se na queda dos preços das propriedades e na diminuição do volume de vendas. As seis empresas integradas de turismo e lazer revelaram-se apoiantes firmes do Grande Prémio. E as outras empresas e associações, porque é que não estão envolvidas? O Inverno já chegou, mas quanto tempo falta para a Primavera de 2027?

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