SociedadeArqueologia | Peritos portugueses sugerem criação de Museu Hoje Macau - 16 Out 2026 Dois especialistas portugueses que estão em Macau para promover a arqueologia para crianças, em escolas locais de língua veicular portuguesa, sugeriram a criação de um Museu da Arqueologia na região semiautónoma chinesa. Em 08 de Outubro, foi encontrado um canhão, com cerca de 3,1 metros de comprimento, num estaleiro de obras na Ilha Verde, mas Natalina Guerreiro, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, disse à Lusa que “seguramente” que há mais artefactos por encontrar em Macau. “Principalmente aqui na zona histórica, cada edifício que entre em obras e que implique revolvimento dos solos, é muito provável que se encontrem contextos mais antigos”, confirmou José Luís Monteiro. Grandes obras “mereciam ser acompanhadas por um arqueólogo, no caso de apareceram vestígios”, defendeu Natalina Guerreiro. José Luís Monteiro sugeriu que “cada vez que há um projecto licenciado, e se sabe que vai haver ou dragagens ou revolvimento de solos, que houvesse uma equipa de arqueologia que pudesse estar presente”. “Caso acontecesse alguma coisa, os trabalhos tinham que ser suspensos temporariamente, fazer-se a recolha dos materiais, o registo depois a obra avançar”, explicou Monteiro. Materiais que poderiam, no futuro, ser usados para “criar, eventualmente, um museu de arqueologia”, acrescentou o português. História de trabalho Natalina Guerreiro e José Luís Monteiro, ambos funcionários do Património Cultural de Portugal, trabalharam, nos anos 1990, nas escavações das Ruínas de São Paulo e tratamento do espólio do Pátio da Ameaça e Santo Agostinho. “Trabalhámos muito para o museu lá de cima”, recordou Natalina Guerreiro, numa referência ao Museu de Macau, criado na Fortaleza do Monte. José Luís Monteiro admitiu que, ao deixar Macau, com a transição no horizonte, havia algum receio sobre “não um abandono, mas talvez um desinvestimento” no património de origem portuguesa. Mas, pelo contrário, o centro histórico de Macau foi até, em 2025, classificado como Património Mundial pela Organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO, na sigla em inglês). Duas décadas depois, “circulando no Centro Histórico percebe-se que há um cuidado com, pelo menos, as edificações históricas”, sem permitir a construção “dos famosos mamarrachos”, disse Monteiro. “Mesmo as Ruínas de São Paulo, que eram um aterro, está limpinho e consegue-se ver as estruturas por baixo”, sublinhou Natalina Guerreiro.